E. Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um episódio Mentes que Sentem. Nós damos graças a Deus porque mais uma semana podemos estar convosco. Pela graça de Deus, aqui estamos de coração aberto e pedindo a Deus que nos use, a mim e à doutora Cristina, para podermos ser uma mais-valia na aí sua vida. que pode ser que tenha alguns desafios a nível da saúde mental ou algum querido seu ou conhecido que realmente tem também estas dificuldades. Então estamos aqui uma vez mais para continuar esta explanação deste universo extraordinário que é a nossa mente.
Obrigada, Cristina, mais uma vez por estares connosco. Que Deus te abençoe. E obrigada mais uma vez. Obrigada, Milu. Mais uma vez, é sempre bom estarmos aqui contigo e consigo que nos acompanhe também.
Cristina, nós no último episódio, nós estivemos a falar sobre esta questão, no geral, da questão da inveja, como ela se torna em ressentimento, falamos um pouquinho sobre isso, e depois chegaste, no fim do episódio anterior, a falar um pouquinho sobre a questão da importância da comparação. E a dar algumas dicas, alguns insights, para ajudar os educadores, sejam os pais, sejam amigos ou até professores, poder ajudar a criança ou o adolescente nesta questão que muitas das vezes se torna mais evidente por causa da pressão ou das influências das redes sociais, não é? E que, como tu dizias, e muito bem, apenas relembrando, Às vezes aquilo que se posta não é aquilo que na realidade é, mas por vezes, inevitavelmente, isso vai trazer um sentimento de inferioridade ou de nos compararmos.
Desenvolva um pouquinho mais, por favor. Obrigada, Milu. E tal como eu referi da outra vez, isto são apenas algumas sugestões, algumas estratégias. E isto veio na sequência de nós dizermos que temos pouca literacia emocional. Ou seja, são estratégias que pretendem ajudar a desenvolver esta capacidade de gerir emoções que possam vir pela comparação, não importa qual a fonte. mas que se tornam difíceis para administrar. Estávamos a falar também, no episódio anterior, sobre a importância do elogio ao esforço inteligente da criança, não apenas ao resultado, da valorização do resultado, e o elogio não ser centrado apenas na inteligência da criança.
Há outra questão que também é muito importante, que promove esta gestão, o desenvolvimento desta gestão de lidar com emoções um bocadinho mais difíceis, que tem a ver com encarar erros como parte do processo. Como é que nós operacionalizamos isto na prática? É muito frequente uma criança, por exemplo, dizer-nos frustrada, mas eu não consigo, eu não consigo fazer isto. Então há uma palavrinha mágica indispensável e que eu convido todos a passarem a usar com mais frequência. Tu ainda não consegues. O ainda. A criança está alvo da frustração naquele momento. Então se nós lhe dissermos, tu ainda não consegues, mas em algum momento isso vai tornar-se um bocadinho mais simples para ti, ou vais conseguir, não é uma coisa definitiva, estática, que não vai ter capacidade de evolução.
E às vezes explicar à criança, olha, o teu cérebro está a crescer, está a aprender a fazer coisas um bocadinho mais exigentes, portanto é natural que isto possa ocorrer. E aqui nós olhamos para o erro não como uma coisa definitiva em si própria, mas como parte do processo de aprendizagem. Como é que eu lido com frustração? Eu ainda não consigo, mas não quer dizer que seja exatamente só isto que vai ocorrer na minha vida. É também muito importante criar ambientes seguros para tentarmos e falharmos. Nós valorizamos cada vez mais o sucesso, em todas as suas medidas. E por mais que nós digamos que o erro e o falhar faz parte do processo de aprendizagem, nós não operacionalizamos isto em termos práticos.
