Abrimos. Aqui mais um episódio do Programa Bíblia Aberta, aqui na TV Novo Tempo Portugal. Já sabe que pode estar connosco todos os dias, a qualquer hora, através do canal 186 da Mel. É sempre um privilégio recebê-lo e podermos estar em contacto consigo, podermos também entrar em sua casa e deixarmos uma mensagem de esperança. Esta temporada nós estamos a estudar uma carta do Apóstolo Paulo, que se encontra no Novo Testamento, tem sido o livro de Filipenses, e hoje nós vamos iniciar uma outra carta, a carta aos Colossenses, também da autoria do Apóstolo Paulo.
Para este programa, para este episódio, nós temos sempre três companheiros, três amigos, que vêm nos ajudar na conversa sobre as temáticas que estão presentes na nossa conversa. Tenho comigo hoje o Pedro Esteves, Mais uma vez, não é hoje, é sempre, quase sempre, o Pedro Esteves está sempre connosco, a Hortelinda também. Olá Hortelinda, obrigado. Bom dia Jorge. E hoje está connosco António Rodrigues, teólogo também, e é um privilégio poder receber-te no programa da Biblia Aberta. Obrigado. O nosso foco hoje estará num tema bastante interessante, a preeminência de Cristo, ou se quisermos, a excelência de Cristo. Temos vindo a estudar a Carta aos Filipenses, como eu acabei de dizer, e hoje vamos introduzir também alguns elementos muito interessantes que estão registados na Carta aos Colossenses.
Portanto, vamos abrir a Bíblia. Convido a si que está desse lado a poder também abrir a sua Bíblia. Se estiver a conduzir, poderá ouvir-nos, poderá escutar-nos através da Rádio RCS
nos 91.2 FM e será sempre um privilégio podermos ter a sua companhia. Vamos então abrir as nossas Bíblias. Não vamos começar no Livro de Colossenses, curiosamente, vamos começar por abrir em Génesis, logo no capítulo 1, para lermos os versículos 26 e 27. E Génesis capítulo 1 versículos 26 e 27 diz-nos, façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança e criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou. E depois se abrirmos em Colossenses, e agora sim no livro que vamos ter aqui mais atenção, vamos dar mais importância, Colossenses capítulo 1 versículo 15 diz o qual é a imagem do Deus invisível. Nestas duas passagens nós temos aqui a descrição de como o homem foi originado, como é que teve tudo início e qual foi a sua filiação.
António, vou começar por ti. Por mais que nós queiramos, as melhores imagens que nós temos de Deus serão sempre parciais, serão sempre limitadas, não é? E Paulo vai, de alguma maneira, dizer que Cristo é a imagem do Deus invisível. Como é que nós podemos compreender esta linguagem, esta expressão de Paulo, de Cristo ser chamado a imagem do Deus invisível? O que é que isto significa? Muito bem, vamos aproveitar esse texto para abordar aqui dois aspectos. O primeiro aspecto tem a ver com esse início do texto, façamos o homem à nossa imagem. Acredito que Deus se apresentou, ou a divindade se apresentou, para se posicionar na criação do ser humano.
Visto que existem muitas teorias sobre a criação, a origem do ser humano, e Deus aqui se posicionou, sendo ele a divindade que cria nós, pai, filho e espírito santo. E este, digamos, plural nos ajudar a compreender quão importante é, para nós, como cristãos, saber que a divindade, ela criou o ser humano à sua imagem. Quando falamos de imagem, à nossa cabeça vem logo algo que é físico, algo que é visível, algo que é parecido no aspecto físico.
No entanto, podemos pensar, e eu acredito que, como diz o teste de Colossenses, o qual é a imagem de Deus invisível. Então, se Deus é invisível, como é que pode haver uma imagem? Se eu apenas pensar no aspecto físico, é impossível. Eu não consigo, do nada, ter uma imagem de Então, vamos pensar em outros aspectos. Não no aspecto físico, mas outras características que são fundamentais para haver uma semelhança. Às vezes, nós, no nosso vocabulário, usamos quando um filho tem atitudes ou expressões como o pai. Nós usamos tal pai e tal filho. Usamos essas expressões.
No entanto, não é a mesma pessoa. Têm apenas expressões. Quando nós pensamos nessa imagem, pensamos sempre no corpo. Mas nunca ninguém viu Deus. Se nunca ninguém viu Deus, o corpo certamente aqui não se trata e não se fala. Podemos pensar em outros textos. Génesis 5.3 que diz que Adão viveu 130 anos e gerou um filho à sua semelhança. Portanto, conforme a sua imagem, Coríntios diz a mesma coisa, primeiro de Coríntios 15-49, e assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem celestial. Portanto, há uma imagem celestial, há uma imagem de terreno, há semelhanças de um lado e semelhanças do outro.
No entanto, nós podemos pensar o seguinte, eu vou ler aquilo que nós li, li em algum lado, e acredito que é fundamental. Imagine uma máquina perfeita. composta por 640 músculos, 3 bilhões de fibras nervosas, 30 trilhões de células vermelhas, um esqueleto leve como alumínio, resistente como o aço e 4 vezes mais forte que o cimento. Um espetacular produto de engenharia por dentro e por fora. Aqui está um resumo bem explicado em relação a essa imagem e semelhança que Deus faz ao criar o ser humano. 1 João 4, verso 12.
Ninguém jamais viu a Deus. Mas se nos amarmos uns aos outros, Deus está em nós. E em nós é prefeito o seu amor. Então vamos encontrar, sim, no ser humano, essa criação, algumas características. E talvez seja aqui que vamos ter essa semelhança em relação à imagem divina. Temos a característica física. Existe alguma coisa física? E de que maneira? É verdade que, embora nós não devemos pensar, como há pouco já mencionei, que Deus tem um corpo como o nosso, mas é verdade que nós podemos ver, ouvir e falar. São características físicas que Deus também fala, ouve e vê.
