Cancro e Obesidade

Cancro e Obesidade

15 de Julho de 202626 min 40 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura e obesidade

Passada mais uma semana e o nosso consultório aqui no Médico Família abre portas para mais um episódio, quer para si que nos assiste na Novo Tempo Portugal, quer para todos aqueles que nos ouvem na Rádio RCS. Hoje volta a estar na companhia da Dra. Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Olá, muito obrigada. Vamos hoje voltar a falar de cancro. Quem diria? Já falámos várias vezes sobre cancro e também vamos falar sobre obesidade, que também já falámos sobre isso. O que acho que também no passado já fizeste uma pequenina relação entre as duas coisas, mas hoje decidiste que no programa seria obesidade e o cancro e a relação entre eles, o assunto que nos ia levar ao longo do Médico Família.

Porquê que tu decidiste trazer este tema de uma forma tão específica? Porque, como já falámos noutros programas, existem vários fatores de risco, ou seja, circunstâncias, problemas que podem aumentar a probabilidade de uma pessoa vir a ter cancro. Não quer dizer que a pessoa que tem esses fatores de risco vá ter cancro. Tem maior probabilidade. Existem fatores inalteráveis, seja a idade, seja o género. Existem fatores modificáveis que têm a ver com o nosso estilo de vida, a exposição ao sol, o tabaco, as bebidas alcoólicas, aquilo que comemos, se somos sedentários e a obesidade é um dos fatores de risco também. E não há dúvida, cada vez mais estudos mostram isso, a relação entre obesidade e cancro. Ou seja, a obesidade é um dos fatores de risco de cancro.

Claro que ele existe, mas se calhar muitos daqueles que nos estão a ver ou a ouvir não sabem dessa relação. E por isso é que é importante nós falarmos nisto. Sabemos que a obesidade é um dos principais fatores de risco de cancro. Diz que mais de 1 em cada 20 casos de cancro são causados pelo excesso de peso. E quanto maior o excesso de peso e a sua duração, ou seja, quanto mais anos a pessoa tiver excesso de peso ou obesidade, maior é este risco de vir a ter cancro. Adquirir um estilo de vida saudável e um peso adequado para a sua altura pode ajudá-la a evitar que tenha cancro. Dito assim desta maneira, se calhar parece até um bocadinho mais dramático. Ou seja, eu perder peso pode diminuir esta probabilidade. Dr.

Jeffrey Meijard, que é co-diretor do Centro de Cânceres do Colony Red do Instituto de Câncer Dana-Farber em Boston, ele diz o seguinte, o que sabemos é que consistentemente, ou seja, não há dúvida, um índice de massa corporal mais elevado, particularmente na categoria da obesidade, leva um maior risco de múltiplos cânceres. Ele nem fala só de cancro em geral, fala de múltiplos cancros, mas já iremos falar acerca disso. E é interessante que traga aqui um estudo feito em Portugal, feito por a Universidade do Porto, que tinha dois objetivos este estudo. Era avaliar o nível do conhecimento das pessoas acerca dos fatores de risco de cancro, De uma forma genérica?

De cancro do cólon e do recto. Sim, mas os fatores de risco é que era de forma genérica. Nós estamos a falar só de obesidade. Sim. Era o conhecimento dos pacientes acerca dos fatores de risco do cancro, onde se incluía a obesidade, e ter a noção, se eles tinham a perceção, de que a obesidade era um dos fatores de risco do cólon rectal e que teria efeitos na sua saúde. Diz que eles pegaram numa amostra de pessoas com obesidade ou excesso de peso que recorreram a uma consulta de nutrição numa clínica na região norte do país, eles não especificam. Ou seja, as pessoas, por sua iniciativa, marcaram uma consulta de nutrição porque estavam preocupadas com o seu excesso de peso ou a sua obesidade. E os resultados mostraram, e depois eles responderam em inquérito, anónimo, para ter noção se tinham conhecimento desses fatores de risco e se tinham noção da obesidade associada a esse risco.

