Estamos juntos - Parte 3

Estamos juntos - Parte 3

07 de Julho de 202625 min 42 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura

Que bom é podermos estar juntos uma vez mais, mais uma semana, aqui estamos pela graça de Deus. Com certeza que a nossa semana pode ter tido ou está a ter alguns momentos bons, mais agradáveis, possivelmente não, com momentos mais desafiadores, mais difíceis, mas seja qual for a condição com que nos encontremos sabemos que há alguém que está sempre connosco, que é Deus, que conhece as nossas necessidades e por isso estamos aqui com todo o carinho, semana após semana, para trazer até si alguma informação, algum ensinamento que desejamos muito possa ajudá-lo nesta caminhada. E para isso, tenho sempre a presença da querida Dra. Cristina Dias. Olá, Cristina.

Obrigada uma semana a mais por estares connosco. Obrigada, Milú. Obrigada pela forma comum e nos acóides, que é tão reconfortante. Que bom, que bom. Cristina, nós estamos a fazer estes episódios especiais, porque já lá vai um ano que estamos juntas neste Ministério e que bom é, muitas pessoas têm dado o seu

Conselhos para saúde mental

feedback e, pela graça de Deus, têm sentido ajudadas. E são várias as perguntas que nos têm feito e eu gostava de colocar-te uma também. Aliás, vai ser mais do que uma, porque são muitas e todas elas muito pertinentes. E a questão que um dos nossos ouvintes colocou diz assim, se pudesse dar um conselho simples para melhorar a saúde mental, qual seria esse conselho? Essa é uma pergunta pertinente. Eu só tenho aqui uma ressalva e não tem a ver com a pergunta que fizeram, tem a ver com a resposta. É que eu não consigo um. E um simples, que para nós era bom, era rápido. É verdade. Isto não é uma coisa em que nós transformemos automaticamente.

Então eu gostava de recolher aqui algumas coisas que nós já fomos falando. que são simples, mas têm profundidade e um impacto incrível na nossa saúde mental, e depois terminarei ali com uma pequenina ressalva que vem de encontrar esta pergunta que está a ser feita. Então, algumas sugestões simples, mas amplamente importantes para protegermos a nossa saúde mental. Primeira, cuida do teu sono. O teu sono não é negociável e nós já tivemos episódios sobre a questão do sono e a importância que ele tem na nossa saúde mental, mas é das coisas que quando começa a ficar afetada, mais interferência tem no equilíbrio. Já agora Cristina, se houver alguém que nos esteja a escutar e não tenha visto ainda esse episódio sobre a questão do sono, sublinho aqui, volta atrás e vá lá ver o título e vá ver esses episódios, são muito importantes.

A outra que está utilizando um slogan que nós muitas vezes ouvimos, nós ouvimos aquele slogan, mexa-se pela sua saúde, não é? Mas efetivamente faz todo o sentido. Mexe-te, faz atividade física. Não é o aspirador lá em casa. O aspirador também funciona, mas tem que haver alguma intencionalidade, não pode ser só isso. Ou seja, sem haver nada... O aspirador é melhor do que nada, mas exercício físico consistente é melhor do que o aspirador. Pronto, a verdade é mesmo essa. Outra questão tem a ver com redução dos estímulos constantes. Falávamos já várias vezes sobre a questão do scroll infinito no telemóvel, no computador, na exposição constante aos ecrãs, à tecnologia.

A questão é reduzir esta constância de estímulos. ter uma rotina diária minimamente estável. Portanto, a questão da estabilidade da rotina traz algo muito importante para o nosso cérebro. Quando estamos em rotinas com instabilidade, isto interfere no nosso equilíbrio emocional também. Sempre que possível, passar tempo ao ar livre e de preferência em contacto com a natureza. É amplamente terapêutico e faz muito bem à nossa questão mental. Também já falamos sobre isto, é um conselho simples, mas difícil de pôr em prática, que é não façarmos tantas coisas ao mesmo tempo. Aquela ideia do multitasking, que nos traz uma falsa percepção de que somos muito eficientes, não é?

Na realidade, o que nós estamos a fazer, utilizando uma expressão em bom português, é dar um tiro no pé. Ou seja, o que estamos a fazer é penalizar algo que vai cobrar o seu preço, na medida do possível. Eu não estou aqui a querer ser ingénua, porque eu sei que as nossas vidas são um desafio diário, mas na medida do possível vamos tentar não acumular demasiadas tarefas ao mesmo tempo também. E a última sugestão, isto foi uma resenha de várias coisas que já falamos, mas a última sugestão simples, mas altamente funcional, tem a ver com lida com o desconforto em vez de fugir dele. O que é que eu quero dizer com isto? Quando nós estamos perante uma situação que nos causa desconforto, nós naturalmente temos tendência a evitar.

