Hipertensão Arterial - Parte 1

Hipertensão Arterial - Parte 1

25 de Março de 202626 min 43 s

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Bem-vindo a mais um Médico de Família neste seu consultório, aqui na Novo Tempo, e mais uma vez, na companhia da Cláudia. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Muito obrigada, é um prazer estar aqui neste consultório. Cláudia, prometeste que iríamos falar sobre hipertensão e, é, já percebemos pelo conteúdo que não será um programa, mas teremos que fazer mais pra falar sobre este assunto. Mas antes de falarmos sobre hipertensão, pergunto-te e peço-te, por favor, que nos expliques o que que é tensão ou pressão arterial. Uhum. É, todos nós que andámos na escola, eu penso que aqueles que nos estão a ver e ouvir ainda se lembram do aparelho cardiovascular. E o coração é aquele motor que bombeia o sangue pra todo o resto do corpo e tem como objetivo, realmente, a-ajudar o sangue a levar os nutrientes e o oxigênio a todas as células. Quando o coração contrai, nós chamamos sístole.

Quando relaxa, chamamos diástole. Para realmente o sangue circular nas artérias, que é as, os vasos sanguíneos que levam o sangue para a periferia, tem que haver uma certa pressão do sangue nas paredes das artérias e, por sua vez, uma pressão das artérias para que realmente se faça este circuito. Depois o sangue chega aos pequeninos vasos sanguíneos, que são os capilares microscópicos, e no retorno traz o dióxido de carbono pelas veias do sistema venoso e volta ao coração. E nesse momento é quando surge a diástole, o coração tá relaxado para receber. Todo este processo ocorre cerca de sessenta a cem vezes por minuto. Portanto, a pressão realmente arterial ou tensão arterial, que se pode dizer das duas maneiras, é exatamente, é, esta pressão exercida pelo sangue na parede das artérias.

Claro que isto é um valor que depende dessa própria tensão da parede e depende também do volume de sangue, a quantidade de volume de sangue que é bombeado. Hããã, ou seja, ela está normal quando tudo funciona bem, mas se por alguma razão o volume de sangue for acima do habitual, aumenta essa pressão. Ou se houver resistência da parte das, das paredes das artérias. Por alguma razão, se ficam mais rígidas, como acontece na aterosclerose, quando existe a acumulação de colesterol, de cálcio nas paredes, que elas ficam mais grossas ou mais rígidas, que perdem a sua elasticidade. Isto acontece normalmente com a idade e nalgumas pessoas com outros problemas de saúde, como por exemplo, o colesterol elevado, diabetes ou obesidade.

E aí as artérias por si próprias já ficam mais rijas. Outro aspecto é artérias que, por alguma razão, se contraem frequentemente. Acontece em situações de ansiedade. Essa contratilidade aumenta a tensão arterial. E claro que o próprio envelhecimento do nosso corpo envelhece também estas artérias. Elas por si perdem um pouco também a sua elasticidade. Mas a tensão realmente é esta pressão exercida pelas artérias. Ela mede-se em milímetros de mercúrio, a pressão arterial. E todos se lembram daqueles aparelhos de tensão mais antigos que nós chamamos esfigmomanômetro- Que ainda temos aqui em cima da mesa. Não, não. O aparelho de avaliar a tensão, que era com uma coluna de mercúrio.

E então, a pressão exercida pelo sangue, nós pomos normalmente, eu já explico mais daqui a pouco, a braçadeira para bloquear totalmente a passagem de sangue na artéria aqui no braço. E depois vamos diminuindo essa pressão. Quando o sangue volta a passar, é a pressão máxima, é o primeiro valor. E na coluna de mercúrio dava um número que é em milímetros, quantos milímetros tem essa pressão nessa coluna. Por isso é que ainda hoje se mede em milímetros de mercúrio. Mas são aparelhos que já não utilizamos pela toxicidade do mercúrio. Hoje em dia temos os aparelhos essencialmente eletrônicos digitais. Uhum. A mínima é aquela que ocorre quando o coração rea-- relaxa quando está em diástole, quando está no retorno do sangue pelas veias e que há muito menos pressão nas artérias. É a chamada tensão arterial mínima.

Portanto, temos dois valores: a máxima e a mínima. Normalmente, as pessoas dizem vulgarmente, por exemplo, doze, oito, mas não é esse o valor correto. Nesse caso, neste exemplo de números que eu dei, é cento e vinte, oitenta milímetros de mercúrio. Muito bem. Estava eu a dizer, temos aqui também um aparelho em cima da mesa.

