Completos em Cristo

Completos em Cristo

01 de Março de 202657 min 15 s

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Voltamos a estar consigo com mais um episódio do Bíblia Aberta, um programa que passa semanalmente na TV Novo Tempo e que você poderá acompanhar no canal 186 da MEU. Ou então, se preferir ou se não tiver a operadora MEU, poderá também escutar-nos na Grande Lisboa ou pela internet. pela Rádio RCS nos 91.2. É sempre um privilégio podermos estar na sua companhia e podermos trazer-lhe algumas reflexões sobre aquilo que a Bíblia nos apresenta. Temos vindo a estudar nesta temporada a Carta aos Filipenses e agora estamos na Carta aos Colossenses, duas cartas escritas pelo apóstolo Paulo e que nos dão ideias, dão-nos perspectivas, dão-nos forma de podermos viver o nosso ministério e também a nossa vida espiritual de uma maneira muito mais coerente, muito mais próxima daquilo que Jesus pretende cada um de nós e, obviamente, caminharmos em direção àquele glorioso momento que é a volta de Jesus.

Para me acompanhares nesta conversa tenho sempre três convidados. São eles o Pedro Esteves, que normalmente está connosco semanalmente. Também a Hortelinda. Olá Hortelinda. Obrigado por estares connosco. E hoje temos um novo convidado que já esteve aqui em outras temporadas, mas que volta a estar connosco. É o Hernani Moura. Olá Hernani, muito obrigado por estares connosco também. três teólogos e, portanto, com três teólogos posso lhe dizer que é sempre muito aguardável a conversa e, por certo, esta não ficará atrás de todas as outras que já tivemos a oportunidade de lhe apresentar nas semanas anteriores. Vamos, então, abrir a Bíblia. Nada melhor do que termos a nossa Bíblia aberta.

Você aí em casa poderá abrir a sua Bíblia, poderá fazê-lo através da Bíblia em papel ou através do seu tablet ou telemóvel, não importa. importa que tenha a sua Bíblia por perto, porque vamos tentar descobrir como é que Paulo, na Epístola aos Colossenses, nos dá a perspetiva de nós podermos viver a nossa vida nesta terra, uma vida que está banhada pelo pecado, sermos nesta terra completos em Cristo. E nada melhor do que nós podermos ir a Colossenses capítulo 2. Gostava de convidar-vos a todos, aqui em estúdio e também aí em casa, a abrirmos a nossa Bíblia em Colossenses capítulo 2, para lermos os versículos 2 e 3. Colossenses 2, 2 e 3 diz que para que os seus corações sejam consolados, estejam unidos em amor e enriquecidos da plenitude da inteligência para conhecimento do mistério de Deus, Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

Hernani, vou começar por ti, a nossa conversa. Como é que Cristo, sendo ele a fonte de toda a sabedoria, consegue orientar-nos para o Evangelho, que é um Evangelho verdadeiro, claro está, não é?

A sabedoria em Cristo

Mostrando-nos, ao mesmo tempo, a necessidade de nós fugirmos daquilo que poderão ser os falsos ensinos. Muito bem, Jorge. Ao refletir sobre essa questão, eu pensei em voltarmos um bocadinho atrás, quando o cristianismo começou. Nós tínhamos Jesus conosco presencialmente. Jesus veio esse mundo, esteve conosco, e nesse percurso de ensino para os discípulos foi fácil partilhar essa presença de Cristo e poder aprender diretamente dEle aquilo que o Senhor tinha para nós. Ora, o que é certo é que Jesus foi pro céu, a Bíblia relata isso, e depois disso ele deixou o Espírito Santo, deixou-nos o Espírito, que esse sim nos guia, nos instrui, partilha conosco aquilo que o Senhor tinha deixado, nos fazendo lembrar e nos colocando na direção certa.

Usados pelo Espírito, Deus, a partir do momento em que Jesus não estava conosco, ele deixou a igreja. E a igreja então, através de homens e mulheres, vão nos guiar naquilo que é a absorção correta daquilo que é o evangelho verdadeiro. O exemplo do apóstolo Paulo, por exemplo, dos apóstolos que fizeram isso e ensinavam para a igreja. Eu lembro aqui de Pedro, por exemplo, ao dizer na escolha da necessidade dos diáconos, não é bom que a gente abandone a oração e o ensino da palavra, eles se concentravam particularmente nisso. Então, nesse percurso que Deus foi fazendo para nos guiar na direção do evangelho verdadeiro, Ele foi, pouco a pouco, substituindo, como ele não estava presente, deixou-nos o grande ensinador, que é o Espírito Santo, e usa homens e mulheres para isso.

Só que eu percebi, e vou percebendo, como homem, como cristão, e mesmo como pastor que sou, eu vou percebendo que, às vezes, nós temos tendência a seguir as pessoas, a opinião das pessoas. E é aqui que muitas das vezes corremos o risco de ir na direção errada daquilo que o Evangelho propõe para nós. Ora, eu lembro, por exemplo, que Paulo mesmo vai dizer aqui em Colossenses que Jesus é a plenitude de tudo. João vai nos dizer que Jesus é o verbo encarnado. Então, em Jesus nós temos a solução para todas as dúvidas, dificuldades que tenhamos em relação à mensagem partilhada no Evangelho que nós vamos aprendendo através da boca de pessoas que vão partilhando conosco, através desse programa, por exemplo.

Então é interessante perceber isso, que Deus usa os homens, mas a nossa perceção, a nossa compreensão total vem através do Espírito Santo e da pessoa de Jesus Cristo. Por exemplo, isso quer dizer que eu não devo ouvir o meu pastor, o meu guia espiritual? Não, não é isso que eu estou dizendo. O que eu estou dizendo é que, nesse percurso de busca da verdade, nós devemos seguir alguns conselhos bíblicos. Por exemplo, um deles, em provérbios, diz que é na multidão de conselheiros ou de conselhos é que há a segurança. Paulo também nos diz, por exemplo, que nós devemos examinar tudo e reter o que é bom. O sábio Salomão diz em Eclesiastes que como é que ele chegou à conclusão de um determinado assunto, ele foi buscar aqui, ali, até finalmente construir a sua ideia e a sua perceção sobre as coisas.

