Olá, que bom estar consigo novamente. Mais uma semana chegou e mais esta oportunidade de nos podermos encontrar neste espaço de reflexão, de pensarmos juntos, de refletirmos sobre aquilo que nos ajudará com certeza a mantermos a nossa saúde mental. Aqui estamos no programa Mentes que Sentem, neste que já é o seu programa, é mais um episódio, e estamos bem, pela graça de Deus, desejamos muito também que se encontre o melhor possível, se não for essa a realidade, que o Senhor possa ser a sua força, o seu alento, e quem sabe neste mesmo episódio poderá encontrar algumas respostas que ajudarão nesse desafio que neste momento está a viver.
Mais uma vez saudamos a doutora Cristina Dias. Olá, Cristina. Muito obrigada, uma vez mais e uma semana mais, pela tua presença. Obrigada, Milu. É bom estarmos no nosso espaço do conforto. É verdade. Cristina, nós hoje vamos, neste episódio e no próximo, falar um pouquinho sobre a questão das decisões, das escolhas. E há momentos que realmente definem a nossa vida. Há um sim, há um não, um passo em frente, uma oportunidade perdida, tanto pode ser para bem como pode ser negativo. E hoje vamos entrar então neste fascinante mundo da tomada da decisão que cada um de nós tem que descobrir e que faz e que inevitavelmente pratica ao longo de cada dia.
E o que é que a ciência, particularmente, nos ensina sobre esta questão da decisão? Perceber porque é que algumas decisões nos levam ao sucesso, enquanto que outras nos levam à frustração e, portanto, até à arrependimentos que nós temos na vida. Cristina, nós gostamos de pensar que nós decidimos baseados na lógica. É verdade ou não? Então vamos começar com um pequeno exemplo. Imagina que nós as duas estamos a conversar rotineiramente e tu dizes-me, tenho que comprar uma garrafa d'água. E passado algum tempo estamos a conversar mais uma vez e tu me dizes, tenho que comprar um carro. Estamos a falar de compras. A minha pergunta é, faça estas duas decisões, irias tomar a decisão da mesma forma?
Pois claro que não. Qual é o aspecto principal que te salta logo à vista da grande diferença entre estas duas decisões? É o custo de uma garrafa e o custo de um carro. Exatamente. Nós temos a tendência de acharmos que quando tomamos decisões, na sua grande maioria, ou fazemos racionalmente, pesamos os prós e os contras daquilo que estamos a decidir. A ciência tem demonstrado que o cérebro utiliza atalhos mentais e, na verdade, esses atalhos mentais têm como objetivo facilitar também o processo de tomada da decisão, mas é onde ocorrem grande parte dos erros que não são aleatórios e que têm inclusive até alguma previsibilidade.
Então, falaste aí em atalhos mentais. Podes, por favor, explicar melhor o que é isso? O atalho é o que o próprio nome indica. É uma ação, um caminho que nós utilizamos para chegar mais rapidamente a um fim. No século passado, no século XX, na década de 70, houve uma equipa de investigadores, Daniel Kahneman e Mosteverksy, que embora fossem psicólogos comportamentalistas na sua formação de base, eles foram muito associados à questão da economia também, porque trouxeram muitos contributos nesse âmbito. E eles trouxeram este conceito dos atalhos mentais na perspectiva de heurísticas ou vieses.
Ou seja, eles disseram que o nosso cérebro utiliza atalhos, nomeadamente vieses, para decidir rapidamente. que esses atalhos são úteis, mas que produzem erros sistemáticos. E que têm constatado, ou têm-se constatado, que o nosso cérebro prefere uma resposta rápida a uma resposta exata. E que as emoções, o contexto e a forma de apresentação da própria informação influenciam fortemente a escolha. E aqui vamos tentar fazer um exercício. Vou pedir que tu acompanhes e aqueles que nos acompanham também que o tentem fazer convosco. Imagina que eu faço esta questão. Achas que a altura da Torre Eiffel é superior ou inferior a 500 metros?
