O Sistema Imunitário

O Sistema Imunitário

31 de Dezembro de 202527 min 1 s

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O sistema imunitário

Seja bem-vindo a este seu consultório que chamamos Médico de Família aqui no Novo Tempo Portugal. Hoje vamos falar de um exército, é isso mesmo, não me enganei, o nosso sistema imunológico, imunitário como preferir, este pequenino exército que trabalha para defender o nosso corpo, o nosso organismo de várias ameaças, quer externas, quer internas. Para falar sobre este assunto, como é que este exército trabalha, como é que ele se prepara, quais são as estratégias. Temos connosco mais uma vez a doutora Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. E mais uma vez, muito obrigada. E é verdade que hoje não falamos de doença, não é? Numa doença em específico. Para variar. Também é comum, apesar de eu dizer para variar, falamos muitas vezes também de forma preventiva de um estilo de vida saudável.

Depois desta minha apresentação em jeito de brincadeira mais bélica, a verdade é que quando olhamos para este sistema que nós temos, imunitário, ele tem um pouquinho esta relação de defesa de ataque de estratégia. Conta-nos lá um pouquinho como é que funciona. A principal função realmente deste sistema não é propriamente como nós dizemos, por exemplo, aparelho respiratório, aparelho digestivo, não. Este é o sistema imunitário, inclui vários tipos de células e tecidos em sítios diferentes do nosso corpo. e tem como função principal distinguir aquilo que é do corpo e que é bom e aquilo que não é do corpo e é prejudicial ou que está no corpo e é prejudicial. Também faz essa distinção.

Tem a capacidade de reconhecer células e tecidos anormais que também podem ser do nosso próprio corpo, que nós chamamos hospedeiro, onde está o nosso sistema imunitário. Assim, o nosso sistema defende dos invasores, que podem ser de três tipos. podem ser os chamados micro-organismos, que as pessoas conhecem mais vulgarmente como micróbios, que existem basicamente bactérias, vírus, fungos e parasitas, são os quatro tipos fundamentais. pode proteger de células cancerígenas. Vemos que são células do nosso próprio corpo que já se tornaram prejudiciais e o nosso sistema imunitário tem a capacidade de reconhecer e eliminar numa fase inicial.

Aliás, nós já gravámos aqui programas sobre câncer e falámos nisso. E o terceiro tipo de invasor ou tecido que pode ser perigoso é o órgãos e tecidos transplantados. Podemos dizer, mas alguém que necessita de um transplante é algo que é bom, é verdade. Mas não deixa de ser um tecido estranho. O nosso corpo reconhece, pelos sinais das suas próprias células, o que é do próprio e o que é estranho. E um tecido transplantado é sempre um tecido estranho. É por exemplo, às vezes, quando nós espetamos alguma coisa, um dedo ou alguma coisa fica dentro do nosso corpo, enfim, um dedo ou outra zona qualquer, é esse mesmo sistema que vai expulsar esse invasor, se não me engano assim, que pode ser um objeto ou outra coisa qualquer.

Por isso quem faz transplantes automaticamente faz medicação exatamente para reduzir um pouquinho estas defesas, não é? É, são chamados imunossupressores, medicação que tem que fazer cronicamente para realmente evitar que o sistema imunitário destrua o tecido ou o órgão transplantado. Ou seja, a estratégia é muito simples, é reconhecer o inimigo, em termos de sistema imunitário é assim que funciona, sejam eles micro-organismos, sejam células cancerígenas ou decidos transplantados, mobilizar forças e vários tipos de células que nós temos e atacar o inimigo. Esta é a estratégia muito simples do sistema imunitário. Depois nós temos aqui uns termos que eu penso que é importantíssimo nós esclarecermos e que já todos ouviram falar, de certeza, o que é um anticorpo, o que é um antigênio.

Antigênio é qualquer molécula que é capaz de ser reconhecida pelo nosso sistema imunitário como estranha. Vou dar um exemplo. O vírus, por exemplo, da gripe. É um vírus que tem uma determinada estrutura. Tem antigênios, ou seja, tem moléculas que o nosso corpo, quando entra em contacto com o vírus da gripe, vai reconhecer que não é nosso e não é bom, é prejudicial. E vai detectar essas moléculas estranhas e vai defini-las como antigênios. E depois, no sentido de se defender, alguns tipos de células, já lá vamos, que são células do sistema imunitário dos glóbulos brancos ou leucócitos, especificamente os linfócitos B.

que tem uma função muito específica, que é produzir estes anticorpos. É como se sejam soldados de defesa e ataque. Criar o próprio exército. Exatamente. Anticorpos são moléculas, proteínas, que também podem ser chamadas de imunoglobulinas, que são produzidas por estas células T, ou linfócitos T, específicos para determinados antigénios. Vou dar um exemplo prático. Se nós entramos em contacto com o vírus da gripe, Por exemplo, em determinado ano, o nosso sistema imunitário, especificamente as células T, vão produzir anticorpos especificamente para aquele vírus da gripe. Ou seja, se voltarmos em um mês a entrar em contato com o mesmo vírus, o nosso sistema já tem anticorpos.

