Sono ao longo da vida

Sono ao longo da vida

15 de Abril de 202626 min 15 s

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Bem-vindo a mais um Médico de Família. Hoje abrimos mais uma vez as portas do nosso consultório aqui na Novo Tempo e na Rádio RCS para receber mais uma vez a doutora Diana Lascas. Diana, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada, mais uma vez. Hoje, hã, decidiste que iríamos falar de sono, de descanso. Todos nós sabemos que é importante dormir e dormir bem, e diria até em todas as idades, não é? Hã, mas, hã, por que é que tu decidiste ter este cuidado como mote pro nosso programa de hoje: dormir bem, mas em todas as idades? Por que é que tu fizeste questão de sublinhar isto? Porque o sono é uma necessidade biológica.

Nós somos desenhados biologicamente e fisiologicamente para precisar de descansar, precisar de parar e ter boas horas de sono, e o sono reparador. Portanto, o sono não é um luxo que a gente possa, hã, esperar pra ter quando a vida esteja calma ou, ou porque só as crianças- Par forma. É, par forma. Ou só as crianças e os bebês é que precisam dormir muitas horas. Portanto, hã, é uma necessidade de todos, em todas as idades. Então e por que é que o sono barra descanso, né, porque nem-- às vezes nem sempre significa a mesma coisa, é tão importante pra nossa saúde? Pronto, durante o sono, nós, além de recuperarmos fisicamente, não é? O nosso corpo descansa fisicamente, recupera energia.

Hã, durante o sono, o cérebro também organiza as nossas memórias, organiza o nosso conhecimento, a nossa cognição. Portanto, é muito importante também. E regula o metabolismo. O sistema imunitário fica mais fortalecido, recupera também durante a noite, hã, e as hormonas também equilibram-se. Portanto, é fácil perceber que, hã, dormir mal vai afetar cronicamente todos os sistemas do corpo. Sendo que nós temos, eu diria, dois aparelhos bastante complexos e que

Ritmos biológicos

funcionam, eu diria, como se fossem dois relógios. Explica-nos lá um pouquinho como é que isso funciona. Exatamente. Nós temos, hã, dois grandes ciclos que regulam o sono. Temos o ritmo circadiano e o ritmo ultradiano. E é muito importante nós entendermos estes dois para, é, percebermos também de onde é que podem advir alguns problemas de sono. Portanto, o ritmo circadiano, hã, é o nosso relógio biológico, por assim dizer. É o nosso relógio interno que vai dizer num dia de vinte e quatro horas quando é que nós devemos, hã, estar acordados e quando é que nós devemos dormir. E este relógio é regulado essencialmente pela luz, pela luz natural. Portanto, de manhã, quando começamos a receber a, a luz natural, os primeiros raios de sol entram na casa, hã, essa luz solar vai estimular o nosso corpo a produzir o cortisol. E o cortisol é que é a hormona que nos vai acordar, por assim dizer. Hã, claro que este despertar é lento, o pico de cortisol dá-se mais ou menos trinta minutos depois de nós estarmos efetivamente acordados, mas é, é esta hormona que vai nos dar energia pro dia.

Por isso é que às vezes nós acordamos ainda assim um bocadinho lentinhos e depois passado um bocado, às vezes as pessoas até dizem: "Ai, eu preciso de um café". Mas não precisariam de um café, precisam é ter calma e deixar o corpo produzir este-- quase este café interno, é, que nos vai dar esta energia, que é o cortisol. Mas ó Diana, eu não quero discordar de ti, mas há qualquer coisa diferente nos nossos relógios. Eu tenho um relógio lá em casa que dorme comigo na cama, que quando chega aquela hora, quer haja raio de sol, quer não haja, ela acorda e levanta, como a gente costuma dizer, pra vida. E o meu relógio não responde a mesma coisa. Eu apareço, ela está: "Calma, que eu ainda não acordei muito bem." Ou seja, varia de pessoa pra pessoa, né? Claro, varia de pessoa pra pessoa, porque como nós vamos ver um bocadinho à frente, nós, hã, desajustamos este relógio biológico, não é?

