Volvido a mais uma semana, estamos de volta para lhe trazer mais um médico de família. E hoje, mais uma vez, volto a estar na companhia da Dra. Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Muito obrigada, também mais uma vez, Daniel. Cláudia, hoje vamos falar de um assunto que é, eu diria, muitas vezes visto com algum tabu, infelizmente, na sociedade. E eu diria até, curiosamente, porque é um problema cada vez mais prevalente que são as doenças de formental, eu diria que já é um flagelo em todo o mundo, não é apenas uma realidade na Europa e em Portugal. Hoje vamos falar precisamente de demência, mas também associada ao estilo de vida. Porquê que escolheste trazer este tema?
Hoje tenho uma razão um bocadinho diferente. Normalmente trago temas em que eu penso que as pessoas se interessam e que é frequente e que as pessoas colocam questões ou que me lembram das minhas consultas. Mas este foi um artículo de um estudo que foi publicado este ano. E pensei, este tema é mesmo pertinente e tenho que apresentar realmente na Rádio RCS, na Novo Tempo Portugal, que associa realmente o estilo de vida à prevalência, à prevenção e tratamento das doenças. Por isso é que trouxe este tema. Já só faltava. Depois de tantos programas que já fizemos juntos a falar da relação e da correlação entre o estilo de vida e as doenças, Mas antes de irmos a essa
relação e correlação, fala-nos um pouquinho da demência de uma forma muito concreta, porque é uma área dentro de tantos problemas de forma mental. Existe, por vezes, uma confusão na população em geral, o que é demência e as pessoas acham que é Alzheimer. Alzheimer é um tipo de demência. Existem vários tipos. Demência em geral, pela própria definição, é a perda da capacidade cognitiva da pessoa. e que acaba por perder várias das suas faculdades cognitivas, condicionando a sua autonomia. Existe a perda da capacidade de processamento da memória em si, a perda da organização, planeamento, decisão e julgamento a nível mental, a perda da capacidade de expressão, portanto a linguagem, a perda da capacidade de reconhecer pessoas e objetos, parece que ficam assim confusos, e até capacidade de orientação no espaço e de produzir determinados atos motores.
A pessoa sabe que quer fazer aquilo, mas não sabe como lá chegar. Por exemplo, eu quero ir daqui a aquele ponto, mas não me lembro o que é que tenho que fazer para isso. Portanto, vemos assim que... É uma perda da capacidade, deterioração da capacidade cognitiva globalmente, com perda de todas estas capacidades e que vai inerentemente interferir com a autonomia da pessoa. E quais são as causas? Porque, por um lado, nós sabemos que o envelhecimento, eu diria, aumenta a prevalência das demências, mas por outro lado, ainda há pouquinho de tempo tivemos aqui, eu até posso dizer o nome, esteve aqui a falar na rádio, a Dona Natália, com 92 anos, completamente impecável, enfim, canta, faz rádio. Porquê que surge?
Existem múltiplos fatores. Não podemos dizer que aquela pessoa tem demência por isto. E depende do tipo de demência. Mas existe a idade. Cada vez mais nós temos pessoas com determinadas idades e isso aumenta a prevalência das demências. Existe o fator genético. Quem tem pessoas com demência na sua família, familiares diretos, aumenta essa probabilidade. Tem a ver também com o estilo de vida, que também interfere, os hábitos de vida em termos de atividade física, de alimentação, de utilização da sua capacidade cognitiva e intelectual. Existem os fatores externos a que estamos expostos regularmente. Portanto, é uma série de fatores que realmente podem aumentar essa probabilidade de demência ou não. Existem também determinadas causas em si de doença mental, a própria depressão, a ansiedade, o alcoolismo, podem levar a alguns tipos específicos de demência também.
Por falar nisso, já mencionaste o Alzheimer, mas eu diria, que tipos de diferentes demências e também de classificações é que existem? Deixa-me aqui orientar... Existem vários tipos de classificações. Podemos classificar as demências em primárias e secundárias. Primárias é que a doença em si é o problema. Secundárias é quando a doença surge como consequência de uma outra patologia. Vou dar um exemplo. O alcoolismo, como referi há pouco. O alcoolismo acaba por, com o tempo, existir destruição das células neurológicas dos nossos neurônios. Isso leva a uma demência, portanto, secundária.
