Uma vez mais cá nos encontramos, pela graça de Deus, saudamos cada um de vós, nem mais um destes episódios do seu programa, menos que sentem. Seja muito bem-vindo, muito bem-vinda. Se já está connosco há muitas semanas, é um prazer e um gosto estar novamente consigo. Se é a primeira vez que está connosco, seja bem-vindo também e quem sabe poderá encontrar aqui alguma informação, algum ensinamento que seja uma mais-valia para a sua vida. Nós desejamos muito que, pela graça de Deus, usufrua de saúde a todos os níveis da sua vida e aqui que tratamos da saúde mental saudamos todos vós e pedimos a Deus que nos ajude a trazer alguma coisa que seja pertinente e útil para a sua vida.
Portanto, sejam bem-vindos e particularmente também, querida Cristina, doutora Cristina Dias, mais uma vez connosco. Obrigada, Cristina, pela tua presença. Obrigada a Eomilu e obrigada a Si, que está connosco também. Cristina, certamente, com certeza, todos nós já ouvimos falar, seja em relação a nós ou em relação a outra pessoa, frases como este tipo.
Ai, és demasiado sensível, levas as coisas muito a sério, muito a peito, reagens de forma muito intensa, tens de ser um bocadinho mais sereno, não há necessidade de seres assim. A minha pergunta é, será que isto é fragilidade ou é uma característica pessoal? Ou seja, esta questão de pessoas que nós achamos demasiadamente sensíveis. Podemos falar um bocadinho sobre isto e tentar explicar um bocadinho qual é realmente a questão e o problema. Esse será que é o problema. Pois, isso. Ora bem, permite-me introduzir um pequenino exemplo para poder responder a essa pergunta.
Recentemente falava com alguém que conheço, que tem um sobrinho que tem cerca de 19 anos, e a pessoa dizia-me algo. Sabes quando estamos nos nossos almoços de família, avós, tios, e isto costuma ocorrer naquela família em particular, todos os domingos isto acontecia. Este jovem, ele diz, eu não consigo comer à mesa convosco. Eles comem na sala, almoçam na sala e o jovem vai sentar no sofá. E ele não consegue comer porque o ruído das pessoas a falarem, os talheres a baterem, até o próprio ruído do mastigar das pessoas, é algo que lhe causa muita confusão. E nós podemos dizer, estás a exagerar. És demasiado sensível. Será que, efetivamente, sentir isto é frescura da tua parte?
Será que, efetivamente, este jovem está a sentir muito intensamente determinados estímulos? Será que é apenas uma característica dele? Ou será que o sistema nervoso desta pessoa está a processar o mundo com mais intensidade? E para poder responder um bocadinho à tua pergunta e tentarmos entrar neste tema, a psicologia tem uma comparação, sobretudo em relação às crianças, muito interessante. Compara flores. Por exemplo, um dente de leão. E nós olhamos para o dente de leão e o dente de leão cresce em vários locais. Portanto, tu olhas ele cresce no monte, por exemplo, mas tu és capaz de encontrar um dente de leão a crescer num muro. Por exemplo, ou tu és capaz de o encontrar numa fenda de um espaço qualquer.
E regra geral, esta é a perceção normal que nós temos das crianças. Ou seja, as crianças têm uma capacidade de adaptação a contextos diferentes e têm a capacidade de aprender a lidar com esses contextos que se assemelham muito ao Dente de Leão. Mas há crianças que parecem orquídeas. E o que é que é esta comparação que fazem com a orquídea? A orquídea é uma planta, é uma flor que precisa de cuidados muito específicos, não pode estar exposta a qualquer situação, não pode estar em qualquer contexto e precisa estar atenta às necessidades delas. Então será que a criança que tem uma característica de maior sensibilidade e de maior reatividade a determinados estímulos é problemática faça aquela criança que lida com os estímulos de uma forma diferente?
