Enfarte e risco cardiovascular

Enfarte e risco cardiovascular

24 de Junho de 202626 min 45 s

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Volvido a mais uma semana, aqui está mais um médico de família. É um prazer enorme estar na sua companhia, aqui no consultório da Novo Tempo. Hoje vamos ter novamente a doutora Diana Lascas connosco. Diana, mais uma vez, bem-vinda. Olá, muito gosto de estar aqui. Num programa anterior tu falaste sobre AVC e do flagelo que era, em termos de saúde pública, hoje traz-nos outro assunto muito similar e que faz parte desse grande grupo, que é o infarte e o risco cardiovascular, que está precisamente dentro desse flagelo, nas principais causas de morte em Portugal. Conhecemos um pouquinho, não é? De uma forma ligeira, como a dor de um peito. Começa tudo por aí. Conta-nos um pouquinho, então, porque decidiste falar sobre este assunto. Eu acho que a pessoa, quando sente uma dor no peito, sente que está a morrer.

Eu acho que é logo associado e a maior parte das pessoas que nós vemos que têm aquela dor mesmo típica, intensa, dizem logo, era uma dor que eu achei que ia morrer. E realmente é algo que nos assusta, não é? Porque nós sabemos que o coração é que é aqui o motor que bombeia o sangue para todo o lado e como nós sabemos, o sangue transporta tudo o que é necessário para o nosso corpo estar a viver, oxigénios, nutrientes. Portanto, se o coração para, nós sabemos que morremos. Isso ninguém consegue fazer o contrário. Portanto, quando as pessoas sentem essa dor, entram logo muitas vezes em stress, em pânico, mas a boa notícia é que há formas de nós percebermos realmente se é um infarto ou não e na dúvida assumir sempre como ser um infarto, procurar ajuda para se conseguir fazer os tratamentos adequados.

Mas antes de tentarmos perceber esses sinais e sintomas, isso realmente será.

Causas e obstrucao

Se não é, vamos olhar então para o problema em si, porque continua a ser um problema, um problema de saúde pública. Muita gente morre precisamente porque não tem uma avaliação urgente e por isso eu começo por perguntar quais são as causas mais graves que podem estar precisamente por trás do enfarte. O infarto é causado por uma obstrução nos vasos, tal como acontece também no AVC isquémico, aqui é parecido porque a causa é a mesma que a falta de sangue e portanto o coração entra em sofrimento. Mas o que leva a essa obstrução é que às vezes pode ser um bocadinho diferente ou como pode ser idêntico.

ter a dor no peito às vezes também não quer dizer que seja só um infarto, não é? Portanto, temos que pensar que é uma zona que tem muitos órgãos. O nosso peito tem o coração, tem os pulmões, tem o esófago, tem músculos. Portanto, a dor pode vir de muitos lados. E depois nós vamos ver que dependendo do tipo de dor a nós que somos formados e que recebemos esse conhecimento, conseguimos perceber se é mais provável que seja do coração ou que seja de outra causa. Agora, como dizia e ia explicar, o coração ele também é irrigado, ou seja, ele também tem vasos muito pequenininhos que passam pelo músculo do coração e que vão levando esse oxigênio e esses nutrientes para ele estar ali a bombear.

Portanto, quando uma dessas artérias fininha que é, fica bloqueada, o sangue deixa de passar para uma parte e é o infarto, ou seja, é uma isquemia que leva a infarto necrose daquele tecido, porque os tecidos do nosso corpo em poucos minutos que não tenham oxigênio, eles entram em morte e começam-se a degradar. Portanto, há a mesma necrose dos tecidos, que significa que os tecidos começam-se a degradar. Portanto, esse sofrimento é que vai ser perceptível por nós como a dor dessas células que estão em sofrimento e a morrer. sendo que enquanto no AVC, independentemente do local, é sempre um AVC, ou seja, depois manifesta-se de forma diferente, de lado direito, de lado esquerdo, enfim, mas no caso do enfarte é diferente, não é?