Digam o número que entenderem, estimem esse número, guardem-no para vós. Agora imagina que eu tinha um grupo de pessoas diferentes e fazia exatamente a mesma pergunta, apenas aqui com uma pequena mudança. Acham, ou achas, que a altura da Torre Eiffel é superior ou inferior a 200 metros? Só mudamos o número. A verdade é que, feita esta experiência em grupos diferentes, nós vamos verificar que a quem foi perguntado se achas que a altura da Torre Eiffel é inferior ou superior a 500 metros, as pessoas têm tendência a dar números mais próximos ou mais altos do que este. Quem recebeu o número 200 tem tendência a dar números inferiores. Não é aos 200, é números mais baixos numa escala de 0 a 200.
Ou seja, isto é um exemplo muito simples de que isto é um viés, um atalho mental que o nosso cérebro utiliza para dar uma resposta rápida, que não tem que ser necessariamente a resposta correta ou adequada. Ao ouvir as perguntas, efetivamente a nossa tendência não é parar para analisar. E sobretudo se temos uma personalidade assim muito corrida, ainda mais difícil fica. Mas responder imediatamente. Portanto, não ouvimos a pergunta, paramos, analisamos e depois respondemos. Não. Respondemos imediatamente! O que é que acontece dentro do nosso cérebro? Eu já vou responder essa tua questão Milo, mas vou refrescar aqui um bocadinho
algo que dissemos há pouco. Nós achamos, tu estavas a descrever o processo, não é? E nós achamos que nesse processo que tem aqui uma fração de segundos, que mesmo assim que nós racionalmente estamos a pesar conscientemente as escolhas, o que não é verdade. Esta é mesmo a equipa de investigadores. Ela disse que no âmbito da tomada de decisão, nós podíamos dividir a nossa mente em dois sistemas. O sistema 1 e o sistema 2. Estamos a simplificar muito décadas de investigação neste âmbito. Portanto, não estamos a falar de partes físicas do cérebro, mas estamos a falar de duas formas de processamento da informação que é importante para a tomada de decisão.
E eles dizem que o Sistema 1 é rápido, é intuitivo, é como se nós pudéssemos dar-lhe a designação do piloto automático do cérebro. O Sistema 2 é lento, é analítico, é deliberado. Uma pergunta. Milu, a capital de Portugal é? Estou à espera da tua resposta. Lisboa. Dois vezes dois são? Quatro. Ok. Visto como tu respondeste automaticamente, tu tens uma informação que já está agregada. Isto foi o teu Sistema 1 a funcionar? Portanto, quando nós conhecemos um rosto familiar, quando nós interpretamos, por exemplo, uma emoção no rosto de outra pessoa, quando nós travamos o carro perante um perigo, é o nosso sistema 1 que está a funcionar, nosso piloto automático.
E tem algumas características. Ele é muito rápido, portanto, produz respostas em frações de segundos. Ele é automático, não te exige concentração. Tu não estiveste absolutamente concentrada para me responder quantas eram 2x2. Ele utiliza muito a associação, portanto liga memórias e ideias de forma espontânea. Ele é muito emocional, muito emocional. Ele integra as emoções e os sentimentos nas decisões. E ele é extremamente económico. Económico porque poupa dinheiro? Não, económico porque faz a poupança de energia a nível de cérebro. Qual é o grande problema do Sistema 1? Entre aspas, ele é funcional e faz sentido. Mas a verdade é que nestas características que ele tem, ele não tem a maior parte das vezes precisão.
E isso leva a enviesamentos, a interpretações erradas e a um esforço diferente da realidade. Desculpa, uma interpretação diferente da realidade. Agora vamos imaginar estas questões. Imagina que eu te pergunto, Milu, diz-me lá. Quanto é que são? 27 vezes 43. Se me fizessem esta pergunta, eu estaria mais ou menos como tu. Ora bem, onde é que está a máquina de calcular? Estaríamos aqui já um bocadinho. Quando nós, por exemplo, estamos a analisar um contrato, quando nós estamos a ver a estratégia lógica para um determinado trabalho, quando nós estamos resolver um problema lógico, entra em ação o Sistema 2. O sistema 2 entra em ação sempre que há uma exigência de esforço mental.
