Memória - Arquivos da Mente III

Memória - Arquivos da Mente III

26 de Maio de 202625 min 29 s

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Abertura e saudação

Só damos mais uma vez cada um de vós que aí está, que sintonizou a TV Novo Tempo Portugal e aqui estamos em mais um episódio deste que é o seu programa Mentes Que Sentem. Aqui ao longo de várias semanas temos refletido, temos pensado juntos sobre aquilo que é saúde mental e todos nós num ou outro momento já tivemos um ou outro desafio que possivelmente vivemos nós ou algum querido que nós amamos e por isso estamos aqui com todo o carinho para trazer algumas informações, alguns ensinamentos que acreditamos que com a ajuda de Deus pode ser, sem dúvida, uma mais-valia para a sua vida. Nós estamos aqui, como sempre, já há muitas semanas, na presença da doutora

O papel do esquecimento

Cristina Dias. Olá, Cristina, mais uma vez, muito obrigada pela tua presença. Obrigada, Milú, no nosso cantinho do conforto. Isso mesmo. Quer nós, quer aqueles que nos escutam e sejam bem-vindos. Que bom. Cristina, nós ao longo dos últimos episódios nós estivemos a falar um bocadinho sobre esta questão das memórias. Já tentamos definir-se, portanto, esta questão do que é memória, daquilo que ela representa. Percebemos também que há coisas que nem sempre nós devemos levar muito a sério como reais, porque às vezes podemos ser nós próprios confundidos na nossa própria memória. E houve algo que tu disseste num dos episódios anteriores, creio que foi no último, em que disseste que o esquecimento, que está associado à questão da memória, não é por si só algo de negativo.

E eu gostava muito que tu pudesses desenvolver um bocadinho esta ideia. Obrigada, Milo. Sabes que eu creio que nós às vezes... Eu compreendo a pergunta que nos colocam de será que este esquecimento pelo qual eu estou a passar é um indicador de alerta de que poderá ser algo mais grave, porque nos assusta muito perdermos a autonomia daquilo, a nossa autonomia de vida, a autonomia daquilo que são as nossas vivências, que é a nossa vida, por assim dizer, e isso torna-se efetivamente assustador. Mas a verdade é que nós não nos lembramos de tudo. Não quer dizer que isso não tenha sido registrado no nosso cérebro, mas o nosso cérebro tem um mecanismo tem a ver com a valorização da informação, mas que na realidade é protetor.

Ou seja, vamos imaginar este exemplo. Aliás, um exemplo real. Eu recordo-me de uma colega e amiga que uma das características que ela tem, ela tem uma memória fantástica com números. E esta colega diz-me assim, tudo o que seja número de telefone, tudo o que seja número de matrículas de carros, eu lembro-me de tudo, mesmo que só tenha visto uma única vez. E a primeira vez que ela me disse isso, eu pensei, uau, que espetacular. E ela dizia-me, tu não imaginas que isto é desgastante. Porque às vezes eu quero aliar-me desta informação, parece que eu fico em curto circuito, parece que eu fico sobrecarregada. Portanto, o esquecimento não é necessariamente negativo só por si. Depende muitas vezes das circunstâncias em que ele ocorre e da faixa etária em que nós nos encontramos.

Muitas vezes ele é um mecanismo protetor também. E um exemplo vívido de como isso acontece com um mecanismo protetor tem a ver com as situações traumáticas. Nós temos várias situações em que a pessoa desenvolve uma amnésia parcial, por exemplo, ou uma amnésia temporária sobre um evento em concreto, porque é demasiado doloroso lidar com aquilo. Mesmo a nível de intervenção clínica, nem todos os profissionais estão de acordo que se elicite aquela memória em específico. Dizem que nem sempre é produtivo estar a elicitar aquela memória. Isto porquê? Porque nós sabemos, já temos falado muitas vezes disso, que a nível emocional o nosso cérebro não distingue uma ação pensada de uma ação executada.

Então, estar a ilicitar às vezes determinadas situações é reviver essas mesmas situações quando nem sempre temos estrutura emocional para poder lidar com elas. Agora, estou a dizer que se deve ou não se deve lembrar? Não de maneira nenhuma. O que eu estou a dizer é que em contexto clínico irá ver-se qual a abordagem mais adequada. Mas o esquecimento por si, ele não é o vilão. Portanto, ele não é necessariamente mau. Muitas vezes o esquecimento não deixa de ser um mecanismo de nos poupar. Ou numa situação traumática, ou porque então nós tínhamos excesso de informação. E gerir este excesso de informação causa-nos muito stress também. Estavas a falar e eu estava a me lembrar. É verdade que há vários versículos na Palavra de Deus que diz que nos devíamos de lembrar sempre das bênçãos que Deus nos concede diariamente.

