Inveja - O Veneno Silencioso (parte 2)

Inveja - O Veneno Silencioso (parte 2)

09 de Dezembro de 202527 min 2 s

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Olá mais uma vez, mais uma semana e cá estamos para mais um episódio do programa Mentes que se Sentem. Muito obrigada pelo vosso carinho, pelo vosso cuidado, também pelo vosso feedback e louvado seja Deus por estarmos aqui mais uma semana. semana após semana, para juntos convosco e consigo pensarmos, refletirmos, aprendermos, poder ultrapassar alguns daqueles que possam ser os nossos desafios mentais ou daqueles que nós amamos. Estamos aqui mais uma semana, com certeza, com a doutora Cristina Dias. Olá, querida. Seja bem-vinda mais uma vez e obrigada pelos teus ensinamentos. Obrigada, Milu, é sempre um conforto podermos estar aqui também.

É verdade, na graça de Deus. Cristina, no episódio passado nós iniciamos o estudo de algo muito interessante e muito peculiar, de algumas emoções que nem sempre nós falamos sobre elas, hoje compreendemos plenamente. Não quer dizer que não as sintamos, uns ou outros, mas o poder explicar e perceber e entender isso mesmo, que foi sobre a questão particularmente da inveja. E iniciaste e trouxeste para nós aquela experiência social, não é? Ou mesmo de aprendizagem de duas crianças que recebem bombons, um come os bombons mais rápido que o outro, e o outro achou que a solução, visto que agora já não tinha os dele porque tinha comido tudo, seria deitar fora aqueles que era do seu amiguinho ou do seu irmão, que já não me recordo muito bem do que tinhas dito, porque no fundo foi a inveja que o levou a ter essa atitude para com o outro pequenino que tinha exatamente esses bombons.

Desenvolver mais um bocadinho este ensinamento, por favor. Sabes que essa experiência é uma experiência real e sem dúvida nós, ou por nós

Teoria da comparação social

próprios ou por aquilo que se passa dentro de casa, conseguimos identificar com ela. Podem não ser bombons, pode ser outra coisa qualquer, mas o que esteve na origem da emoção e inveja ter sido disputada naquela criança foi a comparação. E é curioso que esta questão da comparação a nível emocional e a nível social tem vindo a ser altamente estudada. Em 1954, um psicólogo norte-americano, Leo Fenstinger, propõe a teoria da comparação social, que tem vindo a ser amplamente estudada a partir daí. Mas em que um dos pressupostos diz-nos que as pessoas têm uma necessidade inata de se avaliarem. E como nós não conseguimos medir diretamente o nosso valor, nós utilizamos os outros como espelhos.

Então o que é que nós comparamos? Tudo. Comparamos as nossas habilidades, comparamos o nosso desempenho, comparamos a nossa aparência física, comparamos o nosso sucesso, comparamos o status, comparamos o reconhecimento, etc, etc, etc. E isto tem várias consequências, mas nós poderíamos dividi-las em dois grandes grupos. Uma das consequências é ajudar-nos a posicionar. Portanto, eu tenho a perspetiva de que como é que eu estou perante o grupo. Vamos imaginar que eu estou a fazer, sei lá, uma receita nova. Eu comparo-me com quem me ensina na perspetiva de evoluir. Eu tenho uma noção de em que fase é que eu me encontro. mas não é de todo incomum, muito pelo contrário.

Esta questão da comparação, elicitar sentimentos de inveja, emoções de inveja nas pessoas, fere a nossa autoestima e alimenta essa questão da inveja. Em 2007, Um grupo de investigadores que se dedica a investigar a inveja enquanto emoção e o impacto dela na nossa saúde e nas nossas decisões, no nosso comportamento, trouxe uma definição que fala por si própria. E eu vou lê-la. Smith and Kim, no seu estudo sobre compreender a inveja, que veio ao público em 2007, diz-nos o seguinte. Inveja é uma emoção negativa que ocorre quando uma pessoa percebe que a outra possui algo desejável, um atributo, uma conquista, um status ou um bem, que ela própria gostaria de ter, acompanhada por sentimentos de inferioridade, frustração ou ressentimento.