Podemos também ter aqui uma imagem de de representar como Deus é perfeito. O ser humano, Deus criou a D. Eva perfeito. Então, neste aspecto físico de perfeição, a imagem é semelhante, é igual, digamos assim. No entanto, o outro aspecto, o aspecto espiritual. a semelhança espiritual. Vamos aqui talvez nessa relação de relacionarmos com Deus através do louvor, através do estudo da palavra de Deus, através da oração, através da demonstração de poder amar, poder perdoar, poder sentir, poder louvar a Deus.
são aspectos espirituais muito semelhantes a Deus. Não é que Deus ora a si mesmo, mas é um Deus que é adorado, um Deus que é louvado, um Deus que é exaltado na sua grandeza. Um outro aspecto, o aspecto moral. Deus tem capacidade para pensar, para agir, as opções que Deus toma. E o ser humano é a mesma coisa, tem essas capacidades de poder ser responsável, poder ter a capacidade de saber o que é certo e o que é errado, de tal maneira que quando Adão e Eva pecaram, Deus disse, o homem tornou-se um igual a nós. Não foi no aspecto físico, mas foi agora de conhecer o bem e o mal.
Isto é ser igual a Deus. No aspecto mental, Deus é muito inteligente e nos doutou da capacidade de inteligência. Podemos pensar, podemos raciocinar, podemos aprender, podemos discernir, podemos dizer não, dizer sim. E isso é um aspecto mental da semelhança de pôr-a com Deus. Um aspecto emocional. Deus tem sentimentos. Nós temos sentimentos. Deus tem emoções. Nós temos emoções. Deus sente a tristeza do ser humano pecador. Nós sentimos a tristeza no mundo em que nós vivemos. Deus nos... Deus perdoa porque Deus quer salvar a humanidade, tem um amor pela humanidade.
É isso que nós também podemos ter nessas emoções uns para com os outros. E depois a questão social, se assim podemos dizer, Deus é um Deus que se relaciona ao criar o ser humano, ao criar os anjos, ao criar qualquer criatura que ele tenha criado, ele quer se relacionar com ela. E Deus quer que nós nos relacionemos uns com os outros. Nós não fomos feitos para estar sozinhos. Nós não fomos feitos para viver numa ilha sozinho. E isso são todos os aspectos dessa imagem e dessa semelhança de Deus na nossa vida. Podemos aquejar por isso, porque Deus é relacional, que Ele cria o humano à partida plural também. Homem e mulher, como Ele, é plural. Logo, a relação é fundamental tanto na divindade como na humanidade.
Esta descrição que tu acabaste de fazer é bastante interessante, porque nós conseguimos ver muitos pontos de concordância e de proximidade entre o Criador e a criatura, não é? Mas é importante também termos em conta que Paulo, ao usar esta expressão, a imagem do Deus invisível, ele apontava também claramente para a verdadeira humanidade de Jesus, não é? Porque, no fundo, quer queiramos, quer não, tudo isto é possível nós conhecermos a partir deste deste ser que se tornou um homem, que é o próprio Jesus, a sua encarnação. E nós vemos até que a Bíblia fala que Jesus tornou-se o Segundadão com um propósito, e o propósito era claramente representar e revelar-se o próprio Deus no seu todo.
E eu gostava que nós pudéssemos ver algo muito interessante, é que nós temos a noção de que Jesus veio e tornou-se homem, representando Deus. Mas se fosse o Pai a vir no lugar de Jesus, ele teria sido como Jesus, ou seja,
exatamente a mesma coisa. E por isso eu gostava que agora pudéssemos continuar na Epístola aos Colossenses E eu quero ler convosco novamente o versículo 15, que acabamos de ler ainda há pouquinho, mas também os versículos 16 e 17. E diz, portanto, o 15 diz o qual é a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação, porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, dominações, sejam principados, sejam potestados, tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas e todas as coisas subsistem por ele. É muito interessante esta descrição que Paulo faz aqui deste ser que veio à Terra.
Ou seja, para além de Paulo nos indicar Jesus como a imagem do Deus Invisível, o António dizia que nós não conseguimos ver Deus porque é impossível vermos Deus, mas através da imagem de Jesus nós podemos conseguir ver a imagem do Deus Invisível. E agora ele vai chamar-lhe também o primogênito de toda a criação. Hortelinda, o que isto significa, esta expressão, tendo em conta que Cristo, no fundo, é o Criador de todas as coisas? Vai-lhe chamar agora primogénito de toda a criação? Pois é um texto que tem feito correr muita tinta, não é? Podemos dizer que é um dos assuntos, a divindade de Cristo, é um dos temas que mais trabalhou o cristianismo até hoje.
Lembremos que o primeiro concílio da igreja em 325, o concílio de Niceia, foi organizado por Constantino para que os cristãos se aclarassem sobre esta questão, porque eles estavam em luta uns com os outros, os que defendiam a divindade de Cristo, igual ao Pai, e os que diziam que Cristo era realmente o primeiro ser criado. E a questão ficou resolvida, tomando a primeira posição, mas nunca ficou e nunca está. Ao longo dos séculos, até ao nosso tempo, ainda há pessoas que acham que Jesus é um ser criado, portanto que é inferior ao Pai e não igual ao Pai. No entanto, se tomarmos à letra já este texto que tu leste, que diz que foram criadas Todas as coisas que há na Terra e no Céu, visíveis e invisíveis, tudo foi criado por ele e para ele.
João acrescentará sem ele nada do que foi feito. Se Cristo é o primogénito, o primeiro criado, o primeiro gerado, o primeiro a aparecer, então quer dizer que há neste texto um elogismo ou uma irracionalidade. Quer dizer que Deus não pode ao mesmo tempo criar tudo e estar dentro, ser criado, não é? Portanto, Ele não pode ser aquele que faz tudo e ser Ele feito também. Então, isto é um elogismo. Temos que ver, sobretudo, o que é que quer dizer esta palavra primogénito. Penso que o problema está nesta palavra, porque para nós humanos primogénito é o primeiro a nascer, quer dizer que será seguido de outros, não é?
