Rastreios em Portugal

Rastreios em Portugal

18 de Março de 202626 min 24 s

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Estamos de volta para mais um Médico de Família. É um prazer enorme estar na sua companhia. Hoje vamos ter uma convidada especial. Temos conosco a doutora Diana. Mais uma vez, Diana, muito obrigado por teres aceite o nosso convite. Diana Lascas, ela que é médica de família na UCSP de Serpa e que cumpre funções também no Centro de Medicina Física e Recuperação de Moura, e hoje vai ser a nossa médica de família. Bem-vinda, Diana. Bom dia, muito obrigada pelo convite, primeiro que tudo. Tu escolheste para este primeiro programa, e sim, terás, certamente terás mais oportunidades de estar conosco noutros programas, falarmos sobre rastreios. Mas sabemos que há desde os mais simples aos mais, hã, complexos, mas que estes rastreios podem salvar vidas. Foi por isso que tu achaste que seria pertinente falarmos sobre este assunto?

Sem dúvida. Acho sempre que é um pro-- é um tema muito importante. Hã, o rastreio é, hã, uma forma de nós detetarmos doenças numa forma muito precoce, em que as pessoas ainda não têm sintomas, não têm sinais, hã, e assim conseguirmos iniciar o tratamento o mais breve possível para que a pessoa possa ganhar, hã, algum tempo, hã, dessa doença, não é? Tu disseste algo bastante interessante, que é quanto mais cedo possível. Por isso é importante que haja, é, eu diria, é, respeito pelas datas, pela, pela altura em que os rastreios são marcados, exatamente para haver essa antecedência, não é? Exatamente. Existem-- os rastreios são pensados de forma a que, é, para cada doença, nós possamos detetar brevemente.

E há doenças que avançam de uma forma muito mais acelerada e, portanto, temos rastreios anuais ou bianuais. E há doenças que nós sabemos que têm uma progressão mais lenta, portanto, é possível fazer um rastreio de cinco em cinco anos ou de dez em dez, até. Muito bem, até porque algumas delas aparecem de forma silenciosa e os rastreios passam a ser fundamentais. Mas a pergunta agora que muita gente pode fazer é: então qualquer exame que fazemos é um rastreio? Ou o que é que faz de um determinado exame ser um bom rastreio? Es-- nem todos os exames são rastreio, né. Como já disse, o rastreio é um exame que vai procurar uma doença da qual a pessoa ainda não sente nada, não há qualquer sinal, não há qualquer sintoma. É, existem muitos outros exames que as pessoas fazem, até quase de rotina, ou porque, ai, agora tenho uma dor aqui, então vamos dirigir um exame pra, pra aquele problema. O rastreio, não há qualquer sintoma ou sinal, hã, e, é, nós fazemos o, o, o exame de forma a detetar uma doença que seja grave, é, e que a pessoa tenha benefício em iniciar um tratamento o mais breve possível.

Portanto, também aqui diferenciar que, é, rastreio não é prevenção, ok? Prevenção é o estilo de vida que nós temos, as coisas que nós fazemos, aquilo do qual nos abstemos para tentar prevenir, para tentar diminuir o risco de ter uma doença. O rastreio é detectá-la de forma precoce, ou seja, a doença já lá está, só que nós ainda não sabemos. E, portanto, há alguns critérios que os rastreios têm de cumprir. É, um exame, um bom exame de rastreio, é, pra já tem que ser dirigido a uma doença, como já disse, importante. É direcionado. Grave. É, um cancro, as pessoas estão mais habituadas a ouvir falar sobre os rastreios oncológicos, é uma doença grave e para a qual, é, deve existir tratamento eficaz. Ou seja, nós não vamos procurar uma doença pra depois dizermos à pessoa: "Ah, mas não temos nada a fazer", né.

