Alcoól - Moderação contribui para a saúde?

Alcoól - Moderação contribui para a saúde?

10 de Dezembro de 202527 min 39 s

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Abertura e saúde pública

Volvido a mais uma semana, estamos de volta para lhe trazer mais um médico de família e é um prazer enorme estar na sua companhia. Hoje tenho comigo a doutora Eunice Parcelas e vamos falar de álcool. Muitas vezes vimos muitas informações e algumas delas até contraditórias entre se podemos beber álcool ou não, se pequenas quantidades até fazem bem à saúde. Enfim, é muita informação que hoje vamos tentar esclarecer. Eunice, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. Eu começo, antes mesmo de entrarmos no assunto do programa, por te perguntar. A questão do álcool já foi um problema de saúde pública. Hoje em dia ainda é um problema? Sem dúvida. Ainda é um problema de saúde pública. É um hábito que está muito enraizado na nossa cultura, socialmente.

Está presente em todos os convívios, festas e parece que existe a falta de alguma coisa, algum vazio, quando ele não está presente. e é, sem dúvida, ainda considerado um problema de saúde público. Eu vou apresentar aqui alguns dados estatísticos que mostram que realmente ainda é um problema. Já há muitos mitos que estão desconstruídos, já há muita informação relativamente a algumas décadas atrás, mas ainda assim ainda é um problema e bastante grave no nosso mundo e no nosso país. Ele é responsável por 2,6 milhões de mortes anualmente, em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde em 2019, afetando mais os homens do que as mulheres, porque os homens também consomem mais álcool.

Também estima que mundialmente 400 milhões de pessoas com 15 ou mais anos sofram de problemas relacionados com o álcool e 209 milhões de pessoas têm mesmo algum problema de dependência de álcool ou perturbação por uso de álcool. O álcool, segundo um estudo na revista Lancet, mostrou que o álcool é o principal fator de risco de carga global de doença entre os 15 e os 49 anos. É aquele fator de risco mais importante nestas idades, nos adolescentes, nos jovens. E que a maior taxa de mortalidade devido ao álcool ocorre na Europa e em África.

Também são os sítios onde se bebe mais. Especialmente na Europa é onde se bebe mais álcool. Existem mais de 200 milhões de pessoas em risco de ter um problema, um cancro associado ao álcool. Portanto, na Europa mais de 200 milhões de pessoas têm risco de câncer devido ao álcool. É assustador. É significativo. Depois, portanto, em 2019 também foi considerado que 4,4% dos cânceres diagnosticados a nível global e 401 mil mortes por câncer foram atribuídas também ao consumo de álcool. E este consumo está associado a 740 mil novos casos de cancro a cada ano, globalmente. Isto não é insignificante e não é de desprezar.

É certamente um problema de saúde pública. Sabemos que os jovens são muito afetados, desproporcionalmente, e existem muitas mortes atribuídas ao álcool entre os 20 e os 39 anos também. Em Portugal não é exceção. Segundo a Direção-Geral de Saúde, o álcool é a substância psicoactiva mais consumida em Portugal, mais do que o tabaco, mais do que outras drogas e muitas vezes com pouca percepção do risco pela população. Ou seja, a população não tem a noção do risco que este consumo tem. Em 2009, o consumo per capita, ou seja, por pessoa, era de 13,4 litros de álcool por ano. Isto já era superior à média europeia, que é onde se bebe mais álcool. E em 2019 estes consumos reduziram um pouco para 10,4 litros por pessoa por ano, mas ainda assim estes consumos são superiores à média europeia.

Ou seja, em Portugal ainda se consome mais do que na Europa. Portanto, é dos países onde se consome mais algo. Estou-te a ouvir e na minha cabeça, desculpa lá, enfim, a honestidade, porque tu estás a falar de um valor de média. mas parece-me, francamente, por baixo. Porque imagino um português normal que bebe cerveja... Ah, ok, se calhar estou a perceber mal. Esse é o álcool álcool, não é os litros de bebida alcoólica. É depois o álcool que está na bebida alcoólica. Exatamente, porque eu estava a pensar, só em cerveja bebe muito mais do que 3 litros por ano. Só que é o equivalente, dentro dessas bebidas, o consumo todo só o que diz respeito ao álcool. É isso? Como é que nós podemos saber quando é que é demais?