E é difícil, muitas vezes, construir um espaço seguro para que as nossas crianças e os nossos jovens possam ter esta oportunidade. Então, às vezes são frases tão simples como, aconteceu algo que não correu da forma que uma criança gostaria ou que um jovem gostaria. Olha, eu percebi que apesar de ter sido um bocadinho difícil, tu não desististe. O que é que tu achas que correu bem? O que é que tu achas que farias diferente numa circunstância mais à frente? Tu estás a transferir a responsabilidade de dizer que o erro aconteceu porque a criança foi responsável por ele, para lhe dar um espaço seguro para o processo de aprendizagem. Outra questão que também é muito importante tem a ver com esta promoção da resiliência.
A resiliência a nível emocional é fundamental e tudo isto que temos estado a abordar promove a resiliência. Mas às vezes a resiliência é feita, ou é promovida também, quando nós somos sujeitos a determinado tipo de tarefas ou desafios que nos retiram um bocadinho da nossa zona de conforto. E aqui eu aconselho as pessoas a que possam, por exemplo, utilizar as tarefas domésticas para fazer isto. Imaginem que tem uma criança de 4 anos. Convidem a criança de 4 anos para ajudar a pôr a mesa. Provavelmente não vão dizer à criança para levar os copos. Mas a criança já pode levar as guardanapos. Ou já pode levar, por exemplo, as colheres. Já pode ajudar, mesmo que frustrada, a pôr a toalha da mesa.
Mas uma criança com seis anos, ela já tem outra capacidade. Eu fui com o meu filho à bomba da gasolina a abastecer. Por que é que eu não ponho o filho a aprender a fazer isto? Nós estamos a retirar a criança um bocadinho acima da sua zona de conforto. Um bocadinho. Não demasiado. Sempre com supervisão. Mas isto está a autonomizar a criança. E a autonomizar a criança está a promover a resiliência da mesma. E é fundamental. Nós esquecemos de fazer isto com alguma frequência. Nós esquecemos que já fomos crianças. Nós esquecemos que já fomos adolescentes. E que não necessariamente os mesmos, mas também tivemos desafios. Então é extremamente importante partilhar com aqueles que estão connosco exemplos de como é que eu lidei com os meus desafios, como é que eu lidei com os meus conflitos.
Algum tempo atrás, um dos meus filhos, a determinada altura, fez-me uma pergunta que me deu vontade de rir. Ele perguntou-me assim, ó mamã, Quando andavas na escola, que tipo de aluna é que tu eras? Tu eras uma miúda popular ou nem por isso?" E eu fiz-lhe a pergunta, mas porquê que me perguntas isto? E ele respondeu, não, não, diz-me como é que tu eras. E eu disse, ó filho, olha, eu não era propriamente uma pessoa muito popular, mas também não era propriamente a pessoa que estava ali encostada ao canto. Então e como é que tu... Mas tinhas amigos. E como é que tu lidavas com isso? E a verdade é que a partir daí surgiu uma conversa de ele achar que não era muito popular, mas tinha alguns amigos e quais foram as estratégias que eu utilizei e de que forma é que isto poderia ser pertinente para ele ou não.
Mas acima de tudo é esta noção de que tu também tiveste desafios, mesmo que a tua estratégia não seja válida para mim. Há uma estratégia que em algum momento vai ser válida para mim. É esta noção de que é possível solucionar este desafio. Muito bem. Cristina, nós falamos, e há pouquinho fizeste referência sobre a questão da internet, das redes sociais, neste contexto da inveja da tal comparação.
Mas a pergunta que eu coloco é, será que o uso da internet e das redes sociais estão de alguma forma a mudar o jeito que nós pensamos, o jeito que nós comunicamos e até nos relacionamos. Quando é que é normal nós falarmos ou quando é que é normal nós nos apercebermos que possa haver até uma certa dependência. Eu acho que essa é uma pergunta das mais pertinentes que nós podemos colocar. E para poder tentar responder a isso, nós temos que tentar perceber o que é que é uma dependência. Então, permite-me dar três exemplos, que aparentemente não têm uma ligação entre eles, mas nós já vamos identificar o objetivo.
