Fibromialgia

Fibromialgia

21 de Janeiro de 202626 min 33 s

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Bem-vindo a mais um médico de família deste seu consultório que é a Novo Tempo Portugal. No programa de hoje vamos falar de algo que não é tão comum mas afeta muitas pessoas e sobretudo as mulheres. Vamos falar de fibromialgia. Para nos falar deste assunto temos mais uma vez a doutora Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez bem-vinda. E mais uma vez muito obrigada. É um prazer estar aqui neste consultório. Vamos começar desde logo pelo princípio, porque provavelmente podemos até já ter ouvido falar sobre esta doença, mas comumente não se sabe muito sobre ela. Explica-nos lá então o que é fibromialgia. A fibromialgia, apesar de ser muito conhecida já desde o século XIX, só em 1990 foi considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde.

Ela caracteriza-se por dor generalizada, essencialmente musculoesquelética, ou seja, que atinge músculos, tendões e ligamentos, não as articulações. e é uma dor difusa, generalizada, pode ser migratória, uns dias está numa zona do corpo, outros dias está noutra, e que também se caracteriza por um aumento da sensibilidade a determinados estímulos, seja o frio, seja o stress, seja o cansaço, são pessoas mais sensíveis também aos ruídos e até ao stress. Ou seja, pode ter períodos de exacerbação com crises de dor, pode ter períodos de acalmia. E a dor e este desconforto pode ser flutuante. E normalmente, além da dor crónica, que é uma característica, também tem a fadiga, as alterações do sono, problemas de memória e concentração e depressão, que está muitas vezes associada à fibromialgia.

As estatísticas variam. Há estudos que dizem que 25% das pessoas com fibromialgia têm depressão, outros 50%. Entre 25% e 50%. Talvez seja por essa razão que tão tardiamente foi considerada a doença, porque os sintomas podem se assemelhar a sintomas de outras coisas ou até mesmo de um ritmo normal de trabalho. Muitas vezes a pessoa pode se sentir esse cansaço, enfim, essa dor muscular. Terá sido talvez por essa razão que se chegou à conclusão que isso era uma doença? E geralmente ela tem um problema que é diagnosticada tardiamente, no sentido em que a pessoa começa com as queixas em determinada idade e às vezes pode demorar anos até o médico lhe fazer esse diagnóstico. Porquê? Porque ela caracteriza-se, já lá vamos, porque ao exame da pessoa, ao exame físico, nos exames laboratoriais ou até nos exames imagiológicos, é tudo normal.

Mas já lá vamos. E porque também ela não é assim tão frequente quanto isso. A prevalência, curiosamente, eu diria, na Europa, em Portugal assemelha-se, mas parece no mim, corrijo-me se eu estiver errado, que acontece mais com as mulheres. Sim, sim. Ou pelo menos percebemos isso, não é? Que há mais queixas por parte das mulheres. As estatísticas dizem que 2 a 5% da população adulta tem fibromialgia, isto a nível mundial, e 80 a 90% desta porcentagem são mulheres, e é mais frequente entre os 20 e os 50 anos de idade. No entanto, pode atingir crianças, homens, mulheres, idosos, todas as idades, ambos os géneros, várias etnias e estatutos.

Não faz distinção, apesar de ser bem mais frequente nas mulheres. A incidência aumenta progressivamente com a idade. Em Portugal, estes números são relativamente inferiores. O estudo feito Epireuma diz que 1,7% da população tem fibromialgia. Predomínio, mais uma vez, nas mulheres, neste caso acima dos 40 anos em Portugal. Outro estudo fala numa prevalência de 3,6%. Nós temos a noção que o diagnóstico pode demorar anos e que muitos casos não

Causas e sintomas comuns

estão diagnosticados. Portanto, a fibromialgia está subdiagnosticada, por assim dizer. Como é que ela surge? Qual é a causa? É conhecida a causa da fibromialgia? É uma pergunta complicada porque, assim, não se sabe ao certo no organismo o que é que leva a isto, no corpo humano. Por outro lado, sabe-se que há várias causas, várias circunstâncias, vários fatores que podem contribuir para o aparecimento da doença. Pensa-se que existe um aumento da sensibilidade à dor relacionado com os neurotransmissores, a nível do nosso sistema nervoso, seja periférico, seja central, que leva a que as pessoas sejam mais hipersensíveis aos estímulos externos. Não existe uma causa única, por assim dizer. É uma doença complexa e pensa-se que está associada não só à parte dos neurotransmissores, portanto da teoria do sistema nervoso, mas também à parte muscular, alterações do sono pode estar também na sua causa, alterações genéticas, sistema imunitário, o metabolismo e até o estado mental de cada pessoa.

