Bem-vinda mais um médico de família. O consultório da Novo Tempo volta a abrir as suas câmaras e os seus microfones para lhe trazer mais um programa. E para isso temos connosco mais uma vez a Dra. Cláudia Neves Cláudia, mais uma vez bem-vinda. E mais uma vez é um prazer estar aqui no auditório da Novo Tempo e da Rádio RCS. Tu hoje escolheste para o nosso programa tratar de um assunto que, na minha mente, eu acho que toda a gente já sabe o que é, já conhece, mesmo não tendo a informação toda. Eu acho que tu nos vais surpreender, mas escolheste-nos falar sobre menopausa. Porquê que decidiste falar sobre este assunto? Porque é um assunto que, ultimamente, muitas pessoas, claro que mulheres, me colocam questões, intermináveis pormenores, sobretudo na sintomatologia, como ultrapassar da melhor maneira, com qualidade de vida.
Porque, claro, é uma fase da vida que atinge todas as mulheres. e sobretudo as que chegam a essa idade fazem muitas perguntas sobre este tema. Por isso decidi preparar aqui também este tema. Então vamos começar desde logo por nos explicares o que é que é menopausa e já agora, porque também acho que traz alguma confusão, quando é que podemos considerar que a mulher já entrou na menopausa? Ok. Então já percebemos que menopausa não é uma doença, é uma fase da vida da mulher. Durante a vida da mulher existe aquela fase chamada reprodutiva, é quando a mulher tem as menstruações, que começam mais ou menos na altura da puberdade, que pode variar entre os 9 e os 15 anos, que a primeira menstruação, quando começa, dizemos que é a menarca.
Depois, ao longo da vida reprodutiva, é assim que chamamos da mulher, enquanto vai tendo os ciclos, umas mais regulares, outras mais irregulares, vai tendo os períodos menstruais, que normalmente vêm em ciclos de 28 dias, mês a mês. 14 dias, mais ou menos duas semanas depois de vir o primeiro dia da menstruação, ocorre o que nós chamamos de ovulação, que é nos ovários das mulheres, que são duas estruturas que nós temos aqui na nossa escavação pélvica, vem à superfície um ovo. Isso é que se chama ovulação. O grande objetivo é, se realmente houver fecundação com o espermatozoide, com o gâmeta masculino, existe a formação então de um ovo e depois de um feto, de um embrião. e ao vir à superfície, se realmente ele for fecundado, há gravidez.
Se não for fecundado, a camada interna do útero descama e vem daí, a duas semanas, a menstruação. Isto ocorre mensalmente. Mas o que acontece na menopausa é que deixa de haver essas menstruações espontaneamente. Em termos clínicos, diz-se que uma mulher está na menopausa quando está um ano inteiro, 12 meses, sem período menstrual. Isto porquê? Porque existe um período em que podem vir ainda de forma irregular. Portanto é muito comum algumas mulheres ficarem espantadas, pensavam que já entraram na monopausa e de repente parece que não. E algumas nesta fase fazem muitos testes de gravidez, porque o período vem atrasado, elas assustam-se e vão fazer testes de gravidez.
Eu diria naturalmente, sabes que eu não tinha pensado no assunto, mas agora gostavas a dizer, realmente faz sentido. É, é muito frequente. A idade média da menopausa tem variado ao longo da história e cada vez é mais cedo, é como a menstruação das minas, cada vez é mais cedo, a menarca. A média em Portugal é de 48 anos de idade, a média nos países ocidentais é de 51 anos e meio, mas A menopausa, ou seja, a idade é um intervalo muito grande. Pode surgir desde os 30 anos de idade, o que é uma menopausa muito precoce, e pode surgir só aos 60 anos de idade. E não podemos esquecer que antes existe aquela fase em que pode aparecer o período duas vezes no mês e depois podemos estar alguns meses sem período. A tal irregularidade pode surgir os afrontamentos, as alterações do humor.
