Burnout

Burnout

25 de Fevereiro de 202626 min 43 s

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O que e o burnout

Bem-vindo mais uma vez a este nosso seu consultório médico de família aqui na Novo Tempo Portugal e também na Rádio RCS. E hoje volto a estar mais uma vez na companhia da Dra. Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. E, mais uma vez, muito obrigada. É um prazer estar aqui neste consultório e achei interessante o desejo nosso, o vosso, não é? Hoje vamos voltar a falar de doenças, neste caso do fluoro mental, e esta bem recente, não é, chamada burnout. Explica-nos há um pouquinho porque é que decidiste falar sobre este assunto. Sobretudo porque, segundo o que eu vejo na minha prática clínica, muito mais frequente que era há uns tempos atrás, e também mediante os dados estatísticos, é um problema de saúde cada vez mais frequente na população portuguesa também.

Infelizmente também se assinala em Portugal e é-se crescendo. Sendo uma doença recente, nem sempre foi conhecida como doença, destacada também das outras doenças do foro mental, o que é concretamente o burnout e porquê aquela se distingue-se das outras? A palavra burnout é um estrangeirismo que nós utilizamos do inglês e quer dizer literalmente queimar até ao fim. É uma doença considerada como tal pela OMS, a Organização Mundial de Saúde, desde 2019. e é causada pelo stress excessivo no seu local de trabalho com manifestações a vários níveis. Normalmente é quando a pessoa, por sobrecarga de trabalho ou por mau ambiente no trabalho, já não consegue produzir como deveria realmente na sua atividade profissional.

Podemos dizer que é uma resposta complexa do nosso corpo, do nosso organismo, a uma solicitação acima daquilo que somos capazes, físico e emocionalmente, no nosso local de trabalho. Enfim, depois a resiliência também varia de cada um, as circunstâncias também variam, o contexto familiar também muitas vezes, o suporte familiar ajuda, portanto é realmente bastante complexa. Disseste logo no início da nossa conversa que é crescendo e em Portugal também se verifica isso. Tens dados? Tu costumas normalmente andar atrás dessas estatísticas.

Estatisticas em Portugal

Conheces dados atuais da qualidade em Portugal? Temos dados realmente dos trabalhadores portugueses. Segundo dados da Associação de Psicologia e da Saúde Ocupacional, em 2008, 9% dos trabalhadores portugueses estavam em burnout. Em 2008 eram 9%. Em 2013 eram 15%. Em 2016 eram 17,3%. Vemos aqui realmente este aumento progressivo ao longo dos últimos anos. Segundo outros dados do State Health Report de 2022, aqui não é que tiveram burnout ou que estavam em risco de ter burnout, mas a porcentagem, claro, é muito maior. Diz que mais de metade dos portugueses, o dado é de 57% dos portugueses, dizem já ter estado quase a sofrer de burnout.

Isto em 2022, portanto mais de metade. Segundo um estudo que foi publicado em 2023 e que foi feito em 2022, chegaram a conclusões interessantes. Diz que os colaboradores afirmam que a principal razão para o burnout é o facto de não se sentirem suficientemente recompensados e reconhecidos pelos seus esforços. Ou seja, não tem a ver só com a quantidade de trabalho, mas também com a perceção que a pessoa acha que os outros têm da sua atividade e como o veem como trabalhador. Ou seja, não quer dizer que seja apenas aquilo que é a retribuição financeira. É como se sente integrado, valorizado entre os pares e entre as esferas. Exatamente, sobretudo no relacionamento, como tu disseste, entre os chefes, entre a parte da hierarquia superior e os pares, os colegas.

Diz-nos que os trabalhadores da saúde, da educação e da administração pública são normalmente os que estão em maior risco de burnout. Isto é um estudo que foi apresentado pelo Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis, que foi publicado em maio de 2023 pela agência Lusa. Este estudo analisou 2 mil trabalhadores de diversos setores de atividade e identificou o risco de alterações de problemas de saúde mental. E chegaram à conclusão que quase 80% dos trabalhadores apresentavam pelo menos um sintoma de burnout. E estamos a falar de Portugal, não é? Ainda este mesmo estudo diz que Uma das conclusões que chegaram é que quando se fala de burnout parece que é excesso de trabalho, mas às vezes não é só excesso de trabalho.

