Natureza e Saúde

Natureza e Saúde

11 de Março de 202627 min 8 s

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Bem-vindo a mais um Médico de Família. Hoje vai ser um programa bastante diferente e digo já que vai surpreender e é um programa muito engraçado. Não quero dizer que os outros não sejam, mas às vezes falamos aqui de coisas que não são propriamente, enfim, muito alegres, como, por exemplo, quando falamos de cancro. Alegre, como sempre, é ter aqui a Dra. Cláudia Neves. Mais uma vez, Cláudia, bem-vinda. Tristezas não pagam dívidas. Mas hoje, realmente, vamos continuar a falar de doenças de formental, mas tu escolheste como título Natureza e Saúde. Eu já sei mais ou menos o que é, até porque a curiosidade era grande, mas explica-nos lá então, sobretudo para quem ainda não percebeu o contexto do programa, do que é que nos vais falar hoje. É assim, esta ideia, deste tema, surgiu de um estudo que eu li, que eu já vou mais adiante dizer qual é o estudo, e que achei muito interessante e disse.

Mais pessoas têm que saber disto. Como realmente a própria Organização Mundial de Saúde diz que 1 em cada 4 pessoas tem ou terá na vida uma doença mental, o que é muito. E existem cada vez mais instituições e governos de países a investirem em estudos sobre o efeito da natureza na saúde. E chegou-se realmente à conclusão que, com este aumento crescente da saúde mental, que é importante a natureza para comatar, para ajudar a tratar, para prevenir as doenças mentais. Ou seja, com o aumento crescente da falta de saúde mental. Sim, sim, sim. E então, havendo cada vez mais investimento nesta área, diz-nos que existem evidências dos benefícios para a saúde da exposição aos espaços verdes e azuis.

Espaços verdes podem ser zonas verdes na cidade, pode ser uma floresta, pode ser um trilho. Espaços azuis à beira de um lago, de um rio, da praia, do mar. São conceitos diferentes e diz-nos que Estes estudos são acima de tudo observacionais e experimentais, ou seja, não existe uma investigação que diga é isto na natureza que provoca a saúde. Não. Nós vemos os efeitos nas pessoas por exposição na natureza como realmente existe essa melhoria da sua saúde mental. Sendo que, nesse estudo e fazendo já em confidência, é que muitos países e muitas regiões do mundo, tendo noção desses benefícios, também se adaptaram de forma diferente e é isso que tu vais partilhar connosco.

Sim, sim. Vais nos trazer essa qualidade em partes diferentes do mundo. Pode ser que nós encontremos alguma semelhança na zona onde vivemos e aproveitar aqui no pequenino país à beira-mar plantada e aproveitar então também o que de bom que temos nas mesmas circunstâncias. Então conta-nos tudo sem ser condenado.

Espaços verdes e saúde

Temos zonas verdes e temos zonas azuis, é verdade. E temos um mar imenso. É verdade. Um estudo longitudinal de 10 anos em mais de 2 milhões de adultos no Reino Unido Achei interessante porque é um estudo grande, diz que destacou o valor da proximidade a espaços verdes ou azuis e a sua relação com os transtornos de saúde mental mais comuns, mostrando que cada vez que a pessoa se distancia da zona verde ou azul mais 360 metros, aumenta a probabilidade 10% de ansiedade ou depressão. Ou seja, eu vou explicar em termos práticos, quanto mais nós estamos numa zona urbana e mais longe de espaços verdes ou azuis, maior a probabilidade de virmos a se ter depressão ou ansiedade na nossa vida.

Isto é o que demonstra este estudo realizado no Reino Unido. A amostra é quase 20% da população portuguesa, portanto é realmente substancial. É verdade. O estudo que eu li foi publicado em março de 2024 e o título era Reconhecer e Compreender as Contribuições da Natureza para o Sentido Humano do Tempo. Aqui o que é que isto demonstrou? O sentido humano, a noção que nós temos do tempo que está a passar, é um conjunto de processos que acontece no nosso cérebro e claro que a forma como cada um de nós vivencia o tempo é diferente. A percepção do tempo é uma componente essencial da experiência humana, mas também é muito subjetiva. O relato de tempo pode ser medido pelos instrumentos externos, que são o relógio.

