Vacinas

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09 de Setembro de 202627 min 15 s

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Abertura e introdução

Voltamos a trazer-lhe mais um médico de família. Seja muito bem-vindo a este seu consultório aqui na Novo Tempo Portugal e na Rádio RCS. Hoje vamos falar de vacinas e vacinação. Um assunto que se tem tornado cada vez mais polémico. A razão? Bem, não lhe consigo ser taxativo com uma resposta, mas talvez a complexidade científica, ou crenças culturais, rápida propagação de desinformação, não sabemos muito bem quais são os fatores que têm tornado quase moda haver pessoas cada vez mais a ser antivacina, mas embora os imunizantes de uma forma geral sejam considerados o maior instrumento de saúde pública da história, o debate tem-se intensificado.

E por isso tu, Ibenes, decidiste no programa de hoje abordar este assunto. Cláudia, em primeiro lugar, bem-vinda.

O que são vacinas

Obrigado mais uma vez pela tua disponibilidade, enfim, pelo carinho que tens para com o programa. Vamos então falar de vacinas. Mas antes de falar das vacinas, eu pergunto o porquê a vacinação, de uma forma genérica? Na tua introdução já tocaste em um ponto importante, é que realmente existe informação contraditória. Não estou a falar nos meios de comunicação global, mas acima de tudo nas redes sociais e de algumas pessoas. Eu penso que é sobretudo desde que surgiu a pandemia da Covid-19, em 2019, 2020. E não há dúvida que a vacinação, se calhar as pessoas têm uma ideia negativa acerca dela, porque não conhecem as doenças que elas estão a prevenir.

Porque não há dúvida que a vacinação é uma das armas mais poderosas para a prevenção de doenças da saúde pública, ou seja, não só num indivíduo, numa pessoa, mas na saúde pública. E realmente diz-se que pelas vacinas é possível prevenir mais de 30 doenças ou infecções que podem acontecer no ser humano. E desde 1974, isto são dados da Organização Mundial de Saúde, as vacinas já salvaram mais de 150 milhões de pessoas, o equivalente a seis vidas por minuto nos últimos 50 anos. Ou seja, além de salvarem as pessoas e delas não morrerem, se calhar muitos de nós que vivemos nesta geração, até eu como médica de família, nunca vi nenhuma destas doenças que as vacinas realmente previnem numa pessoa.

E é isto que realmente é importante salientar, é que nós estamos a salvar vidas. É uma forma de prevenção, uma ferramenta excelente. Aliás, usamos muitas vezes a expressão para determinadas doenças de que essa determinada doença está extinta, exatamente graças àquilo que foi o resultado da vacinação a nível local ou global. Então vamos lá à vacina em si mesmo. O que é que é a vacina? A vacina essencialmente é um preparado. baseado no antigênio. Já fizemos aqui um programa ou dois sobre o sistema imunitário. E o nosso sistema imunitário tem formas de reagir de formas diferentes com tudo o que é estranho. Existem aquelas células que literalmente engolem ou comem tudo que é estranho.

Existem aquelas que enviam produtos químicos para destruir o invasor. Existem aquelas que produzem ferramentas específicas para antigénios que são a parte estranhas de invasores específicos. São chamados anticorpos. No fundo, A vacina é pegar no antigênio de uma determinada doença, de um vírus, de uma bactéria, e introduzi-lo de uma forma, claro que o objetivo não é produzir a doença, mas que vai estimular o nosso sistema imunitário a produzir. vai introduzir algo estranho que não provoca a doença, porque realmente ele vai estimular o nosso sistema imunitário a produzir os anticorpos específicos para aquela doença.

