Seja muito bem-vindo a mais um episódio do Bíblia Aberta. Semanalmente estamos aqui para lhe fazer companhia, mas também para abrir a Bíblia consigo e podermos descobrir todas as coisas que são importantes e necessárias para a nossa vida, para podermos viver de forma a sermos mais equilibrados, mas também termos mais conhecimento sobre aquilo que Deus deseja e espera de cada um de nós. para que um dia possamos estar na Pátria Celestial que Jesus foi preparar. É sempre um gosto semanalmente podermos passar pela sua casa ou então encontrarmos em qualquer lugar onde esteja, através do canal 186 da Mel. Aqui encontra a TV Novo Tempo Portugal, mas se porventura não consegue ter esta ligação permanente em sua casa, poderá sempre escutar-nos através da Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa, ou então, na internet, encontrará quer no YouTube a TV Novo Tempo, quer também a Rádio RCS.
Portanto, está perfeitamente assinalado aqui onde pode nos encontrar e seguir atentamente tudo aquilo que nós vamos descobrindo através da Palavra de Deus. Como sabe, semanalmente nós aqui abrimos sempre a Palavra de Deus. É sempre muito importante nós termos este livro sagrado bem perto de nós e podermos usá-lo diariamente. Semanalmente nós abrimos aqui com três convidados e são eles hoje, três convidados, dois deles que estão basicamente comigo semanalmente. O Pedro Esteves. Olá, Pedro. Sejas bem-vindo mais uma vez. A Hortelinda Gal. É um gosto ter-te connosco. E hoje vamos ter aqui um novo convidado, o Tiago Albino. Também teólogo. Obrigado, Tiago, por estares connosco e por nos ajudares a encontrar na Bíblia coisas muito interessantes que Deus deixou para cada um de nós.
Esta é uma equipa de teólogos que estão prontos para conversarem sobre aquilo que temos vindo a ter como temática de fundo. Temos falado durante esta temporada da Carta aos Filipenses, depois de terminada começámos na Carta aos Colossenses e basicamente estamos no final da Carta ou da Epístola, se quisermos, escrita por Paulo aos Colossenses. Hoje vamos ter uma perspectiva de Paulo, quanto ao vivermos uns com os outros, quais são as ordens que Paulo deixou para podermos viver de forma mais equilibrada, para sermos mais felizes, quisermos, neste mundo. E por isso vamos começar pela ordem que tem aqui algo muito importante, o amor
no casamento. Para isso, eu gostava de convidá-lo a si que está em casa, não se esqueça, tem que ter a sua bíblia consigo. Vamos abrir em Colossenses, no capítulo 3. Basicamente, vamos estar aqui muito pelo capítulo 3 de Colossenses. No capítulo 3 de Colossenses, versículos 18 e 19, nós podemos ler aqui algo que diz respeito à mulher e ao homem, no que toca ao casamento. Vós, mulheres, estáis sujeitas a vossos maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai as vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Ou seja, quando as pessoas vivem e trabalham próximas, muitas vezes temos aquela tendência, ou se quisermos, de pararme-nos com alguma frequência com alguns desafios.
E alguns até, eu diria, sérios, não é? E podemos ir tão longe que hajam diferenças de opinião que podem causar até algumas tensões e algumas discussões. Pedro, vou começar por ti. Que modelo de autoridade e de amor É proposto por Paulo no que toca ao casamento, à vida cristã, mas também ao casamento cristão. E como é que isto pode afetar as estruturas culturais? É verdade. Este tema é um tema absolutamente decisivo na vida, porque o casamento obviamente é a estrutura essencial da construção da família. E por outro lado, claro, o casamento em si, enquanto instituição e experiência humana, ela tem passado por tantos desafios e por fases e por formas diferentes de ser vivida também, e também processionada dessa ideia das estruturas, processionada socialmente.
O apóstolo Paulo, ao contrário do que pode parecer numa primeira leitura, se quisermos, própria, uma leitura específica do século XXI, é um crente, é um pensador e um teólogo cristão absolutamente defensor da posição da mulher. Eu admito que quem ouve dizer isto, que não esteja muito familiarizado com a Bíblia, depois de expressões como mulheres sejam sujeitas aos vossos maridos, pode parecer uma coisa um pouco estranha. Vou tentar explicar melhor aqui porquê nos próximos minutos. É um tema que me é muito caro, no sentido em que é um tema que eu estudo há muitos anos e que me interessa mesmo como tema de estudo. para aplicá-lo, sobretudo, e para compreender como é que nós usamos os princípios que estão na Bíblia e os conseguimos aplicar de forma universal.
Para fazer esta análise aqui, tentar fazê-la dentro do tempo que nós temos, eu vou trazer aqui um texto porque Paulo explora o mesmo princípio, só que explora-o com um pouco mais de detalhe, de forma um pouco mais alargada do que fez aqui aos Colossenses. É o texto que está em Efésios 5, que é um texto que eu acho absolutamente recomendável para entender o pensamento de Paulo e como é que ele estrutura e posiciona o casamento dentro de uma visão cristã. Por isso vou ler aqui o texto de Efésios 5, partilho aqui do versículo 22. O apóstolo diz assim, Vós, mulheres, sede submissas aos vossos maridos, o mesmo termo, sujeição ou submissão, como são ao Senhor. Assim como a igreja é submissa.
E. Vós, maridos, amai as vossas mulheres da mesma forma que Cristo amou a igreja e deu a sua vida por ela, para a tornar santa e pura. É assim, pois, que os maridos devem amar as suas esposas como uma parte do seu próprio corpo, como a si próprios. Portanto, repito, e agora fiz uma espécie de resumo do que é o princípio que o apóstolo está a estabelecer. O marido deve amar a sua mulher como a si mesmo, e a esposa deve respeitar o marido. Então, eu creio que, reconhecidamente, falar de submissão no casamento, e especialmente no contexto da submissão feminina da mulher ao marido, é um tema absolutamente perigoso de ser falado no século XXI, no tempo em que vivemos.