E aí nós temos o tempo do relógio. Mas existe o tempo percebido e experimentado por cada um de nós, que é o tempo psicológico ou subjetivo. E o que é que isto quer dizer? O que é que isto tem a ver com a natureza? É que este tempo subjetivo, que é percebido por cada um de nós, depende até de onde nós trabalhamos ou de onde nós vivemos. Vários estudos diz que mostraram que o viver ou estar mais perto ou mais longe da natureza altera a perspectiva do tempo, do tempo que está a passar. Numa experiência, por exemplo, os participantes foram submetidos por um curto período de tempo, seis minutos e meio. Uns tinham que estar em silêncio dentro do edifício e outros na rua ao ar livre.

e diz-nos que aqueles que estavam ao ar livre tiveram uma noção de tempo mais longa do que aqueles que estavam dentro do edifício ou dentro da casa. Que engraçado. Ou seja, o nosso próprio ciclo circadiano reage em função dos estímulos que temos à nossa volta. A noção de tempo é diferente mediante o ambiente. Estes estudos indicam que o tempo é vivido de forma diferente e é percebido como mais longo na natureza em comparação com os ambientes urbanos. E uma das principais consequências da migração contínua, por motivos profissionais das populações para os grandes centros urbanos, é que cada vez temos mais esta noção que o tempo passa a correr. Isto tem a ver com a percepção subjetiva ou a percepção psicológica do tempo.

As consequências negativas é essencialmente esta noção de tempo mais acelerado e isto afeta a nossa saúde física e mental. E cada vez mais os governos e instituições, sabendo disto, tentam arranjar soluções. O que é que eu posso fazer para não ter tanta esta noção, esta perceção minha, subjetiva, de que o tempo passa rápido? Então, alguns autores foi que pegaram nisso e propuseram que esta perceção do tempo na natureza pode ajudar a neutralizar esta tensão temporal predominante nos ambientes urbanos e as suas consequências para a saúde associadas a isto mesmo. Ou seja, vendo esta associação entre a noção do tempo num local urbano é mais curta do que a minha noção temporal num espaço na natureza.

Então, há que realmente fortalecer esta parte, tentar passar tempo na natureza. Mesmo que seja no meio urbano, não é? Aquela que governa. Existem espaços verdes, existem trilhos, existem parques até de exercício físico ao ar livre em que realmente tenham espaços verdes. O tempo gasto, por exemplo, em caminhada em ambiente urbano é estimado com precisão. Diz que quem faz uma caminhada na cidade, tem a noção de tempo mediante o tempo externo do relógio. Enquanto que a pessoa que faz a caminhada na natureza tem um tempo que parece mais lento do que aqueles que fazem na cidade. Fazer uma caminhada na cidade melhora também o humor e diminui o stress.

É só benefícios, não é? Agora, pensando nisto, não só em termos de noção de tempo, mas benefícios para a saúde, e estamos a falar de saúde mental, mas já vimos aqui que ao melhorar a tensão, ao melhorar o stress, vai afetar a nossa saúde física. A tensão arterial, o risco de obesidade, o colesterol elevado, o risco de

Iniciativas internacionais

diabetes, de cancro, tudo isso. E vice-versa, melhorando a parte física, melhorar a saúde mental. Nós somos seres físicos e mentais, sociais e espirituais. Alguns países, então, passaram a investir nisto. Vamos começar, por exemplo, por Reino Unido. É um deles. E o grande estudo que foi feito, realmente grande, foi no Reino Unido. Diz que após a pandemia, o governo britânico decidiu investir 5 milhões de libras para recuperar os espaços verdes que tinha no seu país. Desde então, comprometeu-se com um amplo programa de intervenções comunitárias e voluntárias. Ou seja, pode incluir organizar caminhadas em grupo, na natureza, voluntariado para hortas comunitárias, para utilizarem espaços para fazer hortas comunitárias, ou esforços até em grupo organizados para a conservação da natureza.

Interessante. Um dos defensores deste projeto no Reino Unido é um médico que se chama o doutor William Byrd. Eu achei interessante que ele é defensor da prescrição verde. É assim que se chama. Quando um médico faz uma prescrição verde quer dizer que aconselha a passar mais tempo na natureza. Ele diz o seguinte, ele tem aqui frases que eu acho incríveis. O afastamento da natureza é uma parte importante dos problemas de saúde que temos neste planeta. Ponto. Esta é uma frase que é realmente incisiva. E depois tem esta muito interessante. O nosso cérebro foi projetado para se ligar com a natureza e não perdemos esse instinto. Quando estamos em contacto com o canto dos pássaros, a água fluindo, a vegetação, os níveis de cortisol, a hormona do stress, diminuem.

