Estamos de volta para lhe trazer mais um médico de família. Hoje volto a estar na companhia da doutora Diana Lascas para falar sobre AVC, o Acidente Vascular Cerebral, que é uma das principais causas de morte, não só no nosso país, mas também no mundo, e por isso convém sabermos tudo a respeito para estarmos precavidos. Quero mais uma vez agradecer-te, Diana, pela disponibilidade e pela oportunidade de estares aqui conosco. Bem-vinda. Muito gosto em estar aqui mais uma vez. Muitas vezes ouvimos já falar da AVC, mas sentimos que, apesar do muito que ouvimos falar, nem sempre estamos preparados e atentos aos pormenores para nos precavermos. E, sobretudo, ter aquela, eu diria, atitude proativa e rápida para tentar ser o mais eficaz possível quando ele chega.
Por isso, Diana, queremos-te agradecer muito por trazeres este assunto e começamos lá atrás, lá no princípio, para nos falares um pouquinho do AVC e da prevalência, porque infelizmente é muito comum, não é? É muito comum. É uma das principais casas de morte e de incapacidade em Portugal. E apesar dos avanços que têm havido, é muito importante porque a maior parte das situações é preciso que a pessoa chegue rápido ao hospital. Há muitos avanços no tratamento, mas às vezes perde-se a janela terapêutica. As pessoas têm que ser tratadas naquelas primeiras horas. E faz toda a diferença se a pessoa chegar o mais rapidamente possível até nós. Para falar então da prevalência, o Instituto Nacional de Estatística diz que as duas principais causas de morte são as doenças do aparelho circulatório, as doenças cardiovasculares e o cancro.
Nas doenças cardiovasculares está o AVC, está o infarto, agudo miocárdio, o ataque cardíaco, como se diz muito na gíria, a insuficiência cardíaca e outras doenças mais relacionadas com o coração e os vasos. Portanto, elas todas em conjunto são uma fatia muito grande das causas de morte em Portugal e especificamente o AVC é responsável por cerca de 9 mil mortes por ano, sendo 7,6% de todas as mortes no país. Portanto, se pensarmos em milhares de doenças que existem, mais os acidentes e tudo o que pode acontecer a uma pessoa para lhe tirar a vida, quase 10% ser causado pelas doenças cardiovasculares é muito importante.
Sendo que, aparentemente, o câncer é aquele que mais assusta. Eu até diria, pelo desgaste que traz, não só na própria pessoa, na família, o que muitas vezes nos leva a crer que o mau da fita é o câncer. Continua a ter e, infelizmente, continua a ser um flagelo no mundo inteiro. Mas, realmente, as doenças cardiovasculars estão no topo. O cancro está em segundo lugar, não é? E realmente, nesse aspecto sim, o cancro é capaz de ser mais impactante porque tira mais qualidade de vida. Sendo que as doenças cardiovasculares algumas também tiram bastante qualidade de vida. Mas choca sempre mais e as pessoas são um bocado mais abertas à realidade do cancro e não tanto às doenças cardiovasculares.
e no câncer obviamente que falamos de muitos tipos, mas os que estão assim no top 3 é o câncer do intestino, o colarretal, e depois se virmos na mulher é o câncer da mama, no homem o câncer da próstata. Portanto, são temas realmente muito falados, doenças que as pessoas já ouvem falar muito e que se calhar é aquele grupo de doenças que as pessoas mais temem, Mas, na verdade, quem ganha são as doenças cardiovasculares. Infelizmente. Então, explica-nos lá o que é e quando acontece, mesmo que seja de uma forma
muito genérica. Então, o que é um AVC? AVC, as pessoas conhecem a sigla. Muitas até já vão conhecendo o que significa AVC. Como disseste bem, Acidente Vascular Cerebral. E basicamente é quando o cérebro, ou uma parte do cérebro, deixa de receber sangue suficiente. O sangue é extremamente importante porque transporta oxigênio, transporta nutrientes, transporta a glicose, o açúcar, que é extremamente importante para o seu funcionamento. E, portanto, quando o sangue não chega lá, começa a entrar em sofrimento. porque não tem oxigênio para respirar, não tem glicose para funcionar, não tem os nutrientes todos que precisa. Portanto, de uma forma geral, é falta de sangue numa parte do cérebro.
