Vida e Morte

Vida e Morte

11 de Janeiro de 202657 min 8 s

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Na semana passada ficou a promessa de que voltaríamos esta semana para juntos podermos continuar a abrir a Bíblia e podermos descobrir as grandes verdades que o Senhor Deus tem para nos oferecer. E esta semana de certeza absoluta que você vai ficar extremamente agradado e agradada porque nós vamos descobrir na Bíblia mais alguma coisa que nos é muito útil e que servirá para a nossa edificação espiritual, bem como para a nossa vida no dia a dia. Estamos no canal 186 da Mel, somos a TV Novo Tempo Portugal. 24 horas sobre 24 horas trazemos até si a esperança e a certeza de uma vida melhor nesta terra, mas um dia também no céu com a volta de Jesus. Se puderes, sintonize também a Rádio RCS nos 91.2 FM para a Grande Lisboa.

Poderá também assistir às emissões da Rádio RCS através da internet. Mas se porventura não conseguir nem ter o Canal 186 da MEU ou mesmo a Rádio RCS, então saiba que pode sintonizar, digamos, o YouTube. Poderá escolher o YouTube, poderá escolher TV Novo Tempo Portugal e encontrará lá o programa. Bíblia Aberta. Ora bem, para este novo episódio eu conto com três colegas de Ministério, com três amigos. O Pedro Esteves, que é sempre um residente, digamos, do programa Bíblia Aberta. Hoje também vamos ter a presença do Moisés Silva. Olá Moisés. É um prazer estar convosco. Obrigado por estares connosco.

E por fim temos o Ruben Nóbrega. Olá Ruben. Olá, olá. Também é um privilégio estar aqui com vocês. Espero que nós os quatro consigamos ter aqui uma ótima conversa em torno de um tema que é um tema extremamente importante, não é? Hoje nós vamos falar de vida e de morte, ou seja, vamos falar quase como que dos dois extremos da nossa vida e perceber o que é que a Bíblia tem para nos dizer sobre estas duas faces que exerbemos da nossa vida. Eu gostava de convidar quem está em casa ou quem tem uma bíblia por perto, já sabe que para este programa é sempre muito bom que a sua bíblia esteja por perto para poder abrir e através da leitura poder constatar o que Deus tem para nos dizer. Eu gostava de convidar aqui em estúdio e todos lá em casa que pudéssemos abrir em Filipenses capítulo 1.

Esta temporada nós iremos dar mais atenção a duas epístolas ou duas cartas de Paulo, que é Colossenses e Filipenses. Hoje nós vamos ter mais atenção à carta de Filipenses, no capítulo 1, versículos 20 e 21.

Viver e morrer

Capítulo 1 de Filipenses, 20 e 21, diz, segundo a minha intenção, Ou melhor, segundo a minha intensa expectação e esperança de que em nada serei confundido, antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte, porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho. Nós podemos ver que Paulo, nesta passagem, afirma que viver ou morrer, embora não sejam coisas iguais, são coisas bem diferentes, ele considera que Cristo é o centro de toda a sua existência, de todas as coisas que ele vive, de todas as coisas que ele tem. Moisés, vou começar por ti.

Como é viver na expectativa de Paulo quando ele diz claramente que seja para a vida, seja para a morte? Como é viver nesta expectativa sem cairmos, por exemplo, na indiferença pela vida ou até mesmo no medo da morte? Como é que é? Na minha perspectiva, Paulo tinha uma clara evidência do que é o verdadeiro sentido e propósito da vida. para ele a vida tinha um propósito e ele vivia esse propósito. Ele tinha um foco. Tinha um foco. E é interessante que Martin Luther King Jr. disse certa vez, se um homem não descobriu algo pelo qual está disposto a morrer, então ele não está apto para viver.

E reparem, Paulo estava familiarizado com o sofrimento. Eu acho que nós, qualquer um de nós, tivesse passado por aquilo que o Paulo passou, ia sentir muito triste com a sua vida, muito amargurado com a sua vida. Ele chegou a escrever, quando escreveu a sua segunda carta aos Coríntios, ele disse Em trabalho, muito mais. Em açoites, mais do que eles. Em prisões, muito mais. Em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas. Uma vez fui apedrejado. Três vezes sofri naufrágio. Uma noite e um dia passei no abismo. Uma viagem em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos sobre os falsos irmãos, entre os falsos irmãos, perdão.

Em trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quer dizer, Paulo estava bem familiarizado com o que era isto de viver de uma forma quase que, diríamos, se calhar até melhor morrer. Mas Paulo sabia o que era o sofrimento, o que era o estar oprimido, o que era passar dificuldades. Mas ele vivia isto com esperança. com alegria, com entusiasmo até de viver. Porquê? Porque Paulo, neste momento em que ele escreve a carta aos filipenses, ele estava numa masmorra, estava numa prisão.

E agora, como é que alguém que está numa masmoga, que está numa prisão, que está a sofrer como ele está a sofrer, consegue ter esta esperança, esta certeza? Teria que haver alguma coisa que o suportasse, que lhe desse conforto, que lhe desse ânimo. Porque senão ele estaria oprimido, estaria deprimido, estaria numa situação em que ele dizia, não vale a pena viver, o melhor é vir à morte e levar-me já, porque estou cansado de tudo isto. Paulo, apesar de estar preso, tinha liberdade. Era um homem liberto. E ele era liberto porque a sua vida estava submissa à vontade de Deus. E ele chegou mesmo a dizer, não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Ele está preocupado em engrandecer Cristo. Ele está preocupado em proclamar as virtudes de Cristo, não preocupado com a sua condição atual. Embora pronto para morrer por Cristo, Paulo encontrava-se confiante no seu destino a longo prazo. O mais importante para ele era pela sua própria vida ou morte honrar a Cristo. Fosse para viver ou fosse para morrer. Ele queria glorificar a Cristo. Ele queria que Cristo fosse visto em todos os aspectos da sua vida. E por isso ele escreveu tanto. Foi em períodos de prisão que ele mandou cartas, confortando, dando um ânimo aos crentes.

estimulando-os ao estudo da palavra, estimulando-os a conhecer as profecias, estimulando-os a confiar em Deus. Extraordinário! Paulo não tinha medo da morte. A nossa tendência, muitas vezes, já têm ouvido pessoas dizerem, ah, eu tenho medo da morte. Mas Paulo não tinha medo da morte. E porquê que ele não tinha medo da morte? Ele via a morte como um ganho porque ele vivia para Cristo e por Cristo. Ou seja, ele via a sua existência nesta Terra a partir da eternidade. Da eternidade. E portanto, e mesmo que morresse, mesmo que ele dissesse, ok, a minha vida chegou ao fim, ele tinha uma esperança, que era a da ressurreição.