Sem dúvida, já aconteceu contigo e com aqueles que nos acompanham, ver um bebê pequenino a quem é dado um limão. Às vezes o limão cortado. E qual é a tendência do bebê? Vai chupar o limão, vai lamber. E, invariavelmente, aquilo que acontece é que faz uma cara muito feia e alguns até choram. Mas, por incrível que pareça, o bebê faz uma cara feia, chora, mas depois vai procurar o limão outra vez. Primeiro exemplo. Segundo exemplo. Houve uma fase da minha vida em que eu andei com mais frequência de transportes públicos, nomeadamente de comboio. E como eu entrava na primeira estação onde o comboio fazia o seu trajeto, eu tinha a oportunidade, com mais facilidade, de escolher o lugar. E eu tinha a tendência de ir sempre para o mesmo lugar.
E quem fala no compóio, se nós agora olharmos para a nossa situação pessoal, vamos ver que nós temos muita tendência de reproduzir determinado tipo de comportamentos. E a verdade é que quando acontecia, eu chegar e alguém ter-se sentado naquilo que era o lugar habitual onde eu costumava ir, aquilo trazia uma pequena sensação de desconforto. Não sabia bem identificar, mas não achava muito engraçado aquilo ter acontecido. Terceiro exemplo. Eu costumo brincar e dizer que o mês de janeiro para mim é uma longa segunda-feira, mas também é o meu mês de síndrome de privação de açúcar. E isto porquê? Porque nós temos o mês de dezembro em que invariavelmente abusamos um bocadinho mais, e não quero com isto dizer que eu abuso excessivamente, mas foge da minha rotina.
Então, quando chega a janeiro, eu tenho uma vontade incontrolável de comer mais um doce, comer mais uma sobremesa, e às vezes é difícil controlar este impulso. E agora a pergunta que se coloca é, o que é que estas três situações têm em comum? Elas têm a repetição do comportamento. O bebê procura o limão, eu vou procurar o mesmo local e na questão dos doces eu tenho tendência a querer procurar o doce que me dá prazer. Mas será que o que nos leva a repetir esses três comportamentos tem a sua origem ou é exatamente a mesma coisa? Se nós pensarmos na questão do bebê, o que nós dizemos é que este é um comportamento exploratório, de aprendizagem.
As crianças pequeninas aprendem a conhecer o mundo e aquilo que a rodeia pelos seus cinco sentidos. Portanto, é um comportamento que acaba por ter na origem isto de conhecer o que está à minha volta. O segundo comportamento, aquele do comboio, ele tem a ver com algo que todos nós temos. Rotinas que se tornam em hábitos. E os hábitos são importantes porquê? Porque os hábitos trazem-nos previsibilidade. E o nosso cérebro sente-se confortável com a previsibilidade. Ele sente que controla as coisas. É isso que a previsibilidade nos traz. É isso que as rotinas e os hábitos nos trazem. Enquanto falamos da questão do meu mês de privação de açúcar, nós aqui já estamos a ter uma dependência.
Eu já tenho uma sintomatologia física e já tenho aqui uma predisposição mental para procurar isto. Agora, o que é que nós percebemos? Nós percebemos que apesar de ter havido uma repetição de comportamentos, as consequências da repetição desses comportamentos são diferentes. O fato do bebê chupar o limão só vai fazer com que ele não goste. Mas o fato de eu repetir o comportamento de constantemente estar a ingerir doces pode me trazer consequências graves a nível da saúde. Nós já voltamos e a conversa está ótima e a explicação também. Vamos fazer um breve intervalo e já voltamos. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
Saudamos cada um de vós, uma vez mais, aqui estamos, para a segunda parte do episódio de hoje, Mentes que se Sentem. Sem antes deixar de fazer o apelo, se for da vossa vontade e se desejardes ter este guia de estudo, Sentimentos, a Ciência do Existir, poderá sempre contactar-nos, para si e para algum amigo, que de forma gratuita nós teremos muito gosto em poder enviá-lo. através do 933 939291. Poderá enviar-nos essa mensagem a dizer que gostaria de ter este guia de estudo e será um prazer para nós poder enviar para si ou para algum amigo ou algum familiar que tenha aí em casa e que ache que seja muito interessante. Cristina, usando o último exemplo que estávamos há pouquinho, que estávamos há pouquinho a fazer referência, a questão do açúcar e, portanto, a tua própria experiência, a pergunta que se coloca é Por que é que nós repetimos padrões?
