Olá, mais uma vez, mais uma semana, cá estamos, pela graça de Deus, de coração grato ao Senhor por podermos colaborar consigo naquela que nós desejamos seja uma saúde mental extraordinária. É verdade que nem sempre todas as coisas correm bem, às vezes temos algum desafio aqui, acolá, nós ou aqueles que nós amamos, E por isso é que estamos aqui a pedir a Deus que nos use para trazer alguns ensinamentos, algumas práticas que podem aliviar e ajudar na resolução desses desafios referentes à saúde mental. Seja muito bem-vindo, muito bem-vinda mais uma vez com a doutora Cristina Dias. Olá, Cristina. Seja bem-vinda uma vez mais, mais uma semana. E cá estamos, na graça de Deus.
Obrigada, Milú, no nosso Cantinhos do Conforto. Isso mesmo, na graça de Deus. Cristina, nós no último episódio começamos a abordar este aspecto muito importante que é a questão das dependências. É verdade que às vezes nós, se calhar, atiramos isto mais para os filhos, para os adolescentes e tudo, mas nós adultos temos muitas dependências e muitos desafios. Vimos aquela questão que é o ciclo da adição, ou seja, que acabará por levar também e compreendemos o porquê de levar às recaídas frequentes. E perante isso, exatamente o que nós vimos no último episódio e que explicaste ali muito bem, se algum dos nossos ouvintes não viu o episódio anterior,
aconselho vivamente a poder fazê-lo, a pergunta que te coloco é quais alguns dos sinais a que nós devemos estar atentos? Há alguns sinais que deveriam servir de alerta para podermos estar a lidar com uma dependência. Quando nós temos dúvidas se efetivamente é um comportamento habitual ou se passou para um comportamento de dependência. Uma delas tem a ver com a perda de controle. Portanto, quando nós até dizemos, olha vou usar menos isto ou vou fazer isto menos, mas não conseguimos. Quando já nós tivemos tentativas de paragem sem sucesso relativamente à situação ou quando mesmo não querendo eu preciso de fazer aquilo ou preciso de consumir aquela substância. Outra questão, outro sinal de alerta é o foco excessivo.
A tua vida passa a ser organizada em função daquilo. Se não consegues fazer ou se não consegues consumir até traz alguma irritabilidade e desconforto e és capaz de deixar de fazer compromissos importantes para reservar esse tempo ou para a prática ou eventualmente para o consumo. Outro sinal de alerta tem a ver com aquilo que nós falávamos no episódio anterior, o efeito de tolerância, precisar de doses maiores, ou de maior dispêndio de tempo, ou maior intensidade dos estímulos para obter o mesmo prazer. E há a sintomatologia que ocorre quando tu estás em abstinência. Há, às vezes, indicadores como, por exemplo, ansiedade, irritabilidade, tristeza, dificuldade de concentração, o que as pessoas chamam de nevoeiro mental.
Parece que a nossa mente fica enevoada, sem saber muito. São indicadores, são sinais de alerta e toda a sintomatologia física que pode acompanhar. Outra questão que também pode ser um indicador, um sinal de alerta, é quando nós utilizamos a dependência, seja ela do comportamento ou da substância, para lidar com as emoções. Em vez de, de alguma forma, lidarmos de forma mais saudável e natural, como fazíamos antes, procuramos aquilo como uma forma de escape também. Outra situação que poderá ser um indicador é o impacto que vai ter, as consequências que vai ter nas várias dimensões da minha vida. Por exemplo, na parte financeira, na parte do trabalho, o escolar, o rendimento pode estar a cair, nas minhas relações a nível familiar.
E há aqui dois fatores que são extremamente importantes e são claramente indicadores de que estou a lidar com uma dependência. Uma delas tem a ver com o isolamento, com o sigilo. É muito frequente haverem altos indícios de mentira. E não estou a falar aqui na mentira na perspectiva de dizer se é bom ou mau. Estou a dizer como nós sentimos desconforto, queremos nos isolar, isolamos-nos das pessoas e muitas vezes mentimos ou omitimos a situação pela qual estamos a passar. E o outro fator que é importante é que nós passamos da sensação de prazer para a sensação de preciso daquilo para o alívio, seja do que for, mas não deixo de lidar com a dualidade dos sentimentos de estou a aliviar uma coisa mas estou a sentir-me culpabilizado por estar a fazer aquela prática.