Portanto, o rastreio é dirigido a uma doença grave, da qual nós temos tratamento e que tem esta fase silenciosa, porque não vamos estar a procurar doenças que nós sabemos que-que é rápida a sua progressão a partir do momento em que começa a ter-- a pessoa a ter sinais e sintomas. Se isto for, por exemplo, um intervalo de cinco dias, como u-uma, uma infecção vírica, por exemplo, não vamos rastrear, né. Claro. É, tem que ter uma fase silenciosa dum certo tempo pra que nós possamos fazer exames e assim possa ser detetado. Além disso, obviamente, tem que ser um exame simples, é, que não cause dor ou incômodo mínimo possível à pessoa, é, que seja pouco invasivo, que seja fácil da pessoa realizar e que-que nós possamos aplicar a toda a população.

Hã, além disso, tem que ser um exame eficaz, que possa evitar falsos alarmes, que-- ou seja, que não tenhamos o que nós chamamos do falso positivo. Ou seja, que vem um exame positivo, que vai causar ansiedade à pessoa e que depois, afinal de contas, não tinha nada, né. Portanto, convém que seja um, um exame que evite os falsos positivos. E- Desculpa, ainda antes de passares para outro assunto. O que pode muitas vezes acontecer é, até num determinado ex-- num determinado rastreio, se, é, há dúvidas ou se há ali qualquer coisa, mas não se tem certeza, o que normalmente se faz é exames complementares pra depois tentar perceber, é, se é ou não, é, positivo aquele rastreio. Precisamente. É, por exemplo, agora vou dar o exemplo do rastreio do, do cancro do intestino. É, o exame que nós fazemos é o PSOF.

Chama-se PSOF, que é o Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes. Ééé, ele vai pesquisar se há esse sangue, mas esse sangue pode vir de muitas outras patologias. Portanto, quando vem um positivo, ficamos na dúvida seÉ cancro ou não? E então aí temos que fazer mais um exame, que é a colonoscopia. E essa sim, o exame ideal para se diagnosticar um cancro do intestino, mas que por ser muito complicado, complexo, é, de difícil realização, difícil preparação, que implica ter um médico e, e um técnico, portanto, não dá para fazer a toda a população. Portanto, não é um bom exame de rastreio, mas é um ótimo exame diagnóstico. Portanto, o exame de rastreio tem que ser fácil, acessível a toda a gente, é, e deve ser custo-eficaz.

Desafios dos rastreios

Obviamente, tem que ser relativamente barato pra nós podermos aplicar assim a toda a população. E não só de forma genérica, mas também de forma regular, não é? Porque eles convém que também sejam regular, como, como tu, hã, mencionaste. Perfeitamente. A questão é que está mais do que comprovado o benefício dos, dos rastreios, hã, para a saúde. Tem salvo milhares de vidas, enfim, ao, ao longo dos anos que estão a ser implementados e cada vez mais novos rastreios e mais recentes vão surgindo. Alguns deles ainda não tão genéricos, como a retinopatia, que infelizmente ainda não há em todas as unidades de saúde, mas que está a crescer. Na tua opinião, como clínica, na tua prática clínica, o que é que, na tua opinião, leva as pessoas muitas vezes a não irem aos rastreios ou não valorizarem os rastreios?

Eu acho que pela, pela, pela minha experiência, o, o que eu vejo são duas, é, é, duas questões essenciais. Acho que as pessoas por vezes não compreendem a gravidade da doença. Por exemplo, um diabético- Relativiza. Não compre-- exatamente. Não compreende a gravidade de vir a ter retinopatia diabética até começar a ficar sem visão, não é? E isto já deixa de ser um rastreio, porque ele já está afetado, já tem retinopatia. E nós queremos, hã, detetar logo no início para que possamos tratar e terminar aquele problema. Hããã, e a outra questão é que, infelizmente, hã, nós não temos, hã, pessoas suficientes no Sistema Nacional de Saúde para estar constantemente a convocar e ligar às pessoas: "Venham, venham, venham".

