Estar Ausente do Corpo

Estar Ausente do Corpo

Novo01 de Outubro de 202626 min 8 s

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Olá, muito obrigado por se juntar ao programa Fórum Bíblico, obrigado por estar uma vez mais connosco em mais uma edição deste programa e já percebeu, já conhece qual é o nosso compromisso aqui, que é o de fazer deste programa um ponto de encontro todas as semanas para esclarecimento de dúvidas e para a reflexão sobre os diversos temas bíblicos que nós encontramos quando lemos e quando lemos a Bíblia. e procuramos, claro, acima de tudo, responder às questões que nos são enviadas por si. Agradecemos a confiança que deposita e que tem depositado em nós e, da nossa parte, queremos continuar a corresponder às suas expectativas e, claro está, a receber as suas perguntas, as quais pode enviar de forma muito simples para o nosso número 933 93 92 91 ou então, se preferir, pode fazê-lo enviando-nos um e-mail para programas arroba novotempo.pt.

Seja qual for o meio de contato que preferir e que utilizar, mencione sempre o nome Programa Fórum Bíblico para que as suas questões sejam encaminhadas corretamente até à produção deste programa. Pois bem, no episódio de hoje vamos analisar uma passagem da segunda epístola aos Coríntios que ao longo da história do Cristianismo tem suscitado diferentes interpretações acerca da condição do ser humano após a morte. É precisamente sobre esse texto que incide a pergunta que hoje vamos partilhar consigo, procurando compreender as palavras do apóstolo Paulo à luz do seu contexto, como sempre fazemos, e também do conjunto de todo o seu ensino. Para nos ajudar a analisar esta passagem em particular e a responder à pergunta que nos foi colocada, está connosco o nosso convidado, o teólogo Arthur Machado.

Olá, Arthur. Olá, Marco. Bem-vindo, muito obrigado por estar entre nós, por ter preparado mais uma resposta. Continuamos a falar dos escritos do Paulo, falamos muitas vezes das suas cartas. Hoje não é exceção e trazemos mais uma passagem que Paulo escreveu. E vamos conhecer qual é, através da pergunta que nos foi colocada, e que é a seguinte. Ao ler a 2ª Epístola aos Coríntios, no capítulo 5, e os versículos 1 a 10, não está Paulo aí a falar de um estado intermediário consciente após a morte? a passagem em questão. Talvez seja bom nós lê-la para percebermos todas as características e toda a fraseologia que Paulo vai utilizar. Ele diz assim, sabemos que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa, não feita por mãos e terra nos céus.

E por isso neste tabernáculo gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial, se todavia formos encontrados vestidos, e não nus. Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo os vemos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, foi o próprio Deus que nos preparou para isto, otorgando-nos o penhor do Espírito. Temos, portanto, bom ânimo, sabendo que enquanto no corpo estamos ausentes do Senhor, visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhes sermos agradáveis, porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.

Esta passagem já foi interpretada de muitas formas. Há quem tenha visto nela uma perspectiva antropológica, numa tentativa de escrever um estado intermédio entre a morte do corpo e a ressurreição do corpo. Nessa condição, as pessoas que interpretam isto desta maneira acham que uma alma imortal continuaria num estado de nudez, independente do corpo, até ser de novo reunida ao corpo glorificado no momento da ressurreição. Ou seja, no momento da morte, a alma sai. Depois, quando Jesus Cristo voltar a esta terra, a alma volta a entrar no corpo glorificado de onde ela tinha saído. Uma outra interpretação, é claro que esta primeira interpretação, devemos dizê-lo, entra em colisão com passagens do próprio Apóstolo Paulo, como 1ª de Coríntios 15 ou 1ª de Solonicenses 4, 13 a 17, onde o Apóstolo Paulo defende claramente uma ressurreição sem qualquer aspecto intermédio entre a morte e essa própria ressurreição.