Eu tenho vergonha por estar a fazer aquela prática, aquele comportamento. Tudo isto podem ser indicadores de alerta. Eu creio que de alguma forma todos nós temos contacto direto ou indireto com esta realidade das dependências. Mas quando passamos da nossa esfera, portanto da nossa esfera individual, para uma esfera coletiva, portanto não sou só eu, mas outros que estão conosco, a situação aí seguramente torna-se mais complexa. Eu acho que nós não temos uma perceção, nós olhamos para as coisas na micro escala, o que é perfeitamente normal, porque tem a ver com a nossa convigência diária. Mas na macro escala, isto traz várias campanhas de alerta.
Então, eu trouxe aqui alguns dados para nós podermos refletir e podermos responder a essa pergunta. O ICAD é o Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências em Portugal. Ele em 2024 publicou um relatório com dados referentes a 2022, exatamente sobre esta questão das dependências face à população portuguesa. E algumas das conclusões, não estão todas, vou só retirar aqui alguns apontamentos. Algumas das conclusões a que chegaram foram, está a haver um aumento dos problemas ligados ao consumo do que? Do álcool, da cocaína e das overdoses. Outro apontamento tem a ver com os padrões de consumo de risco. Moderado e elevado para a canábis não diminuíram.
Muito pelo contrário, o risco elevado de consumo da canábis aumentou, sobretudo entre os jovens, o grupo etário, entre os 15 e os 24 anos. Nos três últimos anos, aumentou a proporção de jovens de 18 anos que relatam experiências de problemas ligados ao consumo de drogas. Isto no caso de substâncias, mais comumente associadas a drogas como o canábis, cocaína, axis. Mas, por exemplo, no âmbito do álcool eles trouxeram alguns dados também muito relevantes. A dependência do álcool está a crescer significativamente. Repara, o relatório foi publicado em 2024 com dados referentes a 2022 e o que é que eles disseram?
Entre o período de 2012 a 2022, a dependência do álcool quase que quadriplicou na população portuguesa. E aqui permite-me fazer um parênteses. Por uma questão social, o álcool é mais aceito socialmente do que, por exemplo, a heroína, vamos imaginar. mas esta é aquela dependência que se torna mais gravosa a nível das suas consequências, seja a nível social, seja para a família, seja para o próprio. Nós não temos essa perceção. O início de consumo de álcool, que evolui depois rapidamente para dependência, está a ocorrer em idades cada vez mais jovens. Um outro fator que eles avaliaram foi o que chamam de binge drinking, ou seja, a embriaguez severa, e o que eles perceberam foi que, por exemplo, os dois últimos anos, 2021 e 2022, tinham os anos em que teriam havido os indicadores de embriaguez mais severa desde 2015.
Os problemas relacionados com o consumo de álcool têm aumentado entre os jovens, é o relato de problemas emocionais. Isto, na nossa realidade. Mas, por exemplo, o relatório europeu sobre drogas, publicado em 2024 pelo Centro Europeu de Monitorização de Drogas e Toxicodependências, diz o seguinte. No final de 2020, de 2023, perdão, este organismo estava a monitorizar cerca de 950 novas substâncias psicoativas. quase mil substâncias novas, sendo que 26 destas substâncias tinham sido relatadas pela primeira vez naquele ano. É cada vez mais comum o policonsumo.
O que é o policonsumo? Quando tu consomes duas substâncias simultaneamente ou quando tu consomes uma e a seguir vais consumir outra. E cada vez mais existem casos de patologia dual. O que é que é patologia dual? São situações em que associada ao consumo tu desenvolveste outros problemas de saúde, nomeadamente distúrbios, nomeadamente como a depressão, a ansiedade, o transtorno de personalidade e as psicoses. Portanto, estes são indicadores que nos deveriam, no mínimo, levar a refletir. Sem dúvida. Nós vamos ter a oportunidade de continuar nesta reflexão e aprender todas estas coisas que são tão necessárias, mas vamos fazer, como habitualmente, um breve intervalo e já voltamos.
TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Seja muito bem-vindo mais uma vez, muito bem-vinda. Cá estamos neste novo episódio, juntos, a refletir sobre estas coisas muito importantes para a nossa saúde mental. E não quero prosseguir sem antes, uma vez mais, poder dar a conhecer, para aqueles que se calhar pela primeira vez estão connosco, este manual, este guia de estudo que temos disponível para si, para os seus queridos, para a sua família, para os seus amigos, de forma gratuita. Então bastará apenas contactar-nos através do 933 939691 e nós teremos toda a alegria de poder enviar para si este manual Sentimentos, a Ciência do Existir, em que poderá encontrar assuntos muito pertinentes relativos à saúde mental.
Então fica aqui disponível para si, contacte-nos 933 939291 e enviaremos para si com certeza. Cristina, dando continuidade ao que estávamos a falar sobre a questão das
dependências, gostava de fazer-te uma pergunta, e seguramente é pertinente para todos nós. Quais os fatores de risco, ou vulnerabilidades, se quisermos assim dizer, tornam as pessoas mais propensas às dependências? Existem alguns que estão comprovados cientificamente. Eu vou só dar aqui, mais uma vez, alguns apontamentos. Não vamos esgotar a totalidade das situações. Mesmo porque volto a referenciar aquilo que já dissemos noutros episódios. Cada caso é um caso. Portanto, nós não podemos agora rotular e dizer que isto ocorre exatamente da mesma forma em todas as pessoas. Um dos fatores de risco para o desenvolvimento de uma dependência tem a ver com a altura em que ocorre a exposição.
Quanto mais cedo tu és exposto ao comportamento ou à substância, aumenta a probabilidade de tu vires a ter uma dependência relativa a essa substância ou ao comportamento. Porquê? Porque tens uma menor maturidade para gerir os riscos. Outra questão que é muito pertinente tem a ver com os comportamentos transgeracionais. Aqueles comportamentos que passam de pais para filhos ou que são aceitos socialmente. Por exemplo, aqui dou a questão do exemplo do álcool. Eu me recordo de um jovem que partilhava comigo uma experiência. Ele foi fazer um determinado trabalho, que lhe convidaram, e no final convidaram a equipa para um jantar. Eram pessoas que tinham tido contacto pela primeira vez naquele momento, mas eram todos relativamente jovens.
E a determinada altura estavam a perguntar, então bebes uma cerveja ou qualquer coisa assim? E o jovem acabou por dizer que não. E começou uma conversa sobre esta questão de beber ou não beber. E a determinada altura, um dos jovens que estava presente perguntou-lhe assim, então se tu não bebes, como é que tu te divertes? E o jovem partilhava esta experiência comigo. Ok, cada qual faz as decisões que entenderem, mas porque é que não existe a possibilidade de nós nos divertirmos sem nos embriagarmos até à exaustão? E isto é um fator cultural e transracional que muitas vezes influencia a predisponibilidade para tu vires a desenvolver uma dependência. Outro fator de risco é a falta de relações positivas, significativas.
Aquela situação que nós falávamos da vinculação, a importância de tu estares vinculado a uma figura de referência que funciona aqui como modelo também. Há também, com um fator de risco bastante elevado, as características da própria substância ou do próprio comportamento. Nós sabemos que há substâncias ou comportamentos que ativam mais rapidamente os mecanismos de dependência cerebrais, porque levam a uma maior alteração na química cerebral. Por exemplo, no âmbito das substâncias um exemplo é a heroína, no âmbito dos comportamentos um exemplo é a pornografia, que está comprovado que vicia muito mais rapidamente. Há também um outro fator que é a predisposição genética.
Vamos, mais uma vez, voltar a utilizar o exemplo do álcool, porque provavelmente é o mais comum. O meu pai ou a minha mãe são alcoólatras, então há uma maior predisposição para que eu possa vir a ter aquele mesmo tipo de comportamento, inclusive a genética. Agora, isto não é determinismo, não quer dizer que obrigatoriamente isso vai acontecer, porque depois há um conjunto de fatores que podem influenciar. Só que há uma coisa que a maior parte das vezes nós desvalorizamos ou desconhecemos, que tem a ver com esta vulnerabilidade genética, que pode elicitar uma dependência dependendo da forma como o nosso organismo reage ao consumo daquela substância ou comportamento.