Porque pode ser uma embolia pulmonar, ou seja, também onde ela acontece acaba por depois ter quadros de tratamento totalmente diferentes. Precisamente porque o coração é irrigado por alguns troncos comuns que depois vão formando vasos mais pequeninos. E, portanto, nós podemos ter o que nós chamamos um infarto da parede inferior, um infarto da parede posterior, um infarto da parede lateral e isso vai mentizar outras dores e outros sinais e sintomas dos órgãos que estão ali à volta. Por exemplo, um infarto da parede inferior que é mais na ponta do coração, na parte mais por baixo do coração, vai dar aquela dor.

Às vezes pode dar aquela dor que as pessoas até podem confundir com azia, aquela dor na boca do estômago, como se costuma dizer. E as pessoas às vezes podem relativizar porque pensam que é só uma dor na boca do estômago porque eu comi muito ou porque comi alguma coisa estragada e afinal pode ser um infarto. Eu não estou a dizer que toda e qualquer dor nos leva a pensar que estamos a ter um infarto. Mas, isto para dizer que existem sinais e sintomas que se podem confundir porque, como dizia, depende da zona. Pode mimetizar até mesmo a embolia pulmonar, como dizia, uma pneumonia extensa, se for mais à esquerda, como está ali o pulmão.

perto do coração pode confundir aqui as coisas. E muitas vezes o que acontece até é muscular. Sim. A grande parte das vezes que acontece daquela dor mais aguda e momentânea, muitas vezes até é muscular. Sim, sim, também pode ser. O sinal de alerta deve cá estar, não é? A preocupação é o sistema defensivo. Então vamos falar das causas mais frequentes. O que é que normalmente... Porque há algumas que até não são problemáticas, não é? Sim. A causa mais importante realmente era, como dizia, é quando uma artéria fica obstruída. Uma grande artéria fica obstruída. Se for as mais pequeninas, não é tão preocupante e às vezes a pessoa até pode ter um infarto, pode ter a dor e fazemos o tratamento, mas não é preciso um tratamento tão invasivo.

Quando são causas que causam um infarto mais extenso, geralmente vem de um processo que nós chamamos de aterosclerose. Aterosclerose não é mais do que placas de gordura que se vão formando à volta dos vasos, se nós pensarmos até como, por exemplo, os canos da cozinha. As atérias também são redondinhas como os canos da cozinha. E a gente vai comendo e temos o colesterol alto, e aquele colesterol alto, o colesterol não é mais a gordura, aquela gordura enchece no sangue, vai-se depositando também nas paredes dos vasos. E depois o que é que acontece? está algo ali de estranho, o coração, o corpo sabe que está alguma coisa ali estranha e começa a atacar e cria-se uma inflamação à volta daquelas placas de gordura.

Portanto, aqueles ateromas aterosclerosos não é mais do que gordura que também às vezes pode ter pequenas partículas de cálcio e as células inflamatórias que estão ali a tentar desfazer aquilo, mas que não conseguem. Portanto, aqui fica tudo um clonglomerado. E isso pode acontecer ao longo de vários anos, de forma muito lenta e silenciosa. Sim. Claro, por isso é que o colesterol, ninguém sente nada com o colesterol. Às vezes está lá nos altos e a gente até se assusta quando vê as análises, mas a pessoa, ah, não sinto nada, sinto-me perfeitamente bem. Pois claro, mas é que ele não causa dor. Portanto, o que vai causar dor é quando essa placa se descolar do vaso e o próprio vaso que também é irrigado, ele próprio também é irrigado, portanto, quando o vaso, quando a placa se descola do vaso, vai sangrar.

A própria parede do vaso também vai sangrar e cria-se ali um coágulo e aquilo vai crescendo até o momento em que tapa. Tapou, não passa sangue para o lado lá, tudo que está do lado lá vai entrar em sofrimento. A placa se solta vai entupir mais à frente? Também vai entupir mais à frente. Claro que isto pode acontecer em qualquer zona do corpo, mas o coração é um órgão tão importante que cada célula conta. E cada célula que estiver em sofrimento ou a morrer, o corpo vai dar sinal. porque todas elas são importantes e não é um órgão assim tão grande. Portanto, nós precisamos dele a 100% e qualquer pequenina zona que fique afetada, o coração vai logo dar sinal.

