Decisões - além da escolha II

Decisões - além da escolha II

29 de Setembro de 202626 min 33 s

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Abertura e reflexão

É sempre um prazer nos reencontrarmos, estarmos juntos mais uma semana, mais uma vez, com mais um assunto. Que bom é ter o privilégio da sua presença. Já estamos juntos há algum tempo, muitos de nós já somos amigos. Obrigada pelas perguntas, pelas considerações que fazem. Se tiverem sempre algum assunto pertinente que achem que um dia possamos aqui abordar, não deixem de enviar as vossas propostas. Estaremos atentas a elas, com certeza. E que bom é que esteja aí desse lado. Que bom é que partilhe também este programa, Mentes que Sentem, com outros amigos, outros familiares que possam ter também necessidade de ter um pouquinho mais de conhecimento e estas ajudas que aqui nós damos neste programa para a sua saúde mental, para a nossa saúde mental, porque todos nós precisamos, com certeza, de sermos ajudados diariamente e, sobretudo, com a ajuda de Deus.

E é com Deus que nós aqui estamos, pela sua graça e com o desejo que Ele tem de que seja feliz, como nós também temos esse desejo. Eu e a doutora Cristina, que normalmente está sempre connosco, Cristina, muito obrigada, uma vez mais, pela tua disponibilidade e por trazeres conhecimentos tão preciosos. Obrigada, Milu. Obrigada por estares aqui comigo também e obrigada para a Si que nos acompanha. Muito bem. Então, nós temos estado a falar e no episódio anterior falamos sobre o processo tão importante da questão da tomada de decisão. E no episódio anterior, particularmente, nós constatamos algo interessante. que não somos assim tão racionais quanto nós achamos quando nós decidimos.

A ciência fala inclusive sobre as heurísticas ou os vieses na tomada de decisão e nós falamos bastante disso no episódio anterior. Cristina, dá por favor então continuidade, portanto, a este assunto. Estavas a dizer que afinal não somos assim tão racionais quanto achávamos na questão da tomada de decisão. Eu acredito que a maior parte de nós até tem uma percepção disso. Não tínhamos, é provavelmente, uma percepção tão próxima daquilo que é efetivamente a realidade. fazendo aqui um apanhadozinho muito simples do que é que a ciência nos trouxe em termos de conhecimento e que já abordamos no episódio anterior. Portanto, verificamos que na tomada de decisão o nosso cérebro utiliza muitos viés, muitos atalhos mentais, que na tomada de decisão o nosso cérebro está dividido como se fosse no sistema 1, que é o que nós consideramos o piloto automático, e no sistema 2, que é o nosso diretor executivo.

e que depois há algumas características, e não se esgotam aqui, nós hoje iremos abordar mais algumas, que interferem significativamente na nossa tomada de decisão, como a questão da aversão à perda, o julgarmos pelas aparências, que é o que eles chamam de viés de representatividade, ou julgarmos pelas recordações que o nosso cérebro elicita, que é o chamado viés da disponibilidade, ou procurarmos informação para confirmar aquilo que já achamos. Portanto, já tomamos decisões com base em ideias pré-estabelecidas, o chamado viés da confirmação. Um outro que nem sempre temos noção do impacto que ele tem, é a forma como uma informação inicial que nos é transmitida pode ancorar as nossas decisões futuras, o chamado viagem da ancoragem, e terminamos o episódio anterior falando no framing effect, ou seja, nós não respondemos apenas aos factos, mas ao enquadramento como esses factos nos são apresentados.

Cristina, talvez seja pertinente fazermos a pergunta, o que dizer da influência

A influência do grupo

do grupo na tomada das decisões? Será que as nossas decisões acabam por ser contagiosas? Eu acho que nós, de uma forma muito prática, dizemos sim, pode haver aqui uma porcentagem de influência do grupo. E nós sabemos, a ciência tem demonstrado que o auge dessa influência é ali na fase da adolescência e dos jovens adultos também. Mas imaginam uma pessoa que já não é uma adolescente. Eu já não sou uma adolescente e às vezes acabo por subentender que já não estarei tanto sob alçada desta questão. Então vamos pegar num exemplo prático mais uma vez.