E portanto, era sempre ganho, na medida em que se ele vivesse agora com Cristo, ele estava a fazer o trabalho de Cristo, ele estava envolvido em Cristo. Mas se morresse, o ganho era que depois de ele passar todo esse período a dormir na sepultura, quando Jesus voltasse da segunda vida, ele estaria com Cristo para sempre. É curioso ver que Paulo é um dos homens da Bíblia que, quando chegou ao fim, percebeu claramente que tinha cumprido tudo aquilo que era necessário cumprir enquanto filho de Deus. Exatamente. E isto dá segurança, isto dá... Isto dá certeza, isto dá propósito à vida. Eu tive uma certa vez uma pessoa, estávamos numa conversa entre amigos a falar disto e alguém disse, é tão bom dormir.

E estava-se a referir à morte. A pessoa diz, é tão bom dormir porque aqueles que adormecem no Senhor sabem que a primeira coisa que lhes vai acontecer é quando Jesus regressar, vão ressuscitar, vão voltar à vida. Então, é bom dormir. Nós deitamos à noite cansados, no outro dia estamos restabelecidos. Então, podemos saber que, na morte, vamos, aqueles que morrerem no Senhor, aqueles que adoram o Apocalipse, bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. voltarão à vida. E Paulo, em relação à questão à morte, ele fala claramente que a morte deve ser um sono para aquele que acredita em Deus. Exatamente. Com base em tudo aquilo que Jesus também disse.

Jesus, quando falou de Lázaro, disse, Lázaro dorme, e os discípulos disseram, ó Senhor. Então se ele dorme, tá. E Deus disse, não, não, ele morreu. E eu vou libertá-lo do sono. Vou chamá-lo à vida. Portanto, esta perspectiva de que A vida de Paulo, ela estava centrada em Cristo. Fosse para a vida ou fosse para a morte. E tudo tinha um propósito dentro desta perspectiva de que Deus dá sempre o. Melhor aos seus filhos. E eu confiava plenamente no Senhor. Pegando nessa tua ideia do propósito que Paulo tinha, talvez nós possamos agora dizer que este propósito fosse, podemos chamar-lhe de dimensão espiritual, se quisermos, não é? E será importante nós vermos o tamanho dessa dimensão, se é possível nós vermos o tamanho, e sobretudo como é que Paulo enfrentou as adversidades da vida, e tu mencionaste uma série delas que não estão propriamente em Filipenses, mas que Paulo enumerou como factos reais da sua vida, como dificuldades.

Talvez nós pudéssemos agora verificar que ele vai dizer que o morrer é ganho, não é? Mas o conflito continua. Eu gostava de agora podermos ir à segunda de Coríntios, porque Em 2 Coríntios,

Guerra espiritual

que é uma outra epístola que Paulo escreveu, ele tinha uma série de igrejas a quem ele escreveu várias cartas, e em 2 Coríntios capítulo 10, nós encontramos aqui nos versículos 3 a 5, Capítulo 10, de 2ª de Coríntios 3 a 5, se tiver a sua Bíblia à mão, abra agora em 2ª de Coríntios, na 2ª Carta aos Coríntios, Capítulo 10, versículos 3 a 5, que diz, porque andando na carne não militamos segundo a carne, porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas. Destruindo os conselhos e Toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus.

E levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo. Então nós vemos aqui nestas palavras que Paulo afirmou que o morrer é sempre lucro. Para ele morrer era um lucro. Mas nós não podemos escapar, quer queiramos, quer não, ao pensarmos que realmente a morte até poderá ser um lucro que tenhamos, nós durante a vida não conseguimos escapar àquilo que é o conflito permanente em cada um de nós. E se quisermos, nós até podemos traduzir este conflito em guerra espiritual. Uma guerra espiritual. Pedro, é possível sermos firmes na verdade e ao mesmo tempo usarmos, eu vou dizer, de brandura cristã, sem que a nossa fé seja afetada neste combate diário que nós temos na nossa existência e no nosso dia-a-dia?

Eu acho que a resposta é claramente sim, até porque esta imagem tem de ser tratada como tal. A Bíblia usa muito a linguagem do conflito como uma metáfora do que é viver a experiência cristã. Ela é um conflito em muitos sentidos. Talvez um deles, que eu vou explorar aqui, especialmente um deles, mas existem vários. É evidente que quando nós vivemos num confronto de valores, Ou seja, nós encorpamos, acreditamos num conjunto de valores que, por exemplo, quando à nossa volta a maioria das pessoas não crê nesses valores, não vive de acordo com eles, é evidente que nós nos encontramos em conflito, em tensão. Nem quero dizer que seja forçosamente com as pessoas, diretamente. É com os valores que as pessoas encarnam e vivem.

Por outro lado, todos sabemos que a vida espiritual também é um conflito interno, que é aquele conflito contra mim próprio. O apóstolo Paulo ofertou-se, como costumamos dizer, descrever sobre a sua própria luta individual. Ou seja, este mesmo homem, que tem esta fé que Moisés aqui descreveu, um homem com esta capacidade de luta, de resiliência, dizia o bem que eu quero fazer não consigo. Quer dizer, ele também estava numa luta permanente contra as tentações, as lutas carnais, as nossas tendências, os nossos pensamentos, que não estão consagrados a Deus ou que muitas vezes nem conseguimos controlar. Muitas vezes, hoje, no mundo em que vivemos, especialmente, falamos sobre aquelas questões da saúde mental e vemos como, mesmo no âmbito da saúde, as pessoas lutam contra pensamentos, por exemplo.

agressivos, pensamentos de trevas. Há uma luta interior fortíssima que se passa em nós. Portanto, a linguagem do conflito, para responder diretamente a essa parte da pergunta, que a Bíblia usa nunca é uma espécie de apelo ou de convocação para a batalha ou para sermos agressivos. A lógica não é essa, claro. Por isso é que Podemos dizer que aqui Paulo, em primeiro lugar, reconhece que os cristãos andam na carne mas não militam-se na carne. É uma expressão muito interessante. Andamos na carne significa que nós vivemos num mundo físico, num mundo real. Nós não pairamos aí num mundo espiritual. É isso que é andar na carne. Agora, não militamos na carne. Quer dizer que nós estamos a tentar livrar-nos de certos caminhos e tendências que obviamente nos afastam sobretudo da vontade de Deus.