Um AVC. Existe, portanto, a perda de irrigação sanguínea de uma determinada área do nosso cérebro. Dependendo dessa área, pode gerar uma demência. A pessoa pode nem ter um AVC, mas pode ter por chamados os microinfartos. Pequenas obstruções nos vasos sanguíneos do cérebro em vários sítios. Existe realmente a perda desses neurónios nas várias zonas. É chamada demência vascular. Portanto, vai-se perdendo realmente essa capacidade por perda de sangue que leva os nutrientes às células. O aumento global da esperança de vida aumenta esta probabilidade. A OMS, a Organização Mundial de Saúde, estima que em todo o mundo, e este número é assustador, existam 47 milhões e meio de pessoas com demência.
E pela estimativa, pela forma como estão a evoluir os números, estima-se que em 2030 existam no mundo 75,6 milhões de pessoas com demência e em 2050 este número pode triplicar para os 135,5 milhões de pessoas. Portanto, a estimativa é que realmente isto vai aumentando. Tem a ver não só com a longevidade, mas tem a ver realmente com os hábitos de vida. Neste âmbito, a que realmente se destaca mais é a doença de Alzheimer, que é um tipo de demência. Diz que são cerca de 60 a 70% de todos os tipos de demência, segundo a Organização Mundial de Saúde. Isto em 2015. Em Portugal, segundo estudos, existem mais de 193 mil pessoas com demência.
segundo o estudo que estuda a doença de Alzheimer na Europa, de 2019. Portanto, 193 mil pessoas em Portugal com demência. Demência em geral. Qualquer tipo de demência. Exatamente, que inclui qualquer tipo. Existe um relatório, um estudo da OCDE em Portugal, que diz que é o quarto país com mais casos de demência por mil habitantes. A média da OCDE é 14,8 casos por cada mil habitantes. e para Portugal a estimativa é de 19,9. Portanto, é maior do que a média europeia e somos o quarto país realmente da OCDE com mais casos de demência. De acordo com este relatório, este relatório é de 2017 em Portugal, A estimativa do número de casos com demência sobe para mais de 205 mil pessoas e acredita-se que este número vai continuar a subir, como também é o esperado em todo o mundo, e que irá atingir em Portugal os 322 mil até 2037.
Às vezes pensamos assim, ah, isto ainda é muito distante. Não, o tempo passa rápido. E realmente, se realmente nós tínhamos em 2017, perdão, os 195 mil, imaginemos agora, portanto, no ano em que estamos, devemos ter mais de certeza. Portanto, é um número assustador e realmente nós temos mais cada vez é que falar delas e as pessoas devem estar alertas para sempre que existe realmente perda de um bocadinho das suas capacidades cognitivas para estar alerta e pensar neste assunto. Eu já estou com receio, porque eu costumo dizer até, em jeito de brincadeira com os meus colegas, que eu não tenho memória. Eu só tenho uma vaga ideia, portanto, eu tenho que estar muito alerta.
Para ser que está desse lado, não precisa ficar muito alerta. São apenas dois minutinhos, vamos fazer um pequenino intervalo e já a seguir voltamos para a segunda parte, também com uma oferta muito especial para si. Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
Estamos de volta para a segunda parte do nosso médico de família. Hoje, a Dra. Cláudia está a trazer-nos as demências relacionadas com o estilo de vida, como é que elas se relacionam. E agora, na segunda parte, ainda vamos olhar para os sintomas e para muito mais. Mas antes disso, como eu tinha prometido, vou lhe oferecer o guia de estudo A Máquina Humana. É um guia de estudo com muitas dicas práticas para poder ter um estilo de vida mais saudável, até com alguns conselhos para fazer algumas transições. e também tem um conjunto de textos bíblicos ao longo de todo o guia de estudo para que conheça a vontade de Deus para a sua vida. Ele, que é o criador desta máquina, que nós chamamos máquina humana, sabe o que é melhor para nós.