Os resultados mostraram que 91% destes participantes tinha consciência do seu excesso de peso, o que é lógico porque eles procuraram a consulta de nutrição. Estavam numa consulta para isso mesmo. Para tratar essa doença. Mas apenas 32% identificou a obesidade como um fator de risco para o cancro do cólon e do reto. 32%, cerca de um terço. Um terço, uns redondos. E mais de metade, 57% deste grupo de pessoas, não considerou ter um risco de câncer aumentado pelo facto de ter obesidade. Mais de metade. Eu faço-te uma pergunta concreta. Na tua prática clínica, no teu dia-a-dia, qual é a perceção que tu tens? É esta perceção. Nós falamos muito neste assunto, mas em geral as pessoas não associam a obesidade, poucas associam a obesidade como uma doença e muito menos associam a obesidade a maior risco de câncer.

Associam, por exemplo, desculpem, a maior risco de infarte, de um AVC, aí associam. Tensão alta, diabetes, já é mais conhecido. Mas ao risco de câncer não são tantas assim as pessoas que associam. E qual é a receptividade, segundo a tua percepção, qual é a receptividade à informação? Quando tu dizes e mostras que existe esse fator de risco, como é que as pessoas normalmente reagem? É de espanto, de admiração, de desconhecimento acerca do assunto. Isso é acima de tudo. mas levam a sério, sentes que levam a sério, ou seja, que o facto de estarem a receber essa informação pela primeira vez, claro, estamos a falar de alguém que é o seu médico-família, a sua médico-família no teu caso concreto, as pessoas olham para isso como um fator extra de preocupação para tomarem decisões em relação ao seu estilo de vida.

Tu sentes isso? A ideia que eu tenho da minha experiência, não só nesta área, mas em relação a todas as áreas acerca de fatores de risco, acerca do seu estado de saúde, é que as pessoas, de uma forma geral, até mudam alguma coisa no seu estilo de vida, na forma de vir ao médico mais regularmente, ver se está tudo bem, quando apanham um susto, por assim dizer. Mas, infelizmente, a grande maioria não persiste muito nesses hábitos. seja uma alimentação mais saudável, seja perder peso, seja o exercício físico, seja tomar a medicação. Acaba o susto, acaba a preocupação. Passado uns meses, uns anos nalguns, eles parecem que esquecem aquele fator que os levou a tomar aquelas decisões.

Isto é a minha experiência. É claro que há pessoas mais determinadas e focadas e que realmente passam a ter realmente uma dieta mais saudável e mantêm realmente o exercício físico, mas a grande maioria acaba por desleixar-se um pouco com o passar do tempo. Até na toma da medicação eu reparo nisso.

Diagnóstico do peso

Sendo que a obesidade não é algo que seja, eu diria, de opinião. É uma doença. É uma doença. Há pessoas que, com ligeiro aumento de peso, já se sentem obesos. Até pessoas magras, não é? Enfim, é outra doença, que se sentem obesas. Como é que nós podemos diagnosticar e saber se realmente eu estou ou não obeso? Ok. Há vários parâmetros que são importantes avaliar, mas a definição de excesso de peso ou obesidade vem a partir do índice de massa corporal, IMC, que é a razão entre o peso e o quadrado da altura, ou seja, é dividir o peso em quilos pela altura em metros ao quadrado.

Vou dar um exemplo. Se uma pessoa tem 70 quilos e tem 1,70 m em metros, portanto é 1,7 a estatura. Então é 1,7 vezes 1,7. E isso fica no denominador. E no numerador tem que ter o peso. O peso a dividir por 1,7 vezes 1,7. Vai dar um número. O ideal é que este número esteja abaixo de 25. Ou seja, até 24,9 tem um peso normal. 25 a 29,9 tem excesso de peso. 30 ou mais já tem obesidade. É aqui que se define realmente a obesidade. Outro fator que é importante é a avaliação do perímetro abdominal. Uma fita métrica, mais ou menos ao nível do umbigo, medir o seu perímetro abdominal. Também avaliamos nas consultas. É um parâmetro que nós costumamos avaliar de X em X tempo.

Que realmente a gordura que está acumulada nesta zona é péssima para o nosso metabolismo e maior risco de doenças metabólicas, como a diabetes, por exemplo. Além destes fatores, em alguns pacientes é muito importante também avaliar qual é a quantidade de massa gorda e massa muscular. Porque uma pessoa até pode ter um índice de massa corporal de excesso de peso, 26, 27, e acontece-me com vários pacientes que fazem musculação, por exemplo. É massa muscular, essencialmente. E isto também é importante, porque o que faz mal para a nossa saúde é a massa gorda. Porque quanto maior a quantidade que nós temos de massa gorda, imaginemos, e isso quer dizer que os nossos órgãos internos seja à volta do intestino, do fígado, do coração, dos pulmões, está tudo cheio de gordura.