Será que a pergunta não deveria ser, em vez de ser, será que ser sensível é um problema? Mas a pergunta deveria ser, como é que nós lidamos com esta sensibilidade? Este assunto começou a ser mais divulgado na década de 1990 e veio na sequência de investigações feita por uma psicóloga clínica norte-americana, Elaine Aron. E ela introduz o conceito de high sensitive person, portanto, pessoa altamente sensível. Isto vem da observação clínica que ela vai fazendo ao longo dos seus anos de prática. Ela dizia, comecei a ver muitos pacientes que se descreviam como pessoas demasiado sensíveis, mas não apresentavam propriamente uma psicopatologia, não apresentavam propriamente uma alteração, um transtorno.
Ela, ao longo da sua investigação, propõe que esta característica possa ser um traço de personalidade e não propriamente um distúrbio. Em 1997, ela publica o seu primeiro grande artigo sobre o tema e ela propõe isto como um traço de personalidade e dá-lhe o nome de sensibilidade de processamento sensorial. Segundo ela, e depois muitos outros investigadores vieram dedicar-se a este tema, esta sensibilidade de processamento sensorial caracteriza-se por algumas dimensões. E já vamos ver como calma cada uma delas. O chamado processamento profundo da informação, uma maior reatividade emocional, uma elevada empatia que a pessoa sente, uma maior sensibilidade a estímulos sensoriais que afetam os teus sentidos e uma maior tendência a ficares subestimulado, sobrecarregado.
E ela organiza isso num modelo chamado modelo de OES, que são as siglas de palavras inglesas, mas que traduzidas diríamos o processamento profundo, a subestimulação, as emoções intensificadas e a sensibilidade a estímulos subtis.
Como é que nós podemos perceber se somos uma pessoa altamente sensível ou se estamos a lidar com alguém que tem este traço de personalidade? Ou esta característica individual? Ao organizar a informação neste modelo ela tentou responder essa questão. Então o que é que ela considera o processamento profundo? São situações de pessoas que, por exemplo, pensam muito antes de agirem, antes de tomar qualquer decisão, uma pessoa que avalia os vários ângulos sobre aquela questão, analisa com muito detalhe. São aquele tipo de pessoas que refletem muito sobre conversas que tiveram, por exemplo, e são capazes de reviver a conversa na sua mente, vez após vez, pensando o que é que a pessoa queria dizer, o que é que eu poderia ter dito, Qual foi a intencionalidade?
São pessoas que têm um interior muito rico, são altamente imaginativas e que se desfocam da realidade com muita facilidade. Sobretudo nas crianças, tu vês isto, com muita facilidade. A criança é capaz de estar numa sala de aula e rapidamente a mente dela já está a divulgar noutro espaço qualquer, noutro contexto qualquer. Outra característica tem a ver com esta característica da subestimulação. Ou seja, são pessoas que com facilidade ficam muito cansadas após eventos sociais. Pessoas em que ambientes barulhentos ou ambientes confusos elicitam irritabilidade, trazem uma sensação de que a pessoa fica facilmente esgotada. Há uma expressão muito engraçada que diz que parece que a minha bateria social Ficou esgotada, sem carga.
Não quer dizer que tu e eu, não tendo, por exemplo, esta característica, não fiquemos esgotadas num ambiente barulhento. Tem a ver com a duração, ou seja, a rapidez com que isso ocorre ou não. São pessoas que precisam frequentemente de ter tempo sozinhas para recuperarem níveis de energia. Não quer dizer que não sejam associáveis, mas precisam ir com mais frequência deste espaço individual para recuperar a energia. E são pessoas que se sentem facilmente sobrecarregadas, sobretudo quando lhes são pedidas mais do que uma tarefa. O multitasking. Há pessoas que lidam com mais facilidade com isto, há outras que não. Outra característica, ou outro conjunto de características, vem daquilo que ela designou as emoções intensificadas.