E, portanto, dá esta ideia de que Cristo foi o primeiro a ser criado e será que esta palavra apenas quer dizer o primeiro no sentido, se assim podemos dizer, da cronologia. Primeiro a aparecer. Sabemos que no grego esta palavra primogénito é a palavra prototókos. e que pode ter várias interpretações. E é aqui que talvez encontremos a solução para este problema dele ser o primeiro criado, não é? É porque, na realidade, esta palavra pode indicar e indica, certamente, o primeiro. É o primeiro na ordem de aparição, na ordem de chegada, primeiro dentre outros. E, neste caso, é uma ordem cronológica.
E, aplicada a Jesus Cristo, quereria dizer que ele foi o primeiro a ser criado, seguido de outras criaturas. No entanto, também vemos que ele não foi o primeiro a ser criado, porque ele que criou todas as coisas. Mas esta palavra também pode ser traduzida por supremo. E supremo já não é o primeiro, é o que está acima. Portanto, é o principal, não é realmente o primeiro em ordem cronológica. É interessante que no hebraico esta palavra primogênito é traduzida por duas outras palavras. Não há uma palavra única para esta tradução do grego para o hebraico. Há realmente a palavra bekor que quer dizer primeiro. o mais velho, o primeiro a nascer.
E há uma outra palavra, richon, que é aplicada ao primeiro numa outra dimensão, que não apenas a dimensão cronológica. Por exemplo, há alguns exemplos interessantes. Deus diz de Israel, que é Jacó, não é? Israel é Jacó. Diz que Israel é o meu primogénito. E Israel não foi primogénito. O primogénito foi Isaú. E conhecemos toda aquela história de luta pela primigenitura. Portanto, Israel é primogénito no sentido de que ele é o continuador da aliança. É através dele que virão as bênçãos da aliança que Deus fez com Abraão. É nesse sentido que ele é o primogénito. É dito o mesmo em relação ao rei David, no Salmo 89, 27, em que Deus diz que ele é o primogénito.
Ora, David não era o primogénito, ao contrário, ele era o último de seis irmãos, era realmente o mais pequeno, mas ele é o primogénito porque é ele o escolhido, o ungido, para representar o reino do Messias. E um outro caso muito interessante é o de Isaac, que é dito de Isaac que ele é o único filho de Abraão. E também não é verdade no sentido cronológico. Isaac não é o único filho de Abraão. Isaac é o filho da promessa. Antes de Abraão, existia Ismael. E depois de Abraão, existiram mais outros filhos de Abraão e de Quetura. Portanto, este único quer dizer que é um exclusivo especial. Ele é aquele que garante que a aliança que Deus fez com Abraão é uma aliança espiritual e ali está um milagre.
Ele nasceu, como sabemos, de um pai com 100 anos e de uma mãe com mais de 90. Então ele é a garantia da aliança. Logo, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, a palavra primogénito não quer só dizer o primeiro, quer dizer pode exprimir primazia, pode exprimir superioridade, o principal, o chefe, o supremo, precioso e até bem amado. Portanto, todas estas expressões podem traduzir esta palavra primogénita e não apenas a cronológica. E dado o contexto, é aplicada a Jesus neste sentido, de que ele é o primogénito. Aliás, no seguimento do texto vai dizer, e eu penso que são os meus colegas de mesa que vão falar sobre isso, só vou fazer aqui uma pequena alusão, que ele é o primogénito dos mortos.
E também como primogénito dos mortos, Jesus não o é cronologicamente. Ele mesmo ressuscitou o filho da viva de Nain, ressuscitou a filha de Jaio, antes dele ressuscitar. E ressuscitou aquela fantástica ressurreição de Lázaro com quatro dias de mortos, já em plena decomposição. Portanto, vemos que, cronologicamente, Jesus não foi o primeiro a ressuscitar. Mas a sua ressurreição é uma ressurreição diferente. É uma ressurreição que é porta de abertura para todos os que estão condenados à morte. É garante da ressurreição. Quantas outras ressurreições não eram um garante? Exatamente. Era condição para que houvesse a ressurreição de todos. A sua ressurreição. Por isso ele é primogénito da ressurreição.
Porquê? Porque ele é aquele que deu a vida para que todos pudessem ressuscitar. Portanto, vemos que esta palavra quer apenas dizer que ele está acima. Jesus, o primogénito da criação, não é o primeiro criado, mas é o que está acima da criação. Ele domina a criação. Ele é senhor da criação. Ele é aquele de quem a criação procede. Além disso, podemos dizer que se Jesus fosse o primogénito no sentido cronológico, quer dizer que ele não era Deus, não é? Porque Deus é eterno e Jesus tritido um princípio. Se tem de princípio, não é eterno. Não sendo eterno, não pode ser Deus. O que contradiziria muitas declarações no Novo Testamento de que Ele é o Filho de Deus.
Isso claramente foi o que aconteceu no céu, digamos, entre Lúcifer e Deus. Lúcifer era um ser criado. Exatamente. O primeiro... Queria ser Deus, mas não podia ser. Mas não era Deus. Ou seja, a criatura e o Criador é um salto que nenhuma criatura pode fazer, não é? Passar de criatura à Criador. Logo, a Bíblia diz que Jesus é o Criador. E depois temos aquilo daquela declaração do prólogo do Evangelho de João, não é? No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus. O Verbo era Deus. de... Esta é a certeza que nós temos, apesar de algumas palavras poderem induzir-nos em erro. Uma forma também, nem sequer é um complemento, é só uma reformulação que se podia, para explicar isto, é entre a dimensão quantitativa e qualitativa.
Na verdade, há muitas áreas, expressões ou áreas da vida até, em que nós podemos atribuir dimensão quantitativa a uma expressão ou qualitativa. E no caso, a primogenitura pode ter uma interpretação quantitativa, que é o que tu chamaste de cronológica, tem a ver com quantidade dos que vêm depois, ou pode ter um significado, nesse sentido é um adjetivo, qualitativo, ou seja, qualifica o tipo da pessoa. Por isso, quando se diz que Cristo é a primogenitura da criação, está a qualificá-lo como acima da criação ou antes da criação. Por isso, talvez estes termos, pelo menos a mim, ajudam-me a entender que Jesus não é quantitativamente primogénito, mas é qualitativamente primogénito.