Então, sempre que tu sentes que tens algo difícil pela frente, ou que sentes como difícil ou desafiante, faz uma pequena ação logo a seguir. Vou dar alguns exemplos concretos. Imagina que estás ansiosa e a ansiedade prende-nos num scroll infinito mental de cenários. Então, levanta-te e caminha. Nem que sejam dois a três minutos, mas faz. Por exemplo, se tu estás confusa, se estás confusa com várias situações, para um bocadinho e escreve duas ou três linhas, não importa se é num papel, não importa se é no telemóvel, mas para e escreve, aponta, tenta organizar um bocadinho as ideias. Se te sentes triste por algum motivo, estamos a falar daquela tristeza que já pesa um pouco mais, vai fazer alguma coisa que te relaxe.

Pode ser, por exemplo, vou tomar um banho, pode ser, por exemplo, vou sair um pouco. Se eu me sinto muito estressada, eu vou organizar uma pequenina tarefa, só uma coisa. Se eu sinto que estou num vazio, a solidão, às vezes uma mensagem. Portanto, repara, estamos a falar de uma pequenina coisa. A maior parte das vezes, quando nós nos sentimos ansiosos, confusos, tristes, estressados ou vazios, nós ficamos presos a este sentimento. Não fazemos nada. E este sentimento toma uma proporção, esta emoção toma uma proporção cada vez maior, torna-se uma prisão. Então, só o fato de tu fazeres uma pequenina coisa, olha, por exemplo, a ação acaba por reduzir aquela ruminação mental que nós temos, aquele pensamento cíclico.

O movimento reduz a ativação do stress, por exemplo. As pequenas decisões, que é o que tu estás a fazer, vou mandar uma mensagem, decidi fazer alguma coisa, não importa o retorno. mas vou fazê-lo", restaura-te uma pequenina noção de controle. E o cérebro acaba por aprender com estas pequeninas atividades e atitudes que, afinal, eu ainda consigo ter influência. Aqui ficam algumas dicas importantes, simples, como pediram, mas muito

Impacto da espiritualidade

necessárias, sem dúvida, e quando elas são praticadas, ainda melhor. Não é, Cristina? Não fica só na teoria. Cristina, uma pergunta que nos fizeram também, eu creio que realmente é É uma das mais pertinentes e importantes para a nossa vida, e digo nossa vida, aqueles que de alguma forma concebem o sobrenatural e o Deus, a existência de um Deus, que são cristãos, que acreditam que há um Deus que toma conta da nossa vida. E alguém questionou e perguntou, pode a espiritualidade ajudar alguém em momentos de sofrimento emocional? Eu creio que essa é uma daquelas perguntas que nós, intuitivamente, responderíamos acho que sim.

Mas nós não estamos aqui para lidar com a intuição. Estamos aqui para tentar procurar aquilo que a ciência nos diz e que tem impacto na nossa saúde. Então, eu acho que essa pergunta é muito importante e vamos tentar atribuir-lhe uma resposta ao nível do grau de importância. Eu gostava de ler três citações para depois entrarmos na resposta. Esta frase é atribuída a Carl Sagan, um astrónomo e cientista amplamente reconhecido, e ele diz o seguinte, a ciência não é só compatível com a espiritualidade, é uma profunda fonte de espiritualidade. Vou ler uma segunda questão, ou uma segunda citação. Ela está no inglês, mas eu vou fazer uma tradução livre. Ela é atribuída a uma escritora e palestrante, Elizabeth Elliot, que também foi missionária.

Não sei dizer agora, precisar agora, o país. Mas ela dizia alguma coisa do género. Às vezes, a vida é tão difícil que a única coisa que tu consegues fazer é a próxima coisa. Então, seja o que for, faz essa próxima coisa. Deus acabará por te encontrar lá. Diz esta autora. Eu gostava de ir buscar uma citação que está na palavra de Deus, no Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6, palavras de Jesus, em que ele diz, eu sou o caminho, a verdade e a vida. Três citações tão diferentes umas das outras, o que é que elas têm em comum? Todas elas falam sobre espiritualidade.

