É um prazer estar de volta, estar na sua companhia, agradecendo todos aqueles que nos escutam através da rádio e também que nos veem através da Novo Tempo, no canal 186 da Mel. Hoje volto a ter o prazer de estar à conversa com o Dr. Viriato Ferreira. Dr. Viriato, mais uma vez, bem-vindo. Muito obrigado, Daniel. O Dr. Viriato escolheu para falar no programa de hoje, eu diria, um tema difícil. Continua a ser cada vez mais pertinente. mas também muito aberto. Vou até ler para não me enganar. Porque penso como penso, sinto o que sinto, uma viagem na história dos pensamentos e emoções. A minha primeira pergunta é... Por que escolheu este título? Daniel, uma boa pergunta.
Eu nunca imaginei que um dia, na minha carreira profissional, eu estaria tão interessado na mente, na mente humana, no funcionamento da mente. e como médico tem uma base fisiológica anatômica, portanto, que os psicólogos na maior parte dos casos não têm, o que é talvez uma vantagem em perceber a química do cérebro, a fisiologia do cérebro. Então, o que é que aconteceu? Bem, eu formei-me no estrangeiro, trabalhei no estrangeiro há muitos anos, e há 22, 23 anos vim para Portugal para fazer um projeto de medicina preventiva e estilos de vida. Isto é, a importância que tem o estilo de vida da pessoa na prevenção e no tratamento da doença.
Exercício, alimentação, controle de stress, etc. Portanto, a importância que isto tem na saúde. Então, o que é que eu decidi? Naquela altura, dei como minha primeira... consulta duas horas aos meus pacientes. Eles ficavam surpreendidos, o médico avisava-me, portanto, o médico vai estar duas horas consigo, porque eu queria saber o que é que se passava na vida dos meus pacientes. Portanto, se eles vinham com excesso de peso, se vinham com hipertensão, ou se vinham com uma doença cardiovascular, por exemplo, com colesterol elevado, com isquemia cardíaca, portanto, eu queria conhecê-los. e dei-lhes tempo para me descreverem o quem eram, o que faziam, o que comiam, ou o que não comiam, como comiam, e dei-lhes tempo.
Ou seja, para os compreenderem de uma forma holística. Holística, tudo. E o que invariavelmente acontecia, é que aí, mais ou menos há 30 minutos, 40 minutos da consulta, eu comecei a perceber que por trás destas decisões, por exemplo, alguém que tinha Gostava muito de queijo. À meia-da-noite acordava e ia ao frigorífico comer um bocado de queijo. E esta pessoa era um bocado... substancial. E que esta pessoa tinha um problema com o colesterol e que este queijo, devido à gordura saturada, podia... Eu percebi que, por trás destas decisões, havia uma mente. Havia emoções. E havia ansiedade, havia tristeza.
Tristeza ao ponto de ser uma devoção. Comecei a interessar-me e eu escutava os pacientes, contava-me as histórias deles e eu escutava. É assim, eu houve um momento da vida, eu não sou psiquiatra, mas houve um momento da vida, até pensei em especializar-me na psiquiatria, mas depois por várias razões decidi não o fazer. Mas comecei nestas primeiras consultas há cerca de 20 anos, a interessar-me muito pelo tratamento, pelo menos pelo diagnóstico, perceber a doença que é a depressão, e os estados de ansiedade, a ansiedade. E comecei a estudar, a estudar e cada vez via mais pacientes, porque eu até lhes dava alguns conselhos e depois comecei a estudar, porque nós fazemos psiquiatria no nosso curso, mas é um curso, o nosso bloco de psiquiatria é mínimo.