É aquela fase que antecede a menopausa, porque começa a diminuir a hormona importante para o ciclo reprodutivo da mulher, as hormonas femininas, que é o estrogênio e a prosterona. E nesta fase nós chamamos climatério. É um período de tempo que antecede a menopausa. Que pode ser muito grande também, não é? Pode ser. Alguns anos em algumas mulheres, em outras pode ser alguns meses.
Sim. Que é fantástico. Já falaste de alguns sintomas. Alguns deles também podemos encontrar lá nesse período pré-menopausa. Quais são os principais sintomas e já agora manifestações? Porque sei que é as duas coisas, não é? Quando uma menina nasce bebé, os seus ovários têm cerca de 700 mil folículos. Mas quando ela começa a ser menstruada, já só tem cerca de 300 mil. Pensa-se que a grande maioria, por atrésia, não são funcionantes. No entanto, mesmo começando na puberdade com 300 mil, vejam, um por mês, tínhamos para muitos anos, mas não.
A menopausa surge quando já não há. Porquê? Ou porque realmente houve ovulação, ou não houve ovulação, ou houve fecundação ou não, e acaba por a maioria, por a trésia, serem não funcionais. E quando chega esse período, é o que nós chamamos de menopausa. E o que é que isso denota? Já não há folículos, e os estrogênios estão muito mais em baixo. Ao estrogênio estar em baixo, isso vai desencadear no nosso cérebro um aumento de outras substâncias hormonais que estimulavam os ovários a produzir estrogênios e prosterona. Não havendo aqui o cérebro, então, mas está num nível muito baixo, vamos aumentar. Todas estas alterações hormonais geram estas manifestações que são as irregularidades menstruais, Ora vem duas vezes por mês, ora está há vários meses sem vir.
Há um aumento do tamanho dos ciclos e algumas mulheres, como já referimos, têm medo de estar grávidas. Até que surge mesmo o que nós chamamos a menor reia, que é estar sem período. A menor reia de 12 meses é menopausa. Ponto. Mas os sintomas mais frequentes, que atingem 60 a 80% das mulheres na menopausa, são realmente as manifestações vasomotoras, que as mulheres conhecem como os calores, os afrontamentos. E dá realmente como um calor exuberante da cintura para cima. Nós sentimos até no corpo cabeludo e seguido de suores frios. Transpiramos muito, mesmo aquelas que não transpiravam. Isto dura segundos, minutos e passa. Pode surgir durante o dia e pode surgir durante a noite.
São mais intensos nos dois primeiros anos da menopausa. podem surgir também na fase que antecede a menopausa, o hostalclimatério, são mais frequentes nos dois primeiros anos, mas há mulheres que até oito anos depois ainda têm os tais afrontamentos. Olha que maravilha! É, portanto, isto não há o 100% nem 0%, é o mais ou menos. Geralmente desaparecem após cinco anos da tal menopausa, da ausência de menstruação. E isto interfere muito com a vida da mulher porque interfere com a sua capacidade de trabalho, de concentração, o sono. Mas estas são algumas das manifestações. Depois temos as psicológicas, que muitas também se queixam. A dificuldade em adormecer, a chamada insónia inicial, o acordar de noite, parece que já dormi tudo mas ainda estamos no início ou no meio da noite, o acordar muito cedo e não conseguir voltar a adormecer.
Existem alterações do humor e muitas vezes quem se queixa mais são os que coabitam ou trabalham com as mulheres nesta fase, porque as mulheres realmente têm uma maior labilidade emocional. Existem também pessoas que referem maior probabilidade ou propensão para a depressão nesta fase. Os estudos não comprovam uma relação fisiológica da depressão com a menopausa. No entanto, nós não podemos esquecer que nesta fase da vida da mulher acontecem muitas coisas que mudam. É os filhos que saem de casa, seja para estudar ou para trabalhar, é o chamado ninho vazio, é as alterações muitas vezes na sua atividade profissional, é a transição para a reforma, em algumas, e o encarar do envelhecimento, as alterações no nosso corpo.