Portanto, se nós fôssemos traduzir, retirar os contextos-chave, nós diríamos que inveja leva a pessoa a desejar o que o outro tem, E faz com que a pessoa sofra por se sentir em desvantagem. Há aqui uma noção de inferioridade, de insuficiência. Nós olhamos frequentemente para a inveja sob a perspectiva de moralidade. Portanto, os valores morais, o sentir, não sentir, o ser correto, não ser

O cérebro e a inveja

correto. Mas o que é que acontece, particularmente dentro do nosso cérebro, quando nós sentimos inveja? Essa pergunta é extremamente interessante. E à medida que nós vamos compreendendo um bocadinho a biologia do nosso funcionamento, olhamos para as coisas numa perspectiva um bocadinho diferente. E é interessante porque tudo aquilo que eu vou falar reportam-se a estudos nestas áreas. É interessante porque tentaram responder exatamente a essa pergunta. Portanto, investigadores têm vindo a tentar responder. E o que é que eles percebem? Que quando nós sentimos inveja, quando esta emoção é disputada em nós, há uma série de estruturas cerebrais que ficam envolvidas. Portanto, uma das estruturas cerebrais é o córtex singulado anterior.

Acontece que esta estrutura cerebral está muito associada à dor física e emocional. Portanto, quando nós sentimos inveja porque tu tens alguma coisa que eu quero, E, efetivamente, o cérebro experimenta a inveja como uma forma de dor. É como se o meu cérebro dissesse, isto dói porque eu quero que o outro tenha. Portanto, às vezes atribuir só uma conotação moral às coisas é demasiado simplista. Outra estrutura que é ativada a nível cerebral, e que nós já falamos sobre algumas vezes, é o córtex pré-frontal. E nós temos tratado bem o nosso córtex pré-frontal porque ele é responsável pela parte das decisões, pela regulação dos processos emocionais.

E ele entra aqui em ação e tenta perceber como é que eu vou autorregular isto que eu estou a sentir agora. Ao mesmo tempo, outra estrutura cerebral que é posta em causa é o estriado ventral. E o estriado ventral está associado ao sistema de recompensa. Também já tivemos a oportunidade de falar nele noutros episódios e iremos mais à frente voltar a tocar nisto. E há alguns estudos muito interessantes que mostram Quando, por exemplo, imagina que tu tens algo que eu quero e eu sinto inveja por ti, ou fazes algo e tu tens, ou em sucesso, ou perdes, na realidade este estriado ventral é acionado e eu sinto prazer pela tua perda.

Ou porque tu foste incapaz de. E outra estrutura cerebral que é envolvida é a amígdala. A amígdala está muito associada à parte das emoções, ajuda a gerar emoções intensas, como por exemplo a inveja, e está muito no mecanismo de alerta. Portanto, ela fica alerta e diz assim, o outro tem algo que eu quero e eu estou a ficar para trás. Portanto, aquilo que ocorre é que nós temos todo um mecanismo de resposta a nível de estruturas cerebrais que é altamente complexo, e que tem que nos ajudar a compreender que se nós conhecermos como é que a inveja despleta em nós determinados tipos de comportamentos, isto vai nos ajudar a saber agir mais facilmente sobre esta situação.

Eu gostava de aproveitar, Miru, e quando nós falamos em emoções às quais atribuímos um caráter de moralidade, nós até estamos mais vocacionados para as vermos na perspectiva da saúde. Mas eu gostava de te lançar uma pergunta que eu lancei a mim própria, na altura

Inveja e economia

em que eu fui confrontada com isto. Tu achas que inveja e economia têm alguma coisa a ver? Só se for a inveja do dinheiro do outro, não sei. Às vezes essa é a perspectiva que temos. Sabes que, tal como eu tinha referido no início, têm vindo a lume vários estudos científicos neste âmbito. e alguns têm sido feitos no âmbito da economia comportamental e da neuroeconomia. E eu trouxe exatamente dois, porque eu quero levar-nos a pensarmos um bocadinho fora da caixa, fora daquilo que é tradicional. Há um pesquisador alemão, um economista, Werner Guth, eu nem sei se estou a pronunciar completamente o nome, que ele e a sua equipa têm desenvolvido vários estudos neste âmbito.