Logo, a batalha espiritual que nós travamos é essencialmente uma batalha para lá do mundo físico em que nós vivemos. Por isso é que as armas com as quais nós lutamos neste conflito são armas espirituais. Por isso é que nunca pode estar em causa, e às vezes pode haver cristãos que usam isso como desculpa, de como esta linguagem nos convoca a sermos agressivos, a usarmos a verdade como arma para combater as pessoas ou o que seja. Não, estas armas, elas também são espirituais. Portanto, quando falamos da oração, quando falamos da leitura, do estudo e da meditação da Palavra de Deus, quando falamos de jejum, quando falamos de reflexão profunda, Se isto são as armas, onde é que nisto há alguma coisa que nos convoque a atacar seja quem for?

Isto é sobretudo uma maneira de viver, uma escolha de como é que nós nos comportamos, de que prioridades definimos. É claro que todos nos lembramos das palavras do apóstolo. O apóstolo Paulo tem esta vantagem. Nós estamos a falar dele e das coisas que ele escreveu aos filipenses e ele escreveu tanto que dá para citar coisas infinitas que ele escreveu a estas muitas igrejas. Lembram-se que aos Efésios ele dizia revestir-vos de toda a armadura de Deus para que possais ficar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Portanto, mais uma vez esta imagem que não é nunca uma convocação a uma espécie de agressividade, mas a percebermos que nós temos de estar preparados para essa

A conversão de Paulo

batalha. E Paulo é aquele personagem bíblico que, se quisermos olhar para o seu histórico, ele tem uma primeira parte de vida extremamente agressiva, de um homem que vivia exatamente ao contrário daquilo que ele depois nos vai aconselhar a viver, não é? E é muito interessante ires buscar essa ideia porque durante essa fase da vida de Paulo, em que ele ainda era jovem, em que ele também estava zeloso por defender a verdade. Sabemos que temos todas as evidências que ele o fazia com uma convicção verdadeira. Ou seja, era errado o que ele estava a fazer, mas ele estava a ser leal aos seus valores e às suas convicções. E aí sim, a agressividade era a marca desse combate. Portanto, pessoas eram mortas, apedrejadas.

Ele esteve lá no apedrejamento de Estevão. Era a marca dele. A segurar as roupinhas das pessoas e provavelmente satisfeito de ver aquilo. Ou seja, isto é a justiça que está a ser aqui feita. E depois ia todo entusiasmado para prender os cristãos. Portanto, nós percebemos precisamente que Paulo veio de um contexto em que a agressividade fazia parte dessa luta pela verdade. Por isso é que a conversão de Paulo a estes valores de Cristo, eles são também, em grande parte, uma mudança total de paradigma, que é, ele continua a ser zeloso rigoroso e sério com os valores e com as coisas em que crê, mas o amor agora é a marca, não a agressividade.

Por isso é que mesmo a defesa da verdade agora é feita em amor. Outra citação do apóstolo Paulo muito conhecida, Efésios 4, antes seguimos a verdade em amor. Crescemos em tudo, naquele que é a cabeça, que é Cristo. Onde ele vai juntar, seguimos a verdade em amor. É como se fosse uma diferença com o homem que ele era antes. Porque ele também seguia a sua verdade, mas não era em amor, era em violência. Então, nós percebemos que ser firme pela verdade, ser firme, combativo até nos nossos valores, não é em nada oposto à brandura, se quisermos, ao cuidado, ao amor. Jesus dizia, bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. E ainda vou citar aqui outro texto do apóstolo Paulo.

Quando ele escreve a Timóteo, E aqui é muitíssimo interessante, porque tem mesmo a ver com este contexto de luta e combate pela verdade. Ele diz assim, 2.25 da 2ª Carta de Timóteo. Com mansidão corrige os que resistem. Então é muito interessante como ele junta as duas ideias. Ser combativo, porque está claro para todos que Paulo foi toda a vida um homem combativo. Aliás, o texto que o Moisés abocada ali é impressionante. Um homem que viveu esses dramas, essas lutas todas, só sendo muito combativo, para parecer apedrejado, chicoteado, eu sei lá o que é que o homem sofreu, e continuar, persistir, é preciso ser muito combativo.

E, portanto, Paulo aqui apela ou convoca Timóteo ao combate, que é, corrija os que resistem. Só que, antes de dizer isso, diz com mansidão. Porquê? Porque é um risco da humanidade, é um risco da pessoa que é muito convicta. O risco das pessoas que são muito firmes nas suas causas, sejam quais forem, é precisamente ficarem cegos. Às vezes dizemos isto, a pessoa está cega. mesmo que ela seja bem-intencionada. Então, corrigir, ou seja, manter-me firme e combativo pelas coisas em que creio, mas fazê-lo com mansidão, é realmente uma postura que eu aposto-lhe, Paulo, é um exemplo espetacular. Isso é quase uma proteção até para nós próprios.

Porque quantas vezes aqueles que são mais combativos, ou até mesmo o caráter, é mais... E às vezes dizemos coisas que não devia ter dito. Mas estivermos habituados a esta mansidão, até mansidão, e o amor nos vai proteger a nós mesmos. Porque vamos começar a considerar, mas se Jesus estivesse aqui nesta situação, como é que ele faria? Então, se calhar, às vezes faríamos de outra maneira, e a maciedão também nos protege a nós. Também nos pode proteger. Eu ia dizer que Paulo talvez tenha sido um, não vou dizer o único, mas um dos que compreendeu claramente, quando a Bíblia diz, não por força nem por violência, mas pelo meu espírito. Ou não te deixes vencer do mal, mas vences o mal com o bem, que ele próprio escreveu aos Romanos. É sempre esta ideia de não te deixes vencer, luta, mas fazes isso com as armas do bem.