E, portanto, é com esse intuito que um conjunto de especialistas preparou este guia de estudo e é totalmente gratuito para lhe o podemos oferecer. Basta enviar-nos uma mensagem para o 933 939291 a dizer máquina humana para sabermos que é este guia de estudo e depois entraremos em contacto consigo para lhe o podermos enviar gratuitamente pelo correio para a sua casa. Cláudia, vamos falar agora, queria-te perguntar sobre os sintomas, mas aqui, até de uma forma mais particular, às vezes nós falamos de sinais e sintomas, mas aqui os sinais têm uma importância muito grande, por isso é que eu te pergunto quais são os sintomas, mas também quais são os primeiros sinais, enfim, já mencionaste alguns, é que nós devemos estar verdadeiramente alerta?
Mais uma vez, é sempre perigoso nós referirmos isto porque as pessoas podem achar que estão a ter. O mais comum, e que as pessoas referem a alterações da memória, e é isto que assusta logo, pelo menos pela minha experiência, quando as pessoas vêm à consulta, muitas vezes são elas, mas muitas vezes são os familiares ou as pessoas que convivem ou trabalham com essas pessoas, que notam que a pessoa já está a ter lapsos de memória. Mas isso, com o nosso envelhecimento, também naturalmente acontece sem ser forçosamente o sintoma da doença, não é? É verdade, e pode haver alterações de memória com muitas outras causas. E uma das principais que se pensa logo, sobretudo se forem pessoas mais jovens, é essencialmente não estar a ter um sono de qualidade ou quantidade adequada, porque é durante o sono que realmente as memórias se organizam.
Mas, realmente, as alterações da memória é um dos sintomas, que quem se queixa muitas vezes, até quem convive ou quem... os familiares diretos das pessoas, é perda, essencialmente, da memória mais recente, lembram-se mais das coisas mais antigas. Os idosos, normalmente, lembram-se bem dos pormenores da sua infância e da sua juventude, mas não se lembram do que fizeram no dia anterior ou com quem estiveram no dia anterior. dificuldade, muitas vezes, de orientação. A pessoa não sabe em que ano estamos, em que mês, em que estação do ano, e nós fazemos essas perguntas. Em que dia da semana é que estamos? Ou até no espaço. Em que caso é que estamos? Que espaço é esse? Ah, não sei. Onde está? Não sei. É também comum. Dificuldade de comunicação, tanto pode ser oral como escrita. a perda de objetos comuns e a dificuldade em realizar tarefas diárias e simples que de antes realizava, seja a sua higiene pessoal, preparar pequenas refeições, arrumar a cama, arrumar a casa, a perda de iniciativa e de interesse e alterações do humor ou até da personalidade, maior irritabilidade e realmente quem convive nota essa diferença.
Eu diria que é assustador. Mas, ao longo dos anos, a sociedade que está, eu diria, atenta também a esse problema, tem desenvolvido um conjunto de projetos, enfim, grupos de estudo e trabalho, sobretudo na questão das doenças mentais, mas eu diria das perturbações mentais, de uma forma genérica. Por exemplo, em síndrome, mas noutras freguesias, o envelhecimento está ativo, em síndrome existe o Age Lab, um laboratório até premiado, a Neurobox, uma ferramenta para os idosos, tudo isto para trabalhar na área da prevenção. Na tua opinião, quão importante é a prevenção para estes problemas? É muito importante e fulcral, porque pode atrasar a evolução da doença e pode reverter numa fase inicial.
E é essencialmente por isso que eu trago este estudo.
Este estudo foi realmente feito com pessoas que já tinham diminuição da sua capacidade cognitiva ou demência. Eles não pegaram em pessoas que estavam bem, não. Eles pegaram em pessoas que já tinham deterioração da capacidade cognitiva ou demência. E mesmo assim o estilo de vida conseguiu impactar essas pessoas. Exatamente. Este estudo foi publicado numa revista médica, portanto, em outubro de 2025. O ensaio recrutou 2.111 participantes desde maio de 2019 a março de 2023. O acompanhamento final, o levantamento dos dados, foi a 14 de maio de 2025 e foi realizado em cinco centros clínicos nos Estados Unidos da América. Os critérios de inclusão realmente é que as pessoas já tinham o risco de declínio cognitivo, incluíram pessoas então com entre os 60 e 79 anos de idade, pessoas que tinham uma dieta inadequada, uma dieta que não era saudável, e que tinham um estilo de vida sedentário, não faziam atividade física regular.