E ele é perigoso por algumas razões válidas, não digo isso no sentido crítico, Não só porque a história demonstra de maneira triste e evidente, sem discussão, o quanto uma visão machista, se quisermos, da sociedade criou uma estrutura social na qual o homem dominou com autoridade a mulher e a condição da mulher. Felizmente, a evolução não apenas cultural, mas mesmo de uma compreensão da dignidade das pessoas todas. permitiu-nos fugir dessas... Estou a falar de forma global. Há muitos lugares no mundo onde não se fugiu nada disso. Estamos a falar mais do mundo a que nós temos acesso.
O mundo ocidental, onde um conjunto de valores, até cristãos... Cristãos, sobretudo. Sobretudo cristãos, trouxeram uma transformação da sociedade. É certo que ela levou tempo, mas ocorreu, onde obviamente que uma ideia de uma sujeição civil de inferioridade da própria condição da mulher foi ultrapassada e hoje é vista como uma coisa horrível. Mas ainda assim, mesmo numa sociedade já com esses valores, nós sabemos o que é o drama da violência familiar, especialmente sobre as mulheres. E de que de muitas formas, mesmo se a sociedade evoluiu para uma visão globalmente diferente, muitos homens ainda exercem um tipo de relacionamento que é abusivo. O ponto aqui é entendermos de que no tempo em que o apóstolo Paulo escreveu, em que a sociedade estava articulada e estruturada de forma que hoje seria eticamente Seria totalmente inaceitável para nós.
Paulo consegue, como ele sempre fez, aliás, sem provocar a revolução social através da igreja, porque os riscos dessa espécie de revolução cultural seriam gravíssimos, na verdade ele coloca as sementes de uma absoluta revolução de pensamento. Porquê? E agora vamos analisar. Porquê é que nós podemos teologicamente e em termos práticos falar da submissão da mulher no contexto cristão sem ter medo dessa palavra? Porque a submissão do que o apóstolo aqui fala é uma escolha. Porquê é que podemos afirmar isto com tal clareza? Por isso é que Efésios é um texto muito importante. Porque o padrão ou a referência que o apóstolo colocou aqui para a submissão da mulher ao marido, ou seja, a equivalência que ele vai encontrar, é a submissão da Igreja a Cristo.
Ora, como é que a Igreja se submete a Cristo? Em liberdade. Em absoluta liberdade. Especialmente se pensarmos que para nós hoje, mas já era assim no tempo do apóstolo Paulo, Jesus já não estava fisicamente presente na Terra. O que significa que a submissão de alguém a um ser que não existe aqui fisicamente, que não pode vir connosco e de forma violenta ou agressiva dizer agora vais-te submeter a mim, ou seja, é uma submissão que se passa ao nível totalmente mental ou espiritual. Para alguém se submeter ainda hoje a Cristo, como Cristo não está aqui fisicamente para nos obrigar, é uma absoluta escolha. O que quer dizer que a Igreja submete-se a Cristo quando diz assim, Cristo é o Senhor da minha vida.
E então tem que ser um passo que eu dou por absoluta vontade, usando o meu livro arbítrio, usando as minhas experiências e evidências de que tenho, de que por um lado Deus existe, é real, Cristo, e de que a submissão a Ele é uma benção na minha vida. E por amor. Logo, é uma resposta a submissão da Igreja a Cristo. Por isso é que podemos dizer o seguinte. Quando uma mulher encontra abrigo, proteção, confiança, num marido que é ele mesmo um homem confiável, um homem que é uma referência de estabilidade, de amor, de cuidado. Quando uma mulher encontra num marido a semelhança de Cristo, ela vai submeter-se a ele porque tem prazer nessa submissão, porque o amor do seu marido a conforta, lhe dá segurança, projeta nela aquilo que ele é como pessoa, essa estabilidade, essa força, projeta-se nela e, portanto, ela sente-se como parte de um propósito de uma felicidade e, portanto, ela diz eu quero ser deste homem.
E, nesse sentido, Paulo leva para o homem a responsabilidade de ele ir até ao máximo que ele pode, que foi como Cristo foi ao máximo. Como Cristo, é a entrega total. Por isso é que agora, se viermos para a responsabilidade, porque aqui é como se fosse a responsabilidade da mulher a esta submissão por estas razões, e é evidente que ele ainda é um pouco mais enfático, aliás tem dois versículos para explicar ao marido que o que ela tem que fazer é amar a sua esposa. Mas uma questão agora de gestão do tempo, Muitas pessoas consideram, há um livro que eu li, que sempre me inspirou bastante, que fala sobre este texto de Efésios 5, 33, como uma espécie de referência, de padrão, dessa unidade planeada por Deus para o casamento, que é a oferta destes dois dons, o amor e o respeito.
E o conceito é de que há um ciclo, não vicioso, mas virtuoso na relação matrimonial, que cria um padrão em que cada um oferece o melhor que pode oferecer, para que o outro se desenvolva e se sinta plenamente realizado como pessoa. Esse sentido de oferta é o amor e o respeito. Portanto, o marido oferece amor, que é o melhor que pode dar para as necessidades e anseios da mulher, e a mulher oferece respeito. Mas, Paulo, vai um pouquinho mais longe. Um amor semelhante ao de Cristo. Porque o nosso amor pode ser um amor perigoso. É esse amor que protege. É esse amor que serve. Logo, podemos dizer que quando os casamentos são um desequilíbrio deste padrão, Estas mesmas palavras, na verdade, podem ter sentidos que na prática são dramáticos.
O homem pode dizer, amo-te tanto que não sais daqui e não fazes nada porque eu te amo. Assim como uma mulher, claro, pode oferecer de forma invertida esse dom de respeitar. E então ela pode manipular, criticar, ou seja, criar condições para inverter o propósito destes dois dons. Esse livro de que vos falei há pouco, Amor e Respeito, é o nome do livro, de Emerson Egrix, o americano, eu vou citar aqui duas pequenas passagens, meias humorísticas, que explicam um pouco o conceito. Ele diz o seguinte, infelizmente a abordagem de algumas esposas é constantemente criticar para assim motivar o seu marido a tornar-se mais amoroso.