Ou seja, o grande objetivo é que nós, desde pequenos, nós sabemos que a grande quantidade de vacinas é administrada na infância e na primeira infância, até aos 18 meses, Depois falamos numa outra altura como é que é o nosso Programa Nacional de Vacinação, mas essencialmente é, desde pequenos, estimular o nosso sistema imunitário a produzir anticorpos específicos para doenças específicas. Ou seja, se por alguma razão o nosso corpo vier a ter contacto com esses invasores, já tem ferramentas e nós não vamos sentir nada, nem que tivemos em contacto com esse invasor, vírus ou bactéria, ou vamos ter uma forma de doença muito mais ligeira. Porquê? Porque o nosso sistema imunitário é incrível e guarda na memória, ficam lá guardados, aquelas ferramentas específicas para aqueles invasores específicos.

Algumas vacinas é para o resto da vida, algumas é preciso ir fazendo reforços ao longo da vida do indivíduo. Estes antigénios, por assim dizer, ou seja, pequenas proteínas, partes de microorganismos, podem ser de vírus, de bactérias, e podem ser mortos ou vivos atenuados. Existem vários tipos de vacina. E claro que o grande objetivo é que este antigénio, substância estranha, seja imunogénico, ou seja, que estimule o sistema imunitário e não provoque a doença. Esse é o grande objetivo. E essencialmente, de uma forma simples, é isto que são as vacinas.

Regras e produção

A pergunta que pode estar na cabeça de muitas pessoas é esse tal preparado que tu dizes, como é que nós sabemos que esse preparado é fidedigno, é realmente aquilo para o que é esperado e mais como é que a Organização Mundial de Saúde determina, ok, este preparado é considerado uma vacina que pode ser distribuída mundialmente? Para a produção de vacinas existem regras muito estritas e que têm que ser seguidas rigorosamente. Além do antigênio, as próprias vacinas têm que ter um produto que veicule o antigênio, ou seja, o que é introduzido na inoculação não é só o antigênio. Pode ter proteínas do ovo, pode ter outras substâncias para formar, por assim dizer, o líquido que é introduzido.

E tudo isso está especificado na sua composição. Para produzir as vacinas pode ser através do enfraquecimento do microorganismo, o tal vivo atenuado, através de culturas sucessivas que são feitas. Isto acontece para a vacina, por exemplo, do sarampo, da rubéola e da papeira. Pode ser o enfraquecimento de uma toxina, uma substância química tóxica para o nosso organismo, que esse micro-organismo produz. Pode ser, por exemplo, a vacina do tétano. É assim que é produzida. Pode ser por extração de partes desse micro-organismo que vai desencadear o sistema imunitário. Por exemplo, a vacina para amningite C. E, em alguns casos, Felizmente, cada vez mais, nós temos na mesma vacina antigénios de vários microorganismos.

Temos vacinas combinadas, por assim dizer, como é o caso da vacina que tem da difetria tetanitose convulsa, tripla, numa só. E para serem autorizadas a produção destas vacinas, isto é um processo que dura anos, sempre, em várias fases. Na fase inicial, a investigação é feita em laboratório e com animais. Depois temos a fase de ensaio em humanos, que são escolhidas pessoas, normalmente são voluntários. Esses grupos de pessoas em fases sucessivas vão sendo cada vez maiores. em que realmente vão ser-lhe inoculada a vacina e vai-se avaliando ao longo do tempo dois aspectos importantes. A eficácia da vacina ao longo do tempo e as reações adversas que podem vir da administração dessa vacina.

E depois, ainda da introdução da vacina quando ela é autorizada na comunidade, continua em estudo. Estes dois aspectos, a sua eficácia no aparecimento da doença ou não e quanto tempo, e realmente o aparecimento ou não de reações adversas e quais as reações adversas. Eu diria que continua em estudo e eu diria há de eterno, enquanto ela está no mercado, ela continua sempre em estudo. Sempre. Nós somos incentivados e as pessoas também, nós profissionais de saúde e as pessoas em geral, a reportarem tudo o que é reações adversas. É muito importante, assim como dos medicamentos, também das vacinas, se surgirem realmente reações adversas fora do comum, porque existem aquelas que já são comuns, por assim dizer, mais frequentes após a administração de qualquer vacina, elas devem ser reportadas para exatamente saber a informação.

