Vivendo em Cristo

Vivendo em Cristo

08 de Março de 202656 min 59 s

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Abertura

Seja muito bem-vindo a mais um episódio do programa Bíblia Aberta. Já sabe que semanalmente aqui na TV Novo Tempo nós voltamos à sua companhia porque queremos abrir a Bíblia consigo e podermos descobrir aquilo que Deus tem para nos oferecer. O programa Bíblia Aberta faz parte da programação da TV Novo Tempo Portugal. Esta é uma TV de esperança e que lhe quer oferecer toda uma programação baseada na esperança em Cristo Jesus. Poderá ter acesso ao canal TV Novo Tempo Portugal a partir do canal 186 da MEU. É aqui que nós estamos e acreditamos que você é um privilegiado se tem, claramente, na sua casa, onde está, a oportunidade de nos ver 24 horas sobre 24 horas.

Se porventura não conseguir, então tem duas alternativas. Ouvir-nos através da Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa. É verdade que pela internet você também pode ver a TV Novo Tempo, ou assistir à programação, ou ouvir a programação da Rádio RCS, mas, se quiser, poderá, se não tiver a oportunidade de usar estas duas áreas de comunicação, poderá usar o Youtube e encontrar no Youtube a TV Novo Tempo Portugal e também encontra, claro, o programa A Bíblia Aberta. Semanalmente abrimos a Bíblia aqui para extrairmos as lições que queremos aprender mais sobre aquilo que o Senhor Jesus nos ofereceu. E nesta temporada estamos a olhar para aquilo que vem escrito em Filipenses e em Colossenses.

Duas cartas escritas pelo apóstolo Paulo. São cartas com poucos capítulos, é verdade, mas cheias de conteúdo e nós temos tido aqui ótimas conversas e hoje nós vamos voltar a ter uma excelente conversa com três convidados que tiveram comigo na semana passada. O Pedro Esteves. Olá Pedro. Uma vez mais, obrigado por estares connosco, à Hortelinda. É sempre muito bem-vinda. E também voltamos a ter a companhia amiga do Hernani Moura. Obrigado por estarem comigo e por tentarmos, novamente, ensinar aqui uma conversa em torno de alguns aspectos que são mencionados na epístola aos Colossenses. Na semana passada, nós estudámos a necessidade de sermos completos em Cristo, não é? E essa perspectiva dá-nos uma outra, se quisermos, não é?

Aquela de desenvolvermos, e vamos tentar desenvolver nos próximos minutos, a ideia de vivermos em Cristo e com Cristo.

Pensar nas coisas do alto

Para isso, eu gostava de convidar o nosso auditório a abrir as suas Bíblias em Colossenses capítulo 3. tem que ter a sua Bíblia por perto. Abra em Colossenses capítulo 3. Se for em papel, já sabe, é quase no final da Bíblia. Não no final, mas é uma epístola do Novo Testamento. E se tiver, enfim, no tablet ou no telemóvel, é mais fácil ainda chegar a Colossenses. Colossenses capítulo 3, vamos ler o versículo 1 e o versículo 2. Então diz assim, portanto, se já ressuscitaste com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra. Hortelinda, hoje vou começar por ti.

Para te perguntar, como é que nós podemos compreender biblicamente o que significa pensar nas coisas de cima? Quando, no fundo, a nossa mente, ela é pródiga, digamos assim, a pensar em tantas coisas aqui debaixo, não é? Podemos, talvez, usar esta expressão. Como é que isto pode, de alguma forma, moldar a nossa identidade cristã pensando nas coisas que vêm de cima? Eu acho fantástico. O apóstolo Paulo foi aquela pessoa que penetrou o mistério de Cristo como mais ninguém. Ele diz coisas que são um desafio para a nossa razão mesmo. Ele convida-nos a nos considerarmos como já realizado em nós aquilo que Cristo fez por nós.

Segundo ele, e ele diz, já fomos crucificados com Cristo. Já fomos sepultados com Cristo pelo baptismo. Já ressuscitamos com Cristo para uma nova vida. Já subimos ao céu com Cristo. E já estamos sentados lá no lugar da glória com Cristo. Eu ainda estou aqui. E vocês também. E ainda estamos aqui. Mas tudo isto revela o quão profundamente ele penetrou a realidade do que Cristo representa para nós. E é interessante que ele depois vai dizer, pensem nas coisas que são de cima. Está ligado a isto. Está ligado a isto. É porque a nossa união com Cristo é, de tal maneira, real, profunda, espiritual, que lá está Cristo É o mesmo que lá estarmos nós.

Nós já lá estamos através dele. Ou seja, é tão certo que estaremos lá presencialmente, ainda não estamos presencialmente, mas é tão certo que estaremos, que o futuro é já considerado presente. E a distância e o tempo nada fazem para mudar esta realidade de que já vivemos no céu com Cristo. Cristo é dito que é a cabeça da igreja, não é? E ele já lá está. O resto da igreja seguirá. Vocês são homens, não sabem o que é um parto, não é? Mas as mulheres sabemos o que é dar à luz. E as parteiras sabem muito bem que no parto, no nascimento, quando nasce a cabeça do bebê, o corpo seguirá imediatamente. Cristo é a cabeça. A igreja é o corpo. A cabeça já lá está. O corpo está, portanto, também com a cabeça.

Então, o apóstolo convida-nos, através deste pensai nas coisas que são de cima, a comportarmo-nos como aquilo que já somos. que é sermos cidadãos do reino dos céus. Pensar nas coisas que são de cima e não das que são da terra. Não se trata de uma ordem para negarmos ou fugirmos a realidade desta existência. Ainda estamos aqui, com tudo o que isto comporta, de bem, de mal, tristezas, alegrias, desafios, realizações, ainda estamos aqui. E ainda somos daqui. Não somos daqui. Estamos aqui, mas realmente não somos daqui. Porque nós somos cidadãos do Reino dos Céus. Ou seja, é um verdadeiro desafio nós passarmos algum do nosso tempo, ou mesmo muito do nosso tempo, a buscarmos as coisas que são de cima, não é?