E, além disso, tinham pelo menos mais dois outros critérios na sua história clínica familiar, em que já existiam alterações da memória, risco cardiometabólico, ou pela sua idade ou pelo seu género. Portanto, eles pegaram nestas pessoas para saber se realmente mudando aqui alguns destes fatores iria fazer diferença nestes três anos de seguimento. Eles foram aleatoriamente divididos em dois grupos. 1056 tiveram intervenções estruturadas e 1055 tiveram intervenções autoguiadas. Ambas as intervenções, os grupos, eram incentivados a atividade física e cognitiva.
Fazer alguma coisa que estimulasse a sua capacidade intelectual, seja ler, fazer palavras cruzadas, fazer sopa de letras, sudoku, puxar pelo cérebro, aprender alguma coisa nova. Pronto. Segundo fator, alimentação saudável. Foram incentivados os dois grupos também a mudar a sua alimentação, que era inadequada. A fazer, realmente, atividade física, como já referi, e interação social. Achei interessante. Muito importante. Evitar o isolamento social. Eles tinham que fazer programas, projetos em que estavam com outras pessoas. e faziam também vigilância da sua saúde cardiovascular. Nos dois grupos foram feitas estas quatro intervenções. Eu vou repetir.
Aumento da atividade física cognitiva, alimentação saudável, interação social e vigilância da saúde cardiovascular. Mas o que é que diferenciava do grupo autoguiado ou estruturado? Era a estrutura, a intensidade e a responsabilização. Ou seja, no grupo de intervenção estruturada, eles foram realmente incentivados e compareceram a 38 encontros ao longo dos dois anos primeiros. Ou seja, estavam a ser acompanhados ao longo de todo o processo. Exatamente. E receberam planos mais específicos mesmo de atividades em múltiplos aspectos. Por exemplo, tinha um plano de prática regulada de exercícios aeróbicos, de fortalecimento muscular e de flexibilidade.
Tinha um treino cognitivo digital. feitos mesmo em programas em ecras, preparados para isso. E tinham orientações para uma dieta mais do tipo mediterrâneco, que associava a dieta mediterrâneca a uma chamada dieta anti-hipertensiva, que dava ênfase, acima de tudo, ao consumo elevado de vegetais, sobretudo vegetais de folhas verdes, frutos vermelhos, grãos integrais, o arroz, o pão, as massas, tudo integral, peixe, gordura primeira e primas e azeite e frutos secos, nozes, amêndoas, amendoins, caju. Isso já não é tanto um estilo de vida, mas é mesmo uma dieta específica, não é?
Estamos a falar de uma dieta específica para combater o próprio problema, não é? Porque era uma dieta que já tinha demonstrado, noutros estudos anteriores, que melhorava não só a parte cardiometabólica, atenção arterial, diabetes, colesterol, com melhorada a função cognitiva. E então a ideia foi pegar realmente nestas pessoas que não tinham esta dieta... E dar-lhe o que de melhor a ciência te conhece sobre o assunto. Exatamente. E deveriam evitar as carnes vermelhas, os produtos ultraprocessados, alimentos ricos em gordura saturada, e tendo sido também previamente associado estas dietas, como eu disse, a menor risco de declínio cognitivo e doença de Alzheimer, que como já vimos é a mais prevalente de demência. No grupo de intervenção autoguiada, eles tiveram só seis encontros de aconselhamento, enquanto que nos estruturada tiveram 38 encontros de aconselhamento.
Havia uma maior pressão... E proximidade. E a proximidade, e para ver se estavam a fazer direitinho. Havia um maior acompanhamento. E na intervenção autoguiada, os participantes foram encorajados a realizar estas mudanças, mas eles próprios é que tinham que se responsabilizar pela sua execução. Foi avaliada a variação anual da função cognitiva dos ambos os grupos, global, através de testes de memória, velocidade de processamento e funções executivas durante o período dos dois anos. Portanto, eles por um lado eram incentivados a fazer estas mudanças, por outro lado eram avaliados da sua parte cognitiva. A questão aqui realmente, e foi por isso que eu decidi trazer este tema, é que os resultados são incríveis.