Esta abordagem, em geral, é tão bem-sucedida quanto tentar vender luvas de boxe à Madre Teresa de Calcutá. E depois diz ao contrário. Alguns maridos o que é que fazem? Decidem motivar as suas esposas a serem mais respeitosas por meio de atitudes sem amor. Isso, em geral, tem tanto sucesso quanto tentar vender frigoríficos a um esquimó. Por isso é que estas duas verdades, estas duas experiências, devem ser oferecidas. Poderíamos dizer assim aos maridos que aqui nos vêm. Ama a tua mulher de tal forma, todos os dias, que ela escolha respeitar-te e o seu maior desejo seja submeter-se a ti. Ou seja, ela quer ser tua. E às esposas, eu diria respeita-a e entrega-te ao teu marido de tal forma que amar-te, honrar-te, encher os dias de felicidade sejam o grande objetivo e propósito da sua vida.
Quanto mais o marido e a esposa trabalham, digamos, nesta perspectiva, nesta verdadeira aventura, como uma equipa, mais feliz é o casamento. Creio que nós não temos dúvidas disso. Mas há uma outra ordem que Paulo vai introduzir também aqui em Colossenses 3, já não tanto virada para marido e mulher, mas para ou entre filhos e pais.
Se formos ao capítulo 3 de Colossenses, Lendo agora os versículos 20 e 21 diz, Vós filhos, obedeceiem tudo a vossos pais, porque isto é agradável aos senhores. Vós pais, não irriteis a vossos filhos para que não percam o ânimo. É muito interessante, não é? Chamemos-lhe a esta relação de filhos e pais, talvez, a empresa familiar. Vamos olhar aqui numa perspectiva mais empresarial. E talvez possamos constatar, pelas palavras do apóstolo Paulo, que os filhos têm um papel relevante, vital se quisermos, nesta empresa familiar. Ou seja, eles têm um papel também que é preciso termos em conta. Hortelinda, como é que este equilíbrio, vamos aqui dizer que Paulo menciona entre obediência e cuidado, define, se quisermos, um modelo bíblico, aquele modelo bíblico correto de educação e ao mesmo tempo de autoridade parental?
Ok, alguém disse que ser pai é ter um empreendimento que vai durar pelo menos 18 anos, em que se trabalha 24 sobre 24 horas, não é? Não há descanso. É um empreendimento total. Mas eu acho interessante estes conselhos de Paulo e eu gosto de os compreender dentro do seu contexto. E o pano de fundo destes conselhos de serem uns submissos aos outros, marido à mulher, a mulher ao marido, também o marido à mulher, porque antes ele disse ser sujeitos uns aos outros, é dentro do contexto da questão essencial da epístola aos colusenses e aos filipenses que nós estudamos, que é realmente a descoberta daquilo que é o mistério de Deus.
Ou seja, o mistério de Deus é o tema fundamental destas epístolas. Este mistério é o amor de Deus pelos humanos, que foi tão alto, tão longe e foi tão forte, que deu o seu próprio filho. Levou o Deus a encarnar e a dar-se para salvar a humanidade. Então, este amor de Deus está no centro de todos os relacionamentos e deve ser o enquadramento para todos estes. todos estes relacionamentos. Ser submisso, o apóstolo diz, no Senhor. Ser de submissos, no Senhor. Educai, no Senhor. Ser de patrões empregados, no Senhor. Ou seja, é este no Senhor, finalmente, que resume aquilo que Paulo quer dizer.
É como se Paulo quisesse dizer que este Senhor é o amor que ele manifestou por nós, Que o amor é, neste mundo, a única coisa que pode superar as diferenças entre ricos e pobres, entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre patrões e empregados. Aquilo que não é possível fazer através de leis humanas. O amor pode realmente fazer. No amor podes superar todas as diferenças e podes realmente alcançar esse padrão que Deus tem para o humano. Porque é este o objetivo que Deus tem para o humano. O que Deus quer do humano, como Deus o quis e como Ele o quer e onde Ele o quer. o que é relevar, que está na base de todos estes relacionamentos e de toda a nossa ação dentro destes relacionamentos.
Então nós podemos dizer que o modelo bíblico para a educação é este mesmo, é o do amor, é de orelhar-se o outro. como alguém para quem Deus tem um plano e um projeto e que tu vais entrar nesse plano e nesse projeto. Ser pais é realmente isto, é ser instrumentos de Deus para a realização de um projeto, que é o seu filho. Mas o seu filho, como diz o poeta, os nossos filhos não são nossos. Vêm por nós, mas não de nós. E ainda que vivam conosco, não nos pertencem. Portanto, eles pertencem a Deus e os nossos filhos são um plano e um projeto de Deus. E Deus, desde o início, já desde lá de Moisés, Ele indica como construir este projeto, que é Dele.
Nós somos intervenientes, somos instrumentos nas mãos de Deus. Eu gostaria de partilhar este texto. Portanto, o Pedro foi a Efésios para o casamento e eu vou a Deuteronómio para a educação e para a transmissão de valores. Em que Deus diz no capítulo 6 de Deuteronómio e no versículo 6 ele diz estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. e tu as inculcarás a teus filhos. Delas falarás, assentado em tua casa, andando pelo caminho, deitando-te, levantando-te. Também as atarás, por sinal, na tua mão, e descerão por testeiras entre os teus olhos, e as escreverás nas ombreiras da tua casa e nas tuas portas." Este é, poderíamos dizer, um texto fundador sobre a educação e a relação de pais com filhos e sobre a transmissão do conhecimento de Deus portanto aos filhos.
E como é que estes conhecimentos se transmitem? Falando, não é? Como diz aqui, eu gosto muito deste, há aqui uma cadência, não é? Falarás aos teus filhos sentando-te em tua casa, andando pelo caminho, deitando-te, levantando-te. Há aqui uma sucessão de atos que estão todos no gerúndio, como vocês sabem, e o gerúndio indica uma ação continuada, não é? É falando com eles, é caminhando, é sendo interlocutor e ao mesmo tempo sendo modelo, não é? É sendo modelo. Hortelinda, deixa-me só talvez aqui colocar uma tónica. Para fazermos isso tudo precisamos ter tempo ou deixar que o tempo nos permita fazer esse acompanhamento.
