Bem-vindo mais uma vez ao nosso médico de família. Hoje abrimos aqui o consultório da Novo Tempo para lhe trazer um programa onde vamos falar de doença celíaca. Uma doença que comumente é conhecida como a intolerância ao glúten. Mas hoje vamos tentar responder uma pergunta muito concreta. Será que a intolerância ao glúten é a mesma coisa que a doença celíaca? Na consulta de hoje, então, vamos contar mais uma vez com a nossa doutora Cláudia Neves. Cláudia, mais uma vez, bem-vinda. Obrigada. Eu começo, desde já, por te fazer esta pequena provocação e com este esclarecimento, que é a nossa questão principal de hoje. Sabemos, então, toda a gente, de uma forma geral, sabe que a doença celíaca tem a ver com a intolerância ao glúten.
Mas, por outro lado, também sabemos que a intolerância ao glúten não é a mesma coisa que a doença celíaca. Então, precisamos que tu expliques porque está aqui tudo muito embrulhado. Doença celíaca é uma doença crónica, autoimune, em que existe intolerância ao glúten. Glúten é um conjunto de proteínas que existe em alguns cereais, como o trigo, a cevada, o centeio, e isso vai provocar que a camada interna do nosso intestino que todos nós estudámos na escola, quando estudámos o corpo humano, o aparelho digestivo, é constituída por chamadas viluzidades intestinais. Para aumentar a área de superfície de absorção dos nutrientes no nosso intestino delgado, o intestino não é liso por dentro, é uma série de criptas, são as viluzidades intestinais, para aumentar essa área de absorção.
Na doença celíaca, devido ao glúten, em que realmente o corpo não o tolera, existe destruição dessas velocidades intestinais. Isso gera uma série de sinais e sintomas. Esta destruição leva assim à diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes. Quando a pessoa que tem doença celíaca elimina da sua alimentação o glúten, as velocidades voltam a formar-se normalmente e desaparecem os sinais e sintomas. Se a pessoa voltar a ingerir glúten, volta outra vez a doença. Pode manifestar-se em qualquer idade a doença, mas normalmente ela é detectada a partir do momento em que é introduzido o glúten, este conjunto de proteínas dos cereais, na alimentação, normalmente por volta dos 6 meses de idade.
No entanto, Ela pode ser manifesta ou desencadeada com a idade e na idade adulta pode ser feito também o diagnóstico. Pegando aqui um bocadinho na tua pergunta provocatória, quando nós temos sensibilidade ao glúten podemos não ter doença celíaca. Quando a pessoa é mais sensível ao glúten, manifesta sintomas, seja a distensão abdominal, as alterações dos hábitos intestinais, do trânsito intestinal, normalmente horas ou dias logo após a ingestão do glúten. Por outro lado, existem pessoas com alergia, por exemplo, ao trigo. O trigo é um dos cereais que tem esta proteína, o glúten. Quando existe alergia ao trigo, Mas manifestações também não são da mesma forma.
Porquê? Porque surgem manifestações de alergia como alergia a qualquer outra coisa. Pode ser alterações da pele, pode ser a falta de ar por obstrução aqui das vias respiratórias, por inchaço. Isso é alergia ao alimento, que não tem nada a ver com a doença celíaca. Vemos que há aqui várias diferenças e vamos tentar ao longo do programa de hoje tentar esclarecer a diferença. Sendo que, vamos partir do princípio porque há muitas pessoas também que por qualquer problema nos indestinos já dizem que têm intolerância ao glúten. Parece quase uma moda. Mas sabemos que há efetivamente muita gente com intolerância ao glúten. Na questão da doença celíaca, qual é a prevalência? Sabemos que na Europa é cerca de 1% da população.
O estudo mais recente em Portugal é de 2018, não temos após essa data, e obteve também a mesma estimativa de 1% da população com doença celíaca. Mas, atenção, em Portugal sabemos que existem cerca de 15 mil doentes celíacos diagnosticados. Ou seja, isto indica que ela é uma doença subdiagnosticada. Considerando a prevalência de 1%, existem cerca de 85 mil a 100 mil que ainda não estão diagnosticados, não sabem que têm a doença. Sabemos também que ela é muito mais frequente nas mulheres do que nos homens, numa diferença de 3 para 1. E é verdade, pela minha experiência, que há muitas pessoas que têm a doença e não sabem, porque pode ser uma doença mais ligeira, mas são pessoas que ao longo da sua vida sempre tiveram distência abdominal, cólicas, ora estão com prisão de ventre, ora estão com diarreia, mas nunca pensaram em pesquisar, nunca foram ao médico e nunca se queixaram.