A verdade é que eu imagino que quem nos está a ouvir hoje, como também imagino que tenha acontecido quando fizemos o programa do AVC, já temos pessoas neste momento que estão a sentir uma dor e já estão a ficar preocupadas. Ou seja, a questão da dor do peito tem muito que se lhe diga. E às vezes ela é tão comum, ou seja, aqui e lá nós vamos sentindo a dor no peito que acabamos depois, quando ela surge, nós já pensarmos, ok, é como daquelas muitas vezes que tive, foi esta dor aqui, mas ela já passa. Tudo isto é muito complexo e por isso é que, antes de voltarmos a este assunto, o visitar o médico-família de uma forma regular também ajuda, porque há determinados exames que nós fazemos exatamente para nos ajudar a prever, antes da dor vir, não é?

Antes dos problemas surgirem, como é que está o nosso organismo. É muito difícil. Como é que é a tua prática em termos de consultório? Do senso que as pessoas estão cada vez mais alertas para ver, por exemplo, um simples teste de colesterol, como vimos, que pode ser tão importante pelo assunto que estamos a falar hoje. Eu acho que sim, eu quero acreditar que sim. As pessoas estão a pouco e pouco a ficar cada vez mais informadas e procuram os serviços de saúde para tentar fazer análise, fazer exames, mas acima de tudo eu diria que é extremamente importante ter um médico de família e ir regularmente ao seu médico de família porque ele vai passar a conhecer a pessoa mais profundamente e ele vai alertando a pessoa dos fatores de risco, do que é que pode melhorar, o que é que nas análises ainda podemos otimizar.

E a própria pessoa também, ao ir, ao fazer estas visitas ao seu médico, pode também ganhar mais conhecimento e ir percebendo... Analisar o seu próprio risco, não é? Analisar o risco e perceber, efetivamente, quais são os sinais e sintomas de preocupar ou não. Porque se tiver aquela confiança e aquela vontade de ir ao médico de família quando acontece alguma coisa, vai perceber o que é mais grave e o que não é. Mas imagina, uma pessoa com estrolaldo. que fuma, exagera no sal, muito sedentária, ou seja, o médico vai dizer, tem aqui um sinal de suporte muito grande. Claro, o médico vai logo avisar e a pessoa já vai estar alerta que se tiver determinada dor, falando aqui do infarto, se tiver determinada dor com aquelas características, se tiver aqueles sintomas, é para se dirigir a um hospital.

Portanto, ou chamar a emergência. Portanto, se a pessoa não tiver estes alertas específicos para a sua situação, e isto só se consegue em consultório, vai andar mais despreocupada. E quando tiver uma dor, que até pode ser grave, mas a pessoa suporta bem, vai relativizar, não é? E quando se tiver fatores de risco e o médico avisar, olha que você é aqui uma bomba relógio, a pessoa já vai estar mais alerta, não é? Muito bem, e é mesmo já a seguir um pequenino intervalo que lhe vamos trazer precisamente os sinais e sintomas. Este alerta não serve só para quem tem este desvio comportamental em estilo de vida, serve para todos nós. É mesmo já já a seguir, são apenas dois minutinhos.

Sinais e sintomas

Até já. TV Novo Tempo, o canal da saúde, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte, como prometido vamos falar dos sinais e sintomas do enfarte, mas antes tenho uma oferta muito especial para si, este guia de estudo que nos ajuda a compreender quem somos e de onde viemos, a origem de tudo. Este guia de estudo é preparado pelo Thiago, também jornalista, e Selson Borges, ele que também é pós-graduado em Biologia Molecular, é também vice-presidente da Sociedade Crecionista Brasileira, e autor de vários livros, e o melhor de tudo é que este guia de estudo é totalmente gratuito.

