Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais um episódio deste que já é o seu programa Mentes que Sentem. Damos graças a Deus porque nos tem dado vida, nos tem dado saúde, mesmo que ela um pouquinho, por vezes, seja relativa, mas temos ânimo, temos alento, temos coragem que Deus nos vai dando para irmos superando os desafios que temos da vida do lado de cá. Nós saudamos cada um de vós. Se é já habitual assistente deste programa, seja bem-vindo sempre e continue connosco. Se por acaso nos sintonizou, é porque há alguma razão de aí estar. E com certeza estamos aqui para ajudá-lo nesta caminhada e sobretudo nesta área que é a saúde mental.
Nós estamos sempre muito bem acompanhados. Obrigada, Cristina, mais uma vez e mais uma semana pela tua presença. Obrigada, Milú, e mais uma vez é bom estar contigo. É bom estar consigo. Que bom. Nós temos abordado temas muito pertinentes e muito importantes e com certeza que a reação dos nossos ouvintes e telespectadores tem sido de gratidão, porque vamos aprendendo muitas coisas diante da realidade e dos desafios que é a nossa vida hoje no dia a dia. E com certeza estamos a falar sobretudo da questão das dependências, as dependências particularmente, falamos sobre elas, de substâncias, mas aqui a questão das dependências da internet, as dependências digitais. E nesta era do digital, Cristina, surge sobretudo um grande desafio que os nossos filhos podem estar a viver, os mais jovens, particularmente os mais jovens, que é a questão do caso do bullying ou do ciberbullying.
Será que é importante abordar esta questão? Para responder a essa tua pergunta, eu vou te fazer uma questão, tá bem? Então, Milu, eu vou te dar o nome de três pessoas e eu vou te perguntar se tu consegues identificar quem são, tá bem? Ryan Aligan, Rebecca Sedgwick e Megan Meyer. São familiares destes nomes? Não. A mim também não. Mas infelizmente estes nomes pertencem a jovens adolescentes norte-americanos com faixas etárias entre os 12 e os 13 anos, que têm dois fatores em comum.
O primeiro é que todos eles se suicidaram. E o segundo fator em comum é que o que esteve na origem do suicídio foram questões relacionadas com o bullying e com o cyberbullying. Agora vou-te identificar, dar mais alguns nomes e vou-te perguntar se são mais familiares. Christian Bale, Selena Gomes, Eminem, Kate Winslet. Estes nomes provavelmente certinho são mais familiares. Populares, sim. Quer a ti, quer a mim, quer àqueles que nos ouvem. São números de pessoas famosas, ou porque são atores, ou atrizes, ou músicos, seja o que for. A verdade é que estes todos têm em comum, como outros tantos, falei nestes, mas poderia ter trazido outros, o fato de terem vindo falar publicamente de que foram vítimas de bullying.
e vieram tentar sensibilizar para esta questão também. Então será que é importante falarmos sobre isto? Mais do que importante é urgente, é preemente e é indispensável falarmos disto de uma forma consciente e com respeito e devidamente informada.
O termo bullying foi popularizado por um psicólogo norueguês, Dan Olwes, eu não sei se estou a dizer corretamente o nome ou não, a partir da década de 1970. Ele é considerado o pai da pesquisa científica no âmbito do bullying. E por que é que lhe surgiu esta necessidade? Ele era psicólogo escolar e começava a perceber que havia comportamentos repetidos, comportamentos agressivos entre crianças, repetidos, com desequilíbrio de poder e que tinham algumas consequências. Não havia programas eficazes para intervir e ele queria reduzir aquele tipo de comportamentos, proteger as pessoas que estavam envolvidas e melhorar um bocadinho o clima escolar a que se existia. Mas acima de tudo ele queria sensibilizar a comunidade para o fato de nós estarmos a lidar com um problema sério, não era uma questão passageira.
Então o que é que é o bullying? Segundo várias definições, mas uma em particular diz-nos que o bullying é um comportamento intencional, repetido e agressivo, no qual uma pessoa ou um grupo exerce poder ou influência sobre a outra, causando dor, humilhação ou sofrimento físico, emocional ou psicológico. Há algumas características distintivas. A primeira é que há uma intencionalidade. Há uma intencionalidade de causar dor, seja ela do for físico, social ou psicológico. Há uma repetição do mesmo comportamento continuada ao longo do tempo, independentemente da periodicidade em que ocorre. E há um desequilíbrio de poder.