E porquê que este transporte fica interrompido? Pode ser de duas formas, ou seja, há dois grandes tipos de AVC, que é o AVC isquémico, que é quando o vaso continua íntegro, mas por alguma razão em topo. Esse é o mais frequente até, não é? Acaba por ser o mais frequente, sim. Cerca de 80, 85% dos casos, portanto, é a grande fatia dos AVCs. É o AVC isquémico. É quando a artéria fica bloqueada, geralmente, por um coágulo ou uma placa de troma que estava num outro sítio e liberta um bocadinho e os vasos do cérebro, como são extremamente pequeninos, fininhos, qualquer coisa que vá lá ter, que não seja o sangue afluído, pode entupir.
Fica entupido, o sangue não passa daí para lá, aquele tecido todo fica em sofrimento. O outro tipo é o hemorrágico, que é quando um vaso, por alguma razão, rebenta, e causa hemorragia naquela zona. Para além do próprio sangue ser oxidante e, portanto, vai fazer mal diretamente nos tecidos, por isso é que o sangue é transportado dentro de vasos, porque não pode estar em contato direto com a maior parte dos tecidos, para além do dano que causa diretamente, aquele vaso, que era contínuo até um determinado ponto, fica interrompido ali. Portanto, tudo o resto também acaba por entrar em sofrimento indiretamente. diferentes, mas e muito iguais, ou seja, muito perigosos e de intervenção imediata, não é?
Claro, porque o cérebro é o nosso controle, não é? Controla tudo, controla a fala, os movimentos, a nossa visão, os sentidos todos, o equilíbrio, conseguirmos estar de pé, a nossa capacidade, as nossas atitudes, até capacidade de comer, de respirar, tudo, tudo é controlado por cérebro. Portanto, nós podemos imaginar que quando uma determinada parte entra em sofrimento e aquelas células deixam de conseguir funcionar normalmente, o que aquela parte comandava vai ficar afetado. Portanto, dependendo da zona onde ocorre o sofrimento do cérebro, onde ocorre o AVC, a pessoa pode ficar, e aí os sinais típicos que as pessoas já conhecem, ficar sem mexer um dos braços, ou ficar com dificuldades na fala, ficar com a boca um bocadinho mais ao lado, perder a capacidade de ver, e às vezes, infelizmente, chega ao ponto até de ficar dependente, quando são, às vezes, mais abrangentes.
Quando são agressivos, sim, claro. Aí a pessoa pode mesmo não ter capacidade de continuar com as suas atividades de vida diária. A pergunta agora é quase a pergunta que nos leva ao programa de hoje, que é o mais importante. Visto que é necessário termos uma intervenção rápida, e quanto mais rápida, melhor a eficácia de tratamento, ou pelo menos de evitar até problemas maiores,
como reconhecer, quais são aqueles principais sinais a que devemos estar atentos? Em inglês até existe uma sigla, que nós não conseguimos arranjar muito para a nossa língua, que é fast. Fast em inglês significa rápido, velocidade. E eles usam esta mnemónica para alertar muito a população e as pessoas se lembrarem do que é importante no AVC. Portanto, fast significa o F, significa face. Portanto, olharmos para a cara, se a boca fica torta, se fica masquida, às vezes o olho um bocadinho masquido, se há alguma alteração da mímica da face, dos músculos da face. O A é, em inglês, arms, que é braços.
Portanto, a força muscular, a força do braço, do pé, da perna. A pessoa, de repente, levanta-se e perde o controle, percebeu que não tem o controle de uma das pernas. Isto é o segundo. E depois temos o S. que em inglês é speech, em português a fala. Se a pessoa de repente começa a ter um discurso completamente desconexo, ou nós fazemos uma pergunta e a pessoa quer responder mas não consegue, ou nem percebemos o que a pessoa quer dizer, sai só em sons, e percebemos que a pessoa está a entender o que nós perguntamos mas depois não consegue formular uma resposta. Portanto, há algum problema da fala.