Porque a nossa vida hoje em dia não permite que nós deixemos o nosso corpo responder à luz natural. Por isso é que nós estamos quase habituados a, a dormir um X número de horas, a adormecer a uma determinada hora e acordar também àquela hora. Portanto, nós precisamos deste, hã, desta rotina. Hã, mas deveríamos deixar ser a luz a, a estabelecer essa rotina. Claro. Sendo que a, a melhor forma de respeitarmos o relógio que nos desperta é o relógio que nos quer adormecer. Porque muitas vezes o que acontece é quando o nosso relógio biológico nos está a mandar pra camaE nós não respeitamos esse horário, ele reconhece qualquer coisa como: "Ah, tu não queres dormir? Vamos lá despertar".

Ou seja, e, e a seguir nós ficamos despertos sem ter sono, não é? E de manhã também acontece, né, quando a gente fica na cama ado-- a, a mandriar e não, não respeita esse momento de acordar, parece que depois é mais difícil acordar, não é? Pois, precisamente, porque nós estamos a dar sinais ao nosso corpo contrários àquilo que ele efetivamente quer fazer, né? De manhã, o nosso corpo liberta este, este cortisol, que vai n-- vai acordar-nos. E ao anoitecer, ao diminuir a luz, é, o cortisol vai deixando de ser produzido e começa a produção de, de melatonina. Ora, esta melatonina é que é chamada a hormona do sono. E muitas pessoas até ouvem falar, porque às vezes até precisam tomar um suplemento de melatonina pra conseguir dormir melhor, porque, é, ao anoitecer é que esta melatonina começa a aumentar.

E ela está a dizer-nos: "Está na hora de ir pra cama". É, a minha filha, às vezes, às sete horas já diz: "Mamãe, tenho sono". Portanto, ela sabe e, e sente essa necessidade do corpo. Mas quando nós contrariamos isso, quando o nosso corpo diz: "Vai pra cama" e eu não vou, contrario, ele tem que ter outras estratégias para continuar acordados. E aí começa a libertar outras hormonas, adrenalinas e outras hormonas que vão contrariar isso. Depois vai dar apatia, vai dar... Precisamente, porque nós não tamos a respeitar estas horas de sono. É, e este ritmo circadiano que, que regula, hã, a hora que nós dormimos, hã, é que seria o mais importante, não é, pra nos dar aquelas horas de sono que nós precisamos, hã, de cumprir, né?

E o, e o, e eu diria o outro rela-relógio, chamemos assim, o outro mecanismo ultradiano, hã, ele também é muito impactante na nossa vida, porque vai nos dizer o quão reparador pode ou não ser o nosso sono, não é? Precisamente. Uma pessoa pode dizer: "Ah, eu durmo oito horas", mas não ser um sono reparador, porque até posso respeitar, hã, o meu, o meu ritmo circadiano, mas o ritmo ultradiano é o que vai regular o que acontece dentro do sono. Portanto, o nosso sono não é uniforme ao longo da noite toda. Nós temos ciclos mais ou menos de noventa minutos, portanto, temos entre quatro a seis ciclos por noite, hã, e cada ciclo vai intercalando entre o sono REM e não-REM. É, portanto, isto é o que faz, às vezes, o sono ser mais picado.

As pessoas vão acordando ao longo da noite porque a profundidade do sono não é igual em toda a noite. Hoje em dia, com os relógios, enfim, com as pulseiras fit por aí fora, nós até conseguimos verificar graficamente como é que é o nosso sono. Precisamente. Tu mencionaste o sono REM, vamos tentar mais à frente descobrir o que é, o que que é um, o que que é o outro. Mas pequenas atividades do nosso dia a dia podem precisamente afetar a qualidade do nosso sono, esse tal, é, ciclo que-- ultradiano, como por exemplo, a refeição, se a tomamos muito próximo do momento onde nos vamos dro-- deitar, o uso dos telemóveis, por exemplo, na cama antes de adormecer. São pequenas atividades que podem precisamente pôr em causa o quão reparador é o nosso sono. Portanto, ou seja, não é só perceber que temos esse ciclo, mas como cuidamos dele. Deve ser intencional, não é?

Claro, claro que sim. É, e por isso é que eu dizia, é preciso uma rotina, porque se nós não obedecemos à rotina do sol, hã, temos que pelo menos ter alguma rotina. E aí o nosso corpo meio que se habitua a, a deitar àquela hora, levantar àquela, hã, e respeitando sempre, sempre que possível, estas horas em que o nosso corpo está a produzir estas hormonas que vão, hã, em, em, de encontro, hã, e que vão ajudar-nos a ter esse sono reparador. Tu és médica, neste momento trabalhas, enfim, chamemos assim de uma forma mais genérica, num centro de saúde. Uhum. Mas muitos colegas que trabalham em contexto hospitalar, hã, quando têm que fazer horários, enfim, as romãs da vida e que têm que estar constantemente a mudar de horários, conseguem sentir na pele o quão prejudicial é, é enganar estes ciclos, não é?