Eu vou dar um exemplo. Imagina dois jovens, ou menos jovens, que consomem, por exemplo, uma determinada substância. E um tem um surto psicótico e o outro não tem. E provavelmente aquele que teve o surto psicótico tinha na sua gênese esta questão desta maior predisposição genética. Agora, nós nunca sabemos quem é que vai ter ou quem é que não vai ter. É quase como se fosse uma ruleta russa. Portanto, eu posso ser mais vulnerável, predisposta geneticamente a isto, Ou tu. E o fato de entrar naquele consumo pode ser um consumo que me elicite uma consequência muito danosa logo num primeiro contato.
Outra questão que também pode ser considerada um fator de risco. para o consumo de substâncias, é existirem outras situações, como por exemplo ansiedade, depressão, stress, burnout, que nos levam muitas vezes a compensar o desconforto que aquilo nos causa com o consumo da substância ou a prática do comportamento. Por outro lado, há aqui dois fatores que são importantes também. O primeiro é, a maior parte das vezes, as pessoas demoram muito tempo a reconhecerem ou a identificarem que estão com uma dependência, que estão a lidar com uma dependência. Sobretudo por aquela questão que nós falávamos no episódio anterior, o tal pensamento mágico.
Eu consigo controlar isto? Não, a qualquer momento eu paro quando quiser. E como às vezes tu utilizas esta expressão, já foste. Nem temos esta noção. Por outro lado, nós temos, cerebralmente, uma maior vulnerabilidade àquela dependência. Ou seja, qualquer trigger, um cheiro, uma imagem, uma palavra, pode elicitar em mim a vontade de... Eu acho muito interessante. É atribuído aos alcoólicos anónimos. algo deste género. Eu sou um alcoólatra, eu já não consumo é há 10 anos. Ou seja, esta noção de que tu és vulnerável àquilo ajuda-te a fazer aqui uma barreira para que tu não te envolvas num comportamento de risco.
Seguramente são muitos aqueles que nos escutam e vamos imaginar que algum daqueles que nos está a ouvir identifica-se e reconhece que tem alguma adição, alguma dependência, neste ou naquele aspecto da sua vida.
O que é que se poderá fazer, Cristina? Assim, uma consulta. De diretrizes, de orientações para ajudar estes queridos. No fundo somos todos nós, porque todos temos alguma adição de alguma forma. Mas aqueles que realmente estão ali a labutar e a lutar com algum desafio profundo. Olha Mila, a primeira sugestão que eu faço, e faço veementemente, é que procurem ajuda especializada. Porque nós vamos dar algumas sugestões. São coisas que podem contribuir, mas não vão solucionar o problema. Nós vamos disponibilizar depois, neste e noutros programas em que continuarmos a abordar este assunto, os contactos do ICAD, o tal Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências, e vamos também disponibilizar algumas linhas de apoio.
Eu sei que é uma situação que nos constrange e que muitas vezes nos leva a ter que dar um primeiro passo, que é efetivamente difícil. Mas existem equipas especializadas para isso e a nossa qualidade de vida poderá ser completamente diferente. Então, se nós falarmos em termos genéricos, há algumas coisas que podem contribuir para ajudar, mas que não vão solucionar o problema. Uma delas é aquilo que sempre dizemos, investir o máximo possível num estilo de vida saudável. A questão da alimentação, a questão do padrão de sono, o exercício físico é fundamental. Por quê? Porque eu preciso de dotar o meu organismo de capacidade de resposta.
Por outro lado, um dos fatores perpetuadores da questão da dependência é a vergonha ou isolamento. É mentira também. Então falem com alguém de confiança, exponham a situação, não na perspectiva de nos sentirmos vulneráveis, não na perspectiva de que a outra pessoa nos vá dar soluções, mas um fardo partilhado torna-se um bocadinho mais leve. É também muito importante que nós identificamos o que é que nos causa frustração, porque nós, na dependência, já utilizamos o comportamento ou a substância para lidar com emoções negativas. Então, normalmente, o que é que me causa frustração? Olha, quando eu durmo menos, estou mais vulnerável, por exemplo.
Eu tenho uma situação no trânsito, vamos supor, então sempre que eu começo a identificar padrões de situações que me causam frustração, eu posso também perguntar de que forma é que eu posso responder a esta frustração de uma forma mais saudável, sem ter necessariamente que optar por aquele comportamento ou por aquela prática. Estar também muito atento aos tais triggers, aos tais gatilhos. Eu recordo-me, por exemplo, de uma situação de um jovem que me dizia assim, eu tenho dificuldade em passar na rua e ver outdoors. Ele estava dependente da questão da adição da pornografia. Então, sempre que eu vejo uma outdoor que elicita ali uma imagem um bocadinho mais explícita, eu tenho dificuldade.
