Olá, aqui estamos de regresso, tal como prometemos na semana passada, para dar início a mais um episódio do Fórum Bíblico. Se for o caso de nos estar a ver ou ouvir pela primeira vez, então fique a saber que este programa, com o nome Fórum Bíblico, é um programa de perguntas e respostas sobre a Bíblia. Em cada edição semanal, procuramos responder às perguntas sobre a Bíblia e ajudar a esclarecer dúvidas ou dificuldades que quem me está a ver possa ter na leitura, no estudo, e na compreensão do texto bíblico. No programa de hoje, vamos debruçar-nos sobre, eu diria, uma das questões mais debatidas da história do Cristianismo, que se prende com a relação entre a autoridade da Bíblia e o papel da Igreja em matéria de fé. Para nos conduzir na análise deste assunto e nas respostas que serão dadas às perguntas que hoje vamos partilhar consigo, contamos, como sempre, com a presença do Teólogo Arturo Machado.
Olá, Arthur. Muito obrigado por estar entre nós uma vez mais. E vamos então conhecer a primeira pergunta sobre o assunto que eu já acabei por lançar. E a pergunta é a seguinte.
Diz o seguinte. Ouço frequentemente falar do princípio Sola Scritura, mas gostaria de perguntar, não é a Igreja quem decide afinal quais os livros que pertencem à Bíblia? Se sim, então a autoridade da Igreja não precede a Bíblia, invalidando assim o princípio Sola Scritura? Ora, aqui temos uma boa pergunta que realmente divide o cristianismo, ainda hoje, nos dois famosos grandes grupos, os católicos de um lado, os protestantes do outro lado. Esta expressão só da Escritura é uma expressão latina que, na realidade, significa somente a Bíblia, ou somente a Escritura, ou apenas a Escritura. E ela mostra que a Bíblia é suficiente e é a única regra de fé, ou seja, de fonte doutrinária para o crente.
Portanto, quando falamos do princípio de só a escritura, é isso que estamos a dizer, não é? É isso que estamos a dizer, ou seja, significa que em termos de salvação, e em termos de orientação para uma conduta ética e moral, a Bíblia é suficiente. É regra de fé, a única regra de fé que o crente necessita. Foi Martinho Lutero quem enunciou este princípio em 1512, na dieta de Worms, quando ele disse perante o imperador e perante os representantes da igreja que estavam, portanto, a apreciar aquilo que ele tinha escrito e aquilo que eram as suas ideias, ele disse, a menos que alguém me consiga provar pela Bíblia e somente pela Bíblia que eu estou errado, eu permanecerei onde eu tenho, portanto, ficado.
E, na sua essência, este princípio, o solo à escritura, na verdade, ele faz duas afirmações sobre o papel único da escritura. Em primeiro lugar, ele diz que elas são a única fonte normativa e infalível da revelação divina. Há muitos escritos de pais da igreja, há muitos outros escritos de vários teólogos ao longo dos séculos que são úteis. não podemos deitar fora tudo isso, eles ajudam-nos a perceber como é que a igreja foi evoluindo ao longo do tempo e os escritos de vários teólogos e os diferentes comentários bíblicos ajudam-nos à compreender também contextos históricos, contextos sociais, contextos filológicos e, portanto, nós precisamos realmente disso, mas é a Bíblia na qual acreditamos que Deus se revela e contém, digamos, aquilo que é a essência, o fundamento da fé cristã.
É inegável que Deus se revele através de outras fontes. Nós não o negamos. Deus revela-se através da natureza. Eu posso ver a ordem, posso ver a beleza do universo e posso concluir que isto não apareceu por si só. Posso concluir que há um ser inteligente que criou realmente tudo isto. Mas a natureza não me fornece elementos morais e éticos através dos quais eu possa viver. A natureza não me diz que existe uma salvação. É só a Bíblia que o informa. E, portanto, todo o conhecimento que eu obtenho através da natureza, através também da história, através da minha consciência, tem que ser medido Tem que ser apreciado, tem que ser julgado por aquilo que é o conteúdo das escrituras.
Eu posso, por mim próprio, chegar a conclusões erradas sobre aquilo que eu observo. mas, através da Bíblia, essas conclusões são afinadas, são dirigidas, são orientadas. Em segundo lugar, o que este princípio estabelece é que qualquer interpretação teológica tem que estar alinhada com o princípio bíblico. não pode haver uma interpretação teológica que se oponha àquilo que a Bíblia vai dizer. Ou seja, a Bíblia é o padrão que vai definir todos os outros padrões. Credos, confissões, tradição, razão humana, todos têm que estar alinhados, portanto, com a Bíblia.