Ou seja, admitindo que quando a pessoa fica embriagada há muito tempo já passou o que é demais, não é essa a questão de limite que estamos a falar, como é que eu sei o que é que é demais, ou até melhor, o que é que pode fazer bem ou que

O que é o álcool

não faz bem. Porque há muita desinformação sobre esse assunto. Há até especialistas e médicos que dizem que um copo de vinho à refeição faz bem. Já tivemos aqui noutros programas, já que falámos sobre isso, que mesmo esse copo de vinho é prejudicial à saúde. Enfim, o que é que ficamos? Quando é que é demais? Pronto, já vimos que o álcool é um problema de saúde pública, o seu consumo é um problema de saúde pública, é um dos principais fatores de risco para a morte prematura e para a incapacidade, para a doença e que acarreta milhares de milhões de despesas, portanto, de euros em despesas ao país a cada ano, quer por hospitalizações, por despesas na parte da justiça, absentismo laboral, portanto, tem muito impacto na economia e na saúde do país.

Por outro lado, é importante percebermos o que é que é álcool, o que é que é uma bebida alcoólica. E há algumas pessoas, especialmente as pessoas mais idosas, que acham que vinho não é álcool, por exemplo. Por vezes o médico pergunta na consulta, então, Sr. Joaquim, que quantidade de álcool é que bebe por dia, ou que bebidas alcoólicas bebe? Bebe álcool? E a pessoa, não, não bebe álcool. Então e vinho à refeição não bebo? Ah, vinho bebo, mas também não me diga que isso faz mal. Enquanto às vezes as pessoas não têm noção do que é que é álcool. Qualquer bebida alcoólica, qualquer bebida que contenha álcool, vinho, cerveja, bebidas destiladas, whisky, vodka, gin... Portanto, qualquer destas é considerada uma bebida alcoólica e quando estamos a falar de álcool estamos a falar destas bebidas que contêm esta substância que é o etanol, que é uma substância psicoactiva, é uma substância que quando se degrada no nosso corpo, quando é metabolizada no nosso corpo, porque o nosso corpo tem que eliminá-la, dá origem a um composto que é o acetaldeído e esse acetaldeído é tóxico e pode dar alterações no ADN.

ao nível da radiação, ao nível do tabaco, portanto, pode dar alterações no ADN e, portanto, pode provocar cancro. Ele é considerado um carcinogénico do grupo 1, portanto, é daqueles que é mais elevado ao nível da radiação, do tabaco, tudo isso. Portanto, o álcool provoca cancro. Independentemente da quantidade, é isso? Foi estudado e foi tentado perceber qual era a quantidade mínima a partir da qual o álcool tinha problema para a saúde e qual era a quantidade segura. E um estudo do Global Burden of Disease, publicado na revista Lancet, mostrou, e isto foi em 2022, depois o artigo saiu em 2023, isto mostrou que não existe um nível de álcool seguro, não existe um consumo mínimo que seja seguro e, portanto, a única quantidade cientificamente provada até à data que é segura é zero.

Neste estudo que foi feito. Sabemos que é considerada uma unidade de uma bebida de álcool, uma bebida que contenha 10 gramas de álcool. Isto equivale a quê? Equivale a um copo de vinho de 100 mililitros? Isto aqui depende dos volumes, não é? Mas se for, por exemplo, um vinho que tenha 12% de volume, é 100 mililitros. Se for uma cerveja, normalmente é ali entre os 200 e 250 mililitros, que é uma unidade. Se já for uma bebida destilada com 40% de volume, aqui um whisky ou outras bebidas destiladas mais fortes, aí já são 30 mililitros, considerado uma bebida. E o que é que é recomendado, tanto em termos mundiais...

Essa bebida é uma dose, acho. Uma dose, exatamente. Uma dose de álcool. Sim, ok. Por vezes, a dose que a pessoa pensa que está a beber é diferente, não é? A pessoa pensa que um copo é uma dose e por vezes isso são várias doses. Depende do que está dentro do copo. Depende da quantidade do copo. Portanto, uma dose de vinho tinto são 100 mililitros de vinho tinto. E a maior parte das pessoas quando bebe à refeição não bebe 100 mililitros, é mesmo muito pouco. Para percebermos é tipo um terço de uma coca-cola quase. Sim, exatamente. É um terço de uma garrafa pequena de água. É só mesmo ali um bocadinho de... É quase só molhar a boca. São dois, três ou quatro golos. A 100 mil litros é pouco. Ou seja, equivalente a um copo de vinho normal à refeição seriam três doses, não é?