Então é preciso um bocadinho de incentivo próprio, hã- Mas também uma responsabilidade, não é? Das pessoas se dirigirem aos- Responsabilidade própria. Exatamente. Dirigirem aos, aos, aos centros de saúde, aos hospitais, dependendo do tipo de rastreio, mas geralmente mais na parte dos cuidados de saúde primários, nos centros de saúde, dirigirem-se lá e dizer: "Olhe, eu já tenho X idade, já devia ter chamada pra um rastreio. É possível marcar consulta?" Portanto, tem que haver também um bocadinho esta iniciativa própria. Infelizmente, é necessário. É isso mesmo. Hã, e servem também programas como este para incentivar quem nos vê, quem nos ouve- Claro, claro ...hã, pra comparecer aos rastreios. Eles são muitos e diversificados, mas de uma forma genérica, aqueles que são os mais principais, hã, quais são os, os rastreios que nós temos no nosso país atualmente?

Pronto, era isso que eu dizia há pouco. Acho que a, a maioria das pessoas está mais habituada a ouvir falar sobre os rastreios oncológicos. É pelo impacto. Exatamente. O rastreio do cancro da mama, o rastreio do intestino, hã, um que às vezes nem todas as mulheres estão muito sensibilizadas, o rastreio do, do cancro do colo do útero, hã, e que também é extremamente importante, porque sim, é uma doença muito silenciosa durante muitos anos, hã, e que depois, às vezes, quando vamos a diagnosticar, já infelizmente estão, estão em fases mais avançadas. Hã, mas acho-- é bom fazer aqui um parêntese, hã, de explicar muito rapidamente às pessoas como é que se origina o cancro. E então depois falamos sobre os rastreios oncológicos. Muito bem. Hã, o nosso corpo é feito de milhões de células, e essas células têm a sua função, executam a sua função, trabalham e quando estão numa fase já terminal do seu tempo de vida, hã, que algumas células são de dias, outras de meses, hã, elas precisam de se multiplicar, dividem-se, hã, formam uma célula nova e depois morrem. E nesta divisão, por vezes ocorrem erros, hã, que podem ser causados por, hã, substâncias que nós estamos expostos.

Podem ser simplesmente erros genéticos que acontecem, hã, na altura da, da, da replicação, hã, por algumas infecções, alguns vírus que fazem com que as células depois ao se dividirem, hã, tenham, tenham problemas. Hã, e geralmente o corpo vai reparar estes erros, mas quando não consegue, por alguma razão, alguma célula dividiu-se de forma defeituosa, hããã, o corpo não consegue travar essa multiplicação e essa célula defeituosa vai se multiplicando e multiplicando e multiplicando, e passamos a ter um conglomerado ou aglomerado de células defeituosas. E é isso que nós chamamos um tumor. Pode ser benigno- E que se autoprotegem depois, não é? Exatamente. Que depois têm várias, vários mecanismos de defesa para não serem aniquilados. E estes tumores podem ter um comportamento mais benigno ou mais maligno, que nós chamamos, que é, que é o cancro.

Portanto, e se ele depois tem a capacidade apenas de ficar no local, geralmente é mais fácil tratar. Nós vamos lá, retiramos o tumor e acabou. Mas às vezes eles próprios também ganham ali outros mecanismos, que a-- temos os mecanismos de defesa e temos os mecanismos de ataque. Hã, e estas células às vezes viajam pra outros locais do, do corpo, e aí então temos, temos o, o cancro metastizado, que já tá, hã, com estas células, hã, defeituosas espalhadas por todo o corpo, às vezes. Então vou te pedir só, e desculpa tá, estar te a interromper. Antes então de falares dos rastreios existentes em Portugal, vamos só fazer um pequenino intervalo, um, dois minutinhos, e voltamos já para a segunda parte.