Então decidi, olha, todas as outras áreas de serviço de personalidade, tudo isso, não vou por aí. Mas o tratamento da ansiedade e da pressão comecei realmente a interessar-me e a estudar isso. E foi assim que eu fui descobrindo porquê que e como é que nós chegamos a termos
as opiniões que temos e a termos os sentimentos que temos. E que é fascinante. Sendo que então vamos falar de emoções, de pensamentos. Muitas vezes confundimos ambos. Não entendemos o que é emoções, não entendemos o que é pensamentos. Eu começo por aí. Às vezes compreender um pouquinho este universo já pode ser o início para nós conseguimos lidar connosco mesmos e com aquilo que são as nossas reações. Daniel, vamos imaginar o seguinte. Tem aqui o seu telemóvel. Isto é um pequenino computador. É um pequeno de grande já. É um pequeno de grande computador. Vamos imaginar o cérebro. Isto é uma analogia muito minimalista, que é muito simples. Mas vamos imaginar o cérebro como sendo, em parte, um computador.
Aqui dentro tem elementos, tem milhões de pecinhas todas. já colocadas aí, mas quando eles vieram da fábrica, não estavam ligados ainda. Portanto, não havia nada instalado aí. O cérebro, quando nasce, tem o que eu chamo de um sistema operativo, como teve. Como essa coisa teve, não é? Tinha um sistema operativo que era o mínimo. Qualquer coisa que quis que ele fizesse depois, o que é que fez? Foi a uma loja qualquer e virtual e comprou e pediu para lhe enviar a informação para aqui, para naqueles sistemas que já estavam aí, fazer ligações e instalar o que chamamos de aplicações.
Vamos imaginar o cervo sendo um computador com 90 mil milhões de células cá dentro e quando nascemos temos um sistema operativo. Pronto a receber informação. Pronto a receber informação. Temos um sistema operativo que faz com que o bebê faça xixi, faz cocó, beba o leite da mamã ou do biberão, etc. Tem já o básico. O primário. O primário. O sistema primário. Exato. E tudo o resto vai ser instalado. Inclusive próprias ideias. Há hábitos prefáreos. Tudo. É por isso que me lado duas pessoas iguais. Até na mesma família. Eu tenho pais que dizem, olha, não sei o que aconteceu. Eu tenho dois filhos, eduquei-os da mesma maneira, um saiu desta...
Não, não o educou da mesma maneira. Só os gêmeos são a melhor aproximação e mesmo aí os gêmeos tiveram expostos a circunstâncias diferentes. E só isso faz com que sejamos diferentes. Agora imagine isto não só com um programazinho de computador, Um programazinho que instala umas com milhares de programas. Tudo o que nós observamos, tudo o que nós ouvimos, tudo o que nós até saboreamos, fica cá gravado neste computador. Tudo. Mesmo o que nós não percepcionamos, mas que vivemos, está a ser gravado. E depois, está a ser gravado em termos de informação. Portanto, a informação. Olhe, nós estamos aqui. Está aqui, tem esse casaco. Quando eu imaginar, vou imaginá-lo no casaco com o outro.
E está tudo a ser gravado aqui. Agora, imagine que a gravação que nós estamos a fazer agora não teria nenhuma emoção relacionada com ela. Era simplesmente factual, neutra emocionalmente. Nós imaginávamos, viémos esta fotografia... Agora, se eu gostar da sua entrevista, E se gostar da minha, então, quando virmos, quando pensarmos, não é preciso ver a fotografia, quando pensarmos, dizes, aquela entrevista gostei mesmo de Daniel, as perguntas que me fez foram mesmo boas, etc. Há uma gravação até mais profunda, não é? É a memória factual, que é aquilo que nós estamos a ver, e depois fica a emoção, que é produzida numa parte do cérebro, faltam aqui o quadro, faltam aqui as coisas, mas pronto, na parte central do cérebro, que é o sistema límbico, que parte da função disto é produzir emoções.