Não falam sobre religião. Falam sobre espiritualidade. E é nesta perspectiva que eu gostaria que nós tentássemos responder a esta pergunta. Ou seja, o conceito de espiritualidade não está necessariamente associado a uma religião. E não é necessariamente visto pelas pessoas na mesma perspectiva. Ok? Como é que a ciência vê, ou melhor, será que a ciência fala sobre espiritualidade? Fala sim, senhor. E como é que a ciência vê a espiritualidade? Vamos colocar essa base. Aquilo que é mais consensual nos vários estudos que têm vindo a ser desenvolvidos nesta área, são alguns elementos comuns.

A ciência concebe a espiritualidade como um sentido de vida, concebe com uma ligação a algo maior do que é o próprio, concebe a espiritualidade como uma ligação a valores profundos e à conexão humana que nós estabelecemos. E a ciência normalmente não pergunta se existe Deus. Essa não é a pergunta da ciência. A pergunta da ciência é muito interessante. É, o que é que as experiências espirituais fazem à mente, fazem ao cérebro, fazem ao comportamento e fazem à saúde? Isso é aquilo que a ciência tem procurado responder. E nas últimas décadas tem vindo a público vários estudos muito interessantes, seja na área da psiquiatria, seja na área das neurociências ou na área da psicologia, que tentam responder esta pergunta.

Qual o impacto da espiritualidade na nossa saúde, no nosso cérebro também? E uma das áreas mais estudadas é a relação entre a espiritualidade e, por exemplo, a depressão, a ansiedade, o stress. A relação entre a espiritualidade e a recuperação de traumas. A relação entre a espiritualidade e, por exemplo, o luto. A relação entre a espiritualidade e as doenças graves ou até os cuidados paliativos para doenças terminais, por exemplo. E um dos investigadores mais reconhecidos nesta área é um psiquiatra dos Estados Unidos, o Dr. Harold Koenig. Ele trabalha na Universidade de Duke e ele desenvolveu um conceito que é religious coping.

O que é que ele veio trazer? Ele ajudou a desenvolver a ideia de que as pessoas usam a espiritualidade para lidar com o sofrimento. E dos vários estudos que ele foi fazendo, e ele foi fazendo vários estudos, inclusive a meta-análise, e vou-te clarificar o conceito da meta-análise, é uma... Ou seja, é uma revisão dos vários estudos publicados sobre aquele mesmo tema e em que tentam perceber a que conclusões é que chegaram e se há um fio condutor nessas conclusões, se as conclusões são comuns a mais do que um estudo. E dos vários estudos feitos e análises que ele e a sua equipa foram verificando, Eles perceberam que a espiritualidade saudável, e refiro aqui saudável, significa que há uma espiritualidade que pode não ser saudável, ela está frequentemente associada à maior esperança, a um menor isolamento, a um menor risco de suicídio, a um menor abuso de álcool ou de drogas, a um maior bem-estar psicológico e a uma maior resiliência emocional.

Portanto, este autor, este investigador, a posição dele não é a religião cura tudo, não é. A posição dele é a espiritualidade e a religião podem funcionar. como fatores psicológicos relevantes de proteção, de significado e de coping. Coping é o nome que se dá às estratégias que nós desenvolvemos para poder lidar com as situações. Especialmente em situações de sofrimento, de crise ou de doença. Nós vamos já continuar a refletir sobre isto, que é bastante importante. Vamos para o nosso breve intervalo e já voltamos. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.

Sou Damo uma vez mais, aqui estamos, voltamos depois deste breve intervalo para continuarmos a refletir sobre estas questões, estas respostas tão importantes. E algumas respostas poderá encontrar aqui neste que já é o manual conhecido que nós temos para oferecer a si de forma gratuita para si, para a sua família, para os seus amigos. Basta apenas contactar-nos através do 933 939 291 e nós teremos todo o gosto de poder enviar para si sentimentos, a ciência do existir, este manual que seguramente será pertinente para a sua vida, sobretudo se tem desafios a nível da saúde mental ou pode mesmo não ter e ser uma questão interessante de curiosidade e de aprendizagem, porque é bom sabermos muitas coisas para a nossa vida.

para a nossa ou para aqueles que estão à nossa volta e que nós amamos. Então contacte-nos 933 939 291 e teremos muito gosto a enviar para si. Cristina, referente àquilo que estavas a dizer há pouquinho, a pergunta que eu te faço agora é o seguinte. Isto significa, daquilo que tu disseste, que a espiritualidade cura a depressão, por exemplo. Não. E nós temos que ser muito claros em relação a isso. Não. Ou seja, é importante esclarecer que a espiritualidade não substitui o acompanhamento especializado. Ela não substitui a medicação quando ela é necessária. E ela não resolve automaticamente um trauma, uma doença mental, uma dificuldade emocional.