Como avaliar a pressao

Eu aproveito desde já, porque fizeste o favor de vir acompanhada do mesmo, como é que nós podemos proceder à avaliação da pressão arterial? Hã, é importante que realmente, hã, o aparelho esteja a funcionar bem. Hã, e tem aqui números. Eu vou ligar aqui, eu penso que aqui o, os nossos cameramen vão captar. Nós temos-- eu vou ligar aqui o botão da memória. Temos sempre, tão a ver, dois valores que aparecem, portanto, a máxima e a mínima, a sistólica e a diastólica, e aparece um terceiro valor mais pequenino no ecrã- Pulsação ...que é a pulsação, a frequência cardíaca, o número de batimentos por minuto. E, normalmente, estes aparelhos é importante que sejam calibrados regularmente e que sejam realmente fidedignos.

Há vários aspetos importantes que é impor-- é que-- vou repetir, que é importante repetir, é, referir. As braçadeiras devem ser adequadas à pessoa, porque existem vários tamanhos de braçadeira. Começa logo por aqui. Um aspecto importante é que a braçadeira no adulto deve ser de adulto, a de criança é a de criança. Pessoas com obesidade ou com perímetro do braço maior têm que usar uma braçadeira XL. Existem esses vários tamanhos. Por quê? Porque a braçadeiraÉ uma parte do aparelho que se liga ao aparelho e, portanto, podemos pôr outro, outro tamanho de braçadeira. E estou a falar da braçadeira porque realmente o método mais fiável é avaliar no braço. As pessoas dizem normalmente isto o braço, pronto. Em termos anatómicos é braço, antebraço.

Deve ser de preferência no braço, porque existem aparelhos que avaliam no punho e no dedo. É mais fidedigno realmente no braço. Hã, o braço deve estar em repouso numa mesa à nossa frente ou ao nosso lado, para estar mais ou menos ao nível do coração, porque o objetivo é avaliar a tensão mais central possível, perto do coração. Claro que nós podemos avaliar a tensão numa artéria mais distal. Avaliamos, por vezes, num-numa perna, mas os valores normais são diferentes. Portanto, de preferência braçadeira, no braço, braço em repouso. Importante, hã, estar em silêncio e a pessoa não falar, apesar de que estes eletrónicos são muito sensíveis e, às vezes, mesmo nós a falarmos, eles detetam bem. Importante nos últimos quinze minutos, é, não ter andado a fazer atividade física, importante não ter fumado, bebido café ou bebido bebidas alcoólicas, porque são três fatores que elevam a tensão arterial.

Em que período? Quinze minutos antes de avaliar. Sim. Normalmente, é importante descontrair, é, respirar calmamente, é, avaliar pelo menos três vezes, sobretudo se está elevada, e ver qual é a média. É, evitar também roupas apertadas. Às vezes, as pessoas perguntam, sobretudo a-- no inverno, em que as pessoas trazem mais roupa, hã, se avalia ou não em cima das peças de roupa. Depende da espessura da roupa. Se for algo fino e mais justo, como por exemplo esta blusa que eu tenho, dá perfeitamente. A grande dificuldade, por vezes, em cima de muita roupa, é a sensibilidade do esfigmomanómetro, mas numa peça de roupa destas dá perfeitamente e é até melhor do que puxar a camisola para cima.

Porque vai garrotar, quer queiramos, quer não, não é? Vai fazer o efeito de garrote e vai fazer mais pressão na artéria a, a montante, e esse não é o objetivo. Portanto, apoiar o braço, estar numa posição confortável. Eu até vou aqui avaliar a minha própria, que normalmente convém que seja outra pessoa a avaliar. Aspecto importante: os aparelhos têm eles próprios indicações. Este tem aqui uma coisinha a vermelho, que é o que deve estar pra frente. O que que eu digo pra frente? O nosso membro superior deve estar poisado neste sentido, a mão aberta para cima, não ao contrário, para cima. Uhum. Colocar a braçadeira. Esta mangueirinha fica mais ou menos a meio da largura aqui da prega do cotovelo, e é importante que a braçadeira esteja acima da prega do cotovelo.