Talvez, sim, duas, três doses. Qual é a recomendação da Direção-Geral de Saúde e também noutros países, também a recomendação nacional e internacionais é que os homens não ultrapassem duas bebidas destas por dia e as mulheres não ultrapassem uma. E os idosos também não ultrapassem uma. E nós vemos claramente que a maior parte das pessoas que consomem álcool ultrapassa francamente estas quantidades. Basta, por exemplo, um homem de 50, 60, 70 anos beber uma garrafa de vinho por dia, que não é assim tão raro, isto já são mais ou menos 7 unidades deste álcool, doses destas bebidas que falámos, não é? Portanto, claramente ultrapassa aqui os máximos que a Direção-Geral de Saúde recomenda.

Ainda assim, sabemos que o limite seguro é zero e, portanto, qualquer quantidade de álcool pode potencialmente causar cancro ou ser prejudicial. Sabemos que foi também feito um estudo que, portanto, quanto maior o consumo, maior o risco Ainda assim, mesmo pequenas quantidades de álcool aumentam o risco de câncer e, portanto, os dados da Organização Mundial de Saúde mostram que metade de todos os cânceres causados pelo álcool na Europa são causados pelo consumo leve ou pelo consumo moderado. Metade dos cânceres associados ao álcool foram associados a consumo ligeiro ou a consumo moderado de álcool e não àquele consumo excessivo, de ficar embriagado, etc.

É muito considerável, exatamente. Este padrão de consumo é especialmente responsável pela maior parte dos cânceres da mama, atribuídos ao álcool. Ou seja, os cânceres da mama, que ocorrem devido ao álcool, ocorrem em níveis ligeiros ou moderados de álcool e não. Em pessoas... Quero o homem, quero a mulher. Não, aqui estamos a falar da mulher. A melhor forma de proteger contra o câncer aqui neste âmbito é não consumir álcool de todo, porque mesmo consumos ligeiros ou moderados aumentam o risco. Na União Europeia, o consumo ligeiro a moderado de álcool foi responsável por 23 mil novos casos de câncer a cada ano. Portanto, e metade são cânceres da mama femininos.

Portanto, é muito significativo. É muito significativo. Vamos continuar a conversar sobre isto, até porque eu quero salientar essa questão do benefício e dos malefícios do álcool, que é realmente muita contra-informação, mas para já vamos fazer um pequeníssimo intervalo, cerca de dois minutos, não mais do que isso, e já a seguir voltamos para a segunda parte com uma oferta muito especial para si.

Benefícios e mitos do vinho

TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. De volta para a segunda parte do nosso Médico de Família, hoje estamos a abordar o álcool, as bebidas alcoólicas e o efeito destas na nossa saúde. Mas, como lhe disse, tenho uma oferta muito especial para si, o guia de estudo A Máquina Humana, um guia de estudo muito completo foi preparado por vários especialistas para ajudar nas diferentes áreas para que tenha um estilo de vida muito saudável. Tem várias dicas práticas sobre a alimentação, sobre o descanso, sobre o exercício físico. Tem algumas doenças as mais comuns e como lidar com elas. mas também traz um conjunto de versículos bíblicos para ajudar a conhecer a vontade de Deus para si, para que tenha um estilo de vida mais saudável.

E o melhor de tudo é que é mesmo totalmente gratuito. Enviamos para si, para casa, pelo correio. Para isso basta apenas enviar-nos uma mensagem para o 933-939291, a dizer Máquina Humana, e depois entraremos em contacto consigo para enviar então pelo correio. Lembro mais uma vez o número de telefone? 933 939291 Desculpa lá, Eunice. Estávamos então a falar sobre os benefícios e os malefícios do álcool, mas porquê é que eu uso aqui a palavra benefícios? Porque não é muito incomum, até dentro da comunidade médica, nós ouvirmos dizer que um copinho de vinho, sobretudo associado ao vinho, é bom para a saúde porque tem antioxidantes e outras coisas do género.