Reforça aquilo que estávamos a dizer há pouco. Por exemplo, pode haver exigência extrema a nível de esforço físico e psicológico, emocional ou até cognitivo, mas também podem contribuir para esse burnout as tensões, as relações tóxicas com as lideranças e com os próprios colegas de trabalho. Explicou realmente a coordenação deste estudo que foi publicado em maio de 2023. Então, enfim, tu já mencionaste aí três áreas grandes, todas elas que envolvem lidar com o público, lidar com pessoas, neste caso na esfera da pública, mas tu tens noção do que é que leva a pessoa a entrar em burnout. É muito mais, certamente, do que lidar com pessoas, não é? Desses três casos que apresentaste.

Sim, sim. As áreas que dizem os estudos que têm o maior risco em que os trabalhadores podem ter burnout é a saúde, a educação e a administração pública.

Causas e fatores de risco

Um dos fatores, realmente, é atender o público. Mas diz-nos que há várias causas possíveis. Podem ser várias ou pode ser só uma que realmente pode levar a pessoa a essa situação. A excessiva pressão de tempo para a produção do trabalho. O excesso de trabalho em si. E como já falámos há pouco, a falta de apoio, acharem que são injustiçados, falta de clareza sobre as funções e as responsabilidades no trabalho. Por isso é que é importante a comunicação. Aqui nesta terceira causa vemos que realmente é a falta de comunicação, esclarecer qual é a sua função e o que é que se espera da pessoa, quais são os objetivos. A falta disto também pode gerar burnout. Sendo que, no início tu disseste que mais de metade das pessoas, cerca de 57% se me memorem, sentiam que já tinham passado por uma situação de quase burnout.

Muitas vezes esta doença aparece de forma silenciosa e também saber se é ou não burnout é muito técnico. Na tua opinião, o que é que pode levar estas pessoas a sentirem, só pelo menos terem a percepção de que estão numa situação de causa de burnout? Percebes onde eu quero chegar? Sim, percebo. Se é uma coisa tão incerta, às duas por três, uma ansiedade, qualquer coisa, já posso dizer estou com burnout. Eu vejo pela minha experiência, é quando as pessoas veem que não estão bem a vários níveis, e esses vários níveis podem ser físico, mental, emocional, social, laboral, e que associam em que a causa determinante desse problema de saúde é o seu local de trabalho, o seu trabalho, a sua forma de trabalho. Conhecem a fonte do problema e por alguma razão sentem que não estão a conseguir lidar com a situação.

Exatamente. estão já com sinais e sintomas que são diferentes e, acima de tudo, notam que já não fazem por prazer. E, normalmente, as pessoas, quando vêm à consulta, nem utilizam a palavra barnaldo. Eu não estou bem. Eu tenho isto, tenho aquilo, faço isto, faço aquilo, não deveria fazer ou não era assim. Estou quase a entrar em depressão. Sim, sim, sim. E depois, quando tentamos inquirir mais, é que percebemos que o cerne, a causa, está realmente no seu trabalho. seja na forma da organização do trabalho, seja na pressão do trabalho, seja porque mudou o local de trabalho, é realmente a origem do seu problema. E por ser essa a origem, em vez de ter outro nome, como ansiedade ou depressão, passa a ser burnout. Cláudia, como falaste em sinais, em sintomas, eu quero que já já a seguir possamos falar sobre isso, até por quem está do outro lado, para perceber a diferença e perceber a chegada do problema a poder resolver atempadamente, mas, atempadamente, vamos fazer um intervalzinho apenas alguns minutinhos, alguns segundinhos e voltamos já a seguir para a segunda parte também com uma oferta muito especial para si.

Como lhe disse, estamos de volta para a segunda parte do nosso Médico de Família de hoje. Estamos a falar de burnout e eu disse que tinha uma oferta muito especial para si. A oferta que tenho para si é o Guia de Estudo, a Máquina Humana, muito completo, cheio de dicas e conselhos muito práticos para um estilo de vida mais saudável. mas que tem precisamente um dos capítulos, o capítulo 7 desta revista, é precisamente sobre um capital em risco, como proteger a sua mente. É um capítulo inteiro dedicado precisamente à questão da saúde mental, quer seja um local de trabalho ou não. E o melhor de tudo é que é mesmo totalmente gratuito. O que tem que fazer é apenas enviar-nos uma mensagem, um SMS, para o 933-939291.

Depois entraremos em contacto consigo para lhe o enviar gratuitamente pelo correio. Não hesite, entre em contacto connosco. Cláudia, tinha então interrompido, prometido então que falaríamos sobre os sinais e sintomas, já com algo na minha mente. Muitas pessoas que nos estão a ouvir vão dizer que estou com burnout. Há essa tendência, não é? Começamos a ouvir falar nos sintomas e eu estou a sentir isto.