Esta tensão resolve-se. À medida que eu pensava a falar, estava-me a lembrar do discípulo Pedro. Se o Pedro tivesse aprendido mais rapidamente a questão da mansidão, não havia uma orelha que teria saltado da espada do Pedro. E tantas coisas teriam sido diferentes e a vida de Pedro também teria sido um bocadinho diferente. Mas graças a Deus que Deus conseguiu corrigir Pedro. E vemos depois um Pedro no fim completamente diferente. Esta guerra espiritual que esteve sempre presente na vida de Paulo é sem dúvida algo onde nós podemos extrair, se quisermos, dois conceitos que é a confiança e a esperança que ele nutria em Cristo Jesus e que superavam, de alguma forma, todas as suas dificuldades.

E por isso é que este homem vai falar da morte de uma forma natural, sem medo da morte, como algo que é inevitável, e nós sabemos, não é? Nós nascemos em pecado e forçosamente a morte vai nos acompanhando. Poderá ser de uma forma lenta, não é? E nós queremos que seja o mais lento possível, mas é inevitável no ser humano. Mas ele, de alguma forma, coloca um conceito, ou imprime aqui uma ideia muito interessante. Ele não se importa de partir, mas se partir, ele quer partir com Cristo. Ou seja, ele quer estar do lado de Cristo, não é? E por isso eu gostava de ver convosco, e antes de colocar uma uma questão aqui

O anseio pela eternidade

ao Ruben, para que ele nos ajude a compreender. Eu gostava que nós pudéssemos abrir agora a nossa Bíblia, voltarmos outra vez a Filipenses, porque é muito importante nós voltarmos a este livro, ou a esta carta. Capítulo 1, versículo 23 e 24 diz-nos, mas de ambos os lados eu estou em aperto, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. mas julgo mais necessário, por amor de voz, ficar na carne. Ou seja, este homem confessa o desejo de partir e estar com Cristo, que é qualquer coisa de extraordinário, que nós também o fazemos em muitos momentos da nossa vida, quando estamos bem desanimados, ou às vezes até quando a idade já pesa, como se costuma dizer.

Mas ele entende que, apesar de tudo, ele tem que continuar e tem que ser útil enquanto permanecer aqui. Ruben, Como é que nós podemos ver este equilíbrio entre o anseio pela eternidade, porque vemos aqui claramente esta ideia, e ao mesmo tempo a necessidade de viver a missão presente que o Senhor Deus lhe colocou à frente? Em primeiro lugar, quando nós olhamos aqui para todo este discurso do apóstolo Paulo, nós percebemos que ele também tem claramente definida na cabeça dele o que é a morte e o que é que acontece na morte, porque ainda hoje vimos Conseguimos ver, no mundo cristão, que até entre nós não há, às vezes, muito padrão do que é que é a morte. Uns pensam de uma maneira, outros pensam de outra.

Mas é importante percebermos como é que Paulo entende e sabemos que Paulo teve com Pedro, comunicou com aqueles que estiveram bem próximos de Jesus e provavelmente falaram muito sobre estes temas. Porque os discípulos tiveram, lembramos-nos, dos irmãos, daquela família muito chegada a Jesus. que nós sabemos que Jesus passava tempo com eles. Estamos a falar de Lázaro, de Maria, de Marta, não é? Aquele lugar que Jesus tantas vezes voltou. e que, de uma forma interessante, nós conseguimos ver claramente a questão da morte, não é? E conseguimos ver o que é que Jesus pensava da morte. E Jesus claramente disse, tanto de Lázaro como de outros, que ele apenas dormia, não é? E havia aqui esta questão do sono de um lugar, como também dizem eclesiastes, que é um lugar onde nada sabemos, não existem projetos, não existe conhecimento, não existe sabedoria, não existe coisa alguma, não existe nada.

E por isso é que Maria diz, eu sei senhor que quando tu vieres outra vez, tu um dia vais ressuscitar o meu irmão. Ela sabia que o irmão estava a dormir. Ela sabia que o irmão não tinha ido para lado nenhum. Ela sabia que o irmão descansava num sono. Isto é muito importante, nós sabermos que a morte é um sono que acontece até Jesus voltar. E isso é importante nós definirmos bem. Que nós não morremos e depois vamos para um outro qualquer lugar, mas como Jesus diz, nós descansamos nesse sono. E o sono faz-nos bem. O sono é daqueles remédios que nos faz muito bem a alma. É durante o sono que tudo se regenera.

Se nós não conseguirmos dormir, vamos ter muitos problemas. A maior parte dos problemas graves, e eu trabalho na área da saúde, a maior parte dos problemas graves que nós temos, associados às vezes até à questão do peso, à questão da saúde mental, normalmente o padrão de sono é um padrão difícil. Não se consegue dormir, não se consegue descansar, não se consegue regenerar. E o sono, também aqui na morte, para Paulo, era uma coisa importante, mas ele diz, isto é bom que aconteça, mas que seja útil. Eu só quero ir, mas enquanto eu for útil, eu não quero adormecer, não é? E eu quero ser o mais útil possível e ele até utiliza aqui uma palavra que é o fruto, não é? E o fruto é muito importante.

Aliás, Jesus, um dos atos estranhos que fez no ministério dele foi, junto de uma árvore que não dava que não dava fruto, aquela figueira estéril que Jesus amaldiçoou e ela secou imediatamente porque não dava fruto. Paulo diz, enquanto eu der fruto, enquanto eu for útil para Cristo, que eu possa continuar a viver. E é engraçado porque Até na morte, a nossa vida pode dar fruto. Eu tenho um amigo que há bem pouco tempo faleceu. Já descansa, já dorme. E nós éramos próximos. E por acaso, por motivos de trabalho, eu estava a rever algumas estatísticas das nossas redes sociais.

E ao olhar para alguns parâmetros, eu comecei a ver que ali uma estatística não me batia certo. Eu disse, mas porquê que isto, que não me parece que tenha assim grande, porquê que teve tanto destaque? Então eu fui tentar ver o que é que se estava ali a passar. E é engraçado que a morte dele criou muita gente que o amava, uma atração tão grande por os amigos, por os familiares, pessoas que nem eram cristãs, à volta daquele homem bom, ganhou uma tal força que mesmo na morte ele deu fruto. Isso foi bonito de perceber. Eu não estava à espera de encontrar aquele fruto, mas até na morte nós podemos dar fruto. Podemos dar na vida, mas também podemos dar na morte, se formos fiéis àquilo que o Senhor tem para nós.