Rastreios oncológicos

TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do nosso Médico Família de hoje e tenho uma s-surpresa, uma prenda especial pra si: o guia de estudo A Máquina Humana, cheio de vários conselhos muito práticos para o ajudar a ter um estilo de vida mais saudável, quer na área do exercício físico, do descanso, da alimentação, até com algumas sugestões de refeições, hã, de transição, bem como preparar as refeições de forma mais saudável. E o melhor de tudo é que é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933 93 92 91, 933 93 92 91, a dizer "máquina humana" e depois nós mesmos entraremos em contacto consigo para lhe oferecer gratuitamente. Portanto, não hesite, ficamos à sua espera.

Diana, eu interrompi-te, peço mais uma vez desculpa por isso. Ias mencionar então os rastreios mais, hã, mais importantes no nosso país. Sim, nós, hã, a nível dos rastreios oncológicos, temos três organizados, hã, para, hã, toda a população. Quando digo toda a população, hã, pode ser apenas um dos sexos, ou seja, só mulheres ou só homens, ou, ou mesmo mulheres e homens. Porque depois existem outros rastreios que são mais individualizados, hããã, quer pelos, pelos fatores de risco pessoais, hã, quer por fatores de risco familiares, hã, portanto, mesmo as idades-chave em que estes rastreios que estão organizados, hã, podem ser alteradas de acordo com os fatores de risco da pessoa. Hã, mas falemos então dos rastreios que nós temos disponíveis e, e que aconselho vivamente a que as pessoas tenham atenção, hã, e que, que guardem um memorando lá em casa- Vou anotando.

Perdão, pra que, é, possam, hã, sempre tê-los atualizados. Então, comecemos pelo câncer do colo do útero. É dirigido a todas as mulheres entre os trinta e os sessenta e nove anos, hã, e, hã, faz-se um teste do HPV, ou seja, pesquisa-se a presença do vírus, porque o vírus é o precursor, neste caso, do câncer. Portanto, e entre a pessoa ter a infecção e desenvolver o câncer, podem ir até dez, quinze, vinte anos. Portanto, nós vemos que temos aqui esta fase latente muito grande, em que nós podemos facilmente detectar pequenas alterações no nível das células e ir lá retirá-las sem que, hã, sequer chegue a uma fase de, de câncer. Hã, portanto, s-se a mulher tem, hã, o vírus, hã, presente, é feito uma pesquisa de alterações nas células.

Hã, se houver, se houver já essa alteração, então a, a, a senhora é dirigida para fazer os tratamentos. Hã, se não, volta ao rastreio, que pode ser anual, dependendo se tiver a presença do vírus, e se não tiver, se tiver tudo negativo, é de cinco em cinco anos. Portanto, não custa nada. É um intervalo muito grande, que é fácil também das pessoas esquecerem, é verdade, mas, hã, não custa nada- Por um alarmezinho. ...de cinco em cinco anos fazer, hã, o vulgo que as pessoas costumam dizer, o Papanicolau, hã, a citologia, hã, para que possam ter este rastreio, hã, em dia. Só se dirigirem ao centro de saúde. Depois temos o, o rastreio do câncer da mama, hã, que aqui a Liga Portuguesa contra o Cancro faz um trabalho extraordinário. Hã, são eles que operacionalizam, hã, nas, nas várias cidades, hã, e é dirigido a todas as mulheres, hã, entre os quarenta e cinco e os sessenta e nove anos.

Esta faixa foi alargada recentemente, antes iniciava só aos cinquenta, terminava mais cedo e agora é dos quarenta e cinco aos sessenta e nove anos. As mulheres fazem mamografia de dois em dois anos e tá feito o rastreio. Hã, em relação ao câncer do cólon e reto, aqui sim, pra todos mesmo, homens e mulheres, hã, entre os cinquenta e os setenta e quatro anos, e era como falava há pouco, é uma pesquisa de sangue oculto nas fezes, é um exame que não custa nada fazer, hã, de dois em dois anos. Hã, e, hã, existem então outros rastreios que podem ser dirigidos conforme, hã, os-os, hã, os fatores de risco da pessoa. Mas não temos só rastreios oncológicos. E é, e é aqui, às vezes, que as pessoas podem, hã, podem, hã, não ter ainda, hã, a informação completa. Há um que toda gente faz, que eu acho que as pessoas nem consideram isso como um rastreio, que é o teste do pezinho.

