Mais um Médico de Família, mais um programa onde lhe vamos trazer certamente informação muito importante. Hoje vamos falar de uma doença que eu posso garantir que já teve, se calhar até tem neste momento e certamente vai ter, sobretudo se é mulher. Conto-lhe tudo já já a seguir. Para já, volto a estar mais uma vez na companhia da Dra. Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez bem-vinda. Obrigada. Estava a brincar com quem nos ouve e quem nos vê, que certamente até podia ter esta doença neste preciso momento. Estamos a falar das ITUs, enfim, as infecções de trato urinário, mais conhecido como as infecções urinárias. É um problema muito comum, sobretudo nas mulheres, não é? E no verão.
E no verão. Como é que funciona? É assim, o próprio... Eu penso que antes de falarmos das infecções, é importante nós contextualizarmos e falarmos do aparelho urinário. O aparelho urinário é o nosso aparelho escritor para eliminar as substâncias que não prestam do metabolismo das células, a ureia, o ácido úrico, e é constituído, e todos nós andamos na escola e estudamos, pelos rins, pelos ureteres, pela bexiga e pela uretra. A urina é fabricada nos rins, que é como se fossem os nossos filtros. São dois órgãos em forma de feijão, que têm mais ou menos 150 gramas cada um, não estão aqui na parte de baixo das costas, como às vezes as pessoas pensam, é um bocadinho mais em cima, por dentro, depende de outra perspectiva, das costelas.
Por cima do caderninho existe uma estrutura pequenina que é uma glândula, as glândulas suprarrenais, e o nosso sangue é filtrado cerca de 320 vezes por dia, todo o nosso sangue, em média 4, 5 litros que nós temos. E os rins são importantes para quê? Para manter o equilíbrio adequado, seja de água, seja dos minerais, que se mantém no sangue, a filtração daquilo que não presta, seja do metabolismo, seja dos alimentos, seja dos fármacos, de substâncias tóxicas, a regulação da própria tensão arterial, os rins têm um papel importante, e a secreção de determinadas hormonas, como por exemplo a eritropoietina, que é uma hormona importante para a produção dos globos vermelhos que circulam no nosso sangue.
Também os rins são importantes para a ativação da vitamina D, seja ela ingerida nos alimentos ou em comprimidos ou produzida na pele, é reativada, por assim dizer, à forma ativa nos rins. Vemos aqui também importante. E a vitamina D é essencial no metabolismo do cálcio e do fósforo, ou seja, para que realmente os ossos, os dentes, possam utilizar o cálcio circulante. Depois do rins, estes dois feijõezinhos que nós temos, temos os uretés que são tubos, literalmente musculares, que vão desde o rins até à bexiga. Têm entre 25 e 30 centímetros. Eles próprios, como têm uma parede muscular, vão contraindo para empurrar a urina que vai descendo para a bexiga.
A bexiga é um... uma dispensa, um dispositivo de armazenamento. Um reservatório. Estava-me a faltar a palavra que pode juntar 250 a 600 ml de urina. Depende das pessoas, claro, mas é um órgão muscular que se expande à medida que enche de urina. Quando está cheia, as suas determinações nervosas dão ao cérebro aquela alerta que temos que urinar. E quando isso acontece, quando nós vamos urinar, a válvula que está realmente na parte inferior da bexiga, o esfinter urinário, abre-se para permitir a saída da urina.
Ao mesmo tempo, enquanto isso está a acontecer, a própria bexiga vai contraindo as suas paredes para eliminar toda a urina que esteja ali acumulada. Claro que a contração dos músculos da parede abdominal também auxilia esta pressão adicional. As extremidades dos ureteres na parede da bexiga, portanto temos os ureteres que vêm para a bexiga, no momento em que estamos a urinar fecham-se. Para quê? Para quando a bexiga está a esvaziar não correr o risco da urina voltar para trás para os ureteres. Portanto, no momento da mixação, quando estamos a urinar, o esfinteiro inferior abre para a urina passar para a uretra e os inferiores dos ureteres fecham-se para não haver refluxo da urina para os ureteres.