Mas é interessante que estava a me lembrar daquele versículo do apóstolo Paulo, em que ele vai falar sobre essa questão do esquecimento, e nós encontramos isso em Filipenses no capítulo 3, quando ele diz, uma coisa eu faço, esqueço-me das coisas que para trás fico, ficam e avanço para aquelas que estão diante de mim. Ou seja, uma nota positiva em relação à questão do esquecimento, que é, sobretudo, coisas que nos possam travar, coisas que possam impedir o nosso desenvolvimento, o nosso crescimento, mesmo a nossa felicidade. Quando o apóstolo diz aqui, eu esqueço-me dessas coisas, mas prossigo para a frente. Portanto, uma postura na vida de não ficar... dependente de circunstâncias que nos deitem para baixo ou que nos impeçam realmente a desenvolvermos.

E depois lembrei-me daquele também de Jeremias, perdão, de Isaías, quando o Senhor, aqui até é um conselho do próprio Deus, quando ele diz aqui em Isaías 43, no versículo 18, não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Ou seja, esta questão da lembrança é uma coisa. Considerar ainda é mais profundo. É ficar, como dizer, a ruminar, perdoe-me a expressão, a remoer naquela questão, naquele pensamento, naquela ação ou naquela coisa que nós vivemos. E sem dúvida que na palavra de Deus encontramos também esta vertente. de o esquecimento ser alguma coisa que possa promover e ser até vivenciado de uma forma positiva. Aliás, Milo, utilizando esses dois exemplos que tu estavas a dar, O cérebro do apóstolo Paulo não era muito diferente do meu, nem do teu.

Eu acredito que quando ele faz este conselho de esquecerem do que para trás fica, ele não passou uma borracha no cérebro. Ele não esqueceu totalmente aquilo em relação ao qual ele não se sente confortável, ou foram vivências com as quais ele não se identificava na altura em que escreveu isso. Mas isto não significa que elas não lhe viessem à mente. Não eram valorizadas. não se centrava detalhadamente nas mesmas. E tu utilizaste a expressão ruminar e efetivamente é uma expressão clínica, o tal pensamento ruminante. Portanto, a pergunta é mesmo esta. Isto é saudável? Isto vai me levar a que resultado? Se não me leva a um resultado positivo, não é algo para investir.

E é verdade, falávamos na neuroplasticidade, não é? No episódio anterior. A verdade é que à medida que nós vamos adotando uma postura de não vou valorizar tanto, embora a minha mente, quando associa determinados estímulos, vai procurar aquele episódio ou aquela informação, à medida que eu não valorizo tanto, valorizo em termos de atenção, de dar atenção ou de me demorar sobre o episódio. Há como uma reconstrução de um caminho neuronal que me permite ver ou valorizar as coisas de outra forma, ou atribuir atenção a outras situações também. Portanto, isto é importante, porque às vezes nós temos este a ver. Uma coisa é o esquecimento, no sentido de, efetivamente, eu não me lembro desta situação.

Pode ser algo que é problemático, pode ser algo que é protetor. Outra coisa é, eu recordo-me da situação, mas eu não me demoro na situação. Eu esqueço-me na perspectiva de não investir tempo nem esforço na mesma. Já agora, Cristina, será que o nosso cérebro, podemos nos questionar, junta memórias semelhantes, idênticas entre si, ou seja, podemos confundir algumas dessas memórias que são bastante parecidas sem nos apercebermos disso?

Como funcionam as memórias

Às vezes elas nem precisam de ser parecidas. Nós dizíamos que uma das características da memória é que ela não é uma gravação. Ela é reconstrutiva, portanto. Ela o que vai fazer é apanhar fragmentos de informação e reconstrói. E provavelmente todos nós já fizemos aquela experiência engraçada em que nós temos uma palavra ou uma frase em que conseguimos perceber o início de cada palavra e o fim de cada palavra, mas as letras estão trocadas no meio. A verdade é que na maioria dos casos tu consegues ler a frase, não é? Porque o teu cérebro faz exatamente isto, preenche essas lacunas. Um dos grandes precursores desta investigação no âmbito da memória foi um psicólogo britânico chamado Frederick Bartlett.