E é assim que nós devemos buscar a verdade. O nosso problema é que muitas das vezes nós ouvimos a opinião de alguém que corresponde a um sentimento humano que nós temos no coração e depois limitamos somente aquele verso bíblico e deixamos de procurar mais aprofundadamente aquilo que a palavra de Deus nos diz. Paulo até dizia que havia um grupo de pessoas que estavam muito atentos àquilo que era dito e depois iam para casa estudar, não é? Estudavam. Perceber se realmente fazia sentido o que estavam a dizer. Exatamente isso. Então, na nossa caminhada, como nós não temos mais Jesus presencialmente conosco, nós temos o Espírito Santo. E o Espírito Santo usa pessoas que vão nos encaminhar para a Bíblia, para que nós possamos perceber a diferença entre o verdadeiro Evangelho e o falso Evangelho. E aqui eu percebo a preocupação de Paulo, porque Paulo nessa caminhada, ele provavelmente aqui nessa carta, nós já vimos e vamos continuar a ver, que havia pessoas que estavam a partilhar uma mensagem que não era a mensagem correta daquilo que Jesus tinha deixado pra nós enquanto igreja.

E ele, por exemplo, diz aqui no mesmo capítulo, no capítulo 2, ele vai orar sobre isso, ele vai pedir pra Deus que possa interceder, pra que a igreja possa aprender sobre Jesus Cristo, e o verso anterior também é aquilo que nós lemos. E para que a igreja possa se afastar, por exemplo, como ele diz no capítulo 2, verso 3 e no verso 22, ele diz para estarmos atentos às tradições de homens, ou a preceitos e doutrinas de homens. Então, é interessante porque nós todos quando conhecemos a Bíblia, conhecemos a Cristo através da Bíblia, nós buscamos ir na direção da verdade. Só que às vezes somos confrontados com verdades que são a interpretação ou a opinião de homens sobre a verdade, não a verdade em si mesmo.

E nem sempre é evidente nós percebermos a diferença. Buscar a verdade na Bíblia, seguir esses conselhos bíblicos e examinar as escrituras numa maior porção possível, penso eu que é um bom instrumento para que nós possamos chegar lá. E é interessante porque, assim, essa preocupação que Paulo diz, ela vai expressar-se na busca de sabedoria que Jesus propõe para nós através da pessoa de Jesus Cristo. Eu vou usar um exemplo muito pessoal meu. Eu, na minha caminhada cristã, às vezes sou confrontado com algumas dúvidas, e não dúvidas de fé, mas algumas questões que as pessoas colocam e que me fazem pensar, mas será que é mesmo assim ou não? E eu oro.

Vou para o meu escritório, oro, falo com Deus e fico atento. E as respostas, nos próximos dias, vão surgindo através da Bíblia, através da pregação de alguém, através da compreensão de alguém sobre esse texto. E eu acredito, então, que é em Cristo que nós encontramos a solução da sabedoria do conhecimento pleno do Evangelho verdadeiro. Há uma ideia que me parece interessante também, é que para Paulo a igreja não era uma mera instituição eclesiástica, digamos assim, ou algo sem significado teológico. Ele dava uma grande importância à igreja, ele procurava que as igrejas estivessem cientes de que a sabedoria de Deus poderia vir e descer sobre todos eles. E é por isso que ele vai usar um verbo, que eu acho muito interessante, o verbo

Enraizados em Cristo

enraizar. Se formos a Colossenses capítulo 2, lendo os versículos 6 e 7, nós encontramos esta passagem. Como pois recebeste o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados ou enraizados, se quisermos, e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ações de graças. Este termo é bastante profundo, sermos enraizados em Cristo. Pedro, o que pode de alguma forma revelar no nosso dia-a-dia estarmos enraizados em Cristo e talvez não tão moldados àquilo que poderão ser as filosofias humanas, àquilo que se passa à nossa volta?

Sem dúvida, é interessante. Este verbo é muito forte. Mas o apóstolo, na verdade, faz aqui um percurso de vários verbos todos muito significativos, que é andar nele, estar arraigados ou enraizados nele, edificados nele, confirmados na fé e ensinados. Depois ainda fala de crescendo. Então, é um percurso autêntico que o Apóstolo aqui está a falar sobre como a experiência do crente tem que se manifestar em experiências concretas. Os verbos, obviamente, sabemos que eles essencialmente terminam a ação. São coisas que acontecem. E os frutos que nós colhemos na vida cristã, obviamente, estão sempre ligados também à ação, às escolhas que são feitas, a caminhos que se percorrem.

E eu vejo, em praticamente todos estes verbos, nós vemos uma diferença entre uma fé que é superficial e uma fé que é profunda. Porque estar enraizado a isso. Não são coisas que acontecem na espuma das emoções, apenas no cumprimento de rituais ou tradições, porque nos habituamos a fazer assim. Às vezes a religiosidade puxa um pouco por essa dimensão. a pessoa sente-se um pouco satisfeita desde. Que... Enraizado é o contrário de superficial. É isso. E a religião é um campo. O campo da fé, falavas do papel da igreja, que eu aposto que isto está a explorar. Temos que admitir que este é um campo onde é muito fácil ficar pela superficialidade.

Porque como a religião cumpre um papel importante, temos dito isso aqui até em diferentes ocasiões, há um papel de ritual, há um papel litúrgico que é importante porque nós precisamos dessas liturgias, dessas formas, na verdade para conseguir dar forma, porque nós sabemos bem que a religião é o processo de tornar o transcendente e trazer o transcendente para o concreto. Por isso é que nós precisamos de rituais, formas e estruturas. O problema é que quando nós nos habituamos ou a nossa experiência espiritual, religiosa, fica por esse campo do ritual, na verdade nós nem nos apercebemos que a nossa fé torna-se uma coisa extremamente frágil, porque está totalmente dependente dessas coisas que são formais ou exteriores.

Por isso o apóstolo aqui aos Colossenses usa estes verbos que apontam num sentido Realmente totalmente diferente que é. Nós temos que estar enraizados, confirmados, estar a crescer, somos ensinados. Tem tudo a ver com uma experiência que não é nada superficial. É em grande profundidade. É essa busca que nós temos que fazer constantemente. Jesus várias vezes fala da ideia de habitar. O que Deus quer fazer em nós é habitar em nós. Ou seja, Ele não está à porta. e passa por ali. Não, ele tem que estar dentro, tem que habitar. Quem habita é a pessoa que está dentro. Estar ali é o lugar dela. Ou permanecer, outro verbo que aparece muitas vezes até nas palavras de Jesus.