Sim, é muito desgastante. E outra, tu dá-- apenas, por exemplo, enfim, dos médicos que têm isso, os enfermeiros também, enfim, outras profissões. Todas as profissões que trabalham por turnos, né? Sentem isso até muitas vezes com consequências graves pra saúde, né? Claro. Então explica-nos lá o que que é o sono, hã, REM e o não-REM. Portanto, nós começamo-- o, o REM, a, a sigla, hã, significa movimentos rápidos

Fases do sono

dos olhos em inglês. Hã, e nós quando adormecemos, hã, a primeira parte do ciclo, de cada ciclo, por assim dizer, porque como eu disse, são, são, é, ciclos mais ou menos de noventa minutos que vão se repetindo ao longo da noite. Portanto, este ciclo inicia-se por uma fase de não-REM, que é, é, as horas de sono mais profundas, os momentos de sono mais profundo. O que que acontece? O corpo relaxa completamente, a respiração abranda, o ritmo cardíaco abranda e o cérebro entra em modo descanso, né. Portanto, libertam-se hormonas de crescimento. Por isso é que os antigos diziam muito que faz bem dormir pra crescer, né? Porque nós libertamos as hormonas de crescimento durante esta fase do sono, hã, e o sistema imunitário, é, fortalecePortanto, esta é a fase de maior recuperação física. E depois vem a fase REM, que é, é, uma fase em que há mais atividade cerebral. Hã, o cérebro fica mais ativo, é geralmente a fase em que nós sonhamos.

Ou temos pesadelos. Ou pesadelos. É, por causa desta atividade cerebral. Ééé, e aqui há mais uma, uma, hã, uma respiração irregular, o ritmo cardíaco também, é, está um bocadinho mais acelerado, é, porque parece contrassenso, mas é nesta fase de maior atividade cerebral que, é, é, há uma organização da nossa cognição, das nossas memórias- É uma espécie de ajuste que é feito ...da nossa aprendizagem. Exatamente. Portanto, a primeira fase de cada ciclo dá-se uma recuperação mais ao nível físico. Ééé, e, é, na segunda fase do ciclo há mais uma recuperação ao nível mental, emocional, cognitiva. Por isso, é, se dormirmos poucas horas, nós vamos estar a encurtar, é, estas fases e perdemos geralmente as fases de sono REM, porque as fases de sono profundas, como é a primeira parte do ciclo, acontecem, é, quase sempre.

Ééé, portanto, s-- ao reduzirmos o número de horas, vamos estar essencialmente a perder, é, horas de sono REM. É, e ao termos um sono mais fragmentado, se nós acordarmos mais ao longo da noite, vamos perder mais as fases de, de sono profundo, portanto, a fase não REM. Portanto, tudo aquilo que na nossa vida nos, nos privar, enfim, de termos um sono regular durante a noite vai nos estar a prejudicar também esta parte do nosso organismo e este ciclo, né? Claro. Questões muitas vezes com diabéticos, pessoas, enfim, já com problemas na próstata, que têm que se levantar mais vezes- Exatamente ...pra ir à casa bem durante a noite. O-ou seja, todo-- tudo isto é, é preciso, é, conjugar para termos a certeza que estamos a cuidar do nosso sono. Deve ser algo in-intencional, cuidar do quarto, por exemplo, imagino eu, as- Precisamente ...ter as condições ideais.

Daqui a um bocadinho vou dar mais umas dicas. Muito bem. Mas, hã, claro que se nós temos um estilo de vida que procura e que, que nós somos cuidadosos neste sentido, que procuramos ter esse cuidado, e mesmo assim, é, percebemos que não temos um sono reparador, que acordamos muitas vezes durante a noite ou que no dia seguinte acordamos e parece que continuamos cansados, e nós já fizemos as alterações todas que podíamos na nossa vida, tá tudo direitinho e mesmo assim não estou a dormir bem. Pois é, é um, é uma, uma-- é um momento de se procurar ajuda, não é? Porque pode haver outras causas que estejam a, a levar a essa perturbação do sono. Nem que seja mudar o colchão. Às vezes também é preciso. Já voltamos para a segunda parte do nosso programa.