Quem é que já entrou num restaurante que está vazio e ficou assim com uma sensação desconfortável? Ou quem é que, por exemplo, quando está à procura de um restaurante numa rua evita aquele restaurante que está vazio e entra no outro restaurante que está cheio? O que tem muito mais pessoas. Por que é que nós o fazemos? Tu não conheces a qualidade da comida, nem conheces sequer a qualidade do atendimento. Mas nós usamos uma pista simples. Se tem gente é porque é bom. Exatamente. Aqui o teu sistema, o teu piloto automático está efetivamente a influenciar-te. Está a ter um atalho. Não quer dizer necessariamente que isto esteja errado.

Na maioria das decisões comuns, até existe uma elevada probabilidade de nós estarmos corretos nestes atalhos mentais que fazemos. Mas ele também pode levar-nos a erros graves, quando nós estamos sob a influência do grupo e o grupo não está correto. Porque o que o sistema de hoje deveria fazer era, o grupo tem razão ou eu estou só a seguir a multidão? Em 1951, um investigador e a sua equipa, Solomon Ash, ele investigou exatamente isto, a influência do grupo na nossa tomada de decisão. E a partir daí veio o que se chama o viés da conformidade. E o que é que eles verificaram? Que em termos percentuais, a maior parte das pessoas prefere estar errada com o grupo do que estar sozinha certa.

E tu dizes que dispara-te. Isso não é lógico, não é racional. Nós já falamos uma vez num episódio anterior sobre esta experiência, mas eu vou repescá-la novamente. Então o que era a experiência? Era uma coisa muito simples. Tu tinhas numa folha de papel, em cada folha, folha A, B ou C, tinhas uma linha vertical desenhada de um tamanho diferente. E numa quarta folha de papel tinhas uma outra linha desenhada que corresponderia em termos de tamanho à opção A, B ou C. E imagina que tu e eu éramos voluntárias deste estudo. E nós, a pergunta que nos era feita era dizer, olha Milu, olha para esta linha e diz-me a qual das opções é que corresponde. Uma pergunta absolutamente simples.

Só que, tu quando ias responder esta pergunta, estavas na fila. Portanto, tinhas uma fila de pessoas que estavam a responder à mesma pergunta. O que tu e eu não sabíamos é que essas pessoas que faziam parte do estudo estavam instruídas a dar a resposta errada. Portanto, imagina que a resposta correta era a opção A e as pessoas diziam que era a opção B. E tu vias nove, dez pessoas consistentemente a darem uma resposta errada. Eu acho que é a resposta B. Eu acho que é a resposta B. E é muito interessante começar a perceber, naquela fração de tempo, a mudança da expressão das pessoas. Começam a pôr em causa. Será que eu estou a pensar bem?

Exatamente. E depois as pessoas são entrevistadas no final. Em termos percentuais, uma grande porcentagem das pessoas alterava a sua resposta para que a sua resposta coincidisse com a resposta do grupo. foram muito poucas as pessoas que participaram neste estudo que disseram não, a resposta correta é a resposta A. Então tu vais contra o grupo, lamento, mas eu acho que a resposta correta é a resposta A. E invariavelmente, quando tu perguntavas às pessoas que alteraram a sua resposta para coincidir com a do grumo, porquê que a fizeram, A maior parte das pessoas diziam que a minha resposta era a opção A. Eu acho que era essa que estava correta. Mas eu não queria ser a pessoa estranha.