E por aqui temos uma conclusão já à pergunta. E quase que temos já uma conclusão à pergunta. Agora explicar porquê, não é? Portanto, uma segunda interpretação mostra que os especialistas defendem já uma maior coerência de acordo entre estes dois outros textos de Paulo, mas mesmo assim continua-se a mencionar de um determinado estado intermédio entre a morte e a ressurreição. E, finalmente, uma terceira Interpretação. Diz que Paulo não está aqui a tratar de questões de antropologia, mas na verdade o que ele está a tratar é de questões de escatologia. Ele está apenas a usar a linguagem da vida e da morte num propósito diferente, seja para transmitir confiança que o seu ministério apostólico está a dar fruto, apesar das perseguições de que ele é alvo, seja para exprimir também a esperança em face da morte como parte do seu apostolado.

E, na verdade, é que o apóstolo Paulo, nesta segunda epístola, vai defender a sua autoridade apostólica, portanto, perante os coríntios. Ela tinha sido posta em causa e já no capítulo 1 ele fala das dificuldades, das provações realmente que ele tinha enfrentado, das próprias relações tensas que existem entre ele e os coríntios. Depois, no capítulo 2, Paulo vai falar das viagens do seu ministério a Troas, na Macedónia, E ele vai afirmar o seguinte em 2 Coríntios 2, 15 e 16. Nós somos para com Deus, diz Paulo, o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos, como nos que se perdem, para com estes.

Atenção, para com ests, nos que se perdem. Cheiro de morte para morte, para com aqueles, nos que se salvam. Era uma vida para vida. E aqui temos a questão morte e vida, que não está conotada de um ponto de vista antropológico, mas está sim conotada com aquilo que é a própria ministério do apóstolo Paulo, onde ele faz esta divergência. A palavra vida e morte não tem aqui a conotação de determinar com uma existência, mas tem aqui a conotação de perceber que a maneira como a pessoa reage A mensagem que Paulo apresenta é que vai determinar o seu destino final. E, portanto, nós vamos ver esta temática morte-vida vai reaparecer nos capítulos 4 e 5, associada com o Ministério apostólico de Paulo.

E, no capítulo 3, Paulo vai dizer aos coríntios que ele não precisa de qualquer recomendação, porque os próprios coríntios são a sua recomendação, ou seja, foi ele que criou aquela igreja e Se eles têm alguma esperança, é a esperança do Evangelho que Paulo lhes anunciou. No capítulo 4, ele conclui o seu raciocínio afirmando que ele não usa o engano como distorção da palavra de Deus, mas que os próprios apóstolos se recomendam à consciência todo homem na presença de Deus pela manifestação da verdade. E ele vai dizer o seguinte, nós, é verdade, somos atribulados, nesse capítulo 4, nos versículos 8 a 12, mas não somos angustiados, somos perplexos, mas não somos desanimados, somos perseguidos, mas não somos desemparados, somos abatidos, mas não somos destruídos.

E mais uma vez temos a temática da morte. Versículo 10, levante-se sempre no corpo o murro de Jesus, para que também a sua vida se manifeste no nosso corpo. Ou seja, o apóstolo Paulo vai utilizar esta temática da vida e da morte para mostrar que apesar da fragilidade do seu ministério, porque ele suscita muitas vezes perseguição, ele quase que ressuscita, porque a motivação que Cristo coloca na sua própria existência é superior às provações e às dificuldades que ele vai enfrentar.

Ora, Paulo, portanto, podemos até dizer que nesta conclusão do capítulo 4 encontramos o centro daquilo que Paulo procura transmitir aos seus leitores. As coisas que são de valor duradouro não são aquelas que dizem respeito a esta vida temporal. mas as realidades eternas transcendem tudo o que podemos experimentar nesta vida. E, portanto, os coríntios que não achavam que Paulo fosse realmente um apóstolo de grande valor, porque, no fundo, ele tinha uma doença que ainda hoje nós não sabemos bem qual era, se seria gaguejo, se seria falta de visão, se seria algum outro problema, a acrescentar às dificuldades da perseguição que ele tinha, desvalorizavam O seu ministério. E Paulo diz, isto é aparente.