Não é permanecer em mim. Está em mim. Esta ideia de uma coisa que permanece, que fica, que é contínua, que é estável. Portanto, por oposição às coisas que são só de passagem, só de vista. Então eu acho que a primeira e talvez a questão para mim mais importante aqui é perceber que a força destes verbos, desta experiência que o apóstolo Paulo está aqui a convidar os crentes, é fazermos esta diferença entre as coisas superficiais da fé e as coisas profundas na fé. E nós podemos fazer claramente um exame pessoal e de consciência que às vezes só isso já é um exercício bastante útil, de perceber se, para nós, a fé, a religião, a prática cristã, não está a ser uma coisa da superfície.

Ora, como é que então se constrói isto? Talvez possamos, obviamente, ainda tirar daqui algumas lições, ou pelo menos eu dar aqui algumas ideias práticas. A primeira delas que eu gostaria de deixar é que, obviamente, estar enraizado está muito conectado com a palavra de Deus. Porque é a palavra que nos alimenta. Por isso a palavra de Deus é o meio principal, podíamos dizer assim, através do qual nós podemos criar raízes. Porque o que torna, o que faz uma planta criar raízes, obviamente, é ela ser alimentada. Portanto, nós precisamos de perceber que a palavra de Deus, hoje a palavra de Deus essencialmente é a sua palavra escrita para nós, Jesus dizia aos discípulos, na sua oração, santifica-os na verdade e a tua palavra é a verdade.

Nós precisamos nos alimentar da palavra. Aqui em Colossenses, um pouco mais à frente, no capítulo 3, o apóstolo tem esta expressão, a palavra de Deus, a palavra de Cristo, diz ele, habite em vós abundantemente. Então, mais uma vez, isto era habitar, que na época Deus estava a usar, esta ideia de uma coisa que permanece constantemente, E é a Palavra de Cristo que faz isto. Por isso, o sinal prático que nós podemos ver na nossa experiência é se as decisões que nós tomamos, nós usamos a Bíblia como a base para essas decisões. Se nós estamos a ir à Palavra de Deus para buscar corrigir as nossas falhas, moldar o nosso caráter. Mesmo até se a Palavra de Deus prevalece sobre as nossas preferências pessoais ou os nossos gostos.

Então, a palavra é essencial para nós podermos estar enraizados. Por isso, uma pergunta prática que cada um pode colocar-se é, quanto tempo eu passo com a palavra? A beber nela? A criar raízes nela? Talvez esta metáfora até se possa explorar, porque não é difícil de eu usar, que é, o tempo que eu passo com a palavra de Deus é suficiente para eu criar raízes? é que se é só um versículozinho ali numa meditaçãozinha, ou se qualquer coisa na rádio, não é? Se é sempre uma coisa muito rápida e muito superficial, é melhor do que nada, quer dizer, o ponto não é esse, mas percebemos que usando a metáfora... A raiz da mente não é profunda. É difícil criar raízes.

Então, uma questão tão simples quanto esta, quanto tempo eu passo a mergulhar na palavra de Deus, ou o quão profundo é esse tempo, Às vezes pode até ser um tempo curto no sentido cronológico, mas é um tempo de total dedicação, de reflexão profunda. Essa questão pode ser útil para nós percebermos se estamos a tomar o tempo de nos enraizarmos na Palavra de Deus. Outra dimensão que eu ainda queria juntar para terminar é de que uma grande oportunidade que nós temos de nos enraizar em Cristo é a maneira como nós lidamos e enfrentamos os tempos de crise, de luta ou de dificuldade.

Eu creio que realmente... Não vou dizer que, porque isso seria uma teologia perigosa, que Deus nos envia tempos de crise para nos testar. Sabemos bem que Deus não tenta ninguém, diz o apóstolo Tiago. Deus não tenta ninguém. Deus não faz coisas para... Deixa-me lá ver se este aqui... O que é que lhe acontece? Como se ele não soubesse qual seria a nossa... Por isso é que o tentador é o inimigo. Satanás é o tentador porque ele, como não sabe o resultado, ele tem que tentar para ver o que acontece. Como Deus sabe tudo o que vai acontecer, a natureza de Deus não é tentar, porque ele não precisa de tentar ninguém. Mas a verdade é que os tempos de crise, de luta, de dificuldade, nas mais diversas áreas da vida, são um grande tempo de oportunidade para nos enraizarmos.

Porque, com frequência, quando passamos por crises, elas podem ser na vida pessoal, familiar, na saúde, no trabalho, às vezes na saúde mental, que hoje afeta muitas pessoas, tempos de grande instabilidade, de crise. Claro que ninguém quer passar por esses momentos. Mas a verdade é que esses momentos são, com frequência, tempo de enraizamento. Ou seja, quando passamos essa crise, nós estamos mais fortes, estamos mais enraizados. E por isso eu queria deixar esta nota, que se alguém que nos está a acompanhar aqui lá em casa, no Bíblia Aberta, está a passar por um tempo de luta difícil, Pelo menos reconheça isto. Talvez seja este um tempo maravilhoso de oportunidade para ficarmos mais enraizados. Porque esse é um tempo em que nós, por um lado, nos achegamos a Deus com mais intensidade, com grande intensidade.

E por outro, isso ajuda-nos a crescer como pessoas, é evidente. Porque as lutas amadurecem-nos, claro. Fazem-nos crescer. A pancada que nós levamos da vida, muitas vezes, torna-nos pessoas mais resilientes, mais capazes. O apóstolo Paulo, também aos corientes, dizia que nós andamos por fé e não por vista. Então, às vezes, é nesses tempos em que não sabemos para onde olhar, é que temos que andar por fé. E esse também pode ser um grande tempo de oportunidade para nos enraizarmos melhor. Esta ideia de estarmos enraizados na palavra, não é que Paulo tanto... pregou, vamos dizer assim, vai ao encontro de uma outra ideia que Paulo não se cansava de levar os crentes a refletir, que era exatamente eles poderem, para estarem enraizados, olharem para a cruz de Cristo, para a libertação que Jesus vier a oferecer a toda a humanidade.

Aliás, se formos acolucentes, capítulo 2, versículo 14, nós vamos encontrar claramente esta ideia. Diz esta passagem, o versículo 14, havendo arriscado a cédula que era contra nós, nas suas ordenanças, a qual, de alguma maneira, nos era contrária e a tirou

A cruz e a lei

do meio de nós, cravando-a na cruz." Paulo vai dar aqui uma nota clara e apontar claramente para o sucesso da humanidade através da cruz. Hortelinda, será que nós podemos, de alguma maneira, distinguir entre aquilo que Cristo aboliu na cruz e aquilo que continua válido para os nossos dias, para a nossa vida cristã? Conseguimos fazer essa distinção? Sim, sim. O apóstolo Paulo fala aqui de uma cédula, não é? E é bom lembrarmos o que é a cédula. A cédula é um documento jurídico de assento de nascimento. Ainda me lembro de ter uma cédula de nascimento. Eu ainda há dias descobri a minha idade. A tua célula de nascimento, a tua identidade, a tua origem. Também pode ser um registro de casamento, ou que é um contrato de casamento, ou um registro de dívida, em que está a dívida geralmente reconhecida pelo devedor em como deve aquela dívida e que não a paga porque não a pode pagar.

