Bullying e Cyberbullying (parte 1)

Bullying e Cyberbullying (parte 1)

13 de Janeiro de 202627 min 22 s

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Olá, uma vez mais cá estamos, mais uma semana e juntos consigo e com Deus também, para fazermos face à nossa vida. Há dias melhores, há dias piores, há dias que sentimos-nos mais encorajados, outros um pouquinho mais desencorajados. Não sei qual é a realidade sua hoje, mas sei uma coisa, é que independentemente daquilo que nós sintamos, com certeza Deus está do nosso lado para nos dar o alento e a coragem que nós precisamos. Estamos aqui para ser uma ajuda à sua vida neste mundo e neste século em que os desafios da saúde mental são cada vez maiores e por isso estamos aqui neste programa que já é seu. Mentes que se sentem para verdadeiramente ouvirmos algumas instruções e algumas

Impacto diferenciado da internet

ajudas para o nosso dia-a-dia. Cristina, muito obrigada. Mais uma vez mais a doutora Cristina Dias connosco. Obrigada pela tua presença. Obrigada, Melô. É bom podermos estar juntos, podermos refletir nestas questões em conjunto e acima de tudo percebermos que há sempre esperança. É verdade. Graças a Deus por isso. Cristina, nós no último episódio nós estivemos a referir sobre a questão de algumas das consequências que a ciência fala sobre esta dependência referente à dependência da internet e entramos naquela especificidade de tentarmos perceber se estas dependências afetam de igual modo a questão das meninas e dos rapazes, ou seja, das raparigas e dos rapazes.

Pode desenvolver mais um pouquinho, porque no último episódio foi mesmo no fim e não tivemos a oportunidade de desenvolver mais um bocadinho, por favor. Obrigada pela questão, Milo, mais uma vez. Eu gosto de perguntas. As perguntas obrigam-nos a procurarmos informação para podermos responder. E, efetivamente, aquilo que a ciência tem demonstrado é que não se fala em termos proporcionais, mas se fala em termos qualitativos. Ou seja, é verdade, as dependências online afetam quer os rapazes, quer as raparigas, mas afetam de formas diferenciadas. E no caso das raparigas, quais são algumas das evidências que têm vindo a público? Uma delas é que as raparigas são mais afetadas pela comparação visual e pelo perfeccionismo do que os rapazes.

Daí que, por exemplo, uma fotografia, um comentário de que tu não estás tão bem, um filtro que foi colocado numa determinada imagem, Uma ideia de que deveria estar a fazer isto ou deveria estar a fazer aquilo tem muito mais impacto nas raparigas do que propriamente nos rapazes. A questão de ter um não like naquela fotografia ou naquela postagem acaba por ter um impacto muito mais perimente no caso das meninas do que dos rapazes. Outra questão em que se repara ou que se vê que qualitativamente tem um impacto um bocadinho diferente é que A agressividade das raparigas é muito mais relacional. A agressividade dos rapazes é mais física.

A agressividade das raparigas traduz-se de forma muito mais relacional. E isto no âmbito da internet adquire uma outra exposição. Portanto, há às vezes um comentário, há às vezes uma insinuação. Às vezes um não gosto. Isto acaba por trazer uma maior consequência a nível emocional para as raparigas do que para os rapazes. A verdade também é que pela sua própria característica e natureza estamos sempre a falar na generalidade dos casos. Sim, claro. Há sempre exceções. as raparigas têm mais facilidade em partilhar emoções. E isto torna-as mais vulneráveis àquilo que nós chamamos de doenças sociogénicas.

O que é que é isto? Não é incomum, e chegaram a assistir-se a movimentos em que isto acontecia, em que de repente davam a entrada nas urgências do hospital um conjunto de jovens, e subladamente em momentos diferentes, que apresentavam sintomatologia comum e que tu não tinhas uma causa orgânica, aparentemente, que sustentasse isso. E depois iriam verificar que tinham um fator em comum. Eles tinham estado, por exemplo, seguiam o mesmo youtuber ou o mesmo influencer que a determinada altura falou o que ele sentia aquilo, ou que falou que aquilo poderia ser traduzido naqueles sintomas. Então é muito comum, sobretudo no caso das meninas, elas serem mais facilmente alvo de identificação com algo que A pessoa ou a entidade que elas admiram está a dizer e elas reproduzem isto em si próprias.