Isto é temporal. E eu não posso fazer nada. Contra isto eu não posso fazer nada. Mas o que vocês devem verificar é como é que eu vivo e o que é que eu apresento apesar disto. Para além disto, Existe qualquer coisa da qual vocês próprios são beneficiários. E, portanto, as realidades eternas que Paulo apresenta só podem ser contempladas com os olhos da fé. Os seus críticos de um ponto de vista carnal, podem desprezar, digamos, ao ver apenas aspectos exteriores, ao ver o seu corpo, ao ver as circunstâncias de fugazes do seu ministério, mas Paulo está a dizer, não é isto que importa, o que importa é o que está por trás, o que importa é o que eu veiculo, o que importa, é o que vai ficar.

E, portanto, o apóstolo Paulo pretende mostrar com isto o contexto onde se vai desenrolar depois a afirmação do capítulo 5. E nós vamos ver que ela não tem que ver com o contexto de alguém que anseia muito morrer para poder imediatamente estar com o Senhor. Esse não é o objetivo do apóstolo Paulo. Porque, segundo dizem alguns dos especialistas, aí a sua alma iria diretamente ter com Jesus Cristo, iria diretamente para o céu. Mas toda esta demonstração do apóstolo Paulo é preparar o terreno para para realmente o que ele quer fazer provar aos Coríntios, porque a próxima afirmação do capítulo 5, com que ele começa a epístola aos Coríntios, com que ele começa o capítulo 5, é uma partícula grega, um gar, que nós podemos traduzir por um porque, Portanto, ouviste o que?

Ou seja, logo isso remete-nos para tudo o que está atrás. Paulo não começa o capítulo 5 do nada. Ele vem justamente a dizer que esta temática da vida e da morte tem a ver com aquilo que é permanente daquilo que é efêmero. E, portanto, Paulo quer salientar que há coisas que são efêmeras e nós não podemos ligar a elas, e há coisas que são permanentes, há coisas que são essenciais, e são essas que realmente são importantes. É isso que o apóstolo Paulo quer salientar. É isso que nós vamos verificar na segunda parte do nosso programa. Muito bem. Portanto, é importante que nós percebemos esse contexto que antecede a afirmação, porque Paulo está a apontar para essas realidades eternas como o centro e o foco da mensagem que ele transmitia e da esperança cristã.

Muito bem, já lá iremos, então, na segunda parte, mas agora nós temos que avançar para uma breve pausa neste programa. Eu o convido a ficar connosco, a não mudar de canal nem de estação, porque nós vamos regressar já de seguida para a segunda parte do programa Fórum Bíblico. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Muito obrigado por continuar connosco. No episódio de hoje estamos a procurar compreender as palavras do apóstolo Paulo na Epístola de 2 Coríntios, capítulo 5, versículos 1 a 10 e, acima de tudo, o significado desta passagem no contexto da esperança cristã. Já vamos recordar a pergunta que nos foi colocada para continuar a análise com o nosso convidado, o Teólogo Arturo Machado, mas antes quero chamar a sua atenção para a oferta que temos preparada hoje para si e que poderá receber de forma totalmente gratuita em sua casa.

é o Guia de Estudo da Bíblia na Mira da Verdade. Este manual ajuda a compreender vários textos bíblicos aparentemente difíceis, através do estudo das suas 10 lições. O texto que hoje nós estamos a estudar, em particular, é também explicado na lição número 8 deste manual, que fala sobre textos difíceis sobre a morte. Assim, poderá reforçar o seu estudo sobre a passagem que hoje estamos a abordar, se pedir este material, agora mesmo, através de uma mensagem que nos pode enviar para o número 933 939291, a pedir o guia na Mira da Verdade. Vamos então relembrar a pergunta que estamos a responder e que foi a seguinte.

