Volvida mais uma semana, cá estamos para lhe trazer mais um Médico de Família. As portas do consultório aqui da Novo Tempo abrem-se para receber mais uma vez a doutora Diana. Diana, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. Diana, hoje escolheste para falarmos e para ser assunto do nosso Médico de Família, falar sobre o consumo de álcool. Não é normal nós vermos um, um médico, um médico de família abordar este assunto desta maneira, por isso eu faço desde logo a pergunta: o consumo de álcool continua a ser um problema no mundo e em particular também em Portugal? Sem dúvida nenhuma, e por isso é que escolhi este tema pra falarmos, porque, é, os dados são assustadores. Eu já vou abordar alguns deles, vou, vou, hã, explicar alguns. Hããã, e, e, e o pior é que o consumo de álcool, hããã, tem sido visto até agora como algo que se for, hã, em moderação, não tem problema.
E nós já vamos ver de seguida que não é bem assim. Isto é um problema de saúde pública, são muitas doenças, muitas mortes que acontecem por ano devido ao consumo do álcool. Hããã, o consumo do álcool é responsável por milhões, milhões de mortes, hã, e doenças como câncer, doenças hepáticas, doenças cardiovasculares. A Organização Mundial de Saúde, é, refere que o álcool é responsável por três milhões de mortes por ano. Isto é muita gente. De forma direta ou indireta, é? De-- rela-relacionadas com o consumo do álcool. Na União Europeia, cerca de vinte e cinco por cento, um quarto das, dos acidentes rodoviários estão relacionados com o consumo do álcool.
Que é substancial, é? É muito. Ééé, segundo, isto agora aqui mais em Portugal, segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2020, é, registaram-se dois mil quinhentos e quarenta e quatro, mais de dois mil e quinhentas mortes por doenças atribuíveis ao álcool. Isto é o número mais elevado nos últimos dez anos, ou seja, isto-- o que podemos auferir daqui é que está a aumentar cada vez mais o, as mortes, é porque está a aumentar também o consumo de álcool. Repare bem, estes números que tu estás a dizer não são acidentes, são doenças diretamente ligadas com o consumo de álcool. Doenças. Portanto, estamos a falar de duas, duas mil e quinhentas, mais de duas mil e quinhentas mortes totalmente evitáveis. Exatamente, exatamente. Tudo que é devido a consumo é evitável, é só nós não consumirmos, não é?
Exato. É, Portugal é um dos países da Europa com maior consumo de álcool. Foi feita uma pesquisa mesmo dos países da Europa e Portugal está mesmo lá no topo. É, e às vezes são estes topos que nós devíamos ter um bocadinho mais de vergonha. Isso é verdade. Tanto que as camadas mais novas também, não é? Sim, sim, sem dúvida. Foram feitos inquéritos e cerca de trinta por cento dos adolescentes, estamos a falar um terço dos adolescentes entre os quinze e os dezenove anos, já não vamos desde o início da adolescê-da adolescência, que eu acho que me assustava mais se dissessem que era a partir dos onze ou doze anos, mas entre os quinze e os dezenove anos, trinta por cento dos adolescentes relatam episódios de consumo excessivo de álcool, ou seja, eles admitem que têm um consumo excessivo de álcool.
Hã, e segundo a Organização Mundial de Saúde, hã, a prevalência da dependência do álcool é de três por cento. E nós podemos ouvir este número, três por cento, ah, é pouco, três em cem? Ah, é pouco, uma prevalência de, de três por cento. Mas se olharmos pra outras doenças, como por exemplo a diabetes, que é uma prevalência que ronda os seis ou sete por cento, é, e que, que nós falamos tanto porque são milhões de pessoas com diabetes, a sua prevalência, ou seja, a existência da doença, hã, é, é de seis a sete por cento. Portanto, a prevalência do, do consumo de álcool, da dependência do álcool ser três por cento é muito. E se ainda não conseguimos compreender este número, vamos, é, mudar aqui a relação. E em vez de ser três pra cem, vamos pensar em trinta pessoas numa sala. Trinta pessoas não é muito, trinta pessoas nós convidamos facilmente pra um jantar de Natal ou pra um jantar de aniversário, ou se quer a nossa empresa tem trinta ou cinquenta ou sessenta pessoas.