E em 1982 eles desenvolveram um estudo e uma experiência social altamente interessante, que se chama o jogo do ultimato, o ultimatum game. E o que é que eles tentavam perceber? Eles tentavam investigar de que forma é que o comportamento humano em decisões econômicas, mas que tenha uma competência social, é ou não alterado consoante a parte da emoção. Isto porquê? Porque na altura uma das grandes linhas de pensamento na economia dizia que o comportamento humano face a questões econômicas é puramente lógico, pragmático e irracional. Então, como é que funciona o jogo? O jogo envolve duas pessoas, portanto vamos imaginar eu e tu, somos ambas os participantes.

Eu sou aquela que propõe, tu és aquela que recebe. E a mim é-me dado um determinado valor, imagina 10 euros, e eu vou propor-te uma divisão deste valor. Quais são duas das regras implícitas neste jogo? A primeira é que tu podes recusar ou aceitar a oferta. Se tu aceitares, ambas recebemos o valor que foi proposto. Se tu rejeitares, nenhuma de nós recebe o valor. Então vamos imaginar que eu diga assim, Miluto, tenho aqui 10 euros, eu proponho que eu fique com 9 euros e tu 1. Tu aceitarias? Pois querida, depende do dia em que eu estivesse, não é? Mais generosa ou menos generosa. Mas é complicado. Sabes que quando eu estava a tentar responder a mim própria, eu pensei, eu não.

Então fica lá com o dinheiro. Foi a primeira coisa que me veio à mente. Mas isto contraria aquela lógica de que a decisão econômica era puramente racional. Porque então nós diríamos, um euro é melhor do que nada. Não é? O que é que eles começaram a perceber? Que havia um padrão nas respostas. Entre eles, as pessoas frequentemente rejeitam ofertas que elas consideram injustas. E o padrão, regra geral de divisão, andava na ordem dos 40 a 60 ou dos 50 a 50%. E demonstrou que emoções como a inveja, o ressentimento, a injustiça, a raiva, influenciam a forma como tu vais responder.

Então será que nós temos que olhar para a inveja apenas nesta perspectiva do não podes ser invejoso ou não podes sentir inveja? Porque eu vou sentir. Se a minha estrutura cerebral é ativada nesse sentido, eu não consigo fazer aqui um reset, não é? Então a pergunta talvez seja não tanto a questão de devo ou não devo sentir, mas como é que eu vou administrar. E permite-me só dar aqui um segundo exemplo também no âmbito da economia. Em 1996, uma equipa de economistas e investigadores, Clark and Clark, eles propuseram um estudo em que eles tentavam responder a esta pergunta. Como é que a comparação de rendimentos afeta a satisfação pessoal? foram analisar dados de milhares de trabalhadores britânicos e eles tentaram observar a relação entre aquilo que era o salário absoluto, portanto aquilo que tu recebes, efetivamente recebes, e o salário relativo, que é aquilo que tu ganhas em comparação com o que ganha o teu colega, que está ao mesmo nível que tu.

E acabaram por perceber que a felicidade ou a satisfação no trabalho não dependia apenas do salário que tu recebias, mas de quanto é que tu ganhavas em comparação com os outros. Ou seja, sempre que tu tinhas um rendimento semelhante àquele que é o teu colega e que tu achas que está mais ou menos ao mesmo nível, mesmo que sejam um bocadinho inferior, os teus níveis de satisfação eram superiores. Sempre que tu tinhas um rendimento inferior ao dos teus colegas, mesmo que o teu valor absoluto de salário até fosse elevado, tu acabavas por ter um senso de menor satisfação. Exemplo prático, imagina que ambas somos colegas de trabalho, eu ganho mil euros e tu ganhas mil euros, ok?