Ou seja, vemos aqui vários fatores que isolados ou combinados uns com os outros podem favorecer o aparecimento da fibromialgia ou o agravamento dos sintomas para quem já tem o problema. como por exemplo também o stress, ter outras doenças concomitantes, traumas físicos, por exemplo um acidente de viação, uma intervenção cirúrgica pode desencadear uma crise, traumas emocionais, a perda de um familiar, um divórcio também pode desencadear e exacerbar uma crise de fibromialgia, determinadas infecções e até alterações hormonais, ou seja, depois de eu dizer tudo isto é difícil dizer qual é a causa, ou seja, é complexo, vários eventos podem exacerbar ou levar ao aparecimento de, no entanto, não existe propriamente uma causa conhecida à fibromialgia provocada por isto.

Não existe. Muito bem. É verdade que já partilhaste connosco, quando explicaste o que é que era a fibromialgia, alguns dos sintomas, mas de uma forma mais premuralizada, quais são os sintomas mais comuns, aqueles a que devemos estar mais atentos? De longe, o mais frequente e mais incapacitante é a dor. A dor, como já definimos, musculosquelética, é generalizada, pode surgir em qualquer parte do corpo. Essencialmente nos grupos musculares, tendões e ligamentos, não nas articulações. Ou seja, habitualmente, a pessoa com fibromialgia não se vai queixar de uma dor num joelho, numa anca, num ombro, que são articulações. Mas atenção, pode ter por outro problema, por exemplo, uma osteoartrose.

A dor é mal definida pela própria pessoa que a sofre, imprecisa, difusa e muitas vezes pode variar de localização. Nós costumamos dizer que a dor é migratória. Num dia pode estar num braço, no outro dia pode estar nas costas, no outro dia pode estar num pé e pode variar de intensidade. Pode acompanhar-se, além da dor, de formigueiros, a sensação de dormência, adormecimento de algumas regiões, os tremores, a sudação, a hipersudureza, o aumento dos suores, a sensação de rigidez dos músculos, parece que a pessoa de manhã quer se levantar, mas tem ali uma rigidez que parece que custa a começar. A dor também agrava com o frio, com as alterações do sono e com períodos de maior problemas emocionais, seja stress, seja angústia, seja qualquer problema emocional.

Vemos aqui que só aqui já são muitos sintomas, não só físicos, mas também emocionais. E dentro dos emocionais mentais temos que referir também as alterações do padrão do sono. que também é muito frequente na fibromialgia e pode ser a insónia inicial, a dificuldade em adormecer, pode ser o acordar muitas vezes e ter dificuldade em retomar o sono, o chamado sono fragmentado, Ou pode ser a insónia terminal, que é o acordar muito cedo, madrugada, e não conseguir voltar a dormir. Ou pode ser ainda, não relativamente à quantidade, mas à qualidade do sono, não ser um sono reparador. Todas estas perturbações do sono podem estar incluídas realmente na fibromialgia.

Claro que a fadiga e o cansaço matinal também são muito frequentes. Parece-me que passou um camião por cima. Para quem não tem fibromialgia, talvez lembre-se quando nós tivemos ou temos gripe ou infeção pelo SARS-CoV-2, a COVID-19, aquela sensação de cansaço, corpo todo durido. Deve ser uma sensação semelhante. A falta de vontade e de força para realizar as tarefas diárias, porquê? Porque tudo isso obriga um esforço. por causa da dor, por causa do cansaço, a sensação de esgotamento físico, sobretudo mais no final do dia, de trabalho, das suas atividades de vida diária, ou após um exercício físico mais intenso, a pessoa facilmente fica cansada.

