Olá, é sempre um privilégio regressar para mais um Fórum Bíblico e poder contar semanalmente com a sua companhia e com a sua participação neste programa. Se porventura uma das pessoas que já nos enviou perguntas anteriormente, quero agora expressar o nosso sincero agradecimento, porque cada questão que recebemos não só enriquece este Fórum, como dá um mote sempre para continuarmos a aprofundar o conhecimento da Bíblia. Mas se por acaso nos acompanha pela primeira vez, saiba que pode partilhar connosco as suas dúvidas sobre algum tema que tenha lido na Bíblia, ou então solicitar esclarecimentos sobre assuntos que gostaria de ver explicados talvez de uma forma mais clara. Este é, na verdade, um espaço dedicado à Palavra de Deus e procuramos, dentro daquilo que é possível, ajudar a responder às suas questões num dos próximos programas, ou então, se considerarmos necessário, com a ajuda de um dos nossos instrutores bíblicos.
Não deixe nenhuma das suas dúvidas sem resposta e, por isso mesmo, envie-nos as suas perguntas, que pode enviar para o e-mail programas arroba novotempo.pt ou então por uma simples mensagem para o número 933 939291, mencionando sempre na sua mensagem Fórum Bíblico, para que as perguntas possam chegar eficazmente até cada um de nós. As perguntas que hoje escolhemos e que trazemos para o nosso programa vão transportar-nos para o final do Evangelho de Marcos, precisamente para os versículos 9 a 20 do capítulo 16. Alguns manuscritos, na verdade, incluem esta passagem, outros não, e a sua origem tem sido não só objeto de estudo, como de debate ao longo do tempo.
E para nos ajudar a compreender melhor este final, contamos, como sempre, com o nosso convidado residente, o teólogo Artur Machado. Olá Artur. Olá Marco. Bem-vindo uma vez mais. Vamos então conhecer a primeira pergunta do nosso programa. E a pergunta é a seguinte, tem uma Bíblia de estudo e o final do Evangelho de Marcos encontra-se entre colchetes. Na nota de rodapé está assinalado que este texto não existe nos manuscritos mais aceites. O que significa isso? Será que esta passagem não deve ser tida em consideração quando lemos a Bíblia? Ora, esta pergunta é muito importante porque ela ajudou-nos a perceber, uma vez mais, como é que foi a transmissão do texto bíblico ao longo dos séculos.
Quais foram as variações que essa transmissão recebeu, o que é que aconteceu nessa transmissão. Às vezes nós encontramos omissões, outras vezes nós encontramos adições, ao próprio texto. E é justamente aquilo que se passa com o final do Evangelho de Marcos. Este final do Evangelho de Marcos foi, sobretudo, colocado em causa quando um senhor chamado Constantino von Tischendorf, no final do século XIX, mais concretamente em 1844, no Sinai, descobriu no mosteiro de Santa Catarina aquilo que nós hoje conhecemos como o Codex Sinaiticus, ou seja, um documento que continha, portanto, uma boa parte da porção da Bíblia.
E, atualmente, as edições bíblicas mais de estudo omitem, realmente, ou colocam entre colchetes esta parte do Evangelho, do final do Evangelho de Marcos, a partir do versículo 8, portanto, que vai do versículo 9 até ao versículo 20. e as edições críticas do Novo Testamento tentam também dar quais são os manuscritos que têm, que contêm este final, quais são os manuscritos que não o contêm. Podemos dizer que este final do Evangelho de Marcos, que vai dos versículos 9 ao 20, aparece em 95% dos manuscritos.
A maior parte das vezes eles vêm com comentários críticos, e que mostram que há suspeitas quanto à credibilidade do próprio texto. Mas é curioso, porque nós podemos dizer, para o final do Evangelho de Marcos, nós temos várias soluções. A solução natural, o Evangelho termina no versículo 8, embora de uma maneira abrupta, mas seria assim que ele terminaria, nós já iremos ver isso. O Evangelho termina com uma versão mais curta do que esta que está dos versículos 9 a 20. O Evangelho termina com esta versão mais longa, chamada também a versão mais longa, que compõe os versículos 9 a 20.