E hoje nós vivemos numa situação em que os pais supostamente não têm tempo. Não têm tempo, mas eu penso que isso é talvez uma falácia. Porque o que o texto diz é. Que tu não precisas de ter um tempo para. Tu tens a criança o máximo de tempo contigo. E é falando, é interagindo, levando-o para onde tu o podes levar, conversando com ele. É verdade que os pais hoje, os filhos não seguem a profissão dos pais, não é? Mas antigamente os filhos iam para a oficina com os pais, iam para o campo com os pais, iam para o trabalho com os pais muitas vezes. E era este caminhar, falar, sentar-se. Ou seja, nós educamos os nossos filhos conosco, com a vida, com a nossa maneira de estar, de agir, de nos comportarmos, as escolhas que nós fazemos.
Porque o primeiro rosto que as crianças têm de Deus é o rosto dos pais. É o nosso. É o rosto dos pais. Nós somos o primeiro Deus das crianças e vamos marcá-las para sempre. Então temos que cuidar este caminhar, andar, sentar, levantar, a maneira como nós vivemos. Porque é isso que vai valer e é isso que vai ficar. Claro que é muito importante todos os outros instrumentos que nós usemos na educação. O principal já vimos que é o amor. Há um autor americano, Brofren Brenner, ele diz que a criança, para se desenvolver harmoniosamente, necessita de alguém verdadeiramente apaixonado por ela. A criança necessita deste amor, desta dedicação, necessita de estar no centro, pelo menos nesta pequena infância.
A criança morre por falta de amor, como morre por falta de alimento. E quando ela sente esse amor, ela se submete de alguma maneira. E quando ela sente esse amor, Conseguimos. Perceber o papel da mulher. É esta obediência. É uma obediência consentida. Claro que também não podemos dizer que tudo se faz só com amor e água fresca. De maneira nenhuma. A criança também é um ser imaturo. E é um ser desadequado, muitas vezes. E para o podermos orientar, também necessitamos de o contrariar. Quando o apóstolo diz aqui, não contrarieis os vossos filhos, de certeza que ele não quer dizer que temos que estar sempre de acordo com eles. Porque ser criança é ser imaturo, é ter uma visão da realidade deformada, incompleta e, portanto, precisa de ser orientada.
E é isso que se chama a disciplina. Os pais têm duas ferramentas, que é o amor, que é o que prepara o terreno, o que torna a criança receptiva, e depois é a disciplina. A disciplina, muitas vezes, associamos isso à punição, mas a disciplina não é isso. Como sabemos, a palavra disciplina é a raiz da palavra discípulo. É tornar seguidor. Então, é atrair a criança para o caminho que tu queres que ela percorra. E mesmo aí, o caminho que tu queres que a criança percorra, necessita do teu cuidado, da tua atenção, da tua humildade, para veres qual é o caminho da criança. Porque não é o teu, forçosamente. Então, ser pai é se estar atento, é estar à escuta, é estar sempre em interligação para conhecermos qual é.
Porque uma criança não é uma folha em branco. Ela já tem o esboço de quem ela é. Ela é um projeto de Deus, que os pais têm que descobrir na relação com ela e depois pôr realmente em movimento. Portanto, a disciplina é importante para corrigir. para orientar. Poderá ser algumas vezes importante para punir, mas mesmo assim essa punição não terá que ser uma punição violenta. Punir é realmente corrigir e a criança tem que aceitar isso, porque ela é uma criança que não se pode proteger a si mesma. E para isso os pais, como falas aqui na tua pergunta, precisam de autoridade. Mas é muito importante saber a diferença entre ter autoridade e ser autoritário.
Quando tu és autoritário, tu impões, tu esmagas a vontade da criança. E isso vai fazer com que a criança, a tal irritação... Não irriteis os vossos filhos. É uma atitude que é provocada pelos pais quando os pais não sabem chegar, portanto, ao coração e à necessidade da criança. Quando os pais precisam desmagar, A criança, alguma coisa não está a correr bem. E depois é importante dizer uma coisa. Nós queremos influenciar os nossos filhos para lhe transmitir todos os valores que para nós são importantes, espirituais e outros. Mas devemos pensar que quanto mais dominamos, menos influenciamos. Quanto menos dominas e conquistas a criança, portanto, para aquilo que tu lhe queres transmitir, ela nunca vai esquecer isso.
Se ela assimilou com irritação, tão depressa que ela deixa a casa parental, ela fará o contrário daquilo que lhe impuseram. Portanto, o valor não pode ser imposto. O valor é ensinado e depois é vivido. E é sempre o melhor recurso dos pais. É o seu exemplo. Ainda há pouco tu falavas que realmente as crianças, o primeiro rosto que veem no fundo, se nós queremos que elas vejam... O primeiro rosto de Deus. Deus é o nosso, não é? Eu tive aqui uma certa preocupação e fui encontrar aqui uma estatística muito interessante. relacionada até com a igreja. Os estudos mostram que quando ambos os pais vão à igreja, a porcentagem dos filhos que permanece na igreja é maior, ao contrário daquilo que sucede quando um dos pais apenas vai à igreja.
Sobretudo o pai. Quando o pai não é crente, é mais difícil. É mais difícil. Exatamente. Porque esta mesma estatística mostra de facto, surpreendente, que a permanência dos filhos na igreja é maior na idade adulta sobretudo com a frequência consistente do pai na igreja, como tu estavas a dizer, mais do que a par para par da mãe. Ou seja, o papel do pai na formação espiritual dos seus filhos é, sem dúvida, um papel fundamental e não pode ser substituído. Agora, Paulo não fica apenas pelo lar. Paulo vai um pouquinho mais longe nestas perspectivas, nestas ordens, e ele vai apresentar também ordens perante o trabalho, perante os escravos, porque na
altura o termo escravo era algo que era muito familiar entre as pessoas, e os senhores. Se formos a Colossenses, capítulo 3, Lendo agora o versículo 22 e depois saltarmos para o capítulo 4, versículo 1, diz o seguinte. Coisa curiosa, que ele leva sempre o foco para as coisas divinas. E depois, no capítulo 4, versículo 1, diz... sabendo que também tens um Senhor no céu. Tiago, que comentário nós podemos fazer aos princípios que Paulo está a indicar nestas duas passagens, naquilo que toca às relações de trabalho, sobretudo quando ele fala de servos e de senhores?
