Olá, é um prazer estar novamente consigo em mais um episódio neste que é o programa Mentes Que Sentem, onde aqui nós exploramos alguns dos assuntos importantes que têm a ver com a nossa saúde mental. Eu sei que nem sempre a vida é fácil, tem os seus problemas, tem os seus desafios, Se não somos nós a sofrer, são aqueles que nós amamos. E sem dúvida que esta questão da saúde mental é algo que cada vez mais nós vemos ao nosso redor e quem sabe a TSI que nos está a escutar agora é um dos seus desafios. Então estamos aqui na graça de Deus para sermos usadas por Deus, para trazer algum conhecimento, alguma informação, alguma técnica, mas também a palavra de Deus para ajudá-lo nessa caminhada e nessa superação.
Não estou sozinha, querida Cristina, mais uma vez, mais uma semana, juntas pela graça de Deus e mais uma vez muito obrigada. Obrigada eu, no nosso espaço seguro, para refletirmos, para por-nos questões e provavelmente até para sairmos daqui com mais perguntas, o que não é mal necessariamente. É verdade. Para aqueles queridos que talvez possam ainda não ter visto o episódio anterior, nós aconselhamos vivamente, porque aqui nós vamos dar continuidade àquilo que nós vimos no episódio anterior, onde estávamos a recordar uma história fascinante de alguém que viveu realmente algo de atroz na sua vida, mas que, pela graça de Deus e com a ajuda de outros que estavam à sua volta, também conseguiu superar.
E naquele momento em que estavas a contar a experiência em que eles estão ali em terapia de grupo, em que exatamente o moderador está a fazê-lo passar de uma cadeira para outra, pensando ele próprio, as questões que ele tem a fazer ou as coisas que ele tem a dizer, e depois colocaste no lugar da mãe do que ele pensou que, eventualmente, ela lhe poderia dizer. Mas há um ponto de viragem, é quando esse moderador, o técnico, lhe faz esta pergunta, se alguma vez, se o Sam alguma vez tinha magoado alguém da forma como
a mãe o tinha magoado a ele. E creio que, Cristina, que esta pergunta é a chave para a vida de todos nós, porque todos nós somos vítimas em algum momento, todos nós somos agressores noutro momento, e a ideia que aquilo que passa é será que o facto de nós vivermos até experiências injustas e da tal questão de sermos a vítima é justificação para todos os comportamentos que nós tínhamos. Sabes, Milu, eu sinto necessidade de ser repetitiva nisto que eu vou dizer. Nós estamos a lidar com um tema altamente complexo. Portanto, há várias perspectivas sobre a situação. E o que nós queremos é pensarmos, refletirmos em conjunto.
Não vamos ter a solução para todos os problemas. E estamos a falar de um tema que só por si é altamente desafiador e nos obriga a confrontarmos connosco próprios. Mas essa questão que tu trazes é das questões que mais prende as pessoas. Eu sou assim, e é legítimo ser assim, e é legítimo comportar-me desta forma, porque isto aconteceu na minha vida. Efetivamente, aquilo que ocorre na nossa vida traz impacto e tem consequências sobre quem nós somos. Mas nós temos sempre, como dizia Viktor Frankl, a última das liberdades humanas que é podermos escolher, decidir como é que nós nos vamos posicionar perante as circunstâncias ou perante as coisas que ocorrem na nossa vida.
E é uma liberdade interior. E há vários mitos que nos prendem. Estamos a falar do processo do perdão, não só para com o outro, mas para connosco próprias. E alguns desses mitos, um deles é esse. Justifica-se. Eu sou assim porque aconteceu isto ou aquilo. Por mais difícil que seja a situação que tenha ocorrido. Porque muitas vezes aquilo que a pessoa não percepciona naquele momento É que na realidade, apesar de eu estar a justificar o meu comportamento e não estou a questionar esta estratégia de maneira nenhuma, estou a questionar é o resultado desta estratégia. É que frequentemente quando falamos de coisas que nos trazem profundo a dor, esta é uma mensagem interna que nos mantém refém da dor.