que implica uma outra atitude, uma mudança de paradigma a muitos níveis e tudo isto por si já obriga-nos a uma maior capacidade de adaptação e pode gerar maior probabilidade de ansiedade, de depressão. Ou seja, não é em si que o processo menopausa tem a ver com a fase da vida da mulher. Eu diria que é tudo junto. Também, é verdade. Temos outras manifestações que nós chamamos de perturbações genito-urinárias. Porquê? Porque a parte inferior da nossa bexiga, a nossa uretra, que é aquele canal que vai da bexiga para o exterior, para onde sai a urina, e a própria camada de mucosa interna da vagina, são dependentes desta hormona feminina que é o estrogênio.
Havendo baixa de estrogênio, toda esta zona fica mais atrofiada, mais fina, maior secura, não há menos lubrificação vaginal e até da uretra. E isto leva a outros problemas que é a secura vaginal, com comichão, com ardor. Algumas queixam-se, algumas têm vergonha de referir, mas a dores durante as relações sexuais é muito frequente nesta fase. Nós dizemos numa palavra só, diz-se disparionia, dor durante a relação sexual. Isto pode interferir até no relacionamento do casal, porque interfere na sua intimidade. E como existe aquela atrofia de tudo o que é a parte urinária, maior probabilidade de incontinência urinária também, nesta fase da vida.
As mulheres normalmente queixam-se que quando tossem, quando carregam qualquer coisa, quando se riem a gargalhada, perdem uns pinguinhos de urina. Se isto realmente não for controlado ou tratado, pode evoluir para incontinência até mais grave. Por exemplo, tenho vontade de fazer xixi, mas já nem consigo chegar à casa de banho. Então, é algo também que não passa por si só. Ou seja, esse tipo de sintomas convém então tratar para resolver o problema, não é algo que com o fim da menopausa deixe de acontecer, é isso? Sim. Existem algumas técnicas que podem ajudar a controlar até a própria incontinência e existem tratamentos também, portanto nestas manifestações genitorinárias. Continuando ainda nas manifestações associadas à menopausa, já vimos que isto afeta muita coisa, não se sabe bem porquê, não existe algo explicado cientificamente, mas a falta dos tais estrogênios está associada ao aumento da doença de Alzheimer.
na mulher a partir desta idade. O aumento mesmo ou a propensão para? Aumenta o número de, maior probabilidade de, assim como dos acidentes vasculares cerebrais, os AVCs. E temos também as alterações cotâneas, que é mais acentuada a partir desta idade, mas acontece também nos homens a partir desta idade. Há maior perda do colagênio da pele que dá estrutura à pele e surgem, por acção da gravidade, arrugas. É uma das alterações que afeta muito também a parte da autoestima das mulheres. E temos as alterações cardiovasculares, que se calhar muitas vezes não são referidas, mas são as que têm maior probabilidade de mortalidade, maior risco dos AVCs e dos infartos agudos do miocárdio. E temos outra manifestação, uma doença mesmo que é muito frequente nas mulheres a partir desta idade, que é o osteoporose.
por alterações do metabolismo do cálcio, maior reabsorção do osso, menos formação do osso, maior probabilidade de osteoporose, maior risco de fraturas. Sendo que, eu diria que é muito frequente, as mulheres quando entrarem na monopausa, alguns médicos receitarem precisamente alguns suplementos. Suplementos. Nesta área também, sim. Ainda nestas manifestações, é importantíssimo falar nesta porque afeta muitas mulheres e ficam perturbadas, que isto é aumento de peso. Muitas associam muito. Desde a menopause aumentei não sei quantos quilos. Não está comprovado que seja a parte hormonal que influencie diretamente o aumento de peso. Tem a ver com vários fatores. Tem a ver realmente com os hábitos alimentares e com diminuição da atividade física que acontece normalmente nesta idade.