Ao ler a segunda epístola aos Coríntios, no capítulo 5 e os versículos 1 a 10, não está Paulo aí a falar de um Estado intermediário e consciente após a morte? Nós, na primeira parte, acabámos por falar do contexto que é quem decede e, portanto, vimos aquele contraste entre aquilo que é a fragilidade da vida presente e as realidades eternas que são prometidas no Evangelho e através da recepção e parece que, a partir daí, nós percebemos depois o que é que Paulo vai querer dizer. E, portanto, a pergunta continua a mesma, o que é que Paulo realmente está a querer mostrar nas palavras que nos pedem. Ora, justamente, no capítulo 5, ele começa por dizer, sabemos que Se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna nos céus.

Ora, é bom que nós nos lembremos, no capítulo 4 e no versículo 18, Paulo tinha chamado a atenção dos coríntios sobre as coisas que se vêem e aquelas que se não vêem. Eles só viam o aspecto, pronto, menos, se calhar, agradável do corpo de Paulo, ou menos agradável do ministério de Paulo, mas eles não viam os resultados que daí adivinham e que não se esperava que fossem tão bons. Ora, Paulo aqui, neste capítulo 5, vai colocar duas habitações em contraste. Ele diz que uma primeira habitação é temporária. Na verdade, trata-se de uma tenda. A palavra que lá está é cenoce, que é a palavra para tenda. A outra é uma casa de tijolo, poderíamos nós dizer, porque é uma oikodomen.

E, portanto, Paulo vai aqui continuar a fazer o mesmo contraste. Exatamente, esta mesma comparação. E nós vamos ver já isso. O que Paulo está a dizer é que o princípio da fé introduzido pelo Evangelho move o crente do reino do aparente, portanto, cá está, uma casa Aqui é uma tenda, como ele dizia, se a casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, aquilo que é aparente, que inclui esta existência mortal e carnal, e é verdade, com as suas aflições e angústias, para o reino do lar eterno preparado por Deus por nós. O que Paulo está a dizer é, mas eu não sou o importante. O importante é que eu vou morrer. eu vou morrer. Portanto, o meu tabernáculo vai se desfazer.

Mas isto não é o importante. O importante é o que Deus está a preparar para mim nos céus. É o que o apóstolo Paulo aqui está a salientar. E por isso ele retoma a argumentação nos versículos 2. Por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação que é do céu. Todavia, se estando vestidos não formos achados nus, porque também os que estamos neste tabernáculo gememos carregados. Não porque queremos ser despidos, mas revestidos. É engraçado, o apóstolo Paulo vai aqui dizer que nós queremos ser revestidos. Esta palavra ser revestido está associado com o que ele disse acima da habitação celeste que é permanente. A palavra nus não está aqui associada com nada. Ela está aqui a fazer um contraste com a primeira.

Paulo não diz, não porque queremos ser despidos. Ele não diz isso. Se ele fosse platónico, ele diria, eu quero é que a alma vá embora. Mas não é isso que ele diz. Ele diz, não porque queremos ser despidos. Nós queremos é ser revestidos. O que é que é ser revestido? Ele explica, é que o mortal seja absorvido pela vida. E o vocabulário usado aqui, e isto é que é importante salientar, o vocabulário usado aqui é muito semelhante ao que Paulo usa em 1ª de Coríntios 15, quando fala da ressurreição. Portanto, Paulo está a usar o mesmo vocabulário que ele usa quando fala da ressurreição. E é verdade, porque no capítulo 15 da 1ª Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo contrasta um homem mortal terrestre, que é Adão, com o homem imortal celeste de corpo incorruptível, que é Cristo.

A comparação é exatamente a mesma. E, portanto, o que Paulo aqui está a salientar, como ele mostra em Coríntios, ele diz, na verdade, em 1 Coríntios 15, 51-54, ele diz, na verdade, nem todos dormiremos, mas todos estaremos transformados, no momento, no abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta, porque a trombeta soará e os mortos ressuscitarão incorruptíveis. E agora reparem no que Paulo vai dizer em seguida. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade. Revestir. Não é que a alma saia para eu ficar bem. É que o meu corpo seja transformado. Paulo diz que isto que é mortal se revista da imortalidade.