A uretra é aquele canalzinho que vai desde a bexiga até ao meado urinário, ou seja, nos homens vai até à extremidade do pênis, na mulher vai até à vulva, a parte externa dos genitais. Ou seja, no homem em média 20 cm, na mulher 4 cm, a uretra. Quando realmente a bexiga está cheia, os nervos dão sinal do cérebro, esvazia, relaxa este sphincter, como já falámos, e a urina passa neste canal que se chama uretra. A urina é constituída, essencialmente, por água, minerais, aqueles que não são necessários ou que são tóxicos, são eliminados. Podemos encontrar aureia, o ácido úrico, sal, glicose, no caso de diabéticos muito descontrolados, por exemplo, ou no caso de pessoas que tomem determinados antidiabéticos orais que façam o rins expelir glicose, gorduras, proteínas, amoníaco, ácidos orgânicos, mas O que normalmente a urina não tem, por natureza, é bactérias, micro-organismos.
Pronto. Assim, resumidamente, como funciona o aparelho urinário. Quando realmente temos bactérias em qualquer das estruturas deste aparelho
urinário, temos uma infeção urinária. Por isso é tão importante teres começado precisamente por explicar o que é, porque dependendo depois de onde for a infeção urinária, podemos ter também diferentes tipos de infeção urinária, não é? E vários tipos de sintomas também diferentes. Começa pelo princípio explicando o que é infecção de uma forma genérica. Infecção é sempre que nós temos bactérias em qualquer parte do sistema urinário e que pode dar sintomatologia. Pode ser nos rins, nos ortéis, na bexiga ou na uretra, nestas estruturas que nós falamos. Nos homens podemos ainda englobar infecções de outras estruturas que fazem parte, por assim dizer, do seu sistema genital. Por exemplo, na próstata, aí temos uma prostatite.
Ou nos testículos, pode ser o orquíde ou o orquiepididimide. Quando itija uma pequenina estrutura, está por cima dos testículos que se chamam epididime. Mas continua a ser na família... Dentro do trato urinário, sim. Neste caso masculino. As infecções urinárias são uma, como tu já falaste no início, das infecções mais comuns no ser humano. Geralmente como é que isto acontece? Não vem normalmente do interior as bactérias, vem do exterior. E nós vemos que o aparelho urinário está estruturado e foi criado com o objetivo de servir de excretor, não de entrada de algo. No entanto, nós vemos que as bactérias que essencialmente provocam as infecções urinárias vêm do exterior, pela uretra, e muito raramente a partir do sangue que se instala no rinjo.
É muito mais raro. Normalmente, nós na zona pélvica, Temos, portanto, várias bactérias que são boas e podemos ter algumas que são más para nós. E temos bactérias que são boas, por exemplo, na parte do tubo digestivo, no intestino e no reto, mas que se elas vão para outra parte do corpo são prejudiciais. Elas são boas enquanto estão a fazer função delas e no sítio certo. Exatamente. Quando essas bactérias, que podem acontecer e acontecem regularmente, gostaria aqui de realçar, entrarem em bactérias pela uretra, tanto no homem como na mulher, muito mais frequente na mulher e já lá vamos explicar porquê. Sobretudo quando estamos a falar de questões de higiene feminina, neste caso estou a imaginar, que não é feita da forma mais correta, que depois pode levar precisamente a essa transmissão de bactérias de um lado para o outro.
Higiene não só. De várias circunstâncias há vários fatores que podem levar a isso. A higiene pode ser um dos fatores. Porque normalmente as bactérias entram Só que quando o sistema urinário está a funcionar bem e nós estamos a hidratar-nos convenientemente, temos vários mecanismos do sistema urinário que não permitem que haja infeção apesar das bactérias entrarem. Porquê? O próprio facto de ser excretor, ao sair a urina, empurra as bactérias que tenham entrado. Se nós estivermos bem hidratados e urinarmos frequentemente, as bactérias que por acaso entrem, estão sempre a ser eliminadas e não provocam doença. Por outro lado, se nós tivermos um bom sistema imunitário, o nosso próprio aparelho urinário, a camada interna da bexiga, da uretra, está preparada para eliminar esses invasores.
e evitar-se a infecção. Ou seja, vemos aqui que há vários fatores que podem contribuir para termos infecção, apesar de, quando estamos bem, bactérias entram, mas são eliminadas fisicamente pela urina, que empurra, por assim dizer, também o próprio pegado à urina, também favorece a destruição desses micro-organismos, e também a própria bexiga que impede que elas se vão lá agarrar à mucosa dentro da bexiga e que provoquem infecção. Quando o tal não acontece, quando o nosso organismo não consegue eliminar, seja de uma maneira ou de outra, começam a surgir os sintomas. Estas infecções são mais frequentes nas mulheres, como já deste ali um alerta no início. Porquê? Porque já vimos que a uretra da mulher é bem mais curta, 4 centímetros, enquanto que a do homem é 20 centímetros.