Por exemplo, gosta de chocolate? Gosto. Quando come chocolate, ele saboreia, consegue saborear o sabor do chocolate, mas produz substâncias, por exemplo, a dopamina, que é produzida naquele sistema límbico, que faz com que a memória do chocolate e aquele paladar sejam prazeroso, portanto, que seja associado. Então, chocolate para si vai ter sempre, então, memória factual e a emoção. E, por exemplo, isso acontece com ideias. Ideias. Se... Se alguém partilha uma ideia consigo da qual gosta, que é a produção de dopamina, vai, de certeza, ser essa a sua ideia que vai gostar até que haja outra que se suproponha àquela.
Portanto, uma ideia é um pensamento que produz no cérebro uma pequenina quantidade de dopamina que faz com que goste daquela ideia. Ou seja, quando ele refere a sentimento, tem sempre uma experiência emocional, não é só o fator... E física. E física. Isto é tudo físico. Olhe, por exemplo... Eu tenho uma forma de o fazer ficar muito contente agora. Dava-lhe um bocado de chocolate e ficava logo... E essa emoção... Ai, pá, isto é muito bom. Isto que marca é... Isto é muito bom. Só isso é a produção de certos químicos no cérebro relacionados com aquele paladar. Se tirar aquela química do cérebro relacionada com este paladar, como o chocolate, é como se estivesse a comer papel.
A emoção é física. Agora, vamos pensar isto em situações da vida Ideias. Por exemplo, o que é uma opinião? Tem as suas opiniões. Toda a gente tem as suas opiniões. Uma opinião é uma ideia que, quando essa ideia surge na minha consciência, vai provocar reações químicas em parte do cérebro que produz emoções, que essas reações químicas vão produzir um bocadinho de dopamina, um bocadinho de serotonina, que vão fazer com que esta ideia a ouvir seja agradável. E a ideia que é agradável é a minha opinião sobre aquilo. E a questão vem. Será que as minhas opiniões são reflexo da realidade?
Ou simplesmente são aquilo da minha vivência? Mas a questão é que hoje em dia, como falávamos no início do programa, as
questões mentais estão na linha da frente, até na área da medicação, da procura médica. São os problemas no mundo e Portugal não é a exceção. Há dificuldade nos dias de hoje em saber gerir depois todas essas emoções e todas essas informações? Há dificuldade porque as pessoas associam uma tristeza profunda, uma depressão, vamos chamar, uma depressão que afeta a qualidade de vida. Associam isto a uma fraqueza quase de caráter da própria pessoa. Há pessoas que associam, infelizmente, isto acontece muito, mas felizmente em Portugal está a começar a mudar muito isto.
Há pessoas que associam essas sensações físicas da ansiedade a uma fraqueza de caráter. Quer dizer, os outros são melhores do que eu conseguem, eu não. Temos que é perceber porque é que nós nos sentimos como sentimos e porque é que nós pensamos isto. E isto tem uma causa. E eu vou-lhe contar umas histórias. Então eu vou-lhe pedir que me conte essa história. Já daqui a nada vamos fazer um pequeninho intervalo. Peço desculpa por estar a interromper. Nada, nada. Mas como quer deixar e gastar tempo para ouvir a sua história. E para quem está desse lado, se ficou curioso, é normal. Porque até eu, desse lado, também já estou curioso. Mas o intervalo são apenas dois minutinhos. Voltamos já a seguir.
TV Novo Tempo. O canal da saúde. O canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte. Hoje estamos a falar de emoções, de sentimentos, de saber gerir, muitas vezes, este embrulho que nós fazemos na nossa mente. E eu, na oferta especial que tenho para si hoje, trago-lhe um guia de estudo diferente. Este guia de estudo chama-se Mente Feliz. Exatamente porque vai trabalhar as suas emoções, os seus sentimentos, e mais, como trabalhar para o ativo, para ter uma mente saudável e uma mente feliz. Porque, às vezes, não podemos deixar isso fruto do acaso. E o melhor de tudo é, como sempre, em todos os guias de estudo que lhe oferecemos, é totalmente gratuito.
