A Parábola do Rico e do Lázaro

A Parábola do Rico e do Lázaro

09 de Abril de 202627 min 7 s

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Abertura e apresentação

Olá, agradecemos muito a sua presença uma vez mais aqui no Fórum Bíblico. Se nos acompanha semanalmente, então já sabe que este é, acima de tudo, um espaço dedicado à partilha, à reflexão e também à aprendizagem. É com este objetivo que nos encontramos, novamente aqui, para o ajudar a compreender melhor as verdades reveladas na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Mas para que isso seja possível, eu reitero uma vez mais o convite para nos enviar as suas perguntas sobre qualquer assunto que gostasse de ver esclarecido neste fórum. Poderá ser um texto bíblico que seja difícil de interpretar ou sobre o qual ainda tenha alguma dúvida. Queremos receber as suas dúvidas, as quais poderá enviar para o nosso e-mail, que é programas arroba novotempo.pt ou então poderá enviar para o nosso número 933 93 92 91 e na sua mensagem indicar sempre fórum bíblico para que as suas perguntas sejam encaminhadas para a produção do programa Fórum Bíblico.

Hoje vamos olhar de perto para a parábola do rico e do Lázaro, uma história que fala sobre riqueza, pobreza e também responsabilidade. Vamos analisar os detalhes escondidos, os nomes escolhidos e também o significado e a mensagem que ainda é relevante nos nossos dias, indo assim muito além da narrativa. Esta parábola que intriga, que provoca reflexão e que suscita perguntas, será então o assunto de hoje no nosso Fórum Bíblico. Para nos ajudar a responder às perguntas que nos foram enviadas a propósito exatamente desta parábola, contamos, como sempre, com a presença do teólogo Arturo Machado. Olá Arthur, bem-vindo também e obrigado por nos ajudar nesta caminhada já de vários episódios para compreendermos tantas passagens, tantos assuntos e tantos

A parábola do rico e de Lázaro

tópicos da Bíblia. Muito bem, vamos então à parábola do Rico e do Lázaro e partilhar a pergunta que nos foi enviada pela nossa ouvinte e que pergunta o seguinte. Peço, por favor, que o programa Fórum Bíblico explique a parábola do Rico e do Lázaro, especificamente os versículos 22 a 26 do capítulo 16 de Lucas. Esta é a dúvida. Muito bem, a parábola do Rick e do Lázaro é uma parábola que realmente interpela tanto aqueles que estudam a Bíblia e que compreendem que na Bíblia o ser humano é visto como um todo e, portanto, não como partes isoladas, logo, na morte não há uma parte que sobreviva à outra, interpela este tipo de pessoas, bem como interpela aquelas que, acreditando existe uma imortalidade da alma, vem nesta parábola, de alguma forma, a confirmação da sua crença.

A parábola retrata a vida de duas pessoas muito diferentes. Uma delas tem um nome, e é estranho que ela tenha nome, porque deveria não ter, trata-se de um pobre, Lázaro, e a outra não tem nome e é estranho porque deveria ter, porque trata-se de um rico e, portanto, de uma pessoa que é influente. O Lázaro tem um nome hebraico. É, na verdade, a tradução grega de um nome hebraico. Eleazar. Eleazar significa Deus te ajude. E este nome, Lázaro, não é apenas o nome de um dos amigos de Jesus Cristo, mas é, na verdade, aqui uma ironia. porque Deus te ajude, mas o Lázaro era um pobre, um miserável, que, portanto, para se alimentar, tinha que se socorrer das migalhas de um homem rico.

Na parábola, este rico vive na abundância, passa a vida em banquetes. Aliás, a própria palavra grega que vai definir a vida deste rico, a palavra grega euphraino, traduzida como regalar, é utilizada na literatura clássica para designar a alegria que resulta da participação em eventos como, por exemplo, um banquete. Logo, este rico existe para fazer a festa. Ele faz a festa todos os dias, portanto, ele pode realmente viver assim. E Lázaro ficava, diz-nos a parábola, à porta deste mendigo à espera das migalhas. As migalhas eram pedaços de pão inteiros com os quais as pessoas limpavam as mãos, não nos esqueçamos que elas não com garfo e faca, comiam portanto, eles comiam com as mãos e utilizavam pedaços de pão para limpar as mãos, ou inclusivamente para limpar o prato, e depois lançavam fora.