Sinais e sintomas clinicos

Também é um perigo, não é? Eu ia dizer isso, porque realmente sempre que referimos sinais ou sintomas há esse risco que nós corremos. Porquê? Porque eles são muito subjetivos e podem ser sinais e sintomas de muitas patologias diferentes. Mas nós podemos subdividir em tipos de sinais e sintomas. Os físicos, aqueles que se manifestam fisicamente, os emocionais, os cognitivos, os comportamentais, os sociais, até os existenciais e laborais. Vou tentar especificar um bocadinho. Os físicos, náuseas, a vontade de vomitar, a diarreia. Porquê? Porque isso gera um bocadinho de ansiedade e que acelera tudo o que é a parte digestiva. Sentir o coração bater rápido, as palpitações, a sensação de falta de ar, as tonturas, o transpirar muito, a tensão arterial pode ficar elevada, e é algo que é temporário, as dores de cabeça enquanto está em burnout.

É temporário, mas não numa medição. Ou seja, é temporário, mas mantém-se durante algum tempo enquanto está em burnout. Ou pode estar em alguns períodos, em alguns dias. as dores de cabeça, a fadiga, o cansaço, prolongados, dores e tensão muscular, alterações do sono, sobretudo a insónia, não dormir em quantidade ou qualidade adequadas e alterações do apetite, que pode dar para falta de apetite ou para aumento do apetite. E nós vemos que tudo isto é muito inespecífico. Estes são os sinais e sintomas físicos. Sinais e sintomas emocionais. Também vão perceber que é muito inespecífico. A tristeza, a frustração, a raiva ou revolta, a irritabilidade, a ansiedade, a baixa autoestima.

Sinais e sintomas cognitivos, ou seja, já tem a ver com a parte intelectual. A dificuldade de concentração e atenção. Alterações da memória, parece que não fica cá nada gravado, esqueço tudo. Confusão, trocar as coisas. maior lentificação na realização de tarefas que habitualmente realizava de forma mais célebre, menor criatividade até. Tudo isto realmente são sinais e sintomas muito inespecíficos. Comportamentais, notamos na pessoa que está com uma atitude mais crítica, vê tudo pelo lado negativo. evitar determinadas circunstâncias que lhe criam ansiedade, até no local de trabalho ou com outras pessoas, a impulsividade, parece que a pessoa deixa de ter um bocadinho os filtros, deixa de ser mais polida e gentil, e é impulsiva.

Espara mais facilmente. Exatamente. A própria agressividade, que também pode ser física, mas é sobretudo psicológica, e o abuso ou aumento de substâncias, do álcool, do tabaco, do café, ou até de medicação. Uma forma compensativa, não é? Exatamente. Temos também outros sinais e sintomas sociais, que é o isolamento, apetece-lhe estar mais sozinho, não está tanto nem com os familiares, nem com os amigos, menor convívio com outras pessoas. Há pessoas que chegam mesmo a alterações dos conceitos existenciais. Conflitos de valores e de crenças. Será que aquilo que eu acredito é mesmo assim? Será que não é? A necessidade de redefinir a vida e as prioridades pessoais. Vemos que isto mexe aqui com todas as áreas da vida de um ser humano.

E, claro, no próprio trabalho maiores vezes a pessoa chega atrasada ao trabalho, mais ausências ao trabalho, maior número de dias de baixa médica porque não está bem, maior número de erros no trabalho, menor produtividade e até eficácia profissional. Portanto, a causa está realmente na atividade profissional e isso vai se manifestar também nessa atividade profissional. E vemos aqui que Estes sinais e sintomas são muito inespecíficos, mas dá para ter uma ideia, apesar de alguns deles se confundirem com ansiedade e com depressão. Já lá vamos, porque é importante também perceber a diferença. No entanto, mesmo que sejam muito inespecíficos, a verdade é que esses sinais muitas vezes acontecem de forma cumulativa com vários dos que tu mencionaste.

E isso pelo menos já deve chamar, dar atenção e um alerta. Normalmente aqueles mais cognitivos, quando a pessoa percebe que realmente a sua produtividade está longe daquilo que era, a pessoa já começa a perguntar-se o que é isto. Às vezes não liga tanto à questão de não dormir tão bem, enfim, pode haver outros fatores. Mas se sentir que dois, três ou mais desses sintomas se manifestam simultaneamente, pelo menos deve acender e um alerta. Na tua opinião, mesmo que muitas vezes se possa falhar por defeito, é à altura de pedir ajuda ou pelo menos tentar perceber o que se passa? Claro que sempre que a pessoa não está bem, e quando eu digo não está bem, é assim. Falamos aqui numa panóplia grande de sinais e sintomas em vários níveis.