E temos a uretra, a extremidade externa da uretra, muito próxima do ânus, que é de onde vêm realmente essas bactérias que vivem no nosso aparelho digestivo, em que é mais frequente a Escherichia coli, e que facilmente entra na uretra, que é curtinhente, e chegam logo à vestíga, estão logo ali. Segundo a Associação Portuguesa de Urologia, Um estudo europeu refere que uma em cada cinco mulheres adultas tem pelo menos um episódio de infecção do trato urinário ao longo da vida. Uma em cada cinco. Pela minha experiência, eu penso que seja mais. Isto pela minha experiência clínica. Não estive a contar, mas pensando nas mulheres que vejo regularmente, são poucas as mulheres que nunca tiveram pelo menos uma infecção urinária.
São mais as que tiveram. Sem contar aquelas que têm de alguma forma mais frequente e que já sabem como tratam e é mais ligeira. Há algo que tu não mencionaste mas que eu lembrei agora. A própria transpiração pode ser ela transmissora precisamente dessas bactérias. Mesmo que esteja tudo a correr bem, um dia de maior calor, de maior transpiração pode ser suficiente para transmitir essa bactéria. É mais difícil. É mais difícil. Porque as bactérias que vivem na pele dificilmente sobrevivem no aparelho urinário. Eu estava a falar de transmissão na parte genital, ou seja, onde acaba por haver ali uma zona mais úmida. Ah, mais troca de fluido. Exatamente. Sim, sim, sim. Por isso é que é importante sempre estarmos bem hidratados para ajudar o nosso organismo a eliminar aquelas bactérias que eventualmente tenham entrado.
Muito bem. Vamos só fazer uma pequenina pausa. São apenas dois minutinhos para fazer um intervalo muito rápido. Já seguimos. Estamos de volta para a segunda parte e com uma oferta para si. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Chegámos à segunda parte, ainda com muito para falar sobre as infecções urinárias. Para já, vou mais uma vez ter a oportunidade de oferecer o guia de estudo A Máquina Humana, um guia de estudo preparado por vários especialistas, onde, ao pormenor, pensaram em nos ajudar a ter um estilo de vida mais saudável. E o melhor de tudo é também alterar esses hábitos de vida, como podemos mudar de forma gradual esses hábitos de vida para termos uma vida mais saudável.
O que fazer, entretanto, tudo isto está aqui disponível neste guia de estudo e o melhor que tudo é que é totalmente gratuito. Para receber esta revista basta entrar em contato connosco para o 933 939291 enviar-nos uma mensagem com as palavrinhas Máquina Humana para sabermos que é este o guia de estudo a que se refere. Depois entraremos em contacto consigo para o enviar gratuitamente para a sua casa pelo correio. Repito mais uma vez o número 933 939291. Cláudia, de volta às nossas infecções urinárias, há pouquinho, quando estavas a
falar sobre o que era, como é que funcionam, de alguma forma já foste partilhando conosco alguns palavrões de alguns tipos de infecções, mas sei que há mais, queres numerar alguns, aqueles que são mais significativos? Nós podemos falar em tipos de infeções urinárias pela sua localização, pela sua frequência. Por exemplo, a mais comum e a mais facilmente tratável é a que atinge a bexiga, é chamada cistite, infeção da bexiga. Por outro lado, também a mais rara, não é? Curiosamente. Mais comum. Mais comum, ok. A mais comum. Ah, sim, já percebi, ok. A cistite, sim. Normalmente, como já vimos, é porque a bactéria vem do exterior. Se por acaso O nosso sistema de defesas não barra ali a entrada das bactérias no sentido ascendente e as bactérias sobem pelos ureteres para os rins, temos uma infecção urinária alta que atinge os rins e que se chama uma pielone fricte.