E isso traz outros problemas. O cancro, por sua vez, vemos que é um dos maiores problemas de saúde do mundo e neste momento em Portugal e no mundo é a segunda causa de morbilidade e de morte, por assim dizer. E a obesidade mais que duplicou nos últimos 40 anos no mundo. Isto é muito grave. sobretudo nos adultos, mas cada vez mais temos crianças e adolescentes com obesidade e prevê-se que vai aumentar no futuro. Curiosamente a obesidade, que também está como fator de risco da primeira causa de morte no nosso país. Portanto, a primeira causa de morte e a segunda causa de morte, as doenças cardiovasculares e o cancro estão diretamente ligados ao excesso de peso e à obesidade, o que devia-nos acender um alerta muito grande.

É verdade. As estatísticas em Portugal em 2019 é que tínhamos 53,5% da população com excesso de peso ou obesidade. Ou seja, com índice de massa corporal acima de 25. É mais de metade. E em 2022, 53,2%. Portanto, está estável. Isso é uma boa notícia. Em 3 anos, 2019 a 2022, o número é estável. Mas se considerarmos todas as idades, nós temos mais de 60% da população em Portugal com excesso de peso ou obesidade. Mais de 60%. Enfim, que eu diria que não é só uma realidade em Portugal, é uma realidade no mundo, mas que nos deve levar a agir, sobretudo cada vez em crianças e crianças mais novens, o que ainda se torna mais preocupante.

Aliás, a Organização Mundial de Saúde já vai alertar precisamente para questões de obesidade infantil. Já vamos voltar a este assunto. Claro, permite-me só interromper-te para fazermos um pequenino intervalo. É mesmo um, dois minutinhos.

Tipos de cancro

Voltamos já a seguir e com uma oferta especial para si. Então até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para trazer a segunda parte do nosso Médico Família de hoje e comprometi com uma oferta especial para si. Voltamos a oferecer o Guia de Estudo A Máquina Humana. Um Guia de Estudo fantástico, cheio de dicas muito práticas, com conselhos para um estilo de vida mais saudável. Estamos a falar também da importância do exercício físico. Aqui neste Guia de Estudo vai encontrar precisamente um capítulo dedicado ao exercício físico. mas não só, vai encontrar também um conjunto de textos bíblicos onde mostram a vontade de Deus para a nossa vida e para o nosso estilo de vida, porque Deus também se preocupou com a nossa saúde, até porque foi Ele que criou esta máquina que nós chamamos Máquina Humana.

É totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem para o 933 939291 a dizer Máquina Humana e depois nós mesmos entraremos em contacto consigo para lhe poder enviar a revista através do correio para a sua casa. Mais uma vez, não hesite, envie-nos então a sua mensagem a dizer MÁQUINA HUMANA. Cláudia, vamos então voltar ao nosso assunto, estamos a falar da relação entre a obesidade e o cancro e a pergunta é quase lapalis, não sabemos Certamente toda a informação, mas do que é conhecido, porque é que a obesidade e também a questão do perímetro abdominal, enfim, são tão importantes no aumento de risco do cancro.

Há muitos estudos, também já há vários anos, que mostram esta relação entre obesidade e cancro. A própria Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro, que é uma instituição dentro da Organização Mundial de Saúde, analisou mais de mil estudos sobre a gordura corporal e o cancro. e eles associaram mais de 12 tipos de cancro, incluindo os mais comuns imortais, ao excesso de peso do corpo. Uma tese, que tinha por título mesmo Obesidade e Cancro, da Universidade de Coimbra, diz que indivíduos com índice de massa corporal acima de 40 têm uma taxa de mortalidade por cancro maior do que as pessoas com peso normal em 52% nos homens e 62% nas mulheres. Isto é muito!