Então, esta cédula é realmente, em primeiro lugar, Jesus crava na cruz porque Ele paga por nós. É Ele que paga a nossa dívida, a dívida que nós não poderíamos pagar. Ele crava a condenação do ser humano. E ao cravar a nossa dívida, ele crava também todas as ordenanças, tudo aquilo que prefigurava esse pagamento da dívida, finalmente. Que são as leis e as ordenanças que o apóstolo diz que eram contra nós, nas suas, enfim, na sua formulação e nas suas obrigações, e que eram, diz o apóstolo, sombras das coisas futuras. Ora, então o que é que Jesus cravou na cruz?

Jesus cravou na cruz a nossa condenação ao morrer por nós. E cravou também ordenanças que eram contra nós. Será que o que Jesus cravou é grande? Pergunta que ainda se formula hoje. Jesus cravou a lei moral? Os 10 mandamentos é porque se fosse possível Jesus ter cravado na cruz e eliminado a lei moral, o seu sacrifício não tinha sentido. Porque, como diz o próprio apóstolo, em Romanos 4, 15, ele diz onde não há lei, não há pecado. Então, se ele aboliu a lei, não precisava de morrer pelo pecado, porque não havendo lei, não há pecado. E, portanto, porque o pecado é a transgressão da lei, como diz João.

Logo, estas ordenanças cravadas na cruz são as leis cerimoniais, os rituais, particularmente ligados aos sacrifícios, que representavam aquilo que Jesus fez, a sua morte na cruz. Ele que é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Então Jesus cravou isso na cruz porque isso perdeu sentido, significado. E o segundo motivo é porque isso servia de barreira entre os crentes judaicos, de origem judaica, e os crentes de origem pagã. Lembremos do que aconteceu a Pedro, que teve que se justificar diante da igreja de Jerusalém de origem judaica, de ter entrado em casa de Cornélio, que era um crente de origem pagã.

Ele teve que se justificar porquê que foi. Porque, na realidade, existiu, no tempo dos apóstolos, na igreja primitiva, esta grande questão, fraturante mesmo, entre o judaísmo e o cristianismo, entre a lei e o evangelho. E podemos dizer que ainda existe hoje. Ainda hoje existem muitos cristãos que defendem que a lei de Deus, os 10 mandamentos incluídos, foi realmente abolido e nós não temos mais que os guardar. Enquanto outros cristãos defendem que as leis que foram cravadas na cruz foram as leis cerimoniais e não a lei moral. É bom lembrarmos o que o próprio Jesus disse em relação com a lei.

No Evangelho de São Mateus, no capítulo 5, no versículo 17 e 18, Jesus diz, eu não vim abolir a lei, mas sim a cumpri-la. E até que o céu e a terra passem, nem um jota nem um utílio se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Não vim abolir a lei. Logo, esta lei que Jesus diz, não ter vindo abolir, mas cumprir, e a lei que o apóstolo Paulo diz que Jesus cravou na cruz, não pode ser a mesma. Senão teremos que escolher entre Jesus e Paulo, porque realmente parecem ter uma palavra incompatível um com o outro. É importante sabermos que na Bíblia, O termo lei, tanto no Antigo como no Novo Testamento, é um termo lato.

É um termo que muitas vezes designa até todo o Pentateuco. Todos os livros de Moisés são, portanto, a lei. E outras vezes refere-se a leis específicas. Pode ser a lei dos 10 mandamentos, pode ser outro tipo de leis distintas umas das outras, segundo as circunstâncias em que o povo deveria, portanto, encontrar-se. Deus deu leis a Moisés de caráter jurídico, de caráter social, laboral, como tratar os escravos, penal o que devia fazer-se, as penas para os que cometiam os vários delitos e, sobretudo, deu muitas, muitas leis cerimoniais à volta do todo o serviço, portanto, do santuário, que tinham que ver com os sacrifícios. E são estas leis que prefiguravam realmente a vinda, a vinda de Jesus.

É interessante vermos que o próprio Deus não trata da mesma maneira as leis que deu a Moisés e a lei dos 10 mandamentos. É muito significativo. A lei dos 10 mandamentos foi escrita pelo próprio dedo de Deus e colocada dentro de um móvel, de uma arca, feita exclusivamente para ela. Enquanto que as leis dadas a Moisés, todas as outras que já falámos, sanitárias, laborais, sociais, foram colocadas num livro ao lado da arca, indicando transitoriedade. As leis de Moisés, como assim depois começaram a ser designadas, indicam transitoriedade. Estão escritas num livro e estão ali à mão de semear, podemos delas deixar de ser.

Enquanto que a lei de Deus moral, que é para toda a humanidade, foi escrita pelo dedo de Deus duas vezes, Deus escreveu duas vezes, visto que Moisés partiu as primeiras tábuas, e foram colocadas dentro da arca, que era realmente um objeto sagrado. É importante vermos que há uma permanência na lei e uma transitoriedade na lei. Quando falamos de lei no sentido global, se não fizermos esta divisão, incorremos no risco de compreendermos. mal o que Deus nos quer dizer. Ainda na palavra cumprir, se tem ainda um bocadinho, gostaria de dizer, podemos ter duas aplicações. Quando Jesus diz, eu vim a cumprir a lei, tem duas aplicações este cumprimento.

Jesus cumpre, realmente no sentido que fala aqui Paulo, crava na cruz, porque ele cumpre todos os rituais que apontava para ele, para o seu sacrifício. Portanto, ele cumpriu e tornou-se caduco. Este é o aspecto da lei transitória. E há um outro cumprir em que Jesus cumpre no sentido em que ele leva a lei ao seu pleno cumprimento, à sua plenitude. A lei revela o carácter de Deus. Jesus vai levar a lei a um cumprimento pleno, a uma revelação mais plena do carácter de Deus. É isso que ele diz quando ele diz, ouviste que foi dito. Não é? Não matarás. Eu, porém, vos digo, podes matar. É isso que Jesus diz?