O que a espiritualidade faz é funcionar como um fator de proteção. como uma fonte de apoio emocional, como a estruturação de um significado e uma ferramenta de regulação emocional. Então é importante dar esta noção porque às vezes as pessoas trazem uma ideia incorreta, acham que a espiritualidade por si própria vai curar. Não é esse o papel e não é isso que a ciência tem vindo a demonstrar também. Há pouco tu referias que a pergunta que a ciência faz é o que é que as experiências espirituais fazem à mente, ao cérebro, ao nosso comportamento, à nossa saúde. E a pergunta que eu gostaria de colocar, ou que nos colocam, é o que é que muda na mente da pessoa.

Uma das primeiras coisas que muda na mente da pessoa, e para já não estamos a falar em termos fisiológicos, há vários mecanismos que se têm percebido que são possíveis. O primeiro tem a ver com a atribuição de um sentido e de um significado. A espiritualidade funciona como um fator protetor exatamente por causa disto também, ou seja, o teu sofrimento torna-se mais tolerável porque tu consegues atribuir-lhe um sentido, consegues atribuir um significado e ainda consegues atribuir um significado para a tua existência atual e isso torna as coisas mais passíveis de serem lidadas de forma saudável. Outra questão que a espiritualidade faz é que ela promove a redução do isolamento, porque muitas vezes a espiritualidade está associada a comunidades que têm determinadas práticas.

Há este senso de pertença e está provado que o apoio social é das coisas mais fundamentais para uma recuperação. A espiritualidade tem um papel amplamente importante naquilo que nós chamamos, e várias vezes utilizamos este termo, a regulação emocional. Ou seja, tem-se comprovado, há estudos que têm mostrado que práticas como oração, práticas como uma leitura, práticas como uma meditação, por exemplo, ou uma respiração consciente, elas ativam sistemas de relaxamento e reduzem o nosso stress fisiológico. Outro dos grandes papéis de intervenção da espiritualidade ao nível mental tem a ver com esta palavrinha, que é a esperança, que nós não conseguimos pesar, nem conseguimos mexer, não conseguimos torná-la palpável, mas todos nós sabemos que ela existe, este conceito, vivenciamos isto.

Portanto, a esperança não ilumina a dor. mas altera a forma como o cérebro interpreta a dificuldade. Portanto, a espiritualidade ajuda-te a ver a esperança e faz com que o teu cérebro perfeccione a dificuldade de uma forma diferente. Aliás, há vários estudos realizados no âmbito das neurociências, estudos de magiologia, em que eles tentam perceber quando tu estás numa destas práticas, por exemplo, de uma oração, de uma leitura, de uma meditação, de uma respiração consciente, quais as áreas que são ativadas ou não a nível cerebral. E eles já perceberam que práticas no âmbito da espiritualidade, por exemplo, há uma menor ativação de áreas associadas ao estresse, aos mecanismos de estresse. Há uma maior ativação de áreas associadas à atenção.

E há uma maior ativação de áreas associadas à regulação emocional, à forma como nós gerimos as nossas próprias emoções.

Riscos da espiritualidade

Então, apesar de termos vindo a falar, poder-se-á colocar esta questão, é tudo positivo ou há riscos associados? Nós há pouco falávamos e sublinhávamos esta questão da espiritualidade saudável. Isso. Significa que pode existir uma espiritualidade que não é saudável. E eu aqui gostava de fazer um alerta, não querendo de todo ferir a suscetibilidade de ninguém. Portanto, nós não estamos a falar de religiões, está bem. Não estamos a falar de crenças individuais, de todo. Estamos a falar da espiritualidade como um conceito. O que é que a ciência tem demonstrado? Há um conceito que é o chamado coping religioso negativo, que é quando nós de alguma forma vivenciamos uma espiritualidade que nos gera uma culpa extrema, que nos gera muito medo, que nos gera um padrão rígido de raciocínio.

Tu não consegues conceber nada mais para além daquilo. Há situações em que a espiritualidade se pode tornar não saudável quando te leva a rejeitar aquilo que a ciência trouxe como formas de intervenção e que ajudam no combate a determinadas doenças. Quando, por exemplo, Passas a ficar mais sensível à manipulação de pessoas que têm, infelizmente, interesses que possam não ser os mais saudáveis também. Quando tu sentes que tens um abandono divino, se é que podemos dizer isto, ou quando tu vives com uma vergonha constante, se a tua espiritualidade está a provocar isso, então, previsivelmente, não estarás a lidar com uma espiritualidade saudável.