Estamos a falar de uma taxa de mortalidade com índice de massa corporal acima de 40. É que não estamos só a falar de ter ou não cancro. Mortalidade por cancro. Exatamente. Os efeitos do cancro na própria pessoa. Sim. Este estudo foi da Universidade de Coimbra. E quais são os cancros mais... porque existem estudos que demonstram isso. Quais são os tipos de cancro mais associados à obesidade? Existe um tipo específico do esófago, que é o adenocarcinoma do esófago, do endométrio, que é a cavidade mais interna do útero, do rim, fígado, estômago, pâncreas, o cólon e reto, o cancro da mama após a menopausa, não antes da menopausa, nas mulheres mais jovens não está tão associado à obesidade, cancro da vesícula biliar, cancro do ovário, cancro da tiroide, mieloma múltiplo, que é um tipo de cancro que surge nas células da medula óssea, e meningioma.

Há também estudos com menor número de pessoas, mais limitados, que associam outros tipos de cancro, nomeadamente cancro da próstata agressivo e certos tipos de cancro da cabeça e pescoço. Embora todos estes tipos de cancro estejam mais associados à obesidade, nem todos têm tanta força de ligação, por assim dizer. Os cancros do endométrio e do esófago são dois dos que se destacam. Uma análise, um estudo que foi feito em 2016, diz que as pessoas com obesidade grave tinham um risco sete vezes maior de cancro do endométrio do útero. e 4,8 vezes maior de cancro do esófago, em comparação com pessoas que não tinham excesso de peso ou obesidade.

Estes cancros destacam-se nesta associação. Outros que se associam menos porcentagem temos aumento do risco de 10% para o cancro do ovário, 30% para o cancro colorectal, 80% para o cancro do rim e do estômago, E para câncer da mama pós-menopausa, cada aumento de 5 unidades no índice de massa corporal aumenta o risco desse tipo de câncer em 10%. Mas não tão fortes vemos como realmente o câncer do esófago e do endométrio, que eram um 7 vezes, outro 5 vezes maior o risco. Eu não sei o que é que tu pensas sobre isso, mas para mim, eu acho que é mesmo os de menor, enfim, de menor porcentagem, para mim continua a ser assustador.

É relevante. Há algum fator em que seja relevante também para a idade? Ou seja, a obesidade em determinada idade pode influenciar também os riscos no câncer? Tá bem, então eu vou a essa parte depois e a outra parte que ia falar tudo bem. Diz que não existe um momento seguro para ter excesso de peso, ou seja, tínhamos nós obesidade na infância até a chamada meia-idade, 40, 50 anos, ou tínhamos só depois, o risco é sempre enorme, associado ao cancro. Uma meta-análise concluiu que o ganho de peso em qualquer momento depois dos 18 anos está associado ao aumento de cancro da mama, por exemplo, na pós-menopausa. Este foi o que foi estudado relativamente à idade da obesidade.

Um estudo de 2023 mostrou um padrão semelhante com o cancro colorectal e outros cancros do aparelho digestivo, esófago, estômago. Pessoas que tiveram excesso de peso e obesidade desde os 20 anos de idade até à meia-idade enfrentam o risco aumentado de desenvolver estes cancros após os 55. O mesmo risco elevado ocorreu entre pessoas que tinham peso normal na juventude, mas que passaram a ter só excesso de peso e obesidade depois dos 50 anos. Ou seja, respondendo à tua pergunta, não há uma idade segura. Ou seja, devemos, desde novos, tentar ter um peso adequado para a nossa altura. Se sejam jovens, sejam mais velhos, o peso é sempre um risco.

Mecanismos da gordura

Eu ia mesmo mais ao pormenor, que é... Porquê que a gordura realmente acumulada no corpo aumenta o risco de câncer? Há várias teorias em termos de qual é a relação. Porque nós temos, a gordura no nosso corpo tem duas funções. É importante, por assim dizer, como reserva de energia. Todos nós temos gordura no corpo, mesmo as pessoas mais magras, só que têm menor quantidade. Por outro lado, a gordura que temos no corpo não são células amorfas que estão ali, tipo, a dormir. Não. Elas estão constantemente a enviar mensagens químicas ao resto do corpo. E isto afeta o crescimento das células, reações químicas nas células e os ciclos reprodutivos do próprio corpo. Estas mensagens enviadas para as células da gordura.