Vamos só fazer uma pequenina pausa e já a seguir tenho uma oferta especial pra si. E não, não é um colchão. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Foi muito breve, como tinha prometido, e já a seguir, nesta segunda parte, vamos continuar a falar sobre o sono e a importância do descanso. Mas antes, quero mais uma vez fazer a oferta da revista A Máquina Humana. Uma revista bastante completa, cheio de vários capítulos, que fala da obesidade, fala da saúde mental, fala também do descanso e até traz o descanso como um dos remédios naturais. E o melhor de tudo é que esta revista é totalmente gratuita. Basta enviar um SMS. É tão simples quanto isso.

Envie-nos uma mensagem a dizer "Máquina Humana", que é pra sabermos que é este manual a que se refere, para o 933 93 92 91. E depois nós mesmos entraremos em contacto consigo. Diana, estava, hã, enfim, antes de interromper, estávamos-- já tinhas explicado então as, as diferenças do sono REM, REM e não REM, mas tu no início do programa escolheste como título falar e abordar a questão do sono ao longo das

Sono nas várias idades

diferentes fases na vida. Ele é diferente? É preciso olhar pra ele de forma diferente à medida que vamos envelhecendo? É, é diferente, vai mudando e não é só em número de horas. Hã, e começamos já pela, pela primeira infância. É, os bebês, quando, quando nascem, nós sabemos que os bebês praticamente dormem a grande parte do dia, né? É, eles precisam destas muitas horas, quatorze, dezessete horas, às vezes quase vinte horas. Vida difícil, ela é-- dorme pouco, né? É muito difícil. Porque eles tão numa fase de crescimento físico, é, amadurecimento dos sistemas do corpo, hã, e, e mesmo de crescimento cerebral muito acelerado. Por isso é que eles precisam de muito descanso, porque nós não sentimos e, e já não nos lembramos, mas deve ser esgotante, porque este crescimento, é, e este desenvolvimento, é, consome muita energia.

Por isso é que eles têm esta necessidade constante de tá sempre a dormir. É, e gostava de, de abordar aqui, aproveitava abordar uma particularidade dos bebês, é, que, é, os bebês, principalmente recém-nascidos, eles ainda não têm o sistema, o ritmo circadiano, é, amadurecido. Portanto, nós estamos mais habituados a ouvir falar que eles não têm o sistema digestivo a-amadurecido, por isso é que têm muitas cólicas. Tá tudo em amadurecimento ainda, né? E o sono é um deles. Mas que as pessoas, eu acho que na sua generalidade não, não têm essa noção. E quando, é, se colocam bebês recém-nascidos, é, à luz, quase desde o primeiro dia: "Ah, não, deves habituá-lo a dormir à luz", é irrelevante, porque eles não têm ritmo circadiano, eles não produzem melatonina ainda.

Portanto, tentar habituá-lo a dormir à luz é uma falácia. Portanto, eles são regidos única e exclusivamente pelo, pelo ritmo ultradiano. E só passado algumas semanas, geralmente entre as seis a oito semanas, é que eles começam a ter esta re-- esta regulação também por parte do ritmo circadiano. Por isso, antes dos três meses, três, quatro meses, eles são, é, regidos única e exclusivamente pelo ritmo ul-ultradiurno. É, e, portanto, devemos compreender também por que é que às vezes eles chegam aos três, quatro meses e o sonoFica completamente desregulado, porque eles estão a habituar-se a esta produç- Forçá-lo à luz ...a esta produção hormonal, não é? E às vezes nós também não ajudamos, porque o sol tá se a pôr e se calhar tá no momento em que o bebê ainda está a comer, a mamar ou, ou ainda vai tomar um banhinho e tal, e depois se calhar já, já vai-- já vamos pô-lo a dormir duas horas depois de ter adormecido.

Portanto, já está a ser um turbilhão de emoções e alterações dentro do corpo, porque ele tá se a habituar àquela produção de hormonas nova, é, e nós não ajudamos a-ao, ao, é, regular e ao habituá-lo a, a regular-se pela luz solar. Portanto, e quando o bebê vai crescendo, chega em, na infância, hã, na idade escolar, hã, já esta quantidade de horas já vai des-- hã, diminuindo um bocadinho. Geralmente tá entre as nove, onze horas, é, e quando eles dormem pouco é quando nós começamos a reparar mais que há uma, uma certa irritabilidade. Pode até não haver, ééé, u-um, um acompanhamento escolar, hã, como esperado. E isto às vezes pode vir- Mas há um défice de atenção, não é défice como doença, mas falta de atenção.