Ok, se bem. Imagina que somos colegas de trabalho. Eu ganho 2 mil e tu ganhas 3 mil. Já não é sereno. E nós até podemos dizer que, disparado, 2 mil euros é mais do que 1 mil euros. Pois é, mas isto continuado no tempo nós não temos esta reação, portanto. O bem-estar estava associado a esta posição social, a esta comparação, e ilicitava o que está aqui na base. São duas questões, a injustiça e a inveja. Quer queiramos, quer não, é aquilo que está na origem desta situação também. Nós vamos continuar a estudar sobre isso e ouvir mais destes ensinamentos preciosos. Vamos apenas fazer uma pausa para um curto intervalo, como já é habitual, e já voltamos.

TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Aqui estamos uma vez mais, já voltamos, cá estamos juntos para continuarmos este assunto tão interessante que nós já iniciamos a questão da inveja, mas não sem antes de poder uma vez mais propor para vós este manual, este guia de estudo, para si ou para algum amigo que tenha que tem assuntos tão interessantes, tão pertinentes para a nossa saúde mental. Através do 933 939 291 temos para si guardado de forma gratuita para enviar para a sua casa para realmente poder ser uma benção esta leitura. Portanto, não deixe-se de pedir este manual e este guia de estudo que será com certeza uma benção na sua casa.

Cristina, é muito interessante mesmo este assunto que estamos a dar início, que iniciámos há pouquinho. Como compreender melhor esta questão de inveja, não ser só apenas a questão de

Inveja benigna e maliciosa

um problema moral, mas em outras situações, como tu já falaste há pouquinho, termos uma visão e uma perceção diferente deste sentimento, desta emoção, que é a inveja? Sabes que nós falávamos, lemos uma definição de inveja por um grupo de investigadores em que eles diziam que era uma emoção negativa. A verdade é que à medida que têm vindo a ser estudada mais em profundidade. Tem mudado um bocadinho a perspectiva sobre esta situação. E eu gostava de ler a definição que foi feita por um grupo de trabalho de investigadores holandeses em 2016 sobre a questão da inveja. E já vais ver a diferença.

Nós vamos transitar do é algo mau para uma coisa um bocadinho diferente. Diz assim, a inveja é uma resposta emocional complexa que combina dor social, comparação e motivação. pode ser destrutiva ou construtiva, conforme o modo como é processada cognitivamente. E isto obriga-nos a pensar um bocadinho fora daquilo que são os nossos padrões, porque nós, tal como tínhamos falado, nós dizemos não, não podes, não deves. Então ele diz aqui que cada vez mais a investigação tem demonstrado que há duas componentes da inveja, o que eles chamam a inveja maliciosa, portanto eu desejo que o outro perca, e a inveja benigna. E eu posso pensar, inveja e benigno, como é que estas duas palavras estão associadas?

Que é algo que embora nos cause frustração, motiva-nos para a ação, impulsiona-nos a querer o que o outro tem, sem ser apenas numa perspectiva negativa. E se nós pudéssemos avaliar a grande diferença entre elas as duas, nós dizíamos, aquilo que é a motivação central da inveja benigna é, eu quero ser tão bom como tu. Mas aquilo que é a motivação central da inveja maliciosa é, eu quero que tu percas o que tens. A emoção associada à inveja benigna é frustração, motivação, respeito. A emoção associada à inveja maliciosa é raiva, frustração, hostilidade, ressentimento. O foco da atenção na inveja benigna está associada com o objeto que tu tens ou com a meta que tu alcançaste.

O foco da atenção na inveja maliciosa está direcionada para ti, enquanto pessoa, e para a injustiça da nossa diferença. E em termos de impacto na nossa reação, no nosso comportamento, A inveja benigna impulsiona-nos para a ação, para uma competição até saudável, enquanto que a inveja maliciosa acaba por nos trazer um mecanismo auto-sabotador de crítica e de injustiça. Eu achei muito interessante e creio que para a maioria de nós esta questão de inveja benigna é algo de novo, não é? Porque parece um contrassenso. exatamente pela ideia pré-concebida que nós já temos, sobretudo moralmente falando, sobre a questão da inveja, não é?