Ele é senhor de todas as coisas. Então, o que nós estamos aqui a ver, neste episódio, é que todos os títulos que são atribuídos a Jesus servem, sobretudo, para destacar a sua primazia, a sua excelência, mas com destaque, sobretudo, para os diferentes aspectos da sua obra redentora, porque, no fundo, quando ele vem a esta terra, vem com este propósito, fazer uma obra redentora. Mas Paulo vai mais longe, e Paulo agora vai atribuir a Cristo também uma outra
autoridade, ou se quisermos, toda autoridade, que é a autoridade da Igreja. E se formos a Efésios, vamos saltar de Colossenses para Efésios, no capítulo 1, versículo 22, e depois vamos voltar a Colossenses, mas em Efésios capítulo 1, versículo 22, diz que sujeitou todas as coisas a seus pés e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja. E se viermos a Colossenses capítulo 2, versículo 10, portanto, voltando outra vez à carta que estamos a estudar hoje, Colossenses 2, 10 diz, e estái perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e de toda a podestade. Portanto, quando nós lemos estas duas passagens, nós vemos que Paulo usa esta metáfora de Cristo ser a cabeça.
Ou seja, eu talvez pudesse dizer o cérebro principal, o único principal da Igreja. Pedro, será que esta expressão pode levar-nos para o conceito de uma dependência, se quisermos, na nossa dependência vital deste Deus ou deste Jesus, mas, ao mesmo tempo, Cada membro do corpo da igreja é um ser importante, tem valor, tem o seu espaço. Ah, sem dúvida. Esta metáfora, esta imagem de Cristo como cabeça ela junta-se, aliás a estas expressões fantásticas, que nós hoje aqui já tivemos a oportunidade de ouvir, Jesus como imagem do Deus invisível e como primogênita criação, agora o cabeça da igreja até mais do que isso, que é a cabeça de todo o principado e puto Estado.
São expressões absurdamente fantásticas, que nós resumimos aqui em 5 ou 10 minutos, mas que há livros escritos só sobre cada uma destas expressões, tal é a sua riqueza. E elas complementam-se umas às outras. Isso é que é muito bonito. Por essa razão, eu gostei especialmente deste estudo e deste tema, por ele conseguir levar-nos a um olhar muito profundo sobre estas diferentes dimensões que Cristo tem. E cada uma delas, no fundo, é como se fosse uma nuance sobre uma mesma perspectiva que é que Cristo é realmente soberano. E a autoridade de Cristo é em si mesma uma maravilha de ser analisada.
Porque há características na autoridade de Cristo que para nós, aliás como seres humanos, que também precisamos e vivemos de muitas formas a independência, temos autoridades, temos hierarquias, temos estruturas, desde logo na família. A família é talvez, por definição e por excelência, o ato ou o ambiente em que as hierarquias e as tipologias das relações são muitíssimo importantes. As pessoas não estão todas ao mesmo nível dentro de uma família. Mas o que é curioso é, não estar ao mesmo nível não significa que uns são mais importantes que os outros. Significa que a diferenciação é a única forma daquela estrutura ser funcional. Interligam-se, não é?
Elas interligam-se complementando-se. Porque se um filho estivesse ao mesmo nível em termos de funções de um pai ou de uma mãe, nós teríamos um problema grave. Aliás, nós sabemos que há algumas famílias disfuncionais exatamente por causa disso. E o que acontece? Há uma inversão de papéis. Toda a inversão de papéis, quando os papéis são essenciais, cria obviamente um problema. Por isso é que é tão importante analisar-se com detalhe a soberania e a autoridade de Cristo, porque tem tudo a ver com aquilo que Ele é, em termos de identidade, mas também de como é que esta máquina pode funcionar. Esta máquina, aqui podemos entender a relação entre Deus e a humanidade. Mas no caso da Carta aos Efésios, por exemplo, é a Igreja em particular, que também é uma entidade, é como uma família. Aliás, Efésios usa várias metáforas para a Igreja e uma delas é a família, precisamente.
Então esta ideia de que a Igreja é uma organização que está constituída com certas características e uma das bases para ela poder funcionar com o plano que Deus lhe estabeleceu é precisamente esta ideia de soberania total de Cristo. Mas há alguns detalhes que eu ainda queria juntar agora para sistematizar um pouco mais isto. O que é que significa Cristo ser cabeça? Em primeiro lugar, significa que a vida, a vitalidade do corpo, que é portanto a igreja, depende da conexão, com o nível, a profundidade da conexão que se tem com aquilo que é a cabeça. Ser cabeça significa que ele dá direção. Que é ele que orienta. Ele tem a estratégia.
Ele tem a estratégia, ele sabe para onde devemos ir e como é que podemos lá chegar. É dele que vem o crescimento, é ele que estabelece a missão. E talvez haja um outro texto em que o próprio Cristo se apresentou numa outra metáfora que ajuda muito bem a compreender a metáfora da cabeça, porque podemos dizer que aqui algum mal-entendido ou má interpretação que poderia haver sobre a cabeça poderia ser num sentido de nós sermos, por exemplo, espezinhados por ele. Há aquela imagem, até às vezes usada no cinema, de que uma pessoa é a cabeça no sentido em que ela domina os outros e escraviza, ou espezinha, E então os outros estão ali como pobres escravos e alguém maquiavélicamente domina.
Mas o conceito de cabeça aqui não é um conceito de domínio no sentido de espesinhar. Por isso é que uma boa metáfora, totalmente uma metáfora, que Jesus usou foi quando ele disse, eu sou a videira, vós sois as varas. E o conceito de como é que isto se conecta é que quem está em mim, eu nele, dá muito fruto. A beleza disto é que quem dá fruto são as varas. Por isso é que a ideia de que Jesus é a videira, portanto está no centro, é dele que provém a vida, mas quem vai beneficiar disso somos nós. Não é ele que beneficia, é esse o sentido, porque é nas varas que a maravilha da frutificação vai acontecer. Mas também se vê a qualidade da videira, não é? Exatamente.