Era essa que quando disseste, Pixica, na minha cabeça só ficou os rins, essa que é menos comum, não é? É menos comum e realmente o tratamento também é diferente, mas lá vamos. Quando realmente, por alguma razão, imaginemos que alguém está imune ou deprimido, o seu sistema imunitário está mesmo muito debilitado, a infecção pode se tornar generalizada no corpo. É quando se chama uma sepsis. Isto pode acontecer com infecções respiratórias, infecções de outros âmbitos. Infecção do rins, que depois pode disseminar, chama-se uma sepsis. Ou seja, pode haver evolução. Pode. Ou seja, pode até não ter começado assim, mas evoluir para tal. Exatamente. Outra que também pode acontecer é na uretra. É mais típico do homem, porque tem a uretra maior. e está muito associada às doenças sexualmente transmissíveis.
Porquê? Porque a mulher tem a uretra muito curta e a bactéria, como já falámos, as bactérias facilmente vão logo é para a bexiga. Geralmente a infecção da uretra, que é mais comum no homem, caracteriza-se pelo corrimento que sai pela uretra, que pode ser límpido ou esbranquiçado, tipo leitoso, consoante o tipo de infecção. Depois podemos caracterizar as infecções pela sua frequência, por assim dizer. Temos as infecções urinárias recorrentes quando, por exemplo, temos duas infecções em seis meses ou três infecções num ano. Aí dizemos que aquela pessoa, normalmente mulher, tem uma infecção urinária recorrente. Temos a recidivante, quando a mulher foi feita o diagnóstico, foi tratada com antibiótico adequado, duas semanas depois já apresenta sintomatologia, vai-se fazer o exame e é a mesma agência etiológica, o mesmo micro-organismo.
Aí é recidivante. Quando a mulher foi tratada com antibiótico, duas semanas depois tem outra vez sintomatologia, mas com outro micro-organismo, é reinfeção. Isto é uma classificação da Associação Portuguesa de Urologia. Pode parecer estranho porque é que eu falo nisto. Temos muitas mulheres com infecções recorrentes, recidivantes e reinfecção, infelizmente, por vários fatores que já lá vamos. O micro-organismo, indiretamente eu fui falando, é quase sempre bactéria. Pode acontecer por fungos, mas é mais raro. É quase sempre por bactérias. Os vírus e os parasitas são raros. 70 a 80% das infecções, a grande maioria, são provocadas por esta bactéria que vem do aparelho digestivo, que é a Charischia coli.
Outras bactérias podem ser o Entrococcus, também vem do intestino, o Proteus e a Klebsiella. São as mais frequentes, mas a Charischia coli é de longe a mais frequente. Nós dizemos mais vulgarmente E. coli. O tratamento é diferenciado consoante fora bactéria? Normalmente, quando nós temos pessoas, já lá via, mas que tenham várias infecções, nós fazemos um teste à urina que se chama urocultura, em que se pesquisa qual é a bactéria e quais antibióticos que atestroem, especificamente. Portanto, é mediante essa análise. 10 a 15% dos doentes com sintomas, nós não conseguimos identificar qual o agente envolvido. Agora, pensando nas infeções urinárias e nas mulheres, porque é mais frequente, temos que referir quais são os fatores de risco.
Gravidez é um dos fatores de risco. E na gravidez é muito frequente a mulher ter infeções urinárias assintomáticas, não sente que tem infeções urinárias. Tanto que nós pedimos regularmente a tal análise à urina nas análises de vigilância de uma grávida, chamada urocultura. Diabetes é outro fator de risco porque diminui a sua sensibilidade, são pessoas mais suscetíveis a infeções e que também muitas vezes têm queixas urinárias, sobretudo quando fazem alguns tipos de antidiabéticos orais. Hábitos de higiene inadequados é outro fator. A inserção de objetos estranhos. O período menstrual tem a ver com o uso dos absorvedores, seja o pensigénico, sejam tampões, que pode ser um foco de infecção.