Quer as comuns, quer as incomuns, estão tipificadas na esmagadora maioria. Sim, sim, sim. Muito bem. Vou fazer então a pergunta que nos leva no início de hoje, sendo que nos teus comentários fica subjacente já uma resposta, mas mesmo assim é meu dever fazer-te a pergunta. Então devemos ou não sujeitar-nos à vacinação? Devemos. As vacinas são importantes para evitar as doenças e as mortes. Só para dar um bocadinho a ideia, neste momento no mundo e também no nosso país, em Portugal, a principal causa de morte são as doenças cardiovasculares, logo seguido das doenças cancerígenas, o cancro. Mas há uns anos atrás, e diria dizer talvez no início do século XX, não era assim.

As doenças infetocontagiosas eram a principal causa de morte e doença no mundo. E isto mudou drasticamente com a introdução das vacinas. sobretudo na infância. Muitas crianças morriam por estas doenças que hoje são preveníveis através da vacinação. E a vacinação, além de ser entendida como um direito, deve ser entendida como um dever dos cidadãos para a sua saúde individual e para a protecção dos outros. É dito que até é um ato de cidadania, porque ao protegermos a nós, dado que elas são doenças contagiosas, estamos a proteger todos aqueles com quem entramos em contacto, não é? Não só a nossa família direta, mas aqueles com quem trabalhamos ou com quem estudamos. Tanto que normalmente, claro que é aconselhado, não é obrigatório, as pessoas podem recusar a vacinação e as pessoas que o recusem, seja qualquer vacina, há pessoas que recusam qualquer tipo de vacina, ou que recusem um tipo específico de vacina, por exemplo, inserindo o Programa Nacional de Vacinação, devem realmente, preferencialmente, assinar um documento em como assumem essa responsabilidade e que recusam a vacinação estão no seu direito, mas como profissional de saúde tenho que aconselhar realmente que é o melhor para essa pessoa, para cada um de nós e para toda a população, para a saúde pública em geral.

Sendo que, ultimamente, é verdade que cada vez mais temos ouvido alguns discursos anti-vacinas, chamemos-lhe assim, mas por detrás disto está a história do Covid-19, que todos nós ainda temos bastante presente e, normalmente, numa situação como aquela que nós vivemos, Tudo era novidade. A própria doença alarmante, a forma como ela se tornou uma pandemia de uma forma tão rápida, a vacinação ser muito rápida... Ou seja, haver dúvidas numa circunstância como aquela eu diria que até é normal. Também é um ato de responsabilidade, não é? Ou seja, tudo muito novo, de repente aparecem aqui duas ou três vacinas, mas qual é a diferença entre elas? Ou seja, esse processo, essa desconfiança é natural e deve haver procura no médico, procura de informação.

Também não temos medo de termos dúvidas. Sim, sim. Supostas coisas como estas. Mas é por isso que estão médicos também, enfim, por detrás disso. O problema é que mesmo dentro da classe médica vimos dúvidas e vimos discursos contraditórios. O que é normal, diria eu, desculpa se tivesse uma opinião diferente, trazer também para a praça pública mais dúvida ainda. Mas foram momentos muito específicos. Outra coisa é olharmos para as vacinas que têm anos de história, que já falaram por si só, não é? É verdade. Como tu disseste, o contexto da pandemia da Covid-19 foi um contexto específico de pandemia. As vacinas, como já aqui explicámos, a sua produção demora anos a serem estudadas e introduzidas na população em geral.