E se calhar alguma atitude compensatória, não é? Por causa de não estar bem emocionalmente. Mas sabe-se que pelas alterações hormonais há um fator relacionado com o peso que muda um bocadinho, que é o perímetro abdominal. A gordura abdominal tem tendência a aumentar mais nesta fase da vida realmente por essas alterações hormonais. É a flacidez da pele por aí fora, não é?
Muito bem, já voltamos a este assunto, Cláudia. Agora vamos só fazer um pequenino intervalo, é mesmo muito pequenino, cerca de dois minutinhos. Voltamos já a seguir para a segunda parte com uma oferta muito especial para lhe fazer. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte deste Médico de Família. Hoje estamos a falar de menopausa, mas comprometido, antes quero-lhe fazer uma oferta muito especial. O Guia de Estudo A Máquina Humana, um guia de estudo muito completo, cheio de dicas muito práticas para ajudar a ter um estilo de vida mais saudável. Falámos, por exemplo, ainda há pouquinhos minutos falámos sobre a questão de aumento de peso, por exemplo tem aqui um capítulo sobre a obesidade, mas tem muito mais, é um guia bastante completo preparado por especialistas para nos ajudar a ter um estilo de vida mais saudável, mas também a fazer a transição de velhos hábitos para novos hábitos mais saudáveis.
E o melhor que tudo é que é totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem para o 933 939291 com as palavras máquina humana e depois entraremos em contacto consigo para lhe enviar gratuitamente para a sua casa pelo correio. Cláudia, falaste já de alguns sintomas, daquilo que são também algumas manifestações da menopausa. Algumas delas são bastante conhecidas, até porque como grande parte delas são sentidas por grande parte das mulheres, não é novidade. Mas como é que se diagnostica? Como é que se percebe, através desses sintomas, algum tipo de exames? Como é que é feito este diagnóstico? Pela própria definição de menopausa, é a menorréia 12 meses, ou seja, a ausência de menstruações 12 meses é menopausa.
Claro que numa mulher, por exemplo, que por alguma razão foi operada a útero e não tem útero, não tem menstruação, não dá para saber por aí. Então é pelas manifestações clínicas, pelos afrontamentos, pelas alterações do humor, pelas alterações genitorinárias. Havendo dúvidas, podemos fazer um estudo analítico, umas análises ao sangue, pesquisamos a parte do estrogênio e FSH, que é uma das que comanda aqui do nosso cérebro, e pelos seus valores, nós temos intervalos normalmente que são normais na fase reprodutiva e normais na menopausa. Sabemos se a mulher está na menopausa quando é necessário fazer análise. Normalmente não é preciso. Sendo que eu diria que é quase uma autoanálise, porque basta a mulher fazer contas e perceber quando é que foi a última menstruação.
Tu já referiste um par de vezes que é considerado ao fim de um ano. É possível, já aconteceu, pode acontecer, uma mulher voltar a mestruar com mais do que um ano sem mestruar? Normalmente, não. Ou seja, se uma mulher que já esteve 12 meses, um ano, sem menstruação, e vem ao consulto a dizer que teve uma perda de sangue, é critério para fazer um estudo, fazer uma ecografia ginecológica a ver se há algum outro problema, ali da camada do endométrio, se há ali algum pólipo, alguma coisa que sangrou. É para investigar. Felizmente, muitas vezes, não é nada de maligno, é benigno, mas há que investigar. Depois de 12 meses sem menstruação, se volta a ter menstruação, é para ir ao médico.