A qualidade, até a qualidade que o fruto vai ter, se é um fruto grande, saboroso, cheio de vida, isso vem da qualidade de quê? Da relação com aquele sepo, com aquele centro. Ora, a cabeça, na verdade, é também isso, porque a cabeça tem uma função central, dominadora, mas a qualidade de tudo o que nós fazemos, enquanto seres físicos, está conectada com a qualidade do nosso cérebro. Por isso nós sabemos que se o nosso cérebro tiver problemas, vai afetar todo o resto, porque o resto definha. Por isso a imagem da cabeça é, na verdade, uma ilustração de uma relação de dependência, mas ainda mais do que isso é de conexão íntima.
Isso vai ao encontro daquilo que eu te perguntava. Então, no fundo, ele é a cabeça, mas o corpo da igreja tem valor, tem espaço, não é? Exatamente. Na verdade, o resto, repara nós, é com as mãos que nós agimos, fazemos arte, construímos beleza. É com as mãos. Nós sabemos que o cérebro controla muitas das faculdades e da sua saúde, da sua vitalidade. Vem a capacidade, mas depois é nas mãos que o artista pega no pincel e executa uma obra ou que o pianista nos deleita com essas maravilhas. São as mãos. Por isso é que as mãos são muito importantes. As mãos representam, em certo sentido, essa ideia de criação.
Ou as pernas do corredor ou do desportista, do atleta, que têm a vitalidade, a força para se manterem ativas e conseguirem atingir a meta. E nós admiramos os músculos, a capacidade, a resiliência. Mas nós sabemos que o cérebro comanda, deu as faculdades, mantém essa estrutura. Mas nós admiramos os músculos do atleta. o que significa que ter alguém, até fisicamente, uma parte como cabeça, não retira dignidade e importância e o papel depois de cada uma das partes. Na verdade, nós admiramos essas partes e focamos nelas e na obra que elas conseguem realizar. Ou mesmo a beleza de uma pessoa para quem olhamos e vemos o cuidado do corpo e admiramos a sua beleza.
Mas sabemos que isso vem do cérebro, vem da cabeça. Esta ligação perfeita entre as partes revela que a ideia de Cristo ser cabeça não é uma ideia, mais uma vez, de uma autoridade que escraviza ou a mesquinha ou que subjuga, é ao contrário. É que rende o corpo E mãe na vida, não é? Dá-lhe vida, dá-lhe essa capacidade. Por isso também os apóstolos, especialmente o apóstolo Paulo, muito falou, sempre em metáfas, porque as metáfas para ilustrar esta realidade são magníficas, quando ele dizia assim, como o corpo é um, mas tem muitos membros, assim é Cristo. E depois dizia, o olho não pode dizer à mão, não tenho necessidade de ti. Então nós entendemos como a cabeça, na verdade o seu papel principal é garantir que cada parte do corpo executa com perfeição com profundidade, com capacidade, cada uma das suas partes.
É por isso que nós percebemos que Cristo ser cabeça significa, a minha última nota é que significa que nenhum ser humano em nenhuma estrutura, particularmente a Igreja, porque até aqui o texto que lemos era nesse contexto, significa que nenhum ser humano está nesse papel. razão pela qual, aliás, nós devemos ter muito cuidado. Às vezes usamos, por exemplo, no contexto da igreja, enquanto organização, usamos, por exemplo, terminologia que pode ser um pouco enganadora. Dizemos que alguém é diretor, ou dizemos que alguém é presidente, ou digamos que alguém é chefe. Nós podemos usar linguagem hierárquica, que até fomos buscar, no fundo, ao mundo e às organizações. Mas é por isso que a teologia é a base de tudo, porque o que ela nos diz é que hierarquicamente só Cristo controla ou domina.
O que nós podemos ter é diferentes funções que ajudam o corpo a funcionar corretamente, mas elas não são relações de natureza hierárquica, porque o corpo não pode uma parte do corpo dizer que é maior que a outra parte do corpo. Só Cristo. É verdadeiramente maior e soberano. E nesta perspectiva quase que nós podíamos ir buscar aquela frase que há pouco o António dizia, que nós não conseguimos ver Deus, mas conseguimos depois, nas várias partes, conseguir uma proximidade e dizer quase tal pai, tal filho. Um cristão verdadeiro é a imagem de Jesus, quer queiramos, não é? Nós não conseguimos ver Jesus, mas se calhar, ao olharmos para alguém que é a representação daquilo que é Jesus, nós conseguimos vê-lo.
Pois dizemos, parece Cristo ali. Da mesma maneira que é o corpo que traduz a sabedoria do que a cabeça comanda. Portanto, a Igreja, sendo o corpo de Cristo, é ela que revela como é Cristo. Portanto, a cabeça sozinha também não existe. Precisa de um corpo que traduza o que ela pensa e o que ela ordena. A conversa está ótima, mas nós temos que fazer um curtíssimo intervalo. O programa Bíblia Aberta proporciona sempre excelentes conversas e por isso você não pode perder a segunda parte deste episódio. Fico por aí, nós voltamos. É curtíssimo. Voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal do sábado, o canal da esperança. Voltamos para a segunda parte do nosso programa Bíblia Aberta, aqui na TV Novo Tempo, no canal 186 da MEU.
Ou, se não puder estar ligado ao canal, poderá estar ligado à rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa. Ou, se não conseguir nenhum destes meios de comunicação, poderá, então, ir ao YouTube, encontra a TV Novo Tempo Portugal e encontra, claro, o programa A Bíblia Aberta. Nós temos sempre uma ótima conversa e estávamos numa ótima conversa e vamos voltar a ela, mas antes eu quero dizer-lhe que tenho um guia de estudo bastante interessante para lhe oferecer. Tem por título o céu ou o inferno. Se nós estamos salvos ou perdidos? É a grande pergunta que é feita. E dentro poderemos encontrar vários temas, como o inferno, a justificação pela fé, a fé na bíblia, o evangelho eterno, a salvação no grande conflito, ou seja, temas de extrema importância para os nossos dias, que eu acredito que se você os estudar através daquilo que a bíblia nos diz, terá muito proveito e compreenderá muito daquilo que o Senhor Deus quer que todos nós saibamos.