Ou seja, já percebemos que todo o álcool faz mal. Mas há aqui um custo-benefício com alguma determinada quantidade de vinho? Existiram vários estudos no passado que mostraram que o vinho tinto, especialmente o vinho tinto, poderia ser benéfico em termos cardiovasculares, ou seja, promovia a saúde cardiovascular. Isto tem a ver com alguns componentes da uva, que é usada para fazer o vinho, como o resveratrol e outros compostos que realmente têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. A questão é que, por exemplo, se eu fizer um batido e colocar lá frutos vermelhos, e sabemos que os frutos vermelhos são saudáveis e são bons para a saúde e promovem a saúde, e se eu fizer um bocadinho de veneno, mas muito pouco veneno, eu posso considerar este batido saudável?

Eu não vou considerar este batido saudável. Eu não estou a dizer que o álcool é um veneno. A analogia é bem clara. O facto de uma bebida ou um alimento ter algo de benéfico não significa que ela seja boa para a saúde. Ok, ela tem um potencial benéfico nesta área cardiovascular se fosse consumido com moderação, como foi considerado, em pequenas doses, mas bastava aumentar esse consumo, portanto, em doses mais abundantes, já aumenta a mortalidade cardiovascular. Por outro lado, não se sabe qual é a quantidade segura para ter esse benefício que não provoque câncer. Portanto, os benefícios não justificam os malefícios e os riscos, especialmente aqui no risco de cancro, porque sabemos que qualquer quantidade pode aumentar o risco de cancro.

Melhor mesmo é comer as uvas neste caso. Melhor mesmo é comer as uvas, exatamente, ou outros alimentos que tenham estes compostos. muito mais benéficos que o vinho, porque podemos obter isto nos frutos vermelhos, nas uvas, até o cacau também pode ter estas propriedades. Não é necessário estarmos a consumir um produto que é prejudicial noutras áreas para termos um ligeiro benefício numa área. Isto inclui qualquer tipo de vinho. Às vezes fala-se que aquele vinho que é mais caro, tem mais qualidade, que vai fazer melhor à saúde e até há publicidades disto. Isto não é verdade. Qualquer bebida alcoólica, mesmo independentemente do preço, da qualidade, tem álcool que provoca aqueles riscos que já falámos.

Nós fazemos aqui outros programas, em termos de rádio, em que temos também o consumidor em direto e normalmente eles aconselham a evitar ou mesmo não beber álcool no verão. Há aqui uma ligação direta entre o consumo de álcool e esta percepção de que ao beber álcool estamos a ingerir líquidos e a desidratação? Como é que funciona esta relação? Há aqui um mito que é que o álcool hidrata, não é? Quando a pessoa está num dia com muito calor, está com sede, está com calor, vai a uma festa, dá lá uma cerveja fresquinha, isto vai mesmo refrescar, hidratar, mas é um bocadinho ao contrário. O álcool faz com... ele realmente pode dar esta sensação de frescura por estar frio, etc, mas ele é diurético, ou seja, ele faz com que haja a perda da urina mais facilmente e, portanto, promove esta desidratação, especialmente num dia com mais calor em que se consome muito álcool.

Ao longo da tarde vai-se consumindo 4, 5, 6 bebidas. O ideal é mesmo não o fazer, ou beber água ou outra bebida. Mas, realmente, as pessoas que vão consumir álcool, que pelo menos vão bebendo água, entrecaladamente, muita água, porque o álcool realmente contribui para a desidratação. A questão é que o beber tem um peso social muito grande. Também gostaria de falar sobre isso contigo lá mais para a frente. Mas para já, esta noção até de quem começa a beber, quando teis o conceito social, esta noção de que só um copinho não faz mal. A questão é que muitas vezes um copinho leva a outro copinho. O que é que tu nos podes dizer sobre este assunto?

Sim, por vezes a pessoa tem a ilusão de que vai beber uma quantidade e depois acaba por beber muito mais porque o álcool também tem, ele afeta o julgamento e afeta aqui, há uma desinibição e a pessoa ao consumir álcool, esta quantidade vai levá-la a consumir mais, vai ter vontade de consumir mais, mesmo que não tenha nenhuma dependência e seja apenas uma coisa esporádica. sabemos que pode contribuir para consumir mais. E depois também sabemos que este consumo esporádico também pode ser muito prejudicial. O tal binge drinking ou o consumo excessivo esporádico, que é o consumo de 5 ou mais bebidas na mulher ou 6 ou mais bebidas no homem no espaço de 2 horas, também é muito prejudicial e pode contribuir para o risco de câncer e para a doença e que realmente é muito prevalente nos jovens.