E era disto que, diz a parábola, que o Lázaro se alimentava. Também nos diz que os cães vinham lamber as suas feridas. E este detalhe pode significar uma de duas coisas, ou eram os únicos que se compareciam de Lázaro, ou, em segundo lugar, ele era tão esquecido de todos que somente os cães vadios é que vinham ter com ele. E Jesus continuou esta história. Estes protagonistas em vida têm este costume e ambos morrem, porque esta, digamos, é a condição do ser humano. E quando morrem, O bom do Lázaro vai para o seio de Abraão e o rico vai para o inferno.

E de longe, diz-nos a parábola, estou só a ver os detalhes da parábola, ele vê o Lázaro numa boa vida e vai dizer ao patriarca Abraão que enviou o Lázaro para molhar o dedo na água porque ele tem sede e não consegue lá chegar. Ora, vamos tentar ver, isto é na sua essência a parábola, o Abrão depois diz, não amigo Rico, tu na vida tiveste o teu conforto e o Lázaro desconforto, e portanto aqui as coisas agora é o inverso, aqui vamos regular, ou seja, vamos normalizar aquilo que em vida foi a desnormalização. E, portanto, há alguns detalhes desta parábola que merecem realmente alguma reflexão.

Em primeiro lugar, é preciso perceber que é uma parábola. Uma parábola é uma história. Jesus conta uma história, conta uma ilustração. A parábola não tem um propósito próprio. Ela tem um propósito pedagógico que Jesus lhe dá. qualquer que seja a parábola. E, portanto, Jesus quer, com esta parábola, veicular uma determinada verdade. No caso desta parábola, a grande verdade que Jesus quer, justamente, veicular, está no final da parábola. Não está nos detalhes que ela contém. está no final da parábola. O que Jesus quer veicular está no final da parábola. E, portanto, uma das coisas que nós temos que perceber acerca das parábolas, e nós vamos colocar isso no nosso ecrã, é que as parábolas não são doutrinas.

As parábolas são histórias. As parábolas são ilustrações. Seria tão absurdo pensar que Jesus Cristo está aqui a dar um ensino do que acontece após a morte, como seria absurdo pensar que na parábola da pérola e do tesouro, Jesus nos chama a todos para sermos comerciantes e para vendermos todos os nossos bens até encontrarmos uma pérola de grande preço. Em segundo lugar, nós reparamos que esta parábola não faz alusão a uma alma ou a um espírito que tenham sobrevivido à morte. Aqui, o rico tem olhos, tem língua e é feita a menção de que Lázaro molhasse o dedo, portanto Lázaro tem mãos, ou seja, há um estado corpóreo.

Este estado corpóreo é, digamos, contrastante, é o oposto daquilo que se espera de uma alma que sobrevive à morte. É que a alma, por definição, não tem corpo. Logo, não há aqui qualquer menção de um espírito ou de uma alma que sobreviva. O Novo Testamento diz também uma coisa interessante, aliás toda a Bíblia o diz, é que a única maneira de escapar à morte não é através de um estado para lá da morte, é através da ressurreição. Já o Antigo Testamento o dizia, já Jesus Cristo o disse, já o Novo Testamento depois o confirma. Outro detalhe que nós vemos nesta parábola é que o inferno e o paraíso estão realmente muito próximos. A comunicação entre os dois, portanto, é possível.

Logo, não penso que, nessa circunstância, o Paraíso seja um lugar atrativo ou um lugar de paz, porque os que estão no Paraíso, afinal de contas, estão constantemente a ouvir o pedido dos que estão, digamos, no inferno. E, em quinto lugar, esta parábola, se assim fosse, estaria em contradição com o que Jesus ensinou sobre o juízo final. Só no juízo final é que se vai receber definitivamente, digamos, a sua sentença. E, em sexto lugar, a Bíblia ensina que a morte é um estado de inconsciência absoluta. A pessoa, quando morre, deixou de ter qualquer tipo de consciência sobre aquilo que se passa à sua volta.