Para ele eliminar mais rapidamente e grava. Na memória para o resto da vida. mas infelizmente nós temos vírus que mudam de ano para ano. A gripe é um exemplo, não é? Por isso os diferentes tipos de vacina também, não é? Exatamente. Portanto, anticorpo é então a monoglobulina produzida então pelo sistema imunitário, pelas células T, para reconhecer agentes invasores como vírus, bactérias, fungos e parasitas. O anticorpo vai-se ligar ao antigênio ajuda a eliminar e ativa outras células que têm outras funções. Nós temos células que produzem anticorpos, temos células que expõem os antigénios, aquilo que é estranho, as proteínas estranhas dos outros micro-organismos, e temos células que, vendo que aquilo é estranho, engolem o que é estranho.

Chama-se fagocitose e que destrói. Temos vários tipos de soldados. Esta é uma imunidade muito específica, como nós vemos, porque, mediante um determinado invasor, são produzidos, neste caso, proteínas imunoglobulinas específicas para aquele invasor específico. Eu diria que quem pode ver isto de uma forma científica, ao microscópio, enfim, ou então ampliá-lo, eu diria que é fantástico, é extraordinário ver todo este movimento. Mas, agora na tua apresentação, já mostraste que existe, eu diria, vários tipos ou vários níveis de defesa, ou seja, porque o nosso organismo prepara-se consoante um invasor.

Níveis de defesa

Mas não é só isto. Por exemplo, o nosso corpo, sendo o maior órgão do corpo humano, a pele, desculpa, sendo o maior órgão do corpo humano, ela em si mesmo também é um mecanismo de defesa, não é? Nós, dentro do sistema imunitário, podemos classificar de várias formas. Níveis de defesa. Temos as barreiras físicas e químicas. Deste um exemplo, a própria pele em si já é uma barreira física. Um exemplo, quando nós temos uma ferida ou uma queimadura, sempre que surge uma solução de continuidade na pele, está uma porta de entrada para micro-organismos. Portanto, a própria pele já é uma barreira física. Já vamos falar de várias barreiras. Portanto, dentro dos vários níveis de defesa temos as barreiras física e químicas e que faz parte da imunidade inata, ou seja, que nasce connosco.

Os bebés quando nascem já têm estas barreiras. Temos as defesas inespecíficas. não são específicas para determinado invasor, são soldados, por assim dizer, generalistas e que atacam tudo o que é invasor, e também é inata este tipo de imunidade. E depois, outro nível de defesa, temos a imunidade adquirida, que é aquela em que o nosso organismo, com exposição a determinados invasores, aprende a lidar com isso e chama-se defesa específica. Claro que, mediante um invasor, atua tanto a defesa inespecífica como a específica. Atuam todas, não é? Tudo o que o nosso organismo tem à mão para agir. Quando nós tomamos uma vacina é exatamente para adquirir determinado tipo de defesas, não é?

É a chamada imunidade adquirida, porque a administração de vacinas, por um lado, vai estimular o nosso corpo a produzir anticorpos específicos para aquele microorganismo. A vacina é a administração de vírus atenuados ou partes desse vírus, que vai estimular as nossas células T a produzir anticorpos específicos para isso. E nós sabemos que há vacinas que é para o resto da vida e outras temos que fazer reforços regularmente, depende das vacinas. Mas funciona realmente em estimular a imunidade inata. Dentro das barreiras fisico-químicas já falaste da pele, por exemplo. Vamos falar do muco, o ácido gástrico produzido no estômago, as próprias substâncias que existem no suor e nas lágrimas, também fazem parte das barreiras fisico-químicas, e células do sistema imunitário que atacam todas as células que entram, que é chamada a defesa inespecífica.