É isso que é o desafio a fazermos. É que, estando aqui, nós somos de cima. E devemos de iluminar a nossa existência aqui, esta nossa vivência, justamente através desta realidade espiritual, que é definitiva, enquanto que aqui tudo é transitório. Então, não esqueçamos, somos filhos de Deus. É a nossa identidade. Somos cidadãos do Reino. É o nosso destino, para lá caminhamos. Ainda estamos aqui, mas já lá estamos, portanto, com o Senhor Jesus. No entanto, e é preciso precisar, toda esta obra de renascimento, de mudança de estatuto, de vida, exige a nossa adesão para que ela seja efetiva na nossa vida prática de cada dia.

Ou seja, precisamos de tomar consciência de quem somos, de para onde vamos, a quem pertencemos, para que possamos aderir a isso e participar, portanto, nessa nova experiência. Daí eu pensai nas coisas que são de cima. É necessária a nossa dedicação, é necessário o nosso alinhamento voluntário ao programa, aos valores, portanto, do Reino de Deus. Daí que quando nós, por exemplo, vou expor de maneira prática, eu posso orar a Deus pedindo Senhor ajuda-me a lembrar-me que sou uma cidadão do Reino, que pertenço a Cristo, que já estou lá em cima contigo e que realmente eu quero isto, não é?

Mas depois, se eu tomar a atitude de, por exemplo, me assentar bonasseiramente diante da minha televisão ou do meu computador, entrar em contacto com todas as redes sociais, com tudo aquilo que tenho à minha disposição para me invadir e distrair. Iam-me pôr a ver programas de violência, programas de índole moral duvidosa, coisas que ocupam a minha mente, o meu pensamento, e que vão de alguma maneira encher a minha mente de lixo. Eu não me estou alinhando pelo programa do reino, pelos seus valores. Então eu estou negando a minha cidadania. Eu estou negando a minha identidade.

Dei que o apóstolo diga sempre, como já tive a ocasião de dizer na semana passada, tornem-se naquilo que já são. Portanto, é algo que tu tens que aderir. Tu tens que colaborar para que isso possa acontecer. Porque senão pode acontecer que, pensando que és cidadão do reino, estás apenas a viver os valores daqui e de agora. E nessa ideia de aderir, do verbo aderir, é muito interessante ver que quando nós falamos do aderir estamos a falar de virar as costas para aquilo que não interessa, não é? Exatamente. Nós sabemos que somos transformados pelo que vemos, pelo que ouvimos, pelo que tocamos, pelo que nos impressiona. Ellen White diz que os nossos sentidos são como as avenidas da alma.

Quem por lá passa, deixa a sua impressão. Ou para a vida de cima, ou para a vida de baixo. Eu, como cidadão do reino e como filha de Deus, devo sempre escolher, pensar, alinhar-me, aderir aos valores desse reino e, sobretudo, à pessoa de Jesus, que me vai dar a força para manter realmente esta separação e este virar as costas. Portanto, que tu dizes aquilo que é apenas daqui. Este aderir, e vamos dizer que isto é uma escolha diária se quisermos, permanente, não pode ser pontualmente quando me interessa ou quando tem necessidade. Quando temos de tomar decisões, fazer escolhas, quer sejam lúdicas, quer sejam do trabalho, quer sejam do que for.

E pensar em cima. Nesta ideia de aderir às coisas que vêm de cima, não é?

Morrer para as coisas terrenas

Paulo leva-nos a outra perspectiva agora, que é, eu diria, difícil de colocarmos em prática. Mas ele lança-nos o desafio, que é morrer para o que é terreno. E ele vai dizer exatamente isso em Colossenses capítulo 3, versículo 5. Ele vai dizer, mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra, a fornicação, a impureza, o apetite desordenado, a vil concubiscência e a avareza que é idolatria. E a lista podia continuar, se quiséssemos, não é? Paulo não foi de modéstias, não é? Ele aponta o foco para que algumas coisas na nossa vida tenham o efeito de morte, não é? A morte das coisas terrenas. Pedro, de que forma é que nós podemos mortificar os, digamos que, os membros devem ser entendidos, à luz dos ensinos de Paulo, como uma união com Cristo.

Ou seja, como é que nós podemos mortificar aquilo que não interessa para termos esta união com Cristo? No fundo, o tema é uma continuidade destes comentários que a Hortelinda estava agora a fazer. Claro que o apóstolo está aqui a fazer uma reflexão sobre este processo de ganharmos esta mentalidade celestial. Isso é uma coisa que nós sabemos que acontece ao longo da nossa vida, se aprofunda. E por isso o verbo mortificar é muito significativo. É um verbo bastante forte. No dia a dia não é uma coisa que utilizamos muito. Porque é condenar à morte alguma coisa. Mas acho que vale a pena fazer aqui uma reflexão sobre quais são os limites desta expressão mortificar.

e como é que, portanto, ela pode ser entendida de uma maneira completa, positiva e, ao mesmo tempo, motivadora até. Porque onde poderia haver aqui uma confusão Com o apóstolo Paulo não dá muito para fazer essa confusão, porque ele escreveu muito e, portanto, o pensamento dele é conhecido. Mas, ainda assim, sobre o termo em concreto, obviamente que a ideia de que uma ordem deste imperativo mortificai, obviamente que poderia ser lido facilmente como a ideia de que cabe-nos a nós matar as nossas tendências e, portanto, a ideia de mortificar, sabendo nós que o conceito de morte é uma das metáforas mais significativas nas cartas de Paulo, para falar sobre a experiência de sermos novas criaturas, portanto, poderia, no fundo, pôr a ênfase na nossa função de matar o pecado e resolver o nosso problema.

Nesse sentido, temos que dizer que é evidente, no pensamento de Paulo, que mortificar não é uma indicação para sermos nós a matarmos o velho homem. Nós sabemos isso porque temos muitas expressões, eu vou citar aqui por exemplo Romanos 6, que diz, sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito. Esta ideia de que há um homem designado como velho homem, que no fundo é uma natureza carnal, com as nossas tendências naturais ou herdadas, de que isso tem que morrer e de que Cristo é quem opera isso em nós, isso é uma evidência.