Tem também a possibilidade de depois ir preenchendo, à medida que for lendo, uns determinados questionários, e no final, depois de completar, é-lhe oferecido um certificado, precisamente por ter completado este guia de estudo à origem de tudo. E é totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem para o 933 939291, e depois nós mesmos entraremos em contacto consigo para lhe enviar gratuitamente para a sua casa. Estamos a falar de enfarte e agora vamos à parte que certamente nos vai acender aqui algumas luzinhas, que é sintomas. Quais são os principais sinais e sintomas do enfarte? O mais conhecido é a dor no peito.

E pode ser aquela dor forte, que a pessoa até se assusta, como dizia no início, até parece que vai morrer, mas nem sempre é essa dor assim tão intensa. Às vezes é uma dor mais em aperto, em pressão. A maior parte das pessoas descrevem que não é assim, aquela dor enfacada, forte, Mas o que é que mais continua? Sim, e aquilo aperto que vai apertando ali no peito. E a maior parte das vezes, mas claro, isto na medicina nem sempre nem nunca, mas a maior parte das vezes essa dor vai para algum lado. O que nós chamamos de que tem irradiação. Irradia para o braço, aqui mais para a parte da cara, para a mandíbula, ou até mesmo para os dois braços, para a zona do pescoço.

Portanto, é uma dor que não fica só aqui no peito. que parece que alastra, que vai para os outros lados. Às vezes para trás, para as costas, que é aquele infarto mais da parede posterior, tem mais tendência a irradiar para as costas. Mas também nem sempre. Às vezes pode ser só a dor no peito, mas que depois até começa a dar falta de ar, ou a pessoa até fica mal disposta, que é uma dor tão intensa que a pessoa fica mal disposta, transpira, apetece-lhe vomitar. Portanto, há todo um conjunto de sintomas que podem acompanhar esta dor no peito quando é uma dor de infarto, sendo que algumas pessoas também podem ter sinais um bocadinho diferentes.

Podem até desmaiar, podem ter só aquela sensação de cansaço, aquele obeso. mais nos idosos, nas pessoas diabéticas, que já têm diabetes há alguns anos, e que têm a perceção da dor de forma um bocadinho diferente. Enquanto que para uns é uma dor de morrer, para outros é só assim, um bocadinho mal disposta, cansada, e têm mais à volta daquela sensação de fraqueza do que propriamente de dor. Mas ó Diana, a verdade é que isso são sintomas que podem ser tudo e nada, como tu disseste. O que é que me deve, quais são aqueles sintomas ou o que é que me deve ligar para o sentidos? Ou seja, aquilo que não devo negligenciar. Eu costumo dizer, e perdoem-me os colegas das urgências que se calhar acham que há muita gente a ir para as urgências, mas eu prefiro dizer às pessoas que estamos na dúvida, é melhor ir.

Pelo menos ligar para o 112 e ter uma primeira avaliação. Se está na dúvida é melhor sempre assumir que é um infarto e não ser, do que nós desvalorizarmos e afinal era um infarto. Mas, é claro que é mais de alerta e aponta-nos mais para ser mesmo um infarto se é essa dor que não passa, já estou há 10, 15, 20 minutos e esta dor não passa, está sempre igual ou às vezes até um bocadinho mais intensa, ou seja, não tive nenhum período em que a dor diminuísse. Está ali aquela dor sempre na mesma intensidade, pelo menos há 10, 15, 20 minutos. É uma dor que, como dizia, vai para o braço, para a zona do pescoço e da cara.

Isto são dores muito típicas de infarto. E, principalmente também, quando é associado ou a falta de ar, ou a essa sudoreza, ou transpirar, ou sentir-se nauseado, quase vomitar, também é muito associado a um infarto. E, claro, quando a pessoa desmaia, qualquer desmaio, deve a pessoa ser avaliada. Portanto, se desmaiar ou se tiver palpitações muito intensas, que até, na maior parte das vezes acontece na população mais jovem, e vão para as urgências e passam horas e no final não era nada, tudo bem. Mas pelo menos foi avaliado e temos a certeza que não era. Porque essas palpitações associadas a um mal-estar às vezes pode ser também um sinal de infarto.