Desequilíbrio de poder que pode acontecer no fato de que tu sejas mais forte do que eu, ou desequilíbrio de poder porque eu posso estar a lidar com um grupo, por exemplo. O bullying pode ocorrer em diversos contextos. Nós estamos normalmente habituados a ouvir falar nisto no contexto escolar, mas existe bullying nas famílias, existe bullying nas comunidades, no trabalho, nos ambientes sociais e existe o bullying online. E ele pode ser classificado em vários tipos de bullying. Existe aquele que é considerado o bullying físico, que envolve agressões, por exemplo, corporais ou danos materiais. Exemplo, estou-te a bater, estou-te a empurrar, estou a destruir os teus objetos pessoais. Existe o bullying verbal, em que nós usamos a palavra para humilhar, para insultar ou para intimidar.
Insultos, apelidos pejorativos, provocações, ameaças. Existe o bullying psicológico ou emocional, em que eu tento atacar a autoestima da pessoa e o bem-estar emocional da vítima. Como? Através de manipulações, chantagem, intimidação, isolamento forçado. Existe o bullying social ou relacional, em que ele tem como objetivo prejudicar a reputação da própria vítima ou as relações sociais da pessoa. Espalhar boatos, excluir de grupos, Influenciar outros a rejeitar aquela pessoa é uma forma de bullying. Existe o bullying sexual, que envolve comportamentos de teor indesejado, como por exemplo, piadas, insinuações, toques inadequados, a exposição indevida.
Existe o bullying racional, religioso ou xenófobo, que tem exatamente a ver com estas questões. E existe o cyberbullying, que acontece por meios digitais, como as redes sociais, mensagens ou online por outros meios, mas tem também como objetivo ferir ou humilhar a pessoa. Se calhar nós poderíamos fazer a pergunta, Cristina, que é, porque às vezes
temos esta dúvida, mas também os nossos filhos, ou nós não estamos preparados para uma ofensa, ou uma palavra mais dura, ou somos assim tão frágeis, não é? E no sentido de fazer a pergunta então, qual é a diferença entre o conflito comum, que surge naturalmente, e o bullying? Essa pergunta é muito pertinente, Milo. Nós vamos ter a oportunidade de ver que uma das coisas que mais têm contribuído para que este comportamento não seja identificado são alguns preconceitos que nós vamos adquirindo e normalizamos determinado tipo de comportamentos. E tu estavas a falar sobre essa situação em relação aos nossos filhos e eu estava a me recordar de uma expressão tipicamente popular que é, então agora somos florzinhas de estufa, não é?
Portanto, nada pode acontecer. Não, o conflito existe e conflito e bullying são coisas diferentes. Então vamos pegar num exemplo, vamos utilizarmos a nós as duas como um exemplo. Imagina que o tablet que tu tens, que é um tablet da produção do programa, que não é teu. Eu sei que é teu, mas vamos imaginar que não é. E ambas queremos utilizar o tablet no próximo episódio. E estamos em conflito por causa disso. Portanto, discutimos, eu apresento os meus argumentos, tu apresentas os teus argumentos. Podemos ou não chegar a um consenso. Podemos até chegar a um acordo ou não. Até pode a produção do programa dizer, não, olha, um episódio és tu, outro episódio é Cristina. Mas a verdade é que houve aqui um centrar na argumentação, independente do conflito poder ter evoluído um bocadinho para momentos mais quentes ou mais calorosos entre nós.
Agora vamos imaginar um segundo exemplo. Vamos imaginar que eu chegue aqui e eu sou a primeira a pegar no tablet e tu dizes, oh Cristina, mas é a minha vez. É a tua vez o quê? ou imagina que eu chego, tu estás com o tablet, e perdoa-me o exemplo, e eu arranco-te das mãos e fico com ele, e acaba até por te insultar e dizer coisas do género. Tu és tão básica que tu nem sabes como é que vais operar com uma coisa desta natureza. E repetindo, repetidamente repetindo, eu arranco-te as coisas ou inibo-te repetindo. o acesso às mesmas e insulto-te e humilho-te e faço um comportamento repetido de diminuição de quem tu és. Será que nós estamos a falar da mesma situação?
Nós estamos a falar do tablet, mas será que nós estamos a falar da mesma situação? Não. Nós estamos a falar claramente de uma diferença entre o que é um conflito e o que é uma situação de bullying. Então, um conflito normalmente a nível da sua natureza é algo que é pontual, é uma desavença, não é uma coisa continuada no tempo. Em relação à relação de poder, aquilo que regra geral acontece é que geralmente não envolve um desequilíbrio de poder, é entre pares. É o que ocorre. A intenção de um conflito não é a intenção propositada de te magoar, mas é uma intenção em que eu quero defender a minha ideia de alguma maneira. E, a nível das consequências, eu posso ficar aborrecida contigo, eu estou aborrecida comigo, mas não deixa de ser uma forma de nós até desenvolvermos competências de gestão de conflitos, eventualmente.