E quando nós pensamos em escolher ações diferentes, vem-nos outro mito, que é como se eu estivesse a validar aquilo que aconteceu. Mas nós, de alguma forma, já abordamos essa questão em episódios anteriores. Não é validar, não é justificar. Ninguém justifica, ninguém valida, ninguém atribui. sentidos a coisas que podem não ter sentido. O que nós estamos a perguntar é como é que eu vou viver o resto da minha vida sem ficar refém desta situação. Outro mito que muitas vezes vem à nossa mente e que nos mantém reféns é o mito de Quem erra deve pagar sempre. Se eu falhei, não mereço recomeçar.
Tenho que me encaixar em todos os padrões para eu ser digno de amor. Então, uma estratégia simples, mas mais uma vez complexa na sua resposta, que eu gostaria de desafiar aqueles que nos ouvem a fazer, é responder esta questão. Será que eu trago, além das crenças, será que eu trago mitos? coisas dentro de mim que me estão a tornar refém, entre eles este, da justificação própria. Muito bem, isto é realmente verdade. E quem é que disse que eu não posso recomeçar? Quem é que disse que eu não tenho a validade de fazer escolhas diferentes? Porque muitas vezes nós temos medo de fazer escolhas diferentes, porque temos receio do sofrimento que vamos encontrar à frente.
É que este eu já conheço. Arriscar-me ao tal espaço da vulnerabilidade que falávamos no episódio anterior é confrontar-me com um novo nível de dor e desafio. E o ser humano não lida bem com a imprevisibilidade nestas questões emocionais. Há uma outra estratégia que foi fundamental no processo de recuperação deste homem em particular e tantos outros, mais uma vez convido, vão consultar o site de que falamos, de Forgiveness Project. Vejam os testemunhos que lá estão. Às vezes isto ajuda-nos a termos uma perspectiva diferente, de que afinal é possível fazermos coisas diferentes.
É possível sairmos deste lugar escuro, onde às vezes a nossa mente insiste em manter-nos. Mas uma das coisas que foi fundamental para este processo de recuperação foi assumir uma responsabilidade saudável. Há coisas que, faça o que ocorreu, eu já não consigo mudar. Há consequências que eu não consigo reverter. Mas eu posso muitas vezes perguntar o que é que está ao meu alcance fazer de forma diferente. Será que eu ainda consigo ter algum impacto relativamente àqueles a quem eu magoei, por exemplo? Ou será que eu consigo... Enfrentar aqueles que me magoaram?" Este homem dizia, desde a altura em que o terapeuta lhe fez aquela pergunta, ele teve altos e baixos, momentos em que conseguiu traçar um rumo, momentos em que dizia, não vale a pena, a dor é insustentável.
Mas ele partilhava, desde essa altura, a minha vida tem sido uma longa desculpa às minhas vítimas, aos meus irmãos, aos meus filhos, até aos meus inimigos, que eu achava que mereciam aquilo que eu lhes tinha feito. Agora, eu gostava de colocar aqui uma ressalva. Embora o processo de assumirmos a responsabilidade saudável é importante, ele não tem timing. É que muitas vezes nós queremos correr etapas. Quase como se dissessemos, se eu chegar ali, fica tudo resolvido. As coisas não ficam resolvidas. A nossa mente não se esquece das coisas. Exceto quando são mecanismos específicos para nos protegerem. Portanto, eu vou continuar a lembrar-me do que ocorreu.
mas a forma como eu vou processar o desconforto que aquilo me causa será diferente. Portanto, quando eu trouxe o exemplo deste homem, foi na perspectiva de percebermos que há estratégias simples, embora complexas, que têm um impacto comportamental direto. Portanto, as pessoas acabam por ter consequências diretas de arriscarem dar pequenos passos. Eu terminava o exemplo deste homem no processo do auto-perdão, mais uma vez, porque ele teve que perdoar o que lhe fizeram, mas teve que perdoar o que ele fez. E esta dualidade de oscilarmos entre a vítima e o agressor é algo que nós temos dificuldade em fazermos, porque, tal como dizia no episódio anterior, polarizamos aos bons e aos maus.