E também está associado a dificuldades de concentração, déficit de memória, distração fácil. Já vimos que são pessoas mais sensíveis a determinado estímulo, ou seja, mais intolerância às temperaturas extremas, seja o frio ou o calor. A chamada síndrome do cólon irritável, que são aquelas pessoas que têm alterações dos hábitos intestinais mediante a sua ansiedade, ora estão presos do intestino, ora estão mais soltos do intestino. Síndrome do cólon irritável também é muito frequente nas pessoas que têm fibromialgia. Assim como a enxaqueca, que é um tipo de dor de cabeça de cefaleia específica ou outras cefaleias. mais dores menstruais nas mulheres da idade fértil, a bexiga hiperativa, aquela sensação que tenho que estar sempre a urinar e chego lá, passo um bocadinho e saio da casa de banho e parece que vou ter que urinar outra vez, e a própria depressão, que é uma doença mental e que está associada à fibromialgia em 25, 50% dos casos.

Vemos assim que temos aqui uma panóplia sinais e sintomas que muitas vezes estão associadas, por sua vez, até a outras doenças ou algumas de outras doenças inseridas nas pessoas com fibromialgia. Mas, por outro lado, podem tirar qualidade de vida às mulheres e aos homens, dependendo do nível de sintomas que tenham, afeta bastante a qualidade de vida, ou seja, pode ser até bastante incapacitante, o que é incrível. Sim, a nível físico, a nível emocional, mental e até social, porque a pessoa não está bem. Isto afeta não só a sua atividade profissional, mas até as suas atividades de vida diária, aquilo que tem que fazer em casa, com a sua família, tudo. Pelo cansaço, pela falta de concentração, o não dormir bem, acaba por muitas coisas serem afetadas do seu bem-estar, como tu dizes.

Quero muito saber como é que é feito o diagnóstico, até porque imagino que pode ser bastante complexo ou até bastante simples, mas vamos ver isso já já a seguir. Para já vamos fazer um pequenino intervalo, mesmo pequeníssimo, cerca de dois minutos, não mais do que isso. Já a seguir voltamos para a segunda parte com uma oferta muito especial para si. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do Médico de Família de hoje e, como lhe disse, tenho uma oferta especial para si, o Guia de Estudo A Máquina Humana. Um guia de estudo fantástico, cheio de muitas dicas práticas para ter um estilo de vida mais saudável, uma alimentação equilibrada, dicas para o ensinar a preparar de forma saudável alimentos, mas não só.

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Diagnóstico e tratamento

exatamente pela dificuldade que muitas vezes havia de encontrar um diagnóstico, mas à medida que foste falando connosco, à medida que nos foste apresentando a doença, fomos percebendo que também de alguma forma pode ser complexa por um lado, mas se a pessoa tiver tantos sintomas desses, por outro lado pode ser fácil. Como é que é feito o diagnóstico? Porque sei que não é através de análises, não é? Não existe, por assim dizer, um exame ou um conjunto de sintomas, como existe para outras doenças, nós digamos assim, tem este e este, este é fibromialgia. Três de cinco destes é fibromialgia, não é? Não, não funciona assim. Nós dizemos que é um diagnóstico da exclusão. é quando as pessoas começam a ter este tipo de queixas, estes sinais e sintomas, e após o exame objetivo, o estudo laboratorial, ou o estudo imagiológico, seja por ecografia, raiz X, está tudo normal, ou seja, nada justifica anatomicamente, organicamente, as queixas daquela pessoa.