Ou seja, o que é que é isto das emoções intensificadas? Eu vivencio de forma mais intensa a tristeza, a alegria, a raiva, a perda, a euforia e a emoção afeta-me profundamente. Mas afeta-me profundamente não só a minha emoção, como a tua. Se tu estás triste, eu sinto quase fisicamente essa emoção em mim. Se tu estás alegre, essa alegria é como se fosse a minha alegria vivenciada diretamente pelo contexto que ocorreu comigo. São pessoas que, por exemplo, choram facilmente com músicas, com filmes, com histórias, têm dificuldade em controlar esta reação.
São pessoas para quem uma crítica asmagoa mais profundamente do que provavelmente para a pessoa que está ao seu lado. Portanto, imagina que tu me dizes, não fizeste bem isto. Foi uma observação. Eu até sou capaz de ficar desconfortável com essa observação, mas pronto, ok, vamos tentar lidar com esta. Agora imagina que eu sou uma pessoa que tenho esta característica. Essa observação de não fizeste bem isso pode ferir-me profundamente e levar-me a estar naquela ruminação mental que tantas vezes temos referido. São pessoas que têm uma forte empatia pelo outro. E esta forte empatia pelo outro não é sempre saudável. Porquê? Porque tínhamos falado aqui. Pois, vive-se as dores do outro. Agregamos as emoções do outro.
Agregamos sem conseguirmos fazer um filtro. Uma outra característica que o outro conjunto de características vem naquilo que se chama a sensibilidade a sutilezas. Ou seja, mais facilmente estas pessoas percebem detalhes que os outros não reparam. Porque são observadoras, conseguem reparar em coisas que tu não reparaste. E são pessoas que estão muito atentas ao detalhe da mudança emocional do outro. Vamos, por exemplo, pegar numa criança. Imaginem uma criança que está no contexto da escola. O barulho dos colegas, o barulho da campainha, o arrastar as cadeiras, o fazer a pergunta ao professor, isto pode ser um contexto normal para a maior parte das crianças, para uma criança altamente sensível isto pode ser um excesso de estímulos e estar a ter muita dificuldade a ingerir todos estes estímulos.
Mas esta também é aquela criança que é capaz de reparar na teia da aranha que estava no vidro, enquanto tu não reparaste. E também é aquela criança que percebe que o professor disse alguma coisa, mas pelo tom de voz percebe que o professor está cansado. E foi uma coisa que tu não reparaste. Ou percebe que o professor está mais triste do que é comum, por exemplo, acontecer. São pessoas também que para quem estímulos sensoriais, portanto luzes, cheiros, sons repetitivos, acabam por incomodar com mais frequência. Nós vamos ter a oportunidade de continuar esta reflexão pertinente. Vamos fazer a nossa habitual pausa e já voltamos. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
Saudamos novamente cada um de vós que está conosco. Continua a ser muito bem-vindo. Vamos para a segunda parte de mais este episódio. Sem antes nós podermos oferecer para si, para a sua casa ou para algum querido seu, ou amigo, ou conhecido, este manual de estudos que temos sempre muito prazer em poder enviar. através do número 933 939 291, poderá enviar uma mensagem, fazer o seu pedido e com certeza alguém da nossa equipa terá muito gosto em poder encaminhar para si este manual de estudo. É um manual que traz vários assuntos pertinentes, referentes à questão da saúde mental, Então, é muito bem-vindo em fazer este pedido, que nós teremos muito gosto em poder enviar para si, já sabe, o 933 939291 e com certeza alguém
enviará para si este manual. Cristina. Perante aquilo que tu estavas a dizer antes da nossa pausa, a pergunta que me vem à mente é qual é a prevalência da alta sensibilidade da população em geral, ou seja, sabendo essas porcentagens todas, e será que também há diferença entre homens e mulheres? Aquilo que a investigação tem vindo a demonstrar é que se estima que cerca de 15 a 20% da população apresente níveis elevados destes traços. Portanto, é um número significativo. E não há grande diferença entre homens e mulheres. Por incrível que pareça, nós até achávamos que isto era mais visível, por exemplo, nas mulheres do que nos homens.