Quando todos os bebés nascem, é colhei-- é, é colhida uma pequena amostra de sangue entre o terceiro e o sexto dia de vida, porque nesses dias é quando, hã, os, os marcadores estão mais equilibrados de forma a procurar as doenças. Hã, é feita essa pequena colheita, é mandada para o, o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge, que muita gente já conhece este nome, hã, e eles fazem uma análise desse sangue e pesquisam, neste momento, vinte e nove doenças. São vinte e nove doenças que têm, hã, uma manifestação precoce e que se for instituído o tratamento, hã, as pessoas, os bebés, as crianças, depois ao longo da sua vida, podem ter um, um, uma qualidade de vida muito melhor e podem ganhar anos de vida, hã, com estes tratamentos precoces.

Sendo que este é daqueles que menos falham- Sim ...porque há um acompanhamento muito grande já pré-natal e depois nessa altura, por parte das unidades de família, os médicos de família, os enfermeiros de família. Portanto, este é aquele que normalmente as pessoas mais cumprem. Sim, é, é. Este é aquele que a gen-- não, não precisamos de, de ligar a, a, a chamar. Até porque mesmo que os bebés ainda estejam no hospital, é feito no hospital. Se, se o bebê não saiu até o terceiro dia, hã, ou até o sexto, vá, eles dão sempre aqui esta margem entre os três e os seis dias, é feito no próprio hospital. Senão, hã, os pais têm que se dirigir ao centro de saúde. Porque até mesmo as famílias sem médico de família, nesta altura, elas são todas acompanhadas. Todas, todas. E, portanto, é bom sinal que, mesmo pra quem nos ve-- está a ver, a ouvir e ver, e pode pensar: "Ah, mas eu até estou, hã, a pensar ter um filho, entrar na gravidez, mas eu não tenho médico de família e vou esperar, não vou esperar".

Não precisa, porque nessa altura todos serão acompanhados. Todos, todos, todos. Basta se dirigir ao centro de saúde que ninguém vai, vai

Outros rastreios essenciais

negar fazer o, o teste do pezinho.É, e depois temos um rastreio que é dos tais que ainda está a ser implementado nalgumas, hã, regiões, que é o rastreio visual infantil. Este é talvez o que ainda não funciona tão bem a nível nacional, mas está a haver um esforço, é, para que todas as, hã, as ULS consigam, é, ter este rastreio disponível para as pessoas. E é realizado a todas as crianças aos dois e aos quatro anos. E basicamente não custa nada também, lá está, é um teste de rastreio, não é suposto ser muito custoso ou doloroso, é tirar uma fotografia aos olhos. Hããã, e é para, hã, acima de tudo, despistar o que as pessoas chamam o, o olho preguiçoso, a ambliopia. Portanto, hããã, é, com este rastreio, nós também conseguiríamos melhorar a qualidade de vida das crianças, detetar aquelas que têm problemas visuais mesmo antes de ingressarem as escolas, hã, que muitas vêm só ser diagnosticadas depois de já estarem na primária, quando se percebe que não conseguem ver bem- Como aconteceu com muitos da nossa geração, né, que fez esses exames.

Exatamente. E este rastreio era, hã, para, para ajudar nesse aspecto, mas, hã, é dos que ainda está em fase de implementação, mas acredito que daqui a uns anos possa, possa já estar melhor. E temos o da retinopatia diabética, que já falamos há pouco, que também é só tirar uma fotografia ao fundo do olho, hããã, e é feita a cada um ou dois anos. Isto depende de cada, hããã, cidade, cada ULS, como está organizada. Há vezes que é possível, hã, convocar as pessoas anualmente, há outras que é, que é de dois em dois anos. E depois temos outros rastreios que não são propriamente organizados, não tão de forma organizados populacionais, mas, hããã, que é recomendado as pessoas terem esse cuidado. E falo principalmente na hipertensão e na diabetes, que são duas doenças, hã, muito silenciosas. Hã, as pessoas às vezes podem já ter a doença há anos e não perceberem. Portanto- Aliás, as estatísticas, é, na Europa, mas também no nosso país, que acompanha as estatísticas na Europa, é que há muitos diabéticos não diagnosticados.