Portanto, eu acredito que realmente ela está subdiagnosticada. Sabemos que existem grupos de risco. Quem são? Quem tem um familiar direto, pai, mãe ou irmão ou irmã com doença celíaca, tem maior probabilidade de vir a ter doença celíaca. Há uma forte vertente genética da doença. Sim, porque é uma doença autoimune também. E, claro, outras pessoas que têm outras doenças autoimunas também aumenta essa probabilidade. Como, por exemplo, a diabetes tipo 1, que é diabetes que necessariamente as pessoas têm que fazer insuína. A tiroidite autoimune, que é uma inflamação da tiroide, uma glóbula que nós temos no pescoço e que também é de origem autoimune. A doença inflamatória crónica, que envolve as articulações, que se chama artrite idiopática juvenil. A doença de fígado autoimune, em que existe uma inflamação das células do fígado, vemos aqui que quem tem doenças autoimunes aumenta também esta probabilidade.
Quem tem familiares de primeiro grau com doença celíaca, que também aumenta a probabilidade de vir a ter doença celíaca.
Eu sei que tu já mencionaste alguns sintomas, mas eu acho que eles são bastante importantes para nós compreendermos a doença e os efeitos da mesma e sobretudo temos, falaste, eu diria, três grandes grupos diferentes, não é? Entre os que têm intolerâncias, alérgicos e conversas ficas. Podias nos falar um pouquinho dos sintomas de cada uma delas, por favor? Sim. Sabemos, já expliquei que algumas são diagnosticadas logo na infância, logo no primeiro ano de vida. Outros é mais tarde. Eu vou primeiro dizer os sinais e sintomas no geral, mas nós médicos corremos sempre o risco, sempre que falamos em sinais e sintomas, das pessoas estarem a ver ou a ouvir e acharem que têm a isto. Porquê? Porque há determinados sinais e sintomas que são muito inespecíficos e são... Mais genéricos também, não é? Exatamente. Por exemplo, fraqueza e perda de apetite.
as náuseas e os vómitos, a diarreia, normalmente com fezes mais oleosas ou gordurosas, a anemia por falta de ferro e que é resistente à toma do ferro, não melhora. Porquê? Porque as velocidades intestinais são destruídas e, exatamente, não há absorção do ferro. A estomatita vetosa, que é as lesões na boca constantes, muitas vezes aqueles golpes aqui nos cantos da boca, que é comum, e também na própria língua, A doença dos ossos osteoporosa, em que existe realmente uma diminuição da absorção de cálcio, então o cálcio não chega aos ossos, os ossos tornam-se mais fragilizados, com maior risco de fratura. E também pequenas lesões cutâneas, tipo bolha na pele, que parecem do herpes ou do herpes zóster, da chamada zona, mas que são mais generalizadas.
E nos homens e nas mulheres, podem vir a ter mesmo problemas de fertilidade, não conseguirem engravidar. Vemos assim que são sinais e sintomas muito gerais e inespecíficos. No entanto, podemos subdividir um bocadinho as crianças e os adultos. Nas crianças, nos pequeninos é mais difícil porque eles não se queixam. Um dos principais sinais de alarme para nós, médicos de família, é quando existe uma má progressão ponderal. O que é isto? A criança vai às consultas de vigilância no primeiro ano e nós avaliamos sempre estatura, peso, perímetro cefálico. E se a curva de crescimento não está a seguir no que deveria, sobretudo depois da introdução do glúten na alimentação, os cereais em geral, as papas, lácteos em geral, é um sinal de alerta para investigarmos a doença celíaca.
Portanto, a má progressão do peso. Porque a criança não tem a absorção dos nutrientes, eles não chegam lá, não aumenta de peso como deveria, fica mais desnutrida, por assim dizer. Também tem as alterações do aparelho digestivo, como a diarreia, a obstipação, a flatulência, os pais queixam-se que a criança tem sempre a barriga mais inchada, as cólicas abdominais, muitas vezes a criança chora e os pais não sabem porquê. E, essencialmente, nas crianças é isto. Nos adultos é um pouco aquilo que já expliquei, por causa da má absorção dos nutrientes, a anomia, a osteoporose, as lesões da pele tipo herpes, a estomatita vetosa, a infertilidade ou abortos recorrentes. alterações até da função da tiroide, alterações das análises do fígado e alterações nos dentes definitivos.