Ele é lento, portanto exige tempo. Ele é analítico, analisa as evidências. Ele é deliberado porque ele examina alternativas e ele é exigente, consome muita energia mental. E é extremamente controlado. Controlado porquê? Porque ele permite corrigir erros do sistema 1. Estamos sempre a falar no âmbito da tomada de decisão. E sem nos apercebermos, ou estamos num sistema ou estamos num outro. Exatamente. Portanto, é extraordinário realmente a forma como a nossa mente acaba por reagir. Nós já vamos continuar a desenvolver este assunto, vamos para o nosso habitual intervalo, mas já voltamos, não sai daí. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
E cá estamos uma vez mais, na segunda parte deste episódio. Que bom que ainda aí continua. Antes de continuarmos na nossa reflexão, queria apenas recordar que temos para vós este guia de estudos para poder desenvolver um pouquinho mais o vosso conhecimento em relação a uma ou outra área que realmente seja de maior fragilidade na sua vida. Aqui tem temáticas e tem assuntos muito pertinentes em relação à questão da saúde mental. Então basta apenas escrever para nós ou ligar através do 933 93 92 91 para termos o prazer e o privilégio de poder enviar para si de forma gratuita para a sua casa ou para a casa de um familiar ou de um amigo.
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poder fazer chegar até si este guia de estudos. Cristina, continuando a desenvolver esta questão do Sistema 2, por favor. Sabes que antes de irmos para a intervalo, tu utilizaste uma expressão interessante. Tu disseste, ou estamos no Sistema 1 ou no Sistema 2. Então, permite-me fazer aqui uma pergunta, uma brincadeira. Simples, mas que nos vai ajudar a perceber esta transição. Imagina que eu te estou a dizer o seguinte. Milu, um pastor tem 15 ovelhas. Todas morrem, exceto oito. Quantas é que ficam? A maior parte de nós, e acredito que alguns que estão a ouvir nos estão a fazer isto, estão a fazer contas. Estão a dizer sete. Estamos a subtrair. Mas a verdade é que eu não te perguntei quantas é que tinham morrido.
Eu perguntei quantas é que sobreviviam. Portanto, diz aqui, todas morrem, exceto oito. Mas nós estamos a dar o número sete. Nós fomos contar aquelas que tinham morrido. Devíamos ter dito oito. Exatamente. Segundo exemplo. O médico faz da prescrição de um medicamento e diz assim, vais ter que tomar três comprimidos de meia e meia hora. Quanto tempo é que demora a tomar os três? E a maior parte de nós diz uma hora e meia. Ok? Três, meia hora, uma hora e meia. Sim, mas se eu tomar agora um, só tomo o outro passado meia hora, segundo e o terceiro passado meia hora. É uma hora. Nisto nós temos um exemplo incrível de como nós temos o nosso sistema 1 a funcionar em detrimento do nosso sistema 2.
E estamos a tomar decisões. O erro não aconteceu porque nós não sabemos contar. O erro aconteceu porque o cérebro pôs o sistema 1 a prevalecer e quis responder antes de analisar a informação. Agora, na maioria das situações, os nossos dois sistemas, no âmbito da tomada de decisão, eles funcionam em conjunto. Imagina o seguinte, vais a conduzir, normalmente, e de repente uma criança atravessa a estrada a correr. Tu travas automaticamente. É o teu sistema 1 a funcionar. Só depois é que tu começas a refletir sobre o que ocorreu. É o teu sistema 2 a funcionar. Portanto, este exemplo das ovelhas e este exemplo dos medicamentos mostra de uma forma até simplista e engraçada que a maior parte das vezes nós deixamos o sistema 1 assumir a análise da informação e a tomar a decisão.