E justificar isto internamente não é fácil. E ele terminava dizendo, o que aprendi é que apesar dos detalhes da nossa vida poderem ser diferentes, o processo de ficarmos presos ao sofrimento da vida é o mesmo para todos nós. Não temos que ser vítimas das nossas experiências ou da forma como contamos as nossas histórias. Mas é interessante que as histórias são a forma de sairmos disto. E somos nós que criamos essas histórias. Convido-vos, é o convite que ele lança, a todos a criar uma nova história e um novo caminho. E, por favor, lembrem-se que as coisas que vos mantêm em baixo talvez sejam aquelas que um dia vos manterão em cima. A dor que hoje me aprisiona, o trajeto de enfrentar essa dor, poderá ser aquele que me irá libertar da mesma.
É algo extraordinário e Cristina, tu estavas a falar e eu estava a me lembrar, porque quando falamos sobre esta temática do perdão e com toda a capacidade e bênção que vós tendes, quando eu digo vós, vós técnicos e profissionais em psicologia, que temos para gerir esta questão das emoções e, sobretudo, tão graves e tão fortes quanto essa, que foi o exemplo que trouxe esta vida desse senhor, o Semi. Há sempre um versículo que vem à minha mente, o Salmo 130, no versículo 4, que diz, Senhor, contigo está o perdão. E esta gestão destas emoções só serão possíveis de ser ultrapassadas e vividas, experienciadas no sucesso e na vitória, não há sobre elas, quando realmente também nos lembramos daquilo que nos pode dar esta graça e esta benção que é o perdão.
Mas, Cristina, eu gostava muito também de trazer até nós e nestes programas, porque associado ao tema do perdão estão emoções que vivenciamos que são
difíceis de serem ultrapassadas. Por exemplo, a culpa. No entanto, há outras emoções também desafiadoras, mas que às vezes são um bocadinho mais silenciosas. E eu gostava muito que tivéssemos a oportunidade, pela graça de Deus, de poder desenvolver ao longo deste episódio e seguramente no próximo, que a pergunta que gostaria de colocar é a seguinte, até que ponto as emoções que nós escondemos acabam por nos adoecer? Essa é uma pergunta muito pertinente e se nós fôssemos fazer essa questão, fazermos uma sondagem na rua, provavelmente iríamos ter um consenso da maior parte das pessoas pela evidência a dizer que sim, claro que nos fazem adoecer. Ou poderão fazer-nos adoecer.
Mas será que nós temos consciência plena do quanto isto tem impacto em nós? Nós falamos do perdão. Porque sem trilharmos o caminho do perdão, adoecemos. E existem uma série de outras emoções, que muitas delas não são tão faladas ou não são tão evidentes, que na realidade traduzem também um processo de ou adoecimento ou um processo de termos um equilíbrio mais saudável. As emoções que nós escondemos, elas não desaparecem. Elas transformam-se, de alguma forma. E elas afetam o nosso corpo, a nossa mente, o nosso comportamento. Aliás, a ciência, vem demonstrar que reprimir emoções tem um custo fisiológico. E há uma citação atribuída a um psiquiatra e psicoterapeuta suíço, Carl Jung, que diz que aquilo a que resistimos persiste.
Eu acho muito interessante esta observação. Claro que estamos sempre a falar no contexto das emoções difíceis. Sempre que nós tentamos reprimir, ou ignorar, ou não gerir uma emoção, ela entranha-se em nós. Ela está presente no nosso comportamento e muitas vezes nós não temos sequer consciência disso. Quando nós sentimos alguma intensidade, seja inveja, seja raiva, seja ressentimento, seja mágoa, seja medo, o nosso corpo fisiologicamente prepara-se para agir, para reagir àquela situação. E quando nós falamos em reprimir a emoção, permite-me fazer aqui mais uma vez um disclaimer, um à parte. Vamos imaginar que eu estou aborrecida contigo.