Ou então, ele também tem os versículos 9 a 20, mas dependendo dos manuscritos que nós encontramos, pode ter por ali umas variantes. Há variadíssimas possibilidades. E, por exemplo, eu mostro-vos uma no Código Washingtoniano, no versículo 14, quando no texto Marcos diz, finalmente, Apareceu Jesus aos 11, quando estavam à mesa, censurou-lhes a incredulidade, a dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado, portanto já estamos na versão longa do Evangelho de Marcos. E aparece uma outra variante que não aparece normalmente nos outros códigos, só por curiosidade. aparece no Código Washingtoniano.
E é esta. E eles se desculparam dizendo, esta era de impiedade e incréduloidade está sob o domínio de Satanás, que não permite que a verdade e o poder de Deus prevaleçam sobre as imundícias dos espíritos, ou não permite que o que jaz sobre os espíritos imundos entenda a verdade e o poder de Deus, por isso revela agora a tua justiça, assim disseram a Cristo. E Cristo lhes explicou. O limite de tempo do poder de Satanás está cumprido, mas outras coisas terríveis se aproximam. Pelos que pecaram, eu fui entregue à morte, para que retornem à verdade e não pequem mais, a fim de que possam herdar a glória espiritual e incorruptível da justiça que está no céu. E este é um texto que só aparece aqui. e que faz parte desse texto mais longo, dos versículos 9 a 20.
Normalmente, o que nós aceitamos como tendo sido o final de Marcos é que o texto tenha terminado justamente no versículo 8. Há diversos manuscritos com maiúsculas. Os manuscritos vão ter nomes, vão ter formas. Há manuscritos que só têm maiúsculas, há manuscritos que só têm minúsculas. Há vários manuscritos etíopes que, após o versículo 8, portanto, vários manuscritos com maiúsculas, vários manuscritos com minúsculas, entre os quais o manuscrito antigo, latino, chamado bubiense, vários manuscritos saídicos e buaídicos, É uma panopla enorme.
Têm aquilo que nós chamamos, logo a seguir ao versículo 8, um final curto, para completar o versículo 8, porque termina justamente de uma maneira abrupta. O final curto é este, que nós vamos ver agora já de seguida. mas relataram brevemente a Pedro e aos que estavam com ele tudo quanto lhes tinha sido anunciado. E, depois disso, o próprio Jesus enviou por meio dele, do Oriente ao Ocidente, a sagrada e impressível Proclamação da Salvação Eterna." Amém. Portanto, não curta. Versão curta. Logo a seguir ao versículo 8, que é aquele que nós aceitamos. que o texto termina. Pode não ter sido assim que o texto tenha terminado, mas é assim que ele está.
Aparece em determinados manuscritos e, portanto, também no latino-bobiense, para vos dizer que é um manuscrito latino que foi copiado de um papir no século II, esta versão mais curta aparece. E, depois, a versão mais longa aparece também em muitos manuscritos que também atestam a sua existência. E, portanto, numa boa parte dos manuscritos, nós só temos até ao versículo 8. Portanto, no que diz respeito a manuscritos, nós temos realmente o texto a terminar no versículo 8, temos o texto a terminar nos versículos 9 a 20, temos o texto de versão curta logo a seguir ao versículo 8, aquela que nós vimos, temos uma variante dos versículos 9 a 20 com alguma coisa que lá está inscrita apenas no códex Washingtonian.