Em termos de intervenção, regra geral, Aquilo que ocorre é que permite que haja uma autonomização para os jovens, por exemplo, que estão envolvidos no conflito, aprenderem a gerir. O adulto é o mediador, por assim dizer, mas não é ele que vai gerir o conflito por excelência. Enquanto que se nós estamos a falar do bullying, relativamente à sua natureza há uma intencionalidade da agressão. Em relação ao poder, há claramente um desequilíbrio, um prevalece sobre o outro. Em termos de intenção, a intencionalidade é clara, é humilhar-te e é uma forma de violência. Quanto à consequência, ela causa sempre sofrimento.
pode manifestar-se a vários níveis, psicológico, físico também, e pode levar até a problemas de saúde mental. E em termos de intervenção, se estamos perante uma situação de bullying, tem que haver uma intervenção clara, direta, imediata. E isto pode implicar a intervenção de adultos também. Portanto, há uma diferença muito substancial entre aquilo que é um conflito e aquilo que é uma situação de bullying. Embora as situações de conflito poderão evoluir para situações de polígono.
Obrigada, Cristina. Nós já vamos continuar a desenvolver esta temática. Vamos fazer o nosso habitual intervalo e já voltamos daqui a pouquinho. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Só damos cada um de vós uma vez mais, aqui estamos, para dar continuidade ao episódio de hoje. Iniciamos hoje uma nova temática sobre o ciberbullying e o bullying, tentar perceber isso. Talvez em casa já tenha experimentado, ou os seus filhinhos já tenham vivido essa situação. Então, estes assuntos e outros, nós temos muito gosto em poder fazer como oferta este manual, este guia de estudo.
sentimentos, a ciência do existir, pode ter aí em sua casa para si ou para uma oferta a algum amigo ou conhecido e já sabe, é apenas mandar-nos uma mensagem com o voto e o desejo de realmente querer receber este manual de estudo para o 933-939291 e teremos muito gosto em poder enviar para a sua casa e com certeza será uma mais-valia na sua família ou nos seus amigos. Cristina, para dar continuidade ao que estávamos a falar, todos nós certamente já tivemos contato com conteúdos ofensivos ou difamatórios, portanto online, mesmo que a gente não os procure.
E a questão do poder da net, da influência que ela tem, é que se antigamente havia uma salvaguarda, hoje em dia estamos expostos a tudo e tem que haver de nós esta disciplina, que muitas das vezes os nossos filhos não têm, e capacidade para poder então rejeitar. Então, já tivemos contato com certeza com conteúdos ofensivos ou difamatórios. Será que isto pode ser considerado bullying? Sabes que existe uma outra forma de bullying que é o cyberbullying. O que é que faz? Usa a internet para exercer aquele comportamento com a mesma intencionalidade. A mesma intencionalidade de causar dor, vergonha ou desconforto ou medo.
Agora, de que forma é que isto se expressa? Como é que isto se materializa de alguma forma? Podem ser através de chamadas telefónicas, mensagens de voz ou de vídeo. Podem ser publicações em salas de chat. Podem ser publicações nas redes sociais. Pode ser qualquer tentativa de sabotagem em redes ou dispositivos, como por exemplo enviar-te mails com vírus, publicação de fotos ou vídeos constrangedores sem consentimento. Eu recordo-me, por exemplo, de uma situação de umas meninas que filmaram uma coleguinha na aula de educação física fazer um movimento e a menina não conseguiu fazer corretamente o movimento e depois, sem o consentimento dela, publicaram aquilo nas redes sociais.
E é óbvio. Isto causou um impacto que não foi positivo. Outra forma em que o cyberbullying é muito utilizado é espalhar boatos ou mentiras com a intenção de difamar, é excluir deliberadamente alguém de grupos online, é enviar mensagens ameaçadoras, insultuosas. É chantagear alguém com informações pessoais e também não é incomum criar perfis falsos em blogs ou redes sociais para dizer coisas maldosas. Tudo isto são formas de cyberbullying e porquê que o cyberbullying é tão diferenciado relativamente ao bullying presencial?