Durante uma pandemia nós não tivemos anos para o fazer. Elas tiveram que ser introduzidas em poucos meses. Não há dúvida que os números demonstram que elas salvaram vidas. Não há dúvida realmente que algumas pessoas faleceram com alguns efeitos secundários porque tinham outros problemas de saúde, seja eles obesidade, risco cardiovascular, que poderia dar esses problemas. Mas não podemos esquecer que o vírus que provocou essa pandemia, o SARS-CoV-2, já estava a ser estudado uma vacina para ele antes de surgir como pandemia. E a partir do momento em que entra uma pandemia, os laboratórios tiveram que saltar etapas, por assim dizer, ou que fazê-las de forma mais rápida. Mas também partilharam informação. Sempre. Nesse aspecto também houve uma mais-valia que normalmente também não há, que é todo mundo estar a olhar para o mesmo produto ao mesmo tempo, não é?

Eu acredito nisso. Aliás, eu tenho essa noção que em todo o mundo nunca houve tanta informação acerca do que estava a passar, acerca do que aconteceu com a pandemia da Covid-19. E nós, ao longo de toda essa fase que nós vivemos, esses dois, três anos, as próprias regras foram mudando-se, não sei se lembram, em termos de isolamento, em termos de período de contágio. Porquê? Porque cada vez íamos conhecendo mais o vírus e, por outro lado, importantíssimo, cada vez mais era maior o número de pessoas que estavam imunizadas, estavam vacinadas. Ou seja, foi um período específico, mas não há dúvida que todos nós fomos informados de tudo. Agora, as vacinas que atualmente estão disponíveis, como tu disseste, muitas delas existem há anos e as que estão a ser introduzidas agora mais recentes também já estão preparadas ou estudadas há anos e são introduzidas na sua fase já de maior segurança realmente para a população.

Vamos querer saber agora como é que funcionam as vacinas para percebermos então melhor a relevância de cada uma delas. Mas antes disso, vamos fazer um pequenino intervalo, é mesmo muito pequenino. Voltamos já para a segunda parte e com uma oferta muito especial para si. Até já! TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para trazer a segunda parte do nosso Médico de Família de hoje e, como prometi, temos este guia de estudo, esta revista, A Máquina Humana, para lhe oferecer um guia muito completo que traz vários aspectos para trazer um estilo de vida mais saudável, desde o descanso, a alimentação, o exercício físico, Tem muitas coisas práticas como preparar, por exemplo, alimentos de forma saudável, a melhor forma de ter um bom descanso e por aí fora.

E o melhor de tudo é que é totalmente gratuita. Vai encontrar também aqui alguns textos bíblicos que mostram como Deus tem um cuidado fantástico com esta máquina. que ele mesmo criou a que nós chamamos Máquina Humana. É totalmente gratuita, basta enviar-nos uma mensagem a dizer Máquina Humana, que é o título da revista, e depois entraremos a contacto consigo para lhe fazer chegar gratuitamente a sua casa pelo correio. O número de telefone para o qual deve enviar a mensagem é o 933 939291. Voltamos então à nossa conversa e ficou por falar para a segunda parte como é que as vacinas funcionam no nosso organismo.

Funcionamento e durabilidade

Já disseste aí um lá mirézinho, mas explica-nos de uma forma mais profunda, mesmo que ligeira no contexto do programa, mas como é que a vacina funciona? Ou seja, no momento da administração do tal antigênio, o nosso corpo vai ser estimulado a produzir os anticorpos. Aquilo demora uns dias, umas semanas, e se por alguma razão nós tivermos contato novamente com aquele antigênio, fazendo aquela proteína parte de um vírus ou de uma bactéria, esses anticorpos, essa memória já está ali guardada, vão produzir, os globos brancos vão produzir mais anticorpos, se tiverem de serem invadidos, cópias daqueles, para eliminar o invasor. E mesmo que tenhamos a doença, é de uma forma muito mais atonada.

