Perseguidos, mas não Desamparados

Perseguidos, mas não Desamparados

28 de Dezembro de 202556 min 41 s

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Abertura e novidades

Abrimos. Aqui mais um programa da Bíblia Aberta. É sempre muito bom poder estar consigo. Ao longo da semana nós estivemos a Bíblia Aberta e estivemos a estudar o tema para lhe poder apresentar. Mas acredito que você desse lado também se manteve com a Bíblia Aberta porque é muito importante nós podermos compreender o que Deus quer nos dizer e, diariamente, descobrirmos na Bíblia e nas Sagradas Escrituras aquilo que o Senhor Deus nos revela para bem da nossa fé e da nossa espiritualidade. Vamos iniciar uma nova temporada, uma série de estudos, digamos, no sentido em podermos encontrar agora em outros livros da Bíblia também as grandes verdades que o Senhor Deus quer que nós tenhamos.

Acabamos de fechar, vamos dizer assim, o livro de Josué e nos próximos episódios iremos abrir e ver as duas cartas de Paulo. Todas elas são muito importantes, mas vamos ter a nossa atenção focada em Filipensos e em Colossensos. Já sabe que o programa Bíblia Aberta é um programa da TV Novo Tempo. Onde é que pode encontrar a TV Novo Tempo? No canal 186 da Mel. É aqui que você poderá estar sintonizado connosco, diariamente, 24 horas por dia. Poderá estar ao serviço e, sobretudo, perceber que esta TV tem o objetivo de lhe dar tudo aquilo que Deus entende ser bom para a nossa vida. Mas se não tiver oportunidade de ter o canal meu, poderá ligar-se ou ouvir, neste caso, através da Rádio RCS, nos 91.2 FM.

Se nenhum destes, enfim, estiver por perto, poderá então ir ao YouTube. procurar o canal da Novo Tempo e procurar o programa Bíblia Aberta. Estamos lá também e a qualquer hora, em qualquer momento, poderá assistir a este episódio. Muito bem, nós vamos então abrir uma nova temporada e nada melhor do que termos uma equipa, termos colaboradores connosco e desta vez tenho três, vou dizer, novos colaboradores, que alguns deles não são assim tão novos porque já estiveram em alguns dos episódios gravados anteriormente. O Pedro Esteves está connosco. Olá, Pedro, sejas bem-vindo. Obrigado pela tua presença. Hortelinda, é um gosto voltar a ter-te aqui no programa Bíblia Aberta. Igualmente, obrigada. É um prazer. E temos uma nova aquisição, se quisermos, não é?

Alguém que tem o privilégio de ser um instrumento de Deus, vamos dizer assim, com o curso de Teologia. É um produtor de conteúdos, digamos, muitos deles estão na internet, viaja, prega, é sempre muito bom poder ouvi-lo. É o Ruben Fernandes, que nos vem da Igreja de Espinho, do Norte. Obrigado, Ruben, por estares connosco e por aceitares este desafio de podermos

Perspetiva espiritual do sofrimento

abrir a palavra de Deus, vermos em Filipêncio e Inclusenso uma coisa muito interessante, que é vermos como é que Cristo consegue unir o Céu à Terra. Portanto, este será o tema central desta série de episódios. E para começar, nós podemos dizer que Paulo não escondeu ao longo do seu ministério, que teve muitos sofrimentos, e que, de alguma forma, ele até nos dá uma perspectiva espiritual do sofrimento. E, para isso, eu gostava que nós pudéssemos abrir, curiosamente, não em Colossenses nem em Filipenses, mas vamos abrir em Efésios, que é uma outra carta de Paulo. No capítulo 3, aí em casa, se tiver a sua Bíblia à mão, já sabe, pode abrir. É forçoso que abra a sua Bíblia porque é o melhor entendimento que pode ter, porque, a partir da leitura da Bíblia, você vai encontrar o que Deus quer lhe dizer.

Vamos abrir em Efésios capítulo 3 e lermos o primeiro versículo do capítulo 3. Efésios capítulo 3, versículo 1 diz, por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios. Nesta passagem, que até é bem pequena, nós podemos dizer que há uma ideia bastante interessante, que pode ser talvez até o ponto de partida para a nossa conversa. Eu vou pedir à Hortelinda que, de alguma maneira, nós possamos aqui começar esta conversa. Porque Paulo não se via como um prisioneiro de Roma, mas como um prisioneiro de Cristo. Ou seja, esta ideia, no mínimo, se quisermos, muda a maneira de um cristão interpretar o sofrimento e até as limitações que possa ter na sua vida. Mas, Hortelinda, O que é certo é que quando a dor se torna real, ela torna-se muito difícil de nós podermos viver.