Não é consciente, é pela poupança de energia. E que mostra também porquê que cometemos tantos erros na tomada de decisão. Então quando nós comparamos, por exemplo, por impulso, é o sistema 1 que está a conduzir a decisão, por exemplo. O nosso piloto automático. Isso, o piloto automático, esta distinção ajuda-nos a perceber um pouco melhor porque é que nós tomamos então más decisões. E sabes, Mila, que no âmbito da tomada de más decisões eu gostava de ajudar a sensibilizar-nos, a todos nós, para algumas coisas que a ciência tem trazido, entre esta articulação entre Sistema 1 e Sistema 2, piloto automático Sistema 1, e centro decisor Sistema 2.
Diretor executivo, se nós o pudéssemos utilizar. Que nos levam a cometer erros na tomada de decisão e que estão cientificamente comprovados. Um deles, em 1979, um grupo de investigadores publicou a chamada Teoria da Perspectiva. E o que é que isto diz? E vamos mais uma vez pegar num exemplo corriqueiro. Imagina que eu te digo, Milu, tens a hipótese de ganhar agora 50 euros, esse dinheiro fica contigo, ou tens a hipótese de apostar um valor e possivelmente poderás ou não ganhar 100 euros. O que é que nós escolheríamos? A maioria das pessoas ia escolher os 50 euros. Porquê? Porque nós, o nosso cérebro, avalia ganhos e perdas de forma diferente.
As perdas têm um maior impacto emocional do que os ganhos. É o que eles chamam de aversão à perda. Tu perderes 100 euros dói mais, em termos emocionais, do que a felicidade de ganhar 100 euros. Então, muitas decisões que nós tomamos têm por base esta aversão à perda. Vamos imaginar o segundo exemplo. Imagina que eu te diga, oh Milu, olha, conheço o João. O João é um rapaz que é tímido, mas ele é bastante organizado e gosta muito de detalhes. Olha, tenta lá adivinhar qual é a profissão dele. Achas que ele é bibliotecário ou achas que ele é agricultor? O que é que tu previsivelmente dirias? Que era o bibliotecário. Que era o bibliotecário. A verdade é que, estatisticamente, existem provavelmente mais agricultores do que bibliotecários.
Mas tu baseaste essa informação em quê? Nas características que partilhaste. Nas características que eu partilhei. Mas no molde mental que tu tens, no estereótipo que tu tens sobre essas características. Isto é o que nós chamamos o viés da representatividade. Ou seja, nós confundimos o parece como é provável, parece, pelas características que eu avaliei, que o João se encaixava mais na profissão de bibliotecário. Mas se fôssemos em termos estatísticos, haveria uma maior probabilidade de ele ser agricultor. E tenho certeza que este exemplo e tantos outros, se começarmos a fazer aqui um rewind à nossa mente, vamos identificar muitos outros corriqueiros no nosso dia a dia.
Imagina um outro exemplo. Imagina que eu te pergunto, ó Bilu, tu achas que existem, a nível mundial, mais pessoas que morrem devido a ataques de tubarão ou devido a acidentes domésticos? E para onde é que vai a nossa mente? Para os acidentes domésticos, será? Ou os tubarão? O tubarão. O contrário, a evidência mostra exatamente o contrário. Ou seja, E porquê que a evidência mostra o contrário? Porque tu ouves muito mais falar nas notícias sobre ataques de tubarão. até podem ocorrer mais acidentes domésticos, mas são noticiadas mais vezes os ataques do tubarão. Ou então a conclusão que eu tomei é pelo lugar onde eu vivo. Exatamente. E como não há tubarões, seria mais...
Mas estamos a falar a nível mundial. Exatamente. Ou seja, o nosso... Mas espera, muito interessante o que tu acabaste de fazer. Tu disseste, pelo meio onde eu vivo, o teu cérebro está a utilizar o que nós chamamos de viés da disponibilidade. Qual é a memória mais provável, o exemplo que me é mais familiar? Eu vou responder-te, não com base em dados, mas eu vou te responder com aquilo que me vem mais rapidamente à memória. Ou o meu conhecimento. Ou o teu conhecimento, exatamente. Portanto, o viés da representatividade leva-nos a julgar pelas aparências. O viés da disponibilidade leva-nos a tomar decisões pelas recordações.