E logo, colados a este princípio do solo da escritura, nós podemos dizer que há outros três princípios que acompanham este e pelos quais nós nos rejemos.
O primeiro princípio que acompanha ou que decorre deste princípio da solo da escritura é o tóta scriptura, ou seja, a totalidade da Bíblia, E este princípio mostra que a Bíblia, no seu todo, ela funciona realmente como regra de fé. O apóstolo São Paulo dizia na segunda carta a Timóteo, no capítulo 3 e no versículo 16, toda a escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para rederguir, para corrigir, para instruir a injustiça. E, portanto, nós acreditamos que toda a Bíblia não apenas uma parte dela, toda a Bíblia é inspirada. E os autores dos Evangelhos mostraram justamente isso ao escrever que, por exemplo, Jesus, em determinada circunstância da sua vida ou do seu ministério, cumpriu aquilo que os profetas já tinham anunciado acerca dele.
Várias vezes citou. Várias vezes citou. E, portanto, mesmo o apóstolo Paulo, quando ele argumenta na Epístola aos Romanos o tema da justificação pela fé, ou na Epístola aos Gálatas, ou em qualquer outro lugar, o apóstolo Paulo vai sempre citar a Bíblia que ele tinha no seu tempo. que era o Antigo Testamento. E, por exemplo, mesmo na Primeira Epístola a Timóteo, no capítulo 5 e no versículo 18, o apóstolo vai estar a defender, uma vez mais, o apostolado cristão, ele vai dizer, diz a Escritura, não ligarás a boca ao boi que debulha, e digno é o obreiro do seu salário. E, portanto, Paulo juntou aqui duas declarações, uma do Antigo Testamento, que nós encontramos em Deuteronómio, capítulo 25, versículo 4, uma de Lucas.
em Lucas 10, versículo 7. E de Lucas porquê? Lucas era um grande amigo de Paulo. Alguém que muitas vezes acompanhou o apóstolo Paulo. E nós sabemos que Lucas escreveu o seu Evangelho a partir da sua própria investigação. E, portanto, Paulo estaria ao corrente daquilo que Lucas tinha escrito. Logo, nós acreditamos que este princípio de Só na Escritura, apenas a Bíblia é a minha regra de fé e implica toda a Escritura. Eu não posso dizer que o livro de Provérbios não faz parte ou que o capítulo 20 do livro do Ezo já não faz parte da ética cristã, por exemplo. Eu não posso colocar de parte qualquer versículo da Bíblia.
Eu acredito que todos eles foram inspirados por Deus. Nesse sentido, todos eles têm um propósito, todos eles fazem parte deste conjunto de que a Bíblia é a única regra de fé. Um segundo princípio que decora também da base dessa aula de Escritura é o Analogia Scriptura, ou seja, a analogia das Escrituras. E este princípio estabelece o seguinte, uma vez que toda a Bíblia é inspirada pelo Espírito Santo e que toda a Bíblia é a Palavra de Deus, há uma unidade e há uma harmonia fundamentais nas suas diferentes partes. Ou seja, eu nunca posso utilizar a Bíblia para contrapor a própria Bíblia, porque senão isso significava que a Bíblia era contraditória.
E, portanto, o princípio da analogia das escrituras significa que, quando eu leio uma passagem da Bíblia, eu devo procurar perceber o que é que ela, no seu todo, diz acerca desse assunto. E é ela, no seu todo, que me vai esclarecer acerca de determinado tema ou determinado assunto que a própria Bíblia apresenta. Porque, por vezes, nós poderíamos tentar ver que pode haver aqui uma passagem interpretada sozinha. Por isso é que nós estamos sempre a falar do contexto. contexto aproximado, contexto alargado, contexto histórico, porque a Bíblia tem essa unidade fundamental. É o princípio da analogia das escrituras.
E, finalmente, há um terceiro princípio. E esse terceiro princípio diz que as coisas espirituais discernem-se espiritualmente. Quer isto dizer que a Bíblia, ao ser inspirada pelo Espírito Santo, não pode ser submetida única e exclusivamente à razão do ser humano. A razão do ser humano não é suficiente para a interpretação da própria Bíblia. Isto não significa que nós não reconheçamos outras fontes de conhecimento. A história é uma fonte de conhecimento importante, a ciência é uma fonte de conhecimento, mas o que este princípio me enfatiza é que nós devemos relacionar-nos com a Bíblia como sendo a palavra de Deus e procurar de Deus o auxílio para que o mesmo Espírito que inspirou as Escrituras nos ajude na sua própria interpretação e na sua própria compreensão.