A nossa resposta de luta-fuga, aquela noção que é que eu vou fazer, desaparece e começamos a ser mais receptivos a outras pessoas. Fantástico. Isto demonstra realmente que está inerente em nós esta necessidade do contacto com a natureza. Ele próprio disse melhor então a nossa saúde social também. Exatamente. Eu diria que, sobretudo para nós que vivemos no grande centro urbano, não temos esse remédio verde, mas podemos, pelo menos, tomar um genérico, assumir o mesmo princípio ativo e aproveitar os jardins que temos à nossa volta. Não estamos longe do mar, mas há uma lagoa perto. Ou seja, nós conseguimos de uma forma mais pequenina, enfim, em Lisboa, no Porto.

Em todas as cidades do nosso país. Sim, sim, sim. Enfim, estufas e por aí fora, jardins. Jardins urbânicos. Aproveitar esses momentos. Pode não haver oportunidade para fazer isso diariamente, mas aproveitar o fim de semana. Ou seja, planear para que isso seja intencional e para que esses momentos aconteçam, não é? É, e podemos planear, como tu dizes, ou diariamente, semanalmente, mas já lá vamos. Até houve países que estudaram qual o tempo mínimo necessário para isso ter benefícios. Muito bem. Interessante. Depois temos aqui o Japão, por exemplo. Diz que em 1982 o governo japonês introduziu um conceito que eu achei muito interessante, que é o Shiri-nyoku. Shiri-nyoku é o banho da floresta. Banho na floresta. É incentivar os japoneses a utilizarem os 3 mil quilómetros que têm de floresta para terapia.

E desde então diz que o Japão tem estado na vanguarda da investigação científica sobre a ligação entre as florestas e a saúde humana. A pesquisa nesta área foi liderada pelo Dr. King Lee, que diz que lidera estas experiências desde a década de 1990 e hoje é um dos maiores especialistas do mundo nos benefícios das florestas para a saúde. Ele descobriu que passar tempo nestes ambientes florestais reduz as concentrações da tal hormona do stress, o cortisol, diminui a frequência cardíaca e a tensão arterial. Ele fundou mesmo um grupo de terapia florestal em 2004. E entre 2004 e 2012, o governo japonês investiu 4 milhões de dólares no desenvolvimento do Shirin Gyoku, do banho na floresta.

como Programa Nacional de Saúde. É um programa do governo mesmo, em que existem atualmente 62 bases certificadas para terapia florestal no Japão, todas com propriedades específicas de promoção de saúde. E diz que entre 2 milhões e meio e 5 milhões de pessoas caminham pelos trilhos florestais todos os anos, anualmente, e o shirin-yoku tornou-se uma prática padrão no Japão como forma de controlar o stress e tratar problemas mentais como a depressão e a ansiedade. Mas o governo japonês não parou por aí. Ele está a continuar a investir e diz que está empenhado em expandir estas 62 bases para 100 no país, em que realmente as pessoas recebem instruções do que é que vão fazer ali e o que é que podem fazer ali de atividades.

Estamos a falar de algo que é receitado pelo próprio Sistema Nacional de Saúde. Sim, sim, sim. Faz parte do Sistema Nacional de Saúde do Japão. Que engraçado. E agora, para Si gostar desse lado, dizer-lhe que já a seguir tenho uma oferta

Oferta e pausa

muito especial para Si, mas antes ainda vamos fazer um pequenino intervalo. Voltamos para a segunda parte. TV Novo Tempo, o canal da saúde. O canal da esperança. Estamos de volta para lhe trazer a segunda parte do nosso Médico de Família de hoje. Estamos a falar sobre saúde e natureza e eu prometi que tinha uma oferta para si e nesta oferta, o Guia de Estudo à Máquina Humana, temos, entre vários aspectos, entre várias áreas, todas elas para lhe trazer dicas bem práticas para um estilo de vida saudável, tem também uma área reservada à saúde mental, nomeadamente o capítulo 7, mas também oito remédios da natureza, que é precisamente aquilo que estamos a falar no programa de hoje, como a natureza pode ser benéfica para a nossa saúde.