Não. Se ele tivesse abolido a lei, poderia fazer-se isso, não é? Jesus diz, ouviste que foi dito, não matarás. Eu, porém, vos digo, se tu... infamas o teu irmão, se tu causas prejuízo ao teu irmão, seja físico, psicológico ou social, tu já és transgressor da lei. Então Jesus vai levar a lei a um aprofundamento e a um alargamento muito maior. que não teria realmente nenhum sentido. Podemos então dizer que, face à cruz de Jesus, há efetivamente uma descontinuidade, leis que se tornaram caducas, as ordenanças, e há uma continuidade mais aprofundada e mais alargada dos 10 mandamentos.

E Jesus, na nossa relação com a lei, Ele não nos mostra apenas que devemos guardá-la, Ele dá-nos uma motivação para a guardar, porque com Jesus cada mandamento é uma promessa. É a promessa de que, graças a Ele e ao Espírito que Ele disponibiliza pelo seu sacrifício, nós podemos guardar, então, a lei. Podemos guardá-la plenamente. Não por obrigação, não por dever, não por medo, mas por amor. Porque é o Espírito que vai motivar, portanto, esta observância da lei. É muito interessante ver tudo aquilo que acabaste de falar, porque é fácil perceber uma coisa e outra.

Embora nós sabemos que muitos estudiosos não estão de acordo a respeito daquilo que foi exatamente estas questões que Paulo abordava, mas olhando para aquilo que Paulo escreve, nós conseguimos perceber que ele, por exemplo, em relação aos 10 mandamentos, aos mandamentos de Deus, que não foram pregados na cruz, não foram esses os mandamentos. Ele mesmo os defende, não é? Ele diz que a lei é santa, justa e boa. E que o pecado era e é a violação da lei dos 10 mandamentos. A conversa está a ser muito boa, eu gosto sempre de vos ouvir e vejo que realmente nós Temos sempre muita coisa para dizer e o tempo corre depressa. Mas aí em casa, fique com a certeza que voltamos na segunda parte, porque vamos ter que fazer um curto intervalo, uma coisa muito pequenina, mas precisamos mesmo de ir para o intervalo. Não sai do seu lugar.

Nós voltamos já a seguir.

A lei e a graça

Voltamos para a segunda parte do programa Bíblia Aberta. Estamos em mais um episódio e a tentarmos descobrir coisas bastante interessantes que Paulo deixou registadas na Epístola aos Colossenses. Estamos numa conversa simpática e bastante profunda, vou dizer assim, com o Pedro Esteves, com a Hortelinda e também com o Hernani. Mas antes de continuarmos a nossa conversa, eu gostava de lhe propor mais um guia de estudo. um guia de estudo que tem por título Na Mira da Verdade. É este guia de estudo que eu tenho aqui nas mãos. Ele pode ser totalmente seu, gratuitamente. E deixe-me dizer-lhe que dentro desta revista, dentro deste guia, encontramos um tema que tem tudo a ver com o tema que nós estamos, ou com a epístola que nós estamos a estudar.

Por exemplo, Colossenses 2.16 fala sobre algo que pode ser bastante interessante se realmente houve ou não uma abolição do sábado. É uma questão que muitas vezes se torna uma boa pergunta, é pertinente, então se quiser saber mais sobre esta ou outras questões que este programa na Mira da Verdade tem desenvolvido, poderá, através deste guia de estudo, encontrar muitos dos temas que são falados neste programa e que de alguma forma são muito importantes para nós compreendermos a Bíblia. Por isso, ligue para o 933-939291, 933-939291, solicite gratuitamente este guia de estudo e verá que tudo aquilo que tiveres que aprender poderá aprender também através do estudo da Bíblia e com estes apoios que são muito importantes.

Voltamos à nossa conversa aqui em estúdio para continuarmos a detalhar um pouquinho mais aquilo que está em Colossenses e estamos no capítulo 2 de Colossenses. Se nós formos agora ao capítulo 2, mas versículos 16 e 17, nós vamos encontrar aqui uma série de práticas que Paulo vai enumerar, práticas judaicas. Elas eram regulares e que, aparentemente, elas continuam, digamos assim, entre alguns judeus que se converteram ao cristianismo. Vamos então a Colosseus capítulo 2 versículos 16 e 17.

Sombras e realidades

Diz, portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou mesmo dos sábados, que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ou seja, perante esta afirmação de Paulo, de algumas sombras poderem ser eliminadas. Hernani, como é que nós podemos entender e até interpretar este texto, tendo todo o relato bíblico, porque nós não nos podemos cingir a uma parte da Bíblia ou a um versículo específico, tendo toda a Bíblia que ensina, por exemplo, muito sobre o sábado? Será que ele foi também abolido ou não? Jorge, vamos tentar aplicar aquilo que partilhamos agora há pouco, que é examinar um bocadinho, olhar para as escrituras.

E vamos pensar no próprio apóstolo Paulo. Por exemplo, eu anotei aqui para nós que em Romanos 3, 31, ele vai dizer assim, anulamos, pois, a lei pela fé? de maneira nenhuma. Ele vai dizer, antes estabelecemos a lei. Lei esta, onde estão escritos os mandamentos e o sábado lá presente. Vamos nos limitar aqui à busca da resposta, particularmente sobre o sábado, nesse texto todo. Depois, em outros lugares, em outros momentos, por exemplo, Paulo vai dizer, em 1 Coríntios 10, 31, ele vai dizer, portanto, quer comais, quer rebais, quer facais, qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Ele também diz, em Romanos 14, 21, numa discussão sobre o que se devia fazer ou não, relativamente à consciência das pessoas que estavam a integrar a fé, ele dizia assim, é bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer nada que faça teu irmão tropeçar.

É interessante, então, que aqui e ali nós vamos percebendo, por exemplo, que Paulo vai lembrar que nós somos o templo do Espírito Santo e que devemos fazer atenção com aquilo que nós colocamos dentro desse templo. Assim, o que Paulo está a dizer aqui em Colossenses, a preocupação de Paulo, não é com a comida, com a bebida ou com os sábados. Se você reparar bem, a preocupação de Paulo, no próprio verso nos diz, é que ninguém vos julgue. E depois ele diz no final, mas o corpo é de Cristo. Ora, o que estava a acontecer é que provavelmente é que haviam pessoas que queriam controlar a vida e a prática religiosa de outras pessoas dentro da comunidade.