Já vou tirar aqui um bocadinho o impacto do escravo, o servo e o senhor. Pronto, eu acho que é muito interessante que Paulo começa por falar, também, e tudo isto que nós temos estado a falar aqui, todas estas aportações, vêm no seguimento deste capítulo 3. E algumas bíblias têm aqueles mini-títulos e dizem que o início do capítulo 3 fala do amor fraternal. E é muito interessante que logo no capítulo 14 diz que o amor é base de tudo. de todos estes relacionamentos, tanto do marido e da mulher, tanto do relacionamento dos pais, como a pastora Artalinda falou, e também vai passar para estes relacionamentos de trabalho. É claro que muita gente, quando falamos de escravatura... Relembrando, neste início do primeiro século, se calhar dizem que parece que a Bíblia aprova a escravatura.
E não é nada disto. Da mesma forma que Paulo não quis causar uma revolução social ao não falar das diferenças, se calhar claramente que nós hoje vivemos entre marido e mulher, da igualdade, ele também não faz aqui a questão de que não deve haver escravatura. Mas ele fala sobre as relações principalmente com Deus. O interessante é que ele põe sempre Deus em primeiro lugar. O relacionamento tanto do escravo, servo, para com Deus em primeiro, e do Senhor para com Deus em primeiro. E se isto acontecer, então o relacionamento entre eles vai ser uma coisa complementar. É muito interessante também que, ao falarmos sobre isto, nós temos uma história na Bíblia que exemplifica exatamente isto. E é em Filemon. Nós temos a história de Filemon, por uma questão de tempo vamos abreviar bastante, mas nós temos um escravo que foge, que desobedece ao seu senhor, que perante a lei, se fosse hoje, se calhar, seria despedido, ou seja, não teria sequer a hipótese de voltar, mas que, palo, motiva o seu senhor, ou aquele que tinha a responsabilidade por ele, de lhe dizer, olha, recebe-o outra vez, não o punas, mas trata-o como irmão.
este relacionamento de igualdade. E aí já é quase uma revolução. Uma revolução! É uma completa revolução. Se fosse hoje, até hoje, o próprio senhor da empresa, vamos fazer aqui um bocadinho de papel, atualização, de trazermos para hoje alguém que tenha a sua própria empresa, um trabalhador que tenha abandonado e diga não quero mais trabalhar, como é que nós vamos receber alguém que nos tenha traído? E parece que não, mas é muito interessante que nestes pequeninos versos Paulo faz uma revolução social, apesar de, para muita gente, como nós temos estado a falar aqui, que não tem esta visão bíblica, pode parecer que ele está a aprovar a escravatura, ou está a incentivar a escravatura. E não é nada disto. Ele diz sempre, trabalhadores, servos, trabalhem como se fosse para quem?
Para Deus. E isto, para nós, até nós, como trabalhadores simples, qualquer que seja o trabalho, se nós tivermos Deus em primeiro lugar, vai mudar completamente a visão do nosso trabalho. E isto vai desde as classes mais baixas, vamos falar assim, do trabalhador mais normal de uma empresa, não é? O trabalhador fabril, vamos chamar assim, o que quer que seja, até ao próprio CEO de uma empresa multimilionária. Estes relacionamentos, se forem para Deus em primeiro lugar, vão alterar as relações dentro da própria empresa, dentro do próprio trabalho. Estarmos contentos com a posição que estamos e saber que ela vem de Deus é, sem dúvida, algo necessário para nós fazermos um excelente trabalho. E temos tantos, tantos exemplos na Bíblia de pessoas que começaram como escravos.
José, Daniel, tantos outros que depois foram postos em grandes posições pela sua fidelidade quando eram escravos. E nós esquecemos que a Bíblia vem desse contexto. Então, quando Paulo fala sobre aqui, e depois nós até vamos falar, ainda hoje, sobre mais deste onésimo, que é muito interessante, como ele se manteve, nós não sabemos, mas pelo que aparenta, continua como escravo, dentro do seu plano social, mas é um ser fiel de Deus. E isto leva-nos a nós a motivar que, independentemente do sítio onde estejamos, do trabalho onde estivermos, o princípio é o mesmo. sermos fieis a Deus, fazermos o melhor no trabalho que nós temos, e então Deus vai abençoar. E da mesma forma, Paulo fala da mesma coisa, 4.1, né, Colossenses 4.1 diz, senhores, atenção, patrões, atenção, tratem os vossos trabalhadores como se tivesse um Deus acima de vocês.
Vocês vão dar contas, não é? Da vosso relacionamento. Não sejam os senhores que nós imaginamos de tratar mal os escravos. Sejam aqueles que respeitam como irmão. Tratar de igualdade. E isto, muitas vezes, também é difícil para quem tem uma posição bastante alta. Mas é muito interessante vermos este princípio fundamental de tratarmos uns aos outros como irmãos. A conversa está claramente a fluir como Deus quer, mas nós temos de fazer um intervalo. É um intervalo muito curto. Vamos sair, voltamos já a seguir. Voltamos para a segunda parte do Bíblia Aberta de hoje. Como sabes, é sempre um privilégio muito grande podermos estar na sua companhia, podermos trazer-lhe aquilo que a Bíblia nos apresenta a nós, enquanto teólogos, mas também como seguidores de Jesus e dos seus princípios bíblicos.
Mas, antes de voltarmos à conversa, eu quero propor-lhe um guia de estudo da Bíblia, bastante interessante, que tem por título Mente Feliz. Não sei se, porventura, está a passar por uma situação mais difícil, de alguma ansiedade maior, ou se conhece alguém que está, digamos, numa situação de alguma ansiedade, este guia de estudo tem alguns temas muito interessantes, como por exemplo, a cura para a ansiedade, como lidar com a doença que é a doença do século, uma vida leve começa aqui, ou seja, como ter paz em meio a muitas situações difíceis, enfim, se desejares. Receber gratuitamente este guia de estudo em sua casa é muito simples. Basta que mande uma mensagem para o 933 939291, 933 939291, solicitando este guia de estudo com o título Mente Feliz.
Teremos muito gosto em oferecer-lhe gratuitamente. Ele chegará à sua casa e será para nós um privilégio podermos partilhar estas mensagens consigo. Vamos voltar à conversa com os nossos três convidados, o Pedro, a Hortelinda e também o Albino. Podemos ver mais alguns princípios, vimos três bastante interessantes.