Eu não queria ser aquela que tinha uma voz diferente. Isto porque o nosso cérebro valoriza profundamente a pertença ao grupo. e muitas das nossas decisões, das nossas tomadas de decisão, das nossas escolhas, não são individuais, são sociais. Agora, isto é iminentemente negativo em si mesmo? Não necessariamente. Se nós não tivéssemos o viés da conformidade em funcionamento, muitas das nossas regras de convivência em sociedade não eram sequer possíveis. Imagina um exemplo tão simples como, tu estás a conduzir, tens uma passadeira e vês alguém parado no passeio que quer atravessar a passadeira. A nossa postura é, vamos parar e dar prioridade ao peão.

Mas nós fazemos isto porquê? Porque fomos instruídos, porque fomos ensinados e estamos conformados, conformamos com esta regra. Isto é facilitador da convivência em sociedade. Porque se eu agora decidisse, não quero saber, é o passo e o peão que esperem ou outra coisa qualquer. Portanto, não é necessariamente negativo. Quando é que isto pode ser algo perigoso? Quando substitui o teu pensamento crítico. E nós temos muito isto a funcionar, por exemplo, em mensagens disseminadas nas redes sociais, em ideias que alguém... Olha, vou dar aqui um exemplo sem querer estar a politizar a situação. Mas pensa, por exemplo, quando tu vais votar e tens uma campanha eleitoral.

Tu tens muitas pessoas que dizem, ah, eu vou votar em A ou eu vou votar em B. E vais votar porque conheces o que é que aquela pessoa preconiza em termos de propostas, em termos de estratégias. Não, mas fulano vai votar nele. Ou ele tem uma frase que me chamou a atenção e essa frase define aquilo que eu entendo. Então é assim que se faz. Portanto, quando nós retiramos a opção de utilizarmos a nossa capacidade crítica sobre a situação, isto torna-se altamente perigoso. E sem dúvida que eu acho que é um dos maiores desafios que nós temos hoje na sociedade e nas diferentes idades. Já voltamos, vamos fazer o nosso breve intervalo.

Fica aí e até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. E cá estamos para dar continuidade ao episódio de hoje.

O paradoxo da escolha

Obrigada por não ter ido embora, por se manter aí. E antes de continuarmos com a reflexão que a Dra. Cristina traz para nós, sempre muito pertinente, aqui temos o nosso Guia de Estudos, que está sempre disponível para si, para algum amigo, algum familiar. É um Guia de Estudos Sentimentos da Ciência do Existir, que traz assuntos muito pertinentes para a questão da saúde mental. É sempre muito bom ler, termos alguns momentos em que a leitura seja algo e uma mais-valia para a nossa saúde, seja ela mental e até alguns conceitos para a saúde física. Então aqui está, com muito carinho da nossa parte, para si, de forma gratuita, basta apenas contactar-nos através do 933 939291.

e nós teremos com certeza muito prazer e alegria em poder enviar para o endereço que nos indicar. Já sabe, 933 939291 e este guia de estudos poderá ser para si ou para algum amigo ou familiar. Cristina, hoje em dia nós estamos constantemente rodeados de situações que nos podem levar a estes, como tu tens falado, vieses de pensamento que temos estado a referir, que tu tens estado a referir E cada vez temos mais opções. O que eu pergunto é, será que mais opções significam melhores decisões? Às vezes nós fazemos aquela matemática linear, não é? Então vamos pegar mais uma vez num exemplo para ti.

Imagina que eu te convido para vires tomar pequeno almoço lá à casa. E eu sei que tu és uma pessoa que até gosta de compotas, vamos supor. E tu chegas a minha casa e digo, olha Milu, além das outras coisas, tens aqui três compotas. Escolhe o que tu quiseres. A deschila. Pronto, ok. Então já sei, a deschila teria que estar. Agora imagina que tu chegas a minha casa, e em vez de três, tens trinta compotas. Ui! E agora a minha pergunta é, qual é que vai ser mais fácil para ti escolher? Barry Schwartz é um investigador que se dedicou no âmbito da tomada de decisão a tentar responder ele e a sua equipe exatamente a esta pergunta. O que é que acontece às nossas decisões e ao nosso cérebro quando nós temos demasiadas opções para decidir?