Claro que temos que pensar sempre riscos e benefícios e não há dúvida que a vacinação compensa muito, mesmo pensássemos só na parte económica. Os gastos que temos com vacinas, as vacinas são caras, os gastos que o Sistema Nacional de Saúde tem com as vacinas compensam muito a morbilidade e a mortalidade que teria se as pessoas não fossem vacinadas. E o tratamento de doenças mais graves, em contexto hospitalar? E para as pessoas em si, o custo que tem uma vacina, a maior parte delas são gratuitas, não é? Mas a dor, aquele mal-estar durante uns dias compensa muito a saúde da pessoa do que se ela tivesse essas doenças que aquela vacina vai prevenir e que muitas delas são realmente mortais, não é?

Sendo que algumas vacinas parecem que duram para a vida toda, outras temos que tomar, quando somos muito novos, a meio ali tomamos mais uma outra dose e está resolvido, outras têm um prazo muito mais curto. Porquê é que acontece esta variabilidade, enfim, diria, da durabilidade das vacinas? tem a ver com o micro-organismo específico, por um lado, por outro lado com o tipo de antigénio que é introduzido e o tipo de anticorpos que são produzidos. Por outro lado, é assim, quando nós somos vacinados, imaginemos que hoje eu sou vacinada por uma determinada doença, será que amanhã eu posso apanhar a doença? Ainda posso. que ainda demora cerca de duas, três semanas, realmente, a produzir os anticorpos em quantidade suficiente para eu ser imune àquela doença.

Mas, mesmo que seja uma vacina que tenha que ser reforçada, em nome do reforço, é daí, depende, 28 dias, 2 meses, 4 meses, mesmo que eu tenha a doença já vai ser de uma forma muito mais ligeira do que se eu não tivesse levado essa dose. Relativamente ao reforço, àquelas vacinas que temos que ir reforçando ao longo da vida, àquelas que ficamos imunes para o resto da vida. Há outras realmente que temos que levar mais vezes. Porquê? Porque os próprios vírus vão-se modificando. assistir-vos mais comuns de época para época. Estou-me a lembrar, por exemplo, da vacina da gripe ou da vacina da Covid-19, atualmente disponibilizadas em Portugal, anualmente, porque cada ano a vacina é programada, é feita, elaborada, mediante a estimativa de assistir-vos que vão ser mais frequentes nessa época gripal, do outono-inverno desse ano.

Por isso é que realmente as vacinas podem mudar o intervalo entre elas, umas uma dose, outras várias, mas realmente cada uma tem a sua especificidade e está programado tudo para ser administrado no tempo certo. Mas mesmo, por exemplo, deste como exemplo, a vacinação da gripe. A vacina da gripe, mesmo sendo uma vacina anual, enfim, diria que aquilo que é o seu componente tem a ver, enfim, com o supostamente o vírus mais comum nessa época, tem uma duração. Ou seja, elas não duram muitos meses, tanto que o período de vacinação, dentro do Programa Nacional de Vacinação, é determinada a altura ideal para a vacinação, porque também é onde, supostamente, o vírus seria mais ativo. Mas tem um limite, tanto que muitas vezes somos aconselhados a não fazer a vacina muito cedo, para ela estar ativa no período de maior exposição.

Por que é que isso acontece? A questão é que normalmente é aconselhado no início do outono para se produzir a imunidade para essa altura, porque é quando surge o pico, normalmente, da gripe, por volta de dezembro, de janeiro. Mas as pessoas estão imunes para essa estirpe. Continuam a estar imunes para essa estirpe. A questão é só por causa do pico, é só isso. No ano seguinte as pessoas são aconselhadas a vacinar-se novamente porque a estirpe é outra, é só isso! Correcto, exatamente. Mantém-se imunes às estirpes do ano anterior. No fundo, é cada ano o vírus adapta-se. E nós temos que nos adaptar. E qual o intervalo recomendado entre vacinas? Isto depende do tipo de vacina. Se é uma vacina de um micro-organismo morto ou atonoado. Mas, normalmente, pelo menos 3 semanas.