Muito bem. Essa era a questão, porque muitas vezes, como falaste do ano, a pessoa pode até nem saber se passou um ano ou não e pode desvalorizar e ser um problema de saúde. Eu sei que a terapêutica não é considerada uma doença, portanto também não sei
se podemos falar em tratamento. Que tipo de terapêutica é que é dada para trazer, eu diria, pelo menos melhor qualidade de vida às mulheres nesta fase? Claro que existe o estilo de vida, já lá vou, que é essencial, mas vou começar pela terapêutica hormonal de substituição. É a terapêutica base utilizada nesta fase e o que é que é administrado? É administrado, pode ser por via oral, por via transcutânea, por adesivos, por gel, hormonas que realmente os ovários deixam de produzir. Por isso é que se diz terapêutica hormonal de substituição. Pode ser só uma das hormonas, pode ser as duas. A terapêutica é sempre individual. E é sempre tanto a dose, como o meio, a forma de administração, quanto o tempo de tratamento, vai a um acordo entre a mulher e o médico.
E tem que realmente ser sempre prescrito pelo médico, não é porque a amiga faz que eu vou fazer. Que resulta com ela que também vai resultar com ti. Exatamente. Porque existem terapêuticas específicas para mulheres específicas. É muito importante a história clínica dessa pessoa, não só a sua história ginecológica, os seus antecedentes pessoais em termos de doenças, em termos de cancros, em termos de alterações da coagulação, assim como dos seus familiares diretos, a sua mãe, os seus irmãs, as suas tias. E é essencialmente adequado este tipo de terapêutica nas mulheres em que realmente têm os tais afrontamentos que interfiram muito com a sua vida no dia-a-dia, ou as alterações realmente do humor, ou as alterações genetorinárias moderadas a graves. É a indicação. Outra é utilizada também para reduzir o risco de fraturas. Mas eu saliento que ela é individualizada entre acordo entre o médico e o utente.
Porquê? Porque tem contraindicações relativas e até contraindicações absolutas. Há mulheres que não podem fazer. Assim como o tempo, isso não é para o resto da vida. Tem um tempo que é adaptado mediante a história daquela mulher. Claro que existem outros tratamentos adequados mediante o problema que a mulher tem. Se, por exemplo, o que afeta mais são os afrontamentos, as insónias, existem realmente outros tratamentos que são considerados naturais, que são fitoestrogênios. Eu gostaria aqui de salientar um bocadinho um aspecto que eu acho muito importante. Existem muitos mitos acerca dos esfitoestrogénios. Existe a ideia errada que aumenta o risco de cancro. Porquê? Ai, porque são estrogénios, a tomar tanto tempo isso vai aumentar o risco de cancro.
Eu já ouvi isto ainda recentemente. Fitoestrogênios são substâncias vegetais, vêm do mundo vegetal, e que mimetizam a ação dos estrogênios, mas não são estrogênios. Existem vários tipos de fitoestrogênios, os mais estudados e utilizados são as isoflavonas, certeza que todos já ouviram falar como suplemento na menopausa nas isoflavonas de soja. Eles ligam-se realmente aos receptores no nosso corpo, onde se ligariam aos estrogênios, mas não tem o mesmo efeito, nem os mesmos efeitos secundários, sobretudo no aumento do risco oncológico, risco de cancro. Quais são os alimentos que têm mais fitoestrogênios? São as leguminosas em geral, os feijões, onde se destaca a soja, a lentilha e o grão-de-bico.
As nozes e as sementes, linhaça, sementes de girassol, sementes de abóbora, frutas e legumes, também como a maçã, a pera, a cenoura, a batata. Estes são exemplos, mas eu já lá vou falar-vos na alimentação. Existem também em formulações, portanto, à venda tanto na farmácia como nas parafarmácias, em cápsulos ou comprimidos, suplementos para a menopausa com as isoflavonas de soja. Claro que se uma mulher tem uma secura vaginal que a afeta muito, é importante falar nisso ao médico. Eu já optei ultimamente, em mulheres dessa idade, eu própria abordo o assunto, porque já percebi que algumas não querem falar nisso. Interfere mesmo com a sua vida sexual. Alguns são os homens que vêm falar nesse problema, da dificuldade realmente do coelho por causa da secura vaginal da esposa.