E daqui vem algo que se chama o paradoxo da escolha. Durante décadas, acreditou-se que era linear. Quanto mais escolhas, mais liberdade. Quanto mais liberdade, mais felicidade. O que a investigação tem demonstrado é que não é totalmente assim. Ou seja, até certo ponto mais opções são boas, mas a partir de um determinado momento, demasiadas opções tornam a decisão mais difícil e, por inerência, diminui o índice de satisfação que tu tens com ela. O que é que eles perceberam, e estamos a resumir, Agora permite-me aqui a redundância, estamos a resumir de forma resumidinha.

Uma investigação muito ampla. Mas há quatro efeitos principais que os investigadores nesta área apontam para uma panóplia imensa de escolhas e o impacto que isso tem na nossa tomada de decisão. A primeira é a paralisia da decisão. É mais difícil comparar. Demoras mais tempo a tomar a decisão e há uma maior probabilidade de adiar-se ou de não decidires. Imagine o seguinte, vamos a um canal de streaming qualquer e vamos escolher um filme. E estamos já há 20 minutos a tentar escolher ali o filme. Não é incomum a pessoa dizer, já estou farta de olhar para filme, já nem me apetece ver nenhum filme.

Outra característica que não é positiva neste paradoxo da escolha tem a ver com... eles percebem que quanto maior o número de escolhas, e estamos a falar de um número de escolhas avultado, maior o aumento do arrependimento. O que é que nós queremos dizer com isto? E se a outra opção fosse melhor? A Cristina pôs-me aqui 30 compotas. Não tem a deschila. Eu escolhi admiti-los. E, cedo que vi, era melhor. Mesmo depois de decidirmos, continuamos a pensar nas outras opções. E lembra-te que nós estamos a falar de mais opções associadas a maior índice de satisfação. Outra característica que eles verificam é o aumento das expectativas.

Quanto mais o número de opções, maior a expectativa de tu encontrares a escolha perfeita. Qual vai ser a consequência? Mesmo que tu tomes uma boa decisão, ela pode parecer decepcionante. E depois aqui entra o paradoxo, que é o menor índice de satisfação. Ou seja, quanto mais opções nós temos, A ciência tem demonstrado que elas produzem menos satisfação. Porquê? Porque nós achamos que poderia haver uma alternativa melhor do que aquela que nós escolhemos. Aliás, é muito interessante, porque ainda no âmbito desta investigação, eles dividem os decisores, as pessoas que decidem, em dois perfis gerais.

Eles dizem que existem aqueles que são os que maximizam mais e dizem aqueles que são os suficientes. E aqui, mais uma vez, temos que ter atenção aos nossos viesos, que já os estamos a fazer, já os estamos a estereotipar. Não estamos a dizer que aqueles que são os que ficam satisfeitos, que são os que se satisfazem, que são aqueles que ficam pelo mediano. Não é isso. Vamos tentar perceber a que é que se referem. O que é que são aqueles que maxificam? São aqueles que querem encontrar, todos eles querem encontrar a melhor opção possível, quer uns quer outros, dos dois grupos de decisores. Mas este primeiro grupo, os que maxificam, eles antes de decidirem, pesquisam, comparam, analisam tudo. Mas após terem feito a decisão, continuam a pesquisar, a comparar, a questionar a escolha e sentem maiores níveis de arrependimento.

O segundo grupo, que não tem uma tradução linear para português, mas nós diríamos os que se satisfazem, os satisfeitos, por assim dizer, eles procuram a melhor opção possível, mas a melhor opção possível é, após eu ter encontrado uma solução que cumpra aqueles critérios que me satisfaçam, eu avanço e arrumei com o assunto. O que é que as investigações têm demonstrado? Que aqueles que maximizam a escolha, a procura, e efetivamente em termos práticos, encontram frequentemente escolhas objetivamente melhores. mas são muito menos satisfeitos com essas próprias escolhas, são muito menos felizes.