Ajustar bem, e isto é mais fácil quando é outra pessoa. É importante que o velcro funcione bem, ou seja, que a braçadeira ainda esteja utilizável. Em condições, portanto. E nestes digitais é só carregar no on. Ele avalia e, portanto, vai me dar dois valores: a pressão arterial máxima, a mínima e o terceiro valor, a frequência cardíaca. Eu tô aqui a falar, mas não te preocupes que isto vai dar certo. No fim bate sempre certo. Já está. O primeiro- O primeiro valor. Exatamente. Estes aparelhos, que têm também, é, sons, hã, alarmes sonoros, indica quando-- é, ele, ele vai, ele vai garrotar sempre acima do que é a nossa tensão arterial máxima expectável.

É, faz uma certa pressão no braço, temos que relaxar. E depois o primeiro sinal sonoro será a tensão arterial máxima, que é quando o sangue-- e é quando nós sentimos que o sangue tá outra vez a, a circular aqui no nosso braço. Mas tu também tens uma vantagem, é que se não tiveres os valores corretos, tás no sítio certo, que é no médico de família para resolver o problema. Portanto, vou mostrar aqui os valores que deu. Temos aqui dois valores. Assim tá, tá bom? Temos cento e vinte e quatro, oitenta e quatro, que vulgarmente podemos dizer, arredondando, doze e meio, oito e meio, e uma frequência cardíaca de setenta e seis. Estes aparelhos, é, eletrónicos têm outra vantagem: tem-- é, memorizam os valores. E nós temos aqui, desligando-- este é desta forma, mas existem outras formas e também dá para avaliar noutros tipos, noutras marcas.

Vamos vendo aqui as memórias e tem outros valores avaliados ao longo do tempo. Tem a data, tem a hora, se ele tiver realmente programado para isso, e tem os vários valores dos últimos tempos. Claro que isto é um, um esfigmomanómetro de consultório e tem muitas pessoas diferentes, mas quando nós temos um aparelho em casa, e eu aconselho todas as pess-- as famílias a terem um, porque todos nós, a partir de uma certa idade, é importante termos a noção de qual é a nossa tensão e avaliar regularmente. Diz-me só uma coisa, esse é claramente uuum, um aparelho profissional, é, mas é possível adquirir um aparelho desses ou q-quais são os aparelhos que tu indicarias? É, este, ééé, normalmente deve ser realmente automático, deve ser colocado no braço direitinho.

Eles existem à venda tanto em farmácias como em lojas de produtos ortopédicos. Hoje em dia, até nas parafarmácias, nos grandes supermercados vendem. Claro que um bom aparelho, é, custa um pouco mais, hããã, mas eu, eu costumo dizer que eles duram toda a vida. Este é do meu trabalho, mas eu tenho o meu pessoal há muitos anos e é só mudar as pilhas. Claro que de vez em quando temos que ver se ele tá calibrado. Um técnico avaliar com a pressão de outros aparelhos para realmente ver se ele tá a avaliar bem. Mas não tem que ser uma marca XPTO, por assim dizer, não tem que ser uma marca muito cara. Convém é que seja realmente eletrônico e braçadeira no braço. Hããã, éE quando é normalmente avaliada, hã, na mesma pessoa regularmente, temos ainda essa vantagem, que é: vai ficando ali memorizado os valores. A pessoa depois quer mostrar no médico como é que tinha a tensão em casa, pode, é, ou levar o aparelho e mostrar as, as gravações, e tenho alguns doentes que tiram fotografias ao ecrã do aparelho e depois mostram nas datas específicas quanto é que tinham de tensão arterial.

Claro que eu também aconselho os meus utentes a não avaliar a tensão todos os dias, a toda a hora. Isso cria mais ansiedades e expectativa. Avaliar nas pessoas que estão, por exemplo, em estudo pra saber se é hipertensa ou não, avaliar uma vez por semana, duas vezes por semana. Nas pessoas realmente que já são hipertensas, que estão controladas, uma vez de quinze em quinze dias, uma vez por mês, se tiver controlado, pra ter uma noção. Ir registando ou gravar aqui no aparelho ou registar mesmo num papel. Mas é importante, realmente termos a noção do qual é a nossa tensão arterial habitual. Sendo que nalguns casos, sobretudo em casos de risco, acabam por-- haver um programa nacional que faz o acompanhamento diário e que a pessoa, aí sim, tem que fazer as suas medições, às vezes, em caso de diabéticos e por aí fora.