Agora, uma inveja benigna. Podes clarificar, por favor, com termos práticos, como é que isto funciona, para percebermos melhor? Eu não quero que nós interpretemos incorretamente isto que eu estou a dizer. Eu não estou agora a dizer que vamos andar a sentir inveja uns dos outros, que é muito bom, não é nada disso. O que eu estou a dizer é que nós optamos, regra geral, por incolocar uns aos outros que devem suprimir esta emoção. Não. O que nós temos que fazer é aprender a administrá-la, que é uma coisa diferente. E para responder a essa pergunta, eu gostava de trazer um episódio que a história retrata que eu acho muito interessante. Existe uma prova no atletismo que é a prova de velocidade dos 100 metros. E durante muitos anos os recordes desta prova estavam à volta dos 10 segundos e qualquer coisa, 10.5, 10.6, 10.3, mas não se conseguia baixar dos 10 segundos.

E de tal ordem isto era evidente, que chegaram alguns peritos na área a dizer que era biologicamente impossível para o ser humano conseguir se fazer isto. Até que nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, há um atleta norte-americano, Jim Himes, que ficou conhecido por tendo quebrado este recorde histórico. Portanto, foi o primeiro ser humano a correr os 100 metros abaixo dos 10 segundos. E ele efetivamente estabeleceu o recorde em 9.95 segundos. Agora, a pergunta que se fez para toda aquela comunidade desportiva à volta foi, afinal, o que nós assumíamos como uma impossibilidade é passível de ser feito?

E a verdade é que se tu fores ver depois as marcas que vêm a seguir, tu vais ver sempre isto a diminuir, até que vem a Usain Bolt e ficou em 2009 na marca dos 9.58 segundos. Então, isto estimulou, isto criou uma comparação saudável e até o que esteve na origem também foi a inveja, porque eu quero que tu tens. Então, o exercício que eu gostaria de nos colocar Mais uma vez são algumas perguntas, ou seja, então como é que eu posso tentar perceber, na realidade, se eu estou a ter a lidar com uma inveja benigna ou com uma inveja maliciosa. Então vamos imaginar esta questão do desporto, do que eu acabei de dar como exemplo.

E tentaria responder estas perguntas. O que é que me incomodou exatamente no sucesso do outro? Porque me incomodou o quê? Que o Jim Himes conseguisse ter feito aquilo. E porquê que me incomoda? Porque eu também quero, eventualmente. Eu quero o que ele tem ou eu quero o que ele quer sentir, o que ele parece estar a sentir. Por outro lado, outra questão, aquela performance. Faz-me sentir, apesar de frustrado, porque eu também quero, faz-me sentir inspirado ou faz-me sentir diminuído e preso a esta frustração? Será que eu consigo transformar isto em algo construtivo para mim? E se eu fosse um amigo íntimo do Jim Hines, eu conseguiria ficar genuinamente feliz por ele?

Portanto, estas perguntas podem nos ajudar a tentar perceber com que tipo de inveja é que nós estamos a lidar e a redirecionar a maneira como nós a estamos a gerir.

Impacto na saúde

Cristina, para além daquilo que já fomos referindo, poderias apontar, por favor, outras razões? Por que é que é importante nós refletirmos nesta questão da inveja? E sobretudo sublinhar esse aspecto e esse ensino novo, possivelmente para a maior parte de nós, que trouxeste agora. Eu creio que quando nós começamos a falar sobre este assunto, a maior parte daqueles que nos acompanham devem ter pensado, ok, como é que isto tem impacto na saúde, não é? Porque era aquilo que nós pensaríamos, efetivamente. Então, sim. É importante falarmos sobre a questão da inveja porque ela tem impacto na nossa saúde. E isto não é uma coisa que eu me lembrei de dizer, é uma coisa que cientificamente está comprovada.