Algumas têm que ser 28 dias entre doses. Vacinas diferentes. Estamos a falar de vacinas diferentes. Muitas delas podem ser demonstradas no mesmo dia. Por isso é que temos as chamadas vacinas combinadas. E o momento da vacinação também é muito importante, porque para que ela esteja no seu pico, diria, da efetividade. Por exemplo, na consulta do viajante, pessoas que vão fazer vacinas quando vão para determinados países, tem que ter alguns meses antes. E tem que se respeitar as datas para que ela possa estar, diria, no epílogo, enfim, do seu efeito, se chamemos assim. Nessas vacinas muito específicas, o grande problema é que muitas delas as pessoas têm que levar várias doses. Por isso é que se aconselha as pessoas a programarem as viagens, sobretudo para África e Ásia, América do Sul, alguns países, com alguma antecedência, porque

Segurança e efeitos adversos

essas vacinas, algumas delas, requerem mais que uma dose e têm que ter intervalos mínimos entre elas. É só por isso. Muito bem. São seguras as vacinas? Porque tu próprio já mencionaste que sabemos que há efeitos adversos nas vacinas, mas podemos considerá-las seguras? São consideradas seguras, eficazes e com grande qualidade. Claro que, como eu estou a dizer, existem anos de experiência na vacinação, desde que surgiu no mundo inteiro, e milhões de vacinas administradas. Por isso é que nós aconselhamos todas as crianças e adultos a cumprir realmente os esquemas de vacinação, mas nenhuma vacina está livre de efeitos adversos. Ou até mesmo de contraindicações, porque em alguns casos são mesmo contraindicadas. Dependendo da fase da vida das pessoas.

Por exemplo, algumas estão contraindicadas na grávida. Se uma pessoa for alérgica às proteínas do ovo, algumas delas não podem ser inoculadas com elas. E não podemos esquecer nunca que o risco de complicações graves é muito maior do que essas reações adversas. Mas sendo que, desculpe-me por ter interrompido, esse é um problema que nós encontramos num comprimido. Sim. Ou seja... Até não simos paracetamol. Exatamente, não é? Se nós formos ler a bula do paracetamolo, assustamos. Então de um burofeno, então, nem falta. É riscos-benefícios, sempre, não é? E as reações adversas das vacinas, quase todas as pessoas a conhecem as mais comuns. É o inchaço no braço, no local da administração, que nos adultos é quase sempre. no braço, nas crianças bebês até um ano, é só nas coxas, normalmente é nos músculos de maior massa, ficar vermelho, ficar inchado, até provocar um nódulo, pode surgir febre, dores musculares, cansaço, tudo isto é comum com as vacinas em geral.

E também existem normalmente conselhos que os próprios enfermeiros dão aos familiares das crianças ou aos adultos após a amistração. Pode ficar inchado, colocar gelo por cima de uma peça de roupa, não diretamente, várias vezes ao dia, se tiver febre ou dores, tomar um paracetamol, que pode fazer 1 grama de 8 em 8 horas, se for um adulto. Sendo que, quando é administrada uma determinada vacina, normalmente até no programa que está inserida, se é infantil, se é depois no adulto, o médico-família tem a responsabilidade, e normalmente acontece, de avisar precisamente das situações adversas mais comuns e até às vezes das menos comuns. No entanto, a informação da medicação em geral e também das vacinas estão disponíveis para todos nós podermos ler.

Estarmos informados dos efeitos adversos que podem surgir é meio caminho andado para quando surgir alguma coisa sabermos que devemos ir ao médico de família. Só que dá uma sensação, e por isso te faço a pergunta direta, pela tua prática clínica que é? Dá-me a sensação que muitas vezes as pessoas não são informadas, ou seja, nem as bolas da medicação que tomam lêem para estarem informadas, mas depois vão ao Google ouvir todas as opiniões que o Dr. Google tem para oferecer. Tu sentes isso? Que apesar de termos uma população cada vez com maior literacia, as pessoas ainda parecem que têm pouco interesse em saberem, se aparece uma doença grave, vão querer saber tudo sobre a doença. Mas se tomam medicamento, há ali uma espécie de, por um lado, confiança absoluta no médico e não procuram saber.