E depois o T, que é Time, em português Tempo. Aí é essencial o tempo. Se detectarmos qualquer um destes problemas, é rapidamente... Eles não têm que encontrar os três em conjunto? Não, não têm que. Qualquer um deles? Qualquer um deles. E o mais importante é o tempo. Portanto, ativar logo os serviços de emergência e assim conseguirem chegar no tempo devido. Existem AVCs que não se comportam desta forma tão típica. E alguns com alguns sinais mais ligeiros. Exatamente. Às vezes, por exemplo, para dar um exemplo prático, eu já cheguei em serviço de urgência a atender um senhor que ele não estava a conseguir ligar o seu escantador.
Uma coisa que ele fazia todos os dias, ele estava de pé a falar com a mulher e ele não conseguia, não tinha força na mão E era só naquela mão. E ele disse, alguma coisa se está a passar, leva-me às urgências. E o senhor estava a ter um AVC. Portanto, às vezes pequenas alterações que a pessoa, mais do que ninguém, conhece o seu corpo e conhece a capacidade que tem, perceber que é uma coisa súbita e que não é o que conseguia fazer habitual. Ajuda-me porque tenho noção que às vezes essa noção de ser súbito é relevante. Ou seja, se há uma alteração no meu corpo, no meu comportamento que é súbita, já deve ser um sinal de alerta muito grande. Mas pode ser questões de visão, não é?
Eu posso ficar ali com uma tontura, uma visão específica, uma distorção na visão, alguma perda de visão, alguns tremores, ou seja, basta haver ali uma alteração de comportamento, pode até não ser AVC, mas deve acender uma luzinha vermelha, não é? Sim, sem dúvida. Tudo o que é muito súbito geralmente é algo para valorizar mais, não é? É diferente, e agora pegando no exemplo da visão, uma pessoa que ao longo do tempo vai ficando com a visão cada vez mais envoada, vai conseguindo ver menos as letrinhas pequeninas, Isto são coisas mais crónicas, pode ser mesmo uma diminuição da acuidade visual, uma diminuição da capacidade de absorver, pode ser uma catarata, que é uma coisa mais incipiente, mais devagarinho. Agora, tudo o que é assim muito súbito realmente é de maior importância, geralmente, ou deve despertar para estarmos mais atentos a ver se aquilo está a ser acompanhado por alguma coisa.
porque mesmo as tonturas, a perda de conhecimento, ou seja, a pessoa desmaiar. Estas situações são sempre situações para recorrermos aos serviços de saúde, porque até pode não ser um AVC, mas pode ser alguma coisa também relacionada com o coração. Portanto, tudo que é muito súbito realmente é de relevância. E no AVC pode haver coisas que não sejam tão evidentes, por exemplo, A gente conhece bem o perder a força num braço, mas às vezes pode o braço ficar todo dremente, de repente. E é diferente de uma dremência que a gente começa a sentir nos dedos. Mas depois passou aquilo em segundos e depois na semana a seguir já chega ali à mão e diz-se tem que marcar aqui uma consulta para perceber o que é que se está aqui a passar.
Uma dermência, geralmente causada por um AVC, é uma dermência súbita e geralmente aí de um território maior. Isso também pode ser um sinal de alarme. São coisas que as pessoas não estão tão habituadas, como a boca descaída, os braços sem força, as pernas sem força. Nós precisamos fazer um bocadinho de intervalo, mas antes de ir para o intervalo, uma última pergunta, até porque quero deixar o mais importante para o intervalo, que é o que fazer perante estas suspeitas de AVC, que muitas vezes até podem acontecer alguns dos sintomas que estás a mencionar, mas como passam logo a seguir, as pessoas tendem a não valorizar, que é outra preocupação. Ok, passou, mas não significa que não deves ir, não é? Exatamente, e pode até não terem que se dirigir a um serviço de urgência, mas se sabem que o seu centro de saúde tem consulta aberta, de consulta do dia, de doença aguda, às vezes pode ser importante serem vistos na mesma, porque pode se tratar de um AIT, ou como muitas pessoas conhecem, um mini AVC, que é nada mais do que um acidente isquémico transitório, ou seja, houve ali qualquer coisinha que passou por um vaso, que por momentos entupiu e o cérebro ficou com falta de sangue, do oxigênio, mas de repente aquilo até não era assim tão grande e passou e o cérebro renova automaticamente o seu suprimento de oxigênio e nutrientes.