Vamos ver mais alguns princípios e normas que podemos retirar aqui de Colossenses, sobretudo agora do capítulo 4. Estamos mesmo a terminar aqui o capítulo, o livro, digamos assim. Capítulo 4, versículo 2 e 3, vai nos falar aqui de dois aspectos muito interessantes. Vamos ler. Capítulo 4, versículos 2 e 3. Ainda há pouco, a hortelina estava assim uma pinceladazinha aqui no mistério de Cristo. Pedro, a oração é, digamos, um meio de conectividade e interatividade que nós podemos ter com o céu.
Antes de te fazer uma pergunta e poder responder, no livro O Grande Conflito eu encontrei esta frase que eu penso que é bastante interessante. Faz parte do plano de Deus concedernos, em resposta à oração da fé, aquilo que ele não concederia se não o se não o pedíssemos assim, ou seja, se nós não fôssemos ter com ele pela oração. Eu achei esta frase muito interessante. E juntando a esta perspectiva de Ellen White, Pedro, como é que nós podemos... Como é que Paulo relaciona aqui a questão da perseverança na oração e, ao mesmo tempo, esta abertura de portas para a pregação do Evangelho? Sim, ele liga claramente essas duas vertentes. Porque ele diz, ele pede, aos colusenses, orem por eles, mas não diz orem por mim para que eu esteja melhor, para que eu tenha saúde...
Se ele saia da prisão. Se ele saia da prisão, nem isso. É curioso, não pede absolutamente nada para ele. Ele diz apenas orem por nós para que Deus nos abra a porta da palavra. Fantástico. Para que a missão continue a ser feita. Onde quer que estivemos. No fundo o apóstolo Paulo tem esta visão em que a sua identidade se confunde, está totalmente fundida com a sua missão. Ele existe para cumprir essa missão. É por isso que ele não precisa pedir que orem por ele para outras coisas, porque qualquer situação em que ele se encontre, por isso é que ele dizia que até estava bem preso, desde que isso lhe permitisse pregar a palavra estava ótimo. Essa conformidade de Paula é uma coisa absolutamente surpreendente e inspiradora para nós, claro.
Por isso, sem dúvida, aqui estão as sementes do que nós poderíamos chamar essa intercessão que é missionária. Ou seja, é uma oração que tem como centro a ideia de orar para que outros venham a ter esta graça de conhecer a palavra de Deus. para que o Evangelho, esse poder de transformação da vida, alcance a vida de outras pessoas. Curiosamente, muitas das pessoas que não estão ainda alcançadas pelo Evangelho são pessoas que não estão conscientes da sua necessidade. A maioria, provavelmente. Pode haver algumas pessoas que andem à procura de algo na sua vida. Até estão, às vezes, ativamente à procura disso.
E Deus, claro, opera através de meios e circunstâncias. Mas há muitos que nem sequer estão conscientes. Até são opostos a uma ideia de fé. Mas estão muito necessitados. Ou seja, nem todas as necessidades que nós temos são aquelas que nós reconhecemos como necessidades. Grande parte das vezes as nossas necessidades são aquelas que nós não vemos. Por isso é que elas são necessidades. Porque somos cegos para elas. Totalmente inconscientes. Como que adormecidos para uma coisa muito importante na vida que nós não temos. Por isso eu imagino que o apóstolo Paulo precisamente a pensar em tantos, entre os gentios, digamos pessoas que tinham religiões pagãs, ele pensaria tantos que nem nunca ouviram o nome de Jesus sequer.
Então ele diz, orem, mas é para que eu consiga alcançar esses, de alguma forma. Mas neste pequeno texto, nesta exurtação espiritual, Paulo também coloca aqui algumas dessas sementes sobre a prática e o que é realmente uma vida de oração. Ele usa dois termos aqui que são muito especiais. Perseverança, que é perseverar em oração, e depois velando, que é um verbo muito curioso, muito bonito. Qualquer uma destas expressões, Elas representam o quê? Essencialmente continuidade, permanência, vigilância. Ou seja, Paulo não está a apelar a que se faça uma oração.
Paulo não está a apelar aqui, se quiserem, ao pragmatismo da intercessão. um termo que gosto mais ou menos de inventar aqui, que é esta lógica, muito conhecida e muito praticada entre os crentes, sejamos honestos, que é o pragmatismo intercessório, que é nós oramos quando há uma necessidade grande. Normalmente a lógica deste pragmatismo é quando alguém que eu conheço e que eu amo fica gravemente doente, eu digo assim, opá, tenho que orar. A pessoa tem risco de vida. Normalmente a realidade é que quanto mais grave for a doença da pessoa, então mais forte é o nosso ímpeto e a motivação para orar. Eu vivi esta realidade várias vezes ao longo da minha vida, especialmente no contexto do meu ministério como pastor, em comunidades cristãs, em igrejas, que é.
As igrejas, no seu dia-a-dia, na sua rotina, não estou a falar da vida privada das pessoas. Embora nós, como pastores, também temos uma perceção do que é a vida espiritual das pessoas. Mas, sobretudo na vida comunitária, nós vemos assim, não há um grande foco, ninguém está muito preocupado em orar, se calhar ninguém aparece nos momentos que nós queríamos para orar, até que de repente, não sei, daquela comunidade, vem uma bomba, uma notícia bombástica, não é? Alguém que ficou gravemente doente. Ui, as pessoas emocionam-se, as pessoas ficam com o coração apertado e normalmente começa então a utilizar-se um termo. Vigília. E então começamos a fazer vigílias de oração. E de repente, uma igreja onde numa determinada reunião ou encontro de oração vinham 5 pessoas, agora vêm 50.
Mas o que motivou aquela experiência Que eu não estou a desvalorizar como se fosse uma coisa que não vale nada. Não, é uma experiência real. As pessoas não estão ali falsamente. Não é isso que eu estou a dizer, não é? As pessoas estão ali realmente com o coração agora empenhado em orar por uma pessoa. Mas o sentido é que, como não havia um sentido de urgência sobre a oração, é um fator externo que cria o sentido de urgência. Eu digo, é urgente orar. Porquê? Porque há um problema. É este o pragmatismo das nossas orações, muitas vezes. Ora, é por isso que é muito relevante que o apóstolo não diga aqui, não fale desse pragmatismo, não tenha que dramatizar do tipo, orem porque agora o tempo é muito importante ou porque eu estou aqui numa grande aflição.