Por isso aqui em Romanos 6, depois Paulo até fala muito sobre o batismo, essa ideia de que o batismo também simbolicamente representa essa ideia de um sepultamento do qual ressuscitamos. Ora, o próprio batismo é a ideia de que é Cristo que opera uma coisa em nós. Uma coisa que nós aceitamos. Há uma novidade de vida que nós queremos. Portanto, nós já morremos para Cristo porque aceitamos que a morte dele teve um poder que se nos aplica a nós. Nesse sentido, o nosso papel, nós sabemos bem, é nos apropriarmos desse poder. O Evangelho tem esse poder, é essa mensagem. Agora, é claro, mortificar é evidente que é viver diariamente uma realidade espiritual.

Portanto, há aqui uma dimensão que nós não podemos negar. É de que mortificar significa também, e por isso é que o apóstolo até faz uma lista, Como dizias, obviamente não é completa, porque nenhuma lista nunca é completa, seja no que for, não é? Mas são alguns exemplos, nostante significativos, de que há caminhos, há escolhas, há condutas que nós temos que conscientemente fugir delas, não alimentá-las. São desejos, comportamentos concretos. tem a ver com impureza, tem a ver com sexualidade, tem a ver com apetite, tem a ver com cobiça ou com idolatria.

Tudo isto são campos absolutamente práticos da nossa vida, com os quais nós convivemos de uma forma diária ou, pelo menos, permanente. Portanto, mortificar também tem uma dimensão que me parece absolutamente relevante, que é cortar a fonte. Nós mortificamos o poder destas coisas em nós se nós formos capazes de cortar as ligações que temos com essas coisas. Não as alimentar. Obviamente é não as alimentar. Por isso, há uma dimensão que não pode ser negada. Eu mortifico estes... estes valores, estas práticas na minha vida, se eu evitar lugares, por exemplo, que alimentam a carne, neste caso a tentação, sobre diversas áreas da minha vida.

Escolher hábitos, substituir desejos por alguma coisa que me traga um pensamento mais construtivo e positivo, No fundo é, se eu já disse no primeiro ponto que obviamente que Paulo não está aqui a pregar uma ideia de uma salvação pelas obras, que é a ideia de que eu é que tenho que matar as minhas tendências porque eu estou totalmente condenado a não conseguir fazer isso. É por isso que se essa fosse a luta cristã, então nós poderíamos dizer que estamos condenados ao fracasso, que nós nunca vamos vencer essa luta. Mas dizer isto nunca pode ser um convite à passividade. É este equilíbrio que na vida cristã nós temos que estar constantemente a fazer. Seja na teologia, porque nós estamos aqui sentados à mesa, na prática estamos a fazer teologia, que é a refletir sobre os conceitos, mas depois quando levantamos nós próprios e todos os que nos estão a ver, obviamente que o desafio qual é?

O desafio é como é que nós aplicamos isto na nossa vida. Ora, não seria lógico, não é razoável, até por uma questão de lógica, mas por isso é que o apóstolo também várias vezes utiliza expressões e ideias muito concretas que é. A vida cristã não pode ser confundida com a ideia de uma passividade. Se Cristo faz em mim, pronto, eu não tenho nada a fazer. Existe uma disciplina espiritual que é uma coisa ativa. que se alimenta de escolhas, de princípios, que se alimenta até de hábitos, estilo de vida, se quiséssemos. O nosso estilo de vida é uma coisa que nós construímos. Ou seja, eu posso ter Jesus Cristo, o Evangelho, compreender de onde vem a minha salvação, mas depois eu tenho que meter comida dentro da dispensa lá em casa.

E tem que meter comida na mesa. E a comida pode ser um instrumento para o diabo controlar e dominar. Claro que pode. Todos sabemos que pode. Até porque mexe com os nossos apetites e, portanto, ali está um campo de poder. Aliás, Satanás usou... A primeira tentação com Jesus foi exatamente através de pau, não é? De comida. É isso. Nós sabemos bem que há um poder, um domínio dessa área na nossa vida. Então, se estamos a dá-lo como exemplo, quem é que vai fazer compras? Não é o diabo que faz as compras, nem é Jesus Cristo que faz as minhas compras. Ou que escolhe o que é que eu meto à mesa. Sou eu. O que significa que a vida cristã não pode ser confundida com uma passividade ou uma coisa que está apenas no domínio das ideias, como se fosse uma filosofia à qual nós aderimos ou entendemos.

Não. Assim como a sexualidade, que é um outro campo no qual Deus tem um plano absolutamente extraordinário para a vida humana, mas o inimigo também tem. Portanto, o que é que eu tenho que fazer? Eu tenho que fazer escolhas. Se eu sou tentado por determinadas circunstâncias, ambientes, pessoas, eu tenho que fazer escolhas. Então, nunca pode ser confundida a natureza da nossa salvação estar totalmente centrada na obra de Cristo com a nossa passividade. E, portanto, eu tenho que, por um lado, fazer escolhas positivas sobre o que quero na nossa vida. E, por outro lado, na minha vida, por outro lado, tenho que também fixar a minha mente, e aí não preciso explorar mais, porque a Ortelina estava a dar ali excelentes exemplos, porque eu também tenho que fixar a minha mente nas coisas boas.

E, portanto, isso tem a ver com o tempo, com aquilo com que eu alimento a minha mente. Portanto, mortificar tem este duplo sentido. Tem o sentido metafórico que o apóstolo Paulo tantas vezes usa de uma morte que tem de acontecer e que Cristo é que é a base, mas também tem a ideia de que eu tenho de fazer alguma coisa para que em mim morram algumas tendências, gostos e naturais que eu posso agir ou colaborar, no mínimo, para que essas coisas percam o seu valor, a sua força. É interessante ver que o apóstolo Paulo vai dar aqui esta lista e ela é tão atual nos nossos dias. Quando olhamos para os termos que ele usou, dos tais membros ou das tais atitudes, que são provenientes da terra, fornicação, impureza, o apetite desordenado, a vil concomiscência, a avareza, a idolatria, tudo isto ainda hoje faz parte do nosso léxico de problemas entre as sociedades e entre nós próprios.