Então, faz-se o diagnóstico de fibromialgia. Claro que se a pessoa tem estas queixas, de qualquer forma, não vamos fazer o diagnóstico só porque a pessoa se queixa. Não. Temos que excluir sempre outras patologias. É assim que funciona com a fibromialgia. Importante excluir patologias, sejam elas físicas, da parte osteoarticular, seja da tiroides, seja mental, excluir outros problemas é essencial. É um diagnóstico de exclusão. Sendo que, claramente, mesmo sendo exclusão, quando se associa vários desses sintomas, já é indicativo mais ou menos do que é. Desculpa lá a minha ignorância, não sendo médico de família, mas percebes onde eu quero chegar. Ou seja, é verdade que se a pessoa tiver alguns desses sintomas de forma isolada, acredito que seja difícil.

mas basta ser 3 ou 4 desses sintomas de forma associada para se perceber há aqui uma questão de fibromialgia ou não é como eu estou a dizer. Devemos sempre estudar de qualquer forma a pessoa que temos ali à nossa frente a queixar-se, porque existem muitas outras doenças que dão estes sinais e sintomas, por isso que devem ser excluídos sempre através do estudo, do exame objectivo, análises e exames imagiológicos sempre. Por outro lado, falamos em tratamento, ou seja, como o momento também se fala de tratamento, ou estou a fazer tratamento. Eu não consigo precisar, ao certo, mas tenho a sensação que é uma doença sem cura, ou pelo menos que até agora não se sabe... Não há remissão. Exatamente. Mas há tratamento. O que é que significa tratamento por uma doença que não tem cura?

Estamos a falar apenas de qualidade de vida ou há mais alguma coisa sobre tudo isto? O grande objetivo, pegando nisso que estás a dizer, é essencialmente aliviar aquilo que a pessoa se queixa. Essencialmente a dor, regularizar o sono, tentar controlar o stress, a depressão, tratar... Tratar os sintomas. Para a pessoa ter qualidade de vida. Esse é o grande objetivo. Vou-te dar um exemplo. Nós podemos tratar, por exemplo, uma hipertensão arterial. Mas se a pessoa realmente não tiver grandes mudanças no seu estilo de vida, ela nunca vai curar. É controlada com a medicação. A fibromialgia é controlável num sentido que a pessoa pode ter sempre crises, mas a pessoa aprende a viver com a fibromialgia com algumas ajudas não farmacológicas e farmacológicas.

O grande objetivo sempre é ter a melhor qualidade de vida possível. E, neste sentido, existem uma combinação de vários tratamentos não farmacológicos e farmacológicos. E isto é que é importante também explicar à pessoa, explicar a doença que ela tem, ter a consciência da importância dela própria, controlar alguns fatores de risco, as preocupações, o stress. fazer um esforço por ter ciclos de sono regulares no seu estilo de vida, evitar os fatores encadeantes ou aquilo que a pessoa já sabe que vai agravar e que vai ter mais uma crise de dores. Ou seja, o doente deve ser responsabilizado e deve ser motivado a empinhar-se no seu tratamento. É essencial. Importante também tentar ter uma vida o mais tranquila possível, a nível familiar, pessoal, profissional, resolver os conflitos que tenha, procurar realização pessoal, maior tolerância, ter tempo para relaxar, para ir dar um passeio na natureza, para estar com a família, com os amigos.

Ou seja, ter uma vida equilibrada em termos físicos, mentais, sociais e espirituais ajuda a controlar também os sintomas da fibromialgia. Mas é um desafio. É um desafio porque, mais uma vez, o grande desafio para todas aquelas que estão doentes é alterar os seus hábitos de vida. sobretudo quando implica hábitos que envolvem toda a sua vida. Uns mais, outros menos. Mas o truque é não desanimar e é mudar uma coisinha de cada vez, progressivamente. Neste tratamento não farmacológico, claro que é essencial a regularização do sono, Deitar sempre mais ou menos à mesma hora, levantar à mesma hora, evitar os estimulantes, o café, o álcool, o tabaco, outras drogas, no final do dia sobretudo.

Importantíssimo o exercício físico regular nas pessoas com fibromialgia. Eu percebo que as pessoas, devido à dor, limitem a sua atividade física. Mas isso é um ciclo vicioso, vão acabar por ter mais dores. E isso leva realmente a que diminua a sua flexibilidade, a sua massa muscular, levando a mais cansaço ainda. Portanto, o exercício na fibromiologia é importante com vários objetivos. Reduz a intensidade da dor e da fadiga, diminui a tensão muscular, ajuda a controlar o stress e a ansiedade, melhora o sono, favorece a coordenação motora para as várias atividades diárias, promove a postura adequada, ajuda no controle do peso, o que melhora a sua autoestima e a qualidade de vida, até a capacidade de realizar mais tarefas.