E normalmente as pessoas têm um ou dois de cada área, ou têm mais até da área física, por exemplo, do que social. Depende das pessoas. Algumas manifestam-se mais nos sinais e sintomas sociais do que até na física. Somos todos diferentes. Mas basta a pessoa não estar bem, deve pedir ajuda. Claro que sim. Há uma questão que é. Sabemos que, infelizmente, o nosso sistema nacional de saúde, quer na saúde oral, quer na saúde mental, está um bocadinho à caixa, sobretudo na questão da psicologia, não tanto na psiquiatria, mas enfim, são assuntos já mais complexos. O médico de família continua a ser uma boa solução para uma fase inicial, para uma fase como esta, até porque já há recursos, quer em termos de estilo de vida, em termos médicos, que podem ajudar as pessoas numa fase inicial, não é?

Claro que sim, é assim, normalmente um barnauto a pessoa nem tem que ir ao psiquiatra, o médico de família trata o barnauto. Claro que podemos falar mais adiante quando falamos propriamente do tratamento, mas uma das facetas importantes do tratamento é a ajuda médica. E a ajuda médica pode ser com medicação ou sem medicação. Pode ser simplesmente conversar com o médico para tentar perceber que tem este problema, porque a pessoa chega normalmente à consulta e não sabe qual é o problema. Muitas das pessoas acham simplesmente que estão com depressão. A ideia mais comum que as pessoas têm quando têm esses sinais e sintomas é que estão com depressão. E depois, ao fazermos a história clínica, ao avaliarmos aquela pessoa, é que nós dizemos que a pessoa está com um baronauto.

Portanto, a avaliação médica é sempre importante. Mas a avaliação psicológica é uma das facetas do tratamento desta doença. Agora sim, então qual é a diferença? É demasiado simplista dizermos. É uma depressão com problema no trabalho, é burnout. Não é do trabalho, é depressão. Quais são as diferenças? Normalmente, o burnout pode existir com ou sem depressão.

Diferenca para a depressao

A pessoa pode ter burnout e pode ter depressão. Pode ter burnout sem depressão. E o que se distingue é, normalmente, quando retiramos a causa do burnout, seja o problema no local de trabalho, seja porque a pessoa muda de função no seu local de trabalho, muda até da empresa, do local de trabalho. Ou seja, quando o fator de tensão é retirado da equação. O burnout desaparece. É tratado, é curado. Se a pessoa está com depressão, não, permanece mais tempo. E podemos realmente tirar o fator desencadeante e a pessoa se estiver com depressão ainda precisa de ajuda para realmente recuperar daquela depressão. É muito provável que a pessoa continue a estar deprimida apesar de ter tirado ali o fator desencadeante se a pessoa tiver depressão. Mas se a pessoa tiver só burnout, e isto é muito comum na nossa prática clínica, ao resolver esse problema, a pessoa fica logo bem.

Eles próprios, quando vêm à consulta de avaliação, dizem que estão ótimos, estão novos e que recuperaram totalmente. As pessoas próprias sentem isso. Aliás, normalmente, períodos de ausência de trabalho, como de férias ou miniférias, já traz, normalmente, melhorias quando é mesmo burnout. Ou seja, quando o fator desencadeante está ausente, já se sente algumas melhorias, às vezes até significativas. Ou seja, mesmo por breves períodos, a pessoa Quando é mesmo só o barnaulte já se sente a diferença, não é? Sim, mas a questão é assim. É que normalmente a pessoa com barnaulte, é verdade que o retirar daquele local de trabalho temporariamente e em alguns casos definitivamente faz parte do tratamento. E há pessoas que nós temos que realmente dar uma baixa médica durante uns tempos para recuperar.

Mas a pessoa tem uma mente que não para e começa a viver por antecipação o dia em que vai ter que voltar ao local de trabalho. Claro que a ideia é sempre ir à causa do problema. Por isso é que nós falamos, quando falamos tratamento, é melhorar as circunstâncias e as condições que originaram o burnout. Seja as condições de trabalho, seja as relações profissionais, seja diminuir o isolamento mesmo no local de trabalho, melhor integração profissional. Eu normalmente aconselho as pessoas a falarem sempre com a liderança e falarem com a medicina do trabalho. que a Mensina do Trabalho também ajuda nesta área. Claro que depende da profissão de cada um, mas há profissões em que se pode mudar de função, de local de trabalho, pode ser na mesma empresa, noutro local, noutra cidade, um bocadinho mais distante.