Ele já não é vivo, este senhor lecionou na Universidade de Cambridge. E em 1932 ele fez uma experiência de The War of Ghosts, portanto a guerra dos fantasmas, que foi icónica no âmbito desta questão da memória. Qual era o objetivo dele? Por um lado era demonstrar que a nossa memória não é efetivamente uma reprodução fiel. Nós já tivemos a oportunidade de ver isso no episódio anterior, também através de outras experiências. Mas ele quis também chamar a atenção para um outro fator, e vai um bocadinho de encontro à pergunta que tu me fizeste. Que é, os nossos esquemas mentais influenciam as recordações que nós temos. E daqui a pouco eu já vou explicar com mais cuidado o que é que é isto dos esquemas mentais.

Quem é que eram os participantes? Eram adultos britânicos, estudantes britânicos? E o material era uma história indígena norte-americana chamada a Guerra dos Fantasmas. Portanto, era uma história com elementos culturais estranhos para aquela população. Continha personagens, eventos e rituais pouco familiares. É o mesmo que tu adora me dizeres, olha Cristina, eu preciso que tu revivas esta história que eu te vou contar e vais me contar uma experiência que culturalmente não tem nada a ver comigo. Por exemplo, uma experiência dos Andes. Eu posso até ter curiosidade sobre isso, mas até que ponto é que eu efetivamente sou capaz de recordar na íntegra e de forma coerente aquilo que tu me disseste.

Então, qual era o procedimento? Os participantes leram a história? e posteriormente foram convidados a recordar esta história e a recontar esta história. Num primeiro momento, logo após a leitura, mas depois foram chamados várias vezes durante as semanas e os meses seguintes. E este investigador, Bartlett, pediu que as pessoas descrevessem o mais detalhadamente possível aquilo que se recordavam. Quais foram os resultados que ele observou? Com o tempo ele percebeu que tudo aquilo que eram detalhes estranhos ou culturais, que não eram comuns àquela população, foram omitidos. Segundo, parte das histórias foram alteradas para torná-las mais lógicas ou familiares.

Um exemplo concreto. A história, por exemplo, utilizava a expressão canoa. Tu utilizavas a expressão barco ao longo do tempo. Tu tornaste isto mais compreensível à tua realidade. E a sequência dos acontecimentos foi encurtada ou simplificada. O que é que ele verificou também? Que as mudanças eram consistentes com os esquemas dos participantes. O que é que são os esquemas? Vamos dizer, vamos utilizar esta expressão simplista. Todos nós temos, são quase como se fossem atalhos mentais ou moldes mentais que nós utilizamos para compreender o mundo. Eu, quando vou a um restaurante, estou à espera de que entro, sou atendida, levam-me à mesa, apresentam uma carta, como e depois vou pagar.

Isto é o meu atalho mental. Isto é o meu esquema em relação a um restaurante. É incomum, neste meu esquema, eu chegar ao restaurante, estou à porta e pedem-me logo para pagar. Isto não faz parte do meu esquema. Então, o que nós nos lembramos é sempre influenciado pelo conhecimento prévio que nós temos das situações. Portanto, não só nós confundimos memórias, como nós adaptamos esta informação ao conhecimento, à questão cultural, e educacional que nós temos sobre as situações também. Muito bem. Nós vamos dar continuidade, daqui a pouquinho, a este ensinamento.

Dicas para melhorar a memória

Vamos fazer o nosso curto intervalo e já voltamos. Cá estamos na segunda parte de mais este episódio, momentos que se sentem. Queremos novamente, e como já é habitual, poder disponibilizar para si este manual, este guia de estudos sobre sentimentos, a ciência do existir. Encontrará aqui neste manual vários assuntos pertinentes em relação à questão da nossa saúde mental. Então se já tem em casa, muito bem, parabéns. Mas se não tem ou se quer oferecer a algum amigo, Entre em contato connosco através do 933 93 92 91 e nós teremos com certeza muito gosto em poder enviar para si totalmente gratuito este manual muito interessante e muito pertinente para a questão da saúde mental.

Cristina, em relação a esta questão, portanto, do que tu estavas a falar então, as memórias, portanto, o que é que nós poderemos dizer mais sobre isto? Da questão mesmo e do esquecimento que nós já tínhamos falado. Poderão elas ajudar-nos ou, no fundo, prejudicar-nos? Essa pergunta não tem uma resposta simples. Depende do grau de consciência que nós temos sobre as situações e a forma como nós as vamos gerindo. Agora, eu já vou tentar responder à tua pergunta e já vamos tentar perceber, em vez de a pergunta ser feita, poderão ajudar-nos ou atrapalhar-nos, talvez a pergunta seja mais no sentido de como é que nós a podemos estimular positivamente.