E claro que, sempre que falamos em atividade física ou exercício físico, o exercício deve ser individualizado. Eu não posso impor alguém um exercício, por exemplo, que a pessoa não goste. Importante que seja algo que a pessoa goste, sempre, em qualquer pessoa que vai iniciar exercício físico. e que seja algo executível para aquela pessoa mediante as suas limitações. Os exercícios devem ser, de preferência, leves, ou seja, sem carga. A hidroginástica, por exemplo, a ginástica aeróbica, a dar uma piscina aquecida, são exercícios que evitam realmente a carga. E claro que, idealmente, o exercício físico deve ser realizado diariamente. Não é fazer os 150 minutos num dia da semana.

Não. Diariamente. Os movimentos disto não devem ser extenuantes. E claro que se a pessoa tiver o agravamento das dores quando está a fazer exercício, particularmente quando a pessoa reinicia exercício físico não fazia há muito tempo, sobretudo durante os dois primeiros meses, não deve ser razão para desistir. É persistir. Importante. Importante nos programas de exercício ter sempre o aquecimento, primeiro, porque isto melhora a circulação sanguínea, para os músculos estarem preparados para exercitar, melhora a resistência física aos exercícios. Importante exercícios de fortalecimento muscular e alongamentos para melhorar o equilíbrio, a coordenação motora e o controle da dor.

Estes programas devem incluir sempre relaxamento final, no final, seja com alongamentos ou respiração, e exercício aeróbico deve estar sempre incluído, caminhada, dança, exercício aquático, para a boa saúde cardiovascular e controle do peso. Ainda no tratamento não farmacológico, importante banhos de água quente porque ajudam a relaxar a parte muscular e importante também o acompanhamento psicológico. Psicoterapia, a técnica terapia cognitivo-comportamental pode ser muito útil para alguns doentes. Acompanhamento psicológico. E claro, teríamos que falar também do tratamento farmacológico.

Como já falei inicialmente, tem sempre por objetivo aliviar sinais e sintomas, ou seja, aliviar a dor, melhorar o sono, a fadiga, o cansaço, a ansiedade e a depressão. Nesta panóplia de sinais e sintomas e doenças utilizamos analgésicos, relaxantes musculares e antidepressivos. E existem antidepressivos específicos, mais recentes e muito bons, sobretudo para pessoas que têm fibromialgia, que passam a ter menos dor. Tenho essa experiência com utentes minhas que têm fibromialgia. Desde que fazem esse antidepressivo têm muito menos dor, melhor qualidade de

Evolução e qualidade de vida

vida. Fantástico. São boas notícias. Como é que funciona em relação à evolução? Porque parece que podemos conhecer duas pessoas com fibromialgia diferentes, Uma parece que ficou curada, que não se passa nada, e outra, apesar de fazer a medicação, continua com muitas queixas. Evolui, não evoluo, sei que não tenho cura, mas porque é que varia tanto de pessoa para pessoa? O ser humano é complexo, somos todos diferentes, e realmente não existe uma evolução conhecida por assim dizer. É variável de pessoa para pessoa. continua sintomática ao longo do tempo, alternando, como já falámos, de períodos de acalmia a períodos de exacerbação das crises. As remissões são raras, embora por vezes existam melhorias acentuadas da dor e da fadiga, mas é muito subjetivo e não existe uma evolução prognóstico linear da doença em si.

Mas mesmo aquela pessoa que está a tomar a medicação pode não ter se livrado da doença, mas ela não se fazer sentir, não está presente, enquanto se mantém a fazer a medicação. Portanto, os efeitos dão uma noção de estilo de vida totalmente normal àquela pessoa. Outros não, continuam a ser bastante incapacitantes, às vezes têm que entrar em reforma antecipada, ou seja, realmente varia muito de pessoa para pessoa. É verdade. porque isto mexe com a parte física, com a parte mental e emocional. E mesmo aquelas que estão mais ou menos controlado, algumas têm crises depois intensas, outras têm crises mais ligeiras. Somos todos diferentes. É o acompanhamento ao longo do tempo sempre. O que significa que estas pessoas que são diagnosticadas com a fibromialgia passam a ter, eu diria quase que obrigatoriamente, uma visita regular ao seu médico de família para ir vigiando, acompanhando e nivelando o tratamento também com os seguintes concessões?