Em determinados casos pode até ser necessário sair daquele trabalho definitivamente e felizmente ou infelizmente tem muitos utentes que só melhoraram quando saíram daquele local de trabalho ou se despediram ou fizeram um acordo com a entidade patronal para realmente rescindir o contrato.

Tratamento e estilo de vida

Outro fator que ajuda é a reorganização do seu próprio trabalho, realmente. Ou seja, tentar organizar o seu tempo, as suas prioridades, os seus interesses, tentar ter outros interesses, sem estar focado sempre a pensar no trabalho, convívio com os familiares e os amigos é importante, E claro que voltamos sempre ao mesmo. Burnout é uma doença mental, mas que também é essencial no estilo de vida. E aqui temos que falar mais uma vez do exercício físico. A atividade física, regular, como caminhada, corrida, pelo menos 30 minutos por dia. Ajuda, alivia a pressão, aumenta a produção das substâncias no cérebro, dão uma boa disposição, diminui as contraturas musculares, ajuda realmente a pessoa a relaxar e a ter uma outra perspectiva das coisas.

Porque como nós vimos no início, o conceito de burnout, está bem que pode ser a sobrecarga de trabalho, mas pode ser a ideia que eu tenho que as pessoas têm de mim. E isso pode ser o meu ponto de vista. Não quer dizer que esteja certo. Ou seja, isto é importante eu tentar às vezes distanciar-me com outro tipo de atividades para ter um outro panorama e ver se realmente aquilo que eu acho que é, se é assim tanto. A ideia que os outros falam mal de mim, que os outros não gostam do meu trabalho. Será que é? Será que não é? É importante nós analisarmos. Isto também ajuda, neste sentido, a psicoterapia. Ajuda realmente a ter ali a perspectiva correta da situação. Ainda no estilo de vida, importante evitar os estimulantes do sistema nervoso central, que também falamos sempre.

O álcool, o tabaco e o café. Alimentação saudável, com alimentos realmente ricos em nutrientes que são bons para o cérebro e saudáveis, sejam eles as proteínas, os hidratos de carbonas, gorduras saudáveis, vitaminas, minerais, para nos dar realmente resistência física e mental. Quando nós somos pressionados no trabalho... Imagine uma balança de dois pratos, as balanças antigas. Se realmente a pressão aumente, depende se deste lado estamos fortes. Se deste lado estivemos fraquinhos, vai realmente haver a sobrecarga. Mas se eu estiver forte, fisicamente, emocionalmente e mentalmente, eu vou tolerar, pelo menos até determinado nível, essa pressão no trabalho. Há compensação no contexto familiar, não é?

Contexto familiar, a minha saúde física, na minha alimentação, se eu durmo, se eu bebo água, se eu faço exercício físico, são as ferramentas para fortalecer a minha perspectiva, é aquilo que eu posso fazer. Ou seja, mesmo que as circunstâncias no trabalho se apliquem às doenças mentais em geral, quando associadas a um fator desencadeante, se aquilo realmente me está a provocar mal, Tudo bem. Como é que eu posso ver isso de outra maneira? Mas será que eu estou forte o suficiente para resistir? O que é que eu posso fazer para fortalecer a minha mente e o meu corpo fisicamente? Por isso é que falamos do exercício físico, do evitar estimulantes e da alimentação saudável. Por vezes, como já falámos há pouco, é necessária ajuda médica. Não é só para fazer o diagnóstico, mas sobretudo quanto está associado às outras doenças mentais, a depressão, a ansiedade, porque isso começa já a mexer com com a parte mental a um determinado nível que depois é mais difícil o tratamento.