Gostaria também de dizer algo sobre os detalhes das parábolas. É verdade que a pessoa que nos enviou a pergunta gostaria que se comentasse os versículos 22 a 26. Mas sabem que durante a Idade Média houve um estilo, uma metodologia de interpretação que era metafórica. Procurava-se ver em cada detalhe da parábola um ensino espiritual. Muitas pessoas hoje ainda enveredam por esse caminho, mas a verdade é que isso permite-me dizer acerca da parábola o que eu quiser. Exatamente. Eu posso dizer o que eu quiser e não forçosamente aquilo que era o objetivo da própria parábola ou o decorrer desta própria parábola no texto.

Perceber também que, na altura de Jesus Cristo, os judeus acreditavam na imortalidade da alma. Esse ensino veio depois do exílio babilónico. Os babilónios acreditavam na imortalidade da alma e os judeus que passaram 70 anos no exílio babilónico, quando regressaram, acreditavam que, a seguir à morte, a alma sobrevivia ao estado da morte. Não era nisto que Jesus Cristo acreditava. Isto é importante de notar porque pode ser um elemento fundamental que nós tínhamos em atenção. E, portanto, quando nós olhamos bem para esta parábola, nós percebemos que ela está num determinado local do Evangelho de Lucas, Ela serve um propósito determinante que Jesus Cristo lhe quer dar e nós temos que ter isso em atenção quando lemos esta parábola, como quando lemos qualquer outra parábola.

Não são os detalhes da parábola que a definem. Aliás, nós vamos ver uma coisa interessante. Jesus não conta uma parábola que ele inventou. Ele conta uma parábola que já existia, que o judeu já conhecia, uma parábola que veio importada do Egito. E, portanto, Jesus só faz uma coisa muito simples. Ele vai trocar aqui alguns detalhes, vai trocar os nomes e vai trocar, sobretudo, o final da parábola. E, portanto, Jesus está aqui a utilizar qualquer coisa que estava... Algo conhecido para... Exatamente. Estava no imaginário do povo judeu, tinha vindo justamente do Egito, depois via os judeus de Alexandria numa outra história para os judeus e, portanto, Jesus utiliza aqui uma história que era conhecida, altera-lhe aqui uns pormenores, para conseguir captar a atenção do seu auditório e levá-lo justamente aonde ele deseja.

Isto é importante para qualquer parábola. Nós temos que perceber qual é o universo dessas parábolas. Eu daqui a pouco vou fazer citação de um autor que estudou muito bem estes fenómenos, muito Joaquim Jeremias, há um livrinho que está traduzido até em português, as parábolas de Jesus, de Joaquim Jeremias, que nos dão justamente a percepção daquilo que eram as parábolas, onde é que elas encaixam, qual era justamente o seu propósito. Mas isso é para o nosso programa. Exatamente. Na segunda parte, então, já vamos conhecer qual é o propósito que dá sentido a esta parábola. Percebemos, então, para já, que ela não traz qualquer ensino sobre a vida após a morte. mas antes temos aqui neste programa uma oferta para si que talvez ainda não conheça.

Eu estou a referir-me ao Guia de Estudo da Bíblia na Mira da Verdade, um material que poderá receber comodamente na sua casa e o melhor é que ele é totalmente gratuito. No início disse-lhe que poderia enviar perguntas sobre textos bíblicos que considera difíceis de compreender. Pois bem, este guia pode ser também uma excelente ajuda no estudo de textos de difícil compreensão na Bíblia. Ao longo das suas 10 lições, vai encontrar a explicação para muitos textos bíblicos aparentemente difíceis sobre variados assuntos. Se ainda não tem este manual, então aproveite esta oportunidade para o solicitar agora mesmo. Apenas precisa de nos enviar uma mensagem para o número 933-939291, a pedir o guia na Mira da Verdade, e nós depois enviaremos para a sua casa.

Chegamos assim ao fim da primeira parte do Fórum Bíblico.