Um outro exemplo muito comum, estamos sempre a falar no âmbito da tomada de decisão e das coisas que influenciam a nossa tomada de decisão e que a maior parte das vezes não são conscientes. Imagina que eu digo, olha Mila, eu preciso comprar uma máquina de lavar. Não importa se é a roupa, se é a louça, não interessa. E tu és uma pessoa em quem eu confio, és uma pessoa por quem eu tenho uma estima grande, e és uma pessoa que eu acho que és muito ponderada nas escolhas que fazes. E tu dizes-me, Cristina, olha, eu acho que a minha máquina até funciona bem e é desta marca assim e assim. Ok. Agora imagina que aqueles que nos ouvem até olham para mim e dizem, pronto, a Cristina até é uma pessoa em quem eu confio no tipo de conselhos que dá. E eu comento contigo no contexto de um programa, olha, tive um problema com máquina de lavar e comprei esta marca.
Imagina que, do lado de lá, alguém que não se está a ouvir diz, olha, eu que precisava de uma máquina de lavar. Vou comprar porque a Cristina, que é uma pessoa em quem eu confio, comprou esta máquina. O que é que nós estamos a fazer aqui? Estamos a fazer o viés da confirmação. E isto é o quê? Nós procuramos informação, em vez de perguntarmos, será que eu estou certo, nós perguntamos inconscientemente. o que é que comprova que eu estou certo? Se a Milu é de confiança, então o fato de eu comprar esta máquina comprova que eu estou certa. Estou certa porquê? Porque a Milu é de confiança. Quem é que já comprou, por exemplo, um telemóvel e nos dias seguintes foi pesquisar, já tinha pesquisado antes, mas nos dias seguinte foi pesquisar mais um bocadinho.
Será que foi pesquisar para tentar perceber se fez uma boa compra? Não. foi pesquisar a maior parte das vezes para confirmar que fez uma boa compra. Portanto, nós primeiro decidimos e depois procuramos argumentos para justificar. Um outro exemplo muito prático. Imagina um outro viés que influencia na nossa tomada de decisão. quando as nossas decisões são influenciadas por uma informação inicial ou por um número. E nós dizemos que diz para te. Então vamos agora pegar um exemplo prático. Imagina que nós entramos numa loja que está em saldos e tu vês uma camisola que na etiqueta diz assim. Antes, esta camisola custava 120 euros, agora custa 60. E tu dizes, epá, que desconto fabuloso.
É uma excelente oportunidade, é um grande negócio. E muitas vezes fazemos isto por impulso. Adquirimos a compra por impulso. Mas a pergunta correta não seria, será que esta camisola vale 60 euros para ti? Vamos a um outro exemplo. Isto é o que nós chamamos o viés da ancoragem. Vamos a um outro exemplo. Imagina que tu fazes um exame médico. E o médico te diz, olha Milu, em média os resultados deste exame vão demorar cerca de um mês. E tu passados 15 dias recebes os resultados do exame. E tu dizes, epá, fantástico! Este médico foi altamente profissional, até conseguiu enviar os exames em 15 dias. Mas agora imagina que eu te tinha dito O médico te tinha dito que os resultados demoravam 7 dias e tu recebeste na mesma 15 dias depois.
Vais dizer, bom o médico pode ser competente, mas ele efetivamente não é muito cumpridor de prazos. E agora a pergunta que eu te coloco é, mas não estamos a falar do mesmo número? Viste como alterou completamente a tomada de decisão que tu tiveste relativamente à perspectiva que tu tinhas sobre aquele médico? E nós achamos que decidimos com base em factos, quando na maior parte das vezes
decidimos com base em comparação face à primeira informação que recebemos. Iremos continuar isto também no próximo episódio, mas gostava de partilhar mais um... Uma conclusão da ciência que demonstra o impacto que isto tem na nossa tomada de decisão. Uma das áreas em que a nossa decisão é muito influenciada é no que eles chamam do framing effect, o efeito do enquadramento. E os investigadores fizeram uma experiência. Pegaram em dois grupos e fizeram-lhes esta observação. Há uma doença rara que ameaça 600 pessoas. E tu tens, grupo 1, duas hipóteses de escolha. Ou escolhes a escolha A, a hipótese A, e 200 pessoas serão salvas, ou escolhes a hipótese B, e há um terço de probabilidade de salvares as 600 pessoas e dois terços de probabilidades de não salvares ninguém.