E o melhor que tudo, como os oito remédios da natureza, é que é gratuito. É de graça. O que é que tenho que fazer? Basta enviar uma mensagem, um SMS, a dizer MÁQUINA HUMANA para o 933 939291. Depois entraremos em contacto consigo para enviar gratuitamente. para a sua casa. Cláudia, estavas a partilhar connosco que tinhas terminado os estudos do Japão, para que país vais agora? Ok, vamos para o país considerado o país mais feliz do mundo. Eu não sabia, existe um relatório mundial da felicidade e diz que em 2018 este país foi considerado a Filândia. Pensa-se que um dos aspectos que contribui para que eles sejam felizes é o seu espaço verdes e espaços naturais azuis.

Diz que é o país com mais florestas da Europa e diz que a maioria dos finlandeses estão habituados, faz parte da cultura deles, utilizarem esses espaços verdes ou a costa ou os lagos para atividades em família ou com os amigos. têm esse hábito. Sendo que é um país grandemente rural. Claro, tem as partes urbanas, mas é um país grandemente rural. Só as circunstâncias do país já mostra o benefício de estar em contato com a natureza. É verdade, mas também é importante eles terem essa noção e utilizarem. E perceberem que é uma realidade. No entanto, eles também perceberam que à medida que os finlandeses se mudam por motivos profissionais para os ambientes mais urbanos, aumentou os níveis de stress, depressão e ansiedade. E então, agora, o que é que fizeram os especialistas nesta área?

Estão a tentar calcular o tempo de preciso necessário ao ar livre para se manterem saudáveis e sãos. E então o governo finlandês investiu 16 milhões de dólares numa série de estudos, denominados Projeto de Saúde e Investigação Verde. Só para estes estudos, 16 milhões de dólares, para investigar os benefícios dos ambientes naturais e quanto tempo mínimo as pessoas deveriam estar nos ambientes naturais para serem mais saudáveis. Então eles mostraram, chegaram à conclusão, que apenas 15 a 45 minutos Por dia, num espaço verde, que pode ser um parque dentro da cidade, mesmo no meio da multidão e com algum barulho de rua, é suficiente para melhorar o humor, a vitalidade e a sensação de restauração.

15 a 45 minutos. Lá está o gestal genérico que eu falava há bocadinho. Mesmo não sendo o ideal, já é muito bom. Já ajuda. Eles concluíram que outra forma é 5 horas por mês. Eles utilizaram mesmo um nome, que é um projeto, que é 5 horas por mês. Foi o nome do projeto na Finlândia, que eles consideram a dose mínima recomendada pelo Ministério da Saúde para evitar a depressão. E o Ministério finlandês diz estar a reconhecer enormes poupanças para o Sistema Nacional de Saúde na prevenção. porque as pessoas estando mais saudáveis gastam menos depois no seguimento das doenças, doenças crónicas que se instalam, ou menos mortes, menos mortalidade. Cinco horas por mês, é o lema aqui na Filândia.

Em 2010, um professor de Psicologia Ambiental, eu não sabia que isto existia, este conceito de Psicologia Ambiental, o Dr. Corpela, diz que é especialista nos efeitos restauradores e do bem-estar dos ambientes naturais. Ele criou alguns trilhos poderosos, foi assim que ele os chamou. Ele estabeleceu determinados trilhos nas florestas. guiados, sinalizados para maximizar os benefícios da natureza. Então, em determinadas zonas dos percursos tem instruções, seja para parar e ouvir água a correr, parar e ouvir os cantos dos pássaros, parar e respirar a fundo, utilizar o ar puro, tem instruções ao longo destes trilhos poderosos.

Então, os caminhantes não precisam de ter um guia ou um guarda florestal certificado ou uma grande floresta curativa, diz assim. Só precisam ter vistas e as instruções estratégicas. E diz que são muito populares na Finlândia, estes trilhos poderosos, e que algumas pesquisas demonstraram benefícios fisiológicos e psicológicos para mais de 80% dos que participam, que fazem estes trilhos. estão a fazer mais trilhos semelhantes em todo o Norte da Europa, não só na Finlândia. Que engraçado. Mas 5 horas por mês, aliás, é um perigo. Eu diria que é uma medicação altamente viciante e que pode crer as pessoas a tomarem mais, a crerem mais.