Está a evoluir a doença? Sim. Normalmente são pessoas em que, não havendo um diagnóstico ou mesmo havendo um diagnóstico, são acompanhadas na especialidade de reumatologia. Quando existe um diagnóstico, a pessoa está medicada, normalmente é dada uma alta para o médico de família. E aí vai sendo feito o acompanhamento, justo ou não, da medicação, ver como é que está o estilo de vida daquela pessoa, se mantém realmente os hábitos de exercício físico ou não. Quando, por acaso, começa a haver mais sintomas diferentes, convém estudar. Por exemplo, uma pessoa que não tem dor nas articulações começa a ter. Convém sempre averiguar se tem outra patologia associada. Não quer dizer que a pessoa que tem a dor é fibromialgia e não se faz estudar. Não. Sempre investigar se nós suspeitamos de qualquer outra patologia.

O que é importante é as pessoas perceberem que a fibromialgia não mata, A fibromialgia não destrói as articulações, não necessita de intervenções cirúrgicas, não compromete os órgãos internos da pessoa que sofre desta doença, não retira anos de vida, mas claro que afeta a qualidade de vida da pessoa. A dor moe, mas não mata, mas moe. E é importante as pessoas terem consciência disto. Um fator importante também, penso, é conhecer a doença e aqueles que coabitam com essa pessoa também conhecerem a doença, para perceber as limitações que muitas vezes podem ocorrer. Exatamente. E realmente os cuidadores ou os familiares, os colegas, podem às vezes evitar alguns fatores que possam levar a uma crise, por assim dizer, ajudar aquela pessoa a ter um nível emocional mais calmo para evitar realmente outras crises.

Até porque muitas vezes pode ser exigida essa pessoa que normalmente está bem, a determinada altura que não está, que faça exatamente as mesmas coisas e atua da mesma maneira quando está bem. Não pode ser, não é? Sim. Muito bem. Foi, como sempre, muito gosto. Voltamos, marcamos encontro para um próximo programa. Para si que está desse lado, antes de fecharmos a nossa consulta de hoje, lembrar a oferta que temos para si, o Guia de Estudo Máquina Humana, totalmente gratuito, cheio de muitas dicas práticas, muitos conselhos é, sem dúvida, um guia imperdível. Também, muito importante para si, conselhos de Deus, como muitos textos bíblicos, para saber aquilo que Deus quer para a nossa vida, para o nosso estilo de vida, Ele que, como ninguém, sabe como é que devemos cuidar desta máquina que chamamos máquina humana.

Marcamos encontro no próximo programa. Dizer-lhe antes de fechar também que se não teve a oportunidade de ouvir na íntegra ou quiser conhecer o conteúdo de outros programas, estão disponíveis em podcast em radio RCS.novotempo.pt e também no YouTube da TV Novo Tempo Portugal. Até ao próximo programa, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Neste episódio do Médico de Família, abordamos uma doença ainda pouco compreendida, mas que afeta milhares de pessoas, sobretudo mulheres: a fibromialgia.

🩺 Com a participação da médica Cláudia Neves, explicamos de forma clara e acessível: • O que é a fibromialgia • Porque é tão difícil de diagnosticar • Quais são os sintomas mais comuns • Como é feito o diagnóstico • Que tratamentos existem • De que forma é possível melhorar a qualidade de vida

💡 A fibromialgia não é uma doença imaginária. A dor é real, o impacto é profundo e o conhecimento é essencial para lidar melhor com esta condição.

🤍 Um episódio informativo, humano e necessário, para quem vive com dor crónica, para familiares, cuidadores e para todos os que querem compreender melhor esta realidade.

Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 38
Estreou
21 de Janeiro de 2026
Categoria
Saúde