E é aí que Paulo se concentra nessa partilha. A impressão que dá, quando nós lemos rapidamente, é que Paulo está dizendo, ok, então vocês podem comer qualquer coisa, podem beber qualquer coisa, não precisam mais guardar o sábado, porque tudo isso não faz mais sentido. Mas, na verdade, quando fala de sombras, Paulo está dizendo de alguma coisa que nos faz entender que há algo mais nítido e mais claro pra gente perceber. e que correspondem a alguma realidade concreta. Mas a preocupação dele nesse texto, e eu ao observar isso, ao olhar para Colossenses com calma, eu observei que a preocupação dele era essa, era com pessoas que queriam controlar a vida e a prática religiosa de outras.

E é por isso que ele vai se focar aqui nesse aspecto. Por exemplo, no verso 8 desse capítulo 2, no verso 18 e 19, Ele vai falar de homens que queriam, eles mesmos, se tornar o padrão da vida religiosa e espiritual para outros. E aqui é preocupante porque Paulo, por exemplo, nós já falamos sobre isso no começo do estudo de Colossenses, Paulo vai falar uma boa parte, por exemplo, no capítulo 1, de 12 a 23, ele vai exaltar Jesus Cristo, tudo aquilo que ele é. Tudo aquilo que ele é. E depois ele continua, aqui no capítulo 2, no verso 9 ao verso 15, essa exaltação. E ele vai dizer, entre outras coisas, eu anotei aqui, Jesus é a cabeça, ele é o único, nele habita a plenitude da divindade, nele estamos aperfeiçoados, Então o que nós percebemos é que Paulo diz que em Jesus nós temos tudo, nós estamos completos nele, nós estamos perfeitos em Jesus e nele é que habita todas as coisas.

E a preocupação de Paulo numa igreja à distância, porque nessa época ele não estava junto das igrejas e provavelmente pelo que eu percebi em Colossenses não foi uma igreja fundada diretamente por Paulo, Foi por outra pessoa, diz até o nome dessa pessoa, e depois ele vai, então, aconselhar essa igreja. Então, a preocupação de Paulo era de que havia nessa comunidade pessoas que queriam eles se tornar o padrão do comportamento da vida espiritual para essa comunidade. E é a partir daqui que Paulo vai desenvolver a sua teologia e chamar a atenção da igreja para evitar esse risco. É interessante perceber isso, é que faz parte da natureza humana o desejo do controlo. essa perspectiva de que eu me sinto seguro quando controlo as coisas. E na minha perspectiva de vida religiosa, quando trago para o cristianismo essa perspectiva, eu também vou querer controlar as pessoas ao redor.

Eu, por exemplo, lembro daquele episódio onde Jesus ressuscita Lázaro. Para mim, esse é um dos mais marcantes, que depois de Jesus dizer, tirai a pedra, quer dizer, nós fazemos uma parte no caminho de Jesus trazer a vida a alguém, pensamos na vida espiritual, mas depois o que é que Jesus disse? Desataio e deixai-o ir. É interessante perceber isso. Para as irmãs de Lázaro, por exemplo, elas poderiam partir daqui, andar a volta de Lázaro para ele não se magoar de novo, para ele não ficar doente, para ele não se ferir, mas o que é que Jesus disse? Deixai-o ir. E na nossa caminhada cristã não é abandonar a pessoa e deixar ela por sua conta de maneira alguma, porque a missão da igreja é fazer essa caminhada junto, Mas é confiar de que o Espírito Santo está a trabalhar no coração daquela pessoa também e de que ele vai revelar àquela pessoa também, através da Bíblia e através do conjunto da igreja, de que O caminho certo é esse a seguir.

O nosso problema, enquanto seres humanos, é que às vezes, e quando eu digo nosso, me permite partilhar assim, é que faz parte da nossa essência. E algumas pessoas desenvolvem isso com mais clareza na sua vida, com mais veemência, podemos dizer assim, esse desejo de querer controlar a vida espiritual dos outros. Eu vou citar um exemplo rápido a respeito do sábado, por exemplo, que pra mim é marcante. Reparem que nós, quando estudamos a Bíblia, vamos perceber vários lugares onde Deus diz o que nós não podemos fazer no dia de sábado. Então, não vamos trabalhar para ganhar a nossa vida, não vamos pensar aquilo que nós estamos acostumados, e até nos convida, por exemplo, a ir congregar-se à igreja. Mas a Bíblia não diz o que nós podemos fazer no dia de sábado.

E eu acredito que, voluntariamente, Deus deixou assim, por quê? Porque o que fazer no dia de sábado é um ministério pessoal que Deus deixou a cada um de nós. A um Deus pede para cuidar da igreja, a outro Deus pede para servir na igreja, a outro Deus pede para pregar na igreja, mas a outro, depois da igreja, Deus pode pedir para ir visitar o vizinho que está doente, ajudar aquela senhora da rua que não consegue mais fazer as suas coisas. Percebe? Então, esse Ministério Pessoal desenvolvido, e era assim que Cristo fazia, e criticado muitas vezes, porque ele curava as pessoas, ele supria as necessidades das pessoas. Então, eu percebo que a preocupação de Paulo aqui era com homens que queriam, e ele mesmo vai dizer no verso 18, tirar a cabeça. Ele vai falar sobre isso no verso 18, ele diz assim, não retendo a cabeça.

E nós, como cristãos, não podemos, de maneira alguma, colocar a nossa identidade, o nosso livre-arbítrio, a nossa capacidade de escolha na mão de homens. Nós temos que nos entregar somente a Cristo. É interessante que quando nós analisamos o sábado bíblico percebemos que a sua

O sentido do sábado

origem, a intenção de Deus percebe-se claramente que está totalmente ligada a uma ideia de liberdade, de descanso. que são coisas que hoje ninguém ficaria chateado porque nós temos direito a férias. Ou porque temos direito a dias de descanso. Não trabalhamos 7 dias por semana, 14 horas por dia. Há limites legalmente estabelecidos para controlar. Ou. Alguém que nos exige isso. E o debate teológico sobre o sábado é curioso porque historicamente, especialmente claro entre os teólogos e as denominações cristãs que esqueceram o sábado, que até tem o domingo, por exemplo, como O dia que, de facto, é o dia do Senhor.

E nós percebemos aqui uma espécie de luta contra o sábado, no sentido de quem está no sábado, digamos, está escravizado, está na lei. E depois nós vamos ver a origem e percebemos que o que Deus fez naquele dia foi libertar-nos. Lá na origem é o dia de descanso porque tem a ver com a celebração, do que Deus fez, mas depois mesmo na lei. Quando vamos à lei, a lei do sábado é uma lei de libertação porque diz para de trabalhar, porque senão tu trabalhas o tempo todo ou obrigas todos os outros que estão debaixo da tua autoridade a trabalhar. Então é curioso porque o sentido original do sábado é de libertação. Na verdade até é de graça. O sentido original do sábado é a graça. Porque nós vamos ver o sábado, especialmente em Génesis, e vemos que não tem nada a ver com o ser humano.