E é interessante, enquanto o Pedro tava falando, me veio aqui a mente, porque a ciência comprova que essas realidades da sexualidade, da comida, da alimentação, são coisas que nos dão imenso prazer. Claro. Era como se... Eu releci isso agora na boca de Pedro, que vai dizer, se de sóbrios. Quer dizer, que em algum momento nós perdemos a sobriedade de escolhas corretas, quando nos deixamos levar por essa busca constante do prazer imenso na nossa vida, e acabamos abandonando ou deixando de lado aquilo que é primordial, que é Cristo. Ainda há pouco o Pedro falava aqui um bocadinho sobre o velho homem. Nós podemos talvez olhar para esta perspectiva e dizer que com Cristo nós

O velho e o novo homem

chegamos ao patamar de conseguirmos despir este velho homem, esta velha natureza, e vestirmos, vamos dizer, uma nova vesta, ou sermos um novo homem. Vamos ler Colossenses capítulo 3, versículos 9 e 10, porque fala-nos um pouquinho disto. Capítulo 3, versículos 9 e 10, diz... Ou seja, há aqui uma transformação que é necessária na nossa vida, há aqui um ponto de ordem, digamos assim, viver com Cristo em este exercício. Vamos dizer, é um exercício permanente, de nós nos sentirmos despidos por velho homem para assumirmos aqui um novo modo de viver.

Hernani, que elementos podem definir a diferença entre o que é ser um velho homem ou estar na posição de velho homem e um novo homem, sobretudo na teologia do apóstolo Paulo? Jorge, eu queria focar-me aqui um bocadinho na introdução que Paulo faz. Ele vem fazendo uma lista sobre a prostituição, sobre o apetite desordenado. E, de repente, ele vai citar aqui o não-mentais uns aos outros. É uma coisa tão óbvia, quase, no mundo cristão. Ora, se Paulo vai dizer, é porque isso estava a fazer parte da igreja de Colossos. Os colossenses estavam a fazer parte disso. Para já lembrar que em um dos dez mandamentos existe um que diz para a gente não mentir, para a gente não usar da mentira.

O porquê disso? Quem é o pai da mentira? É o diabo. Então, pensando na perspectiva do velho homem, vamos aqui voltar um bocadinho à criação e perceber que Deus nos criou a sua imagem, conforme a sua semelhança. Entretanto, veio o pecado, o homem abdicou do ideal de ser igual a Deus e passou a ter a outra referência agora. Tanto é que Jesus vai confrontar, quando esteve aqui na Terra, dizer, vós sois do diabo. A nossa figura de reprodução do nosso caráter, dos nossos apetites, dos nossos prazeres, é o inimigo de Deus. Então, é interessante porque quando Deus criou o homem, ele tinha um projeto. Que era fazer o homem crescer cada vez mais a sua semelhança.

Já agora, permita-me explorar essa ideia. No capítulo 1, verso 26, Deus diz assim, no projeto, façamos o homem a sua imagem conforme a nossa imagem, segundo a nossa semelhança. E depois, no verso a seguir, diz, e Deus criou o homem a sua imagem, homem e mulher os criou. Mas não está lá mais a palavra semelhança. E é interessante perceber isso. Por quê? Porque no projeto de Deus, o crescer, a semelhança dele era um percurso educativo, que fazia parte dos princípios que Deus tinha para nós, esse crescer cada vez mais. E que se Deus quiser, conforme a Bíblia nos diz, quando Jesus voltar, nós vamos de novo recuperar esse princípio de continuar a crescer em plenitude. O que que Jesus veio fazer? Jesus, então, veio resgatar-nos pra que esse projeto pudesse continuar.

Satanás quebrou isso em nós. Nós não reproduzimos mais a imagem de Deus na nossa vida, nós temos um outro, como pecadores, temos um outro caráter a reproduzir. Esse é o velho homem. Mas Jesus veio nos libertar disso. E veio nos dar a possibilidade de escolher, agora, um novo nascimento. E por que que eu digo escolher? Vocês lembram quando Jesus vai falar com Nicodemus sobre o novo nascimento? No Evangelho de João, no capítulo 3, Jesus fala que é necessário nascer de novo, Nicodemus não entende muito aquilo, pergunta como é que pode ser, e Jesus usa o exemplo do vento, e ele diz, olha o vento, ele sopra Onde quer, vem, né, e vai, e ninguém percebe, só percebemos o quê? Os resultados da ação do espírito, né?

Da ação do vento, né? Assim é todo aquele que é nascido do espírito. Ora, uma pessoa, então, que é nascida do espírito, ela perde o comando. É que um bocadinho... na ideia do mortificai, ela deixa de ser a pessoa a escolher, eu prefiro morrer para as minhas vontades e deixo o Cristo ser aquele que vai escolher por mim. Então, nessa perspectiva, acredito que agora Jesus nos dá a oportunidade de nos revestir do novo homem, que, na verdade, é outra imagem para falar que Jesus nos dá a possibilidade de voltarmos à mesma posição que Adão teve antes de de pecar, eu não digo na sua totalidade, mas na questão da liberdade, de poder escolher. Daqui pra frente, eu escolho não me aproximar da árvore, eu escolho não optar pela mentira, eu escolho não fazer aquilo que está mal, mas escolho fazer aquilo que é certo.

E é por isso que é pleno que Jesus vai citar isso, e por isso que o não mentais é alguma coisa que incomoda Paulo, porque ele vai citar grandes coisas, Mas há detalhes no caráter que a mentira mostra isso, entende? Então, o que ele quer é que nós possamos realmente escolher, né? Despir-nos do velho homem e vestir-nos o novo homem, né? E nesse padrão, nós encontramos, falamos aqui dos mentais não estar nos dez mandamentos, que nós acreditamos ser claramente uma maneira de percebermos quem Deus é, o caráter de Deus. E se queremos, então, voltar a ter esse padrão de imagem, ter esse novo homem a reproduzir, nós temos que olhar para Cristo, que é esse padrão perfeito.

Renovados no conhecimento de Cristo, nós podemos ser transformados de glória em

Pausa

glória, digamos assim, à imagem de Cristo e sermos representantes de Cristo nesta Terra. Aliás, o tema deste episódio de hoje é vivermos com Cristo. A nossa conversa está ótima, mas vamos fazer um curto intervalo. Saímos por breves instantes. Voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal do sábado, o canal da esperança. Retomamos a segunda parte deste episódio sobre a Bíblia que está sempre aberta e que retiramos dela o que de mais importante nós necessitamos para a nossa vida. Temos estado a estudar as duas epístolas ou as duas cartas que Paulo escreveu a Filipenses e também a Colossenses. Digamos que Temos tirado boas lições e eu acredito que você aí em casa também tem sido agraciado com as mesmas bênçãos que nós aqui em estúdio.