Porque o que a Bíblia assinala de uma ponta à outra é que, infelizmente, a razão humana afetada pela condição pecadora do ser humano pode provocar desvios na maneira como eu leio ou na maneira como eu interpreto Daí a necessidade de evitar leituras superficiais para não sermos enviasados. Exatamente. Portanto, se eu tenho uma vida espiritual consequente, a própria Bíblia diz que o Espírito de Deus comunica com o nosso espírito, ou seja, comunica com a nossa inteligência para nos assegurar que nós somos filhos de Deus.
E, portanto, o ser humano, entregue a si mesmo, não iria a lado nenhum. Há quem ataque este princípio da Escola da Escritura a dizer que esta expressão não aparece na Bíblia. É um facto. A Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego, não foi escrita em latim, portanto a sola escritura não aparece. Mas normalmente estas pessoas que dizem isto acreditam na Trindade, mas a palavra também não aparece na Bíblia. Ou seja, nós não precisamos que as palavras apareçam na Bíblia desde que o princípio Esteja subjacente à própria Bíblia. Aliás, o apóstolo Paulo elogiava a igreja de Salónica porque a igreja de Salónica tinha difundido a mensagem cristã às populações vizinhas e o apóstolo Paulo dizia da igreja de Salónica que eles tinham dado atenção a esta mensagem, não como palavra de homens, dizia o apóstolo Paulo, mas como é, na verdade, a palavra de Deus.
E o porquê de não confiarmos apenas na nossa razão? O profeta Jeremias avisava, enganoso é o coração mais do que todas as outras coisas, quem o conhecerá? Ou seja, a nossa mente, ao falar de coração, muitas vezes a Bíblia quer significar a nossa mente. Nós somos muito dúbios, muito escorregadios, E o livro de Provérbios, em 28 e 26, também dizia, o que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda sabiamente escapará. Daí que a razão é importante, mas a razão tem que ser iluminada pelo Espírito Santo, porque foi o Espírito Santo que inspirou a Bíblia e é o Espírito Santo que nos pode conduzir através da Bíblia para conhecermos qual é a vontade de Deus.
Para não correr o risco de querer que a interpretação da Bíblia venha de encontro àquilo que é a nossa realidade ou às nossas pretensões ou àquilo que nós preferimos, não é? É isso mesmo. Muito bem, nós já vamos continuar a aprofundar esta questão e até, em particular, dar resposta à segunda parte desta primeira questão relativamente ao papel da Igreja nisto tudo, mas temos que avançar para o nosso intervalo. Vamos, então, por isso, fazer uma breve pausa e nós voltamos já a seguir com a segunda parte do Fórum Bíblico para continuar a analisar este tema e conhecer a segunda pergunta. Continue connosco.
TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Estamos de regresso ao programa Fórum Bíblico. Hoje estamos a responder a perguntas relacionadas com o princípio Sol à Escritura, ou seja, com a autoridade e o papel das Escrituras na vida e na fé cristã. Tal como referi logo no início deste programa, o principal objetivo do Fórum Bíblico é ajudar a esclarecer as suas dúvidas sobre a Bíblia. Por isso, Eu volto a lembrar que se tem alguma questão que gostaria de ver respondida aqui ou com a ajuda de um dos nossos instrutores bíblicos, pode enviá-la por e-mail para o endereço programas arroba novotempo.pt ou então, de forma muito fácil, através de uma mensagem para o número 933-939291, indicando sempre o nome do programa, que já sabe que é Fórum Bíblico, para que depois as perguntas possam ser encaminhadas para a nossa produção.
Contamos com a participação do teólogo Arturo Machado, sempre aqui, todas as semanas, que, sempre que possível, tentará responder às suas perguntas que forem enviadas para este fórum, para o Fórum Bíblico. Vamos, então, conhecer a segunda pergunta, e que é a seguinte. Apelar à Bíblia para confirmar todas as coisas não corre o risco de se tornar num raciocínio circular? E depois vem uma segunda pergunta que vem buscar um pouquinho aquilo que estava implícito na primeira e colocámos neste programa. Se no final foi a Igreja quem decidiu que livros pertenciam ao cánon, não tem ela autoridade sobre a Bíblia? É uma questão que ainda está em aberto e que vai certamente aguardarmos. Vamos à primeira, o raciocínios circular. Vamos imaginar que nós acabámos de nos conhecer e eu apresentei-me.