E eu estou, neste momento, a conversar contigo. Eu poderei estar a reprimir esta emoção, porque este não é o contexto adequado para o fazer. Portanto, quando nós falamos em reprimir emoção, não estou com isto a dizer agora... A disparatar em qualquer lugar. Exatamente. Pronto. Ou diz o que te vai pela cabeça, em qualquer contexto, a qualquer momento. Estamos a falar de situações continuadas no tempo. e que de alguma forma a pessoa reprime, porque ou diz eu não deveria estar a sentir isto, ou de alguma forma eu não posso falar sobre isto. Então, o impacto, a tensão, a energia que a repressão desta emoção tem em nós, ela fica armazenada no nosso corpo. Há uma frase muito interessante que eu gosto muito, que diz assim, o corpo fala, do que a mente cala.
Nós vamos voltar daqui a pouquinho, vamos fazer um intervalo muito breve para continuarmos estes assuntos tão importantes. Não saia daí, voltamos daqui a pouquinho. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. E cá estamos mais uma vez para dar continuidade a este episódio, que aqui estamos juntos, não sem antes poder novamente falar sobre este manual de estudo, este guia de estudo que está disponível para vós, através do 933 939291. Sentimentos, a Ciência do Existir, onde poderá fazer uma leitura abençoada sobre alguns assuntos, quem sabe, que possa estar a viver e que com certeza está aqui disponível para si de forma gratuita, é só entrar em contacto connosco através deste número que passa em rodapé, o 933-939-291 e nós teremos com certeza muito gosto em poder enviar para si ou algum amigo ou algum familiar que aches que seja pertinente.
Cristina, em relação a isto que acabaste há pouquinho de falar sobre o corpo fala, o que a mente cala, não é? Porque inevitavelmente sai por nós as consequências daquilo que está na nossa mente. Em relação a isso, podes dar-nos então, por favor, alguns exemplos de quando isto acontece? Sabes que... Sim, vou tentar responder a essa pergunta, mas mais uma vez gostava de dizer isto. O exemplo que eu vou dar, que é muito simples, não significa que a causa seja exclusivamente esta. Portanto, vamos tentar responder à questão de que forma é que, por exemplo, o nosso corpo, às vezes, traduz aquilo que a nossa mente está a calar relativamente a determinadas emoções.
Eu vou dar exemplos que certamente todos nós nos vamos identificar com eles. Vamos imaginar aquele exemplo que há pouco eu te dei, que eu estou muito aborrecida contigo, por algum motivo. E é uma situação que eu tenho vindo a reprimir ao longo do tempo. E agora imagina que eu comento com alguém e tu não imaginas a tensão muscular em que eu tenho andado. Eu estou toda contraída. A minha cervical queixa-se a qualquer momento. Esta tensão muscular pode ser um reflexo desta emoção reprimida. Agora, eu não estou com isto a querer dizer que cada vez que sintamos tensão muscular é porque temos uma emoção reprimida. Não podemos ser tão simplistas a este ponto. Vamos imaginar, por exemplo, as pessoas que estão a lidar com situações de ansiedade prolongadas no tempo.
Não é incomum nós dizermos, tenho tido aqui uma úlcera nervosa, estou com problemas gástricos. Já tivemos, sem dúvida, situações em que as pessoas, às vezes já contactamos com pessoas, Tu percebes que elas não estão bem, que estão desanimadas, que estão tristes, mas é algo que a pessoa não identifica como patológico, mas associado a isto a pessoa tem um sintoma, diz, eu sinto-me profundamente cansada. Não importa se eu dormi muito ou se eu dormi pouco. Não importa se eu trabalhei muito ou trabalhei pouco. É um estado de cansaço contínuo. E aparentemente não há uma explicação física que possa atribuir um sentido a este sintoma.
Também não é incomum. Nós temos às vezes situações em que há pessoas que fazem um autocontrolo emocional excessivo. Agora vou fazer uma comparação que eu espero que não seja mal interpretada. Faz lembrar aqueles fleumáticos britânicos em que nada pode sair do padrão. Há situações em que as pessoas têm muita dificuldade em gerir as suas emoções, então controlam-nas excessivamente. E não é incomum estas pessoas queixarem-se, por exemplo, de dores de cabeça constantes ou de enxaquecas. Também. Então estes são exemplos muito, muito simples, mas que de alguma forma demonstram que o nosso corpo traduz sempre aquilo que a nossa mente cala de
alguma forma. E eu gostava de aproveitar e hoje em particular falar sobre uma emoção que. É falada às vezes num contexto moral, mas não é falada provavelmente num contexto terapêutico. E nós temos juízos de valor muito fortes em relação a ela, mas não temos noção do impacto que ela tem em nós. E para isso eu vou dar mais uma vez dois exemplos. Recentemente estava a falar com uns amigos e a mãe de um dos nossos amigos está num lar terceira idade. e mudou recentemente de instituição. E ao pequeno almoço servem várias coisas, entre elas um iogurte. E aconteceu aquela senhora dizer, estou satisfeita, não preciso comer mais nada, mas vou guardar este iogurte para mais tarde.