Sem dúvida. E nós podemos ver, e ainda há pouco o Moisés lendo a descrição de Paulo sobre as muitas dificuldades que ele teve, havia uma que ele se preocupava muito, que era a unidade da Igreja, não é? Esta era uma grande preocupação dele porque ele, no fundo, era um fundador de igrejas, abria novos campos, estava em novos lugares. Ele era um evangelista extremamente... com características muito interessantes e que fez um trabalho excepcional.

Unidade da igreja

E Paulo vai falar aos filifenses sobre esta unidade da igreja. Nós vamos, neste momento, para um curto intervalo. Voltamos já a seguir para entrarmos nesta unidade da Igreja. Até já! Estamos de volta para a segunda parte do programa de hoje, do programa Bíblia Aberta. Já sabe que nós estamos no canal 186 da MEU. Estamos também na Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa. E se nenhum destes dois meios de comunicação é possível para si, então saiba que também estamos no canal do YouTube. no canal da TV NOVO TEMPO PORTUGAL. O programa Bíblia Aberta está lá e você poderá ver, ouvir, rever quantas vezes forem necessárias para que esta mensagem possa ser útil na sua vida.

Antes de voltarmos à conversa com os meus três convidados, eu quero dizer-lhe que tenho comigo um guia de estudo. Este é um guia de estudo diferente, digamos assim, daqueles que temos apresentado até agora. Este tem por título Na Mira da Verdade. É, sem dúvida, um guia de estudo bastante interessante. Porquê? Porque os temas são diversos. Eles vão ao encontro das temáticas bíblicas e é a partir daquilo que podem ser as dúvidas de alguns que depois vamos nos fundamentar através da Bíblia. Por exemplo, será que existe mesmo o dom de línguas? E se existe o dom de línguas, será que ele vem de Deus? Esta é uma das perguntas que muitas vezes surge até nós e nós temos resposta para lhe dar a partir da Bíblia. Será que nós podemos falar com os mortos? Nós aqui já falámos hoje muito sobre a morte e vamos continuar a falar deste estado que acontece a muitos de nós e que já nos levou muitos dos nossos amigos e conhecidos, mas será que nós podemos falar com os mortos?

Então, se quiser saber mais sobre estes temas que podem estar Digamos, na atualidade da sua vida e algumas dúvidas que possa ter, peça agora ao Guia de Estudo da Bíblia na Mira da Verdade. Faça-o para o 933-939291. 933-939291. E alguém do outro lado irá acompanhar o seu pedido, irá enviar para a sua casa e poderá ter este material consigo para estudar a Bíblia e poder aprender mais sobre estes temas. Vamos voltar à nossa conversa com os nossos três convidados, o Pedro, o Moisés e o Ruben, e eu quero agora entrar nesta questão que há pouco nós estávamos a falar, que em Filipenses, por exemplo, encontramos a necessidade de paulolhar pela unidade da Igreja.

Mas antes de fazer uma pergunta ao Pedro, eu queria voltar ao livro de Filipenses, ou à epístola de Filipenses, capítulo 1, versículo 27. Se tiver a sua Bíblia à mão, abra novamente em Filipenses capítulo 1, versículo 27, que diz que somente deveis portar-vos dignamente conforme o Evangelho de Cristo, para que quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estáis firmes num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé no Evangelho. Pedro, Paulo, ao falar nesta unidade da igreja, nesta necessidade de todos estarmos num mesmo espírito, ele no fundo vai querer imitar Jesus, porque esta é, talvez, das expressões mais bonitas que nós podemos ver, que ele vai se apoiar verdadeiramente naquilo que é o seu consolador, naquilo que é o seu guia, o seu foco, que é Jesus.

e Jesus tinha feito isto várias vezes durante o tempo em que esteve connosco, digamos assim. Pedro, porquê que a unidade espiritual está tão associada ao Evangelho? É quase como que necessário nós termos isto neste testemunho que devemos dar da nossa relação com Deus. Jorge, a unidade entre as pessoas E, neste caso, a unidade espiritual é uma das maiores evidências do tal fruto que, agora há pouco, o Ruben falava. Jesus disse isso claramente porque deixarmos que as diferenças entre nós ganhem dimensão é o mais normal. É por isso que um grupo de pessoas distintas com as suas histórias, opiniões, experiências, serem capazes de ter como fruto visível uma unidade profunda, apesar de sermos pessoas diferentes, de facto é das coisas mais poderosas a favor desse poder que opera em nós, que é o Evangelho.

Isto é tão verdade que Jesus chegou ao ponto de afirmar o seguinte, João 13, 35, Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." É uma declaração fortíssima, quase definitiva de Jesus, de que a maior evidência que o mundo pode ter é haver uma espécie de unidade entre pessoas que, no fundo, o que Jesus está a dizer é que ela não se poderá ver em mais lugar nenhum. É por isso que a capacidade de experimentarmos unidade é uma das grandes evidências de que o Evangelho está a operar em nós, aquilo que na verdade, biblicamente, chamamos de conversão.

Sejamos honestos, há grupos de crentes que vivem em permanente conflito. Há comunidades, que nós as costumamos chamar igrejas, são comunidades de pessoas que reunem-se no mesmo espaço, ocupam aquele lugar. Há comunidades conhecidas por serem muito conflituosas, por exemplo. Que as pessoas não são capazes de encontrar uma forma de estarem juntas. Vamos dizer isto aqui sem medo nenhum de o afirmar. Isto é uma evidência de que a conversão não está ali. Por isso é que Jesus disse, se vos amardes uns aos outros, então o mundo vai ver que vocês são discípulos. Porquê? Porque quem não é capaz de manifestar este tipo de conexão e unidade não é prova de que o Espírito não está a agir.

De tal maneira, este tema para Jesus era central e podemos até dizer que o preocupava que aquela célebre oração sacerdotal de Jesus, o tema central da súplica, da intercessão de Jesus ao Pai, a propósito dos seus discípulos, porque ela é uma oração sacerdotal, é assim chamada, porque ele se coloca numa espécie de posição mediadora, ele é o intercessor, ele ora ao Pai, estão ali os seus discípulos, e aliás, nessa oração, João 17, estão ali potencialmente todos os discípulos, porque Jesus diz, vou lembrar, ore não somente por estes, mas por todos aqueles que hão de crer pela palavra deles, porque eles iriam fazer o trabalho de apóstolos, que hão de crer no teu nome. E a oração de Jesus qual era? Resumindo é o versículo 21. Que todos sejam um como tua Pai o és em mim e eu em ti, que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

Ou seja, mais uma vez Jesus coloca a unidade capacidade de estarmos como um, como a marca que vai convencer outras pessoas ou dar-lhes evidência de que um grupo de pessoas realmente estão transformadas. Sem essa capacidade não há transformação. Significa isso que se eu quero viver o Evangelho na minha vida eu tenho que saber viver em unidade? Temos que saber viver em comunidade.