Quando é só o barnaldo, tirando o fator desencadeante, a pessoa fica bem. A depressão depois demora mais um pouco a tratar. Nalguns casos é preciso medicamentos. Os medicamentos não vão tratar o problema do trabalho, não vão mudar o local de trabalho. Eu costumo dizer que o medicamento é uma moletazinha para ajudar ali a química do cérebro e ajudar a pessoa a ver de outra maneira. por assim dizer. E o apoio psicológico também é importante, como já falámos, a psicoterapia, para a pessoa realmente compreender quais as melhores razões verdadeiras que a levaram a sofrer de burnout e evitar aquilo que ela pode fazer por ela própria para evitar procedimentos semelhantes àquilo que originou. Exato. E neste sentido, é importante a ajuda com o psicólogo, além que é a ajuda de outra pessoa exterior.

e que às vezes nos dá uma outra perspectiva. E há situações, se calhar, que no nosso local de trabalho nós podemos fazer de outra maneira para diminuir a probabilidade desse barnódio. Ou então até gerir as situações que já existem. Já mencionaste, a pergunta é quase desnecessária, mas mesmo assim, para deixar

Prevencao e bem-estar

aqui em jeito de finalização do programa, porque muitas das questões que tu mencionaste para o tratamento estão na prevenção, claramente. Mas mesmo assim, gostarias de acrescentar mais alguma coisa? Ter pequenos objetivos na nossa vida profissional e pessoal. Atingíveis, sim. Exatamente. Claro. Execuíveis. Neste dia, o que é que eu vou fazer? Vou fazer isto, isto e isto. Claro que não vou pôr objetivos que depois é difícil de alcançar. É o efeito contrário. Vou me sentir pressionada pelo tempo, não é? Depois, ter, tentar fortalecer O meu eu para lidar com as adversidades? Atividades de alezer com os amigos e familiares. Programá-las, é importante. Seja semanalmente, mensalmente. Eu costumo dizer mimes. Fazer atividades que saiam da rotina.

Por exemplo, uma vez por semana fazer uma coisa diferente. Como passear, ir comer com alguém a um restaurante, combinar atividades com amigos, familiares, jogar um jogo de tabuleiro, um grupo, por exemplo. E há aqui um conselho que eu achei muito interessante, evitar contacto com pessoas negativas. E todos nós, eu acho que conhecemos pessoas destas, que parece que vem de tudo negativo e estão-nos todos os dias a dar um discurso de que isto é mal, isto é mal, isto é mal, isto é mal. Estamos sempre a ouvir isto influenciar-nos negativamente também. E é importante conversar com alguém de confiança e nós acreditando em Deus, eu falo por mim, pela minha experiência pessoal, falar com Deus ajuda muito. Em oração, na nossa mente, ler a sua palavra é uma das formas de termos uma outra perspectiva da desperspectiva negativa que muitas vezes nós temos.

Cláudia, precisávamos muito mais tempo para abordar mais este assunto, mas este agradecimento foi muito útil para si que está desse lado, antes mesmo de terminar, e até porque terminámos este Médico Família desta maneira, falando na confiança em Deus e em falar em Deus, o guia de estudo que tenho para lhe oferecer e que como lhe mostrei O intervalo tem precisamente um capítulo dedicado à saúde mental, tem também um conjunto de textos bíblicos que mostram a vontade de Deus para que tenhamos um estilo de vida saudável. E como lhe disse, o melhor de tudo é que é mesmo totalmente gratuito. Basta então enviar-nos um SMS, uma mensagem a dizer Máquina Humana para o 933 939291. Dizer-lhe que o programa estará disponível em podcast em Radio RCS.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal.

Vamos estar de volta para o seu médico de família na próxima semana, portanto, já sabe, a sua consulta está marcada, não falte. Até lá, se Deus quiser.

A nossa oferta

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Mente Feliz

Sobre este episódio

Neste episódio do Médico de Família, aborda-se um tema cada vez mais presente na sociedade portuguesa, o burnout. Uma realidade silenciosa que afeta milhares de trabalhadores e que muitas vezes é confundida com ansiedade ou depressão.

🧠 Ao longo da conversa, a Dra. Cláudia Neves explica o que é realmente o burnout, porque foi reconhecido como doença pela Organização Mundial de Saúde e quais os fatores que mais contribuem para o seu aparecimento, como o excesso de trabalho, a falta de reconhecimento, ambientes profissionais tóxicos e a pressão constante.

📊 São apresentados dados alarmantes sobre a realidade em Portugal, os grupos profissionais mais afetados e os sinais físicos, emocionais, cognitivos e comportamentais que servem de alerta. Este episódio ajuda a perceber quando é altura de pedir ajuda e qual o papel do médico de família, da psicologia e do estilo de vida na prevenção e tratamento do burnout.

✨ Uma conversa clara, informativa e essencial para quem sente que o trabalho deixou de ser fonte de realização e passou a ser fonte de sofrimento.

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Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 43
Estreou
25 de Fevereiro de 2026
Categoria
Saúde
Apresentação
Daniel Galaio
Convidados
Cláudia Neves