Portanto, às vezes pode ser uma falta de força num braço. Epá, estou sem força no braço e passado meia hora aquilo passa. Afinal não era nada. Não era nada, mas se calhar convém ir mesmo ao médico porque a pessoa pode estar a ter vários mini AVCs, AITs, que podem depois prever um AVC. Muito bem. Voltamos já a seguir, vamos fazer um pequenino intervalo, são apenas dois minutinhos e já a seguir vamos saber então o que fazer perante uma suspeita de AVC, mas também com uma oferta especial para si e digo já que é uma novidade. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
Estamos de volta para trazer a segunda parte do nosso Médico Família de hoje e como disse tenho uma oferta muito especial para si. Ao longo dos nossos programas normalmente trazemos-lhe sempre uma oferta, no caso de hoje é uma oferta diferente, que se relaciona também, claro está, com o corpo humano e com a saúde. A origem de tudo, de onde viemos, compreender com quem somos, de onde viemos, ajuda a compreender o cuidado que temos com cada um de nós. Este guia de estudo que tenho para lhe oferecer é da autoria de Michelson Borges, ele que é teólogo, mas também é jornalista, também com mestrado na área da ciência. Ele preparou este guia de estudo para cada um de vós, mas também tem uma particularidade que eu queria deixar para vocês hoje, que é um certificado Ou seja, com esta revista depois tem uns pequeninos questionários que vai fazendo e no final uma espécie de pequenino curso que pode fazer e com direito a um certificado, que é este que tenho aqui para lhe mostrar, que depois lhe é enviado após completar este guia de estudo.
E o melhor é que é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para 933 939291 e depois enviaremos gratuitamente este guia de estudo para a sua casa. O que tem que escrever na mensagem é a origem de tudo, para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere. Voltamos então à nossa conversa, Diana.
Eu diria que agora vamos para a parte mais importante, se me permites, que é, sim, já ouvimos falar do AVC, sim, já compreendemos o que é, sabemos que é algo que temos que estar atentos, mas o que fazer? Já vimos na primeira parte que o que não devemos fazer é ficar quietos, não é? Precisamente. Então, o que fazer? Logo o que fazer, sempre, sempre, não esperar para ver se passa, é ligar logo o 112. ligar logo, acionar logo a emergência médica, porque no esperar para ver se passa, podemos perder tempo precioso e nós sabemos que, infelizmente, às vezes também os serviços de emergência podem estar sobrecarregados e não dar uma resposta em poucos minutos, portanto, aí já podemos ter alguma perda de tempo, portanto, que não sejamos nós também a contribuir para esse tempo para aumentar.
Há uma suspeita de AVC, ligar logo o 112. 130 e meia hora passou, ótimo, falávamos no AIT, pode ter sido um AIT, mas está acionado, vai na mesma para o hospital e vai ser... Porque requerece na mesma de vigilância. Precisamente. Há algum destes sinais de alerta, ligar o 112. E quando ligar o 112, é muito importante ter a noção há quanto tempo é que começou. Porque é uma pergunta sempre que nós fazemos e eu compreendo que ninguém anda a olhar constantemente para o relógio e dizer, ai, estou agora a ficar sem força no braço, são 12h50. Mas é muito difícil porque para nós às vezes é muito importante, é um fator importante, e as pessoas dizem, ah, não sei, foi há um par de minutos ou foi há uma hora e sequer já foi há duas.
Eu percebo, ou ao contrário, até às vezes na aflição o tempo parece que passa rápido e afinal só passou um minuto. Portanto, é muito importante para nós. É porque algumas intervenções têm uma janela muito específica. Precisamente. Ou seja, se nós percebermos que para a equipe médica é importante perceber precisamente, ou pelo menos o mais próximo possível do início, então Já com esta informação em mente, nós percebemos, ok, isto não é apenas uma mera informalidade, isto é realmente importante e pode ter um impacto muito grande na intervenção que é feita. Claro, sem dúvida. Por isso é que eu gostaria mesmo de frisar esta questão das pessoas terem noção do tempo em que o pessoal, há quanto tempo é que estão com aquele sintoma.