Exatamente. Precisamente, precisamente. Porque sem uma análise de sangue, nós não sabemos se temos a glicemia alterada ou não. Claro que pode haver sintomas, é verdade, mas é, é uma quantidade diminuída de pessoas que têm sintomas na diabetes tipo dois. Hã, e para terem sintomas, geralmente já têm a doença muito avançada e muito descontrolada. Portanto, é importante, principalmente ali, à volta dos quarenta, quarenta e cinco anos, fazer s-- hã, o mais cedo possível, se, se houver fatores de risco, mas medir a glicemia em jejum a partir mais ou menos dessa idade. E na hipertensão, seria idealmente, hã, hã, todas as pessoas. Nós, na consulta de saúde infantil, nós medimos, hããã, a tensão arterial a todas as crianças, principalmente ali a partir dos cinco, seis anos.

Hã, mas, pelo menos que fosse todos os adultos a partir dos dezoito anos, hã, medirem de vez em quando a, a tensão arterial, hã, para, para ter a certeza que, que está tudo bem. Tu não mencionaste, não sei se é por não ser rastreio, se é por ser outro tipo de diagnóstico, mas o exame à próstata não é considerado também uma forma de rastreio? Como é que funciona? É dos tais que não está organizado a nível nacional. Hã- Mas que é altamente aconselhado, não é? É, sim, sim. Mas isso é dos tais exames que nós fazemos dirigidos à pessoa, e será os homens que vêm à consulta e que nós fazemos o pedido das análises, hã, porque na-não temos, hã, um exame propriamente dito que possa ser replicável, hã, porque o exame objetivo, que seria uma forma também de detetar se a próstata está aumentada ou não, não é replicável, não é?

Hã, o meu dedo não é igual ao do colega e nós não temos a mesma sensibilidade. Portanto, isto não, não conforma como um exame de, de diagnóstico, sequer de rastreio. E a análise que nós fazemos, o PSA, não é um bom exame de rastreio, hããã, porque é muito pouco específico, hã, e, e não nos, não nos dirige para- Não consegue ser conclusivo, né? Não, não. Hã, portanto, geralmente, sim, nós até podemos pedir essa análise, e pedimos frequentemente aos homens, hã, mas não conseguimos fazer, hã- Em forma de rastreio ...disso um, um programa de rastreio, sim. O que, hããã, ficou patente por aquilo que tu disseste é que muitos dos exames

Literacia em saúde

com uma, uma, uma espécie de-- muito simples, né, como uma análise ao sangue, acaba por ser um rastreio, mas eles podem acontecer se, e de forma natural, se eu regularmente for ao meu médico de família. Exatamente. Ou seja, mesmo que eu não esteja atento às datas, a em que idade é que se deve fazer, à periodicidade. Se eu, hã, enfim, fingindo que não temos listas de espera, mesmo sem isso tudo que todos nós temos médico de família. A verdade é que, de alguma forma, pelo menos deveria haver da nossa parte intencionalidade de regularmente ir ao nosso médico de família- Exato ...porque eles acabariam por ser feitos naturalmente, não é? Exatamente. É que nós, mesmo aos utentes que têm médico de família, nós fazemos o seguimento desde que nascem, não é? E nós próprios vamos marcando as consultas de vigilância infantil.