Então, ele sabia que aquilo era um trigger. Então ele encontrou algumas estratégias para, se possível, ou não passo naquela zona enquanto eu não me sinto capaz de lidar com aquilo, ou eu vou encontrar algumas estratégias para me ajudarem a lidar com este trigger que eu sei que vai estar ali presente, a vontade de fazer ou de consumir. Por outro lado, nós costumamos dizer que uma vida ociosa é uma vida que conduz à prática de escolhas que muitas vezes não são saudáveis. Então, crie um horário. em que tu estruturas o teu dia-a-dia e dentro desse horário coloca alguns hobbies ou aprendizagem de novas competências. Vai ver um tutorial, fala com alguém, investe também, por exemplo, em alimentares de atuamento de conteúdos positivos.
Aquilo que nós vemos, aquilo que nós ouvimos, aquilo que nós lemos faz toda a diferença também. Está a provocar ansiedade e frustração ou está a trazer uma sensação de bem-estar, por exemplo. E no caso de, dependendo do comportamento ou da substância, em que seja possível, elimina do teu alcance tudo aquilo que possa ilicitar novamente este comportamento. Portanto, isto são apenas algumas sugestões que não vão de todo substituir a necessidade de apoio especializado. Nós ainda temos alguns minutos, mesmo que não fique a resposta dada
completamente, depois continuaremos no próximo episódio, mas a questão da utilização da internet, Cristina, a pergunta que me vem à mente é É inevitável reconhecermos que nós estamos cada vez mais ligados, portanto, à questão da internet. Mas será que estamos, e a pergunta é, também mais dependentes? Por estarmos mais ligados, será que estamos mais dependentes? Sem dúvida. E a questão não está no problema de estarmos ligados, está no problema de como é que nós gerimos essa relação. Então, nós iremos falar com mais calma sobre isto no próximo episódio, mas deixa-me dar-te aqui um lamiré, se me permites a expressão, de um estudo que foi feito pelo ICAD.
em 2024 sobre os comportamentos aditivos aos 18 anos utilização da internet. Então eles fizeram inquéritos no dia da Defesa Nacional aos jovens com 18 anos a 91.989 jovens sobre o uso da internet e a relação que tinham a internet nas suas várias vertentes. Então algumas conclusões a que chegaram. Há um aumento da porcentagem de jovens que usam a internet 5 horas ou mais por dia. 38% dos jovens começaram a usar a internet antes dos 10 anos de idade. Nós temos que perguntar, será que o meu mecanismo cerebral para usar de forma eficaz e equilibrada isto está desenvolvido com esta idade?
Não está. 97% dos jovens com 18 anos relatam utilizar as redes sociais. 61% dos jovens relatam jogar online. 17% dos jovens de 18 anos fazem apostas online, sobretudo rapazes. E 36% dos jovens relatam ter experienciado pelo menos um problema associado à utilização da internet nos 12 meses anteriores ao inquérito. E 21% dos jovens que foram inquiridos, lembra-te que é um universo de quase 92 mil jovens, portanto quando nós pomos esta porcentagem em dados concretos, isto dá-nos números que nos levam a refletir. 21% destes jovens mencionaram que este uso da internet tem trazido consequências a nível do rendimento escolar, do rendimento a nível do trabalho, da saúde, dos conflitos em casa, das finanças e de aderirem a comportamentos de risco.
Então, sim. Cria dependência, estamos mais ligados e mais dependentes, mas acima de tudo não estamos a saber administrar essa relação. E é sobre isso que nós queremos continuar a falar. Muito bem, obrigada Cristina mais uma vez. Sem dúvida assuntos muito pertinentes e que tocam de forma muito direta aquela que é a nossa vida, o nosso dia-a-dia, dos nossos filhos, dos nossos queridos. Marcamos o encontro na próxima semana. Foi sempre e é sempre um prazer estar consigo. Que Deus o abençoe e o ajude, que Ele está presente para nos ajudar em todas as coisas. Fique bem e até para a semana, se Deus quiser.
Neste episódio de Mentes que Sentem, continuamos a conversa sobre dependências, um tema real e muito mais comum do que parece, em jovens e em adultos.