Antes de continuarmos a nossa conversa com os nossos convidados, eu quero propor-lhe que possa receber em sua casa gratuitamente a máquina humana. Não sei se já tem este guia de estudo, mas este é um guia de estudo muito interessante que lhe permite retirar, através da Bíblia, conceitos como cuidar da sua saúde, quer a nível físico, quer a nível mental e quer, obviamente, a nível espiritual. Por isso, nesta revista você vai encontrar vários temas muito interessantes. Eu vou sublinhar pelo menos um, Aqui fala do plano divino que Deus tem e que Deus mantém para a nossa saúde. Talvez seja bom nós podermos perceber qual é verdadeiramente o plano divino para cada um de nós no que toca à nossa saúde.

Por isso, se quiser ter em sua casa totalmente gratuita este guia de estudo, a máquina humana, poderá fazê-lo sem demora para o 933 939291 933 9392 91 e do outro lado alguém irá conduzir o seu pedido para que rapidamente ele chegue a sua casa gratuitamente e você possa descobrir aquilo que o Senhor Deus nos disse e nos dá para termos uma melhor saúde enquanto vivemos neste mundo. Voltamos à conversa. Tínhamos ficado com a certeza de que podemos ser cidadãos de um reino superior. A Hortelinda focou isso logo naquela resposta que deu há pouco.

A ética do amor

A palavra de Deus transforma-nos de glória em glória. Somos feitos à imagem e mantemos a imagem de Cristo. Isto dá-nos o quê? Dá-nos a possibilidade de nós podermos atingir um carácter de perfeição. e temos que falar nesta linguagem, porque é uma linguagem bíblica. Se não vejam o que é que está escrito em Colossenses capítulo 3. Capítulo 3 de Colossenses, se lermos os versículos 12 a 14, diz... Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra o outro, assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobretudo, isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição." Então, nós vemos aqui, Paula, enumerar uma série de virtudes, uma série de características que podem não existir em nós, mas que Deus dá-nos a oportunidade de as alcançarmos, e que, no fundo, não são mais do que a ética cristã que se distingue.

Hortelinda, Nesta estrutura, eu diria que há algo que é central, que tem um papel central, que é o amor. E Paulo vai colocar aqui, vai fazer esta lista toda, mas vai rematar exatamente com esta ideia, a revestibos de amor. Então, como é que nós podemos olhar para tudo isto, com as virtudes da ética cristã, para podermos viver neste mundo, no meio de tantos dissabores? Claro que o amor é tudo, não é? O amor é a causa, o amor é o resultado, o amor é o meio. Tudo realmente é o amor porque Deus é amor e é Ele que está na origem, portanto, da nossa existência, está na origem da nossa salvação.

Aqui neste texto que tu lestes, o apóstolo Paulo apresenta o crente como alguém que tem que se despojar de certas coisas. da ira, da cólera, da raiva, das palavras não decentes, de tudo isso, para se revestir de outras que ele naturalmente não tem, mas que devem ser desenvolvidas no seu caráter, tal como a misericórdia. São palavras que nós não estamos muito habituados. A misericórdia, a benignidade. Misericórdia é tratar o outro melhor. do que aquilo que nos parece que ele merece. É ter coração para com miserável, é isso que quer dizer, a misericórdia. A benignidade é ter para com o outro uma atitude de acolhimento, de aceitação, de benevolência, de gentileza, que nada disto é natural.

Portanto, no ser humano, A humildade, revestidas da humildade e mansidão. São duas características do caráter cristão que eram fundamentais em Cristo. Ele mesmo diz, aprendei de mim, que sou manso e humilde. São como duas faces da mesma moeda. Não vamos ter tempo para desenvolver. Deixamos para os nossos telespectadores e ouvintes de encontrarem a ligação que existe entre a humildade e a mansidão. Porque uma não existe realmente sem a outra. A longanimidade, que também quase não se sabe o que é, mas quer dizer, a paciência. É aquilo que para nós é a paciência. É ser capaz de aguentar situações que desafiam o teu gênio, enfim, a tua resistência.

E, sobretudo, viver esta atitude de perdão, se tu vives a alegria do perdão em Cristo. Tu deves ser capaz de viver a alegria, de perdoar aquilo que o outro fez a ti. E depois diz sobretudo, revestir-vos do amor, porque o amor é o vínculo da perfeição. O que é um vínculo? Um vínculo é uma coisa que une, que marca, que faz a ligação. Então, o amor é o sinal. de que realmente somos perfeitos. E será que somos perfeitos? Claro que não. Se para nós perfeição é impecabilidade, ninguém é perfeito. Ninguém é impecável. Todos continuamos a ser pecadores. Mas a perfeição na Bíblia, como já temos referido várias vezes, quer dizer maturidade.

Completude. Ser maduro. Ser completo. É a maturidade afetiva. capacidade de amar o outro, é a capacidade espiritual de conseguir realmente compreender o outro, para lá da sua existência apenas terrena. Existe uma diferença entre o amor da criança, por exemplo, que ama por si e para si, porque necessita de segurança, necessita de realmente as suas necessidades sejam preenchidas, e o amor do adulto, O adulto é aquele que ama o outro pelo outro. E não preenche as suas necessidades. Preenche as necessidades daquele que ama. Isto é o amor maduro. Isto é o amor maduro, não é?

E este amor... Há um autor que eu gosto muito que se chama Scott Peck. Scott Peck. Ele diz que o amor é um ato de vontade. E é o meu investimento no crescimento do outro. E é isso que realmente é o amor, que é o resultado de estarmos ligados a Cristo. É a primeira manifestação desta união. É o amor. Em Gálatas 5.22 também nos diz que o fruto do Espírito, e na lista põe em primeiro lugar o amor. Como se todas as outras características que vêm a seguir sejam características recortadas, portanto, desta primeira, que é o amor, que é uma maneira de ser, de estar e de existir.

Portanto, o amor são todas as virtudes manifestando-se para promover o crescimento emocional do outro. O Hernani falava há pouco do homem como o projeto de Deus na criação. E realmente essa atitude de Deus para com este projeto, podemos dizer que é base de ética. Falaste aqui na ética cristã. A base da nossa ética é como Deus criou o homem E o que Deus fez para recuperar o homem. É o valor que Deus dá ao homem. E a ética cristã é baseada neste valor que Deus nos atribuiu, ao criar-nos e ao redimir-nos. É isso que está na base da ética. Eu devo ao outro o o comportamento equivalente àquilo que ele representa para Deus.