Isto aqui tem a ver também com, mais uma vez, a má absorção dos nutrientes, tudo isto em geral. E como estamos a ver estes sinais e sintomas, É uma doença que nós não diagnosticamos após a primeira refeição com glúten. Porquê? Porque isto demora tempo até acontecer. Portanto, existe, como já vimos, a intolerância ao glúten e a destruição das velocidades intestinais. Esta destruição não é de um dia para o outro, nem em dias. Por isso é que estes sinais e sintomas demoram tempo a manifestar-se. E claro, se a pessoa for intolerante ao glúten, é diferente. É logo horas ou dias depois de ingerir o glúten, tem logo assim um mal-estar. Muitas vezes até consegue identificar a refeição, não é? Exatamente. Aí não existe a destruição das velocidades. Existem os sinais e sintomas, mas não existe a destruição realmente da camada interna do indestino como existe na doença celíaca.
Vemos aqui já uma grande diferença. São muitos os sintomas e o problema é que muitos deles se multiplicam e se somam, não é? Ou seja, muitas vezes as pessoas não têm um desses sintomas, têm vários desses sintomas. E muitas das pessoas, felizmente, não os têm todos. Na criança, eu diria que é mais fácil o diagnóstico porque, nessa idade, a não evolução do peso é um sinal de alarme, é das primeiras coisas que nós pensamos. Estão a ser acompanhados de uma forma mais frequente, não é? Exatamente. É uma vigilância. Portanto, no primeiro ando de vida, a criança tem a primeira consulta antes dos 28 dias, depois tem um mês, dois meses, quatro meses, seis meses, nove meses, doze meses. Até aos 12 meses, normalmente, quando existe intolerância ao glúten, logo manifesta com a primeira introdução do glúten, nós começamos logo a notar diferenças na progressão do peso.
E, normalmente, até mesmo na consulta, quer médica, quer enfermagem, já há indicação aos pais para ficarem vigilantes precisamente com a introdução desses mesmos alimentos. Ou seja, facilmente se pode ali notar. Mas, como me disseste, há muita gente e a doença será subdiagnosticada, significa que o problema é mais à frente. Portanto, é importante nós olharmos também para a questão do diagnóstico, como é que se faz o diagnóstico, mas fazemos assim, voltamos já a seguir, falamos sobre isso logo a seguir, a um pequenino intervalo, para já vamos fazer uns minutinhos, é mesmo breve, um, dois minutinhos e voltamos já a seguir também com uma oferta muito especial para si. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança.
E cá estamos de volta. Como lhe disse, foi mesmo breve para esta segunda parte do nosso Médico de Família de hoje. Estamos a falar de doença celíaca e também sobre a intolerância e as alergias ao glúten. Mas, como lhe disse, tenho uma oferta especial para si. O Guia de Estudo, a Máquina Humana. E entre muitos outros assuntos, desde vários remédios naturais para várias doenças, fala de várias doenças em particular, fala também sobre dietas e como preparar alimentos saudáveis. E o melhor de tudo é que é totalmente gratuito. Basta enviar uma mensagem. um SMS para o 933-939291, depois somos nós mesmos que entraremos em contacto consigo para lhe poder enviar esta revista para a sua casa pelo correio.
O que é que deve enviar nesta mensagem? Máquina humana, percebemos que é este o guia de estudo a que se refere. Não hesite, pode enviar, temos todo o gosto em lhe fazer chegar este guia de estudo que certamente será muito útil. Cláudia, estava antes do intervalo a falar contigo precisamente sobre o diagnóstico. De alguma forma até indiretamente já partilhaste connosco como é que se fará o diagnóstico, mas queres particularizar mais alguma coisa? Sim. Claro que em qualquer diagnóstico é sempre importante a história clínica, em que nós realmente fazemos perguntas às pessoas, ou as pessoas já trazem informação mais ou menos estruturada do que é que as incomoda. Nas crianças é mais por sinais do que por sintomas, porque as crianças pequeninas não sabem queixar.