E por outro lado, fruto também das suas características no âmbito das dependências online, as raparigas são mais sujeitas a predação e assédio, também mais facilmente caem neste tipo de esquema que possa existir. No caso dos rapazes, o impacto da dependência online qualitativamente é um bocadinho diferente. Não quer dizer que o que eu referi às raparigas não tenha impacto nos rapazes, mas não é tão evidente, é só isso. O que é que percebem é que há um maior declínio nos níveis de realização e progresso académico, escolar, laboral e familiar. E os rapazes estão muito mais propensos a tornarem-se adultos que não estudam, não trabalham e não se formam.

Estamos sempre a falar no contexto de dependência online. Outra questão, outra tendência que a ciência tem vindo a verificar é que os rapazes começaram a evitar o risco. E isto não é uma coisa natural nos rapazes, ou seja, naturalmente o rapaz está mais disponível para experienciar o risco do que a rapariga. Não quer dizer mais uma vez que não hajam exceções à regra. Por outro lado, outra questão que eles verificaram foi que o acesso ilimitado à pornografia, que se torna efetivamente um comportamento aditivo que assume proporções assustadoras neste momento, e que traz uma gratificação imediata ao rapaz, neste caso porque estamos a falar no contexto dos rapazes, acaba por fazer com que ele não desenvolva determinadas competências sociais que serão importantes para a sua transição para a vida adulta.

Por outro lado, a nível, por exemplo, dos videojogos, os rapazes são os consumidores mais problemáticos dos videojogos. E nós falávamos daquela questão da fragmentação da atenção no episódio anterior. Assiste-se no caso dos rapazes a um progressivo maior isolamento e isto faz com que haja uma diminuição da qualidade das redes sociais. Eu até posso estar a jogar online com 50 jogadores, mas eu não estou a ter uma relação direta com essas pessoas. E esta retirada progressiva, este isolamento progressivo do mundo real e do teu contexto familiar até, porque às vezes há famílias que dizem que ele passa horas no quarto, por exemplo, faz com que cresça aquilo que nós chamamos de anomia.

O que é a anomia? É a ausência de normas, a ausência de regras. Eu estou no meu mundo, eu estou isolado no meu mundo. Acontece que as normas são importantes, os limites são importantes para o nosso equilíbrio mental. E esta anomia, quando ela acaba por ser recorrente no tempo, pode fomentar o desespero e pode levar à escolha de atitudes menos saudáveis para lidar com o desespero, como muitas vezes a questão do próprio suicídio. Ao ouvir sobre isto, eu creio que para todos que estão lá em casa, e nós como

Estratégias para os pais

pais, educadores, professores e avós, famílias no fundo, perante esta informação, a pergunta que coloca, Cristina, que estratégias ou sugestões nós podemos deixar a esses pais, educadores, a nós, aqueles que nos ouvem e nós próprios, para tentar contrapor um pouquinho esta realidade? Provavelmente aquilo que nós vamos falar não é novidade. Num ou no outro momento nós já obtivemos esta informação, mas mais uma vez eu volto a referir, as coisas têm que fazer sentido para nós. E percebermos o contexto de uma dependência, percebermos o impacto que isto pode ter, ajuda-nos a tomar consciência que a nossa atitude e a nossa postura tem que ter outros contornos, não é só quando a casa está a arder, efetivamente.

E a primeira ressalva que eu gostaria de deixar aqui é, nós não estamos a lidar com jovens ou com crianças que gostam só de tecnologias. Não estamos a lidar, quando falamos de uma questão de dependência, estamos a falar de crianças ou de jovens perderam o controle sobre. E adultos. Isso. E adultos, sobretudo. Então vamos centrar-nos um bocadinho mais sobre a questão das crianças e depois vamos dar também mais duas ou três estratégias mais específicas para os jovens, embora estas que vamos referenciar são comuns a quaisquer um deles. Uma delas, que é muito importante, é começar a estabelecer limites e definir horários. Portanto, fazer quase como se fosse um acordo digital lá em casa, por regras simples. Olha, tu só tens acesso ao telemóvel ou ao computador depois de teres feito os trabalhos de casa.