Então, volto novamente a colocar a questão do nosso ouvinte. Se a espiritualidade pode, ou não, ajudar alguém nos momentos de sofrimento emocional? A ciência comprova que sim. Indubitavelmente que sim. Ou seja, sobretudo porque sofrimento emocional faz parte da existência do ser humano, não é? Portanto, a questão não passa tanto por iluminar a dor, porque a espiritualidade não é nessa perspectiva, mas sim como encontrar um significado, como encontrar um apoio e um equilíbrio enquanto nós atravessamos por essa mesma dor. Cristina, uma das perguntas que frequentemente nós colocamos É porque é que algumas pessoas deixam de tentar, mesmo quando existem soluções.

Desamparo aprendido

E porque é que alguém inteligente, poderíamos dizer nós, capaz e sensível, pode sentir que nada do que faz muda realmente a sua vida. Essa é uma questão que provavelmente alguns de nós se identificam com ela, de alguma forma. E há um sem número de possíveis explicações para isso. Mas uma das explicações que eu gostaria de trazer insere-se num conceito central da psicologia moderna, que é o chamado conceito do desamparo aprendido. E é muito característica a pergunta que tu me estás a fazer, inserir-se neste conceito. E vamos imaginar alguns cenários. Imagina, por exemplo, uma pessoa que está já desempregada há algum tempo e que começa a verbalizar e a dizer, eu nunca tenho sorte, ninguém me vai aceitar, o que eu recebo são respostas negativas constantes.

Vamos imaginar um aluno que desistiu de estudar, e por mais que tu incentives, porque nós temos muita tendência de fazer estes discursos motivacionais, não é? Pronto. Eu não estou com isto a dizer que não devam ser feitos, mas só o discurso motivacional em si pode não ser suficiente. Mas aquele jovem poderá dizer que aquele aluno não vale a pena tentar, eu já desisti. Ou um atleta, por exemplo, que após fracassos repetidos questiona-se, mas para quê? Vale a pena o esforço? Já não vale a pena o esforço. Ou uma pessoa presa numa relação tóxica. Ou eventualmente um trabalhador que acredita que já não consegue mudar, por exemplo. Então, a pergunta em todos estes cenários que nós colocamos, e para ir um bocadinho de encontro à questão que tu estavas a fazer, a pergunta que se coloca é mais em que momento é que nós deixamos de tentar e porquê?

E a verdade é que o desampar aprendido é um estado psicológico em que a pessoa aprende, através de experiências repetidas, que as suas ações não alteram os resultados negativos da vida. Portanto, a ideia central não é uma incapacidade real que te produz uma desistência, é a perceção que tu começas a desenvolver da falta de controle. O cérebro começa a concluir que não vale a pena tentar. Então, muito brevemente, portanto, a pessoa não nasce passiva? Não. A pessoa não nasce passiva. Na maioria dos casos a passividade é apreendida. E é apreendida porque o teu organismo vai sendo exposto repetidamente a situações que causam dor, fracasso, uma rejeição, uma humilhação.

Há uma imprevisibilidade também. Há tal impotência emocional. E o teu cérebro e o meu, que são altamente bons alunos, acabam por aprender, lentamente, agir parece inútil. Se agir parece inútil, porque é que eu vou fazer? E começa a instalar-se a passividade. Nós não nascemos passivos, mas pode efetivamente ser algo aprendido. Realmente, esta área tem muita coisa para refletirmos e para pensarmos. Mais uma vez, obrigada, Cristina, pelo teu input e pelas tuas informações e ensinamentos. Foi bom, muito bom estar consigo. Com certeza que estaremos cá, pela graça de Deus, na próxima semana. E então, até lá. Que Deus vos abençoe.

A nossa oferta

Sobre este episódio

Cuidar da saúde mental pode começar com pequenas decisões diárias — mas com um impacto profundo. Neste episódio, partilhamos sugestões práticas para proteger o equilíbrio emocional: cuidar do sono, fazer exercício físico, reduzir os estímulos constantes, passar tempo na natureza, evitar o multitasking e agir perante emoções difíceis.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 55
Estreou
07 de Julho de 2026
Categoria
Saúde
Apresentação
Milu Cordeiro
Convidados
Cristina Dias