E depois, acima de tudo, também manter a pessoa calma, olharmos para a pessoa dentro do possível, mas tentares não aumentar os níveis de ansiedade e de stress para quem está a passar por aquilo. Não tentares dar comida nem bebida. As pessoas acham que estás-te a sentir mal, bebe um bocadinho de água com açúcar. Não, é das poucas coisas que não devemos fazer mesmo porque a pessoa pode não ser capaz de engolir naquele momento, pode-se engasgar e ainda pioramos a situação e nós vimos que a capacidade de engolir era uma das coisas que podia estar afetada no AVC. Portanto, nestes casos, não tentar dar comida nem água. e nem medicação nenhuma que a pessoa tenha, a não ser que tenha pura indicação médica.
Se já algum médico disse, quando tiver a sentir tal coisa, toma este comprimido. Isso é uma indicação específica. Quando não houver, não dares qualquer medicação, porque, entretanto, os meios vão chegar e vão agir nesse sentido. Por falar em medicação, se estamos a ligar exatamente para o 112 e já estamos a tomar algum tipo de medicação ou até iniciámos algum tipo de medicação, é importante nós nos fazermos acompanhar até porque muitas vezes podem ocorrer sintomas de alguns medicamentos que estamos a tomar e isso pode ser de despista. E muitas vezes temos a tendência de correr logo para o telefone, para o 112 Mas está a tomar alguma coisa. Ah, eu tenho alguns comprimidinhos azuis ou uns amarelos ou uns verdes. Não se sabe muito bem o que é que é. Ou seja, com calma vamos pegar em toda a informação.
Porque todos os segundos contam. Andar depois atrás à procura de qual foi a medicação pode ser problema. Depois é pior. E é muito importante nós sabermos a medicação que as pessoas fazem. Porque no caso, por exemplo, como falava no início, um dos tipos de AVC é o hemorrágico. E se as pessoas já fazem medicação para o sangue, Às vezes aumenta mais o risco das pessoas terem um AVC hemorrágico versus um isquémico e aqui os tratamentos são completamente diferentes. Claro que se a causa é ter lá um coágulo, que é sangue coagulado, e no outro é estar a sangrar, já conseguimos prever que os tratamentos vão ser completamente opostos. E ainda só referir também um pequeno detalhe, que já me esquecia, de que o tempo é extremamente importante no qual as pessoas ligam para o 112 e serem específicos e conseguirem descrever o máximo possível os sintomas.
mais do que dizer, ah, eu acho que X pessoa está com, eu acho que aqui uma vizinha que está ao meu lado está com AVC. Não. Descrevam o que é que está a acontecer. Porque as pessoas que estão a atender o telefone e as pessoas que vão atender na emergência, a equipa da emergência médica chega lá ao local e depois também no serviço de urgências, nós somos todos treinados para tentar perceber e conseguir prever o que é que está a acontecer. Portanto, nós Se realmente percebemos que é uma suspeita de AVC, nós ativemos logo a via verde AVC, que é como nos carros. Via verde é a capacidade do carro passar sempre sem parar pela portagem. E nos hospitais isto existe. Existem as vias verdes, e uma delas é a da AVC, que faz com que a pessoa tenha mais rapidez depois no tratamento, nos exames.
Portanto, é uma suspeita de AVC, a pessoa tem direito, digamos, a passar à frente ou a passar pelas burocracias que às vezes os outros doentes precisam dispassar para minimizarmos ao máximo este tempo de espera. Outra, algo que me parece também importante, mas queria te ouvir, é muitas vezes as pessoas, porque sentem um sintoma ligeiro, um tremor na face, a boca fica meio ao lado, mas a pessoa sente-se capacitada para se meter no seu veículo e para ir para o hospital. E é um erro muito grande, não é? Porque há aquela circunstância que o quadro pode agravar em poucos minutos, ou seja, a pessoa pode ficar em problemas graves em caminho do hospital.