Primeiro pelo seu alcance e persistência. São 24 horas sobre 7 horas por dia. Há aquela velha máxima que diz que aquilo que tu pões na internet permanece na internet. Agora imagina a exposição e o alcance que isto tem. Por outro lado, é esta invasão da vida privada da vítima de uma forma muito persistente. E esta difusão, o impacto que isto tem na pessoa. Mas sobretudo é esta sensação de anonimato. Sabes que às vezes quando eu vejo alguma coisa, por exemplo na internet, estou a ver um programa, ou estou a ver uma palestra, ou às vezes estou a ver uma coisa que me faz distrair, eu tenho muita curiosidade em ver os comentários, sobretudo quando é alguém que está a fazer, por exemplo, uma apresentação.
E às vezes fico surpresa, vou utilizar esta expressão, surpresa pelo tipo de comentários que encontro. Porque as pessoas, pelo fato de estarem no anonimato e de não serem visíveis, utilizam argumentos e terminologias e formas de se expressarem que provavelmente não fariam numa situação presencial, com uma agressividade. Então, este anonimato dificulta a identificação e traz esta sensação de impunidade. Podemos perguntar então, Cristina, que consequências é que pode ter na vida de uma pessoa o bullying?
Olha, Milo, eu vou permitir que alguém, na sua primeira voz, nos responda essa questão. E se me permites, eu vou ler uma citação de um livro, de uma autobiografia, depois irei identificar quem é que se trata, mas para poder tentar responder essa questão. Então, a autobiografia deste homem é um homem Relata vários episódios ao longo da sua vida e entre eles relata alguns episódios do seu contexto escolar. Este que eu vou ler, em particular, ocorreu quando ele tinha oito anos de idade. É um senhor norte-americano. Ele sai do contexto de Boston, onde vivia, e vai com a família para o contexto de Detroit. E nessa altura vai frequentar uma nova escola. E aqui, se me permites, vou ler.
Então diz o seguinte. A escola elementar Higgins era uma escola em que as aulas eram efetivamente exigentes. E os meninos do quinto ano aos quais me juntei podiam ultrapassar-me em quase todas as matérias. Para minha surpresa, eu não compreendia nada daquilo que estava a ser dado. não tive que enfrentar nenhuma competição para ocupar o fundo da classe. Para tornar isto pior, eu acreditava seriamente que tinha sido um bom aluno em Boston. Só o fato de ter que me sentar no fundo da classe já me magoava bastante. Mas a importunação e o insulto dos outros miúdos faziam-me sentir pior. Como é próprio dos miúdos, houve a inevitável conjetura a respeito das notas depois de fazermos um teste.
E alguém disse invariavelmente, eu sei que nota o Carson tirou, o Carson era este menino. Sim, um grande zero, respondeu o outro. Ei, idiota, tu pensas que conseguirás acertar uma desta vez? Respondeu outro menino. Carson, tu conseguiste acertar uma na última vez, vocês sabem porquê? Porque ele estava a tentar anotar a resposta errada. Sentado rigidamente na minha carteira, eu agia como se não os ouvisse. Queria que eles pensassem que eu não me preocupava com o que eles diziam, mas eu preocupava. As suas palavras feriam, mas eu não me permitia chorar ou fugir. Às vezes um sorriso cobria-me o rosto quando o gozo começava. Com o passar das semanas, aceitei que estava no fundo da classe porque era ali o lugar em que eu merecia estar.
Sou apenas um idiota. Eu não tinha dúvidas quanto a esta declaração e todos os demais sabiam disso. Eu aceitei que eu não era diferente. Eu aceitei que era um idiota e ponto final, tinha que aceitar aquilo que a vida me estava a dar. Permite-me agora avançar um bocadinho mais. Ainda nesta mesma escola, aquilo que aconteceu é que eles fizeram um teste de matemática e a professora pôs a correção no quadro. Depois pediu ao coleguinha de carteira para corrigir o teste e devolver. Depois foi chamando aluno a aluno para saber qual foi a nota que tinha tido. O teste tinha 30 problemas. A menina que corrigiu a minha folha de exame era a líder dos miúdos que me importunavam chamando-me de idiota.
A senhora William começou a chamada dos nomes. Eu estava sentado na abafada sala de aula. O meu olhar vagueava desde o claro quadro de anúncios até à parede de janelas cobertas de papel recortado. A sala cheirava a giz e crianças e eu inclinei a cabeça, temendo ouvir o meu nome. Isto era inevitável. Benjamin? Perguntou a senhora William. E esperou que eu dissesse a minha nota. Eu murmurei a minha resposta, que foi mal compreendida pela professora. — Nove! — exclamou ela. A senhora William deixou cair a sua caneta, sorriu para mim e disse-me com verdadeiro entusiasmo. — Ótimo, Benjamin, isso é maravilhoso. Para mim, alcançar nove de trinta era incrível. Mas antes que eu percebesse o que é que viria a seguir, a menina atrás de mim gritou.