Mas isto não tem efeitos secundários, se for em excesso. Pelo contrário, só traz benefício. Exatamente. Outro país que investe nesta área é a Suécia. Diz que tem um... um jardim que se chama Alpern Alnarp, perdão, Rehabilitation Garden, que tem um programa de terapia hortícola de grande sucesso há mais de 15 anos. Terapia hortícola, é um conceito um bocadinho diferente. É financiado pelo governo e utiliza o cultivo de hortas ou jardins, portanto, dedicar-se à agricultura, como estratégia de cura para pessoas com doenças mentais. Sobretudo para pessoas que estão com baixa médica de longa duração. O programa padrão diz que são 12 horas por semana durante 12 semanas, mas alguns estão lá mais meses a fazer este tratamento.

As estatísticas deles dizem que 60% dos pacientes do Alnarp regressam ao trabalho após um ano e que este valor é muito superior a qualquer outra terapia que façam para este tipo de doenças mentais. E o modelo está a ser replicado noutros locais e agora a ser testado também para refugiados traumatizados e pacientes com AVC. Porque traz benefícios. Simplesmente, portanto, terapia hortícola, cultivar plantas em hortas ou jardins. Desculpa lá fazer a inconfidência, mas eu estou-me a lembrar, há uns tempos atrás, penso que tu também estiveste envolvida nesse projeto. mas nós anunciámos, portanto, na rádio, que foi em Penela, precisamente na Vita Sal, salvo erro, em que no programa de saúde mental também tinha uma parte que envolvia trabalhar na horta, não era?

Eles passam tempo nos jardins e na horta, sim, sim. Pelo menos em Portugal já se pratica isso. Já se tenta, exatamente. Tem o período em que realmente estão a trabalhar ou no jardim ou na horta, sim, sim. Muito bem. Ainda na Suécia, a Suécia é um país que tem uma longa história de investir no estudo, na educação ao ar livre, as escolas ao ar livre, que não sei se já ouviste falar. As escolas são mesmo ao ar livre. Desde a década de 1950. É líder mundial na aprendizagem ao ar livre e diz que tem mesmo um programa de mestrado é Educação Ambiental ao Ar Livre e Vida ao Ar Livre na Universidade de Linköping, que é o único programa deste tipo no mundo voltado diretamente para as escolas ao ar livre.

Portanto, a Suécia já está focada neste assunto. Outro país nós temos aqui é o Canadá. Voltamos agora para outro continente. Disto tem uma série de iniciativas para também promover os ambientes naturais para a saúde física e mental. Desde 2012, milhares de canadianos adoriram a um desafio que se chamava Desafio Natural 30x30, da Fundação David Suzuki, que comprometiam-se a passar pelo menos 30 minutos na natureza todos os dias durante o mês de maio. Era este o programa. e diz que milhares de canadianos já aderiram a este programa. Durante o mês de maio, 30 minutos por dia é na natureza. 30 vezes 30. Moodwalks é um outro projeto de sucesso, liderado pela Associação Canadiana de Saúde Mental, vemos também, portanto, é governamental, e promove a atividade física na natureza, chamam-lhe o exercício verde, como forma de melhorar o bem-estar físico e mental.

Eu acho isto incrível, porque realmente é inteligente, porque estão a investir na promoção da saúde, na prevenção das doenças. Claro que o investimento, a poupança é a longo termo, mas é o mais importante, não é? Portanto que, empiricamente, podemos até dizer que isto não aparenta ser nada

Conclusões e encerramento

novo. No entanto, quando percebemos que há resultados de estudos que comprovam a pertinência, enfim, o benefício que temos em estar em contacto com a natureza, esta questão do verde que é transversal a vários exemplos que deste, mas percebemos também que o azul também, o mar faz a mesma coisa, traz claramente, eu diria, uma responsabilidade acrescida porque percebemos que realmente faz bem. Devemos investir, da mesma forma que hoje em dia é moda, eu diria, é moda no sentido em que se começa, é quase um status. Se eu sou vestariano ou vou ao ginásio, percebemos que para além do benefício há uma consciencialização por parte das pessoas dos benefícios que traz. Esta área de contacto com a natureza devia ser igualmente uma aposta racional e programada por parte das famílias para passar um tempo de qualidade na natureza.

E favorece. Estamos a falar da saúde física e mental, mas não podemos esquecer a parte social, sobretudo se o fazemos, como tu disseste, com amigos ou família. Nossa saúde social está-se a perder muito na nossa sociedade hoje em dia. Estamos a perder o contacto físico, o contacto social. É mais pelas redes sociais. Isso não é bem o social, é diferente. Há, pode também haver aquela desculpa de... Mas na minha freguesia não existe isso. Mas hoje em dia todos nós... Nosso. País, nós não podemos queixar-nos disso, não é? Às vezes com dois e três carros, enfim, sabendo que não é a realidade de todas as pessoas que nos veem, que nos ouvem, estamos à distância, à pouquinha distância, de lugares fantásticos. Enfim, a Zona Norte tem zonas lindíssimas, a Zona Centro.