É este o guia de estudo que eu tenho para lhe oferecer, o Céu ou o Inferno. Se quiser obter gratuitamente, basta enviar uma mensagem para o 933 939291 e alguém do outro lado dar-lhe esta possibilidade de receber gratuitamente o guia de estudo, o Céu ou o Inferno. Voltemos à nossa conversa, porque estávamos aqui numa conversa bastante interessante sobre as metáforas que Paulo vai utilizando. Os nossos olhos recaem sobre esta carta aos Colossenses, não é? Então vamos voltar a Colossenses, para vermos que Jesus foi aquele que iniciou
todas as coisas. Está escrito claramente em Colossenses capítulo 1, versículo 18, que diz, ele é a cabeça do corpo da igreja, é o princípio, o primogénito, dentre os mortos. Ou seja, nesta passagem nós vemos que Paulo aponta-nos a certeza de que Jesus ressuscitou e que ele nos assegura também a vitória por meio da cruz. António, como é que a ressurreição de Cristo é assim tão reveladora desta certeza como princípio, tal como Paulo nos afirma, quando nós falamos desta questão da nova criação e do fundamento da vida espiritual? Há pouco, quer a Hortelândria, quer o Pedro, já falaram na cabeça. Falaram também no primogénito.
E é interessante que este texto parece que reúne tudo. Cabeça, princípio, origem divina e primogénito agora dentro dos mortos. Aquilo que o Hortelinda há pouco falou é verdade, ele não foi o primeiro a morrer, não é? Mas é o primogénito que aparece aqui. Ora, ajuda-nos a compreender muito bem que nós como crentes e que procuramos fazer a vontade de Deus através da sua palavra, encontramos aqui que Jesus é tudo. É a cabeça, é o princípio, é o primogénito, é aquele que pode dar a vida eterna. Porque se é o primogénito dos mortos, é verdade que significa que ele tem domínio sobre a morte, que ele vai anular a morte.
A morte não vem de Deus, em primeiro lugar. Segundo lugar, quando nós lemos, por exemplo, aqui em Romanos, capítulo 6, encontramos aqui no verso 8, ora, se já morremos com Cristo, queremos que também com Ele viveremos, sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre, a morte não terá mais domínio sobre Ele. Precisamente, sendo o primogénito dos mortos, significa que, através da morte de Cristo, através da ressurreição de Cristo. O crente pode vislumbrar, acreditar, ter a certeza de que a morte que hoje ainda existe não dominará a nossa vida. E é muito curioso que a morte de Cristo não começa uma nova etapa para aqueles que vêm a seguir, mas também dá a possibilidade àqueles que já não estavam cá, desde Adão.
Adão entra também na probabilidade e na certeza de poder ter uma nova vida, não é? Exatamente, Jorge. E também essa dimensão do amor, daquilo que o Pedro falava, da totalidade desse amor de Deus no ser ou na pessoa de Cristo, que veio ao mundo morrer para nos salvar. Porque, como também aqui já foi dito, Jesus ressuscitou várias pessoas. E Jesus estava vivo. Ainda não tinha morrido. Mas Ele ressuscita porque Ele é o primogénito dos mortos. Ele morreu desde a fundação ou antes da fundação do mundo. Quer dizer que todos aqueles que morreram morreram e ressuscitaram, aliás, ressuscitaram porque Cristo já tinha vencido a morte.
E isso é a garantia e a certeza de que Jesus é o primeiro em tudo. Ele próprio diz, sem mim nada podeis fazer. E esta é a alegria porque nós trazemos aqui o que? O facto de ele ser o primogénito dos mortos significa que ele é o primeiro a ser, não é na ressurreição, mas a dar vida aos mortos. Que morreram em Cristo, claro. É verdade que todos, quer os bons, digamos, os bons e os maus, vão ressuscitar. Até aquele que não acredita em Cristo vai beneficiar de um dia, claro que vai morrer, mas vai beneficiar porque vai ser ressuscitado, vai voltar à vida.
mas só pode fazer porque Cristo venceu. Até esses vão conseguir ver Jesus, não é? Até esses vão sentir o poder de Cristo ser o primogénito dos mortos. É por isso que é magnífico quando diz que através da cruz Cristo reconciliou o mundo consigo, quando diz que Jesus derramou o seu sangue para nos salvar, quando diz que através dessa morte Jesus reconcilia com ele todas as coisas. Então, é um poder magnífico. Se Jesus não tivesse morrido, acho que não valeria a pena estarmos aqui a falar. Essa questão do reconciliar consigo todas as coisas, sendo Jesus o princípio, é muito interessante porque Paulo vai dar essa tónica precisamente em Colossenses capítulo 1, versículos 19 e 20, que ele diz que foi do agrado do Pai que toda a
plenitude nele habitasse e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas. Hortelinda, como é que o sacrifício de Cristo na cruz torna tudo isto possível, ou seja, toda esta reconciliação universal, porque não é pontual, nem é limitada a determinadas pessoas ou vários campos. Ela é universal, ela é ampla e consegue alcançar todas as coisas nos céus e na terra. Sim. Eu penso que tu tens explicado por uma palavra muito importante que diz aqui que é a plenitude. Ele tem a plenitude da divindade. A totalidade. A totalidade.
Foi do agrado do pai que toda a plenitude nele habitasse e nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Esta palavra que no original é pleuroma, refere-se àquilo que está cheio, que não pode levar mais. Portanto, que está completo. que está pleno. E, em relação a Deus, Jesus ser a plenitude de Deus, refere-se à totalidade dos seus atributos, daí que Jesus não possa ter sido o primeiro a ser criado. Portanto, Jesus é Deus como o Pai. Tudo o que é o Pai, é Jesus, não é? A totalidade dos atributos de Deus, Jesus, portanto, as tem e as vai manifestar às suas criaturas. Quero dizer também que, para nós criaturas, quer sejamos criaturas aqui da Terra, quer sejamos as criaturas outras que Deus criou.