E ser confrontada com alguém que trabalhava no lar a dizer, lamento, mas não podemos, temos que recolher o iogurte. Mas tem que recolher o iogurte por quê? Se eu daqui a pouco poderei ter vontade de o comer, por exemplo, ao lanche. Não o posso guardar para o lanche. Não, ao lanche não, porque nós não damos iogurte ao lanche. E se as outras pessoas a virem comer o iogurte, vão questionar porque é que ela tem ou não tem. E uma coisa é tu, por exemplo, dizeres em casa, três ou quatro pessoas, olha, tem, porque guardou do pequeno almoço. Outra coisa é tu dizeres numa instituição, estão-se sentindo tal, dos indos e tal, utentes. Eu fiquei a pensar naquilo, honestamente. Já vimos este exemplo. Segundo exemplo. Recentemente estava a ver um vídeo produzido pela National Geographic. Eles têm uma série de vídeos sobre a hashtag Brain Games, em que tentam perceber como é que o nosso cérebro reage a determinadas situações ou a determinadas circunstâncias.
E já vão perceber porque é que estamos a trazer isto ao de cima. Então fizeram uma experiência com crianças pequeninas. Estamos a falar de crianças, vai excetar entre um ano e meio a dois anos, estavam num espaço seguro, convidavam as crianças e a mãe ou o pai, a figura de referência, a estarem num espaço de brincadeira, onde havia um tapete e haviam brinquedos e prateleiras. E o que é que acontecia? A criança estava a brincar. Mas o pai ou a mãe era instruído a estar ligeiramente desatento. O que é que eu quero dizer com isto? Ou fazia de conta que estava a atender uma chamada telefónica ou estava a ver um livro, portanto não estava com a atenção direta à criança. E a criança circulava por ali sem qualquer constrangimento. Até que, fazendo parte da experiência, o adulto ia buscar um boneco que parecia um bebê e acabava por trazer o bebê ao colo, por dar atenção, por estar a fazer carinho, por estar a falar.
Era espantoso. Porque as crianças são muito transparentes. A mudança de reação era incrível. As crianças vinham imediatamente para a beira do pai ou da mãe, E começavam a chorar. Mas choravam desalmadamente, profundamente infelizes. E enquanto algumas, depois depende do temperamento de cada um, enquanto algumas ficavam ali encostadinhas à mãe ou ao pai a chorarem, haviam crianças que além de chorarem tentavam arrancar o bebê dos braços da mãe ou do pai. E a segunda questão que eles colocaram foi, será que isto acontece só no cérebro dos seres humanos? Então eles repetiram a mesma experiência com animais de estimação, com cães. Então vieram os donos e os seus animais de estimação. E o padrão era exatamente o mesmo. O cãozito andava por lá a brincar, o dono fazia de conta que estava distraído, tudo bem, não havia ali nada a apontar.
Quando o dono ia buscar um peluche em tamanho real de um cão e o punha no chão e começava a brincar com ele, a reação dos animais era muito interessante. Primeiro era, quem é este novo amigo? Vamos explorar e ver quem é este amigo. Mas quando o dono pegava no cão o cólume, Os cães sentiam-se ameaçados, neste caso os reais, sentiam-se ameaçados. Ladravam, tentavam saltar, tentavam agredir, mordiam, puxavam. E agora há a questão, lembra que estávamos a falar de uma emoção. Agora eu tenho duas questões para te colocar. A primeira é, o que é que tu achas que há de comum entre estas duas situações? E a segunda é, que emoções é que estão na base de ambas?