Mas deixa-me só retomar um bocadinho. Há pouco, uma das perguntas que tu me colocaste foi, e nós até introduzimos a experiência do Bartlett, foi, será que nós podemos confundir, o nosso cérebro pode confundir memórias semelhantes? E, efetivamente, pode. Aliás, um exemplo clássico é, tu estacionas o carro hoje e quando sais do trabalho vais procurá-lo no sítio onde o estacionaste ontem, que não era exatamente o mesmo sítio. Mas não só confunde memórias semelhantes, como muitas vezes agrega aquela questão da interpretação em função dos teus esquemas mentais. Porque o cérebro também tem uma característica que tem a ver com o fato de ele prioriza o significado e não necessariamente a precisão.

Não é tanto a precisão do detalhe, mas o significado que tu atribuis às coisas. Então, será que as nossas memórias são, na sua totalidade, íntegras, factuais, e que devemos dizer com toda a certeza que não existe fombra de dúvida? Não, efetivamente não. Agora, vou eu estar constantemente a duvidar das minhas memórias? Não. Terei que às tantas perceber quais são as evidências da realidade. Sobretudo se estou perante uma situação que pode ter outro tipo de consequências para mim ou para aqueles que estão à minha volta também. Então o que é que nós podemos fazer na prática, Cristina? Realmente é bom e nós aprendermos sobre isto e conhecermos todos esses ensinamentos, mas coloca-se a pergunta, o que é que podemos fazer na prática para melhorar exatamente a nossa memória?

E seguramente identificamos-nos, não é? E é isso que nós ambicionamos saber. No fundo, se puderes deixar algumas sugestões, que seria muito uma mais-valia para nós. São mesmo umas sugestões. São sugestões baseadas em evidência científica e não são nada que nós desconheçamos. Aliás, provavelmente irão ouvir-me dizer algo que já repeti noutras situações. O nosso grande problema, a maior parte das vezes, é que nós não valorizamos a consistência naquilo que deveríamos fazer. Então, vamos olhar para a memória como olhamos para um músculo. Ele tem que ser treinado. Portanto, se eu quero efetivamente resultados, ele tem que ser treinado. E agora, permite-me brincar aqui um bocadinho. Recentemente falava com alguém, uma pessoa que trabalha como responsável de um ginásio, portanto é PT, e a pessoa dizia-me, isto é como a primavera, as pessoas vêm todas depois do Natal, mas quando chega ali à questão da primavera aparecem as borboletas, desaparecem todas.

Porquê? Porque aparentemente já têm alguns dos resultados que queriam para poder mostrar. Portanto, muitas vezes as pessoas fazem as coisas pelo motivo errado. Nós temos que olhar para isto como um investimento a longo prazo. Então, algumas sugestões baseadas na ciência. A primeira é MEST. O que é que é isto do MEST? O exercício físico. E nós dizemos, o que é que o exercício físico tem a ver com a memória? A verdade é que um dos fatores mais estudados no âmbito do impacto que tem na memória aumenta a atividade do hipocampo, que é uma estrutura cerebral que nós falávamos nos episódios anteriores, fundamental nesta questão da memória, estimula a neuroplasticidade. E às vezes coisas tão simples como meia hora de caminhada por dia já fazem a diferença.

Eu posso fazer por acumulado, subir umas escadas, fazer uma corrida, fazer hidroginástica, natação, pilates. Aliás, temos uma sugestão. Se experimente fazer algum nível de exercício, por exemplo uma caminhada, antes de estudar. Antes de aprender algo novo, vai começar a perceber que vai ter ali algum impacto e alguma diferença também. Outra questão, que já falamos nos episódios anteriores, mas vamos voltar a insistir, dizíamos que um aspecto que é crítico para a memória é o sono. Então, prioriza o sono. E o que é isto de priorizar o sono? O sono é fundamental na consolidação das memórias, sobretudo o sono profundo. Priorizar tem a ver não só com o tempo que dormimos, portanto deveríamos dormir entre as 7 e 9 horas por noite, mas também a regularidade dos horários.

O deitar e o acordar, regra geral, mais ou menos na mesma altura também. Outra questão que é extremamente importante é desafiar o nosso cérebro. Eu tenho dito já várias vezes que o nosso cérebro é extremamente eficaz na perspetiva de fazer o máximo com o mínimo de dispêndio de energia. Ele vai sempre pelo caminho mais fácil e mais curto para a situação. O que é isto de estimular o nosso cérebro? Ele precisa de estímulos novos, precisa de desafios para se manter forte e para reforçar ligações neuronais ou criar novas ligações neuronais. Isto melhora a nossa atenção e a nossa memória. Coisas como ler livros, aprender, por exemplo, uma língua nova, fazer cálculos de cabeça, cálculos mentais, jogar jogos de estratégia, puzzles, damas, xadrez.