Temos várias possibilidades. De todas estas possibilidades, Aquela que é menos satisfatória para os especialistas é realmente a versão curta. É uma variante que não tem qualquer apoio nos pais da igreja, ou seja, não encontramos qualquer texto dos documentos dos pais da igreja que lhe façam alusão. Ela só se encontra num único manuscrito antigo, latino, que é datado do século IV ou do século V. Quando ela aparece, muitas vezes também vem combinada com a versão longa, aquela que vem dos versículos 9 a 20.
Quanto à versão longa, agora falando melhor desta, que é aquela que nós temos nas nossas bíblias, entre parênteses retos ou entre colchetes, não há qualquer dúvida que ela é antiga. Mas isso não é suficiente também para lhe dar aquilo que nós dizemos credibilidade. Ou seja, que tenha estado no original, não é? Porquê? Porque ela encontra-se ausente na maioria dos manuscritos maiúsculos do século IV e que são os melhores manuscritos que nós temos do Evangelho de Marcos. Além do mais, esta versão mais longa é muitas vezes acompanhada por notas dos escribas, daqueles que copiaram, e que mostram que o texto não é muito credível.
Às vezes até vem acompanhada de asteriscos, que são sinais que mostram justamente que, bom, o texto aparece aqui, mas nós... não temos a certeza se era assim que ele aparecia. Este final longo, portanto, dos versículos 9 a 20, também está ausente de uma outra versão, que é a versão siraico-sinaítica, bem como os principais pais da Igreja, mais próximos do final do Evangelho de Marcos, que são Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Orísnes, Cipriano de Jerusalém, e Atanásio, não a conheciam. Os pais da igreja que a conhecem já são um bocadinho mais tardios, Irineu de León, Tertuliano, Tassiano e, portanto, esses nos seus escritos mencionam-na, mas eles estão já mais distantes.
Significa que os manuscritos a que eles tiveram acesso já continham esse final, enquanto que os outros pais da igreja mais antigos tiveram acesso a manuscritos que não continham, portanto, esse final. Eusébio de Cesareia também vai omitir nos seus escritos esse final. E há um fenómeno interessante. Jerónimo, à semelhança de Eusébio de Cesareia, Jerónimo, portanto, é um pai da igreja, também finais do século III, início do século IV, Jerónimo, portanto, à semelhança de Eusébio, também declara que os versículos 9 a 20 Poucos manuscritos que o continham e nenhum era grego.
Mas acontece uma coisa estranha. Jerónimo vai pegar neste final longo e vai introduzi-lo na sua tradução da Vulgata Latina. E, com isso, ele vai fazer com que este texto passe para a tradição cristã do Ocidente. Portanto, ele é coerente, ele diz, esta passagem não aparece nos manuscritos mais antigos de origem grega, mas ele vai introduzi-lo. E, portanto, ao introduzi-lo na Vulgata Latina, vai perpetuá-lo porque, em seguida, o protestantismo vai Portanto, pegar nestes textos que são chamados os textos recebidos, o texto dos receptos, e vai plasmá-lo no Evangelho de Marcos e por isso ele vai chegar justamente até nós.
O manuscrito mais antigo que contém este final longo é o Códice Alexandrino do século V. E é também a partir deste século que, aí sim, determinados pais da Igreja, como Afraat, Ambrósio, João Crisóstomo, Epifânio, Dídimo e Marcos o Irmita, o vão usar nos seus escritos. E, portanto, aqui temos, historicamente falando, aquilo que foi a evolução deste final longo que nós encontramos no texto de Marcos 16. Muito bem, portanto, percebemos que este final pode ser lido sabendo que pode não estar num texto necessário.