A principal comparação foi realmente entre o grupo de intervenção e o grupo autoguiado, é que a taxa anual de mudança da função cognitiva, avaliando, como já disse, a função executiva, memória e velocidade de processamento ao longo dos dois anos, a função aumentou Função cognitiva. Em ambos os grupos? Em ambos os grupos. Começa logo por aqui. Mesmo não terem sido tão acompanhados... Tão rigorosos, logo? Exatamente. Eram responsabilizados, eles próprios. Percebemos logo que seriam menos rigorosos, não é? Portanto, recebiam as instruções e tinham de se automonetarizar se estavam realmente a cumprir ou não. Mesmo assim, houve melhorias desta função cognitiva que foi sendo avaliada. Mas aumentou mais no grupo estruturado.
Isto tem aqui um número que aumentou em média 0,243 desvios de padrão por ano, enquanto que o grupo autodirigido 0,213 desvios de padrão por ano. Podemos pensar, isto é uma diferença de milésimas, centésimas. A questão é que isto é significativamente, estatisticamente é significativo. Ou seja, é uma grande diferença. Já é bom mesmo no grupo autoguiado. mas foi melhor no grupo estruturado e diz que esse efeito foi consistente em diversos subgrupos. Porquê? Porque dentro desses grupos os da estruturada ou do autoguiado, existiam pessoas de etnias diferentes, de género diferente, homens, mulheres.
Até com demências diferentes. Exatamente. Status cardiovascular diferente, até avaliaram se tinham ou não marcador genético para o risco de Alzheimer. Independentemente desses fatores, do género, da etnia, do risco cardiometabólico ou ter o gene ou não, a diferença foi importante. Ou seja, Há melhoria, independentemente de outros fatores que possam fazer a diferença. A questão exatamente é esta. Logo uma aprendizagem, uma alteração no estilo de vida já traz melhoria. Não é só atrasar a degeneração natural, que podia acontecer com a idade, é melhorias. O que é muito bom, são boas notícias. Claro que sim. Acima de tudo, porque não tem a ver com medicamentos, está na mão, na decisão de cada um de nós.
Claro que faz grande diferença, isto foi pegar em pessoas a partir dos 60 anos, mas quanto mais cedo nós começarmos estes hábitos, melhor, porque já chegamos a essa idade, já temos esses hábitos. A pergunta é quase inevitável, não sei se já tinhas acabado o estudo, que é, estamos a falar já quando o problema está instalado, há melhorias. Agora, ainda não está instalado, mas eu quero evitá-lo ou retardá-lo, ou seja, trabalhar literalmente na área da prevenção, não na cura, mas na prevenção.
Melhora. E melhora. Melhora, melhora. Este estudo reforça então que mudanças de estilo de vida podem, de facto, alterar as trajetórias cognitivas a indivíduos vulneráveis. Estes grupos foram, no fundo, os grupos... eram grupos de pessoas vulneráveis a este tipo de problema cognitivo. sustentando então cada vez mais uma abordagem preventiva integrada para além do tratamento farmacológico, independentemente dos medicamentos. Mesmo havendo medicamentos que possam atrasar a evolução das demências, é muito importante incentivar as pessoas a alterar o seu estilo de vida. O facto de mesmo até aqueles grupos autoguiados terem levado a uma melhoria cognitiva, sugere que qualquer incentivo que nós façamos com profissionais de saúde neste sentido da adoção de hábitos saudáveis, alimentação saudável, exercício físico, interação social, estamos a falar aqui numa faceta que muitas vezes não falamos que é a parte social, já traz benefícios mensuráveis, embora o suporte intensivo seja mais eficaz, como vimos no grupo realmente estruturado.
Juntamente com outras experiências internacionais, este estudo é realmente consolidar esta noção de que um estilo de vida saudável não apenas previne as doenças cardiovasculares e metabólicas, mas também é fundamental para a nossa saúde cerebral, que é o que estamos a falar aqui quando falamos das demências, com a deterioração da nossa capacidade cognitiva. Mais uma vez, estilo de vida importante para prevenir e retardar a evolução das doenças cerebrais? Só que trazes-nos algo que é bastante relevante, até como sociedade. Não é só uma questão, então, para a medicina, mesmo que seja a área da medicina preventiva e da medicina primária, mas estamos a falar de algo que tem a ver com as famílias, que é trabalhado no conceito de família, que é trabalhada nós próprios, com as decisões e com as escolhas que fazemos durante a vida, ou seja, é informação muito útil para nós termos algum controle, na medida do possível, como é óbvio, para podermos ser parte para resolver o problema.