Origem histórica da narrativa

Vamos fazer uma breve pausa, fico por aí, pois nós estaremos de volta já já, dentro de momentos, para conhecer a próxima pergunta. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do programa Fórum Bíblico. Hoje estamos a responder a perguntas relacionadas com a parábola do Rico e do Lázaro e terminamos a primeira parte com a promessa de saber qual é o propósito que dá sentido a esta parábola que foi contada por Jesus. Se só agora nos começou a acompanhar, então ainda vai a tempo de conhecer esse propósito, assim como a próxima pergunta que temos para partilhar aqui no programa. E a próxima pergunta é a seguinte.

Há autores que afirmam que, na parábola do Rico e do Lázaro, Jesus contou uma história que os judeus já conheciam, como, aliás, referiu na primeira parte. de que história, então, afinal, se tratava. Ora bem, Jesus conhecia a mentalidade do seu povo, Jesus estava ocorrendo justamente de muitos aspectos também culturais e ao fazer, por exemplo, referência ao seio de Abraão, quando ambos morrem, essa era uma expressão que aparecia, por exemplo, nos escritos judeus entre os dois testamentos, no período intertestamentário, no 4º Livro de Macabeus, no capítulo 13, no versículo 7, onde se afirma que os justos que morrem pela fé são recebidos por Abrão, Isaac e Jacó no paraíso. Também o tal Mudo no Tratado de Qidushim diz que um determinado rabi estava sentado no seio de Abrão.

e um comentário de Génesis Rabá vai afirmar o seguinte. No mundo futuro, Abrão senta-se à porta da Hiena, não permitindo que aquele que tem o selo da aliança, ou seja, a circuncisão, aliente. Isto era um comentário de Rabi Levi. Portanto, o selo de Abrão era tido entre os judeus como se fosse o paraíso. E havia entre os judeus esta ideia de que a noção de retribuição no mundo futuro iria fazer a inversão entre o justo e o injusto, entre os ricos e os pobres. Ora, não deixa de ser interessante que há esse teólogo famoso, Joaquim Jeremias, que no seu livro As Parábolas de Jesus afirmava que já existia no Egito uma história que tratava da inversão de situações na vida futura.

A tal história. A tal história. Ora, vamos lá primeiro a esta história. A história egípcia à fonte original. A história conta a vida de um filho de um faraó que se sentiu muito indignado porque havia um rico malvado que foi enterrado num túmulo, portanto, muito bonito, cheio de riquezas, rodeado de valiosos objetos e havia um pobre que era uma pessoa conceituada, uma pessoa justa, mas que foi enterrado numa vala comum porque não não tinha, portanto, dinheiro para pagar um mausoléu. E acontece que a vida parecia muito injusta a este filho do faraó, até que num sonho, o filho de Osíris resolveu mostrar o que é que se passaria no mundo dos mortos.

Este senhor chama-se Sátmé Kamuás, portanto este filho do faraó chama-se Sátmé Kamuás, e ele vai num sonho ser guiado por Osíris. Quando vai ver no paraíso um homem sentado, vestido de linho fino, muito feliz, era o pobre. O pobre que tinha morrido e que tinha sido lançado, portanto, numa vala comum. O rico, onde é que ele estava? O rico estava do outro lado do rio. estava do outro lado do rio a tentar chegar à água, mas não conseguia. E então esta era a história egípcia. Os judeus de Alexandria pegaram nesta história e deram um outro final.

Contaram-lhe, então, a história do pobre escriba e do rico barmajan. E, basicamente, a história é a mesma. Havia um pobre escriba, um homem muito honesto, justo, diante de Deus, que fazia o bem, e havia um publicano. cá está o publicano, que eram pessoas odiadas pelos judeus. Chamava-se Bar Majan. Este publicano fazia a festa, ganhava rios de dinheiro, injustamente, com as coletas que ele tinha, e, portanto, na vida, estas duas pessoas tiveram, digamos, vidas muito diferentes. Acontece que, é lógico, morrem. O Bar Majan vai sepultado numa sepultura magnífica, enquanto que o escriba fervoroso, muito piadoso, ninguém soube do seu enterro.