E vamos combinar aqui um número de horas máximo. X horas por dia. E é importante que combinemos também, que acordemos também consequências claras sobre o cumprimento ou o incumprimento desta regra. Outra questão que é importante é tentar evitar o acesso em momentos críticos. Vais dormir, o telemóvel fica fora do quarto, eventualmente. Estamos à mesa, estamos nas refeições e, por favor, pais e educadores, nós somos os primeiros a não respeitar telemóveis fora do espaço da refeição. Nós precisamos do espaço da refeição como um espaço fundamental para criarmos laços, para termos momentos em família. Podemos também criar, isto mais uma vez, cada qual vai olhar e ver o que é pertinente para a sua realidade pessoal e o que é que fará mais sentido.

E comecem pelo mais simples. Às vezes o ser humano faz as resoluções de início de ano e depois quer implementar tudo ao mesmo tempo. E às vezes drásticas. Exatamente, e depois não faz nada. Então é preferível, é mais ou menos como a lébrea tartaruga, é preferível ir devagarinho, mas com consistência. Tentem criar alguns espaços livres de internet. Quando eu digo internet, é livros de ecrãs. Pode ser a sala, pode ser o quarto, mas é importante também. Incentivar. deixas de usar um determinado tempo numa coisa que estás habituada, tens que substituir. O que é que vais fazer nesse tempo? Então substituam por atividades offline. Por exemplo, atividades físicas, hobbies interessantes.

Ok, vamos fazer aqui alguma coisa em conjunto. Aprender uma nova competência. momentos de lazer em família, às vezes são coisas tão simples. O fato de podermos incentivar a participação em clubes, em atividades extracurriculares, isto também é algo que é importante, para além de outras questões que iremos ver. Muito bem. Nós vamos continuar a pensar sobre estas coisas e a refletir sobre elas, mas já voltamos porque vamos fazer o tal intervalo. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde. O canal da esperança. E cá estamos para dar continuidade a este nosso episódio, não sem antes podermos, como habitualmente, deixar aí para casa esta possibilidade de ter na sua secretária ou colocar na gaveta de um amigo ou oferecer a algum familiar este guia de estudos, sentimentos, a ciência do existir, onde aqui poderá encontrar alguns temas pertinentes, interessantes, para refletirmos sobre aquilo que estimamos ser a saúde mental.

Então, se ainda não tem, ou se já tem e apreciou e quer mais algum número para poder enviar para os seus amigos, Então entre em contato connosco, 933 939291, e nós teremos com certeza a possibilidade e o gosto de poder enviar para a sua casa este guia de estudos. Cristina, dar continuidade a esta questão de como fazer face realmente a estas dependências, como ajudar aqueles que nós amamos e a nós próprios também, porque muitas das vezes também confirmamos isso. Desenvolve mais ideias, por favor. Para além daquelas que nós referenciamos também, acho que é extremamente importante nós, desde pequeninos e de uma forma equilibrada, ajudarmos as nossas crianças e os nossos adolescentes a tomarem consciência dos riscos online.

O que tu pões na internet fica na internet. Dois. O que é esta questão de poderem ou não usar abusivamente uma informação em relação a ti? Esta questão da comparação social. E desde muito jovens é importante começar a criar um pensamento crítico sobre aquilo que está exposto. Daqui a um bocadinho vamos abordar um pouco mais esta questão, porque ela é sobretudo fundamental no caso dos adolescentes. Podemos também, de forma moderada, utilizar aplicações de controle pariental. Isso também é importante. Mas, sabes, nada disto fará sentido se não começar pelo nosso próprio exemplo. Há uns anos atrás, eu não sei quem é o autor desta frase, também não pesquisei honestamente, mas há uma frase que me ficou gravada na mente, que diz assim, o que tu fazes grita tanto aos meus ouvidos que eu não consigo ouvir o que tu dizes.