Mas pensemos em trinta pessoas numa sala, uma delas tem dependência do álcool. E aqui o universo já muda um bocadinho, não é? Porque estamos a falar dum, dum universo mais pequenino, trinta pessoas numa sala, num jantar, é, num restaurante, é, nós imaginarmos que aqui, no meio dessas trinta pessoas, há uma com dependência de álcool. Ó Diana, mas se calhar nós sabíamos que dentro dessa sala com trinta pessoas, uma tá diagnosticada, mas há mais duas ou três que também são dependentes, mas não são diagnosticadas. Precisamente. Isto é um problema que está muito subdiagnosticado, muito mesmo. É, e estamos a falar da dependência, que é o grau, é, digamos assim, é, mais grave do consumo de álcool, mas se nessas trinta pessoas uma tem dependência, muitas mais têm problemas de u-uso abusivo do álcool, né, de consumo já de risco ou nocivos, que já vamos ver a seguir.
Até porque se forem feitos esses inquéritos, não é, pra saber se existe, se a pessoa é ou não, hã, dependente de álcool ou se consome álcool excessivamente, a esmagadora maioria vai dizer que não. Ah, não, sem dúvida, sem dúvida. As pessoas dizem: "Eu, eu não bebo muito." Hããã, né, a maior parte das pessoas que têm um consumo excessivo vai dizer no máximo que: "Ah, eu bebo moderadamente, vá, moderadamente." E aqueles que têm dependência não vão admitir, né? É, portanto, isto é, é, é por estar demasiado normalizado este consumo do álcool, é, principalmente em Portugal, que nós não temos a real noção, ééé, do problema que é e do risco que isso traz pra, pra nossa saúde.
Ééé, e, e a Organização Mundial de Saúde é clara ao dizer que nenhuma quantidade de álcool é segura pra saúde. Nenhuma. Não estamos a falar de pouco ou de beber uma cervejinha de vez em quando, é zero álcool. Sendo que, hã, eu diria que os estudos mais recentes, até, enfim, no passado já falámos também aqui no, no Médico de Família sobre isso, mostram isso que tu estás a dizer agora e a partilhar conosco, mas, hã, não podemos fingir que mesmo há pouquíssimo tempo nós vínhamosEh, saberíamos de colegas, é, que, é, até indicavam, eh, o consumo de um copinho de, de vinho à, à refeição como sendo, é, algo até bom pra saúde. Se calhar seria melhor f-- explicar-nos o que é que realmente, quais são os efeitos do álcool no nosso organismo pra que, se calhar, quer nós aqui, quer lá em casa, tenhamos noção do que é que estamos a falar.
Sim, é melhor. É, mas, mas antes de irmos a isso, eu digo que em relação à, à primeira parte que estavas a falar, eu acho que o problema é que como durante muitos anos muita gente gosta de consumir álcool, ééé, então, é, tentou-se ver benefícios naquilo para- A gente tá justificando ...justificar o seu consumo, né? É, mas, mas efetivamente, hããã, traz, é, muito mais danos a, ao corpo do que um mísero, é, benefício que um antioxidante possa ter num copo de vinho, né? É preciso- O benefício não supera o risco do consumo. Exatamente. Não precisamos ir muito tempo atrás na nossa história. Eu diria que há cinquenta, quarenta anos atrás, as crianças eram incentivadas a beber álcool ainda na cama- ...pra matar o bicho, ou as conhecidas sopas de cavalo cansado, como algo que Sim, sim seria muito bom pra saúde.
Exatamente. Ou seja, é preciso mudar uma mentalidade inteira de uma geração pra chegarmos a esta altura e dizer: "Não, álcool é zero". Exatamente. Então vamos a isso, que é pra ver se convencemos as pessoas. Ééé, portanto, a nível cerebral, muitas delas, acho que as pessoas têm noção de que o consumo de álcool, quando, é, prolongado, leva à dependência, leva a alterações cognitivas, leva a, a uma descoordenação motora, né? Nós sabemos, alguém vai, vai a balançar na rua, nós dizemos: "Olha, ela tá bêbada", né? Portanto, este, este efeito que, que o álcool tem é por atuar diretamente no, no cérebro. Além de aumentar o risco para depressão, ansiedade, até mesmo suicídio, acidentes, isso tudo porque o, o álcool tem os seus efeitos a nível cerebral. A nível do coração, aumenta o risco de hipertensão, de arritmias, de problemas de coração.