Pode não ser quase de certeza que não foi. Muito bem, na segunda parte nós já vamos continuar a aprofundar e a clarificar, portanto, a compreensão deste final. Mas agora chegou o momento de lhe apresentar a oferta que temos sempre para si, que preparámos para hoje aqui no nosso programa. Trata-se do Guia de Estudo da Bíblia à Procura da Verdade. Neste manual vai encontrar várias lições, elas estão organizadas por temas, na verdade são 15 temas ao todo, e cada um focado num ponto fundamental da fé cristã, como por exemplo, Deus existe, a criação, a igreja, a origem do mal, enfim, a lei de Deus, tantos assuntos que pode estudar através e com a ajuda deste manual. Pode pedi-lo de forma totalmente gratuita, um exemplar igual a este que tenho aqui comigo, enviando-nos uma mensagem para o número 933 939291, com o pedido do Guia de Estudo à Procura da Verdade.
Antes de conhecermos a segunda questão do nosso fórum, temos que fazer agora uma pequena pausa. Mantenha-se atento, mantenha-se por aí, porque voltamos já a seguir depois de um breve intervalo. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Estamos a iniciar a segunda parte do programa Fórum Bíblico. Hoje estamos a debruçar-nos sobre o final do Evangelho de Marcos, nomeadamente os versículos 9 a 20 do capítulo 16, conhecidos como a longa conclusão de Marcos. Se chegou agora, fico por aí, pois estamos com o teólogo Artur Machado a analisar se este final pode realmente ser atribuído a Marcos ou se terá sido acrescentado posteriormente.
Muito bem. Na primeira parte, o Artur abordou as evidências externas do final do Evangelho de Marcos, nos manuscritos, nas versões mais antigas, nas situações dos pais da
igreja, enfim, na história da transmissão do texto. E agora a próxima pergunta chama-nos a atenção para a possibilidade de evidências internas, isto é, que estejam presentes no próprio texto. E a pergunta é a seguinte. Será que o próprio texto de Marcos tem também evidências internas que ajudem a perceber se o final mais longo do Evangelho é credível ou não? Muito bem. Realmente nós encontramos evidências internas nesse texto, tanto para o final mais curto como para o final mais longo. Para o final mais curto existem palavras que estão em grego, que Marcos nunca utilizou, como por exemplo, eu pus em português só para nós termos uma ideia, a palavra brevemente, anunciar, oriente, ocidente, enviar, sagrado, imparecível, salvação, são palavras que aparecem no final mais curto, que é realmente muito pequenino, mas que não Marcos não utiliza.
Quanto ao final mais longo, o próprio texto também vai nos mostrar que é difícil que Marcos tenha escrito isso, por várias razões. Vamos à primeira razão. O sujeito do versículo 8 são as mulheres, enquanto que o sujeito do versículo 9 é, presumivelmente, Jesus. E, portanto, não bate certo. Depois, nós reparamos, em segundo lugar, que no versículo 9 a identificação de Maria Madalena como aquela da qual Jesus expelira sete demónios é totalmente desnecessária, além de tardia, uma vez que ela tinha sido mencionada poucas linhas antes. E é verdade, Maria Magdalena foi mencionada no capítulo 15, no versículo 47, e no capítulo 16, no versículo 1.
Em terceiro lugar, As outras mulheres, dos versículos 1 a 8, são subitamente esquecidas a partir do versículo 9, o que também realmente é estranho. E, em quarto lugar, há o uso de uma expressão, que é a expressão «anastas de», tendo ressuscitado, e da posição de Protón no primeiro dia da semana. Portanto, são próprios do início de uma narrativa compreensiva, ou seja, de uma narrativa alargada. mas não fazem muito sentido na sequência dos versículos 1 a 8. E, portanto, nós temos aqui estas evidências internas, estes indícios internos que nos mostram que realmente, tanto na conclusão curta como na conclusão longa, nós percebemos que há aqui coisas que não configuram com aquilo que Marcos nos vinha habituando no seu Evangelho.
E também depois há uma série de outras palavras gregas e de verbos que são utilizados por, nesta versão longa, como o verbo poreuomai, que significa ir, o verbo teouomai, que significa ver, apisteu, que significa não querer, que realmente não fazem parte do Evangelho de Marcos. Existem ainda outras evidências que nós poderíamos aqui mencionar, como, por exemplo, dificuldades teológicas com estes versículos. Estamos a referir, portanto, aos versículos 9 a 20, especialmente com os versículos 17 e 18.