Eu sou o Artur. E o Marco vai ter com um amigo e diz-me, olha, acabei de conhecer o Artur, uma pessoa assim assim. E o amigo diz-lhe, como é que tu sabes que ele se chama Artur? Porque ele me disse, ah, isso é um raciocínio circular. Não sei se o Marco está a perceber onde é que eu estou a querer chegar. Ou seja, a Bíblia O Marco não me poderia dizer que há um raciocínio circular porque eu disse que me chama Arthur. Alguém pode duvidar que eu me chamo Arthur. Alguém pode dizer, não, este fulano não é o Arthur. Porém, eu chamo-me Artur e sou o Artur. A Bíblia diz de si própria que ela é inspirada por Deus. Essa é uma autorreferência. Nós não podemos acusar este princípio de ser um princípio circular porque há várias passagens da Bíblia que o mostram, que o afirmam.
Quanto ao cánon bíblico, como é que ele apareceu, é uma coisa interessante. Porque o que nós temos que perguntar é se é a Igreja, afinal de contas, ou foi qualquer religião, o judaísmo, quem decidiu que livros poderiam pertencer à Bíblia, ou será que esses livros já tinham dentro de si indicações que demonstravam claramente que eles eram inspirados. Isso faz toda a diferença. E aí temos toda a diferença, exatamente. Uma coisa é eu determinar, outra coisa é eu reconhecer. E quando nós vamos à Bíblia, nós percebemos que a Bíblia traz dentro de si próprio os elementos que são necessários e que demonstram que ela própria já indica, em várias circunstâncias, que ela não é o produto de seres humanos apenas a escrever.
Ela é o produto de seres humanos, sim, que foram inspirados pelo próprio Deus. Um geólogo identifica um diamante. Mas isso não o torna num diamante. Estão a perceber? Ou seja, o que eu reconheço é que aquilo pode ser um diamante. Eu não determino que aquilo é um diamante. Eu reconheço que aquilo é um diamante. É a mesma coisa com a Bíblia, e nós vamos encontrar várias expressões na Bíblia. A Bíblia mostra-nos que, desde o início, havia certos livros que eram considerados determinantes para a história do povo de Deus. Por exemplo, em Deuteronómio, No capítulo 31 é dito que Moisés escreveu todo o seu discurso, o entregou aos filhos de Levi e lhes deu uma ordem.
Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na festa dos tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, tolerás esta lei. Portanto, a lei era o fundamento, era a orientação do povo de Deus. Eles não tinham nenhum livro, eles iam ouvi-la e ela era repetida. O que significa que esta lei de Moisés era indicadora do comportamento do povo de Deus e mesmo após a morte de Moisés, nós percebemos que esses escritos eram normativos. Quando nós chegamos ao período dos profetas, nós verificamos que esses escritos proféticos, apesar do povo de Israel e do povo de Judá muitas vezes perseguirem, atacarem os profetas, eles reconheciam que aqueles escritos vinham do próprio Deus e que denunciavam as atrocidades, denunciavam os pecados que eles iam cometendo.
Aliás, o 2º Livro de Crónicas, enquanto que na nossa Bíblia atual o 2º Livre de Crónicas está ali mais ou menos no meio do Antigo Testamento, na Bíblia Hebraica, é o último livro do Antigo Testamento. É bom que nós às vezes nos lembremos disso. O segundo livro de Crónicas, no capítulo 36 e nos versículos 15 e 16, ao destacar, portanto, a ida do povo de Judá para o cativeiro, antes tinha ido o povo de Israel, o livro de Crónicas diz assim, e o Senhor Deus dos seus pais enviou-lhes a sua palavra, Deus enviou-los a sua palavra, é a palavra de Deus, pelos seus mensageiros. De madrugada, enviando-lhes porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.
Porém zombaram dos mensageiros de Deus, desprezaram as suas palavras, escarneceram dos seus profetas, até que o furor do Senhor subiu tanto contra o seu povo que não houve mais nenhum remédio." Portanto, o próprio último livro da Bíblia diz que Deus enviou-lhes a sua palavra. através dos seus mensageiros, que eram os profetas. Logo, a Bíblia está a dizer que aquilo que ela contém não é a palavra daqueles profetas, é a palavra de Deus. E há outras expressões que mencionam isso. Por exemplo, várias vezes nós encontramos nos escritos proféticos a expressão Beirad Radonai, pela mão de Deus. Ou Beirad Elohim, a palavra que veio pela mão de Deus, que é uma maneira de dizer que era Deus que inspirava.