Enquanto que aqueles que procuram determinadas escolhas e se satisfazem com elas, escolhem aquelas que são boas, segundo o seu padrão, relatam maior índice de satisfação e de bem-estar. E, efetivamente, a liberdade aumenta com as opções, mas a felicidade nem sempre.

Estratégias para decidir

Estavas a falar, Cristina, e antes de fazer esta pergunta, que tenho duas perguntas, porque uma surgiu-me entretanto, sobre esta questão de quanto mais opções, mais difícil a questão da melhor decisão. Nós às vezes até achamos que poderíamos trazer maior alegria ou felicidade aos nossos filhos, dar-lhes uma panóplia de escolhas à sua frente. E às vezes vemos crianças que têm tudo e mais alguma coisa e tanta coisa, mas nem por isso são mais felizes e se sentem mais realizados. Enquanto que se eu disser, olha, tens estas duas vestes, por exemplo, uma ou outra, podes escolher uma ou outra, Mas é só uma ou outra, não vamos pôr ali o guarda-vestidos todos diante deles para fazer essa opção. Tem algum sentido ser isto?

Não tem, Cristina. Tem, efetivamente. E porque muitas vezes, na realidade, tu não estás a ir de encontro à necessidade daquela criança, não é? Tu estás a ir de encontro a outras questões. Mas a pergunta é, a criança para ser feliz precisa do quê? Ora bem. Precisa do quê, não é? Cristina, que estratégias, então, poderemos agora, então, nós perguntar, nós podemos adotar para tomarmos, então, melhores decisões? Baseado na ciência, existem algumas sugestões, está bem? E depois, claro, cada qual fará o filtro e aquilo que entender. Então, uma das principais sugestões que a ciência nos traz é a branda. O que é que eles querem dizer? Não tomes decisões importantes imediatamente.

Demora o teu tempo. Isto vai permitir o quê? Vai permitir combater a impulsividade, vai permitir combater aquele efeito do enquadramento que nós falávamos e até esta impulsividade que o sistema 1 tem do piloto automático. Está esperando uma situação de compra de um carro, de aceitar um trabalho, de um investimento, até do término de uma relação, não tomes uma decisão com base na pressa. As decisões mais importantes raramente beneficiam da pressa. Uma outra estratégia que eles sugerem é fazer a pergunta inversa. O que é isto da pergunta inversa? Em vez de tu perguntares porquê que esta decisão é boa, tu deverias perguntar o que é que poderia provar que esta decisão está errada.

O que é que tu estás a fazer com isto? Estás a combater o viés da confirmação. Nós normalmente procuramos coisas que confirmem aquilo que nós já achamos. Por exemplo, imagina, antes de comprares uma casa ou antes de comprares um computador ou antes de fazeres outra coisa qualquer, tenta pensar em três razões para o fazer e três razões para não o fazer. Quando nós estamos a pensar desta forma, nós estamos a ficar mais à alerta para potenciais riscos que possam ou não levar a que esta decisão não seja a mais adequada. Outra estratégia que sugerem é que nós consultemos, que falemos com alguém que discorde de nós. Essa parte é que é mais difícil, não é? Mas imagina que eu tenho um determinado problema, tu estás por dentro dessa situação e eu sei que tu não tens bem a mesma perspectiva que eu relativamente àquela questão.

O fato de eu te perguntar vai fazer aqui algo que é importante. O nosso cérebro adora ouvir quem concorda connosco. Mas aprendemos mais com aqueles que não veem o problema da mesma forma que nós vemos. Isto vai combater o quê? Nossa tendência para a confirmação, para a conformidade, para o excesso de confiança também. Não é por acaso então, Cristina, que o facto de alguém ter uma equipa de trabalho, que trabalha com, escolher alguém que pense diferente de nós, não é de forma alguma trazer mau benefício, e pelo contrário, é poder ajudar-nos a ver de outra forma. Exatamente. A questão está na forma como nós articulamos essas ideias e transmitimos. Agora, termos ideias diferenciadas, ainda bem, e vamos utilizar aquele velho adagio, que seria do amarelo se todos gostássemos dele, do azul, perdão, não é?