Existem lubrificantes, existe gel lubrificante, existe terapêutico hormonal de substituição local, que é só estrogênio, para colocar a nível vaginal duas vezes por semana e que realmente a mulher só tem que falar nisso com o médico, existe tratamento e forma de contornar esse problema. Claro que Vou agora incidir um bocadinho no estilo de vida. Se é uma mulher que fuma, é essencial deixar de fumar para conseguir passar mais
facilmente, sem tantos efeitos que interfiram com a sua qualidade de vida à menopausa. Sabe-se que mulheres que fumam têm menopausa mais cedo. Por exemplo, as fumadoras. Claro que se realmente a pessoa tem maior risco de osteoporose por outros fatores de risco, se já teve alguma fratura e isso é calculado, nós temos tabelas para cálculo do risco também de fraturas. Se, por exemplo, tem baixa de cálcio na sua alimentação, existem suplementos de cálcio, como já referiste há pouco, Daniel. Exercício físico é essencial, não só para controlar melhor os afrontamentos, o sono, a qualidade do sono, a higiene do sono, o tal peso que a pessoa associa sempre à menopausa. Importante manter ou intensificar nesta fase a atividade física regular.
Importante tentar contornar dentro daquilo que é possível o stress. Eu digo dentro daquilo que é possível porque realmente tudo aquilo que nós não conseguimos controlar, não conseguimos. Mas a nossa agenda... Sobretudo numa altura em que a mulher acaba por estar mais sensível, não é? É um desafio. Contornar aquilo que nós conseguimos fazer, que não conseguimos, programar as coisas, ter momentos de descanso, de lazer, é importante. A abstinência de álcool e cafeína também é importante e na alimentação. Nós sabemos acima de tudo, como já vimos, que devem ser alimentos saudáveis. As leguminosas, os frutos secos, os vegetais e as frutas e os cereais de preferência integrais.
Gostaria só de salientar, claro que as isoflavonas nesta fase ajudam muito as mulheres. Eu tenho um utente que ainda há pouco tempo é à consulta, ela está na menopausa mais ou menos há seis meses e ela disse-me assim Fui à minha ginecologista e ela receitou-me isto. Ela mostrou a mesma caixa. Era isoflavona de soja. Ela disse, isto fez um milagre na minha vida. Eu deixei de ter afrontamentos, não tive nem mais um afrontamento e passei a voltar à qualidade de sono que eu tinha antes da menopausa. Claro que gostaria de salientar que não há tão este efeito milagroso em muitas mulheres. Não será igual em todas. Exatamente. Mas o mais importante para ter este efeito é começar a consumir este tipo de alimentos desde o início da infância para poder ter uma menopausa melhor. É isto que eu gostaria de dizer, que às vezes nós não temos esta noção.
A forma como vivemos a menopausa depende também daquilo que comemos e se fazemos atividade física desde cedo na nossa vida. Ou seja, o estilo de vida que fomos tendo ao longo de toda a vida. Exatamente. Engraçado. Trouxeste bastante informação, mas percebo até que não é um assunto só para as mulheres. Mesmo para os companheiros, para aqueles que coabitam, é interessante perceber todas estas alterações e estas fases da vida, até para uma melhor compreensão e ter as ferramentas também para ajudar. Interessante. Estamos a chegar ao final de mais um programa, mas ainda tenho uma oferta para lhe fazer. Fique por aí. Cláudia, ainda temos alguns minutinhos e eu queria-te perguntar o seguinte. Muitos desses sintomas acontecem antes, já antes, muitas das mulheres já estão a sofrer e como vimos logo no início do programa, por vários anos.
É possível, é aconselhável esse tipo de medicação, ainda quem está numa pré-menopausa, esse tipo de suplementos, alterações de hábitos de vida, para melhorar também esses sintomas? Como já vimos, os hábitos de vida, quanto mais, sinto melhor. Os suplementos, claro que sim. A terapêutica hormonal, mais uma vez, é adequado dependendo do tipo de mulher e a terapêutica hormonal. Porque existem, por exemplo, dispositivos intrauterínos hormonais. Às vezes se fomentizam até um bocadinho mais tarde porque vão libertando a hormona e vão diminuindo essa sintomatologia. Ou seja, é sempre que cada caso é um caso e deve ser sempre aconselhado com o seu médico. É também uma pergunta que eu imagino que seja muito frequente, que tem a ver com os contracetivos. Ou seja, estou a falar dos intrauterinos, entre outros, nessa altura, nessa fase da vida, surgem muitas dúvidas.