Diversidade de dons

O que é interessante é que este apelo e esta força que Jesus colocou nesta ideia de unidade não retira em nada, pelo contrário, a lógica da diversidade. Porque o apóstolo Paulo, na verdade, é o grande apóstolo da diversidade. porque ele falou, já não sei se foi no último episódio ou no penúltimo que falámos aqui, eu próprio falei sobre esse tema, vou voltar a ele, alguém que não tenha visto o último episódio pode sempre ir, como já disseste, ao YouTube da Novo Tempo e lá tem os episódios todos. E nós falávamos aqui como a estrutura eclesiástica que Paulo definiu é que os dons são o pilar onde assenta a estrutura da Igreja. E quando nós pensamos em dons, o que é que são dons?

Dons são o garante da diversidade. Nós estamos quatro homens aqui a esta mesa, todos homens de meia idade, mais ou menos da mesma geração, e nós somos pessoas totalmente diferentes. Conhecemos-nos o suficiente para saber que somos pessoas diferentes. Essa riqueza da nossa diferença é que pode resultar em dois frutos. Ou cada vez que tentamos trabalhar ou fazer alguma coisa juntos, vai ser uma confusão, porque o Ruben tem uma visão das coisas, tem um jeito de ser, quem sabe mais calmo, mais ponderado, depois vem eu que sou preciso, sou mais forte e mais agressivo, depois vem outro que é mais sentimental e emocional, depois há outro que é mais racional. Estas coisas todas são o quê? São o garante de que nós podemos fazer alguma coisa bem feita.

porque o ímpeto de um vai equilibrar com a calma do outro. Quando nós permitimos que esta riqueza nos separe, é a garantia que nós não vamos conseguir fazer nada. Mas se nós fôssemos todos iguais, estávamos metidos em trabalhos. Porque se fôssemos todos demasiado calmos e fleumáticos, não fazíamos nada. Se fôssemos todos demasiado impetuosos e coléricos, era uma desgraça. Então, por isso o apóstolo Paulo está constantemente a dizer que há diversidade de dons. Há diversidade de operações. Há diversidade de ministérios. Graças a Deus por isso. Só que ele dizia sempre... Aliás, vocês vão a todos os textos de Paulo sobre a diversidade dos dons e veem que ele tem um princípio quando escreve.

Que é, ele escreve sobre a diversidade e equilibra sempre isso no mesmo texto escrevendo sobre a unidade. Eu costumo chamar a isso os fatores unificadores e os fatores diversificadores. Então ele diz, há diversidade de dons, que é um fator diversificador, e logo a seguir diz, mas o Espírito é o mesmo. Então, nós precisamos ao mesmo tempo de estar totalmente unidos no propósito, na ação do Espírito em nós, mas precisamos da diversidade. Por isso é que a unidade é tão relevante e por isso é que Jesus, que não falou tanto sobre os dons, usou-os de outras formas, nas suas parábolas, por exemplo. Em parábolas que até tinham outros objetivos, como seja, por exemplo, a preparação para o fim, Jesus, em Mateus 25, contava a parábola dos talentos.

Obviamente referindo-se quando o senhor vier, vai ver o que é que cada um fez com os talentos que recebeu. Mas o que é interessante nesta parábola é que o senhor não deu o mesmo número de talentos a todos. Deu 10, 5 e 2, acho que é assim. Depois estou a citar aqui. O que mostra o quê? Ali o ponto não é dizer uns têm mais, outros menos. É que têm quantidades diferentes. Não são todos com 10, ou todos com 5 ou todos com 2, para depois vir comparar. Não. Todos são diferentes. Por isso é que o problema daquele que não multiplicou não é que ele tinha menos. Essa é a lógica da parábola. Jesus não vai lhe dizer, ah, mas tu já eras fraco. Não, não interessa se tinha dez, se tinha um. Essa diversidade era muito importante. A questão é o que é que. Fizeste com o que tinhas. Por isso é que é tão importante que os crentes percebam, e nós vivemos num tempo especialmente difícil para isto.

Porquê? Porque nós vivemos um tempo de polarização dramática em que as pessoas metem-se dentro de caixas Se eu sou liberal, está aqui o conjunto de coisas em que eu tenho que acreditar e tenho que dizer. Se eu sou mais conservador, são estas coisas, estas são as minhas boxes. E as pessoas metem-se dentro de caixas e não percebem que a riqueza de termos visões diferentes da realidade, mesmo nas questões espirituais ou até teológicas, Essa riqueza é extremamente importante para sermos capazes de construir algo mais forte. Porque se nós todos nos colocamos na mesma posição, no fundo, damos todos o mesmo flanco. As nossas fraquezas vão ficar evidentes. Porque, como em tudo na vida, as posições, especialmente quando são muito definidas ou extremadas, elas têm forças, coisas boas, mas têm fraquezas.

Porém, a unidade é criada por Deus. E, claro, essa unidade é criada porquê? Porque nós temos uma palavra comum, uma base comum, temos o exemplo de Cristo, que é igual para todos, e temos o Espírito Santo. O Espírito é comum. E o Espírito é comum. Por isso, o Espírito é que é o responsável pela diversidade. Então, eu quando vejo um irmão numa comunidade, um irmão meu na fé, por exemplo, eu vejo que ele tem uma visão, até uma prática diferente, Esse espírito em mim devia-me dizer assim, olha que interessante, não é assim que eu vivo a minha religião, não é assim que eu pratico as coisas, mas está interessante aqui como uma pessoa, pode ser uma pessoa leal a Deus, fiel a Deus, mas vive de outra maneira. Infelizmente, a nossa tendência é dizer assim, olha para este tipo que não vive como eu, porque é que ele não come como eu?