Ele diz, velem em oração. Continuamente. Nós utilizamos o termo, no português, vamos dizer, quase que só utilizamos o termo velar, que é um verbo meio antiquado, muito pouco utilizado no dia-a-dia, numa situação. Quando alguém morre. Nós chamamos mesmo, como é que se chama? Velório. O velório. Porquê? Porque a pessoa, neste caso, o corpo da pessoa vai ser velado.
E qual é o sentido, em termos práticos, do que é que acontece quando se está a velar um corpo? É, as pessoas ficam ali. Por isso o apóstolo Paulo está a dizer, fiquem na oração. Não é só orem, fiquem na oração. E temos, portanto, aí um apelo tremendo do apóstolo aqui para nós aprendermos este segredo. Não fiquemos à espera das dores e dos problemas para orar. Oremos! É este o apelo, tão simples e profundo. A importância da oração na nossa vida é quase como a nossa necessidade de respirar. Se nós olharmos para este princípio, muito provavelmente vamos dar muito mais valor à oração, não quando temos apenas um grande problema, mas ao longo da nossa vida.
E isto leva-nos de certeza a andar em sabedoria, que é o ponto que Paulo vai agora tocar. A nota vai passar agora para a certeza de andarmos em sabedoria. Se formos ao capítulo 4 de Colossenses, lendo o versículo 5, diz, andai em sabedoria para com os que estão de fora remindo o tempo. Portolindo, o que é que Paulo queria dizer quando afirmou que devemos andar em sabedoria perante os de fora e ao mesmo tempo remir o tempo? Talvez seja bom vermos o que quer dizer sabedoria. O que é sabedoria? Sabedoria não é uma acumulação de conhecimento. Mas também faz parte da sabedoria ou conhecimento.
Mas a sabedoria é a maneira adequada e justa como nós gerimos, vivemos e aplicamos o conhecimento. Aquilo que nós conhecemos. No sentido cristão, podemos dizer que é a maneira como aplicamos à vida prática nos nossos comportamentos, nas nossas escolhas, nas nossas decisões, nos nossos relacionamentos, aquilo que sabemos de Cristo, a palavra de Deus e aquilo que aprendemos e a maneira como o fazemos diante dos não cristãos. Porque diz aí o apóstolo, andai com a sabedoria diante, portanto, dos que não são cristãos. Então, esta sabedoria, que é uma maneira justa, positiva de aplicar o conhecimento, tem, pelo menos, muitas características, mas eu escolhi três, para que nós pudéssemos um pouco falar sobre elas.
A primeira característica da sabedoria é a humildade. Só a pessoa humilde sabe que não sabe. Só a pessoa humilde sabe o quanto lhe falta saber. Então a pessoa não se ofana do que sabe. É uma pessoa que é humilde, que vai usar o que sabe com humildade e que sabe que aquilo que sabe de Deus Como diz o livro de Provérbios, é apenas a orla dos seus caminhos. A realidade é tão imensa e a nossa penetração é tão limitada. Então, ter consciência da nossa limitação, ter esta humildade, é uma característica de ser sábio. Uma outra característica é a coerência.
E o que é a coerência? A coerência é a fidelidade àquilo que eu sei que é bom, que acaba por ser uma fidelidade a si próprio. A pessoa que é sábia é uma pessoa que é coerente. A sabedoria exclui a duplicidade. Dizer o que não se pensa, parecer o que não se é, agir contrariamente ao que se crê. Isso é uma duplicidade, não faz parte, portanto, da sabedoria. A sabedoria faz sempre coincidir o que se pensa o que se é, com o que se faz, com o que se crê. É uma honestidade profunda em relação com aquilo que se conhece na vida prática.
E depois a terceira característica é a adequação. A pessoa que é sábia, é uma pessoa adequada, é a perceção do que pode ser dito, quando pode ser dito, o que deve ser dito, faça as circunstâncias e em função da pessoa que tens diante de ti, em função da situação em que se encontra. O texto fala aí da palavra temperada com sal, que eu penso que será, portanto, o Tiago que vai falar sobre isso, mas isso quer dizer que É ter a graça de ser adequado ao momento, à situação, à pessoa. Portanto, é um saber que não se tira dos livros, mas que se tira realmente de um relacionamento profundo com as pessoas.
É ter também uma coisa, que é o sentido da oportunidade. É por isso que tu perguntas o que é isto de remir o tempo. Isto de remir o tempo pode ter duas interpretações. Remir o tempo é encurtar o tempo. Pode ser o tempo que nos separa ainda da segunda vinda de Jesus. Andem em sabedoria remindo o tempo, para que o Senhor venha mais depressa. Mas também pode ser andem em sabedoria aproveitando todas as oportunidades para realmente levar o Senhor àqueles que o não conhecem. E dentro do contexto desta segunda... posição é realmente mais adequada. É o kairos. O tempo da qualidade. O tempo da qualidade. A oportunidade. O tempo em que tu podes intervir. Aproveitas e intervais. Portanto, ser cristão, agora para nós, aplicando isto a nós, ser cristão é ser colocado no meio de uma sociedade que em princípio não conhece o Senhor.
E que nós somos seus representantes. Jesus escolheu, chama a igreja o seu corpo. O corpo é a maneira de estar visível, presente, tocável, enfim, completamente apoderarmo-nos dele. O corpo é o que traduz, o que pensas, o que sentes, quem tu és. Então, nós somos o corpo de Cristo. Ou seja, é através do nosso agir, do nosso comportamento, das nossas escolhas, que todos que estão à nossa volta realmente vão saber não só quem nós somos, mas o que é mais importante é quem é Cristo e como é Cristo. Daí a nossa responsabilidade de andar em sabedoria. Eu costumo dizer que o Senhor não escolheu apologetas. O apologeta é aquele que defende a fé com raciocínios, com argumentos.