Falta de atenção, dificuldade de concentração. Às vezes, hã, não pensamos muito no sono, mas o sono também pode ter a sua quota-parte na, nesse, nesse problema. Depois, crescendo mais um bocadinho, chegando à adolescência, hã, pronto, os adolescentes parece que dormir cedo é impossível. É impossível pra eles ir dormir cedo. Mas o pior é que eles continuam a precisar praticamente na mesma, entre as oito a dez horas. Portanto, se na fase da adolescência, que eles querem começar a dormir mais tarde, dez horas, onze horas, e já tô a ser muito simpática, ééé, e mas têm que acordar cedo na mesma pra ir pra escola, eles vão é perder horas de sono. E depois o que que acontece? Falta de rendimento escolar, falta de, de concentração, é, porque eles precisam daquelas horas, mas o, o ritmo e o relógio biológico tá ali num turbilhão de emoções e, e, e hormonal que eles não conseguem adormecer cedo, mas é muito importante.

É porque passam outra vez por um, por um desenvolvimento as-- mais acelerado naquela altura- Muito ...e, portanto, a necessidade do descanso também é importante. O corpo precisa de recuperar todo aquele gasto energético. Depois, quando viramos adultos, vem o trabalho, vêm os bebês e- Aí já é o trabalho que manda e não os filhos que mandam. Pois. É, o estresse, o estarmos, é, atualmente, constantemente ligados aos ecrãs, hã, e, e vêm as perturba-- a maioria das perturbações de sono surgem, é, na fase, na fase mais adulta. Hã- Muitas vezes acaba por estar, hã, corrija-me se eu estiver enganado, na antecrama-- na antecâmara de outros problemas depois de saúde mental, como, hã, depressões, hã- Sim ...por aí fora, porque, ou seja, há um acumular de falta de descanso e da tal reposição que nós precisaríamos ter.

Precisamente, precisamente. A falta de sono, de sono reparador, está muito relacionado não só com os problemas cognitivos e mentais, físicos, mas mesmo com doenças, doenças cardiovasculares, é, hipertensão, diabetes. Essas doenças podem também estar relacionadas com, com a falta de descanso, a falta de sono. Portanto, é muito importante nós mantermos, é, esse cuidado mesmo no meio de tanto trabalho e tantas preocupações. É por isso é que é necessário regular. Sendo que depois, na velhice, parece que há aqui, eu diria, hã, dois gêneros de pessoas. E eu não sei como é que funciona, por isso a, a curiosidade é mesmo grande. Porque temos aquelas pessoas que parece que deixam de dormir.

Há pessoas que dizem: "Eu, pra mim, quatro horas por noite é suficiente". E outras que não conseguem dormir à noite, mas porque dormiram a sesta durante o dia, depois ainda- Perfeitamente ...há muito-- umas dormem muitas horas e outras pouco. O que é que se passa quando chega à velhice? É, nós quando envelhecemos, o sono volta a mudar, hã, e tende a ficar mais leve. Por isso é que muitas vezes os idosos não conseguem dormir muitas horas, é, seguidas à noite. Hã, fica muito mais leve, qualquer coisa os acorda, é, se têm vontade de, de, de urinar, depois já não conseguem voltar a adormecer, é, fica muito mais fragmentado. Mas a verdade é que a necessidade de, de horas de sono do adulto mantém-se. É, portanto, falamos entre em média seis a oito horas. Esta necessidade mantém-se.

Portanto, não é normal, é, nós dizermos que: "Ah, na velhice dormimos menos". Não é normal, tá bem? Isso é uma perturbação de sono e se não conseguir, mais uma vez, se não conseguir sozinho regular isso, deve procurar ajuda, porque mesmo na, na fase mais, mais velha da nossa vida, é, nós precisamos de, de descanso e de continuar a regular o nosso organismo. Por isso, depois também muitas vezes queixam-se: "Ah, é, pusei uma coisa ali e já não me lembro. E fui ao supermercado e já não me lembro o que que era pra comprar", é, porque se calhar também pode estar a faltar umas horinhas de sono.