Em volta e meia estamos sempre a repetir a mesma coisa. E por que é que nós insistimos em continuar com o mesmo comportamento, mesmo quando nós nos apercebemos e sabemos de antemão que até pode ser prejudicial para nós e até para aqueles, uma outra coisa, para aqueles que estão à nossa volta. Por quê? Porquê? Não é porque não saibamos, porque sabemos. Para poder responder a isso, nós temos então que perceber o que é que é uma dependência. E sabes que durante muito tempo nós olhamos para a dependência atribuindo-lhe uma conotação moral. Vamos pensar nesta questão do açúcar, por exemplo. Nós dizemos, ela vai consumir aquilo porque ela é fraca.
Se ela fosse uma rapariga determinada, ela, ponto final, não consumiu açúcar. Será que é apenas isto que acontece? E nós os vemos determinadas dependências das redes sociais ou outras e dizemos, mais uma vez, é falta de força de vontade da pessoa. Felizmente, quem lida com isto e as cabeças pensantes nesta matéria acabaram por fazer algo, uma mudança de paradigma que é fundamental. Neste momento as dependências são consideradas um problema de saúde. Então nós estamos a falar de uma situação que é um fenómeno biopsicossocial, que envolve a nossa parte biológica, fisiológica, que envolve a nossa parte psicológica e que envolve a nossa parte social.
E para nós podermos perceber o que é que é uma dependência e que não é apenas uma questão de força de vontade, há dois mecanismos do nosso cérebro que eu gostava de exemplificar para depois entrarmos na definição do que é dependência. A primeira é que o nosso cérebro está constantemente a tentar equilibrar dois princípios. Um é o princípio da busca do prazer. E outro é o princípio do evitamento daquilo que nos causa dor, que nos causa desconforto ou desprazer. E esta procura de equilíbrio vai moldar as nossas respostas, o nosso comportamento, as nossas tomadas de decisões, as nossas emoções e até as nossas dependências. E aqui vou pegar um exemplo muito simples.
Eu vou comer uma sobremesa depois do almoço. Procura do prazer. Eu vou evitar falar em público porque eu fico muito ansiosa quando falo em público. Eu estou no evitamento do desconforto. Eu vou beber qualquer coisa, uma bebida alcoólica, porque isso me relaxa. Tenho as duas coisas misturadas. Eu tenho a procura do prazer porque eu obtenho relaxamento por ali. Aliás, o álcool é muitas vezes utilizado como um desinibidor social. Mas ao mesmo tempo eu também tenho o evitamento do desprazer, porque assim evito ficar ansioso. Olha, eu estou a procrastinar uma tarefa. Por quê? Porque eu não quero ter o desprazer e o desconforto mental de ser confrontado com aquilo. Então, o nosso cérebro está sempre a tentar adequar este equilíbrio.
E com a dependência este equilíbrio fica alterado. A segunda situação. É que o nosso cérebro está programado para aquilo que nós chamamos de economia de esforço, economia de recursos. E aqui entram, por exemplo, as rotinas e os hábitos. O que são as rotinas e os hábitos? É fazer o melhor, o máximo, com o mínimo dispendo de energia. E quando nós fazemos algo repetidas vezes, Cria-se um padrão de resposta no nosso cérebro, mesmo que não seja saudável. Ele é automatizado. E automatizam-se as respostas. E aqui permite-me dar um exemplo muito caseirinho e que alguns, sem dúvida, irão identificar-se. Não é incomum eu passar pelo quarto de um dos filhos e ver a roupa interior no chão.