Mas não há grande diferença. Inclusive, descobriram este traço em mais de 100 espécies animais. Conseguiram identificá-lo também. Há pouco eu referia que será que é o nosso cérebro que processa de forma mais intensa os estímulos também. O que é que eles perceberam através de estudos que utilizaram recurso a neuroimagens ou ressonâncias magnéticas ou outro tipo de estratégias? Perceberam que as pessoas que têm esta característica, há determinadas áreas do cérebro que são ativadas com mais frequência. Há áreas que estão associadas à empatia e à consciência emocional, há áreas associadas ao processamento sensorial detalhado e há áreas associadas à resposta do teu sistema autónomo, a estímulos intensos.
E uma das propostas que foi feita na altura por Aaron foi a proposta da teoria da sensibilidade diferencial, que é uma coisa que faz muito sentido nos dias que correm. Esta investigadora dizia que as pessoas altamente sensíveis não são apenas mais vulneráveis aos ambientes negativos. mas são também pessoas que mais beneficiam com os ambientes positivos. Ou seja, tu mudas o paradigma. Tu deixas de olhar para isto como uma fragilidade e olhas para isto como um recurso, como uma plasticidade que o teu cérebro tem de desenvolver determinadas características. O exemplo que dávamos daquela criança na escola.
O fato desta criança ter esta capacidade perceptiva não é necessariamente um handicap, não é necessariamente um erro. E se ela estiver num contexto em que isso seja estimulado, pode efetivamente transformar-se num recurso poderoso. No entanto, é verdade que nós vivemos numa sociedade que valoriza mais a resistência do que a sensibilidade. Parece que o ser forte é que é o mais valorizado. Será que nós estamos a atribuir a designação de doença a uma característica que, afinal, até pode ser normal? Eu creio que sobretudo, não tanto na comunidade científica, mas mais no nosso dia-a-dia, nós temos estereótipos.
Então, se tu vês uma pessoa ter uma atitude que foge um bocadinho do padrão, daquilo que tu consideras aceitável, Tu acabas por classificar essa pessoa e acabas por classificá-la de forma negativa. Agora pensa comigo. Vamos pensar, por exemplo, na questão de crianças ou adolescentes que estejam a lidar com isto. Uma coisa é que tu tens um educador ou tens um professor que tem conhecimento sobre esta situação e percebe que pode estimular isto na criança, respeitando os seus limites. Outra coisa é tu teres um educador que olha para aquilo e diz à criança, não, é preguiçosa ou não quer fazer ou é mal comportada. Agora imagina uma família, um contexto em que a própria família entende que está a lidar com um traço de personalidade e não com uma doença, porque isto não é uma doença.
E estamos a lidar com uma questão biológica até, eventualmente. Agora, quando se estudava sobre este tema, os investigadores fizeram a diferença entre, é importante diferenciar a alta sensibilidade da ansiedade, é importante diferenciar a alta sensibilidade da introversão, embora estima-se que cerca de 70% das pessoas que têm este traço de alta sensibilidade sejam também introvertidas, E ter a noção de que este traço pode aumentar a vulnerabilidade ao stress crónico, mas ele não é patológico em si. Portanto, depende da forma como vai ser gerido.
Então, como é que podíamos explicar, Cristina, de forma simples, a quem nos acompanha, a diferença entre exatamente isto, o paz e a ansiedade? Nós já falamos sobre a ansiedade em vários episódios. Vamos tentar sintetizar. Primeiro, qual é a origem? Uma pessoa altamente sensível, isto é um traço de personalidade, faz parte da forma como o teu sistema nervoso processa os estímulos e não é um transtorno. A ansiedade é uma resposta de alerta do teu sistema nervoso. e pode tornar-se um transtorno, pode evoluir para um transtorno, por exemplo, ansiedade generalizada. E está ligada sobretudo ao medo daquilo que pode acontecer. Por outro lado, o que é que ativa cada uma?