E a verdade é que nós muitas vezes exigimos daqueles que estão à nossa volta aquilo que nós próprios não fazemos. Então começar por nós, pelos adultos, e tentar de alguma forma mostrar o impacto que isso tem tido em nós, porque será mais fácil incentivar relativamente àqueles que estão à nossa volta. Teremos outra disponibilidade também.

Sinais de alerta

Agora, há aqui alguns sinais de alerta que convém deixar muito claros, que poderão exigir a intervenção de profissionais qualificados. Ou seja, a pergunta é, quando é que eu devo procurar ajuda profissional relativamente, por exemplo, a uma pessoa que eu tenha dentro de casa, seja o meu filho, seja ele uma criança ou um adolescente ou não, ou um adulto até. Quando nós nos apercebemos que estamos a lidar com um forte isolamento social, portanto, da família e dos amigos. Quando há uma irritabilidade cada vez mais crescente, se a criança ou o adolescente não está online, por exemplo. Quando temos uma quebra do rendimento escolar, seja a nível das notas, seja a nível da própria desorganização escolar. Quando nós temos alterações, sobretudo ao nível do padrão de sono ou alimentar, se eu deixo de comer ou eu deixo de dormir para estar naquele contexto.

Quando eu não consigo parar o comportamento, mesmo já tendo tentado. E quando os conflitos familiares são constantes. Tudo isto são indicadores de alerta e que nos deverão ontem, não é hoje, ao ontem, procurar ajuda. Relativamente aos adolescentes, há aqui duas questões que eu gostaria de abordar, que são fundamentais como estratégias para lidar com esta questão das dependências. E para isso me permite, se eu gostava de falar, de duas experiências sociais que foram feitas. Eu gosto de exemplos práticos, eles ajudam-nos a perceber, a interiorizar mais claramente do que é que estamos a falar. E estas experiências foram feitas para percebermos o impacto do grupo no ser humano, sobretudo nos jovens, porque a faixa etária da adolescência é uma faixa etária em que parece que o movimento de casa não tem tanta interferência como o movimento dos amigos fora de casa, não é?

Portanto, há uma maior influência por parte dos amigos. Então, uma das experiências que foi feita foi uma coisa muito simples. Portanto, aquilo que acontecia era que tu tinhas três placares que tinham uma linha vertical com tamanhos diferentes. O placar A, B ou C. E tinha uma linha desenhada. E depois tinhas um outro placar ao lado que reproduzia o tamanho de uma das linhas. Vamos imaginar que o placar correto correspondia à opção A. E depois tinhas uma fila de pessoas, de voluntários, em que a pergunta muito simples era a que opção, A, B ou C, tu achas que corresponde o tamanho daquela linha. E inicialmente, quando o grupo foi deixado livremente, as pessoas acertavam claramente na opção correta.

Mas depois o grupo foi instruído a voluntariamente, propositadamente, errar a opção. Portanto, imagina que a opção correta é A e nós escolhíamos a B. E havia alguém que, coitadinho, não sabia que isso estava a acontecer e estava no fim da fila. Então, tu começas a ver a reação e a viver jovens da tua idade e eles escolhem consecutivamente a opção B. E foi incrível porque a porcentagem de jovens que optou por escolher a hipótese errada foi elevadíssima. Havia um ou outro que acabava por dizer, não, eu tenho a certeza que a opção A. Mas a hipótese de jovens que escolheu a opção errada para se conformar com o grupo foi muito elevada.

O peso da influência. E depois quando eles eram questionados, eles diziam que estavam numa experiência e porque é que não escolheram a hipótese correta, eles claramente assumiam. Eu sabia que aquela era a hipótese certa, mas eu não queria ser diferente do grupo. Eu tinha medo de me sentir excluído do grupo. Já vamos tentar perceber qual é a importância disto.