Eu achei engraçado que estás a falar sobre essa questão dos cãezinhos. porque foi ainda esta semana, nós estávamos a dar beijinhos ao nosso filho mais novo, nós, eu e o meu marido, e o nosso cãozinho veio para junto de nós a querer dar beijinhos e a ter beijinhos também, a tal atenção. E eu acho muito interessante, numa e noutra situação que nós poderemos ver, Aliás, até na primeira que tu falavas sobre a questão do iogurte, a senhora não ter tido acesso ao iogurte, o não expor o iogurte num outro horário que poderia causar nos outros o desejo de também ter e também querer. Poderíamos falar de inveja. E aqui neste segundo episódio, talvez nos dois, o ciúme de algo que vai fazer com que a pessoa ou até o próprio animalzinho tenha a tal reação.
Sabes que a pergunta que eles tentavam responder nesta da National Geographic é como é que reage o teu cérebro quando é confrontado com ciúme e com inveja? E eu gostaria de falar sobre a inveja, nós vamos ter a oportunidade de abordar isso em episódios posteriores, mas permite-me só dar mais um exemplo aqui e terminar aqui com uma frase para nós refletirmos. Alguns anos atrás recordo-me de alguém ter partilhado uma experiência real comigo, que eu não sei agora os detalhes, já não me recordo, mas uma família com dois filhos, relativamente pequenos, e numa altura festiva deram um saco de doces a cada um. E a verdade é que nós sabemos que há famílias em que os doces desaparecem rapidamente, e às vezes há um bocadinho mais controlado.
E aconteceu exatamente isto com os dois irmãozitos. Um comeu mais rapidamente os doces e o outro acabou por ter os doces mais tempo. Mas a verdade é que aquele que comeu os doces mais rápido percebeu que o irmão ainda tinha e começou a ficar incomodado com aquilo. Ele tem e eu já não tenho. Então acabou por deitar fora. Portanto pegou nos doces do irmão e deitou fora. Nem para ti nem para mim. E quando a família o questiona, então, porque acabaram por perceber isso, eu achei muito interessante porque, como eu dizia, ficou subitamente preocupado com o estado de saúde do irmão. Dizia, então é para ele não ter problemas nos dentes ou dores de barriga. Mas a verdade é que o que ele teve foi inveja, na realidade. E o presidente é atribuído ao presidente americano Theodore Roosevelt, uma frase muito interessante que diz assim, a comparação é o ladrão da alegria.
Então vamos tentar perceber o que é que a inveja e a comparação têm a ver e de que forma é que esta emoção tem impacto em nós. Sem dúvida que ficamos muito empolgados para estarmos aqui presentes na próxima semana, no próximo episódio. Creio que estes assuntos, inveja, ciúme, não é só para os momentos que nós até diríamos assim, ai, quando se namora, ou quando se tem um querido, o ciúme, até faz bem. Vamos ver se faz bem, o que faz bem, em que medida, tanto isso como a própria inveja. Obrigada, Cristina, mais uma vez. Nós continuamos a lembrar cada um de vós que temos aqui este guia de estudo para vós, para oferecer-lhes, para vós mesmos, para algum amigo, através do 933 939 291, que irá pedir este exemplar, que irá para a sua casa, para o endereço que achar, de forma gratuita que nós aqui estamos a doar, poder ser uma benção na vida de alguém.
É sempre um prazer estar consigo, é sempre um prazer estarmos juntos na presença de Deus também e continuamos a orar por vós e a pensar em vós com carinho para que realmente o Senhor ajude também cada um de nós com estas informações e estas ajudas a poder trazer-nos a saúde que nós precisamos a nível mental. Que o Senhor o abençoe, a abençoe e até à próxima semana.
A Dra. Cristina explica o que acontece no cérebro quando sentimos inveja, porque esta emoção pode causar dor real e de que forma interfere com a nossa autoestima, relações e até com a nossa saúde física. Falamos também da diferença entre inveja maliciosa e inveja benigna, um conceito surpreendente que mostra como esta emoção pode, em alguns casos, transformar-se numa motivação saudável para crescer.