Mas explique-me, por que é tão importante que nós possamos fazer a medição da tens-- da tensão arterial, hã, nas nos-- nas nossas casas? Porque, hããã, a press-- a hipertensão arterial é uma doença que ela em si já é uma doença cardiovascular muito prevalente no nosso país e em todo o mundo, e das principais causas ou fatores de risco das doenças que mais matam no mundo, e no nosso país também, que são as doenças cardiovasculares, o enfarte e o AVC. E claro que tendo uma tensão arterial controlada dentro dos valores que é considerado, hã, direitinho, normal, que é-- o ideal é o cento e vinte, oitenta. Abaixo de cento e quarenta, noventa é bom, mas depende das pessoas que tivemos à nossa frente.

Agora, o ideal é abaixo de cento e quarenta, noventa. O ótimo mesmo é abaixo de doze, cento e vinte, oitenta. Muito bem. Vamos só fazer um pouquinho do intervalo, tá bem? Já voltamos, até porque falaste de hipertensão e queremos saber então o que é.

O que e a hipertensao

É mesmo já a seguir, são apenas alguns minutinhos. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do nosso médico de família de hoje. Estamos a falar de hipertensão arterial, mas antes de voltarmos a este assunto, quero lhe dizer que temos um, hã, uma revista, um guia de estudo para lhe oferecer. Provavelmente, já ouviu falar e não quer perder a oportunidade de também receber um gratuitamente. É o guia de estudo A Máquina Humana. Como disse, é totalmente gratuito e basta apenas enviar-nos uma mensagem para o 933 93 92 91, pra depois entrarmos em contato consigo para lhe o enviarmos gratuitamente. Na mensagem, deve escrever "Máquina Humana" pra sabermos que é este guia de estudo é que se refere e realmente é totalmente gratuito.

É uma oportunidade para si, cheio de dicas e conselhos práticos para um estilo de vida mais saudável. Cláudia, antes do, do nosso intervalo, tínhamos, hããã, falado, eu tinha prometido que te queria, hã, perguntar sobre a hipertensão arterial, e já vimos logo pela tua observação o quão importante é olharmos pra ela. Mas numa forma genérica, o que é hipertensão? É, sendo a pressão, é, arterial ou a tensão arterial a pressão que o sangue exerce sobre as artérias, quando este valor está elevado, considera-se hipertensão arterial. Mas não é elevado uma única vez, é de forma crônica e em repouso. Ou seja, eu não posso dizer que uma pessoa é hipertensa por um único valor elevado. Tem que ser uma avaliação ao longo do tempo e em repouso, porque após atividade física, após um evento, hã, que nos cria ansiedade, é normal que a tensão arterial fique mais elevada.

E considera-se hipertensão arterial quando este valor, hã, está acima dos cento e quarenta, noventa milímetros de mercúrio. Um ou outro, ou ambos? Exatamente, basta um deles estar elevado. É, é frequente nas pessoas mais jovens a hipertensão da mínima, ou seja, a diastólica é a que está mais elevada, normalmente acima dos cento e noventa-- dos noventa, perdão, milímetros de mercúrio. Nos idosos, é mais frequente a hipertensão sistólica isolada, que é a máxima que está elevada. Como é que ela surge? É assim, infelizmente, há-- noventa a noventa e cinco por cento dos casos de hipertensão não existe uma causa. É a chamada hipertensão primária.

Normalmente, quando o utente nos aparece numa consulta, depois vemos que a tensão está alta, noutra consulta tá outra vez alta, a pessoa avalia em casa, está elevada, nós fazemos uma pesquisa, através de exames, para realmente ver se existe uma causa pra essa hipertensão, porque pode existir uma causa cardíaca, tiroideia, hormonal, renal, mas em noventa a noventa e cinco por cento dos casos não existe uma causa. É a chamada hipertensão primária. É, claro que existe os fatores de risco, mas já lá vamos. Existe a tendência familiar também, ou genética e familiar, porque normalmente, além da genética, nós herdamos dos nossos pais, dos nossos avós, os hábitos de vida, da alimentação, se fazemos ou não atividade física.

Normalmente, ou mais comum, es-- copiarmos dos nossos pais. Existe a hipertensão secundária, em que realmente nós identificamos uma causa pra pessoa ter hipertensão, mas é muito mais raro, como vimos, menos de cinco por cento dos casos, e normalmente está associada à obesidade, à síndrome da apneia obstrutiva do sono, que infelizmente temos cada vez mais pessoas com esse problema de saúde, às doenças renais, porque os rins são órgãosMuito importantes ali no controlo da tensão arterial. E as doenças hormonais, como por exemplo a tireoide, podem interferir também com a tensão arterial. Mas o mais comum realmente é não ter uma causa. Ou seja, nós quando temos hipertensão é porque os dois fatores que interferem nelas, um deles está elevado aos dois.