Portanto, tudo que de Deus podemos perceber, compreender, é através de Jesus que nós o podemos compreender. É como se a plenitude tivesse encarnado para que nós, humanos, pudéssemos realmente compreender. Então, é muito interessante porque isto torna a encarnação uma revelação. É porque Jesus encarnou, corporalmente que habita nele a plenitude, da divindade, quer dizer que a sua encarnação é uma revelação de quem Deus é. E no contexto, portanto, do texto que tu leste, diz que esta revelação reconcilia o universo com Deus, reconcilia os homens, e o que é muito interessante, diz também que reconcilia os seres celestiais.
os que reconcilia tanto as coisas da Terra como as coisas do Céu. Sabemos como Jesus reconciliou os seres da Terra. Jesus reconciliou-nos com o Pai através da sua encarnação, tornando-se humano como nós, pela sua vida perfeita, assume a nossa vida imperfeita e vai, através de uma dupla transferência, transferindo para nós a sua justiça. e receber da transferência do pecado do homem para si, esta dupla transferência, Deus reconcilia consigo toda a humanidade. Como diz em Coríntios, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo e aquele que não era pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele pudéssemos ser feitos Justiça de Deus, justiça de Deus.
Mas o texto fala-nos aqui que através do sangue da sua cruz, Deus vai reconciliar não apenas os homens consigo mesmo, mas também os seres celestes. E isto é qualquer coisa que nós temos dificuldade em compreender. Como é que Jesus vai reconciliar os seres celestes com Deus? Os seres celestes não estão em rebelião com Deus, não pecaram, não estão em oposição a Deus, então porquê é necessária uma reconciliação celestial? Porque reconcilia tudo o que está no céu e o que está na terra. A minha explicação é que, como a Bíblia indica em muitos lugares, o pecado não começou na terra, não é? O pecado começou no céu, lá, entre os anjos do Deus, dentro dos quais um terço dos anjos tomou o partido do opositor a Deus.
E esse objeto estranho ainda existe, não é? E exatamente esse objeto estranho ainda existe. Portanto, houve esse problema grave no seio dos seres celestiais antes de existir aqui na Terra. E esse problema arrastou, como diz a Bíblia, um terço dos anjos deram crédito ao rebelde inimigo de Deus e foram expulsos do céu. Mas os outros que ficaram? Nunca tinha acontecido qualquer coisa assim. A bondade de Deus, a justiça de Deus, o amor de Deus nunca tinha sido colocado em causa. Ele é colocado em causa. E aqueles que ficaram, ficaram pela experiência do amor que tinham feito e pela fé. Eles confiaram que o Deus em que eles tinham querido e que os tinha criado era um Deus bom, era um Deus de amor e não um Deus tirano como Lucifer queria fazer querer.
Então, eles não ficaram em rebelião, eles fizeram a boa escolha, do lado de Deus, mas ficou a possibilidade de uma dúvida. Eu não sei se os meus colegas de mesa estarão de acordo comigo. Os seres celestiais, a reconciliação não é porque eles pecaram e precisam de ser reconciliados. Eles precisam de ser reconciliados com uma percepção correta de Deus, que foi posta em causa pela rebelião de Satanás. Então, a cruz vai mostrar a esses seres celestiais que realmente Deus é mesmo um Deus de amor. Porquê? Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho, ou seja, por criaturas até inferiores a eles lá no céu, não é? Deus deu o seu próprio Filho. Este dar nem nós somos capazes de discernir completamente.
Deus deu o seu Filho e manifestou com isso um amor irreversível, é um amor incondicional, um amor total que vai mostrar ao mesmo tempo a cruz de Jesus mostra o grande amor de Deus e mostra a grande mentira do inimigo. Deus não é aquilo que o inimigo diz e é a cruz de Cristo que vai fazer esta reconciliação connosco de sermos perdidos e sermos pecadores e com os anjos para que eles tenham a certeza de que a escolha que fizeram realmente foi boa. E tudo isto é revelado na cruz, porque a cruz é esse momento em que Deus dá tudo e revela o seu grande amor e é também o momento em que o inimigo revela quem é também.
Na cruz é onde Deus revela tudo, como tu dizes, e nós podemos ver que Ele veio em carne e osso como nós, dando a sua vida em resgate de todos, se quisermos. Nem todos nós vamos aceitar esse resgate, mas Jesus contou com todos. O que é certo é que Jesus não ficou para sempre como homem. Jesus é Deus, não é? E a Bíblia mostra-nos que a divindade é eterna, e ela é eterna também em Cristo, ou em Cristo se quisermos, não é? Isto leva-nos claramente à certeza de que Cristo é eterno.
Então, para isso, eu gostava só de nós podermos introduzir como último ponto esta divindade eterna de Cristo, Temos que ir a São João, capítulo 1, versículos 1 a 3, em que diz que no princípio era o Verbo. Aliás, já recitámos aqui este texto, mas é importante lermos. No princípio era o Verbo. O Verbo estava com Deus. O Verbo era Deus. Ele estava, no princípio, com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez. Nós já referimos esta ideia aqui. Mas, Pedro, É assim tão importante nós reconhecermos que, no plano da salvação, Jesus nunca foi criado, porque foi isto que nós aqui referimos, mas ele sempre existiu, eternamente, como Deus. Sim, de facto é muito importante, porque é um elemento-chave para compreender um tema, se quisermos, totalmente paralelo, que caminha com aquilo que nós hoje aqui abordámos, sobre esta preeminência, esta exaltação de Cristo, a sua identidade, em certo sentido, é que Esta identidade não é apenas uma curiosidade teológica.