Ia dizer então, mas a roupa interior põe no cesto da roupa suja na casa de banho. E Milu, o cesto da roupa suja, a casa de banho era a porta em frente. Não são muitos quilómetros. Não são muitos quilómetros, exatamente. E eu pergunto, olha, qual é o interesse? Porque tu vais ter que fazer o esforço duas vezes. Tu vais ter que pegar na roupa e levá-la para ali. Qual é o interesse? E a resposta que invariavelmente eu recebo é, é mais fácil assim. O que é que aconteceu na mente desta criança? Ele automatizou a resposta que é mais fácil, não quero dizer que seja o melhor, mas é mais fácil tu deixares a roupa ali. Está automatizada a resposta, mesmo que não seja lógica, porque eu vou ter que pegar nela e levá-la.
Então, eu não estou a justificar o comportamento de todo, mas estou a dizer que é isto que ocorre com esta criação de rotinas e de hábitos. Só que os nossos hábitos podem evoluir para vícios. Esta é a terminologia popular do senso comum. No âmbito da ciência, nós dizemos que eles evoluem para adições ou dependências. Então, o que é uma dependência? Alguns anos atrás eu lia um artigo sobre isto e encontrei uma definição que achei muito rica em termos de conteúdo e eu vou passar a lê-la. Diz assim, adição ou dependência é uma perturbação crónica que leva a pessoa a repetir compulsivamente e de forma involuntária um determinado comportamento recompensante que pode causar danos.
Então tem uma riqueza informativa extraordinária. Então vamos começar por perceber. Isto é uma perturbação crónica. Acompanha a pessoa durante toda a sua vida. E tu dizes, não, eu não concordo. Eu, por exemplo, já tive uma dependência do alcoolismo, mas neste momento não tenho. Nós não estamos a falar na perturbação crónica na questão de tu praticar do comportamento, mas estamos a falar na perturbação crónica na questão da vulnerabilidade à dependência. Tu ficas vulnerável àquela dependência e isto vai-te acompanhar a vida toda. Por outro lado, é algo que se torna a determinada altura involuntário e tu tens um comportamento compulsivo. Impulsiona-te a consumir ou praticar.
É um comportamento que tu provavelmente não terias ou não farias numa outra situação. Altera tanto a motivação. Isto porque tu praticas aquele comportamento mesmo que ele te traga prejuízo. E aumenta-te a procura do prazer instantâneo e diminui-te a resistência para lidares com frustração. E cria padrões disfuncionais que geram sofrimento. E isto, efetivamente, é uma dependência, uma visão. Quando nós falamos em dependências, normalmente associamos ao consumo de substâncias, portanto, estavas a dar o exemplo, pode ser do álcool ou de qualquer outra coisa, mas fala-se também em dependências das redes sociais ou dos jogos, por exemplo.
Então, a questão que aqui se coloca é que tipo de dependências é que existem. Porque parece que uma é muito diferente da outra, mas não deixa de ser dependência, não é? Exatamente. Aliás, existem várias dependências.
Elas podem ser agregadas em dois grandes grupos. Aquilo que nós consideramos as dependências comportamentais. E aqui nós temos alguns exemplos. Por exemplo, nós temos os jogos de sorte e azar. O gambling, os jogos a dinheiro. Nós temos os jogos online, o gaming, nós temos a internet, nós temos o sexo, nós temos a pornografia, nós temos o próprio exercício físico ou as compras que se podem tornar em comportamentos de dependência. Estes são alguns exemplos daquela classificação de dependências que entram na ordem das dependências comportamentais. E nós temos as dependências que entram na classificação das dependências das substâncias psicoativas, porque provocam uma alteração em nós. O álcool, a xixa, a cocaína, a marijuana, a heroína, o LST, produtos mais sintéticos que cada vez existem mais, Temos também as dependências medicamentosas das benzódias e as espinas.