Outra coisa qualquer. Há aqueles brinquedinhos que é de encaixar ou desencaixar, muito pertinentes. A mim faz-me um sistema nervoso muito grande, mas pelos vistos desenvolve a questão da memória. E da motricidade. E da motricidade também. Embora um adulto já deva ter desenvolvido. Por exemplo, sopas de letras, palavras pesadas, sudoku, uma série de coisas. Isto estimula a nossa memória. Outra coisa que também estimula a nossa memória é nós contrariarmos pequenos hábitos. Então, eu sou uma pessoa dextra, utiliza mão direita prioritariamente. Esta semana eu vou lavar os dentes com a mão esquerda. eu estou a obrigar o meu cérebro a sair da sua zona de conforto e do seu automatismo. Outra questão que eu posso fazer é, eu estou habituada a ir, por exemplo, para o trabalho por aquele caminho, mas hoje eu vou fazer um caminho diferente.

Então há uma intencionalidade e este desafio, na realidade o que está a fazer é estimular esta capacidade cognitiva E ao estimular a capacidade cognitiva potencialmente atrasa a perda que pode estar associada à questão do envelhecimento ou a outra situação clinicamente mais grave também. nós podemos ter um bom carro. Se pusermos o mau combustível, o carro não vai funcionar. A alimentação é fundamental. Portanto, nós perguntamos, ok, o que é que a alimentação tem a ver com a questão da memória? Não nos esqueçamos que biologicamente, na base da memória, estão os nossos neurônios, as nossas células cerebrais. O tipo de alimentação que temos, priorizando uma alimentação saudável à base de frutas, vegetais, leguminosas, grãos integrais, retirando ou diminuindo significativamente a comida processada à questão do excesso de açúcar, isto vai ter um impacto significativo porque é um fator protetor a nível dos meus neurônios também.

Outra questão que se percebe que é crítica, sobretudo associada com o envelhecimento, e que tem um impacto direto na questão da memória, é manter-nos socialmente ativos. À medida que envelhecemos acabamos por isolar-nos mais, sobretudo quando entramos na questão da idade à reforma também, mas a verdade é que o manter-nos socialmente ativos, o conversar com as pessoas, ou de alguma forma partilhar experiências, o participar numa atividade, o fazer parte de um grupo de voluntariado, Isto é fundamental para manter a nossa memória ativa, porque estimula a linguagem, estimula o raciocínio, estimula a organização de ideias. E outra questão que é fundamental também, tem a ver com a gestão do stress e gestão da atenção.

O estresse crónico afeta-nos a vários níveis, mas afeta substancialmente o hipocampo também, a tal estrutura cerebral. E dificulta a nossa capacidade de concentração e o armazenamento de informação. Portanto, imagina que tens que avaliar primeiro o teu estresse, os fatores de estresse. Adrian, gostaria de falar só sobre o estresse, de alguma forma.

Gestão de stress e conclusão

Mas perceber o que é que funciona comigo como forma de alívio e de combate. pequenas pausas ao longo do dia, contacto com a natureza, sair de ambientes hiperestimulados, técnicas de respiração, evitar tarefas excessivas, muitas tarefas num curto espaço de tempo. Isto são fatores protetores e pequenas estratégias que, consolidadas no tempo, a tu e a minha memória vão agradecer. Que bom! Muito obrigada, Cristina, mais uma vez. É excelente podermos receber algumas dicas práticas de como melhorar a nossa memória e sem dúvida que estes últimos episódios foram muito bons para tratarmos deste assunto tão pertinente que não escolhe idade e, portanto, todos nós precisamos desta orientação e, uma vez mais, obrigada, Cristina, pela graça de Deus.

Assim, nós deixamos um abraço carinhoso, desejando que o Senhor continue a ajudá-la, Lembre-se que o Senhor está consigo. Isto é algo que nunca deveríamos de esquecer, é que acima de qualquer pessoa temos Deus, o nosso Criador, e que Ele, sem dúvida, está a fazer o melhor pela nossa vida. Nós estamos aqui também para o acompanhar. É sempre um prazer estar consigo e na próxima semana estaremos juntos, se Deus quiser. Até lá.

A nossa oferta

Sobre este episódio

Neste episódio de Mentes que Sentem, a conversa continua sobre a memória, mas desta vez com uma pergunta essencial, será que o esquecimento é sempre algo negativo?

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 51
Estreou
26 de Maio de 2026
Categoria
Saúde