O Orientejo, então, é apaixonante. Enfim, todo o nosso país é um país privilegiado nessa área. Na realidade não temos desculpa. Mesmo a poucos minutinhos, cerca de meia hora, estamos num lugar, certamente, onde encontramos isso. E podemos até, se vamos a pé, ou se formos a pé, ou ao supermercado, ou à padaria, ou até ao trabalho, porque não aproveitar e passar por um sítio verde, não é? Por exemplo. Mas é verdade que isto é uma questão cultural, como vimos aqui destes países, e se calhar é isto que temos que sensibilizar a população em geral, os médicos de família, a dar estes conselhos. Porquê? Porque as pessoas se calhar preferem que o médico passe uma receita de um comprimido. Mas se o médico lhe diz, olha, vai dar um passeio na natureza, não está a desvalorizar as suas queixas, não está a dizer que aquilo que você está a sentir não é nada importante.

Não! É porque realmente o estar na natureza é benéfico para a sua saúde. Mas o truque é, se tu passares a fazer assim, vou-lhe receitar aqui um comprimidinho verde, Descrição verba. Não, um compromidinho verde. Depois dizes a seguir que é uma prescrição verde e explicas. Mas é verdade, às vezes com as coisas mais simples temos a não valorizar, não é? Cláudia, estamos mesmo a terminar. Também para a parte médica, em termos como colegas, acho que seria importante também os profissionais de saúde investirem na importância desta área, porque não é muito divulgada. Tu tens estado a partilhar aqui, mas não é muito divulgada. Assim como, por exemplo, o exercício físico dá uns tempos para cá, nós, o nosso próprio programa em que trabalhamos, podemos prescrever exercício. É uma questão recente.

Eu que acredito que é uma questão de consciencialização, mas realmente estudos todos chegaram a essa conclusão. Cada vez os médicos deviam estar mais sensíveis a esta necessidade da população de estares perto da natureza. Muito bem, chegamos ao fim de mais um Médico Família. Como disse logo no princípio, era um Médico Família diferente, mas tenho a certeza absoluta que apreciou. Pelo menos eu também apreciei. E o que vai apreciar é, sem dúvida nenhuma, também esta oferta que temos para si, o Guia de Estudo à Máquina Humana, que tem 8 remédios naturais para si, à sua disposição, gratuitos. Precisa de saber como utilizá-los, como a luz solar, a água, o estilo de vida, enfim, o exercício, o descanso e muito mais, e também com uma área especialmente dedicada à saúde, e é mesmo totalmente gratuito.

Basta enviar-nos uma mensagem a dizer Máquina Humana para o 933 939291. Se não teve oportunidade de ouvir este programa na íntegra, ele estará disponível em podcast em radioxcs.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. O Médico de Família chega ao fim. Antes de fechar, dizer-lhe então que se tiver uma sugestão, quiser que possamos abordar um determinado tema aqui, faça-nos chegar a sua sugestão. Foi um prazer estar na sua companhia. Até ao próximo Médico de Família.

Sobre este episódio

Neste episódio do Médico de Família, é explorada uma abordagem surpreendente e profundamente atual, a ligação entre natureza e saúde mental. 🌿

Sabia que viver longe de espaços verdes ou azuis pode aumentar o risco de ansiedade e depressão? Estudos internacionais demonstram que a proximidade da natureza influencia diretamente o nosso bem-estar emocional, a perceção do tempo e até os níveis de stress.

Com base em investigações realizadas no Reino Unido, Japão, Finlândia, Suécia e Canadá, este episódio revela como diferentes países estão a investir milhões na chamada “prescrição verde”, incentivando caminhadas na natureza, terapia florestal, hortas comunitárias e programas ao ar livre como estratégia de prevenção e tratamento da depressão e ansiedade.

Um estudo longitudinal no Reino Unido, com mais de 2 milhões de adultos, concluiu que cada 360 metros de afastamento de espaços verdes ou azuis aumenta em 10 por cento a probabilidade de desenvolver ansiedade ou depressão

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Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 45
Estreou
11 de Março de 2026
Categoria
Saúde