Esta questão pode ser bastante, enfim, problemática. Até imagino que possa fugir um pouquinho mais do foro da área da saúde, mas

Riscos e impactos do álcool

certamente que está ligado, que é a questão de beber mais. Muitas vezes há aquelas pessoas que bebem mais, mas é comum conhecer-se esta expressão. Aí ele até tem um bom beber, ou seja, significa que está embriagado, mas comporta-se, mantém a compostura. Como é que se percebe que já li uma atitude problemática? Ou seja, que aquela pessoa pode não estar embriagada, mas que já li um problema. Eu diria que isso tem um bocadinho a ver com o motivo pelo qual a pessoa está a beber. Por exemplo, as pessoas se bebem para lidar com o estresse, para lidar com o problema, por causa do isolamento social, ou se as pessoas precisam de beber para estar bem, isso significa que a pessoa provavelmente já pode haver ali algum risco.

Se houver consequências desse consumo também, vai haver aqui algum risco. Mas importa realmente falarmos do que é que realmente o álcool causa. E o álcool, para além de causar doença física, como já falámos do cancro e outros problemas, hipertensão, diabetes, doenças hepáticas como a cirrose, pancreatite, doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, mais risco de pneumonia, depressão, mais risco de tuberculose, HIV. e os vários tipos de câncer que causa. O álcool é muito associado ao câncer da cabeça, do pescoço, câncer da mama, câncer do fígado, câncer do cólon e também câncer do reto e, portanto, para além destes cânceres que realmente o álcool pode causar e que tem muito impacto, nós já falámos, também está associado a muitas complicações obstétricas e fetais.

As mulheres se consumirem álcool durante a gravidez há realmente um risco muito grande de complicações, quer no parto, quer na gravidez, quer no feto. Pode mesmo haver problemas muito graves no feto, cognitivos, intelectuais, e não haver no desenvolvimento cerebral normal. Mas o álcool também está muito associado à doença mental, à depressão, a suicídio, a problemas associados à dependência de álcool e tudo isso. E também pode afetar a parte neurológica, portanto altera a memória, mais risco de demência precoce, etc. Por outro lado, também aumenta o risco de alguns comportamentos, comportamentos mais agressivos, aumenta o risco de criminalidade, de acidentes de viação.

Sabemos que os acidentes de viação, portanto, são muito frequentes e os fatores principais associados são o consumo de álcool e o excesso de felicidade. E, na verdade, a pessoa a consumir álcool também provavelmente não vai ter tanta noção do que é o excesso de velocidade e há aqui realmente um peso muito importante nos acidentes de aviação que contribuem muito para as mortes nas estradas, especialmente em pessoas mais jovens. O álcool tem aqui muito impacto. Também tem muito impacto na violência doméstica e noutros crimes e noutras lesões acidentais. Quedas, afogamentos, queimaduras, etc.

E depois, o álcool também pode promover alguns problemas sociais, não é? A pessoa que violenta o seu parceiro vai ter um problema na relação, não é? Por vezes a pessoa também isola-se socialmente porque tem um problema com o álcool ou mesmo que isso não aconteça, portanto, por vezes há problemas no trabalho, problemas na família, problemas financeiros ou até desemprego. Portanto, o álcool pode ser catastrófico na vida de uma pessoa ou também pode não o ser, é verdade. Para identificarmos aqui se há um risco ou não, a melhor pessoa para fazer isto é, por exemplo, o médico de família ou outro médico que vai avaliar se os comportamentos que a pessoa tem podem levar a um risco elevado de consumo de álcool e de doença ou não.

Portanto, é aplicado aqui um questionário que é feito. Há vários, mas já aqui há um que é mais frequente, é aplicado um questionário para perceber qual é que é o grau de risco e depois considera se a pessoa tem um consumo em nível de risco e que o binge drinking, que é o beber em excesso numa ocasião, também é considerada de risco. Pode haver um consumo já no civo de álcool ou pode haver mesmo dependência de álcool. E depois, consoante isso, é avaliar qual é que é o passo a seguir. Estamos já na reta final do nosso programa e eu gostava mesmo que não

Como pedir ajuda

terminassemos o programa sem abordar este assunto que é alguém que nos está a ver neste momento pode se dar a identificar com esse problema ou ter um familiar que vive esse problema. O que é que se pode fazer? Como ajudar alguém que já está a ter um problema com o consumo de álcool? Primeiro penso que as ajudas têm de ser a nível maior, superior do peso social e das mudanças necessárias a nível de políticas, etc. Porque sabemos que a primeira barreira é cultural, como falámos, tanto o álcool é normalizado, há um estigma das pessoas que não querem consumir álcool, parece que o normal é consumir álcool e depois a publicidade também. Uma espécie de emancipidade, ou seja, eu agora já bebo álcool, já sou adulto, já posso beber álcool, não é?