É para tirar? Não é para tirar? Já estou ou não estou? Estou há dois meses ou não tiro? O que é que tu aconselhas, em termos de consultório, o que é que se indica às mulheres? Depende do tipo de contracepção. Por exemplo, se for uma mulher a fazer, nós chamamos a contracepção oral, uma pílula, Claro que a mulher tem que parar para a pílula para saber se está na menopausa. Porque está sempre a receber a pílula, vai estar a ser menstruada por privação da hormona da pílula quando faz a pausa. Não vai saber se está na menopausa. Muito bem. Se for um dispositivo intrauterino, depende do dispositivo. Portanto, cada caso é um caso. Mesmo nessa fase, é melhor ir consultar o seu médico, o seu filho de família e perceber o que fazer para agir. Até porque muitas vezes acontece que é irregularidade no contraceptivo e depois surgem surpresas.
Nessa idade, normalmente, nós abordamos este assunto logo na consulta. Muito bem. Obrigado, Cláudia. Mais uma vez, para se acrescentar, também queremos agradecer a sua presença e dizer-lhe, como estava prometido, que temos este guia de estudo, a Máquina Humana, totalmente gratuito para lhe oferecer, cheio de dicas muito práticas para ter um estilo de vida saudável. Ao longo do programa de hoje vimos o quão importante até e quão mais cheio é sobretudo até para esta circunstância da menopausa, ter um estilo de vida adequado, pois bem, tem aqui um guia muito completo para ajudar até a fazer algumas transições. E o melhor de tudo, é gratuito, basta entrar em contacto connosco para o 933 93 92 91. Antes de fechar, dizer-lhe que este programa está disponível em podcast em radioaccess.novetempo.pt e também no YouTube da TV Novo Tempo Portugal.
Mais uma vez, foi um prazer enorme estar na sua companhia. Não perca, marcamos encontro no próximo programa. Até lá, se Deus quiser.
A menopausa não é uma doença, mas sim uma fase natural na vida de todas as mulheres. No entanto, traz consigo um conjunto de desafios físicos e emocionais que merecem atenção. Neste programa "Médico de Família", Daniel Galaio conversa com a Dra. Cláudia Neves sobre como navegar este período com saúde e bem-estar. 👩⚕️
Neste episódio, exploramos temas fundamentais como:
📍 A definição clínica de menopausa e a fase do climatério.
📍 Sintomas principais: afrontamentos, insónias, secura vaginal e labilidade emocional.
📍 Riscos associados: a importância da prevenção da osteoporose e doenças cardiovasculares.
📍 Diagnóstico: como saber se já entrou realmente nesta fase.
A Dra. Cláudia explica ainda as várias opções de tratamento, desde a terapêutica hormonal de substituição (THS) até soluções naturais como as isoflavonas de soja (fitoestrogénios), que podem ajudar a mimetizar a ação das hormonas femininas sem os mesmos riscos. 🥗
Fique a par de dicas práticas para uma menopausa mais tranquila:
🏃♀️ Praticar exercício físico regular para controlar o peso e melhorar o sono.
🍎 Manter uma alimentação equilibrada, rica em leguminosas e vegetais.
🚭 Evitar o tabaco e reduzir o consumo de cafeína e álcool.
🧠 Cuidar da saúde mental e gerir o stress nesta fase de mudança.
Entenda por que o estilo de vida que adotamos desde cedo influencia diretamente a forma como vivemos esta transição. Assista e partilhe este conteúdo com as mulheres da sua vida! 🌟