Uma pessoa com alta sensibilidade é o excesso de estímulos, são ambientes intensos e emoções fortes que, regra geral, ativam o desconforto que a pessoa pode sentir relativamente àquela situação. Enquanto que a ansiedade é um medo ou uma preocupação ou uma antecipação negativa, lida muito com pensamentos catastróficos, enquanto que a pessoa altamente sensível não tem tanta esta característica dos pensamentos catastróficos e está muito associada à ansiedade, à sensação de ameaça. Portanto, tu podes, por exemplo, ir a um shopping que está lotado, seres uma pessoa altamente sensível e aquilo estar a causar-te desconforto. E tu podes ser uma pessoa ansiosa que ainda não foste ao shopping, mas já estás a estimar tudo aquilo que de errado pode acontecer.
Por outro lado, como é que a pessoa se sente? A pessoa altamente sensível, ela sobretudo tem pensamentos deste género, é tudo demasiado intenso, eu preciso de silêncio, estou a sentir com muita profundidade as coisas. Enquanto que, por exemplo, a pessoa ansiosa já está a projetar no futuro. Algo vai correr mal, eu não estou segura, se acontecer o pior. As pessoas altamente sensíveis a nível de sintomatologia física, ela está mais expressa no cansaço, na irritabilidade e na necessidade de se recolher. Enquanto que, por exemplo, na questão das pessoas com ansiedade, nós estamos a falar de taquicardia, estamos a falar de sudação, de aperto no peito, de respiração acelerada, de tensão muscular, aqueles sintomas que nós já temos esta percepção.
Portanto, a pessoa altamente sensível, ela sente demais, enquanto que a pessoa ansiosa, ela preocupa-se demais. Se é que nós poderíamos utilizar esta comparação muito linear. Já agora, perante o que acabaste de falar, será que tu podes dar algumas sugestões práticas que possam ajudar realmente a melhorar a qualidade de vida para uma pessoa que tem esta alta sensibilidade?
Primeira coisa que eu gostava de reforçar é que não estamos a falar de um problema. Estamos a falar de uma aprendizagem para regularmos as nossas emoções. Não tem a ver com temos que mudar, temos que deixar de ser sensíveis. Não. Temos que aprender a gerir o impacto que essa sensibilidade tem em nós. Então a primeira coisa é recolher informação sobre isto. Quanto mais tu te informas e percebes que afinal aquilo não é propriamente uma coisa negativa, mas isto te liberta do estigma e da culpa e do peso do eu não devia ser assim. Então há uma ferramenta prática que eu sugiro que as pessoas possam fazer. ententes que és uma pessoa altamente sensível ou que estás a lidar com isto, cria um diário de registros.
O que é isto? Regista as situações em que sentiste que houve ali um pico de emoções ou que estiveste mais desconfortável. Regista aquilo que te causa sobrecarga. Se estiveste com alguma pessoa, se foi algo que a pessoa disse, se foi alguma tarefa, se foste tu que dormiste menos bem naquela noite. Portanto, é importante que tu registres tudo isto. E à medida que tu vais fazendo este diário de registros, tu vais começar a perceber que há um padrão. Ou seja, sempre que, por exemplo, eu durmo mal naquela noite, o meu índice de reatividade é maior. Então, que estratégia que eu posso ter para prevenir uma situação dessas? Ou sempre que eu estou perante uma pessoa, que de alguma forma é uma pessoa um bocadinho mais agressiva ou mais brusca, eu reajo de uma forma mais intensa.
Como é que eu poderei lidar com esta situação? Por outro lado, a investigação tem vindo a demonstrar que é sobretudo a subestimulação que é o maior fator de desgaste. Imagina, eu percebi por este diário de registro que de cada vez que eu estou numa apresentação, ou de cada vez que eu estou num evento social, ou de cada vez que eu estou com um jantar, ou que eu estou com um grupo de amigos, a intensidade destas emoções é avassaladora. Então a partir daí eu posso pegar numa estratégia que é, ok, eu vou ter o meu espaço, o meu tempo, eu vou dedicar agora 30 minutos para sair deste contexto, para fazer qualquer coisa que me relaxe de alguma forma. A redução das tarefas sistemáticas. Por outro lado, sobretudo quando tu estás a lidar com esta intensidade emocional, há duas estratégias muito simples para fazer com que o teu cérebro volte à realidade presente.