E a pergunta da história era como é que Deus, que é justo, pôde permitir isto tudo. E lá vem a moral da história. Na vida futura, portanto, cá está, o Bar Marjan, longe de levar uma vida santa, vai parar justamente ao inferno. Porquê? Porque todas as suas más ações tinham contribuído para esse final. Enquanto que o escriba, apesar de ter vivido com grandes privações na vida, Na vida futura, no paraíso, vai ter a sua recompensa. Esta é a inversão das duas histórias. E, portanto, aqui também há um personagem neutro, que é um dos amigos do escriba, que num sonho, ao cogitar, mas porquê é que o meu amigo, que era uma pessoa tão justa, tão boa diante de Deus, coitado, morreu e ninguém foi ao seu enterro, e o outro, que era um malvado, teve honras quase testados, e vai ter um sonho, e no sonho vai haver justamente isso.

As histórias colam uma com a outra.

O verdadeiro significado da parábola

São estas as duas histórias que estão na base da parábola do Rico e do Lázaro. E, portanto, vamos ver o que é que esta parábola não começa por transmitir. Ela não transmite nem um ensino sobre uma suposta vida imediata após a morte, nem um ensino sobre a retribuição após a morte. Eu gostaria de citar justamente este escritor, Joaquim Germias. Ele diz-nos assim no seu livro. E ela continua. Mas a parábola existe para avisar da catástrofe iminente que se pode abater sobre os homens que se assemelham aos irmãos deste rico.

É que, na verdade, no final já da parábola, quando o rico vai dizer ao pai Abrão, pelo menos já que o Lázaro não pode cá vir com o dedo de armágua a beber, pelo menos manda-o, envia-o aos meus irmãos, que eu também tenho irmãos, que viviam como eu, vai-lhes acontecer o mesmo. E, portanto, estão a perceber, o rico nunca muda. No fundo, para o rico, o Lázaro é o seu criado. Tem que fazer aquilo que ele deseja ou aquilo que ele quer. E, logo, é interessante que, no final da parábola, Jesus diz assim a este rico, através de Abrão, disse-lhe, Abrão, eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos. E o rico replica, não, Abraão, meu pai, mas se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se iam.

Pelo menos nem que fosse pelo susto, porque perceber que alguém morreu e de repente nos visita talvez não seja a coisa mais simples. Mas Abraão continua a dizer-lhe, se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco acreditarão que algum dos mortos ressuscite. Este é o ponto da parábola. É aqui que a parábola quer assentar. O que Jesus está a chamar a atenção com esta parábola não é dizer, quando uma pessoa morre, isto é o que acontece? Portanto, em vida, prepara-te, porque quando morres, ou vais diretamente para um lado ou vais diretamente para o outro. Não é isso que a parábola quer dizer. O que a parábola quer dizer é que existe uma revelação. Existe um instrumento que Deus nos dá para nós prepararmos não apenas o nosso presente, como também o nosso futuro.

E, portanto, para percebermos que, se seguirmos a vontade de Deus, o nosso futuro pode ser um. Se não seguirmos a vontade de Deus, o nosso futuro será determinantemente outro. Logo, o que a parábola nos está a dizer é que nós temos, na palavra de Deus, a Bíblia, tudo o que precisamos para agir eticamente e para fazer a vontade de Deus. Este é que é o ensino verdadeiramente da parábola. Eu gostaria de concluir com uma citação de um outro autor que examinou as parábolas, o professor Roberto Badenas, que no final desta parábola ele diz algo que é verdadeiramente impactante para cada um de nós. Como aquele rico inconsciente, nós vivemos também como privilegiados, rodeados de inúmeráveis Lázaros.

Com eles à nossa porta e com a revelação divina ao nosso alcance, temos tudo o que necessitamos para decidir o sentido da nossa existência, nesta vida e na outra. Mas o mestre diz-nos, se queres garantir o além, tens de o fazer cá, deste lado. Do outro lado da tua porta está Lázaro, e com ele, a oportunidade de decidir onde situas o teu destino. no reino eterno da comunhão sem fronteiras ou no mini feudo previsório do teu egoísmo que fabricas para ti mesmo nesta terra. E, portanto, este é o sentido da parábola. O que a parábola nos está a dizer é que a maneira como tu vives hoje determina a maneira como será o teu futuro.