Ééé, a nível do sistema digestivo, as úlceras, é, gástricas, pancreatite, hã, outros problemas gástricos, gastrites, hããã, varizes esofágicas, portanto, traz também muitos malefícios ao, ao sistema digestivo. A nível do rim, é aquilo que as pessoas mais depressa estão habituados, não é? Que é a cirrose, hã, ou a hepatite alcoólica. Estes, geralmente, as pessoas já, já ouviram falar. Hããã, e também a nível do sistema imunitário, é, porque há uma diminuição da capacidade de resposta do sistema imunitário quando, é, o, o organismo está sob o efeito do álcool, portanto, aumenta aí a suscetibilidade, hããã, a doenças e ao câncer. O álcool, hããã, o consumo de álcool está diretamente relacionado com, é, sete tipos de câncer. Desde a cavidade oral, boca, gengivas, é, língua, faringe, laringe, ou seja, logo mais atrás, a nossa orofaringe, é, o esôfago, o fígado, que é o câncer do fígado, o, o, o carcinoma hepatocelular.
É, está diretamente relacionado também com o câncer da mama, principalmente nas mulheres, hã, e, é, por fim, também do câncer do cólon e reto. Hããã, e além disso, esta população acho que tá geralmente um bocadinho mais sensibilidade, que são as grávidas. Hããã, que o mínimo consumo de álcool, isto é mesmo, hããã, o mínimo dos mínimos, nem que seja meio copo, está relacionado com o risco da síndrome alcoólica fetal, que é-- traz danos irreversíveis pro desenvolvimento físico e mental do bebê e é um problema que, é, pode perdurar pra vida. Sendo que estamos a falar qualquer quantidade de álcool. Claro, quanto maior, é, for a ingestão de álcool, mais aumenta as probabilidades, é, desse- Obviamente, sim, sim, sim ...desses chamados cânceres, né?
No entanto, as pessoas deveriam ter em mente que é qualquer quantidade já vai potenciar, menos a verdade, mas continua a ser um potenciador desses- Precisamente. Por isso é que a Organização Mundial de Saúde diz que nenhuma quantidade é segura, porque nós não temos a certeza de qual seria o mínimo, ééé, que não causaria, porque a verdade é que, como nós já vimos, tem efeitos, hã, a nível das células. Portanto, não é possível dizer que se for só meio copo por dia, que, que não vai causar dano nenhum, porque esse álcool tem efeito, vai alterar as células do nosso corpo. Até porque curiosamente, muitas vezes, é, no verão, é quando há maior consumo de, de, de álcool, é, curiosamente bebendo a bebida que os vai desidratar. Ou seja, até mesmo essa- Precisamente ...mesmo essa noção de ingestão de álcool para matar a sede, hããã, no verão é totalmente contraproducente.
Tem o efeito oposto, claro. Muito bem. Vamos só fazer um pequenino intervalo, um minuto, dois minutos. Voltamos já a seguir pra segunda parte e com uma oferta muito especial pra si. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
Estamos de volta para trazer a segunda parte do nosso médico de família de hoje e, como prometido, temos o nosso guia de estudo, esta revista, A Máquina Humana, um guia de estudo totalmente gratuito para lhe oferecer, com muitas dicas, muitos conselhos práticos na área da saúde mental, na área da alimentação, na área do descanso e exercício físico. E tem também um conjunto de oito remédios totalmente naturais pra o ajudar não só a ter um estilo de vida mais saudável, mas também, quem sabe, a debelar algum problema de saúde que tenha. Não acredita? Então por que não, é, pedir este guia de estudo totalmente gratuito? É uma oferta. E, é, depois comprovar por si mesmo. Para o fazer, basta enviar uma mensagem a dizer "máquina humana" para 933 93 92 91. 933 93 92 91. Ficamos à espera então do seu SMS.Diana, vamos continuar a falar sobre, hã, a, o álcool, mas, é, tu estiveste a partilhar conosco alguns, hã, problemas, alguns malefícios que o álcool traz pro nosso organismo.
Eu sei que este é um programa de saúde, mas a verdade é que o consumo de álcool não traz só questões à, à, à nossa saúde, mas traz também impactos sociais e familiares com o consumo do álcool e até al-- enfim, já falaste algumas alterações emocionais e comportamentais. Ou seja, há também um impacto social muito grande com o consumo do álcool, não é? Sem dúvida, e isso nós vemos diariamente nos nossos consultórios, porque a, a medicina de família, é, não trata só o corpo, né, trata o corpo, trata a vida da pessoa, familiar, labo-laboral, hã, e, portanto, nós também temos noção, hã, de, de, dos problemas que podem advir também nestas áreas. E o, o prejuízo que traz pra toda a família, não é? Exatamente. Costuma-se dizer que um dependente, toda a família é dependente, independente, passando a redundância da dependência, no consumo do álcool não é exceção, não é?