Quando eu podia dizer assim, olha que interessante como ele come. Será que posso aprender aqui alguma coisa? Ou simplesmente aprendermos a viver todos a comer cada um o que come? O ponto aqui é que nós precisamos de fazer da diversidade a fonte da nossa unidade. É isso que o apóstolo Paulo ensina. E não fazer da diversidade a razão para meter cada um na sua caixa, dar um rótulozinho àquela caixa e pronto. Eles que fiquem lá com as falhas deles. Claro. Eu acho que nesta unidade nós encontramos coragem para ultrapassar todas as dificuldades ou as grandes dificuldades da nossa vida. E Paulo vai falar bastante agora da questão da fé partilhada, não é? O partilhar da fé. Se formos a Filipenses, capítulo 1, versículos 28 a 30, ele diz...

Coragem serena

porque a voz vos foi concedida em relação a Cristo, não somente querer nele, mas também padecer por ele, tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto, e agora ouvis, estás em mim. Moisés, o que é que nós podemos fazer para cultivar esta coragem serena que nós vemos aqui Paulo a introduzir nesta passagem, no tempo em que muitos de nós têm medo de serem rejeitados e a rejeição, no fundo, nós sabemos que é tão real nos nossos dias. Como é que nós podemos cultivar esta coragem serena? É interessante que também os discípulos também não tiveram esta coragem, porque quando Jesus foi preso, qual foi a reação deles?

Foi fugir, esconderem-se e eles não demonstraram esta serena coragem, não é? Mas é interessante que eles ganharam coragem quando eles se uniram. Estávamos a falar daqui da... Quando eles se uniram no propósito, quando eles compreenderam, eles tiveram coragem e foram extremamente corajosos. É interessante que a coragem é fruto, esta coragem serena, é fruto de uma fé amadurecida que sabe que a vitória não está em evitar o sofrimento, mas permanecer fiel em meio ao sofrimento. E os discípulos fizeram isto, eles permaneceram fiéis e Paulo também. Mesmo diante do sofrimento ele manteve esta coragem serena.

Eu ia dizer mesmo isso, que a coragem e a fé não significam ausência de dor ou sofrimento. Não, exatamente. Portanto, e esta coragem ela é necessária. Reparem, muitas das vezes nós vemos pessoas que demonstram atos de coragem, mas falam tanto. Esse ato de coragem é resultado do medo. É o medo que leva a pessoa a ser corajoso. Mas aqui não. Esta coragem não é resultado do medo. É resultado de uma constância, da certeza de que é um Deus que comanda, que é um Espírito que distribui dons, e então a pessoa vai serena, vai com esta confiança. E este tipo de coragem não é arrogância.

Também não é imprudência. é uma consciência da presença de Deus e da direção de Deus. Vemos isso quando Paulo foi julgado, digamos assim, em vários sítios, não é? Ele foi sempre muito bem preparado. Exatamente. Mas muito calmo e sereno. Parece que a coragem é estar num lugar, mas com a certeza que estamos acompanhados. Isso. Não é? Este sentimento de estar acompanhado é quase como à criança, não é? Se o pai estiver por trás, o comportamento dela é diferente, porque sabe que está ali o pai, não é? E esta certeza da companhia realmente traz coragem. É por isso que ele pôs na carta mais à frente do capítulo 4, e ele vai dizer que aposta todas as coisas naquele que me fortalece. Esta coragem está suportada.

E este exemplo que o Rubem dá é muito bom do pai. Quer dizer, o filho, sabendo que tem o pai ali atrás, o que é que o filho faz? Até faz, até experimenta. Porque se eu cair, se eu não conseguir, o meu pai está aqui para me ajudar. Então, Paulo tinha esta mesma sensação. Posso todas as coisas naquele que me fortalece. E a coragem, ela é cultivada. Nós podemos cultivá-la. Como é que nós podemos cultivar esta coragem? Começando pelo estudo da palavra de Deus. quando eu aprendo a confiar neste pai que está por trás, então eu vou desenvolver esta coragem. Porquê? Porque eu sei em quem eu tenho crido, como dizia o apóstolo Paulo. Também, e voltamos aqui à questão da comunidade, esta coragem também é desenvolvida no seio da comunidade, no seio dos crentes.

Porquê? Porque nos estimulamos uns aos outros. e vemos a ação do Espírito a trabalhar de uma forma tremenda para a unidade. Então, isto desenvolve coragem, esta coragem serena. Nós estamos sós. Há um Espírito que está por trás a conduzir e a dirigir todas as coisas. E ainda, nós, mesmo diante do sofrimento, nós estamos confiantes. Eu pego no exemplo dos reformadores, que muitas vezes eram levados para a fogueira. e eles demonstravam uma coragem tremenda. Porquê é que eles faziam isso? Porquê é que eles morriam? E era uma coragem serena. Serena. A cantar, não é? Exatamente. Quer dizer, qual de nós é que se nos viessem agora aqui buscar, porque estávamos aqui a falar da Bíblia, olha, vocês estão a falar da Bíblia, não podem ser levados à fogueira.

Como é que nós ficávamos? Mas eles iam a cantar serenos, a orar, tinham palavras até de estímulo para as pessoas que o viam, de perdão para os seus carrascos. De onde é que isso vinha? Só podia vir de Deus porque, como seres humanos, isso não é inerente à nossa condição humana. Então esta serenidade, esta tranquilidade, esta calma, mas que ao mesmo tempo é coragem, só pode vir do Senhor. E ela manifesta-se quando nós vivemos em comunidade e quando confiamos plenamente no Senhor. Nós começámos o programa de hoje, este episódio, falando um bocadinho do sofrimento e vendo em que pau tinha realmente um propósito e vamos fechar com este mesmo pensamento.

de sofrimento, de fé e de vitória final.

O sofrimento

E para isso eu gostava agora de ir a um livro que não foi escrito por Paulo, mas é um dos livros da Bíblia que nos dá uma visão muito clara do crescimento da igreja. que é Atos, e eu gostava de ler no capítulo 14, Atos capítulo 14, versículo 22. Nós encontramos aqui o seguinte, Atos capítulo 14, versículo 22, confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé e mostrando que, por muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. Esta passagem é extraordinária. Ou seja, nós podemos ver que já ninguém pode retirar da equação, quer nossa, quer de Paulo, de todos os outros que já passaram por aqui, de que a vida cristã envolve sempre sofrimento.