Pessoas com problemas neurológicos, em que a bexiga não funciona bem no seu esvaziamento, problemas do sphincter, doenças sexualmente transmissíveis, anomalias do aparelho urinário ou pessoas doentes que estão institucionalizados ou algaleados. Tem chamada sonda vesical que é uma porta de entrada para micro-organismos ou pessoas que estejam numa instituição que usem fralda, que é também um foco realmente de desenvolvimento de micro-organismos. Eu aproveito para fazer aqui um à parte, porque muitas vezes pessoas algaleadas ou pessoas com fralda, os familiares, os cuidadores, pedem muito a tal análise à urina, à urocultura. Não é preciso fazer urocultura. Porquê? Nessas pessoas, inerentemente, porque têm um foco de entrada, têm sempre urocultura positiva.
mesmo sem sintomas ou com sintomas. Portanto, eu posso fazer urocultura todos os meses numa pessoa que tem fralda ou que tem algal e vai dar sempre positivo. Ou seja, a presença da bactéria. Exatamente. Ou seja, tratamos quando a pessoa está muito sintomática, senão é os cuidados que devemos ter para realmente prevenir as infeções urinárias e já lá vamos mais daqui a pouco. Outros fatores de risco. Novo parceiro sexual no último ano. A infeção urinária na adolescente ou na jovem é muito frequente logo que iniciou a atividade sexual. logo. É muito comum a primeira infecção urinária. Claro que se existe história de infecções urinárias num familiar do primeiro grau feminino, a mãe ou a irmã, mais probabilidade aquela jovem ou aquela mulher tem também de ter infecções urinárias.
Claro que a mulher que tem infecções urinárias recorrentes, maior probabilidade tem de ter infecções urinárias. Ou aquela que teve uma infecção urinária muito precoce na idade, ainda criança, ainda jovem. E quando isso acontece, nós normalmente fazemos um estudo, uma ecografia, para ver o rins e a bexiga, a ver se há algum problema. Depois temos os fatores de risco nos homens, que é muito mais raro uma infecção urinária. Mas pode acontecer sempre que exista, por exemplo, uma obstrução que obriga a bexiga a não esvaziar tão facilmente assim ou não esvaziar totalmente. e a patologia mais comum é chamada hipertrofia benigna da próstata. É comum com a idade, a próstata vai ficando um bocadinho maior. A próstata é uma glândula mais ou menos do tamanho de uma castanha que está ali por baixo da bexiga a envolver a uretra logo à saída da bexiga.
Quando ela fica grande faz pressão e quando a pessoa, o homem, tem vontade de fazer xixi não esvazia sempre a bexiga. Porquê? Porque tem ali uma obstrução. Ao manter sempre urina na bexiga, urina muitas vezes. É uma queixa frequente. Mais probabilidade de ter infecção urinária porque existe stase da urina. E qualquer outra obstrução, seja uma astenose da uretra. Um homem tem algum problema de uma infecção antiga que provocou ali uma astenose do canal. Algumas necessitam de correção cirúrgica ou algum tumor mesmo. doenças neurológicas, como por exemplo pessoas com uma lesão da medula, que controla a bexiga, mais facilmente têm infecções, ou quando existe realmente incontinência de urinas ou de fezes, ou existe realmente um certo défice cognitivo.
Pessoas com algum problema mental, mais facilmente também têm infecções
urinárias. Vemos aqui uma série de fatores de risco, mas não há dúvida que é muito mais frequente nas mulheres. Tu já mencionaste a Eurocultura, portanto a forma de fazer diagnóstico. Eu queria falar sobre tratamento. Ele também vai variar, imagino eu, consoante se estiver localizada a infecção, não é? Sim. E até os sinais e sintomas. A queixa mais frequente é aredor ou urinar. Aredor parece-me tão as petafacas. É uma descrição frequente quando vão à consulta. Ou então, estou sempre a urinar e pouquinho, quase não consigo sair da sanita. Também são as mais frequentes. Vontade urgente de urinar. Urina com cheiro fétido, alterações na cor da urina, sangue na urina, a urina rosa ou mesmo vermelha, dificuldade em iniciar a micção, ou a dor na parte inferior do abdómen.
Estas são as queixas mais frequentes da cystite, a infeção da bexiga. Quando já são infeções urinárias mais altas, que atingem os rins, podem surgir a febre, consequentemente os calafrios, dor lombar, náuseas e vómitos. Para este diagnóstico, quando a pessoa vem à consulta, importante as queixas, de que é que se queixa, se tem história de infecções urinárias, se não tem história. Fazemos normalmente na consulta em qualquer centro de saúde e no hospital um teste rápido de urina. Pode ser específico, pode ser inespecífico, mas dá-nos um alerta. Se a pessoa tem nitritos positivos é um sinal de infecção urinária, se tem leucócitos, que são globos brancos na urina, sangue, proteínas, tem alguns tipos de sinais de alerta neste teste rápido.