É, sem dúvida, sem dúvida. É, traz problemas para a família, é, problemas conjugais, problemas parentais. É, tamos a falar de, por exemplo, negligência, é, para com os filhos, negligência para com, é, o lar, hã, problemas de violência, é, e esse é, é, é um daqueles problemas que se calhar também as pessoas já são mais habituadas a, a ouvir falar, violência doméstica devido ao consumo de álcool. Mas, é, às vezes não é preciso chegar, é, a esse, a esse ponto. Às vezes, é, mesmo só o fato de, de, desta ausência, esta negligência para com as pessoas devida a essa dependência, já causa um impacto muito grande. E também não esquecer também a nível, é, do trabalho.
É, é um problema que leva depois ao absentismo, à falta de rendimento, que nós vimos que, é, afeta a parte cognitiva, portanto, a pessoa já não vai ter a mesma pro-produtividade no trabalho, é, e é um problema que, é, estigmatiza e que pode levar até a uma exclusão social, é, da pessoa que tem uma dependência grave e que já não é capaz de gerir a sua própria família. É, e também traz riscos para os outros, não é? Porque, como vimos, o consumo de álcool está relacionado com um quarto dos acidentes rodoviários. Portanto, estes acidentes, se envolverem outras pessoas, ééé, aquele que consome, é, e que é responsável por esse acidente, pode magoar-se não só a si, mas aos outros também.
Que passam a ser também eles vítimas do álcool. Precisamente, precisamente. Portanto, é, há este aumento dos acidentes, é, no trânsito, das lesões não intencionais, duma queda, é, de, de afogamentos até, é, e, e claro, também já falamos na agressividade que pode acontecer também não só dentro de casa, né. Uma pessoa quando já tá num, com, com consumo de álcool excessivo, às vezes pode ter alguns atos um bocado mais violentos para qualquer pessoa, hã, que, que passe na rua, né. E não é incomum nós ouvirmos histórias dessas- Não, infelizmente ...aparecerem nas notícias, não é? Mas sabendo que o consumo devia ser zero, sabemos que infelizmente não é isso
que acontece na maioria dos casos. Hã, e sabemos também, por exemplo, para inibição de condução existem determinados valores. Como é que nós podemos fazer essa aferição, essa medição? Pronto. Nós, em Portugal, hã, a, a nível até europeu, é, normalmente falamos numa bebida padrão que contém dez gramas de álcool. Hã, e pronto, é feito um, um cálculo, não é, conforme a, a percentagem de álcool que, que a bebida tem, do volume, é, do consumo, hã, para se chegar a este valor, a este. E esta bebida padrão está definida, pra ser mais fácil de nós compreendermos, é, estas quantidades. Portanto, hã, uma bebida padrão é uma cerveja pequena, de vinte centilitros. Poucas pessoas estão habituadas, hã, geralmente é uma cerveja mini, que falam, que tem geralmente vinte ou vinte e cinco centilitros.
É, uma bebida padrão também corresponde a meio copo de vinho, é, vinho. Estamos a falar de dez centilitros de vinho, portanto, a meio copo de um copo pequeno. É uma medida. É uma bebi-- não, uma medida, sim. É, ou também equivale a um shot ou a uma bebida destilada, que, que geralmente é servida, é, com muito gelo, mas que a quantidade equivale mais ou menos a um shot. É, portanto, e quando falamos em consumo de risco, estamos a falar de duas bebidas padrão pra mulher e quatro pra o homem. Portanto, quando falamos em duas cervejas minis ou um copo de vinho por dia, não é por refeição, por dia, numa mulher, isto já é um consumo de risco.
Se falarmos no homem em quatro minis, quatro cervejas pequenas, é, ou dois copos de vinho por dia, isto já é um consumo de risco. Mesmo que seja já às refeições, sendo duas, já se está comportando risco. Precisamente, precisamente. E, e as pessoas que es-- que se calhar bebem um copo de vinho à refeição, ou seja, dois copos por dia, hã, e depois, a meio da tarde ou ao fim do dia, num dia de verão- Mesmo que seja leve ...bebem mais três ou quatro cervejas, que nem sempre são das mais pequenas, já estamos num consumo moderado, já estamos num consumo nocivo, que é acima destes valores que nós falamos. Certo. Portanto, nós temos o consumo de risco, que é o mais baixinho, é, e depois passamos pra um consumo nocivo, que aí causa mesmo danos diretos, hã, ao, ao corpo e à mente.