Já vimos que a tensão arterial é a pressão exercida pelo sangue na parede das artérias. Se o volume de sangue for maior, essa pressão vai ser maior, o que nós chamamos de débito cardíaco. Hã, agora, que é o volume de sangue bombeado por minuto. Se as, as, o sistema vascular, as artérias, os pequeninos capilares e as veias têm uma maior resistência à passagem do sangue, também vai aumentar a tensão arterial. Por quê? Porque a tensão arterial é o débito cardíaco vezes a resistência vascular periférica. Basta um deles estar elevado, aumenta a tensão arterial. Claro que pode acontecer estarem ambos elevados. Algum problema de saúde em que aumenta o débito cardíaco ou a, a algum problema que realmente aumenta essa resistência vascular periférica.

Sendo que algum tipo de medicação também pode, hã, provocar algum tipo de alteração, não é? Sim, por vezes sim, sim, sim. Hã, há medicação que pode realmente elevar a tensão e há medicação que pode reduzir a tensão arterial. E normalmente nós avisamos nisso, é, quando introduzimos esses medicamentos, sobretudo se são pessoas hipertensas, se estamos a introduzir medicamento que pode elevar ou que pode diminuir a tensão arterial.

Importancia da medicao regular

Já mencionaste um pouquinho, hã, ao longo da, da primeira parte, mas eu queria gastar algum tempo do programa exatamente pela importância que isso tem. Trouxeste e decidiste, é, trazer este assunto aqui ao Médico de Família pela relevância que tem, o cuidado que todos nós devíamos ter em medir a tensão. O que que tu tens a dizer? Por que é que todos nós deveríamos fazê-lo de uma forma mais ou menos regular? Qual a periodicidade? E já agora, se consoante a idade devíamos fazer mais, como é que funciona? Uhum. É, claro que a tensão arterial, hã, deve ser avaliada regularmente des-desde a infância. Nas crianças, nas consultas de saúde infantil, por volta dos três anos, já começamos a avaliar a tensão, nem que seja uma vez por ano, para termos uma noção da tensão arterial daquela criança.

E toda-- em todas as idades, mas a partir de uma certa idade, muito mais. Mas antes de chegar a essa parte, eu gostaria só de, é, salientar que existem vários graus de hipertensão. Ok. Claro que a classificação dos vários tipos de-- o que é que é uma tensão normal, o que é uma te-- hipertensão, são critérios que têm valia-- têm variado ao longo do tempo e depende das sociedades que dão esses números cá para fora. Porque existe uma Sociedade Portuguesa de Hipertensão, existe uma Sociedade Europeia de Pe-- Hipertensão, uma Sociedade Europeia de Cardiologia, uma Sociedade Americana de Cardiologia. Com critérios diferentes. Pequenas diferenças nos nomes, por vezes. Ok. Não há dúvida que realmente ótima é a tensão abaixo de cento e vinte, oitenta. Consideram normal abaixo de cento e trinta, oitenta e cinco. Abaixo de.

Perdão. Entre cento e trinta e cento e trinta e nove de máxima, e ou, é sempre e ou, oitenta e cinco, oitenta e nove, já consideram normal alta. E hipertensão é maior ou igual que cento e quarenta, noventa. Mas existe grau um, grau dois e grau três, mediante, por exemplo, a Sociedade Portuguesa de Hipertensão. Desculpa lá interromper-te. Não significa que, é, esse valor, se for uma única vez, hã, a pessoa já é hipertensa. Portanto, tem que ter com aquele critério que já menci-exatamente. Isto é de forma crônica e em repouso. Porque por vezes pode haver alguma-- alg-- situações do dia a dia que façam com que uma determinada medição possa ser cento e cinquenta, cento e quarenta, em termos de, de máxima.

Sim, sim, sim. Sim, sim, sim. Claro que isto é várias avaliações ao longo do tempo e em repouso. É, e temos hipertensão grau um, dois e três e, por exemplo, na grau três é quando temos maior ou igual que cento e oitenta e ou maior ou igual que cento e dez. E claro, como já referimos, temos a hipertensão, é, sistólica isolada, que é quando a mínima está sempre abaixo dos noventa milímetros de mercúrio e a máxima- Vai oscilando. Acima dos cento e quarenta, e que é muito mais frequente nos idosos. A hipertensão, como já falámos há pouco, hã, até decorrente daquela tua questão, por que é importante a tensão arterial, por que que se fala muito em hipertensão? De acordo com vários estudos, estima-se que na Europa trinta a quarenta e cinco da-- por cento da população tem hipertensão.