O seu valor. O seu valor. É o que diz João, não é? Amados, se Deus assim nos amou, então só há um caminho a seguir. É que nos amemos uns aos outros, não é? Se Deus assim nos amou. Amemo-nos uns aos outros é a conclusão natural, portanto, deste, se Deus assim nos amou. É tanta a ética cristã, não é baseada no medo, nem na obrigação, nem no interesse pessoal, mas neste amor, neste querer realizar o plano de Deus para o outro. Depois de dar os mandamentos sobre o amor Jesus, Quando aquele doutor da lei lhe pergunta o que é realmente o amor e o que é amar o próximo, Jesus dá, na sua parábola sobre o bom samaritano, Jesus apresenta aí três éticas do comportamento.

Como sabemos, não é? Havia um homem caído na valeta e há dois sacerdotes que passam, há os ladrões e há o samaritano. E cada um tem a sua ética e Jesus vai dizer qual é a ética cristã. Há a ética dos ladrões e a ética dos ladrões é o que é meu é meu e o que é seu será meu se eu me puder apropriar. é aquilo que usa o outro para seu benefício próprio. Seja de maneira tão escandalosa como roubar, como roubar de maneira muito mais subtil o que quer que seja ao outro, ou aproveitar-se do outro. Depois temos a ética dos sacerdotes, do sacerdote e do levita. E a ética dos sacerdotes e do levita talvez seja a ética de mais de metade da humanidade.

É a ética da indiferença. O que é meu é meu e o que é teu é teu e desenrasca-te como puderes. Portanto, não me interessa. A tua vida não me interessa, não me concerne. Se calhar ainda é pior do que a dos ledrões, não é? E depois temos a ética do samaritano. O samaritano que corre todos os riscos, tem compaixão, aproxima-se daquele homem, corre todos os riscos. põe tudo à sua disposição, desde o seu tempo, à sua cavalgadura, os produtos para o socorrer, até levá-lo à estalagem, paga o que é necessário, até paga de avanço aquilo que for necessário. Ou seja, quando há pouco explicavas que misericórdia é tratar do outro melhor do que ele merece, ele usou de misericórdia.

Exatamente foi o que fez este homem. É porque ele nem sequer sabia se o outro merecia. Não sabia sequer quem era. Portanto, era um homem que ele não conhecia. E a ética deste bom samaritano é a ética que Jesus nos propõe. E é o que é. Teu é teu e o que é meu será teu, se tu dele necessitares. Esta é a ética cristã. Esta é a ética que Deus quer ver reproduzida naqueles que dizem que são seus filhos, naqueles que dizem que estão a caminho do reino e que são representantes e embaixadores de Cristo na Terra. O amor é um ato de vontade e é vontade de querer realizar o plano do outro, segundo o projeto de Deus.

É muito interessante que quando nós mostramos o amor, a misericórdia, a bondade, todas estas características que Paulo menciona aqui e ele, como há pouco dizíamos, a lista podia continuar, não é? Se formos a praticá-las, os mais beneficiados até somos nós. Porque somos nós que aplicamos aquilo que é correto, logo estamos nós a ser beneficiados, não é? Eu encontrei uma frase num livro também de saúde, que é o livro A Ciência do Bom Viver. É um livro bastante interessante. Nós hoje demos, digamos que, a possibilidade das pessoas poderem lá em casa receberem gratuitamente a máquina humana que fala sobre saúde. Mas este livro, A Ciência do Bom Viver, tem uma frase que eu acho que é muito interessante.

A escritora diz, o mais forte argumento em favor do Evangelho é a existência de cristãos que amam e que são amáveis. Eu achei esta frase muito interessante porque ela mostra a diferença, não é? Este revestidos pelo amor. Tudo isto porquê? Porque quer queiramos, quer não, a palavra de Deus Quando nós estamos revestidos em amor, a palavra de Deus habita neste tipo de crentes, neste tipo de pessoas

A palavra e a música

que são revestidos pelo amor. Vejam, por exemplo, o que está escrito em Colossenses capítulo 3. No capítulo 3, versículo 16, ou versículo 16 diz, habitando ricamente em vós a palavra de Cristo em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com salmos hinos, cânticos espirituais, cantando ao Senhor, com graça, em vosso coração. Ou seja, isso faz-me lembrar uma outra passagem que Paulo dizia, em tudo dai graças, regozijai-vos sempre no Senhor. E é muito interessante que Paulo aqui junta duas áreas que nos são muito particulares, talvez a mim e ao Pedro, mas eu acho que também à Hortelinda e mesmo ao Hernani, que é a questão da palavra no nosso coração e o papel da música na nossa vida.

Eu creio que todos nós temos um bocadinho isto. E sobretudo nós que estamos aqui temos uma relação muito próxima com a música. Eu nem te vou perguntar. Eu vou afirmar. E depois tu podes comentar esta afirmação. Ou seja, há um papel que a palavra e a música desempenham na formação pessoal, digamos também doutrinária e comunitária da igreja. Estás de acordo comigo ou não? Sem dúvida. Há uma dimensão comunitária absolutamente central no que a música consegue fornecer como experiência, mas também individual. Talvez eu pudesse recuar aqui um pouco para dizer que se há um elemento que eu acho absolutamente maravilhoso quando refletimos sobre música, e esta pergunta aqui, estas palavras de Paulo aqui, de repente coloca aqui nesta uma dimensão prática e parece que assim do nada vai falar de música, que é como quem diz, cantem e aproveitem essa oportunidade de louvarem juntos, Há uma dimensão que me parece sempre muito relevante, que é a música.

Ela tem intrinsecamente uma espécie de uma verdade que ela afirma por si mesma, que é a música, enquanto objeto, enquanto realidade, ela é totalmente desnecessária à vida, em termos pragmáticos, o que lhe confere um valor único. que é o valor de ter sido criado com uma intencionalidade que não é pragmática. O que é que eu quero dizer com isto? Pragmático é que nós precisamos de oxigênio, porque é a substância essencial que depois as células vão precisar para viver, ok? É indispensável à vida. Está analisado. Para quem, como nós, que somos profundamente criacionistas, é claro, Deus podia ter feito tudo de uma maneira ou de outra, mas optou, obviamente, no seu potencial criativo, por criar algumas condições essenciais à vida.