Não é o médico-família que vai poder resolver o problema, vai poder com certeza aconselhar, enfim, no ato médico, mas é essas escolhas que eu faço desde logo e quanto mais cedo, imaginamos por tudo o resto que já falámos, noutras doenças, quanto mais cedo começarmos, melhor e mais benefício teremos. Claro que sim. E nós sabemos também que um hábito demora tempo a formar. Diz que em média 30 a 40 dias. E também sabemos que com a idade é mais difícil mudar hábitos. Ou seja, se nós tivermos estes hábitos desde a nossa infância, é mais fácil. Por isso é que incentivamos todos os pais a incutir, eles próprios terem uma alimentação saudável, a fazer atividade física, para serem um exemplo para os seus filhos. É isso que é essencial. Começa de novos, desde a meninice, não é? E quanto mais cedo, melhor.
E o que temos para lhe oferecer? O guia de estudo que lhe apresentei no intervalo é um guia fantástico, cheio de dicas muito práticas para ajudar precisamente a ter um estilo de vida mais saudável. Mas também para ajudar a fazer essa transição. Por exemplo, como preparar alimentos mais saudáveis, um conjunto de sugestões de receitas, a que no livro se chama Saúde no Prato. mas não só a como ter um bom descanso, como fazer exercício físico, a quantidade de exercício físico que deve fazer, como pode fazer, por onde começar. Enfim, aquelas dúvidas que pode ter e que é normal, não é? Eu quero mudar na sua cabeça, até na sua mente, já está. Algumas ideias, alguns compromissos que está a fazer consigo mesmo de como fazer estas alterações, mas a questão é como fazer, quando fazer e de que maneira podemos fazer essa transição.
sobretudo que não deve ser toda de uma vez. Este guia de estudo vai trazer-lhe todas essas respostas, ou pelo menos grande parte delas. E se tiver algumas dúvidas, então ainda tenho uma sugestão. Porque não? Entre em contacto connosco, faça-nos essas questões, quem sabe aqui num próximo Médico Família teremos toda a oportunidade e todo o prazer em lhe poder responder essas questões. Então o que é que tenho que fazer para receber gratuitamente este guia de estudo? É apenas enviar uma mensagem para o 933 939291 a dizer Máquina Humana o nome deste guia de estudo e depois nós mesmo entraremos em contacto consigo, vai receber um telefonema da nossa Raquel para depois conhecer os seus dados, a sua morada e lhe enviarmos gratuitamente para casa através do correio. E, mais uma vez, também fica, pode ser através do mesmo número ou através das nossas redes sociais, se tem alguma dúvida, alguma questão, entre em contacto connosco, teremos todo o gosto em poder responder às suas dúvidas.
E ainda, e apenas para lhe dizer que se não teve a oportunidade de ouvir o programa na íntegra e queria reouvir o programa, ele estará disponível em radioxcs.pt, mas também na Novo Tempo Portugal, no YouTube da Novo Tempo Portugal. Mais uma vez, foi um prazer. Marcamos encontro no próximo programa.
A demência é uma realidade cada vez mais presente na nossa sociedade, mas sabia que o estilo de vida pode fazer uma enorme diferença na prevenção e até na evolução da doença?
Neste episódio do Médico de Família, a Dra. Cláudia Neves explica, de forma clara e acessível, o que é a demência, quais os principais sinais de alerta e porque razão hábitos como a alimentação, o exercício físico, o sono, a estimulação cognitiva e a vida social têm um impacto direto na saúde cerebral.
🔍 Falamos sobre: • O que é a demência e os seus diferentes tipos • A relação entre envelhecimento, genética e estilo de vida • Sintomas iniciais a que deve estar atento • Um estudo científico recente que mostra melhorias cognitivas com mudanças de hábitos • Como prevenir e atrasar o declínio cognitivo de forma prática
💡 Um episódio essencial para si, para a sua família e para todos os que querem envelhecer com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.