E, portanto, o revestir da incorruptibilidade e da imortalidade é o objetivo. não é que haja uma transição de vida. E, logo, o que Paulo está aqui a mostrar é que esta existência mortal transitória, com as suas aflições e dificuldades, está em nítido contraste com a vida eterna prometida por Deus, que se inicia com a ressurreição. quando nos vestiremos da imortalidade e deixaremos a nossa morada terrestre para habitarmos na casa eterna feita por Deus. Não é na morte que isto acontece. É na ressurreição. Paulo anseia. Por isso, Paulo anseia por esse processo transformador final que colocará, finalmente, qualquer crente em conformidade com aquilo que sempre foi o objetivo de Deus.

Regressar, que a humanidade regresse à condição do primeiro homem na criação inicial, antes do pecado. Um homem que vivia para não mais morrer. E, portanto, o apóstolo Paulo deseja justamente isso. E a prova é que, no seu apostolado, apesar das circunstâncias difíceis, ele quase que renasce todos os dias, nós poderíamos dizer isso. E, portanto, esta difícil expressão que nós encontramos em 2 Coríntios 5, versículo 6, enquanto estamos no corpo, estamos longe do Senhor, aparece justamente para fazer este contraste entre aquilo que é a vida presente, Na vida presente, nós estamos longe do ideal de Deus.

O que nós queremos é que esse ideal venha depressa, em casa, no corpo, e equivale a outras expressões que nós encontramos nas suas epístolas. Nesta carne mortal, na tenda que é a nossa terra, ou em jarros de barro. Portanto, o ideal que o apóstolo Paulo quer é estarmos com o Senhor. Mas esse estar com o Senhor, ele sabe, porque ele já o escreveu várias vezes. Só vai acontecer no momento da ressurreição. Por enquanto, enquanto nós estamos nesta terra, nós estamos sempre numa contingência, que é a contingência da nossa condição humana, pecadora, com todas as fraquezas e vulnerabilidades que ela comporta. E, portanto, nós podemos dizer que em casa, no corpo e longe do Senhor, descrevem a vida atual e temporal do crente em contraste com a vida pós-ressurreição.

Paulo nunca poderia ter aqui uma perspectiva de estado intermédio entre a morte e a ressurreição na qual qualquer entidade que houvesse no homem estivesse fora dele, porque essa não é a perspectiva bíblica, essa é a perspectiva platónica. Mas Paulo não defende a perspectiva platónica, Paulo defende a antropologia bíblica. E aqui, claramente, ele não nos está a falar de antropologia, ele está-nos já a falar de escatologia. porque a ressurreição pertence ao domínio da escatologia. É quando Jesus Cristo vier que, na ressurreição, nós seremos transformados. Por isso é que ele diz, em 2 Coríntios 5,8, preferimos estar longe do corpo e em casa com o Senhor.

Ou seja, nós preferimos passar desta vida temporal, desta vida efémera, desta vida transitória, para a vida eterna, que é prometida aos crentes. Isto é o que nós preferimos. E, portanto, Paulo se alienta. Esta é a esperança de qualquer cristão. Esta é a mensagem que eu desenvolvo. Este é o querer pelo qual eu corro. Contra todas as coisas, contra todas as adversidades. e fracassos muitas vezes da vida, porque Paulo não tem apenas que lutar contra aqueles que o perseguem, muitas vezes ele tem inclusivamente que lutar contra aqueles que dentro da própria igreja não estão disponíveis ou não estão dispostos a aceitar a mensagem que ele prega ou a rejeitar o mensageiro, como eu costumo dizer, lançar fora o bebê com água do banho, porque ao rejeitarem o mensageiro porque não corresponde àquilo que eles achavam que deveria ser as características do mensageiro, sem o notar, estão a rejeitar a mensagem.