É uma emancipação porque agora bebo álcool. Sim, como se fosse uma coisa esperada das pessoas, não é? E isso tem que se desconstruir e tem que se alterar e tem que se anormalizar a diversão sem álcool, por exemplo, que é perfeitamente possível a pessoa estar feliz, estar bem, estar a divertir-se sem álcool. Depois é a publicidade. A publicidade também tem que ser regulamentada. Os patrocínios de eventos também têm que ser regulamentados porque muitas vezes são feitos por marcas de álcool com um marting muito pesado e provavelmente as bebidas têm que ser com taxas maiores. Ou seja, ele já é regulado, mas ser mais restrito, é isso que quer dizer, não é? Certo. Exatamente. Por exemplo, vemos no tabaco, temos aqueles rótulos que dizem que o tabaco mata e tem lá os riscos. temos que informar a população destes riscos do álcool que falámos aqui, que muita gente não sabe ou não tem noção no seu dia-a-dia destes riscos, da dimensão disto.

Provavelmente tem que se regular nos rótulos também, pronto, tudo isso. Porque não é amplamente conhecido pela população em geral e também capacitar os profissionais de saúde. Por outro lado, se a pessoa tem um problema com o álcool e quer procurar ajuda, a melhor forma é informar-se, ir ao seu médico, Pode ser o médico de família ou outro médico. Se já houver um problema identificado, pode haver uma referenciação a um psiquiatra especialista em adições. Ou a pessoa pode ir diretamente ao site do ICAD, que é o icad.pt. vai lá a clicar onde diz pedir ajuda e aí pode inscrever-se e fazer um teste que corresponde ao seu risco de consumo de álcool e depois vai ser chamado por uma equipa que vai acompanhá-lo e vai tentar perceber se esse consumo está a ser problemático para a sua saúde e ajudá-lo no seu tratamento que pode ser comportamental, estratégias comportamentais, psicologia, terapia cognitiva comportamental e quando é necessário também terapêutica medicamentosa.

A questão é não ter vergonha, não assumir, não ter mito nenhum e pedir ajuda. Essa é a questão. Para quem está desse lado, quero apenas lembrar-lhe a oferta que estamos a fazer muito rapidamente da revista A Máquina Humana. É uma revista fantástica, preparada por vários especialistas com muitas dicas práticas para o ajudar a ter um estilo de vida saudável. É totalmente gratuito. Basta enviar-nos um SMS para o 933-9392-91933-9392-91. Mais uma vez foi um prazer estar na sua companhia e marcamos encontro no próximo programa. Até lá, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Neste episódio do Médico de Família, é analisado um dos temas mais controversos da atualidade, o consumo de álcool. Será que um copo de vinho à refeição faz bem ao coração? Existe uma quantidade segura? Ou qualquer consumo representa risco?

Com base em dados científicos atualizados, incluindo estudos publicados na revista The Lancet e informações da Organização Mundial de Saúde, é esclarecido o impacto real do álcool na saúde.

📊 Sabia que: • O álcool é responsável por 2,6 milhões de mortes por ano • Está associado a mais de 740 mil novos casos de cancro anualmente • Não existe nível seguro de consumo, segundo estudos recentes

Neste episódio são abordados: ✔️ O mito do “copinho de vinho faz bem” ✔️ O que é realmente uma dose de álcool ✔️ A ligação entre álcool e cancro ✔️ Os riscos para jovens e mulheres ✔️ O impacto na saúde mental e na vida social ✔️ Como procurar ajuda em caso de dependência

A evidência científica é clara, mesmo o consumo leve ou moderado pode aumentar o risco de doença, especialmente cancro da mama, fígado, cólon e outros.

Se tem dúvidas sobre o seu consumo ou quer proteger melhor a sua saúde e da sua família, este episódio é para si.

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Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 32
Estreou
10 de Dezembro de 2025
Categoria
Saúde