Dicas para dormir melhor

Nós estamos mesmo já na reta final do nosso programa e tu tinhas prometido, e eu vou cobrar a promessa, que depois irias dar algumas questões práticas. Então, como é que nós podemos cuidar do nosso sono? De forma prática e nos dias que correm, é muito importante nós termos uma rotina de sono. Isto não é só pras crianças, po be-- pros bebês. Agora também tá muito na moda falarmos na rotina de sono pros bebês e pras crianças, mas nós todos precisamos de uma rotina de sono. De preferência, que conseguíssemos acompanhar, hã, a luz naturalMas nós sabemos que é quase impossível. Nos dias que correm, a gente acorda cedo, vai para o trabalho, sai do trabalho, s-- principalmente se for inverno, se calhar já estamos a sair do trabalho já de noite outra vez, hããã, e é muito difícil acompanhar as horas, hã, de, de luz natural.

Mas, é, mesmo que não consigamos, pelo menos manter uma rotina, uma hora certa de ir para a cama, é, evitar, principalmente evitar os ecrãs 30 minutos a uma hora antes, hã, antes de ir para a cama, não só pelo tipo de luz, porque hoje em dia com os, os ecrãs já não emitem a mesma luz que antigamente, mas é mais pelo estímulo, hããã, cerebral que aquilo depois causa e que o nosso cérebro está ali a funcionar e não vai ser em cinco minutos que ele vai desligar e que vai adormecer. Portanto, nós precisamos de diminuir os nossos estímulos ao fim do dia, hã, fazer uma atividade mais calma, com uma luz mais branda, para, é, dizer ao nosso corpo: "Ok, eu vou obedecer a esta produção de melatonina e estou-me a preparar para ir para a cama" e, e para, é, mantermos essa, esse hábito e essa rotina nos dias, nos dias todos.

Obviamente, dormir também em ambiente escuro, porque se estamos a dizer ao nosso corpo: "Vamos dormir e vamos manter uma luz intensa", não pode ser. Portanto, o ideal é que o quarto esteja escuro, que seja um ambiente silencioso, hã, e, é, evitar o consumo da cafeína, principalmente nas últimas horas do dia, mas ao longo de todo o dia seria, seria o ideal, principalmente nas pessoas que têm, é, problemas de sono, né. Há uma frase feita que eu gostaria de saber se tu concordas com ela ou não, que é: não dormir ou não dormir bem tira-nos anos de vida. É mesmo assim ou é algum exagero? Tira anos de vida na medida em que, como, como falei há pouco, é fator de risco para desenvolver várias doenças.

Portanto, se nós, é, desenvolvermos uma doença cardíaca, é, que depois vai nos trazer uma consequência grave, vamos perder anos de vida. E o pior, eu acho que mesmo assim nem é isso, é termos na-- os mesmos anos de vida, mas a nível de saúde não conseguirmos acompanhar esses anos. Portanto, é perder anos de saúde na nossa vida. Muito bem. Obrigado mais uma vez, Diana. Para si que está desse lado, não queremos que perca anos de vida. Por isso, temos uma oferta muito especial para si. Neste guia de estudo, vai encontrar precisamente o assunto que abordámos ao longo do Médico de Família de hoje sobre o descanso, a importância do descanso e do sono, mas vai encontrar também outros factores importantes para que o sono seja reparador. Por exemplo, sabia que o exercício físico também ajuda a que depois possamos descansar bem? Entre outros aspectos.

Tem tudo aqui e é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933 93 92 91 a dizer "máquina humana" e depois nós mesmos entraremos em contato consigo para lhe fez-- para lhe fazer chegar esta oferta. Despeço-me mais uma vez agradecendo para si que está desse lado e dizendo que este programa está disponível em podcast, em radioxs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Se quer saber mais e ter mais sugestões e dicas sobre saúde, acompanhe-nos então nas nossas redes sociais também e se quiser, pode também sugerir alguma temática para abordarmos num próximo programa. Despeço-me mais uma vez. Obrigado por ter estado desse lado.

A nossa oferta

Sobre este episódio

A Dra. Diana Lascas explora a importância vital do sono em todas as fases da vida. Descubra como o sono influencia a saúde física e mental, a regulação hormonal e o sistema imunitário.

Com dicas práticas, aprenda a melhorar a qualidade do seu descanso e entenda as diferenças entre sono REM e não REM. Quer saber como o sono pode afetar seu cotidiano e bem-estar?

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Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 50
Estreou
15 de Abril de 2026
Categoria
Saúde
Apresentação
Daniel Galaio
Convidados
Diana Lascas