Isto é tão realidade que qualquer cientista, qualquer observador estudioso do mundo natural sabe exatamente quais são essas condições. Até é irrelevante, do ponto de vista dessa análise, se é Deus o Criador ou não. Nós sabemos que sem sol não haveria vida, sabemos que sem água não haveria vida e nós próprios seres humanos precisamos de um conjunto mínimo de substâncias, de circunstâncias e de contexto para vivermos. Por isso é que, de um ponto de vista pragmático, existem outras realidades as quais não fazem parte dessas condições, vamos chamar-lhe essenciais, básicas, para a vida. A maior parte delas são da natureza biológica, química, etc. Temos que nos alimentar porque aqueles nutrientes têm que ser transformados ao ponto de depois darem a energia e todas as outras coisas.

Existem, no entanto, outras realidades, talvez a música esteja quase na linha da frente destas realidades, por mais que nós consigamos refletir, não conseguimos dizer porque é que ela existe. O fato de existir um conjunto de frequências, porque do ponto de vista físico, as notas musicais são literalmente frequências, porque o som ele mede-se. E as frequências, quando elas ecoam numa determinada frequência numérica, elas dão as diferentes notas. Ou seja, existe uma realidade física que tem de ser criada. ou é tudo uma absoluta casualidade e o potencial... artístico e surpreendente da música, de fazer peças e obras de arte que nós ficamos abismados a ouvir e emocionamos só de ouvir, dizemos, ok, ou isto existe por absoluta casualidade ou então isto é absoluta intencionalidade.

O Criador quis que existisse um fenómeno como a música, desnecessário do ponto de vista pragmático à existência da vida, mas precisamente para que fosse manipulado, usado, com a capacidade de produzir em nós experiências que sem ela nós não poderíamos ter. Isto é um ponto prévio, ainda talvez muito distante, aparentemente, do que o apóstolo Paulo aqui diz, porque aqui o apóstolo não está de toda a debater sobre estas questões mais filosóficas, às quais eu estou aqui a dar uma pequena amostra, mas é para dizer que do ponto de vista do apóstolo que está a falar para uma igreja e a tentar dar-lhe soluções, soluções para as lutas, os problemas, para a vida, para a experiência comunitária.

Recursos, finalmente. Tudo isto, façam isto, façam aquilo, tenham cuidado com isto, mortifiquem isto. E depois diz, olha, cantem. De repente parece uma coisa tão básica, tão prática. Cantem juntos. Se me permite perguntar, eu estava falando sobre a música, sobre essa necessidade ou não da existência dela para a nossa vida, e me fez pensar que realmente, às vezes, há sentimentos dentro de nós. Eu estou pensando em mim, por exemplo, que a música me ajuda a expressá-los. exterioriza sentimentos que estão lá dentro. Quando estou triste, ouvir uma música mais reflexiva, mais triste, ajuda, quem sabe, a vir uma lágrima, a expressar aquela dor, mas também, quando estou alegre, a expressar essa gratidão e tudo isso.

E é interessante essa perspectiva que se partilhou agora. Realmente. Aliás, quando nós vamos à história de Davi e Saúl, por exemplo, nós podemos ver que a música foi poderosa e foi influenciadora. Quando ele tocava, o Rei Saúl acalmava-se e era uma simples interpretação, supostamente, que Davi estava a fazer. Na verdade, esse texto é um exemplo Foi perfeito tê-los usado, não combinámos nada, para o segundo ponto que eu queria mencionar aqui. Quando nós fazemos uma análise, um estudo na Bíblia sobre o papel da música, coisa sobre o qual temos, sobre o qual eu ao longo dos anos me tenho debruçado para um interesse, se quisermos, até pessoal, mas também no ministério, na teologia, É entender o papel da música. Então, porque é que ele existe?

Qual era a intenção de Deus? Na Bíblia em particular, nas suas muitas narrativas, nós vamos encontrar uma espécie de um princípio geral que é o seguinte, a música nunca é um fim em si mesma, Ela é usada como um instrumento, um meio para colaborar para que se atinjam certos fins. Existem muitas histórias, a história de Saúl e de Davi é uma delas, em que Saúl está atormentado na sua mente, não sabemos ao certo o que ele teria, ou está com uma ansiedade profunda ou um problema de saúde mental. Enfim, e alguém diz chamar e temos um jovem músico e a verdade é. Que ele vai tocar a sua harpa. Talvez cantar e realmente vai produzir esse efeito de acalmia. de repouso, de descanso, mas depois em muitas outras ocasiões a música vai aparecer ou para expressar sentimentos, como celebração, alegria profunda, então canta-se e dança-se, outros para momentos muito espirituais, na inauguração de um templo, das muralhas, coniamias, então vemos que aí houve música para conseguir expressar aquela experiência que se está a tentar viver.

O canto de mídia, por exemplo? Tal e qual. Nós vemos, então, a música aparece sempre associada à ideia de que há alguma coisa para ser vivida, experimentada, há um propósito, e nós dizemos, ok, agora temos aqui algo que nos foi dado para conseguirmos expressar de forma mais profunda, correta, os sentimentos que são necessários a expressar neste momento. E nesse sentido nós entendemos que a música, portanto, é concedida por Deus para que nós tenhamos, de facto, a capacidade de a expressar na forma de beleza e de arte coisas que apenas racionalmente é difícil de a expressar. E nesse sentido percebemos porque é que o apóstolo Paulo, no meio desta reflexão teológica sobre as lutas da carne e da vida, diz cantem, louvem ao Senhor, porque há um poder extraordinário em usar a música como um mecanismo para nos conectarmos com Deus, uns com os outros, e a expressarmos juntos a nossa experiência com o transcendente, com o divino.