Nem diz lá que Adão e Eva descansaram. Diz que Deus descansou. Porque o sentido é graça, é a obra de Deus e depois a benção de desfrutar dessa obra. E essa aplicação de Paulo aqui, me permita Jorge, essa aplicação de Paulo aqui vai também de libertar homens que estavam a submeter à mente de outros. Exato. Essa libertação que Jesus promove é maravilhosa. E uma autora uma vez que eu lhe dizia assim, a vossa identidade pertence a Cristo, a mais ninguém. Em Deuteronómio, o sábado adquire um novo sentido. É de ser uma lembrança da libertação das credas do Egito. Então é um dia de libertação. Eu creio que fica claro que Paulo aqui não vai colocar o sábado dentro daquilo que é sombra ou daquilo que foi, de alguma forma, abolido pela cruz de Cristo.

pelos sacrifícios ceremoniais, mas o que Paulo vai, de alguma forma, apontar, e se me permitem darmos aqui um avanço, ele vai apontar, sem dúvida, para os mandamentos que os próprios homens tinham, um pouco à semelhança daquilo que tu estavas aqui a tentar mostrar, de que realmente Paulo estava muito atento àquilo que os outros poderiam impor. Se formos a Culsenses, não a Lucas, a Culsenses, capítulo 2, e se lermos os versículos 20 a 22, diz, se pois estáis mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, porque vos carregam ainda de ordenanças como se vivêsseis no mundo, tais como não toques, não proves, não manuseis, as quais coisas todas perecem pelo uso segundo os preceitos e doutrinas dos homens.

Esta foi, de alguma forma, a pergunta que Paulo faz assim quase como que para a generalidade das pessoas que o estavam a ouvir. Portanto, aqui Paulo claramente aponta para os mandamentos e as ordenanças que

Tradições humanas

foram constituídas e foram criadas pelos homens e não por Deus. Agora, Pedro, Que critérios nós podemos ou podem ser usados para reconhecermos se uma prática religiosa é de origem divina ou é apenas uma tradição humana? Este é um tema muitíssimo interessante, sem dúvida, muito útil, porque se por um lado nós estamos aqui, nas últimas perguntas aqui, no fundo foi a defender a validade do mandamento no sentido daquilo que Deus estabeleceu. Não são os homens que vão dizer que agora já não existe ou já não é válido, mas isto não pode deixar de nos... De percebermos, no fundo, é que os seres humanos, obviamente, na verdade, gostam de legislar.

Isso é uma evidência da história. Os seres humanos, muitas vezes, para não dar só a aversão uma visão negativa, nós seres humanos precisamos, muitas vezes, de criar instrumentos que nos ajudem a aplicar princípios mais alargados. Curiosamente, o sábado, que acabámos de falar dele, é um dos grandes exemplos na história, por exemplo, do povo judaico. Mas hoje poderíamos aplicar este mesmo princípio, por exemplo, ao povo adventista do sétimo dia. Um povo que guarda o sábado. Tem o sábado como... Lá está um princípio que Deus estabeleceu e que está mais do que válido para a nossa vida. E é interessante que, obviamente, que quando nós temos um princípio que está absolutamente estabelecido, descansarás neste dia.

É o dia do Senhor, teu Deus. É evidente que, e o Hernana dizia uma coisa muito interessante há pouco, não é? Que a maior parte das vezes nós temos aqui os mandamentos só numa forma negativa e mesmo minimalista. Se nós pensarmos bem, todos os mandamentos, toda a formulação dos mandamentos sobre o sábado é muito minimalista. O mandamento de mesmo mês de 20 só diz não trabalharás. Não diz absolutamente mais nada. E sobretudo não diz o que é que tu deves fazer. Porque lá está, foi muito bem explicado, está no campo, portanto, seja do Ministério Pessoal, seja até da consciência. E das possibilidades de cada um. Das muitas possibilidades, até porque as pessoas vivem em contextos diferentes. Dos dons e talentos.

Dos dons e talentos, dos recursos que existem. e do contexto e do ambiente em que estamos. Se eu viver no Alasca e tiver com neve à minha volta, se calhar nem me consigo movimentar para lá nenhum durante um período de tempo. Se estiver à beira da praia, o apelo maior se calhar é dar uns mergulhos. Quer dizer, a realidade das pessoas muda muito. Mas este exemplo agora que eu estou a pegar para responder à tua pergunta, Jorge, é que na verdade é evidente que dentro de um campo aberto como este há uma tendência que eu até um certo ponto vou dizer que é natural para nós tentarmos, seja por mandamentos, seja por tradição, preencher o espaço vazio. Nós sabemos que a tradição judaica farisaica, por exemplo, que de facto criou leis, estabeleceu leis para preencher o vazio em relação ao sábado.

Se falarmos modernamente dos adventistas do sétimo dia, vamos perceber que não há leis nenhumas sobre o sábado, mas há tradições. Eu fui educado como uma criança e um jovem adventista do sétimo dia, logo, a guardar o sábado na minha família, e sei perfeitamente que havia tradições. Há coisas que na minha casa não se faziam ao sábado. E ninguém diz, está escrito, foi Deus que mandou. Não, ninguém o coloca nesse termo. É só uma forma de dizer, ok, agora o que é que vai acontecer neste dia, já que temos esta... Ok, ir à igreja é um exemplo disso. Ok, neste dia vamos à igreja, mas neste dia, por exemplo, não vamos ver televisão. Não é? Na China temos a televisão. Hoje poderíamos aplicar isso a... Que sites é que vamos visitar? Que canais nas nossas redes sociais?

O que é que vamos ver? Vamos ver tudo mesmo que vemos nos outros dias? Então, o vazio, digamos, deste campo de possibilidades, ele tem que ser preenchido de alguma forma. E esse preenchimento gera, precisamente, ou leis que são de origem humana, regras de conduta e de vida, ou no mínimo tradições que são formas de fazer e cumprir. O que é muito importante é nós nunca nos deixarmos enganar pelo facto de que as tradições, elas não têm valor de lei. E este é um problema com o qual nós lidamos ao longo do tempo. É que quando fazemos uma coisa durante muito tempo, ou até uma coisa intergeracional, formas de cumprir a lei que cruzam as gerações, nós passamos internamente, não quer dizer que ninguém nos obriga, mas passamos a interpretá-las como fazendo parte da lei original.