Não após a morte, mas no dia em que, quando Jesus Cristo vier, julgará, como diz o Evangelho, os vivos e os mortos. Portanto, dizer a esta ouvinte e a todos aqueles que nos ouvem que esta não é uma parábola que nos ensine o que é que me acontece a mim quando eu morro. É uma parábola que me faz pensar na decisão que eu devo ter na minha vida no dia de hoje, na relação que eu tenho com os outros. Aliás, muitas vezes Jesus Cristo associa a vida eterna à maneira como eu trato os outros, à maneira como eu vejo os outros, à maneira como eu aplico aquilo que eu percebo ser a vontade de Deus na minha relação com os outros. Isso é que é determinante nesta parábola e foi por essa razão que Jesus Cristo a contou.

Muito obrigado, Arturo, por esta explicação e principalmente por este alerta final que, de facto, o nosso destino decide hoje na forma lá está como nós ouvimos a palavra de Deus e como tratamos aqueles que vão estando à nossa porta.

Encerramento e ofertas

Muito obrigado. O nosso tempo está mesmo a terminar. Nós reparou que abordamos hoje uma parábola, a parábola do Rico e do Lazo, onde surgem, como viu e ouviu, referências à morte e ao inferno. No guia de estudo da Bíblia que temos como oferta para si hoje, na Mira da Verdade, pode encontrar neste manual duas lições, em particular a lição número 8 e a lição número 9, as quais esclarecem precisamente textos difíceis sobre a morte e sobre o inferno. Pode assim aprofundar estes temas, e muitos outros, através do estudo deste manual. Pode receber um exemplar igual a este, sem nenhum custo, se nos enviar uma mensagem para o número 933 939291, a pedir o guia na Mira da Verdade. Ficamos, desde já, a aguardar a sua mensagem para receber este material, mas também para receber as suas perguntas.

Não guarde para si as suas dúvidas, siga o exemplo desta nossa ouvinte que mandou esta pergunta, partilhe connosco, envia todas as suas questões, numa mensagem para o mesmo número, já sabe, 933 93 92 91, ou então, se preferir, pode ser também por e-mail, enviando para programas arroba novotempo.pt. O importante mesmo é não deixar nenhum assunto da Bíblia por esclarecer. Continue a acompanhar o Fórum Bíblico todas as semanas, seja no canal 186 da MEU, no YouTube de Novo Tempo Portugal, ou então através da emissão da Rádio RCS, na frequência 91.2 FM, se estiver na região da Grande Lisboa. Com este convite, fechamos mais um episódio do Fórum Bíblico, mas lembro que continuamos disponíveis para receber as suas perguntas.

Faremos o possível para que nenhuma fique sem resposta, seja neste Fórum ou com o apoio de um dos nossos instrutores bíblicos. Voltamos a encontrarmos já na próxima semana. Conto com a sua presença. Até breve.

Sobre este episódio

Neste episódio do Fórum Bíblico, mergulhamos numa das narrativas mais intrigantes do Novo Testamento: a parábola do Rico e do Lázaro. Será esta história um relato literal do que acontece após a morte ou uma lição profunda sobre a nossa conduta em vida? O apresentador Marco Figueiredo e o teólogo Artur Machado exploram os versículos 22 a 26 de Lucas 16, desvendando o simbolismo da riqueza vs. pobreza, a origem histórica da narrativa no imaginário egípcio e judaico e o porquê de as parábolas não serem doutrinas literais. Jesus utilizou uma história conhecida na época para deixar um aviso solene: a salvação decide-se hoje, através da nossa resposta à Palavra de Deus e do amor ao próximo. Não perca esta análise exegética que traz clareza a um tema muitas vezes mal compreendido. Oferta Especial: Peça o seu Guia de Estudo "Na Mira da Verdade" gratuitamente através do nosso contacto!

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Série
Fórum Bíblico · 69 episódios
Temporada e episódio
Temporada 1 · Episódio 51
Estreou
09 de Abril de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Marco Figueiredo
Convidados
Artur Machado