Mas depois chega ali a fase adulta que nós perdemos um bocadinho as pessoas. E só quando chega aos quarenta, cinquenta anos é que: "Épa, tá na hora de voltares a vir aqui às consultas, porque temos de começar os rastreios, temos que começar aqui a fazer umas análises". Hããã, e portanto, as pessoas que não têm médico de família têm que ter, como eu dizia no início, têm que ter esta, esta iniciativa própria de se dirigir aos, aos cuidados de saúde para terem estas consultas e, e, e, e começarem a fazer estes exames, hã, com regularidade. Sendo que, hã, mu-muitas vezes já parte, enfimPelos, as próprias unidades de saúde, vou chamar unidades de saúde pra englobar as diferentes unidades de saúde, é, nalguns programas têm uma iniciativa própria. São os nossos-- são as próprias unidades de saúde que procuram, desde telefonemas, desde enviar cartas, mensagens, a iniciativa é por parte da unidade de saúde e muitas vezes obtêm a resposta, outras vezes não obtêm a resposta. Enfim, a questão das unidades de saúde familiares indicadores vem também acelerar mais proatividade por parte das unidades de saúde.

Mas na tua opinião, não achas que deveria haver uma responsabilização maior, eu diria uma lit-- é, uma, hã, literacia na área da saúde, apesar de toda a informação, para que todos nós, não é, fôssemos os primeiros a primar pela nossa saúde e procurar as nossas unidades de saúde? Sem dúvida, sem dúvida. Isso é o que mais se fala hoje em dia, literacia em saúde. E é realmente muito importante, porque o sistema falha, nós falhamos. É, e, portanto, quando o sistema não é capaz de, de convocar toda a gente e dar resposta, hã, a pessoa que sabe que tem que fazer os seus exames, que sabe que de vez em quando deve medir a sua tensão arterial e em casa não tem como fazê-lo, dirige-se à farm-- a uma farmácia. A pessoa que sabe que tem os seus rastreios para fazer e que ninguém os convocou, vai ao centro de saúde e diz: "Está na hora de fazer".

Portanto, é im-muito importante as pessoas terem esta informação precisamente por causa disso, porque o sistema, infelizmente, ainda não está feito de forma ideal, como em muitos sítios já acontece e consegue-se dar resposta e consegue-se convocar as pessoas todas. Mas quando isto não acontece, é muito importante que as pessoas tenham esta informação e que recorram aos, aos, aos serviços de, de saúde, porque, é, os rastreios é uma forma de nos preocuparmos com o futuro, é, e é extremamente importante. Mais um obrigado, mais uma vez. Obrigada, obrigada. Para si que está desse lado, chegamos ao fim do nosso programa, mas se, hã, quem não teve a oportunidade de tomar nota de todas estas datas e tu-todas estas, estes rastreios, ele ficará disponível em podcast. Já, já a seguir darei mais informações. Para já, lembrar a oferta que estamos a fazer ao longo do programa de hoje, o guia de estudo O Máquina-- A Máquina Humana, cheio de dicas muito práticas e conselhos para que tenha um estilo de vida mais saudável.

E o melhor é que é totalmente gratuito. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933 93 92 91 a dizer "Máquina Humana". Agora sim, tome nota, se não teve a oportunidade de ouvir todas as datas, se quer reouvir o programa, ele vai estar disponível na rádio, em radiorcs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Marcamos encontro no próximo programa. Foi um prazer enorme estar na sua companhia. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Neste episódio de "Médico de Família," recebemos a Dra. Diana Lascas, que nos ilumina sobre a importância vital dos rastreios em Portugal. Descubra como os rastreios podem detectar doenças silenciosas antes que se tornem ameaças sérias, e aprenda sobre os principais exames de rastreio disponíveis no país. Com a saúde em foco, este episódio é um guia essencial para entender como pequenos passos podem salvar vidas. Não perca a oportunidade de melhorar seu conhecimento em saúde preventiva!

Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 46
Estreou
18 de Março de 2026
Categoria
Saúde
Apresentação
Daniel Galaio
Convidados
Diana Lascas