Precisamente. É preferível esperar um pouquinho mais pela ambulância, mas quando ela chegar já está com todo, ou seja, os profissionais e a própria ambulância têm o equipamento necessário para se o quadro se agravar a poder intervir, não é? Precisamente, precisamente. E mesmo que esteja acompanhado, e que pareça uma eternidade aquele tempo que nós esperamos que a ambulância chegue, mas depois é mais rápido da pessoa ser acompanhada até o local pela ambulância do que tentar ir pelo seu próprio pé. E depois, mesmo pelo caminho, os profissionais que estão na equipa de emergência já vão estando em contacto com a equipa do hospital, se necessário. Portanto, é muito importante sempre ligar o 112 versus a pessoa tentar ir pelo seu próprio pé, ou mesmo que seja alguém a levar essa pessoa, é sempre preferível ligar o 112 e esperar pela ambulância.
Os tratamentos são diversificados, mas faltamos apenas pouco mais de um minuto. Eu preferia que nós, se permitisse, Diana, falássemos de como evitar, porque
acho que é muito mais importante, até porque depois o tratamento é tão diferenciado e vai depender de cada caso, não é? Portanto, se me permitires, como é que podemos evitá-lo? Isto sendo uma doença vascular, cerebrovascular, os principais fatores de risco são as doenças vasculares. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo são os fatores de risco que são transversais a qualquer doença cerebrovascular. Portanto, tendo esses fatores de risco controlados é uma forma de nós conseguirmos prevenir ou pelo menos adiar se houver mesmo a ocorrência de um AVC. Claro que não é certo que se tivermos uma tensão controlada eu nunca vou ter um AVC.
Claro que isso não é certo, mas reduzem muito o seu risco. Portanto, isto são doenças que na maior parte das vezes são muito silenciosas, a hipertensão as pessoas não sentem nada, diabetes pouco ou nada sentem e colesterol então não sentem mesmo nada. Portanto, é muito importante terem as suas consultas regulares com o seu médico de família Muito bem. Então, vamos querer evitar, como não podia deixar de ser, queremos agradecer à Diana, voltamos a encontrarmos-nos num próximo programa. E claro, nós sabemos tudo, né? Caminhar, descansar, não exagerar no sal, entre muito mais. O estilo de vida é muito importante. E nós temos um guia de estudo para lhe oferecer. Este guia de estudo, neste programa Médico Família, é a primeira vez que lhe estamos a oferecer.
É a origem de tudo. Compreender quem somos, de onde viemos, é muito importante para sabermos também como cuidarmos de cada um de nós. É interessante, já tive a oportunidade no intervalo de lhe mostrar, que este guia de estudo tem também um certificado para quem o completar. É totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933-939291 e depois nós mesmos entraremos em contato consigo para lhe enviar gratuitamente para a sua casa. Ao longo do programa de hoje, a Diana trouxe muita informação, nós sabemos, mas pode ver e rever este programa e também ouvir aqui na rádio, quer no podcast em rádio rcs.pt, quer também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Quanto a si, quero enviar-lhe um grande abraço. Marcamos encontro no próximo Médico de Família porque aqui todos têm Médico de Família.
Até ao próximo programa, se Deus quiser.
Um AVC pode acontecer de forma súbita e cada minuto faz diferença. Sabe reconhecer os sinais de alerta? Neste episódio de Médico de Família, a Dra. Diana Lascas explica o que é um Acidente Vascular Cerebral, quais os seus principais tipos, como identificar sintomas e, acima de tudo, o que fazer perante uma suspeita.
Boca descaída, falta de força num braço ou numa perna, dificuldade em falar, alterações súbitas na visão, tonturas ou dormência inesperada podem ser sinais de alarme. Perante qualquer suspeita, não espere que passe: ligue imediatamente para o 112.
Neste programa vai descobrir: ✅ O que é um AVC isquémico e um AVC hemorrágico ✅ Porque o tempo é decisivo no tratamento ✅ Como reconhecer os sinais de alerta através da regra FAST ✅ O que deve — e não deve — fazer enquanto espera pela emergência médica ✅ Porque não deve conduzir até ao hospital numa situação de suspeita de AVC ✅ Como prevenir o AVC através do controlo da tensão arterial, diabetes, colesterol, tabagismo e estilo de vida
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