Ou seja, a gordura é ativa, dando ordem às células o que é que devem fazer ou não devem fazer. Se houver muita gordura, isto vai enviar vários tipos de mensagens que vai interferir em vários mecanismos e é aqui que estes mecanismos podem interferir ou não com o risco de cancro. Uma delas são as hormonas do crescimento. Muita gordura pode aumentar tudo o que é hormonas do crescimento, os níveis de insulina, outros fatores do crescimento. Não quer dizer que a pessoa vá crescer mais, não é nesse sentido. São realmente fatores químicos que estimulam as células a dividirem-se mais vezes e mais rapidamente. E nós já aqui falámos, já gravámos aqui o programa sobre como se originou o cancro. As células cancerígenas vêm de células normais, que começaram a replicar-se rapidamente, sem estabelecer, sem respeitar as regras do crescimento dos tecidos à volta e invadir os outros tecidos.

Ou seja, essas também beneficiam do fator crescimento através das células da gordura. Exatamente. Se eu tiver mais fatores de crescimento, vou estar a estimular a maior replicação celular. Das células que eu não queria que se multiplicassem. Exatamente. Este é um dos fatores. Outro é a inflamação. O próprio estado da obesidade é um estado de inflamação crónica. Permanente. Permanente. E onde há muitas células de gordura, são para aí chamadas muitas células do nosso sistema imunitário, porque está realmente ali um estado de inflamação. E o objetivo é remover células mortas, impurezas, tem vários objetivos do sistema imunitário. Claro que essas células do próprio sistema imunitário dividem-se mais rapidamente.

E ao sistema imunitário também limpar as células mortas, vai com que essas células do tecido adiposo também se repliquem mais rapidamente. Tudo isto é um ciclo vicioso. Pode aumentar o risco de cancro por aumentar a replicação celular. Outro aspecto, após a menopausa. Caracteriza-se na menopausa, nas mulheres, os ovários deixam de produzir o estrogênio. Passa a haver um nível de estrogênio no sangue da mulher muito mais baixo em todo o corpo. Mas as células de gordura produzem estrogênio. Ou seja, claro que numa quantidade diferente, Quanto maior a quantidade de gordura, maior a produção desse estrogênio, que vai estimular a maior replicação nas células, no tecido mamário e no tecido uterino da mulher.

dois tipos de cancro muito associado à obesidade, o do endométrio e o da mama, por causa exatamente de aumento da produção de estrogênio pela gordura, aumentando o risco de falhas celulares, o que é típico do cancro, porque quanto mais rápido as células se replicam, maior é o risco de haver falhas na replicação do ADN para as células filhas. e é aí que surge realmente a célula normal, que se transforma em célula cancerígena. Vemos aqui estes vários fatores em que a gordura pode realmente induzir mais facilmente ao início e depois ao desenvolvimento do cancro. Só pelos dois casos que tu mencionaste já mostra que então as mulheres têm maior risco até do que os homens em relação entre a obesidade e o cancro, porque os dois fatores principais acontecem.

Portanto, enfim, a mama acontece tanto para o homem como para a mulher, mas certamente mais a mulher. Enfim, e em idométrico só acontece à mulher. Portanto, cuidados mais acrescidos. Então, atenção redobrada para as senhoras para a questão da obesidade e também do perímetro abdominal.

Perda de peso

Estamos já na fase final do nosso programa. A pergunta é quase, eu diria, enfim, não é lá paliço, mas é quase absurda, mas eu vou fazê-la na mesma. A questão é, a perda de peso, uma coisa é não engordar, para não aumentar o fator de risco, outra coisa é eu já sou obeso, já tenho excesso de peso, mas vou perder esse peso. O fator reduz, ou seja, é proporcional. Sim, sim. E nós temos vários estudos que mostram isto. O Dr. Daniel Rotroff, que é do Departamento de Endocrinologia e Metabolismo de Cleveland, de uma clínica em Cleveland, Eles avaliaram uma amostra considerável, cerca de 143 mil pessoas adultos com obesidade, índice de massa corporal maior que 30.

entre janeiro de 2000 e dezembro de 2022. Todos eles tiveram, ao longo de três anos, pelo menos sete consultas. Excluíram pacientes que tenham sido submetidos à chamada cirurgia bariátrica, para a obesidade. Aqueles que tinham já problemas de antecedentes de abuso ou dependência de álcool, outras drogas, HIV, transplante de órgãos, distúrbios da tiroide, que também pode mexer com o peso. Ou seja, para isolar só o fator peso, para poder estudar só esse fator. Exatamente, para ser mais objetivo. Durante estes três anos, 7700 pacientes receberam um novo diagnóstico de cancro. Não tinham antes e foi-lhe diagnosticado cancro. Os 136 mil restantes serviram como grupo de controlo sem cancro.