Basta enviar-nos uma mensagem para o 933-9392-91. Vou repetir, 933-9392-91. Doutora Viriado, eu até fui indelicado em interrompê-lo, mas estou com muita curiosidade. Conte-nos lá então. Eu sabia que o intervalo vinha, eu só me sabia em pleno. Eu não vou dar nenhum... nenhuma informação identificativa das pessoas, mas todas as histórias que eu conto aqui são histórias reais. Um dia estava no consultório, e entra-me essa senhora, cerca de 40 anos de idade, não tinha aspecto nenhum de doente. Entra, senta-se, e eu pergunto-lhe porquê que me tinha vindo, etc., vindo ver, etc., e ela diz, doutor, eu já não consigo tolerar a minha ansiedade.
É horrível. Eu acordo de manhã e sinto-me ansiosa logo. E, por vezes, tenho ataques de pânico em que eu não consigo controlar os meus batimentos cardíacos. De facto, no início eu pensava que ia morrer porque eram tão intensos em minha respiração como se um perigo fosse acontecer. Pronto, então... Eu sabia que alguns na vida desta pessoa tinham sido instalados Fisicamente, alguns programas que agora resultavam nesta pessoa estar com estes sintomas. E digo-lhe já, o medo é completamente normal.
Estamos aqui neste estúdio. Se entrarem ali com uma metralhadora e começarem a apontar para si, é natural ter medo. Nós temos esse mecanismo de defesa criado dentro de nós. O problema é quando temos estes... O batimento cardíaco aumenta, a respiração, para quê? Para fugirmos daqui ou para lutarmos com o homem? Não sei, mas é. Mas o problema é ter isto sempre. E não haver ladrão. E não haver nada. Ou não conseguir identificá-lo, não é? É, quer dizer, sentimos e já nem sabemos porquê estamos assim. Algum programa foi instalado. Então esta paciente... Eu sabia que alguns na vida dela tinham tido estes programas instalados.
E depois comecei a fazer perguntas e falei-lhe da família. Perguntei-lhe também se a família continuava, se os pais... A família tinha o irmão, os pais... E ela disse... Ah! Outra coisa, um detalhe. E eu perguntei-lhe, mas este medo está sempre, mas não há nenhuma situação que desencade este ou a doutora. Há um pensamento que me vem sempre à mente. Eu comecei agora uma empresa e este pensamento é que a empresa vai à falência. E vai à falência. E vai à falência. E eu perguntei-lhe, mas a sua empresa está a crescer? Está. Os seus clientes gostam de si? Gostam. Já está a ter lucro? Já. Mas é um medo que aquilo vá à falência.
É um pensamento constante que aquilo vai à falência. Ok. Vamos agora aos pais. Conte-me lá dos teus pais. Ele disse à doutora, a primeira memória que eu tenho do meu pai é ele dizer-me que eu era burra, que eu era estúpida e que não ia ser ninguém na vida. A primeira memória que eu tenho do meu pai. Quatro anitos, cinco anitos. E ao longo da vida, de criança e de jovem, esta pessoa ouviu aquilo. Hoje, com 40 anos, com uma pequenina empresa, com sucesso, o que é que está gravado na mente dela? aquilo que ela ouviu de criança. Nunca vais ser ninguém, vais ser um falhanço e nunca vais conseguir alcançar nada com 40 anos.
A ver, quantas pessoas hoje, todos nós, os nossos pais fizeram... Possivelmente aquele pai até fez aquilo para tentar espicaçar, não é? Para ver se a miúda... Mas não, aos 4 anos isto não acontece, não se espicaça ninguém. Agora, imagine as milhares de situações que me fazem ser quem sou hoje. Situações negativas, situações na escola, situações na família, situações na sociedade. É um milagre nós estarmos aqui hoje, depois de tudo o que o ser humano passa. O ser humano hoje... Olhe, eu mudei de opinião sobre o ser humano para aí há um ano.