Influência do grupo

Segundo exemplo. O que é que fizeram? Pegaram, por exemplo, em jovens adultos, aqui já não eram propriamente adolescentes, em jovens adultos e levaram-nos para um parque público onde tinha um campo onde tu podias jogar basquetebol. Pronto, tinha o cesto onde tu podias fazer isso. Então, pegaram, por exemplo, numa voluntária e pediram-lhe para, em dez tentativas, tentar incestar. E ela estava sozinha com a equipa e aquela jovem não tinha propriamente o condão de jogar basquete. Portanto, em dez vezes ela incestou uma. Então, o que é que depois fizeram? Trouxeram um grupo de pessoas que, supostamente, e que já estavam combinadas também, informadas no sentido do que deveriam comportar-se, trouxeram um grupo de pessoas que supostamente iriam incentivar aquela jovem.

Puseram uma faixa a tapar os olhos e a jovem tentava insistir. E tentar insistir a bola com os olhos vendados, não ter do teu jeito, ainda é mais difícil. Só que o grupo incentivava e dizia, boa, estás quase lá, muito bem, falta pouco. E efetivamente ela praticamente não insistiu nada. Mas depois tiraram-lhe a venda e com o grupo presente, vai lá, tenta agora. Por isso é que tinham os olhos tampados. E a verdade é que em 10 tentativas aquela jovem assistiu 4, por exemplo. Porquê? Porque ela tinha a força do grupo a puxar por ela. Então perguntaram, e será que terá influência fazermos exatamente o oposto? E pegaram num jovem adulto que era pró a jogar basquete.

E em 10 tentativas ele acertou 9, quando estava sozinho com a produção, com a equipa de produção. Quando chamaram o grupo de voluntários e puseram a venda àquele jovem, aquele jovem insistiu e tentava, mas o grupo de voluntários não o incentivava muito, pois assim é bronze. E tu notavas o desconforto. Então alguém diz, não, mas vamos tirar a venda, provavelmente é porque estás com os olhos vendados. E aquele jovem, por exemplo, insistava, fazia um cesto, e o grupo não era empático com aquela vitória. E tu notavas claramente um desconforto da parte dele.

Então, a verdade é que em 10 cestos, eu que tinha incestado 9 na vez anterior, desta vez só consegui fazer 3. E tu perguntas, afinal o grupo tem ou não tem influência? E por que é que nós estamos a falar sobre isto? Porque quando nós falamos com jovens e falamos na questão da dependência, é importante trabalhar duas questões. A primeira é o teu diálogo interno. Os jovens têm tendência a comparar-se muito com o grupo. E quando acham que não estão ao nível daquilo que é o que o grupo entende, têm tendência a depreciar-se. Aquilo que nós falávamos num dos episódios, quando tu tens a informação enviadamente positiva, o teu cérebro interpreta como sendo inferior. Então é muito importante ter um pensamento crítico com os jovens e fazer perguntas tão simples como, ok, é mesmo verdade?

Tu não te sentiste suficiente ou não te sentiste enquadrado? De onde é que isto vem? E ajudá-los a treinar para substituir isto por mensagens mais realistas. E estas mensagens mais realistas são, olha, estou a aprender, estou a tentar dar o meu melhor. Cada pessoa tem o seu ritmo. Por outro lado, desenvolver o pensamento crítico. Falávamos disso há pouco. E o que é este desenvolvimento de pensamento crítico? É lembrar que as redes sociais ou a internet mostram, na maior parte dos casos, o seu melhor. promover atividades reais no mundo real, mas sobretudo tentar envolver os jovens em voluntariado. Isto faz maravilhas, os adolescentes gostam de se sentir úteis.

Então o voluntariado é um mecanismo altamente saudável para os ajudar a combater uma dependência. E promover não é retirar, mas promover a visualização de conteúdos inspiradores. Ajudá-los a ter uma perspectiva um bocadinho mais, como direi, mais decisiva em relação a determinadas situações. Fazer o que nós chamamos de curadoria do feed. Ou seja, se tu estás a seguir pessoas ou a seguir canais que na realidade estão a gerar ansiedade, não te estão a trazer nada positivo, deixa de seguir. Quando tu estás, por exemplo, a precisar te manter concentrado para o tempo de estudo, por exemplo, outras situações, retira as notificações, exatamente por causa daquele mecanismo que nós falávamos da outra vez.