A pele tem várias camadas. Eu penso que todos se lembram, quem nos está a ver, eu ouvi que estudámos isso na escola, não é? Epiderme, derme e poderme. A própria camada mais superficial, a epiderme, tem uma camada mais endurecida, a chamada creatinizada, com creatina. Mesmo aí, essas células produzem substâncias que atuam contra micro-organismos. só e já na camada mais externa. E também as próprias glândulas que produzem o sebo, glândulas sebáceas, e as glândulas que produzem o suor, as sudoríparas, também segregam substâncias que vão inibir os micro-organismos. pode ser o ácido lático ou ácidos gordos, que têm essa função. Além disso, muitos tipos de glóbulos brancos, que fazem parte do sistema imunitário, também estão na pele para atacar a qualquer momento.

Vemos aqui que existem vários níveis de defesa. Quando falamos de muco, é produzido o nosso corpo no aparelho respiratório, no aparelho digestivo, no aparelho urogenital. Basta ver quando estamos constipados. Todos nós nos incomoda a tosse, os espirros, o pingo no nariz. É para expelir muco. O muco em si é uma forma de defesa do nosso corpo, física, para aumentar a quantidade de líquido que é expelido depois pelas vias respiratórias, pela tosse ou pelo espirro, ou quando nos açoamos. Também são eles os mecanismos de defesa, não é? Exatamente. Fisicamente empurram os agentes invasores, que podem ser micróbios, podem ser poluentes, podem ser pólenos, podem ser qualquer coisa que entre pelas nossas fossas nasais ou até pela nossa boca e que vai para as vias respiratórias.

E esse muco, além de ter substâncias que inibem microorganismos, também é ajudado a ser expelido pelo exterior, por exemplo, no caso do aparelho respiratório, por cílios. Cílios são proeminências que a nossa camada interna do aparelho respiratório tem. Perdão, estou aqui a bater no microfone. Salienciazinhas como fossem pelos. Imaginem pelos? Ao longo de todo, não é bem pelos, são cílios. Mas, Quando tem um muco, empurram o muco no sentido para o exterior, então para as fósseis nasais, e quando ele está em excesso é quando nos dá o reflexo de tosse, ou seja, a tosse é o mecanismo de defesa, não é? Depois temos o ácido gástrico, a acidez do próprio estômago mata muitos micro-organismos. Até porque alguns deles vivem conosco já lá também, não é?

Tem os bons, mas estamos a falar de agentes patogénicos, ou seja, que podem provocar doença. E nós não temos muito mais gastroenterites, muito mais infecções digestivas graças realmente ao nosso estômago, que digere, que destrói grande parte realmente de invasores que possam entrar com os alimentos que nós comemos, que é muito mais se calhar do que nós imaginamos. As próprias lágrimas que fazem parte da lubrificação normal do nosso olho, contém uma substância que é chamada lisózima, que ataca as bactérias que possam entrar nos nossos olhos. E acredito que, frequentemente, montes de vezes, nós, se calhar sem querer, introduzimos ao mexer nos olhos bactérias ou vírus, ou apanhamos de outra pessoa que respira o tosse para cima de nós, mas as nossas lágrimas ajudam a eliminar forma física, porque empurram, arrastam e de forma química também pela sua composição.

Eu sei que ainda tens certamente mais exemplos para nos trazer, mas vou-te pedir agora apenas uns segundinhos e para si que está desse lado, quer dos microfones, quer das câmaras, são mesmo alguns segundos apenas. Estamos de volta já a seguir depois deste intervalo e com uma oferta muito especial para si. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta. Como lhe disse, foram apenas alguns segundos e tenho esta oferta especial para si. Este guia de estudo, A Máquina Humana, é uma revista muito completa, cheia de dicas práticas para ajudar a ter um estilo de vida saudável. Hoje estamos a falar do sistema imunitário.

Pois bem, nesta revista vai encontrar oito remédios fantásticos, não só para ajudar a combater as suas doenças, doenças, mas também para as prevenir. E está tudo aqui explicadinho. Ainda por cima são remédios naturais que pode encontrar na natureza. Tem também dicas muito, muito interessantes de como, por exemplo, alterar pequenos hábitos de vida para que tenha um estilo de vida mais saudável. É totalmente gratuito, apenas tem que me enviar uma mensagem para o 933-939291, vou repetir, 933-939291, com as palavras máquina humana, para lhe podermos depois entrar em contacto consigo e, com muito gosto e prazer, lhe enviar gratuitamente para a sua casa este guia de estudo.

Cláudio, desculpa lá a interrupção, mas esta nossa máquina humana, este corpo fantástico que nós temos está cheio, foi planeado para ter um mecanismo bastante complexo de defesas e não são só aquelas que mencionaste, há mais, não é?