Nalguns casos, não sempre, nós pedimos a tal urocultura. Sobretudo pessoas de maior risco, pessoas que têm muitas infecções. Vamos lá ver, esta senhora teve uma infecção, um mês depois está a ter, vamos fazer urocultura. Há tal teste para ver qual é a bactéria mesmo e qual o antibiótico que mata aquela bactéria. As grávidas, as mulheres depois da benopausa, nos homens, que é muito mais raro uma infecção urinária, as crianças, também é raro fazermos urocultura, Pessoas que tenham alterações anómalas anatómicas do aparelho urinário.
Pessoas que tenham alguma doença que sejam imunodeprimidas. E, como eu já disse, as pessoas têm infecções frequentes. Como as infecções são quase sempre provocadas por bactérias, o tratamento é com antibiótico. É inerente. Antibiótico é para matar bactérias. Outros medicamentos podem ser associados mediante as queixas, o anti-inflamatório, o anti-espasmódico, para evitar aquela sensação de ter que estar sempre a urinar, aliviar o dor e o desconforto. O antibiótico depende da análise? Quando não temos a análise, depende da pessoa que temos à nossa frente. Importante, a sintomatologia é importante se a pessoa tem alergia a algum antibiótico, é a primeira pergunta que se faz. Há antibióticos que sequer uma única toma e fica feito? Outros são 5 dias, outros são 8 dias.
Depende da localização da infecção. E normalmente, logo após 24, 48 horas, a pessoa tem logo sintomatologia melhorada. Melhorou significativamente as suas queixas. Mas é essencial fazer o antibiótico mediante as instruções do médico. Sempre até ao fim. Importante beber muita água porque vamos ajudar os rins a bexiga, a eliminar os inimigos que lá entraram. ter cuidados gerais de higiene íntima, corrigir eventuais alterações que as pessoas tenham, seja preciso, correção cirúrgica, urinar logo se tem vontade, não estar a acumular urina, é importante, evitar cafeína, que pode irritar a bexiga, assim como bebidas alcoólicas, urinar logo após as relações sexuais, a relação sexual, o próprio coito é um fator de risco por causa da conspiração de secreções e realmente podem vir bactérias dos outros orifícios para a uretra, As mulheres sempre que vão à casa de banho ou sempre que fazem higiene íntima devem limpar-se de frente para trás, para não puxar as bactérias do ânus para a uretra.
Preferir os duches aos banhos, evitar produtos perfumados de higiene íntima, trocar regularmente os absorventes externos, os pensos higiênicos, em detrimento de tampões, pessoas que tenham infecções frequentes, e usar de preferência roupas íntimas de algodão, é essencial. Muito bem, foi realmente muito bom e extenso, mas bastante importante, já vimos pela prevalência que esta doença tem. Para si que está desse lado, estamos mesmo a terminar, mas não quero terminar sem relembrar o guia de estudo que estamos a oferecer, a máquina humana totalmente gratuito, cheia de muitas dicas, muitos conselhos práticos para ajudar a ter um estilo de vida mais saudável e aproveite porque, apesar de tudo, ainda por cima é gratuito.
Basta enviar-nos uma mensagem para A fechar, lembramos também que este programa está disponível em podcast em rádio rcs.novotempo.pt e também no YouTube da TV Novo Tempo Portugal. Mais uma vez foi um prazer estar na sua companhia. Até ao próximo programa.
Neste episódio do Médico de Família, falamos sobre um problema de saúde muito comum, especialmente nas mulheres, as infeções urinárias. Quais são as causas, os sintomas mais frequentes e os diferentes tipos de infeção do trato urinário? 🤔
👩⚕️ A Dra. Cláudia Neves explica de forma clara como funciona o aparelho urinário, porque razão as ITUs são mais comuns no verão e quais os principais fatores de risco, desde a gravidez à diabetes, passando pelos hábitos de higiene e pela hidratação.
💧 Fica também a saber: • Como prevenir infeções urinárias • Quando é necessário fazer exames • Porque é tão importante cumprir corretamente o antibiótico • Que cuidados simples podem fazer toda a diferença no dia a dia
🩺 Informação prática, acessível e essencial para cuidar melhor da sua saúde e da sua família.