Aprenda a reconhecer os teus gatilhos e muitas vezes percebe que quando tu estás frustrado, Ou quando estás com tédio, tu vais fazer o scroll infinito. E a verdade é que o scroll infinito é o principal motor da dependência. É aquele scroll. Então, por exemplo, quando eu vou abrir uma aplicação, é importante eu responder esta pergunta. E repara, tem tudo que ter intencionalidade, porque nós espontaneamente não fazemos isto. Nós agimos de acordo com os nossos hábitos. Então fazer esta pergunta, o que é que eu vou fazer neste momento? Eu vou responder a mensagens? Ou eu vou ver mensagens em vez de eu vou ver o que é que há? E da mesma forma como acontece na parte física, é importante promover movimentos de detox, detox digital.

Então nós podemos dizer, ok, vamos ter um dia por semana que é o nosso dia de detox digital e vamos estar fora deste contexto. Nós vamos ter uma hora por dia de detox digital, por exemplo, e isto ajuda-nos a perceber que é possível, o nosso cérebro percebe que é possível ficar sem estímulos constantes. E a outra questão é promover nos jovens esta identidade pessoal e os valores. O que é que se tem percebido? Quando os jovens sabem quem são e o que valorizam, eles comparam-se menos e de forma mais consciente. Então, quem é que eu sei? Enquanto nós, muitas vezes, estamos ainda a tentar procurar a resposta a esta questão. Mas eu já tenho questões que me identificam.

Olha, o que é que tu gostas em ti? O que é que te faz sentir feliz e confortável contigo próprio? Em que áreas é que tu queres crescer? O que é que é sucesso para ti? Ajuda-me a perceber o que é que é sucesso para ti. Vais perceber que muitas vezes a tua definição de sucesso é um bocadinho diferente daquela definição de sucesso dos outros. Ajuda-nos a ter este pensamento de causa e efeito. Isto vai nos trazer esta questão de criar algum distanciamento face àquilo que o outro, ali na internet, está a dizer. E esta questão de me envolver em projetos em que eu consiga ter um desempenho, tem um retorno para mim que fortalece a minha autoestima. Tudo isto são questões fundamentais para trabalhar estratégias.

Já agora terminando, sabes que aquele resultado, aquele estudo que estávamos a falar sobre a população norte-americana, algumas das sugestões, e não estou a dizer que temos que concordar, estou a dizer que algumas das sugestões que este grupo de investigadores e alguns exemplos da comunidade científica têm envolvido em relação à questão das dependências online, passam, por exemplo, mais brincadeiras e mais independência durante a infância, Nada de smartphones antes do secundário. Portanto, telemóveis básicos e, por outro lado, dizem nada de redes sociais antes dos 16 anos. Deixem passar este período crítico em que a comparação é tão fundamental. Eu não estou a dizer que temos que optar por isto ou não.

Estou a dizer que cada vez mais a sociedade está a tomar consciência de algo fundamental que é o impacto da dependência online nas nossas gerações mais jovens e menos jovens. Muito obrigada, Cristina, mais uma vez. É sempre bom podermos aprender mais para saber como fazer face a desafios muito grandes que nós temos na nossa família e na nossa vida. Continuaremos a aprender nos próximos episódios, por isso marcamos já encontro. Agradecemos a sua presença e, na graça de Deus, até para a semana, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Neste episódio do Mentes que Sentem, abordamos um tema cada vez mais presente nas famílias, a dependência da internet e o impacto profundo que tem na saúde mental de crianças, jovens e adultos. Com base na ciência e numa reflexão prática, são analisadas as diferenças entre rapazes e raparigas, os riscos emocionais, sociais e comportamentais, e os sinais de alerta que não devem ser ignorados.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 37
Estreou
13 de Janeiro de 2026
Categoria
Saúde