O ser humano é forte. Apesar de tudo isto, mesmo quem esteja hoje, por exemplo, numa toxicodependência, e as pessoas normalmente olham para eles como os fracos, não são fortes. Só que as pressões, tantas vezes, são tão grandes, tão pesadas, que quebram. E a única coisa que lhes dá prazer é aquele prazer momentâneo que vem da alienação, da dor, e do sentimento de prazer que tem naquela meia hora e quarenta e cinco minutos. Portanto, é um milagre o ser humano hoje existir. E quanto mais eu estudo a mente, mais Convencido estou que nós temos que, na grande maioria dos casos, perceber porquê que nós sentimos aquilo que sentimos e porquê que nós pensamos o que pensamos.
E que é fruto, não só, é fruto de anos de experiências que nos levam àquilo que nós somos hoje. Sendo que, longe de mim, até porque não estudo, apesar de ser fascinante e é
sempre, acho que a mente é o que mais fascina de todo o mundo. Mas dá-me a sensação que, mesmo admitindo que somos fortes, parece-me que há uma espécie de propensão para nós gravarmos com maior intensidade as experiências negativas. que, acumulado ao longo da vida, vai trazer depois todos esses sentimentos. Eu vou dar aqui um exemplo apenas, enfim, em termos de brincadeira, para entender o que eu quero dizer. Se eu disser a uma senhora que ela está vestida, está bonita, que hoje foi arranjada bonita, uma colega, enfim, A minha esposa, se eu disser que estás bonita, ela certamente vai valorizar a minha opinião, vai se sentir valorizada. Mas se eu usar a expressão, olha, tu estás gorda, estás a ficar mais forte, aquilo não fica só naquele momento.
Aquilo vai... parece que se grava na nossa mente. Quando nós discutimos entre casal, parece que as coisas que foram menos boas, nós vamos recordar sempre. Eu não consigo explicar isto. sociologicamente nem mentalmente. Mas parece que há uma propensão. Nós marcamos com mais força as coisas que são negativas. Não deveríamos mudar logo na raiz essa forma. Eu posso estar totalmente errado. Enfim, é a minha percepção. Fisiologicamente nós podemos ver que Por exemplo, hoje há uma técnica de investigação que é a Resonância Magnética Funcional, que é uma resonância magnética em que podemos ver em tempo real, por exemplo, qual é a parte do cérebro que está a funcionar naquela...
Oh, Daniel, nós somos crentes. Nós somos crentes num Criador, quem chamamos de Deus. Acreditamos que nos criou o ser humano com mecanismos poderiam ser utilizados em situações negativas, mas sem a dor. Não havia aquilo que nós, como crentes, chamamos o pecado. O que é o pecado? É aquilo que magoa o próximo, magoa-nos a nós. As coisas mudaram. Acreditamos que as coisas mudaram e hoje, infelizmente, não há ninguém que nasça numa família perfeita. As famílias mais perfeitas que nós conhecemos são famílias que, mesmo assim, ainda magoam.
Ainda causam sofrimento. Não é voluntário. É assim que nós somos. A minha não é perfeita porque eu não sou perfeito. Exatamente. Exatamente. Portanto, o que acontece é que, desde muito cedo, há pessoas que são mais expostas a situações de mais crítica que Literalmente, e nós podemos ver isto nas áreas do cérebro que são programadas para isto, vamos imaginar que mais circuitos são formados naquela parte do cérebro que está relacionada com estas memórias. E estas emoções relacionadas com estas memórias de crítica fazem com, hoje nós sabemos, que as memórias mais vivas dentro de nós são as memórias que têm emoções mais fortes.
Então, isto está na memória. Qualquer situação em famílias que, pronto, o filho cresceu ou a filha cresceu assim, qualquer coisa que se pareça com uma crítica, vai desencadear logo uma reação no cérebro que produz toda aquela química da ansiedade e da tristeza. É logo. E às vezes, isto acontece muito, por exemplo, no relacionamento casal, entre amigos, não é preciso ser só de casal, entre amigos, em que uma pessoa diz, mas eu não disse nada de mal, e ele reagiu, e a esposa diz, ou o marido diz, mas estás sempre a tocar no mesmo ponto.