As pessoas têm essa noção? Ou seja, na tua prática clínica- Não, não ...no gabinete, não, é assim, isso não é propriamente novidade pra nós, enfim, fa-fazemos estes programas há muitos anos, hã, mas é sempre surpreendente nos lembrarmos dos números. Agora imagina pra quem não tem noção disto, não é? E, e, e historicamente e culturalmente sempre ouviu o contrário. EnfimE agora a pergunta-chave que, é, tenho mesmo que te fazer: e pra quem bebe chamada-- occ-ocasionalmente? "Eu até só bebo há não sei de anos, só, é só no Natal." Hã, o que, o que podes dizer a essas pessoas? As pessoas geralmente acham que por não beberem diariamente, que não têm risco. Hã, "ai não, lá está, só bebo assim numa ocasião de festa, hã, portanto não tem mal nenhum."
Só que às vezes aí compensa, não é? Nessa festa O pior é quando compensam. Mas mesmo não compensando, hã, a, a, o consumo ocasional que ultrapassa, hã, os valores que, que já referi anteriormente, também são consumo de risco. Não tem que ser diariamente pra ser consumo de risco. Estamos a falar num consumo de um dia. O consumo de um dia, se ultrapassa aqueles valores, é um consumo de risco possível. Mesmo que seja um dia no ano. Mesmo que seja um dia no ano. E depois temos os casos, hã, que até temos um termo, hã, em inglês pra isso, que é o binge drinking, que é beber uma quantidade mais elevada de álcool num pequeno período de tempo, mais ou menos até duas horas. Portanto, isto estamos a falar que pode ser um intervalo, lá está, dum jantar, duma festa, ali em duas horas.
Hã, e e-aqui falamos num valor um cadinho mais elevado de álcool, de sessenta gramas, hã, de álcool num homem, ou seja, seis bebidas padrão, hã, ou cinco na mulheres, cinquenta gramas de álcool na mulher. Hã, e cinquenta gramas, "ah, eu n-não vou beber isso tudo." Cinquenta gramas de álcool numa mulher são cinco bebidas padrão. Isto transformando, por exemplo, em copos de vinho, são dois copos e meio. Portanto, hã- No espaço de duas horas. No espaço de duas horas, num jantar, por exemplo. Hã, ou três copos de vinho num homem. Hã, e as pessoas se calhar acham que beberem dois ou três copos de vinho num
jantar de festa, hã, não estão a colocar-se sobre este risco do consumo do álcool, mas estão. Muito bem. Sendo que, hã, é sempre importante falarmos sobre isto, a questão é, hã, da mesma forma, por exemplo, como a nossa pele tem memória do sol, o consumo que eu faço agora, em termos de doenças relacionadas com o câncer, parece que existe uma memória também, não é? Tu mencionaste no início do programa que, hã, os efeitos podem se estender ao longo de vários anos. Portanto, nunca é tarde mais para parar. Ou seja, quem nos está a ouvir agora, está a tomar consciência desta realidade, é a altura certa. Mas muitas vezes é muito difícil. Sabemos que mudar qualquer hábito é muito difícil.
Também aí, o médico de família e alguns programas dentro, enfim, das suas unidades locais de saúde, trabalham isto pra ajudar famílias e pessoas que precisam de ajuda para poder parar com este flagelo, não é? Claro que sim, claro que sim. Hã, nós temos um, um programa, hã, de acompanhamento pra as pessoas que têm consumo de álcool e que precisam dessa ajuda pra parar, tal como ajudamos as pessoas que também precisam de ajuda para deixar de fumar. Hã, o, o método é mais ou menos o mesmo, o tipo de consultas de acompanhamento é mais ou menos o mesmo, porque estamos a falar de dependências, né. Portanto, a nossa atuação, hã, vai no sentido de ajudar a pessoa a, a ganhar estratégias pra conseguir reduzir até parar aquele consumo.
Hã, no caso do álcool, claro que os efeitos que, que, que o álcool causa no corpo, hã, podem manter-se, ou seja, este risco está lá, mas o reduzir e o parar o mais rápido possível ajuda para que esse risco não aumente cada vez mais. Portanto, vamos sempre beneficiar, hã, em reduzir e parar esse consumo. Hã, e claro que quando a pessoa não é capaz de o fazer sozinha e que ganha essa consciência, hã, é muito importante que procure ajuda. Hã, se o, o seu, hã, médico de referência não tem, hã, não dá esse tipo de resposta, o médico, não, peço desculpa, o centro de saúde, há já centros de saúde que não têm a consulta organizada, mas qualquer médico vai ajudar aquela pessoa a reduzir.