Cada redução de 1% no índice de massa corporal associou-me a menor risco de cancro, seja há 3 anos, 5 anos e 10 anos, neste estudo. Basta 1? É o que eu ia dizer, não é 1 valor no índice, é 1%, o que ainda é menor e já tem resultados práticos. Seja há 3 anos, depois de reduzir o peso, 5 anos e 10 anos. A perda de peso foi também associada a um menor risco de outros tipos de cancro em todos os momentos avaliados. nos anos seguintes. Isto é muito importante. Ou seja, ter um estilo de vida saudável, importante para a saúde a vários níveis, mas também para reduzir a obesidade, porque nós sabemos que os nossos hábitos interferem no nosso peso.

Vai reduzir o risco de cancro. Não podemos esquecer que uma pequena porcentagem de cancro, os 10%, podem dever-se a fatores genéticos. Isto é simplesmente um fator de risco. Eu não estou a garantir que aquela pessoa não vá ter cancro. Estou a reduzir um fator de risco. E ao reduzir o peso, nós estamos a diminuir o fator de risco com a obesidade, mas inerentemente vamos estar a diminuir o fator de risco, por exemplo, diabetes, sedentarismo, porque a pessoa vai fazer exercício físico, outros fatores associados também a cancro. Eu acho isto incrível. O site do Sistema Nacional de Saúde, a DGS, tem uma frase que eu gosto muito de dizer. Adotar um estilo de vida saudável permite evitar 50% dos casos de cancro.

50% tendo um estilo de vida saudável. O que é considerável é muito, não é? E não podemos pensar só na mortalidade, mas temos que pensar na qualidade que vivemos os anos que estamos aqui. Se nós pudéssemos já escolher, vamos já descartar 50% dos cancros na nossa vida, fazíamos-los já. Claro. E podemos fazê-lo. Cláudia, muito obrigado. É sempre muito importante esta informação que tu nos trazes. E para si que está desse lado, relembra a oferta que temos para si. E se reparar aqui, no nosso guia de estudo, O nosso bonequinho, o nosso corpo humano, é todo ele feito. É como se fôssemos aquilo que comemos. Já viu? Só coisinhas saudáveis. Este guia de estudo é precisamente muito completo, com dicas muito simples para ter um estilo de vida mais saudável. Fala desde a alimentação, exercício físico, descanso, até como preparar refeições de forma saudável.

pratos de transição entre o seu uso de vida mais saudável e menos saudável, enfim, para que possa fazê-lo e adaptá-lo ao seu caso, à sua família, e é totalmente gratuito. Basta enviar uma mensagem e dizer MÁQUINA HUMANA para o 933 93 92 91. 933 93 92 91. Não existe. É mesmo totalmente gratuito. Chega à sua casa pelo correio. Vamos terminar o nosso programa de hoje, mas eu acho que nem precisa de palavras minhas de incentivo para ter um estilo de vida mais saudável. O câncer eu diria que é o flagelo da nossa sociedade. Vamos que ele o mantemos à distância e, porque não, contribuímos com um estilo de vida mais saudável. Peço isso para mim e também para si que está desse lado. É um prazer.

Voltamos a encontrarmos no próximo programa. Até lá, se Deus quiser.

A nossa oferta

Sobre este episódio

A obesidade pode aumentar o risco de cancro? Neste episódio do Médico Família, a Dra. Cláudia Neves explica de forma clara a ligação entre o excesso de peso, a gordura abdominal e vários tipos de cancro.

Descubra porque é que a obesidade é considerada uma doença, como calcular o Índice de Massa Corporal (IMC), porque o perímetro abdominal merece atenção e de que forma a perda de peso pode ajudar a reduzir fatores de risco para a saúde.

Falamos também sobre prevenção, alimentação saudável, exercício físico, inflamação, hormonas e escolhas diárias que podem fazer diferença na qualidade de vida. Cuidar do corpo hoje é investir num futuro com mais saúde.

Partilhe este vídeo com alguém que precisa de ouvir esta informação e deixe nos comentários: que mudança saudável quer começar a fazer esta semana?

Série
Médico de Família · 74 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 63
Estreou
15 de Julho de 2026
Categoria
Saúde