Muitas vezes as pessoas tendem, enfim, sabemos que também há de tudo, há pessoas que utilizam o 112 por tudo e por nada, há outros que até ocupam linha para brincadeiras, e há pessoas que tendem a não querer incomodar. Mas aquilo que é o protocolo, se mesmo assim, aquilo que está referenciado é, em caso destes sintomas, é ligar.

Via verde e emergencias

Não há que hesitar, não há que ter problemas a incomodar, é ligar e pronto, não é? Sim. Aliás, se eu te perguntasse o que fazer, é isso, não é? Ligar o 112, sempre. Na conversa e no falar mais riqueiramente a gente diz, vá às urgências, mas a ideia não é a pessoa ir pelo seu próprio pé, mais uma vez, a pessoa é chamar a equipa de emergência ou até, vá, diria, só se estivesse relativamente próximo de um hospital e que alguém pudesse levar, pronto, poderíamos considerar, mas nestes casos que a pessoa se sente mesmo mal é ligar o sentidoso. Penso que tu usaste uma expressão no programa que fizemos sobre o AVC, que era que abriu uma linha verde. Aqui acontece exatamente a mesma coisa, a linha é a mesma, ou seja, se ligarmos para o 112, mesmo que nós cheguemos ao hospital, tudo já está mais aberto para nós.

É, chama-se via verde de infarto. Tínhamos a via verde da AVC, temos a via verde de infarto. Portanto, havendo uma suspeita de infarto, a equipa de emergência que vai ter com a pessoa e o próprio serviço de urgência já está preparado e tudo está feito de forma a que não se perca tempo. A pessoa, por exemplo, chega com um mal-estar, que não tem ali mais nenhum sinal ou sintoma que nos faça suspeitar que é um infarte, segue o seu percurso normal. Agora, se há ali outros sinais e sintomas que a equipa médica faz despertar uma suspeita de infarte, mesmo que possam ser aqueles sintomas não tão típicos, é logo ativada a via verde na mesma. E quando não se confirma, Tira-se a pessoa da via verde e a pessoa segue o seu percurso normal.

Muito bem. Riscos. O que é que no nosso comportamento pode trazer riscos cardiovasculares? Os riscos são genericamente iguais para qualquer doença cardiovascular. Portanto, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, alimentação, Todos esses são fatores de risco que aumentam a probabilidade da pessoa ter um infarte. Nós, em consulta e na prática médica, nós temos mesmo cálculos que nos ajudam a ter um número para o risco da pessoa. só para que isto não seja a olho, não é?

Eu dizer assim, ah, esta pessoa... porque depois a gente tende a comparar, não é? Se eu já vi uma pessoa com uma tensão arterial nos 200, no 20, como as pessoas estão mais habituadas, se eu vir uma pessoa com 18, já não acho tão grave, mas é grave na mesma, não é? Portanto, houve a necessidade de se criar uma ferramenta para que conseguíssemos estratificar o risco das pessoas. Uma espécie de, para as mães que conhecem esta palavra, uma espécie de percentil. Precisamente. Assim já sabe do que é que estamos a falar. Precisamente. É uma escala onde se colocam lá vários fatores como o sexo, a idade, o valor da tensão arterial, os valores do colesterol, diabetes, há quanto tempo é diabético, a função renal e aquilo nós colocamos numa calculadora digital no computador e aquilo dá-nos um valor.

E a pessoa tem um risco ligeiro, moderado, alto ou muito alto. E conforme o risco da pessoa, vai haver logo algum tipo de atuação. Se a pessoa estiver num risco ligeiro, vamos recomendar alterações de estilo de vida. Alimente-se melhor, faça mais exercício, deixe de fumar, deixe de beber. Mas, uma pessoa que está num risco alto ou muito alto, é isso, se calhar já vai precisar de intervenção farmacológica, vai precisar de tomar medicamentos. É como numa corrida, como numa prova, só que aqui o score, quanto mais pontos tem, pior é. Pior é, exatamente.