Ou então, nós temos várias vezes no início de cada escrito profético, e isto repete-se 269 vezes em 28 livros diferentes, a expressão Palavra do Senhor que veio à profeta tal. É a palavra do Senhor. Portanto, aquele livro indica que ele é a palavra do Senhor, ele indica que ele é inspirado. Não foi a igreja que o descobriu, não foram os rabis que o descobriram. Quando Jesus Cristo, depois de ressuscitar aos apóstolos, vai mostrar aos seus discípulos tudo o que se encontrava dele na Torah, nos profetas e nos salmos, está a fazer uma tríplice divisão dos escritos bíblicos que o concílio de Jamnia vai aprovar no ano 90.
Mas nós não estamos no ano 90. Estamos antes. o que significa que os judeus já reconheciam essa divisão tripartida da Bíblia sem haver necessidade de um concílio de Jamnia. Uma outra expressão recorrente no Antigo Testamento é assim diz o Senhor. E, portanto, nós podemos dizer que a canonicidade não é uma autoridade que veio do exterior para conferir a credibilidade à Bíblia. É uma autoridade interna. É algo que a Bíblia, dentro de si, já diz. A própria Bíblia diz-nos quais são os livros que são considerados canónicos. Ela até nos diz mais. Ela diz-nos que houve livros que se perderam.
Ela menciona livros que nós não temos. Perderam-se. Talvez um dia a arqueologia os venha a encontrar. Mas nós não os possuímos. E diz-nos ainda que os apóstolos tinham a consciência de que estavam a escrever a Bíblia. O apóstolo Pedro diz, em 2 Pedro 3, versículos 15 e 16, tendo por salvação a longanimidade do Nosso Senhor, como também o Nosso Amado Irmão Paulo vos escreveu, falando disto como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os idontes e inconstantes torcem, e igualmente as outras escrituras. Pedro coloca os escritos de Paulo em pé de igualdade com as outras escrituras. Os pais da Igreja citam várias vezes os livros da Bíblia e mencionam-nos realmente como os judeus os tinham, mas isso não é o produto de uma canonicidade exterior, é o produto de um reconhecimento de que estes livros internamente nos mostravam que eles eram dignos de credibilidade e da autoridade que lhes era conferida.
Portanto, nós não precisamos que a igreja declare quais são os livros inspirados por Deus. Nós reconhecemos quais são os livros inspirados por Deus. É diferente. A própria Bíblia diz-nos quem é o seu autor. Por isso, o princípio Sola Scriptura é um princípio interno, válido, que nos ajuda a termos segurança e confiança na Palavra de Deus e a fazer a distinção
entre o que é e o que não é inspirado. Muito bem. Muito obrigado, Arturo. E ficamos com essas últimas palavras, que, de facto, a palavra de Deus possa guiar as nossas escolhas e ser, então, o critério no qual devemos avaliar tudo na nossa vida e na nossa fé. Penso que ficou muito claro. O nosso tempo terminou. Eu espero que, aí desse lado, como foi também para mim, esta explicação tenha ajudado a esclarecer esta questão da autoridade das escrituras e do reconhecimento do Cânone Bíblico. E para conhecer melhor as verdades fundamentais da fé cristã, à luz da Bíblia, claro, quero oferecer-lhe neste momento o Guia de Estudo da Bíblia Eu Creio. Já o fizemos em programas anteriores, já o oferecemos, mas se por acaso ainda não tem este estudo, eu quero que fique a saber que é um existente recurso para compreender melhor a Bíblia e a Palavra de Deus e dessa forma desenvolver uma uma experiência de fé mais profunda com ele.
Pode pedir este material sem nenhum custo associado, como já sabe, através de uma mensagem simples que pode enviar para o número 933 93 92 91, mencionando que gostaria de receber o guia de estudo EuCreio. E depois a nossa equipa fará chegar até sim o exemplar igual ao que está aqui connosco em estúdio. Dou, assim, por concluído mais um episódio do Fórum Bíblico. Despeço-me de si, que esteve desse lado a acompanhar-nos atentamente e lembro, uma vez mais, que as suas perguntas merecem uma resposta e, por essa razão, nós ficamos já com o nosso encontro marcado para a próxima semana. Até lá, leia e estuda a Bíblia, deixe que ela e a sua mensagem guie o seu caminho, fique bem e até ao próximo encontro.