Menciona-se o falar em línguas. no versículo 17, o pegar em serpentes no versículo 18, não têm qualquer paralelo nos Evangelhos, não fazem parte das atividades de Jesus, nem das suas promessas para os discípulos, embora, é verdade, elas constem do livro dos Atos dos Apóstolos. O mesmo acontece com a expressão do Evangelho de Marcos, já no final, que diz, com o beber veneno, que é algo completamente estranho, ao ensino e à prática neotestamentária como um todo. Portanto, os especialistas não têm qualquer sombra de dúvida, atualmente, de que tanto o final curto para o Evangelho de Marcos como este final longo não foram escritas por Marcos.
Qual seria o final de Marcos, nós não sabemos. E há várias hipóteses que têm sido emitidas para a ausência do final do Evangelho. Nós sabemos que a maneira como ele termina Não é normal, porque ele vai terminar de uma forma que não é comum isso acontecer, portanto, no grego. E o próprio texto parece-se supor que realmente continuava. Porque se nós repararmos no Evangelho, no capítulo 14, no versículo 28 está escrito, Jesus diz, depois que eu houver ressuscitado, irei diante de vós para a Galileia.
Portanto, há uma promessa de que Jesus se iria encontrar com os discípulos na Galileia. no capítulo 16 e no versículo 7. Portanto, já quase mesmo no final do texto, há uma promessa que é dita, e de dizer aos seus discípulos e a Pedro, é o anjo que vai dizer, e de dizer aos seus discípulos e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia. Ali o vereis como ele vos disse. E, portanto, aguarda-se. Aguarda-se o encontro de Jesus com os seus discípulos na Galileia, como o Evangelho de João depois o vai mencionar. mas Marcos já não menciona porque ele termina no versículo 8. Ou seja, internamente o texto dá-nos pistas de que continuaria. Provavelmente as hipóteses são várias.
Marcos adoeceu ou Marcos morreu antes de ter completado o texto. Marcos até pode ter completado o texto, mas por qualquer razão o texto foi suprimido, o texto desapareceu. Talvez por ter sido o primeiro evangelho a ter sido usado e muito usado, há quem acredite que antes de ser copiado Esse final terá desaparecido. Isto são hipóteses. Nós não sabemos realmente aquilo que acabou por acontecer. Há um lecionário arménio que é datado do século X, portanto do ano 989, mas que aparenta ser cópia de um manuscrito mais antigo, que os versículos 9 a 20 contém ali um espacezinho, duas linhas, como tende a ser usado onde vem a inscrição de um cérebro presbito, Ariston, que teria sido contemporâneo de Papias, que é um dos pais da igreja do século II.
Mas, na verdade, nós não sabemos também se isso foi assim. Para concluir, o que é que nós podemos dizer? Nós podemos então dizer que nenhum dos finais do Evangelho de Marcos, nem o final curto, nem o final longo, nem a interrupção em Marcos 16.8 parece representar o original. Porquê? Porque realmente o texto corria. O texto termina com uma proposição grega que é um gar. Um gar significa em português um porco ou um poes. Há uma interrupção mesmo. Há uma interrupção. E, portanto, um texto grego nunca termina assim. E isso mostra-nos que havia realmente um outro final. Nós não sabemos qual é. Provavelmente teria sido um final como qualquer um dos evangelhos de Mateus ou de Lucas, ou até parecido com o de João.