Prevencao e estilo de vida

Neste caso, pior. Vamos falar então de prevenção, que temos ainda alguns minutinhos, essa é a parte mais importante. Porque é daquelas doenças que estão muito associadas a um estilo de vida. E, portanto, quanto melhor for o nosso estilo de vida, quanto mais prevenirmos, mais longe deles estamos, não é? Precisamente. A prevenção neste tipo de doenças, mais uma vez isto é igual para todas as doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares, o AVC, infartos, insuficiências cardíacas, a prevenção passa por minimizar os fatores de risco. Portanto, ter uma alimentação equilibrada e variada. Nós estamos em Portugal, temos uma alimentação mediterrânea que é excelente, evitar aquilo que nós já sabemos que é pior na alimentação, também vinda da alimentação mediterrânea, mas tentar evitar.

de fazer exercício físico, respirar ar fresco, dormir bem. Se nós tivermos um estilo de vida saudável, que também já vamos conhecendo, vamos ter informação sobre isso, com certeza vamos ter os outros fatores de risco também controlados. a hipertensão, a diabetes, o colesterol, esses três que fazem parte de um grande síndrome metabólico, conseguem ser muitas das vezes, principalmente numa fase inicial, ser controlados com alterações de estilo de vida e deixar de fumar, deixar de beber. o tabagismo e o consumo de álcool aumentam em muito o risco cardiovascular e creio que não há cardiologista ou qualquer outro especialista da área da medicina que diga que fumar faz bem e pode continuar a fumar, que isso não muda nada.

O fumar tem um impacto muito letério na saúde e é extremamente importante. Muitas pessoas não têm noção, mas um ou dois cigarros por dia é o suficiente para aumentarem muito o risco, não é? Claro, aumenta. Qualquer quantidade é de letério e aumenta o risco. Um outro assunto que nós sabemos, mas por esse querece vigilância, é a questão do colesterol. Vigiar o colesterol é meio caminho andado para prevenir essas comestas. Sim, especificamente esta do infarto. Nós vimos que está muito relacionado o colesterol com a probabilidade de ter um infarto e realmente mesmo a comunidade científica tem vindo a baixar cada vez mais o limiar do colesterol aceitável.

E isto porque nós sabemos que tem realmente muita importância. Diana, mais uma vez, muito obrigado. Quem sabe... Adeus. Obrigado pela tua disponibilidade. Marcamos o encontro numa próxima oportunidade. Para si que está a desse lado, estamos mesmo a fechar o nosso programa, apenas lembrar a oferta que hoje temos para si, a origem de tudo, de onde viemos, compreender quem somos e de onde viemos, ajuda-nos a saber, então, como estamos e para onde vamos. É totalmente gratuito, basta enviar-nos uma mensagem a dizer a origem de tudo para 933-939291. O nosso programa hoje chega ao fim, mas quer este programa, quer todos os outros, estão disponíveis em podcast em RadioRCS.pt e também no YouTube da Novo Tempo Portugal. Quem sabe não pode ser desse lado a próxima sugestão para um próximo programa.

Envie-nos também para o mesmo número de telefone e nós teremos todo o gosto em trazer esse assunto aqui ao seu médico de família. Foi um prazer estar na sua companhia. Até ao próximo programa, se Deus quiser.

Sobre este episódio

Uma dor no peito deve ser sempre ignorada? Neste episódio de O Seu Médico de Família, a Dra. Diana Lascas explica o que é um enfarte, quais os sinais que podem indicar uma situação urgente e como agir rapidamente.

Dor ou aperto no peito, falta de ar, suor intenso, náuseas, mal-estar, dor que irradia para o braço, pescoço, mandíbula ou costas: saiba reconhecer os sintomas que não devem ser desvalorizados. Falamos também sobre a Via Verde do Enfarte, a importância de ligar 112 perante suspeita e os principais fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e alimentação desequilibrada.

A prevenção começa nas escolhas diárias. Descubra como o acompanhamento regular pelo médico de família, uma alimentação equilibrada, exercício físico e o controlo do colesterol e da tensão arterial podem ajudar a proteger o coração.

⚠️ Perante dor no peito persistente ou sintomas compatíveis com enfarte, ligue 112. Não espere que passe.

Série
Médico de Família · 72 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 60
Estreou
24 de Junho de 2026
Categoria
Saúde
Convidados
Diana Lascas