Pois é. Não há aqui nenhum interruptor. Mas, fisiologicamente, quando qualquer coisa se assemelha àquilo que lá está gravado, é como carregar aqui no interruptor e a luz liga. Pronto. E depois há uma reação. Aquilo é uma cascata de reações que nos leva a isto. E a reação é sempre a mesma. Porque emocionalmente aquilo está lá gravado. E não é nossa culpa. Aquilo foi gravado lá. Agora, nós temos que lidar com isto em situações N da vida.
N, que faz com que sejamos seres complexos. Então, como fazer o contrário? Daniel, isto é fantástico e temos pouco tempo para isso, mas é libertador. Eu tenho aqui muita história, mas não dá para ter tempo agora. É libertador quando a pessoa percebe. Então, eu penso que sou um falhanço, que vou falhar, não é porque eu sou fraca, é porque há muitos anos eu ouvi isto tanto e ficou gravado aqui. Só essa descoberta é libertador. Então eu tenho aqui uma solução. E depois, com acompanhamento profissional, com um bom psicólogo.
Às vezes a ansiedade e a tristeza é tanto que é necessário medicação para alterar ali a química. É importante. Mas isto consegue-se começar a criar outros circuitos que vão sobrepor-se àqueles e fazer com que a pessoa tenha menos destes sintomas e até eliminá-los. Eu estou sem tempo, mas tenho que lhe fazer esta pergunta, talvez para resposta. Eu sei que até é ingrato, só que mencionou que nós éramos cristãos. E muitas vezes as pessoas, sobretudo os cristãos, olham para problemas de forma mental como falta de fé. E têm dificuldade em pedir ajuda porque acham que um cristão não pode se sentir assim. Eu sei que é ingrato a pergunta, mas o mais breve possível. Até Cristo ficou triste.
E há exemplos na Bíblia de pessoas que ficaram profundamente tristes, afetadas pelas circunstâncias à sua volta. Eu digo às vezes aos meus pacientes, têm toda a razão para estar triste. Perdeu isto, perdeu aquilo, perdeu isto, etc. Têm toda a razão. Vamos a tentar arranjar sentido na vida apesar desta tristeza. Obrigado por ser tão sintético. Estamos a chegar ao fim de mais um programa, mas certamente teremos a oportunidade de estar na companhia do Dr. Iviriato mais vezes. Para si, lembra a oferta que fizemos, Mente Feliz, um guia de estudo fantástico, preparado pelos especialistas. E não, não é feito apenas para pessoas que estão com algum problema de ansiedade, de depressão, de angústia. Não, é feito para quem quer ter. para quem quer viver feliz e não passar por esses momentos, sabendo que, aqui e acolá, muitas vezes são inevitáveis.
E melhor tudo é que é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933 939291. Mesmo a fechar, dizer-lhe que este programa estará disponível em podcast, se não tem a oportunidade de ouvir na íntegra, quer em radioaccess.pt, quer no YouTube da Novo Tempo Portugal. Voltamos a estar consigo num próximo programa, aberto também às suas sugestões. Até lá, se Deus quiser.
Porque pensamos como pensamos e sentimos como sentimos? 🧠
Neste episódio, Daniel conversa com o Dr. Viriato Ferreira sobre a mente humana, as emoções, a ansiedade, a depressão e o impacto que as experiências vividas têm na forma como reagimos à vida.
Ao longo desta conversa profunda e esclarecedora, descubra como memórias, palavras ouvidas na infância e situações marcantes podem influenciar os nossos pensamentos, medos e comportamentos. Falamos também sobre ataques de pânico, tristeza profunda, saúde mental, acompanhamento profissional e a importância de compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza nem falta de fé.
Uma reflexão de esperança para todos os que desejam conhecer-se melhor, cuidar da mente e encontrar sentido mesmo nos momentos mais difíceis.