É sim, pela minha experiência das vacinas, as vacinas numa unidade de saúde são demonstradas pela equipa de enfermagem. Eu já assisti várias vezes, trabalho em equipa com enfermagem, elas sempre dizem os efeitos que podem surgir da vacina, sempre. Aliás, normalmente a pessoa não sai da unidade de saúde logo após a administração, tem que ficar pelo menos ali 15 a 30 minutos para ver se tem uma reação aguda à administração da vacina. E elas dizem sempre o que fazer e que reações adversas são expectáveis. E não me esqueço, que costumo assistir realmente às consultas, sobretudo de saúde infantil, em que existem vacinas que podem dar efeitos até mais prolongados, como a vacina do sarampo, rubel e papeira, que realmente pode dar febre durante mais dias do que um a três dias. E normalmente a equipa sempre reforça essa informação. De qualquer forma, tudo aquilo que nós estamos aqui a dizer, ainda muito mais, está no próprio site online da Direção-Geral de Saúde sobre Vacinação.

E tudo isto está muito especificado e de uma linguagem muito clara e quem tiver dúvidas pode realmente consultar. Chegamos ao fim do nosso programa. Ainda gostaria de ter falado sobre o Plano Nacional de Vacinação, ou, enfim, mais corretamente, o Programa Nacional de Vacinação. Mas fica prometido, então, se tu estiver disponível para isso, num próximo programa, falarmos sobre este assunto. Pode ser? Pode, pode. Foi um prazer estar na sua companhia. O nosso programa de hoje chega ao fim. Espero que tenha sido esclarecedor. Se já teve dúvidas, gostaria de fazer alguma questão ou fazer algum comentário, não hesite. Entre em contacto connosco através das nossas redes sociais e teremos todo o gosto, quem sabe num futuro próximo programa poder responder à sua questão. Antes de fechar o programa, dizer-lhe e lembrar a oferta do Guia de Estudo à Máquina Humana, um guia de estudo fantástico preparado por especialistas para que possa ter um estilo de vida mais saudável, cheio de dicas, todas elas muito práticas e o melhor, é que é mesmo totalmente gratuito.

Basta enviar uma mensagem para o 933 939 291 a dizer MÁQUINA HUMANA. O nosso programa chega ao fim. Apenas dizer-lhe que ele está disponível em podcast em Radio RSS.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Mais uma vez, um grande abraço. Marcamos encontro para o próximo médico de família. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Vacinas: como funcionam, porque são importantes e até que ponto são seguras? Um episódio para esclarecer dúvidas com informação clara.

Neste episódio de Médico de Família, falamos sobre vacinação e o papel das vacinas na prevenção de doenças. Percebemos como o sistema imunitário reage, o que são antigénios e anticorpos e porque algumas vacinas protegem durante muitos anos enquanto outras precisam de reforços.

Falamos também sobre segurança, eficácia, efeitos adversos, contraindicações e o rigoroso processo de estudo e acompanhamento das vacinas. A conversa aborda ainda as dúvidas que cresceram durante a pandemia de Covid-19 e a importância de procurar informação credível junto dos profissionais de saúde.

Ao longo do programa, conheça também a oferta gratuita do guia de estudo A Máquina Humana, com sugestões práticas para um estilo de vida mais saudável.

Que dúvidas tem sobre vacinas ou vacinação? Deixe a sua pergunta nos comentários e partilhe este episódio com alguém a quem esta informação possa ser útil.

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Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 67
Estreou
09 de Setembro de 2026
Categoria
Saúde
Convidados
Cláudia Neves