Mas estes textos aparecem entre colchetes, nós devemos então estar sensíveis e perceber. Bom, não corresponde a Marcos. Agora nós já sabemos. Ele só está ali porque ele foi introduzido no texto da Vulgata Latina. Aparece em muitos códices, mas é realmente aquilo que nós chamamos de uma interpolação. Não faz parte daquilo que nós consideramos o texto inspirado, bíblico, que está realmente nas páginas da Bíblia. Portanto, ao lê-lo, temos que perceber. Ele está ali Mas não devia de estar. Na verdade, não deveria de estar. Foi acrescentado ao longo dos séculos. Os escribas tiveram a ocasião de o mencionar e, portanto, nós, por respeito histórico a manuscritos que o contêm, ele está, mas nas bíblias de estudo e muito bem, está entre parênteses retos a verbado que não faz parte dos manuscritos mais aceitos.
Eu ia só acrescentar, se me permite, e o nosso tempo não permite muito mais, mas que apesar de provavelmente este final ser uma edição posterior e não estar no original, a própria análise crítica dos manuscritos garante-nos também que a Bíblia é fidenigna e que preserva a sua mensagem.
É importante salientar isto. Ou seja, todos os manuscritos antigos têm situações destas, clássicos ou bíblicos. Todos às vezes têm, porque às vezes ao copiar-se, como eu mencionei no início, omite-se uma palavra, substitui-se por outra por erro do copista ou porque aquilo já estava mesmo batido e, portanto, confundiu-se. Isto é normal, mas a edição critica dos textos e o detectar isto significa que o texto passa por um crivo muito exaustivo e rigoroso. Exatamente, e que não compromete a confiança que nós podemos ter no texto sagrado. Muito bem. Já viu que nós podemos confiar seguramente na Palavra de Deus e essa certeza é demonstrada exatamente na lição número 2 do Guia de Estudo à Procura da Verdade que hoje temos como oferta para si.
Essa lição tem por título Porque Devo Confiar na Bíblia e é exatamente estudando este guia, esta lição em particular, que poderá haver abordado este assunto tão importante sobre a confiabilidade e a autoridade das Sagradas Escrituras. Se ainda não o fez, peça agora mesmo um exemplar, sem qualquer custo, enviando-nos uma mensagem para o número 933-939291 a solicitar o Guia de Estudo à Procura da Verdade. Quanto a nós, esperamos continuar a merecer a sua confiança.
Como sabe, existem diversos canais através dos quais pode acompanhar a emissão semanal do Fórum Bíblico. Nunca é demais relembrar, na televisão, pelo canal 186 da MEU ou então online pelo YouTube da Novo Tempo Portugal. E se gosta de ouvir rádio, tem essa possibilidade através da Rádio RCS em 91.2 FM ou online, em qualquer lado, através do site radiorcs.pt. Escolha o canal que melhor se adapta à sua rotina, à sua possibilidade, e não perca nenhum dos episódios do Fórum Bíblico. Por agora, temos mesmo que fechar este Fórum Bíblico. Eu despeço-me de si que nos está a ver ou apenas a ouvir desse lado. E porque as suas perguntas sobre a Bíblia merecem sempre uma resposta, nós encontramos-nos já na próxima semana para alargarmos juntos o conhecimento bíblico e fortalecer a nossa fé na Palavra de Deus.
Ficamos à sua espera. Até lá. Fique bem.
Neste episódio do Fórum Bíblico, o tema central é o final do Evangelho de Marcos, especialmente Marcos 16:9 a 20, uma passagem que aparece entre colchetes em muitas Bíblias de estudo.
Porque é que alguns manuscritos incluem este texto e outros não? Será que esta passagem deve ser lida como parte original do Evangelho de Marcos? E o que nos ensina este debate sobre a transmissão, preservação e confiança no texto bíblico?
Com a ajuda do teólogo Artur Machado, este episódio analisa as evidências externas dos manuscritos, as evidências internas do próprio texto e a forma como a crítica textual ajuda a compreender melhor a Bíblia.
📖 Um episódio essencial para quem deseja aprofundar o estudo das Escrituras, compreender melhor a origem dos textos bíblicos e fortalecer a confiança na Palavra de Deus.
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