Imunidade adquirida

É verdade, já falámos que em termos de defesas temos as barreiras fisico-químicas, a defesa inespecífica e agora vamos às específicas, que nomeadamente é a imunidade adquirida. As outras que falámos anteriormente, tanto as fisico-químicas como as defesas inespecíficas, são a imunidade inata. Já nasces connosco, desde bebés. Então, dentro da imunidade inata, nós vemos que são células do nosso sistema imunitário que atacam células estranhas. Esta imunidade é adaptativa, ou seja, demora tempo até o nosso corpo reconhecer determinados invasores, criar defesas específicas após o primeiro contacto e, em seguida, sempre que surge novo contacto com o mesmo invasor, a resposta já é rápida. Porquê? Porque o sistema vai recordar as exposições anteriores aos tais antigénios, que são as moléculas do invasor que são estranhas.

Ou seja, esse sistema imunitário adaptativo ou realmente da imunidade adquirida, aprende, adapta-se e recorda mais tarde. É muito específico. Na altura do nascimento, nós ainda não estamos confrontados em termos de sistema imunitário com muitos dos antigénios que existem à volta no mundo. Alguns anticorpos passam do leite, passam através da placenta da mãe para o filho, por isso é que é importante, por exemplo, alguns tipos de vacinas que são feitos durante a gestação, durante a gravidez, para esses anticorpos passarem para o filho, que ainda não tem capacidade de os produzir, mas é durante a amamentação que também alguns anticorpos da mãe podem passar para o filho. Mas cada ser, cada sistema imunitário, tem que produzir os seus próprios anticorpos, suas próprias defesas.

E realmente estas defesas específicas da imunidade vão se desenvolvendo. E dou um exemplo muito prático. Quem tem crianças pequenas, lembra de certeza, ou quem já teve filhos que pequeninos, que eles quando começam a ir para a escola, para a escola cresce, estão muitas vezes doentes os primeiros meses, os primeiros anos. É praxe, já diria. É, com as infecções respiratórias, nomeadamente. Estão na fase em que ainda não estiveram expostos a esses antigénios e estão a produzir anticorpos. Tanto que a partir de uma certa idade, normalmente quando tudo funciona bem, se a criança não tiver o problema de saúde, já tem anticorpos e dificilmente fica doente. Ou seja, continuamos a entrar em contacto com esses agressores, com esses agentes que podem provocar doença. Mas o nosso sistema imunitário já está preparado para eles e tem uma resposta mais rápida.

Como consequência, realmente nós vamos adquirindo anticorpos para múltiplos micro-organismos e realmente Isto é muito mais específico. Eu vou tentar explicar, numa linguagem simples, como é que isto ocorre, esta defesa específica. Inclui dois tipos de células ou dois tipos de linfócitos, porque nós temos, dentro dos leucócitos, que são os glóbulos brancos, vários tipos de células. Neutrófilos, mastócitos, eosinófilos, linfócitos. Os linfócitos, especificamente, por sua vez, dividem-se em vários tipos. Vamos falar dos T e dos B. Também se pode dizer células T e B, que são muito importantes para esta imunidade adquirida. As células T desempenham um papel crucial na defesa das infecções e das doenças.

Elas são produzidas na medula óssea, portanto na parte interna dos nossos ossos, e no timo, que é uma estrutura que nós muitas vezes não falamos muito, pequena, que está aqui dentro do nosso mediastina, a parte mediana do nosso tórax. e eles aprendem a reconhecer os antigénios. Eles fazem o reconhecimento, as células T. As células B, ou linfócitos B, são responsáveis por produzir os anticorpos, as tais imunoglobulinas, proteínas específicas para antigénios específicos. Desculpa interromper-te. Pode dar a sensação, eu percebo perfeitamente como estás a querer dizer, só que as pessoas podem pensar, quem nos está a ouvir pode pensar, bem, então o nosso organismo está cheio de defesas para todo o tipo de doenças. Mas na verdade o que tu estás a explicar é que a informação de como combater essas doenças é que existe e no momento que ela surge são produzidas aí as tais células necessárias para atacar esse...