Uma delas é chamada a palavra âncora. E o que é a palavra âncora? É aquilo que te agarra, que te torna firme, que te diz, ok, eu não estou apenas a lidar com esta intensidade emocional, isto vai passar, eu vou gerir isto. E o que é a palavra âncora? É uma palavra que para ti seja significativa. Por exemplo, imagina que eu decidi que a palavra âncora que eu vou ter é equilíbrio. Quando eu me sinto a suburbada, eu começo a dizer equilíbrio. Isto vai me ajudar a refletir e a reorganizar a intensidade das emoções. Outra coisa que ajuda o meu cérebro a sair do contexto ameaçador e a voltar para o contexto presente É a orientação temporal. Eu estou a suburbada com determinadas situações.
Eu poderei perguntar, ok, hoje é segunda-feira, eu estou em casa, agora são 10 horas e eu tenho 25 anos de idade. Tu podes não ter noção, mas esta estratégia tão simples está a focar-te no presente. Outra estratégia que é importante, tem a ver sobretudo com a questão dos relacionamentos. E com esta intensidade emocional, às vezes não é oportuno tu estar envolvida numa conversa e não é oportuno tu responderes logo. Porque tu não vais ter a capacidade de gerir o impacto que aquilo te está a causar. Então cria aqui uma pausa e diz à pessoa, neste momento não consigo falar sobre isto, mas daqui a um bocadinho nós voltaremos a fazê-lo. E quando voltares a fazer, se eu a objetiva. Quando tu deixas, por exemplo, o telemóvel desligado, eu sinto uma flita, porque não sei o que é que vai acontecer.
O que eu preciso é que se tu ficaste sem bateria, des um contacto ex-tradicional, por exemplo, o contacto do trabalho. Por outro lado, também é muito importante que a pessoa perceba quando estamos a lidar com crianças, sobretudo com crianças que possam ter este traço de personalidade, a consistência na disciplina, mas sobretudo o explicar-se à criança o que é que vai acontecer e o porquê é extremamente importante para a criança. Isto ajuda a ter previsibilidade. E o desafio que eu gostaria de deixar àqueles que nos ouvem é, se alguém que nos ouve se identifica com algumas destas características, eu desafio que vá procurar mais informação em primeiro lugar.
Mas em segundo lugar, eu pergunto, ok, qual é o primeiro limite que tu vais começar a praticar? Tu percebes que tem que ser um limite interno ou externo, que tu tens de começar a praticar. Isto é tentativa e erro. Segundo, qual é a estratégia que te pode ajudar quando estás um bocadinho sobrevada, sobreestimulada, que te pode ajudar a serenar-se um pouco mais. E terceiro. Como é que eu posso olhar para esta característica, não necessariamente como um handicap, mas onde é que eu posso encontrar aqui um aspecto positivo desta característica? Cristina, muito obrigada. Sem dúvida que aprendemos sempre e realmente é um assunto muito interessante. Se calhar nunca tínhamos pensado nisso e da forma como tu nos instruíste.
E que bom que é, porque, como diz a palavra do Senhor no Salmo 139, 14, Senhor, eu te louvo porque me fizeste de um modo admirável e de um modo muito especial. E, independentemente das nossas sensibilidades, realmente o Senhor continua a abençoar-nos. Obrigada mais uma vez, Cristina. A SIGS teve connosco um abraço fraterno. Que bom foi estar aí. E na próxima semana cá estaremos, se Deus quiser. Até lá.
Neste episódio, exploramos um tema cada vez mais presente na área da saúde mental, a alta sensibilidade. Será que ser uma pessoa altamente sensível é sinal de fragilidade ou, pelo contrário, uma característica única e valiosa?