É referenciar pra onde está a resposta também, não é? Exatamente. Mas mesmo que não haja essa consulta organizada de cessação do alcoolismo ou cessação tabágica, qualquer médico pode fazer esse trabalho. Já tem os primeiros necessários pra isso. Claro que sim. Sendo que muitas vezes as pessoas podem pensar que estamos a falar já de uma questão de dependência, mas não, estamos a falar de qualquer pessoa- Qualquer ...por pouca quantidade que ca-- que tome e que beba, que queira parar. Ou seja, pode e deve ter, hã, ter ajuda. Até que normalmente tem que ser um trabalho global, até como disseste, dentro da, de toda, de toda a fami-- a família. Portanto, o médico de família é também uma ajuda, hã, importante, é, nesse sentido. Sendo que muitas vezes temos que, há a-- há que ter cuidado, que normalmente as pessoas tendem a ter outro vício de substituição.
Ou seja, historicamente percebemos que quem deixa de fumar, muitas vezes consome mais álcool, quem deixa de beber álcool, muitas vezes, é, é, com-- tenta compensar com o tabaco. Há que ter cuidado pra não tentar resolver um problema agravando o outro, né? Exatamente, exatamente. É, a ideia não é substituirmos uma coisa pela outra. Hã, e mesmo, hã, por exemplo, as pessoas, é, que, que deixam de fumar e que não bebem, às vezes até substituem o tabaco pela comida. É, aqui a ideia não é nós substituirmos uma coisa por outra, é nós ganharmos estratégias da nossa vida para que aquele consumo, aquele hábito, aquele vício, é, é aquilo que nós já fazemos com uma certa naturalidade, não o façamos, mas que não precisamos de substituir aquilo por outra coisa que também nos vai fazer mal.
Ou podemos substituir, sim, mas pra algo que seja saudável. Precisamente, precisamente, por outros hábitos. E, e por isso é que nós, em consulta, falamos sobre isso, de quais seriam, hã, os melhores, hã, as melhores estratégias, hã, o que é que a pessoa gosta na sua vida e que seja saudável, que seja bom pra ela, que ela possa, hã, recorrer àquilo naquele momento em que lhe dá, é, aquele- Um desporto, né, que aumente a- Precisamente ...atividade física ou outra qualquer. O desporto, o ler, o bordado. Claro, qualquer coisa que, que distraia a mente daquela compulsão que a pessoa está a ter no momento. Obrigado, Diana, mais uma vez. Obrigada eu. Pra si que está desse lado, exatamente com esse espírito de poder ajudar, mudar alguns hábitos que possa ter menos saudáveis, é que nós temos este guia de estudo, A Máquina Humana. Tem várias de, hã, respostas, várias sugestões, exatamente com dicas muito práticas que pode fazer sozinho ou em família.
Tem também um vário, uns vastos con-- hã, textos bíblicos que o ajudam a conhecer a vontade de Deus para a nossa saúde, para o nosso corpo, porque afinal de contas, foi ele que criou esta máquina a que chamamos máquina humana. E o melhor de tudo é que é totalmente gratuito. Basta enviar-nos um SMS para o 933 93 92 91. Dizer-lhe que se não teve a oportunidade de ouvir este programa na íntegra, ou melhor, se gostaria que um amigo, uma amiga pudesse ouvir sobre este assunto, porque provavelmente está a passar por este problema, por que não partilhar o programa que está disponível no podcast da rádio, em radiorcs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Chegamos ao fim do nosso Médico Família de hoje, mas se tem também alguma coisa, algum assunto que gostaria que pudéssemos abordar aqui no programa, não hesite, faça-nos chegar a sua sugestão.
Quem sabe, no próximo Médico Família, estejamos aqui a falar sobre esse assunto. Esperamos encontro lá. Um grande abraço. Até lá, se Deus quiser.
Neste emocionante episódio de "Médico de Família", a Dra. Diana Lascas aborda o tema crucial do consumo de álcool, revelando dados alarmantes sobre seus efeitos na saúde pública. Descubra como o álcool impacta não apenas o corpo, mas também a sociedade e as relações familiares. Aprenda sobre os perigos ocultos do consumo ocasional e os mitos que cercam o álcool. Junte-se à Dra. Diana para entender por que a moderação pode não ser suficiente e explore estratégias para uma vida mais saudável.