Anticórpios. Os tais anticórpios para atacar essa doença específica, esse invasor específico. Nós não estamos cheios de células para combater tudo. E mais há uma coisa, temos é... o nosso organismo sabe o que produzir para ir a ir combater esse invasor, chamemos assim. Sim, é como tu explicaste na imunidade adquirida. Isso. Porque quando nascemos já temos as defesas específicas. Estou a falar para o assunto que estamos a falar aqui. Sim, sim, sim. Porque, por exemplo, muitas pessoas pensam que quando levamos uma vacina para uma determinada doença qualquer, para a prevenção de uma determinada doença, que essa vacina tem lá dentro os tais anticorpos que nós precisamos para combater essa doença. Corrija-me se estiver errado, o que vai nessa vacina é a informação necessária para o nosso organismo aprender para quando essa tal mesmo invasor surgir, ele já saber o que fazer, não é?

Sim. Não é a vacina em si mesmo que tem os anticorpos. Estamos a injetar antigénios. para as nossas células T e nossas células B. Neste caso, os T vão reconhecer, as B vão produzir os anticorpos específicos para aquilo a que fomos vacinados ou, no caso, a que fomos expostos durante a infância ou durante a nossa vida. Então, nestas defesas temos Células, ou seja, temos mediada por células e mediada, chamada imunidade humoral. O que é que isso quer dizer? Temos a imunidade celular, que são realmente determinados tipos de células, nomeadamente as T, como eu já falei, que atuam, imaginem, quer reconhecer o antigénio, atuam mais corpo a corpo. E temos outros, como os macrófagos, que atuam mesmo corpo a corpo e que as comem.

Chama-se phagocitose. E digestam. Ou descolam-se. Ou fragmentam-se. ou fragmentam-nos em secções menores para depois apresentar às células B que vão produzir os anticorpos. Cada uma tem sua função, é uma coisa incrível. E eu estou a tentar simplificar. Isto é muito mais complexo do que eu estou aqui a explicar. Ou seja, as células B e as células T, dentro desta imunidade adquirida, atuam em conjunto para realmente destruir os invasores e para ganhar memória para atuar mais tarde. Portanto, ainda tem outras células apresentadoras de antigénios. Elas vão lá, reconhecem, este é estranho, vou apresentá-lo ali ao linfócito B para eles porque são anticorpos. São os caixinhas. Exatamente. São os inspectores. Exatamente.

São altamente especializadas estas células apresentadoras de antigénios. Elas internalizam os antigénios pela phagocitose ou endocitose mediada por receptores. Elas têm receptores na superfície. Olha, este é estranho. Vamos capturar, vamos tirar aquele pedacinho daquele vírus, vamos pôr para dentro de nós, reconhecê-lo e apresentá-lo à célula B que vai produzir o anticorpo. Uma coisa incrível. Isto é um bocadinho do sistema imunitário, porque nós não temos tempo aqui para falar de tudo. Mas, Cláudia, eu tenho de fazer esta pergunta. Nós ficamos maravilhados a ouvir isto e se pudéssemos estudar isto a fundo eu

Doenças e estilo de vida

acho que ainda mais maravilhados ficávamos. A verdade é que apesar de todo esse mecanismo de defesa, apesar de toda esta complexidade, Deus quando nos criou, criou-nos, eu diria, com todas as circunstâncias para sermos perfeitos. Infelizmente sabemos que as coisas não ficaram. Prefeitas, surgiram outras circunstâncias, mas Deus mesmo assim já nos deixou capacitados com este mecanismo da defesa. Mas mesmo assim continuamos a adoecer. O que é que acontece então aqui? Nós temos aqui, tivemos a explicar o sistema imunitário de uma forma simplista, que são a linha de defesa. Depois temos os invasores. Isto quando falamos, vamos falar de micro-organismos especificamente, podemos de vírus, não é? Para nós ficarmos doentes, já vimos que depende não só de ter um agressor, mas temos um bom sistema imunitário.

Agora, quando a imunidade é excessiva, nós temos doença. Ou seja, até a imunidade pode ser em excesso. Vou dar um exemplo, alergias. Doenças provocadas pelo nosso sistema imunitário reagem exageradamente a determinados antigénios, seja do pólen, seja de proteínas do leite de vaca, seja o que for. Então eu sou muito exagerado. Ou então, dentro do sistema imunitário, vou dar outro exemplo, em que realmente o sistema imunitário está excessivo entre aspas nas doenças auto-imunes, em que o próprio sistema imunitário destrói tecidos, células do próprio. Porque existe uma desregulação. Boas, portanto. Exatamente. Outro aspecto é se o sistema imunitário estiver deficitário. E do lado oposto, nós temos realmente os agressores.