O grupo 1 escolheu a hipótese A, salvar as 200 pessoas. Porquê? Porque salvar as 200 pessoas parece uma hipótese mais segura. Agora fomos ao grupo 2, vamos fazer exatamente a mesma pergunta das 600 pessoas que têm esta situação com a doença, recebem exatamente o mesmo problema, mas ele é formulado de uma forma um bocadinho diferente. E dizem assim, olha, Tu tens a possibilidade de escolheres a hipótese C, em que 400 pessoas morrerão, ou tens a possibilidade de escolher a hipótese D, em que há um terço de probabilidade de ninguém morrer, ou dois terços de probabilidade de morrerem 600 pessoas. E a maior parte das pessoas do grupo 2 escolhe a hipótese d.
Mas a verdade é que matematicamente nós estamos a falar do mesmo número hoje. Estamos a falar exatamente da mesma coisa. Mas as respostas mudaram radicalmente. E porquê que mudaram? Porquê que isto acontece? Porque quando nós ouvimos 200 pessoas serão salvas, o nosso cérebro vê um ganho. Se vê um ganho, tendemos a evitar riscos. E quando o nosso cérebro ouve 400 pessoas morrerem, o cérebro vê uma perda. E nós tendemos a procurar alternativas mais arriscadas para evitarmos essa perda. Ou seja, o nosso sistema 1, o piloto automático, reage imediatamente a palavras e emoções. Salvar, ganhar, proteger, elicita uma resposta emocional positiva.
Perder, morrer, falhar, elicita automaticamente uma resposta negativa. Ou seja, antes do Sistema 2 analisar os números, o Sistema 1 já criou uma impressão. E agora a pergunta que eu te coloco é, destes exemplos que eu fui dando, eles são ou não são familiares? Tu consegues identificar-te em alguns? Certamente aqueles que nos ouvem também conseguem identificar alguns destes exemplos. Agora a pergunta que eu te coloco, e que eu gostaria que aqueles que nos ouvem nos questionassem também, é... Na realidade, nós estamos a tomar decisões absolutamente conscientes e baseadas nos factos.
É porque a nossa escolha muda, neste caso do framing effect, a nossa escolha muda quando nós somos influenciados pela forma como a mensagem nos é transmitida. E as pessoas respondem não apenas aos factos, mas respondem ao enquadramento desses próprios factos. É extraordinário o que estás a falar, estás a falar e eu estou a pensar. Mesmo nos nossos relacionamentos, a forma como interagimos uns com os outros, a forma como colocamos as coisas diante do outro, facilitará ou impedirá ele fazer, então, a boa escolha ou a boa decisão, ou não. Exatamente. E reparem, nós trouxemos exemplos que são exemplos do dia-a-dia, que são comuns.
Nós no próximo episódio vamos abordar com mais calma esta questão de algumas coisas que influenciam a nossa decisão, mas também de algumas estratégias que nos podem ajudar a prevenir a tomada de decisões ou termos decisões mais consistentes ou mais equilibradas. A questão não estará tanto no erro, porque ele pode ocorrer, mas à medida que nós tomamos consciência dele, poderá ser mais simples aprender a lidar com esta impulsividade, ou não, porque mesmo quando não somos impulsivos, não significa que não estejamos a cometer erros também. Mas poderá ajudar-nos a tomar decisões mais equilibradas e mais sábias. Muito bem. Muito obrigada, Cristina, mais uma vez. Então aqui fica o convite, já para não perder o próximo episódio na próxima semana e encontraremos-nos lá, se Deus quiser.
Até lá.
Porque tomamos decisões que depois lamentamos? Descubra como os atalhos mentais do cérebro influenciam as suas escolhas.