E é muito importante nós não sermos, permitam-me aqui o termo, cairmos na armadilha judaizante Estou a falar do ponto de vista bíblico, não é do ponto de vista nacional. Também nós nos tornarmos cumpridores, mas sobretudo em juízes, da prática das pessoas a partir de tradições que são humanas. Portanto, o que nós precisamos é de entender que precisamos de coisas que exaltam a Cristo na nossa vida. em todos os dias da semana e em todos os momentos da nossa vida, e precisamos de nos aproximar o mais princípio, dos princípios bíblicos. E depois, com certeza que há uma margem muito significativa até para as diferenças entre nós, que precisam de ser acomodadas e até celebradas, desde que elas cumpram estes grandes valores e princípios bíblicos.

Caso contrário, as tradições têm a tendência a superar os princípios. É muito interessante verificar também que Paulo de alguma maneira eleva-nos à consciencialização que quando deixamos de lado o papel do Espírito Santo, a presença divina de Deus enquanto guia de todos nós que somos crentes, coloca-nos quer queiramos, quer não, fora deste conceito geral daquilo que estamos a falar, que é sermos completos em Cristo. Aliás, se formos a Colossenses capítulo 2, para lermos os versículos 9 e 10, nós

Completos em Cristo

vamos encontrar aqui esta preocupação de Paulo. Então, eu acredito que não seja fácil nós vivermos completos em Cristo, não é? Porque somos pecadores, temos essa dificuldade, mas é necessário nós sabermos o que é que isto significa de forma prática, não é? Como é que nós podemos viver e sermos completos em Cristo. Hortelinda, o nosso tempo está, digamos, a terminar, mas ainda dá para tu poderes-me responder. Como é que nós podemos usar esta ideia para vivermos como alguém que está completo em Cristo? Será que nós precisamos de depender ou de ter algum tipo de acrescentos humanos ou o foco é somente em Cristo?

Eu penso que de tudo isto que temos estado aqui a dizer, nos deve dar a nós também uma certa humildade e não sermos demasiado severos para com os judeus contemporâneos de Paulo, os cristãos do tempo de Paulo, que tinham tendências, portanto, para guardar as leis judeicas. Nós não podemos imaginar O que terá sido para estas pessoas a lei, não é? Era o centro da sua vida. Todas estas observâncias, ordenanças, ritos, desde os bíblicos aos tradicionais, o que quer que fosse, era o centro da vida das pessoas. Cristo vem e realmente é uma revolução, não é? Tudo muda. Tudo muda, até mesmo em relação com a lei moral, nós não guardamos hoje os 10 mandamentos como guardavam os judeus, os mesmos 10 mandamentos, não é?

Porque há já outro elemento, como falámos aqui, que é Cristo e o seu espírito. Então, era para eles muito normal de serem cristãos, mas ao mesmo tempo continuarem a guardar certas observâncias, não é? Dois mil anos depois não podemos imaginar o seu universo, não é? E como era difícil para eles cortar radicalmente com qualquer coisa que tinha sido tão importante. É por isso que o apóstolo Paulo dá ênfase total à necessidade de centrarmos a nossa fé unicamente em Cristo. Portanto, Cristo, estamos completos em Cristo. Não precisamos de cumprir mais isto, nem cumprir mais aquilo. Ou seja, em Cristo, nós estamos completos, estamos perfeitos, não há nada a acrescentar.

Portanto, é Jesus que nos salva, porque Ele é plenitude e Ele dá-nos essa plenitude. Portanto, se estar completo em Cristo, tu perguntavas, é não estar completo em si mesmo. Nem guardemos todas as leis possíveis e imaginárias. Estar completo em Cristo é não poder estar completo em si mesmo. As minhas obras, as minhas práticas, as minhas tradições. Mesmo as Adventistas, que falava há pouco o Pedro. Portanto, isso não tem nenhum peso na minha salvação ou na minha completude. Eu estou completo em Cristo, não em mim. Não é mim mesmo, portanto é a justiça de Cristo que é o meu cartão de entrada para a vida eterna, para o Reino dos Céus.

Não é mais nada. Não é a minha prática, nem nada que realmente eu possa fazer. Mas agora quererá isto dizer que Deus prescinde da minha obediência aos seus mandamentos, que eu cumpra realmente a sua vontade, de maneira nenhuma, de maneira nenhuma. O apóstolo, aliás, diz em permanência, tornem-se naquilo que vocês já são. em Cristo já são perfeitos. Então tornem-se nisso. Ou seja, na vossa prática do dia-a-dia, vivam isso. Como? Pela graça do Espírito Santo e através dessa união com Cristo. Jesus disse mesmo isto, não é? Se permaneceres em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, dareis muito fruto.

Porque sem mim nada podereis fazer. Eu gostava mesmo de terminar, fechar. Eu encontrei uma passagem de Atos dos Apóstolos, este é um livro bastante

Encerramento

interessante, que diz que a verdade divina deve ser o objeto da nossa contemplação e meditação. E depois diz que a Bíblia é como a voz de Deus a falar diretamente connosco. Somente desta forma encontraremos a sabedoria que é divina. Portanto, estarmos completos em Cristo é procurarmos pela Bíblia a voz de Deus. Eu quero-vos agradecer, de coração, por estarem comigo. Vou-vos fazer o convite, na próxima semana, voltarmos a estar os quatro, para continuarmos a falar um pouquinho mais sobre esta epístola. Antes de nós fecharmos o nosso episódio de hoje, eu quero voltar a relembrar-lhe que temos para lhe oferecer mais um guia de estudo, desta vez o guia de estudo que tem por título Na Mira da Verdade. Este é um guia de estudo onde encontrará muitas e diversas perguntas sobre várias matérias que a Bíblia tem e que nós muitas vezes nos interrogamos.

Aqui nós encontramos também a fonte e os versículos onde podemos encontrar pela bibliar resposta às nossas muitas dúvidas. E aqui está, eu ainda há pouco dizia, nesta revista vai encontrar também um pouco mais sobre Colossenses capítulo 2, versículo 16, onde nós estivemos neste episódio também a falar um pouquinho sobre esta verdade do sábado. Quanto a nós, já sabe que voltamos na próxima semana. Até lá. Que o Senhor o abençoe.

Sobre este episódio

Neste episódio do Bíblia Aberta, somos convidados a mergulhar na Epístola aos Colossenses, capítulo 2, e a descobrir o que significa, na prática, viver uma fé plena, madura e enraizada em Jesus Cristo.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 10
Estreou
01 de Março de 2026
Categoria
Espiritualidade