Pronto. Outra sugestão que dão é escrevermos a decisão. Antes de decidir escreve o quê? O teu objectivo, as tuas alternativas, os riscos, os benefícios. Só o fato de tu estares a escrever já está a elicitar o teu centro executivo, o tal Sistema 2, e combate emoções momentâneas. Uma outra sugestão que dá uma estratégia também é limite o número de opções. Portanto, imagina que tu tens que comprar um telemóvel. Ok, tu até podes ver 50 telemóveis, mas depois reduz este número e só fazes comparações entre 3 ou 4. Eu tenho que comprar uma casa. Claro que eu aqui estou a falar de decisões muito grandes, mas isto aplica-se também a decisões mais simples.

Eu tenho que comprar uma casa. Eu só vou visitar as cinco casas que melhor se enquadram naquilo que eu estava a pensar. A regra é primeiro filtrar e depois escolher. Isto ajuda-nos a combater o paradoxo da escolha. Uma outra sugestão, e noutros episódios já temos falado nela mais do que uma vez, é se fosse um amigo meu que estivesse nesta situação, que conselho é que eu lhe daria? Só o fato de tu transitares para uma terceira pessoa a tomada da decisão, a maior parte das vezes ajuda-nos a ficarmos mais lúcidos com isso. E combate esta PH decisão e a parte emocional também. Há também uma outra estratégia que sugerem, que é fazer uma lista do não negociável.

O que é o não negociável? Imagina que tu estás a ponderar uma questão de uma escola, ou a questão de um trabalho. Antes de decidires, define os critérios que para ti são importantes. Aqueles dos quais tu não vais abrir mão. Imagina, por exemplo, que é um trabalho. A questão do salário, a questão da localização, a questão do horário. Portanto, se a proposta não cumpre os critérios, não vale a pena estar a racionalizar. Porque se eu começar a racionalizar, invariavelmente eu vou entrar numa perspectiva de tomada de decisão que pode não ser a mais correta. Outra questão que eles sugerem também é separar a decisão da emoção. Se eu estivesse calmo e descansado, eu decidiria da mesma forma? Portanto, esta é uma pergunta que eu posso fazer a mim próprio. Não decidir quando eu estou zangada, cansada, irritada ou eufórica.

Pensar nas consequências daqui a um ano. Será que esta decisão terá a mesma importância daqui a um ano? Inclusive há uma investigadora que propõe a regra dos 10-10-10. O que é que é isto? Como é que eu me vou sentir com esta decisão? Daqui a 10 minutos, daqui a 10 meses e daqui a 10 anos. Isto ajuda-nos a filtrar também. E há também uma outra sugestão que é, eu estou a perspectivar-me daqui a um ano, esta decisão correu muito mal, o que é que aconteceu? Isto ajuda-me a perspectivar os riscos que normalmente nós ignoramos.

Encerramento do programa

Cristina, com certeza que havia muito mais para dizer, nós agradecemos muito a tua reflexão e agradecemos também que tenha escolhido estar aí e seguramente escolher continuar connosco na próxima semana. Foi um prazer estar consigo, que o Senhor o abençoe e até para a semana, se Deus quiser.

A nossa oferta

Sobre este episódio

As suas decisões são mesmo suas? Descubra como a influência do grupo, o excesso de opções e as emoções podem alterar as suas escolhas.

Série
Mentes que Sentem · 50 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 60
Estreou
29 de Setembro de 2026
Categoria
Saúde
Apresentação
Milu Cordeiro
Convidados
Cristina Dias