A carga viral, no exemplo que demos, se for vírus, depende da quantidade de vírus que nós fomos expostos, que nós inalámos, por exemplo, vamos dar o exemplo outra vez da gripe. Podemos estar em contato com alguém com gripe, inalamos os vírus, depende da quantidade que inalamos. Ou seja, é o desequilíbrio entre estas duas forças. Exatamente. Depende da agressividade do vírus, que há vírus mais agressivos do que outros, até dentro da mesma doença há vários estirpes, e da capacidade de proliferação desses vírus. Claro que este sistema imunitário tem outra questão. Nós determinamos a qualidade que ele vai ter ou não até certo ponto. Porque depende da nossa hereditariedade, da nossa genética, mas essencialmente do nosso estilo de vida que vai influenciar positivamente ou negativamente este sistema imunitário.

Claro que a carga viral, a capacidade de proliferação do vírus, a sua agressividade, são fatores que nós podemos não controlar assim tanto. Mas a forma como está o nosso sistema imunitário, até a certo ponto, é muito variável o nosso estilo de vida. Ou seja, eu posso até estar exposta a uma grande carga viral, mas se eu tiver um sistema imunitário super forte e saudável, eu posso não ficar doente. Eu acho que se há uma coisa que quem assiste ao Médico Família já aprendeu ao longo dos anos é precisamente o quão importante é o nosso estilo de vida e como ele está diretamente ligado, por exemplo, com das doenças mais graves que nós temos e que são problemas de saúde pública. Mas fica interessante, fica também aqui a sugestão, claro que quem sabe no próximo programa que estivemos juntos, de tentar explicar um pouquinho esta relação para que todos nós também, já com esta informação, sabemos o que fazer então para melhorar o nosso sistema imunitário.

Muito bem, para si que está desse lado, estamos mesmo a chegar ao fim, mas antes mesmo de fechar quero apenas lembrar a oferta que estamos a fazer este Guia de Estudo em Máquina Humana e ainda por cima porque vai encontrar precisamente aqui alguns artigos, algumas lições sobre aquilo que estamos a falar e com remédios naturais fantásticos para fortalecer também o nosso sistema imunitário. E tudo isto é totalmente gratuito. Falámos também nesta máquina humana e neste criador, pois bem aqui vai conhecer também a vontade de Deus para que tenhamos um estilo de vida saudável. Ele que melhor que ninguém conhece esta máquina que nós chamamos de máquina humana porque foi ele que a criou. Lembrar também que este programa e todos os outros estão disponíveis em podcast, quer na Rádio RCS, em radiorcs.novo-tempo.pt, mas também agora em vídeo, no podcast no YouTube da Novo Tempo Portugal.

Mais uma vez foi um prazer enorme estar na sua companhia. Mesmo a fechar, se tem uma sugestão, se gostaria que abordássemos algum assunto aqui no programa, faça-nos chegar a sua sugestão, precisamente para os contactos que já partilhei consigo. Mais uma vez um grande abraço, marcamos encontro no próximo Médico de Família. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Bem-vindo ao "Médico de Família"! 🏥 Hoje mergulhamos no fascinante mundo do sistema imunitário, o "exército" invisível que defende o nosso organismo 24 horas por dia. Com a participação especial da Dra. Cláudia Neves, exploramos os mecanismos complexos que nos protegem contra ameaças externas, como vírus e bactérias, e internas, como células cancerígenas.

Neste vídeo, vai aprender:

🔹 O que é o sistema imunitário e como ele distingue o que é do corpo daquilo que é prejudicial.

🔹 A diferença entre imunidade inata (com a qual nascemos) e imunidade adquirida (desenvolvida através do contacto com agentes patogénicos).

🔹 O papel fundamental das vacinas na preparação dos nossos "soldados" de defesa.

🔹 Como funcionam as barreiras físicas e químicas: a pele, o muco respiratório, as lágrimas e o ácido gástrico.

🔹 O que são anticorpos e antigénios e como os linfócitos T e B trabalham em conjunto para criar memória imunitária.

A Dra. Cláudia explica ainda por que razão as crianças ficam doentes com mais frequência ao entrar na escola e como o nosso estilo de vida é o fator determinante para manter estas defesas em alerta. 🍎💤

Não perca estas dicas práticas sobre como prevenir doenças e entenda por que o seu corpo é uma "máquina humana" extraordinária. Se gostou deste conteúdo, subscreva o canal da Novo Tempo Portugal e partilhe com quem mais gosta! 🌟

Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 35
Estreou
31 de Dezembro de 2025
Categoria
Saúde