Não pode ser, aliás, nessa perspectiva que nós a analisamos apenas. É que a nossa salvação está totalmente dependente desta identidade de Cristo, que é uma entidade complexa. Talvez por isso, se não há bocadinho, creio que no princípio a Artelina se referia a que nós estamos aqui a tentar responder de forma simples, não no sentido simplista, mas aqui com poucas palavras, para já para podermos ser entendidos porque a gente está lá em casa e com o tempo que temos e dispomos, mas nós sabemos que estes temas, os teólogos as diferentes denominações cristãs, as diferentes correntes teológicas discorrem sobre isto há séculos, há séculos mesmo, desde a origem da igreja cristã e, aliás, algumas das grandes identidades ocorrentes que vieram a dar, por exemplo, diferentes denominações cristãs, este tema está muito conectado com toda essa dimensão histórica.
Agora eu gostaria nestes minutos que nos restam de tentar colocar aqui de uma forma mais simples e mais clara possível porque é que é tão importante compreender esta identidade divina de Cristo e como ela é única ou é essencial para responder a este projeto de salvação. Esse nós entendemos todos melhor, nem que seja basicamente isto. Nós precisamos mesmo de salvação. Se há uma coisa que a humanidade vai revelando é que nós estamos perdidos. que não conseguimos nunca resolver os dramas que nós como humanos temos. Nunca estão resolvidos. Um olhar bastante abrangente sobre a história mostra que a humanidade sempre foi encontrando razões expectativas para a resolução desta dimensão de termos problemas profundos, de nunca resolvermos as nossas crises, sejam de sociedade, sejam individuais.
E nós vemos que a história vai mostrando que Coisas que pareciam ser soluções definitivas revelaram-se como totalmente incapazes de responder a essas inquietudes e necessidades humanas, fossem elas no campo da ciência, da filosofia, do campo político. As aparentes respostas definitivas sempre se mostram como totalmente incapazes de resolver totalmente os problemas que a humanidade tem. Precisamente porque da perspectiva bíblica, esta perspectiva cósmica de um conflito, numa luta entre o bem e o mal, nós percebemos que o nosso problema é um problema espiritual. E a natureza desse problema espiritual é que se revela também no facto de que outras dimensões, mesmo se trouxeram coisas úteis e boas para a humanidade, nunca em si mesmas resolveram os nossos problemas.
Isto, então, permite-me introduzir a ideia de que por isso é que um salvador é uma absoluta necessidade como resposta a este drama da humanidade. E o que é que a Bíblia revela sobre isto? É que o salvador tinha de ser eterno, divino, para poder oferecer uma solução que não fosse humana. Repare, eu vou tentar explicar isto numa palavra. Eu acabei de descrever aqui alguns exemplos, mesmo se não dei detalhes, sobre propostas humanas para a resolução dos problemas da humanidade ou até do ser humano. E elas falham consecutivamente, porque o ser humano não consegue providenciar essas respostas. Se a teologia cristã trouxesse a hipótese de um ser humano Ou um ser criado?
Fosse a resposta, na verdade, era apenas mais uma alternativa. A ideia de que um homem conseguiria resolver os problemas dos homens. Nem os anjos conseguiriam. Nem os anjos poderiam resolver, porque os anjos são seres criados. Aliás, ainda há pouquinho, a Hortelina disse, o próprio problema do pecado e do grande conflito nem começou com os homens. Ele alastrou-se para a humanidade. Já dizia lá Apocalipse 12, não é? Ai de vós os que habitam na Terra, porque o problema que começou no céu desceu a vós. Ou seja, alastrou-se, nem sequer começou. Portanto, os anjos dessa perspectiva são iguais a nós. Ou seja, são seres criados, mesmo que tenham outras características, eles estão também dependentes de alguém que providencie uma solução. Por isso é que se Jesus não fosse o Criador, o Deus Eterno, que se fez homem, então a alternativa qual seria?
Um ser criado. E, portanto, nós estaríamos a criatura a tentar ou a providenciar uma solução para os problemas das criaturas. Não, a história já demonstrou que não é possível. A vida eterna, a nossa incapacidade de gerar vida e de interromper este ciclo de morte só poderia acontecer nas mãos, pelo ministério ou pela ação de alguém que é ele mesmo eterno. Do próprio Criador? Isso. O pecado é infinitamente grave. infinitamente grave. E por isso um ser humano não conseguiria produzir solução para isso. Se fosse possível um ser humano produzir solução, então o que Deus estaria feito é ele esperaria até haver um ser humano que conseguisse ele também resolver o problema.
Porque se Cristo, sendo criatura ou humano, tivesse conseguido ter esta vida perfeita que teve, então era uma questão de probabilidades. Como Deus tem tempo, ele poderia esperar até outros seres humanos ou não resolver. Ou esperar ou não. Ou não esperar. Por isso, só Deus, feito homem, responde a este problema. A conversa está muito boa, mas infelizmente o nosso tempo chegou ao fim, não
temos mais tempo para continuarmos a conversar sobre este tema, mas é certo e sabido que para a semana voltaremos a estar consigo com este programa, o programa Bíblia Aberta, que semanalmente abre a Bíblia para lhe mostrar como é que Deus nos ama tanto e qual foi o grande propósito de Jesus ter vindo à Terra. Antes de fecharmos mesmo o nosso programa, volto a relembrar-lhe que temos para lhe oferecer este magnífico guia de estudo, o céu ou o inferno, se precisar de um, se quiser ter um, se quiser oferecer a alguém este guia de estudo, poderá fazê-lo ligando para o 933 939291, enviando uma mensagem do WhatsApp, 933 939291, e nós, gratuitamente, entregar-lhe-emos em sua casa, sem qualquer custo, e será uma benção para si.
Fechamos o nosso programa. Para a semana estamos de volta. Iremos abordar a reconciliação e a esperança, que são dois temas também muito importantes, digamos, nas epístolas do Paulo. Nada mais por hoje. Fico bem. Fico com Jesus. Continuo com a Bíblia Aberta. Um abraço.
Neste episódio do Bíblia Aberta, somos convidados a aprofundar um dos temas centrais da fé cristã, a preeminência de Cristo, revelada de forma poderosa na Carta aos Colossenses.