Mas a história clínica é essencial, pegando nestes sinais e sintomas que referi há pouco. Existem testes de sangue, análises ao sangue, para pesquisa de anticorpos específicos. Porquê? Como eu falei no início, a doença celíaca é uma doença autoimune. O nosso corpo cria anticorpos, realmente, que vão destruir, por intermédio do nosso sistema imunitário, as velocidades intestinais quando em contacto com o glúten. A pesquisa desses anticorpos no sangue também faz o diagnóstico. É outra forma de o fazer. Na dúvida, pode-se ainda ir mais a fundo a um exame mais invasivo, que é a biópsia do intestino. Isto é no intestino delgado. Nós não temos exames invasivos para o intestino delgado. Temos o chamado endoscopia digestiva alta, que vai até ao estômago e depois a primeira parte do intestino delgado, que é o duodeno.
E depois, por baixo, temos a colonoscopia, que é só para o recto e o colon, que é o intestino grosso. Fica a faltar ali um bocadinho. Uns metros. Então, na primeira parte do intestino delgado, do odeno, pode-se fazer biópsia e para analisar realmente essas células e vai-se perceber essa destruição das velocidades intestinais. Em casos de dúvida, pode-se avançar mesmo para os testes genéticos e realmente é uma forma de fazer o diagnóstico. E também havendo uma grande e forte carga genética de, de alguma forma, vigiar mais as pessoas sabendo que a qualquer altura na sua vida podem vir a desenvolver a doença, ela a se manifestar. Sendo uma doença que sabemos que depois é para a vida, as pessoas acabam por ficar com esse problema para a vida, como é que falamos de cura?
O que é que se pode fazer, admitindo desde logo, que, não comendo glúten,
melhora logo a sua saúde. Mas o que é que se pode fazer para curar? É tão simples quanto isso. Claro que a doença celíaca está lá. Agora, é simplesmente evitar tudo o que tenha glúten. Essencialmente, trigo, sovado e centeio, após o diagnóstico, devem ser evitados para o resto da vida. Mas, existe aqui a questão da aveia. A aveia também é um cereal que, de uma forma geral, não tem glúten. Mas não podemos esquecer também que os cereais, quando nós os compramos no pacote, muitas vezes são manipulados no local onde são processados ou preparados em recipientes, em tapetes de uma instituição, de uma fábrica, onde passam outros tipos de cereais, ficam contaminados.
É suficiente por pequenino que seja suficiente? Não é assim tão pequenino. Ok. Sabe, é preparado no mesmo sítio, por exemplo, onde é farinha de trigo, vai conter glúten. Mas isso o alimento tem que avisar, não é? Ou seja, em termos de rótulos tem. Que avisar que contém esses vestígios, que pode conter esses vestígios. Exatamente. Normalmente existe sempre nos rótulos se está isente de glúten ou se pode estar com glúten. Sempre. E se é de lei no nosso país existe mesmo um simbolozinho para os doentes celíacos em que pode ingerir aquele alimento. Existe, é importante ver também naqueles alimentos mais processados, que existe ver sempre os ingredientes, porque existem coisas, nós compramos, que levam farinhas de cereais, seja bolachas, biscoitos, pastéis, rissóis, ver sempre os ingredientes, sempre, a lista é detalhada.
Agora, realmente a dieta tem que ser sem glúten para o resto da vida, porque se a pessoa realmente Eu conheço alguns que às vezes fazem isso, quebram um bocadinho a dieta, daí uns dias vai estar a sofrer. E sempre que existe destruição das velocidades intestinais, e se for muito frequente, aumenta o risco de alguns tipos de cancro. por causa dessa destruição. Normalmente são os carcinomas faríngeos, esofágicos, o adenocarcinoma do indestino delgado e um linfoma que se chama linfoma de Hodgkin e outras doenças autoimunas, por causa de realmente ter mais crises. Ou seja, desculpa interromper-te, para essas pessoas é melhor não brincar com esse assunto. Não facilitar, não abrir exceções.
Porque vemos que muitas pessoas é alérgica a determinado medicamento e muitas vezes estamos a tocarmos na mesma. Toma o comprimido, ou seja, para fugirem ao esquema. Mas aqui, exatamente para esse assunto, é melhor não dar, desculpa a expressão, dar a facadinha no problema, na dieta, ser o mais rigoroso possível. É que aqui, Daniel, nem existem medicamentos, porque a pessoa depois vai sofrer uns dias. É realmente não ingerir glúten. Eu aqui sugiro a quem nos esteja a ver e a ouvir, existe um site da Associação Portuguesa de Celíacos, que tem toda a informação sobre isto. Existem três grupos de alimentos, são os três P's para os doentes celíacos, os permitidos, os proibidos e os perigosos.