E em Portugal não é exceção. Existem cerca de dois milhões de hipertensos, e isto é, são dados de 2015. Ou seja, o mais importante é que cerca de cinquenta por cento nem sabe que tem hipertensão. Por isso é que é importante, como estavas a dizer, avaliar a tensão arterial regularmente. É, é frequente as pessoas terem tensão arterial alta fora do seu contexto, quando vão à consulta. Chama-se mesmo- Estão mais nervosos, não é? Hipertensão da bata branca. Síndrome da ba-- da bata branca. Mesmo não-- o médico não usando bata branca, que é o meu caso, há muitos anos não uso, as pessoas, em contextos de consultório, têm sempre a tensão mais elevada. Por isso é que é importantíssimo, eu falo muito isso aos meus utentes, nós termos a noção como é que tá a sua tensão em casa. Ter um aparelho e avaliar se é hipertenso pelo menos de quinze em quinze dias, uma vez por mês, e anotar. Hã, claro que nós chamamos a isto, isto é um nome, é AMPA, avaliação da tensão arterial em ambulatório. Por quê? Porque dá o maior número de, é, registro de tensão e num ambiente, é, em que a pessoa está mais relaxadaÉéé, existe também a chamada hipertensão mascarada.

Existe a hipertensão da bata branca, em que a pessoa em casa tem sempre a tensão normal, chega ao consultório, está elevada. A hipertensão mascarada é o oposto. No consultório está sempre normal e em casa está elevada. Por isso é que é importante nós termos, hã, registo destas tensões, seja no consultório, seja em casa. E todos nós, médicos de família, temos uma percentagem significativa de utentes com hipertensão da bata branca, em que eles já sabem quando chegam à consulta, trazem sempre o registo da tensão em casa e que é importante eles terem essa noção e fazerem essa avaliação. Muito bem. Antes de fechar, só lembrar, até porque mencionaste a importância rapidamente, em poucos segundos, onde é que podemos adquirir os aparelhos? Só relembrar. Ok, nas farmácias, é, lojas de produtos, é, onde vendem este tipo de aparelhos, vendem cadeiras de roda, canadianas, aparelhos o-- produtos ortopédicos, é, nas parafarmácias das grandes superfícies também têm.

E, portanto, se são vendidos nesses locais, lugais, locais, à partida são certificados. Sim. Enfim. Sempre certificados, é importante. De braço, não de dedo- Sim ...sobretudo. Nem de punho. Muito bem, obrigado. Vamos voltar a este assunto, até porque queremos saber como prevenir. Fica então para um próximo programa. Para si que está desse lado, desde já, muito obrigado por estar aí. Mas dizer-lhe que temos uma lembrança para si. Durante o programa, estivemos a oferecer o guia de estudo A Máquina Humana, cheio de dicas muito práticas para o ajudar a ter um estilo de vida saudável e também como, é, transitar precisamente, sobretudo nas questões da alimentação, com, é, receitas, como preparar adequadamente os alimentos, enfim, conjunto de dicas muito importantes. E o melhor de tudo é que é totalmente gratuito.

Basta enviar-nos uma mensagem a dizer "Máquina Humana" para o 933 93 92 91. Antes de terminar, dizer-lhe que este programa estará disponível em podcast em radioacesso.pt e também no site, no YouTube da Novo Tempo Portugal. Um grande abraço, mais uma vez obrigado e se tiver alguma dúvida, algum assunto que gostaria de ver tratado e, é, respondido aqui no Seu Médico de Família, faça-nos chegar a sua sugestão para o mesmo número. Até ao próximo programa, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Neste episódio de "Médico de Família", mergulhamos no tema da hipertensão arterial com a especialista Cláudia Neves. Descubra como a pressão arterial funciona e por que é crucial monitorá-la. Aprenda dicas práticas sobre a medição correta da pressão em casa e entenda os riscos associados à hipertensão. Se você busca melhorar sua saúde cardiovascular ou simplesmente quer entender melhor este assunto vital, este episódio é imperdível. Acompanhe e tome o controle da sua saúde!

Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 47
Estreou
25 de Março de 2026
Categoria
Saúde