E são muito importantes os apologetas. E há alguns que nos aportam muitíssimo, não é? E venham mais apologetas para o nosso tempo. Mas o Senhor escolheu testemunhas. E a testemunha não é apenas a polujeta no sentido do argumento. A testemunha é aquela que diz quem Jesus é pelo seu comportamento. E é isso que Jesus quer que nós façamos. O crente é a prova. de que aquilo que Jesus disse é real, é para valer e nós podemos confiar. Talvez o mundo esteja a necessitar de testemunhas mais poderosas do que nós somos, mas nos deixemos imbuir deste Espírito de Cristo para podermos ser testemunhas que possam realmente transformar o mundo revelando quem é Jesus.
Seguindo aqui esta perspectiva da sabedoria de Paulo, Paulo por fim vai preocupar-se muito com aquilo que nós podemos dizer ou podemos falar, e ele vai falar na qualidade das palavras. No versículo 6 do capítulo 4, ele vai dizer que a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um. Eu diria que Paulo não se esquece de nada, de nenhuma das áreas fundamentais da nossa vida e aqui nós, de alguma forma, ele dá aqui uma importância grande. Atenção àquilo que tu dizes, a forma como dizes e o efeito que isso vai provocar na outra pessoa. Tiago, vamos talvez só aqui mencionar alguns critérios bíblicos que encontramos neste versículo e que Paulo considera fundamental no discurso cristão.
É muito interessante, e continuando o que a pastora Tavolino estava a dizer, é fundamental saber como falar. Nós sabemos isto como princípio básico de comunicação. E é super interessante que o próprio Paulo era uma polujeta. O próprio Paulo tinha uma capacidade argumentativa gigante. E ele, no seu ministério, reconhece a necessidade destas palavras. De umas palavras temperadas com sal. E ele, se calhar, em várias oportunidades, não as teve. Ou seja, ele foi um apologeta, mas também uma testemunha. Sem dúvida. E o interessante é que ele reconhece que ele, se calhar, em alguns momentos, a apologética, a capacidade argumentativa, por factos, não era o suficiente.
E é por isso que ele vem e fala sobre a necessidade de termos sempre este relacionamento para podermos responder a cada um consoante a sua necessidade. E isto muitas vezes não vem de nós, não vem da nossa capacidade, vem, sem dúvida, do nosso relacionamento com Deus. E é por isso que eu gosto muito o temperadas com sal, não é? Porque todos nós, em certa altura da nossa vida, já tivemos que se calhar conversas salgadas, conversas ásperas, que nos deixaram um mau sabor na boca. E o interessante aqui é que Paulo nos remete a isto de sermos coerentes, calmos, a capacidade de nos acalmarmos mesmo perante alguma coisa que nós não gostemos de ouvir. E até em debates, mesmo dentro das próprias religiões, mesmo dentro do próprio cristianismo, já nem estamos a falar de divergências teológicas.
Estamos a falar mesmo dentro do próprio cristianismo, dentro das próprias famílias. Todos estes temas que nós falamos, se a comunicação for áspera, todas elas vão sofrer. Desde o marido e a mulher, desde os pais e os filhos, desde os empregados e os patrões. Então que todas estas palavras sejam temperadas com sal e sempre com A oração. A questão da oração, de nos saber, de conectar com o espírito, para nós podermos então saber o que dizer. Todos nós aqui temos bastante conhecimento bíblico. Podemos argumentar que, se calhar, nós poderíamos debater alguns painéis, até só com o nosso próprio conhecimento. Mas não, se calhar, da forma correta. Paulo experimentou isso. Paulo foi aquele que, se calhar, perante um europago, disse, conseguia argumentar, mas não teve o resultado, se calhar, que poderia ter tido se fosse uma testemunha, se entrasse só pelo caminho da testemunha e dizer, eu estou aqui só para vos mostrar a Cristo e este crucificado.
E é o que ele faz no seu ministério. E é por isso que ele também, eu acho que aqui, ele quase que a título de resumo, de fim de caminhada, de muita experiência, de falar a muita gente, ele diz, temperadas com sal, para que o Espírito vos possa mostrar como falar a cada uma das pessoas. e que nós aqui também possamos ter esta capacidade nas nossas interações pessoais, familiares, de podermos falar a cada um, consoante o que cada um deve ouvir e também que nós devemos falar. Quase que nós podemos terminar este episódio dizendo que Paulo tinha esta dupla nacionalidade cristã, não é? Era uma apologeta mas ao mesmo tempo um verdadeiro testemunho.
Sem dúvida. Chegámos ao fim de mais um episódio do Bíblia Aberta, foi sempre muito boa a conversa e temos pena que o tempo tenha praticamente terminado, mas quero lhe dizer que esta série, temos estado a estudar Filipenses e Colossenses, só nos falta ver os últimos versículos do capítulo 4 de Colossenses e isso ficará para a próxima semana e digo-lhe já que esta equipa dos meus convidados voltará para a semana para podermos continuar esta conversa que eu acredito que vai ser também muito interessante e muito importante. Antes de nos irmos embora, relembro-lhe mais uma vez que temos este guia de estudo que poderá ser obtido gratuitamente se ligar ou se enviar uma mensagem para o 933 939291.
É um guia de estudo que tem por título Mente Feliz que vai, sobretudo, tratar de temas que dizem respeito à nossa mente. também à nossa espiritualidade, mas sobretudo aquilo que diz respeito ao cuidado que devemos ter com a nossa mente. Fica então esta proposta. Se quiser receber gratuitamente é só me dar uma mensagem para o nosso número de telefone. Ficam as nossas despedidas. Certos de que para a semana voltaremos. O Bíblia Aberta vai estar aqui. Se quiser ver novamente este programa, poderá ver através do YouTube, poderá voltar atrás no seu televisor, ou então poderá esperar por nós, ou então poderá ouvir-nos na Rádio RCS. Esteja atenta à programação, é sempre muito agradável poder ter a sua companhia.
Ficam as nossas despedidas. Até para a semana, se os quiser.
Neste episódio do Bíblia Aberta, abrimos a Palavra de Deus para refletir sobre princípios fundamentais para a vida cristã, com base na Carta aos Colossenses, capítulos 3 e 4.