Os que são realmente permitidos são naturalmente todos os que não têm glúten, que são normalmente os hortícolas, os vegetais em geral, os frutos, os laticínios, as carnes, o peixe, leguminosas, gorduras em geral. Nos cereais e derivados, tubérculos, apesar de conter realmente alguns proibidos, existem algumas alternativas naturais isentas de glúten, mesmo até das farinhas e dos amidos, como por exemplo os chamados pseudo-cereais, que agora são mais comuns no nosso país, o milho, a quinoa, o arroz, a tapioca, o trigo sarraceno, são outros tipos de alimentos que existem como alternativa. Isto dos primitivos, dos proibidos, é tudo que tem glúten na sua composição.
e que devem ser substituídos pelos equivalentes. E digo substituídos porque é muito importante num doente celíaco ter uma alimentação variada para não lhe faltar nenhum nutriente. Não é deixar de ingerir todos os cereais e não. E pronto, os cereais também são importantes. Os que são perigosos. Portanto, os 3Ps temos os permitidos, os proibidos e os perigosos. Os perigosos são aqueles processados em que na sua composição tem muitas coisas e nós temos de estar a ler o rótulo a ver se tem alguma coisa realmente com glúten. Ver sempre a composição. Importante aqui que eu queria salientar que a aveia. Surge muito esta dúvida nos celíacos. Então, a aveia em si é um cereal sem glúten. Mas eu posso ingerir aveia ou não? Primeiro, os celíacos podem ingerir aveia se ela for certificada para doentes celíacos.
Tem a ver com a sua preparação, antes de pôr no pacote, a forma que ela esteja isenta sem glúten. Estudos têm demonstrado que a aveia também, em 95% dos celíacos, ela não é Problema. Mas em 5% eles também têm tolerância à aveia mesmo para doentes celíacos. Coitados. Porquê? Porque diz que existe uma proteína da aveia, que é avenina, que pode desencadear uma resposta imunológica semelhante ao glúten estes 5% dos doentes celíacos. Como tal, é importante após a confirmação do diagnóstico de que tem doença celíaca, a adoção da dieta isenta e glúten, mas que a aveia não seja incluída neste 5%.
Naqueles que notam que mesmo ingerindo a aveia têm realmente sinais ou sintomas. E mesmo assim, claro que aqueles que podem ingerir a aveia, mais uma vez salientamos, deve ser aveia certificada isenta de glúten.
Depois tem aqui uma outra questão. Não sei se é isso que ias perguntar. Eu já venho preparada porque é a questão que muitas vezes perguntam. Por causa de medicamentos, não é? Ah, pois. Até porque é moda. Nós agora vemos, enfim, medicamentos zero glúten. Glúten zero. E cosméticos também sem glúten. É como disse, vemos em publicidade. Sim, sim, sim. São estes ingredientes realmente um perigo para os que têm doença celíaca? Na preparação dos medicamentos na Europa em geral e também na Europa, então em Portugal, existem regras, normalmente, que existem agências que vigiam, regulamentam este tipo de preparação dos medicamentos. Na Europa, os medicamentos são seguros para os celíacos.
Porquê? Mesmo que tenham um bocadinho de proteínas dos cereais, portanto o glúten, é numa quantidade, o teor máximo que a lei permite é de 0,3%, 3 partes por milhão, o que se correlaciona com um teor de glúten inferior a 100 partes por milhão, em termos daquilo que eles podem ingerir. Ou seja, não vai desencadear nenhuma resposta. Ou seja, qualquer medicamento produzido, pelo menos na Europa, não tem problema nenhum com doentes celíacos. Medicamentos, ok? Ias perguntar alguma coisa? Não, ia dizer que temos três grupos, não é? Para os doentes líquidos não há problema, mas para os alérgicos e para os intolerantes pode haver problema? Não, porque para os intolerantes não, porque ainda é quantidade ínfima. Para os alérgicos é alérgicos ao trigo, é diferente.
É diferente, a alergia ao trigo é diferente. Ou seja, a quantidade máxima de glúten que é permitida nos medicamentos não vai desencadear uma crise de intestino, é inofensiva para o doente celíaco. Qualquer tipo, não precisa de ser zero glúten. Qualquer medicamento. Exatamente. Em relação à cosmética. A cosmética, normalmente os produtos entram em contato connosco na pele. Aquilo que entre em contato conosco na pele não vai interferir com a camada interna do intestino, com as velocidades intestinais. Portanto, mesmo que tenha glúten, um produto de cosmética ou de higiene, não tem problema nenhum com a doença celíaca. tem a ver com a fisiologia da doença em si.