Se nós queremos seguir Jesus, nós temos à partida já esta declaração feita. Vais ter sofrimentos, vais viver momentos difíceis na tua vida. Mas Paulo apoiava este propósito, tal como começámos o programa de hoje, na confiança e na esperança. E por isso, Rubano, eu gostava que tu, no fundo, quase como que remata este episódio, que nos possas, de alguma forma, dar aqui uma perspectiva. Vendo bem a perspectiva que temos, a partir, por exemplo, do tema cósmico, que nós sabemos que é o grande conflito, não é? E todos nós estamos inseridos num grande conflito. É possível nós compreendermos que o sofrimento não nos faz perder a fé, ou não tem... Nós não precisamos perder a fé por causa do sofrimento, mas o sofrimento, em parte, pode até aumentar ainda mais a nossa fé.

O sofrimento é aquela questão que muitas das vezes nos divide, não é? E para muitos até é um assunto difícil para aceitar a fé, não é? O sofrimento. E há sempre aquela pergunta, não é? Se Deus é bom, porquê é que existe tanto sofrimento? Porquê é que este sofre? Porquê é que este não sofre? Mas se nós, se calhar, fizéssemos uma pergunta ao contrário e puséssemos, se calhar, Deus a tentar responder ao sofrimento, se calhar dessa maneira de pensar, diríamos bem, se tu me aceitas, então ficas já livre, não é? Vais receber aqui um salvo conduto e a tua vida vai ser uma maravilha. Se isso fosse sempre assim, não sei se Deus seria muito justo, não é? Num lugar onde o conflito existe para todos, entre o bem e o mal, a questão do grande conflito acontecer e Deus estar a dar a liberdade para que ele se desenvolva.

permite-nos para já estarmos todos no mesmo barco, termos todos acesso às mesmas coisas, até às armas espirituais que o Pedro falava há bocado, e estamos num pé de igualdade. E Deus gosta muito de gente igual. É muito interessante, não é? Até os que chegam atrasados são iguais. Eu lembro-me da parábola do de quem ia pagar o tributo, não é? Depois havia aquele que tinha começado a trabalhar às nove da manhã, o outro só começou ao meio-dia, e Deus foi acertando o preço e acertando o salário com todos. Mas no final do dia, no momento em que todos estavam a receber o seu salário, começaram a perguntar, mas eu trabalhei das nove, o outro trabalhou do meio-dia, mas estamos a receber todos o mesmo, não é?

Esta vontade de Deus de sermos todos iguais, para mim é uma coisa que me fascina. Não importa para Deus a minha raça, não importa para Deus rigorosamente nada. Ele, para cada um de nós, somos filhos muito queridos e neste grande conflito ele dá-nos as mesmas armas. E é interessante, quando estávamos a falar da questão da coragem serena, a coragem serena quase parece fé, parece uma confiança plena. E quando estamos num funeral vemos bem essa confiança plena. aquela pessoa que está perante alguém que perdeu, e era a pessoa mais importante da sua vida, e às vezes temos ali dois irmãos que estão a chorar um pai ou estão a chorar uma mãe, mas vemos, se calhar, num, uma serenidade, uma tristeza profunda, mas alguém que está controlado, se calhar ainda vai ali abraçar alguém, e se calhar vemos ali um outro que está completamente desesperado, está completamente perdido, está completamente o contrário de sereno, e o que é que estará a acontecer dentro dessas pessoas.

Provavelmente um estará agarrado à fé, à esperança, a este Deus que é um Deus justo e para mim a justiça cada vez mais é um amor em ação. Muitas das vezes agarramos nesta palavra justiça Assim um bocadinho como Pedro, para dar umas espadeiradas em alguns e pôr alguns no lugar. Mas a verdade é que a justiça, segundo Deus, é um amor em ação. É fazer tudo o que é possível para que alguém possa ter a salvação, possa ter a vida eterna, possamos ter o encontro, possa ter uma vida melhor. E é esse Deus que nós encontramos no meio do sofrimento e no meio deste grande conflito, um Deus que é uno, que nos traz unidos, e que nos quer dar esta esperança e um sentido e um propósito, como Romanos 8 diz, herdeiros com Cristo.

Nós não somos herdeiros de uma herança amaldiçoada. Ou efémera. Sim, porque às vezes nós vemos, por exemplo, nos traços dos nossos familiares, traços que estão em nós, nós dizemos, que miséria, porquê que eu herdo isto? Porquê que eu estou a herdar isto? Não é justo? Pois não. Mas a verdade é que Deus nos dá garantias que nós somos herdeiros de Cristo. Ele quer ultrapassar todas essas coisas. Ele quer ultrapassar e dizer-nos que nós somos filhos do Rei. Nós não somos filhos deste mundo de mal nem de pecado, nós somos filhos do Rei e do bem. Ou seja, Paulo e a Bíblia mostram-nos, no fundo, o sofrimento existe, mas ao

Herdeiros com Cristo

contarmos com Jesus não somos sofridores sozinhos. E carrascos desse sofrimento. Claro. Meus amigos, bom seria se tivéssemos mais tempo. O tempo chegou ao fim e eu quero vos agradecer de coração terem estado neste episódio. Fica em contramarcado convosco para a semana, ok? Portanto, estaremos de novo na próxima semana com esta equipa que é fantástica e que temos tirado muitas lições da Bíblia. Antes de nos irmos embora com tudo, eu tenho novamente que lhe dizer que hoje nós estamos a oferecer este guia de estudo que é o o guia Na Mira da Verdade. Aqui você vai encontrar vários temas, eu diria temas soltos. Porquê? Porque Na Mira da Verdade é um programa, se quisermos, onde as pessoas fazem perguntas e nós damos resposta a partir das Sagradas Escrituras.

Então vai encontrar aqui vários temas. Há um que eu não mencionei ainda há pouco, mas se existe arrebatamento secreto. Já ouviu falar deste tema? Sabe o que é o arrebatamento secreto? Então não perca mais tempo. Peça o Guia de Estudo na Mira da Verdade. Faça-o para o 933 939 291. 933 939 291. e temos muito gosto em oferecer-lhe este guia de estudo. Para a semana voltamos com outro tema. Até lá, que o Senhor o possa abençoar.

Sobre este episódio

Neste episódio do Bíblia Aberta, somos convidados a refletir profundamente sobre um dos temas mais marcantes da experiência humana: vida e morte, à luz da Palavra de Deus. A partir da carta aos Filipenses, o apóstolo Paulo apresenta uma fé madura, serena e cheia de esperança, onde viver é Cristo e morrer é ganho.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 3
Estreou
11 de Janeiro de 2026
Categoria
Espiritualidade