Nove não, disse ela a reprimir o riso. Ele tirou zero. Ele não acertou em nenhum dos problemas. Os risos reprimidos ecoaram em gargalhadas e risadas por toda a sala. Basta, disse respidamente a professora, mas era tarde demais. A crueldade da menina cortou-me o coração. Acho que nunca me senti tão solitário e tão estúpida em toda a minha vida. Era muito mal que eu errasse em quase todas as perguntas, em quase todos os testes. Mas quando todas as pessoas da classe, ao menos parecia que todos ali, riam da minha estupidez, desejei desaparecer. Por incrível que pareça, Quem escreve estas palavras é o Dr.
Ben Carson. Ele é considerado um dos maiores neurocirurgiões pediátricos da atualidade e que alguma vez tivemos contato. E este homem tem uma carreira profissional impressionante. Aliás, ele é responsável por uma cirurgia pioneira, feita em 1987 no hospital John Hopkins, nos Estados Unidos, em que fez a separação de gêmeos siameses, unidos pelo crânio e pelo cérebro, com sucesso. Uma cirurgia que demorou mais de 22 horas e envolveu mais de 70 profissionais. E a pergunta que eu coloco é, como é que um homem, quando relata a sua autobiografia, tem um homem com este prestígio e com este sucesso, tem tão vincado nele esta questão?
Então sim, efetivamente o bullying traz muitas consequências. Para, por exemplo, a pessoa que é vítima do bullying, traz consequências a nível emocional. Ansiedade, tristeza, depressão, baixa autoestima, vergonha, culpa. Socialmente traz-nos um isolamento, uma dificuldade em confiar. um afastamento de atividades e sobretudo esta diminuição do senso de pertencer a um pertencer a lado nenhum. E se aquilo que estiver a ser praticado comigo for o cyberbullying, há esta noção de que eu não consigo encontrar um local de refúgio, porque eu estou exposto em qualquer local. A nível comportamental traz comportamentos, alterações a nível dos hábitos alimentares, do sono, alterações a nível do próprio rendimento escolar e muitas vezes o uso de substâncias como forma de escape.
Sabes que o grande grupo que pode ser aquele grupo que faz a diferença na questão do bullying são o grupo dos observadores. Nós temos sempre pessoas a observarem isto. Mas a verdade é que o bullying também tem impacto neles. Por exemplo, emocionalmente, eles têm medo de ser a próxima vítima. Eles têm um sentimento de impotência ou culpa, têm um stress emocional. Estão muito expostos, muitas vezes, à violência e isso cria uma dissonância emocional, que é a diminuição da sensibilidade face ao sofrimento alheio. Têm uma pressão social do grupo para alinhar com o agressor, medo da rejeição. E normalizam a violência. Há sempre uns que a apanham e há sempre uns que dão. É isto o vulgo da nossa sociedade, muitas vezes.
E muitas vezes eles têm... Ou reforçam o agressor ou mantêm-se passivos. Ou, nos casos positivos, e é isso que nós desejamos, são agentes de mudança. Só que até o próprio agressor tem consequências do bullying. Há uma maior probabilidade em nos envolvermos em violência ou comportamentos criminais na adolescência e na vida adulta. E dificuldade em estabelecermos relações saudáveis no futuro. E sobretudo quando nós somos confrontados com o nosso próprio comportamento. Isto traz-nos também frustração, ansiedade e culpa. toda a gente envolvida acaba por ter. Consequências muito graves.
Cristina, muito obrigada mais uma vez. Com certeza teremos a oportunidade, noutros episódios, de desenvolver este assunto que é tão pertinente, a questão do bullying. E a doutora Cristina estava a falar que muitas das vezes somos influenciados por aquilo que vamos lendo nos comentários. Então há um comentário excelente que nós temos que ler, que seguramente nos liberta de todas estas pressões e de todas estas dores, que é o comentário da Bíblia. Então se tiver esse livro sagrado aí na sua casa, se não tiver, nós também temos disponibilidade de enviar para si de forma gratuita. Basta usar o mesmo número que nós usamos para o manual e o guia de estudos e faça um scrolling exatamente na Bíblia Sagrada porque tem algo maravilhoso para nos dizer.
Nós somos muito valiosos aos olhos de Deus. Que o Senhor o abençoe, abençoe e, na graça de Deus, nós estaremos cá na próxima.
Neste episódio do Mentes que Sentem, abordamos um tema urgente e indispensável, o bullying e o ciberbullying e o impacto profundo que têm na saúde mental, especialmente de crianças e jovens.