Existe uma panóplia enorme. Agora, seja comportamental, seja de substância psicoativa, elas têm todas um fator comum. Elas procuram uma gratificação imediata. E como saber que nós estamos a lidar com uma dependência? Para isso, tu tens que perceber como é que isto ocorre no teu cérebro. Então, de uma forma muito rápida, vamos tentar dar algum exemplo. Imagina que tu és exposta numa primeira vez a uma substância, a um comportamento, por exemplo, ou ao álcool ou à pornografia, vamos supor. O teu cérebro reage ativando o centro de recompensa e prazer, nós já falamos sobre isso. E o teu centro de recompensa e prazer, acontece que há a libertação da dopamina, um neurotransmissor que nos dá uma perceção de muito bem estar.
Então tu fazes uma associação e a associação é muito recompensador, é bom e o nosso cérebro tem aquele princípio da procura do prazer. Pela repetição do comportamento, da substância ou do comportamento, criam-se associações no teu cérebro, o reforço de ligações neuronais. Então, percebes que aquilo te permite sentir prazer, que te permite sentir alívio, que te permite lidar com emoções difíceis, que te permite fugir de problemas, socializar, até sentir-te melhor contigo próprio. Isso já está a associação automática. Quando eu faço isto, sinto-me bem. Então, sempre que eu me quero sentir bem, eu vou procurar aquele mesmo comportamento ou aquela mesma substância.
Aquilo que depois acontece é que, nesta fase, começam a ocorrer mudanças cerebrais. O teu centro de recompensa e prazer fica estimulado para além daquilo que é natural. Acontece que nós temos o mecanismo da homeostasia no nosso organismo, que é repor o equilíbrio sempre que algo ameaça esse equilíbrio. E o cérebro sempre que percebe que tu estás a hiperestimular o teu centro de recompensa e prazer, ele vai tentar reestabelecer este equilíbrio químico. E como é que ele o faz? Ele cria tolerância, diminui a sensibilidade à dopamina. Entra aqui o efeito da tolerância. O que é que acontece? Para teres o mesmo prazer inicial, tens que ou aumentar a dose, ou aumentar a exposição, ou a intensidade dos estímulos, ou o tempo que tu passas.
Está o efeito de tolerância criado. E isto leva a outra alteração cerebral, que é que tu ficas hipersensível àquele estímulo, portanto só tens um grande sentido de prazer se praticares ou se consumires aquilo, e diminui a tua sensibilidade ao prazer noutras coisas que antes te davam prazer, como estar com amigos ou fazer outra coisa. É nesta fase também que surge o craving. O que é o craving? É esta vontade incontrolável. de tu consumires ou praticares aquele ato e tu tens dificuldade em parar. E muito frequentemente durante todo este processo nós temos aquilo que nós chamamos de pensamento mágico, que é eu vou parar isto em qualquer momento, mas já não estou.
E surge então também a dependência física com os tais sintomas de abstinência cada vez que eu tento parar. Portanto, nós estamos num ciclo de adição, nós temos aqui a provável explicação de porque é que tantas vezes existem recaídas quando nós tentamos parar um determinado comportamento ou consumo. Cristina, muito obrigada. Nós temos um mundo de coisas para dizer em relação a isso e vamos continuar, na graça de Deus, nos próximos episódios. Estavas a falar e eu estava a pensar que Deus nos ajuda a ser dependentes Dele, porque realmente é melhor de todas as dependências que nós possamos ter na nossa vida e Ele nos ajudará com certeza a ultrapassar estes desafios que vêm enquanto nós vivemos do lado de cá. da vida e aqui estamos também para ser usados por Deus, para conhecermos estas coisas e na sua graça superá-las, pela sua graça e com a sua ajuda.
Muito obrigada, Cristina, mais uma vez. A si o nosso abraço e encontramos na graça de Deus na próxima semana.
Neste episódio de Mentes que Sentem, a Dra. Cristina continua a conversa sobre inveja, comparação e o impacto das redes sociais na forma como nos vemos, comunicamos e nos relacionamos.