É interessante que nós aqui não usamos muito a parte científica, não é? Mas, clinicamente, a música está provada que a calma reduz a ansiedade, otimiza a função cerebral, aumenta o relaxamento. ajuda a diminuir a dor, aumenta a socialização, enfim, tantas características que a música pode trazer. Há mesmo muitas cirurgias que são feitas com música clássica de fundo para a concentração e para o bem-estar de quem está a cuidar do paciente, enfim. Só falta mesmo vermos aqui uma coisa, que é percebermos qual é o princípio que de alguma maneira pode orientar toda esta questão, o que pode ligar tudo isto

Agir em nome de Jesus

que nós temos falado aqui. E Paulo vai apresentar-nos esse princípio que orienta toda a vida no versículo 17 do capítulo 3 de Colossenses. Se lermos Colossenses 3, 17, diz... E quando fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus, Pai. Hernani, vamos fechar contigo. O que é que significa agir em nome dos senhores? Que esta é uma, vou dizer, uma ordem, um repto que Paulo coloca aqui. E como é que este princípio pode moldar a nossa forma de estar, de viver o cristianismo? É interessante porque Paulo acabou de fazer aqui uma lista de coisas, o capítulo 3 é quase um réptil a fazer o que é bom e deixar aquilo que é mau, ele vai fazer uma lista e pronto, como o Pedro disse, a lista nunca é completa.

Então, ele disse assim, vamos resumir em uma coisa, tudo. Vocês façam, como ele diz aqui, em nome do Senhor. E se vocês me permitem, eu vou contar uma experiência que vivi, que me ensinou o impacto na nossa vida do que é representar a Jesus. Estava eu uma vez no supermercado. E na minha frente tinha duas crianças e uma mãe. Eram de origem cigana. Uma menina e um menino. E eu vi a menina, eu tenho duas meninas, e quando eu olhei pra menina, vi que ela tava com o narizinho a escorrer e eu fiquei tocado por aquilo. Uma menina pequenina, seis, sete anos. Peguei o lenço do meu bolso, o lenço de papel que andava na época das alergias. A gente tem sempre um lenço. Tirei e dei pra ela. Falei, ó, limpa o narizinho.

E ela pegou o lencinho e limpou, né? E eu vi que antes de eu dizer isso pra ela, ela tinha pedido pra, não sei se era mãe ou se era tia, compra-me um bolo. E ela disse, não, não, que eu não tenho dinheiro. Imediatamente, ela aproveitou as circunstâncias, olhou pra mim e disse assim, o senhor não quer me comprar um bolo? Eu falei, que bolo que é? Quanto é que custa? Ela, custa um euro. Eu falei, então vai lá buscar, né? E humilde também. Ah, também posso pra mim? Eu falei, vai lá buscar. Eu compro pra vocês o bolinho. Eu tinha parado pra comprar uma garrafa d'água, tava em serviço. E pronto, eles compraram o bolinho, eu paguei o bolinho pra eles, e saí satisfeito, né, daquelas circunstâncias. O que é certo é que, algum tempo depois, fui visitar alguém no hospital, que estava doente. A pedido até, a outra pessoa pediu. E quando eu entrei, uma pessoa que eu não conhecia, eu não conhecia a pessoa.

Eu entrei, a pessoa olhou pra mim e falou assim, eu conheço o senhor. Eu falei assim, mas como é que você me conhece, a gente nunca se viu. E ela recontou essa história do Pingo Doce, do supermercado onde estava a comprar as coisas, e ela diz, eu estava na fila do lado. E quando vi a ação do senhor, eu disse, esse homem é de Deus. Pra mim aquilo foi impactante, por quê? Porque, pronto, eu conheço o Hernani, eu sei como o Hernani é, e sei os meus defeitos e as minhas mazelas, mas eu fiquei extremamente satisfeito de poder ter representado Cristo. para aquelas crianças e para aquela senhora que estava ali ao lado. E que depois, no encontro com ela, expressou-se muito mais facilmente o convívio e a partilha e o ânimo e a esperança.

Ora, para dizer o quê? É que o que Paulo está a dizer é isso mesmo, é que nós possamos nos deixar inundar pelo amor de Cristo em todas as nossas ações, representando-lhe aquilo que fazemos. Ellen White tem uma frase que eu gosto muito. Ela diz, se assim for, conseguiremos viver o céu já nesta terra, não é? E esta é a parte importante que nós temos de desempenhar. É isto que Deus nos lança como desafio e Paulo vai claramente carregar sobre nós esta ideia e esta certeza. Eu quero vos agradecer de coração o facto de nós termos estado aqui os quatro. Foi o segundo episódio com o Hernani. Para a semana já não será o Hernani, mas conto com o Pedro e conto com a Hortelinda para podermos voltar a ter aqui continuidade e terminarmos, de alguma forma, a epístola aos Colossenses.

Quanto a nós, já sabe, nós voltamos na próxima semana, mas antes de nos irmos embora, nós temos um guia de estudo para lhe oferecer. Já lhe dei esta nota no início da segunda parte deste episódio, mas quero voltar a referir que temos o guia de estudo A Máquina Humana. É um guia de estudo que aponta para a nossa necessidade de mantermos a nossa saúde, seja ela física, mental e espiritual, em níveis como o Senhor Deus gosta. E por exemplo, se quiser saber mais o que é que pode ser as inflamações, então esta revista tem claramente algo a dizer sobre isso, sobre a obesidade, sobre a diabetes, um coração que pode estar em risco, enfim.

E por fim termina com a restauração do desejo supremo. leva-nos sempre à ideia de que a nossa vida, seja ela física, mental e espiritual, ela tem que estar claramente dirigida pelo nosso Deus. Se quiser este guia de estudo, já sabe, pode pedi-lo gratuitamente para o 933 93 92 91 933 93 92 91 e alguém do outro lado irá oferecer-lhe gratuitamente e receberá em sua casa para poder estudar mais e aprender mais sobre aquilo que o Senhor Deus tem para lhe oferecer. Já sabe, é sempre bom poder estar consigo, é sempre um privilégio entrarmos na sua casa. O Biblia Aberta fica por aqui, mas para a semana nós estaremos de volta, mantemos este compromisso consigo e queremos muito continuar a estudar a Epístola aos Colossenses e irmos até ao fim deste livro.

Que o Senhor o possa abençoar. Tenha uma ótima semana com Jesus.

Sobre este episódio

📖 Neste episódio do programa Bíblia Aberta, abrimos a Palavra de Deus em Colossenses capítulo 3 para refletir sobre o que significa viver em Cristo e com Cristo.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 11
Estreou
08 de Março de 2026
Categoria
Espiritualidade