Portanto, quando nós sentimos inveja, sobretudo a inveja maliciosa, não quer dizer que a inveja benigna não ative os mesmos mecanismos, mas tem depois a ver com a forma como nós a administramos. Nós temos o aumento do cortisol, e recordas-te que o cortisol estava associado aos fatores de stress também. Nós temos o aumento da pressão arterial, nós temos a propensão para o desenvolvimento de maiores estados inflamatórios, nós temos problemas crástricos, temos tensão muscular. Há uma série de estudos que demonstram o impacto da inveja na nossa saúde física. Mas existem impactos, às vezes muito sutis, na nossa saúde emocional e, por inerência, na parte comportamental.

Uma delas é a insatisfação crónica. Parece que nada me satisfaz, parece que nada é suficiente e muitos de nós temos posturas perante a vida que assentam nesta perspectiva e nem sempre reconhecemos que o que está na base é a comparação e a inveja. Outra coisa tem a ver com a autoestima, iremos ter a oportunidade de falar sobre a autoestima. Mas a nossa autoestima tem instabilidade porque ela é comparada a fatores externos. É uma comparação social. Portanto, se hoje eu uso o amarelo e toda a gente usa o amarelo, eu estou bem. Mas se eu gosto de usar o amarelo e ninguém gosta do amarelo, como é que fica a minha autoestima perante esta situação? Claro que isto é um exemplo muito simplista, não é?

Por outro lado, outro impacto que nós temos é que muitas vezes nós ficamos ressentidos, ou com a pessoa, ou com a situação, e leva-nos ao isolamento também. E há o desenvolvimento, ou pode haver o desenvolvimento de uma ansiedade social. O que é isto da ansiedade social? É o medo constante de ficar para trás. Por exemplo, isto está muito presente na questão de jovens que estão dependentes das redes sociais. Eu tenho que estar constantemente ligado para ver se eu não fujo do grupo e daquilo que o grupo está a dizer. E muito subtilmente também, A inveja afeta a manível emocional porque ela traz-me esta sensação de inutilidade ou fracasso perante os outros.

Outro impacto que a inveja tem, tem a ver com o desgaste das nossas relações pessoais e daqueles que estão à nossa volta. E, efetivamente, há um sem número de coisas que são, de alguma forma, afetadas por esta questão. Nós iremos ter a oportunidade de ver no próximo episódio, com mais calma. Mas há duas outras questões associadas à inveja, que são altamente pertinentes, e que é quando a inveja evolui para o rancor, ou quando a inveja evolui para a vitimização. Sem dúvida, um convite extraordinário que deixas, Cristina, para não perdermos o próximo episódio. Queria, no entanto, recordar-vos que nós temos este guia de estudo, que está disponível para vós, para aqueles que desejardes, na vossa casa ou na vossa família ou amigos, Este guia Sentimentos da Ciência do Existir 933 939 291 é o contacto para o qual podereis escrever pedindo de forma gratuita este guia de estudos e a nossa equipa terá com certeza muito prazer e muito gosto em poder enviar para vós.

Falavas, Cristina, e eu estava a me lembrar sobre esta questão de se dizer sem dúvida que, inevitavelmente, esta emoção também, a questão da inveja, terá algum efeito a nível físico. E eu estava a me recordar de um versículo que encontramos em Provérbios, no capítulo 14 e no versículo 30, que diz assim, o ânimo sereno é a vida do corpo. A paz, não é? É a vida do corpo. Mas a inveja é a podridão dos ossos. E tu dizias que a nível científico se confirma isso. E a nível da Bíblia, porque a Palavra de Deus realmente é algo extraordinário e lucida-nos em relação a tantas coisas da nossa vida, inclusive esta também que nós estamos a ver aqui. Portanto, não perca o próximo episódio.

Obrigada, Cristina, mais uma vez. E até para a semana, se Deus quiser.

Sobre este episódio

O que acontece no cérebro quando sentimos inveja, porque esta emoção pode causar dor real e de que forma interfere com a nossa autoestima, relações e até com a nossa saúde física. Falamos também da diferença entre inveja maliciosa e inveja benigna, um conceito surpreendente que mostra como esta emoção pode, em alguns casos, transformar-se numa motivação saudável para crescer.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 32
Estreou
09 de Dezembro de 2025
Categoria
Saúde