Podemos pensar, mas aquilo que é colocado, por exemplo, nos lábios, que podemos engolir um bocadinho. A quantidade é ínfima, normalmente também não tem problema nenhum para doentes celíacos, mesmo os cosméticos ou pasta de dentes, tudo o que é utilizado na parte oral. Então, sobretudo, enfim, para aquelas pessoas que ouviram o programa que tu mencionaste logo desde o início, que possam estar a ter noção e a reconhecer alguns dos sintomas que tu disseste e também porque deixaste um alerta quando temos uma doença que é subdiagnosticada, podemos ter gente agora a ouvir, pessoas a dizer assim, espera lá, eu devo procurar ajuda. Mesmo com o teu alerta de que não é por ter os sintomas que tem a doença, o teu conselho é, na dúvida, ir ao médico.
Sim. Como já vimos, contar o que é que perturba, o médico irá colocar algumas questões, é habitual, fazer o chamado da história clínica e depois, se achar necessário, pertinente, pede umas análises ao sangue para excluir esse diagnóstico ou não. Porque há algumas pessoas que tendem a dizer, vamos lá ver se é do glúten ou não. E estão duas, três, quatro refeições sem comer glúten. Mas o problema mantém-se. Esquece-se que o problema já demorou algum tempo a instalar-se e também não vai sair de um dia para o outro. Não há como ter receio e ir ao médico-família. Eu tenho tido estes problemas, tenho sentido isto. Até ouvi lá na rádio e vi na televisão o Novo Tempo Estou aqui para pedir uma consulta. Não há que hesitar, não é?
Sim, sim, sim. Não tem problema nenhum. Aliás, normalmente as pessoas têm essas queixas já há muito tempo. Não é de agora, não é de dias nem de meses. Mas podem não associar a este problema, não é? Sim, sim, sim. E normalmente há pessoas que eles próprios fazem o teste. Experimentam estar, por exemplo, uns dias sem glúten. Não vai fazer diferença. Mesmo que tenham a doença, têm que estar meses sem glúten para notar a diferença, porque já realmente o indestino deu tempo de curar e voltar a formar as velozidades intestinais. Por outro lado, para terminar, é uma doença que mesmo estando instalada, estando reconhecida, a pessoa, se cumprir, consegue ter uma qualidade de vida plena e perfeita, com os devidos cuidados, não é? Normal. Claro que sim. Normal. Importante é manter a dieta isenta de glúten para o resto da vida.
Muito bem, Cláudia. Obrigado. Eu acho que, enfim, corremos todos os prantos. Para quem está desse lado, quero dizer-lhe, lembrar-lhe o guia de estudo que temos para lhe oferecer, a máquina humana e quem sabe vai encontrar também aqui dicas, sugestões de receita super saudáveis, isentas de glúten também. e outras para que possa ter um estilo de vida mais saudável. Dizê-lhe também que nesta doença vai encontrar oito remédios naturais para diferentes doenças e sabemos, já temos acompanhado ao longo dos programas, que maior parte das nossas doenças, o flagelo com que vivemos hoje em dia, tem a ver com estilo de vida. Por isso, aqui fica esta oferta. Já sabe, basta apenas enviar uma mensagem a dizer Máquina Humana para 933 939291.
Quanto a nós, fechamos a nossa consulta por hoje, mas ela está sempre disponível em podcast em rado.rss.pt e também através do YouTube da Novo Tempo Portugal. Quanto a nós, marcamos encontro para o próximo programa. Até lá, se Deus quiser.
Neste episódio do programa Médico de Família, abrimos o consultório da Novo Tempo Portugal para esclarecer uma dúvida muito comum, a intolerância ao glúten é a mesma coisa que a doença celíaca?
Com a participação da Dra. Cláudia Neves, explicamos de forma clara e acessível o que distingue a doença celíaca da sensibilidade ao glúten e da alergia ao trigo, quais os sintomas mais frequentes em crianças e adultos, os grupos de risco, a prevalência em Portugal e como é feito o diagnóstico.
Ao longo do programa, falamos ainda sobre a importância da dieta sem glúten, os cuidados a ter com alimentos processados, rótulos, aveia, medicamentos e cosméticos, bem como os riscos de não cumprir corretamente o tratamento.
Um episódio essencial para quem sente desconforto intestinal frequente, tem sintomas persistentes ou quer compreender melhor esta doença crónica e muitas vezes subdiagnosticada.