E, portanto, aqui o que o apóstolo Paulo está a assentar é o contraste entre a existência terrestre, com todas as suas vulnerabilidades e fragilidades, comparada com a existência que espera os crentes após a primeira ressurreição, quando Jesus vier pela segunda vez. Muito bem. Obrigado, Artur, por esta explicação. Eu estava a ouvi-lo e estava a pensar que, na realidade, também este próprio ensino de Paulo e a própria experiência dele é para nós um exemplo de como a esperança cristã nos deve conduzir e levar a viver pela fé, a preservar nas dificuldades que nós vamos vivendo e que nós vamos tendo de lutar, na certeza, exatamente, da vida eterna com Jesus. Que era para onde Paulo apontava a sua mensagem, o seu ensino.

Muito obrigado, Artur. O nosso tempo está a terminar, infelizmente, mas eu gostaria de lembrar que, uma vez mais, que não precisa de guardar para si as suas dúvidas. As perguntas que nos têm chegado é uma prova de que as dúvidas devem e podem ser partilhadas, e nós estamos aqui para recebê-las. E, por isso, não deixe de partilhar connosco, enviando as suas perguntas, as suas dificuldades, para o número que já conhece, 933 93 92 91, ou então, através do nosso e-mail, que é programas arroba novotempo.pt para onde pode enviar todas as suas questões. Aqui neste programa, no Fórum Bíblico em particular, ou então com o apoio de um dos nossos instrutores bíblicos na Novo Tempo, nós estaremos sempre disponíveis para o acompanhar, para o ajudar na sua caminhada pelo conhecimento e estudo da Bíblia, se assim o entender e quando quiser.

Foi para nós, como sempre, um gosto contar com a sua presença, com a sua participação. Agradecemos muito e sinceramente o seu interesse e a confiança que vai depositando semana à semana em cada um destes programas e dizer-lhe que o Fórum voltará a abrir novamente na próxima semana. Talvez a sua pergunta seja uma das que estarão em destaque. Fique atento. Até lá. Desejamos que a leitura da Bíblia continue a ser uma fonte de inspiração e de reflexão no seu dia a dia. Até ao próximo programa. Fique bem.

A nossa oferta

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Na mira da verdade

Sobre este episódio

Será que a Bíblia ensina que a alma fica consciente logo após a morte? Descubra o verdadeiro significado das palavras do apóstolo Paulo neste episódio.

No programa Fórum Bíblico, o apresentador Marcos recebe o teólogo Artur Machado para analisar uma das passagens mais debatidas do Novo Testamento. Ao ler a Segunda Epístola aos Coríntios, no capítulo cinco, deparamo-nos com a expressão sobre estar ausente do corpo e habitar com o Senhor. Muitas pessoas interpretam estas palavras como a prova de um estado intermédio consciente após a morte. No entanto, para compreendermos a mensagem bíblica, precisamos de olhar para além da superfície e estudar o contexto em que o apóstolo Paulo escreveu esta carta.

Ao longo da conversa, Artur Machado explica que Paulo não está a defender uma perspetiva platónica de uma alma imortal que se liberta do corpo. Pelo contrário, o apóstolo utiliza um contraste profundo entre a nossa fragilidade atual, representada por uma tenda temporária, e a habitação eterna que Deus preparou. O desejo do cristão não é o de ser despido, mas sim o de ser revestido, para que o mortal seja absorvido pela vida. Esta linguagem aponta diretamente para a ressurreição final, no regresso de Jesus, e não para uma transição consciente logo após a morte física.

Este estudo traz uma enorme paz para a nossa caminhada de fé. Compreender que a nossa esperança repousa na promessa da ressurreição ajuda-nos a enfrentar as dores do presente com a certeza de que as realidades eternas transcendem qualquer sofrimento temporal. É um convite a viver pela fé e a confiar no plano de Deus.

Como é que esta perspetiva bíblica sobre a ressurreição altera a sua visão sobre o futuro e lhe traz esperança? Partilhe a sua reflexão nos comentários e partilhe este vídeo com a sua família.

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Série
Fórum Bíblico · 67 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 67
Estreou
01 de Outubro de 2026
Categoria
Espiritualidade