E como é que nós podemos, de alguma maneira, interpretar nesta perspectiva? Podemos dizer que o sofrimento não tem toda a mesma natureza, se assim podemos dizer. Os cristãos sofrem, como todos os outros, do sofrimento que é consequência do pecado, da desordem que o pecado criou e que afetou a criação, as criaturas, e que faz sofrer todos. Esse ponto é muito importante. O facto de seguirmos Jesus não significa que deixamos de ter problemas. Participamos da experiência de sofrimento de todos os humanos. Tanto sofre o pobre na sua choça como o rico no seu palácio, o culto e o ignorante. O sofrimento é certamente das coisas mais bem distribuídas na humanidade.

Mas o cristão tem, por acréscimo, um sofrimento que resulta do facto de ser cristão. Portanto, é algo que ele tem a mais que os outros não têm, que lhe advém de ser seguidor de Jesus Cristo e de cumprir no mundo um testemunho que Jesus lhe designou. Aliás, Jesus percaveu bem os seus discípulos quando lhes disse, sereis rejeitados por todos por causa do meu nome e se me perseguiram a mim, também vos perseguirão, portanto, a vós. Trata-se de um incontornável colisão entre Cristo e o mundo, entre o cristão e realmente este mundo, porque nós defendemos os valores do reino de Deus e o mundo está afastado de Deus.

Ou seja, Cristo até podia ter escondido, digamos, esta parte menos positiva ou mais difícil de viver, mas ele foi muito. Claro... Foi muito realista e disse aos discípulos aquilo que os esperava, não é? Três aflições no mundo, três aflições. Tendo bom ânimo, mas este vai ser o vosso lote. Portanto, vocês vão passar por dificuldades. Existe uma incompatibilidade. O mundo está no maligno, diz o apóstolo João, na sua primeira epístola, e nós estamos em Deus. Logo, existe uma incompatibilidade entre estas duas realidades. A realidade de Deus e a realidade do mundo. Podemos dizer que era incontornável. Muitas vezes as pessoas dizem porquê Jesus teve que sofrer. Era incontornável que ao vir a este mundo Jesus enfrentasse rejeição, escárnio, perseguição e morte.

Porquê? Porque Cristo incomodava. no mundo aliado de Deus, completamente alienado, a presença de Deus, dos valores de Deus e dos propósitos de Deus vão incomodar. E claro que os cristãos que vivem e defendem e anunciam, portanto, esses valores, também incomodam. E de tal maneira isto é uma condição do ser cristão, que Jesus até disse, quando toda a gente estiver de acordo convosco. Ou seja, ai de vocês quando todos disserem bem de vós. Quer dizer que não estão cumprindo o vosso papel de realmente confrontar este mundo com a realidade de Deus. Logo, este sofrimento que os cristãos têm em cumprimento da sua missão é, de alguma maneira, uma participação nos sofrimentos de Cristo.

Não que os sofrimentos do cristão sejam redentores, não são de maneira nenhuma redentores, mas contribuem para a redenção na medida em que Deus salva. o mundo através de Cristo, do Evangelho de Cristo, mas esse Evangelho é enunciado e é demonstrado pelos cristãos. Logo, o cristão tem uma parte ativa nesta pregação do Evangelho e nesta confrontação, nesta luta entre o bem e o mal, e nesta luta entre Deus e o inimigo. Então, esta perspectiva, como tu dizes, muda completamente a maneira que o cristão tem de ver o sofrimento, ou pelo menos devia mudar. Porque é um mal que o mundo lhe inflige e devemos reafirmar sempre isto.

O sofrimento não vem de Deus, nem sequer este sofrimento que é dado por acréscimo aos cristãos por serem cristãos. O sofrimento não vem de Deus. Mas Deus tem uma capacidade única de transformar o mal em bem. Então, este sofrimento que nos é infeliz, que é um mal, e não devemos negar a dor, nem ignorá-la, nem, portanto, subestimá-la, ela existe, e o sofrimento é real, mas nas mãos de Deus ele pode realmente tornar-se um bem, porque pode É um instrumento nas mãos de Deus para atingir as pessoas, para tocar corações, para chegar junto dos seres humanos e atraí-los para a salvação. Por isso Paulo chega a dizer qualquer coisa que nos espanta.

Paulo chega a alegrar-se. nas aflições e no sofrimento. Ele diz, pelo que eu sinto prazer, nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. O que significa que nós, seres humanos, isso é extremamente difícil de nós podermos viver, esse estado, não é? É realmente faz parte de um crescimento espiritual e de uma capacidade de se distanciar da situação difícil para ver um pouco mais alargado um plano maior que Deus está realmente, portanto, a usar. Logo, ainda que proporcionados por Satanás, este sofrimento contribui para Deus usar nas mãos de Deus que é um instrumento de salvação.

O cristão tem que pensar isto. Estamos no terreno do inimigo. Procuramos tirar-lhe a sua presa. Isto não se pode fazer sem luta, nem sofrimento, nem dor e, por vezes, sem morte. Só como tu dizes, será que nós somos capazes de ver assim quando estamos a sofrer a dor, quer seja física, quer seja psicológica, quando estamos a braço com a dor, o nosso campo de visão concentra-se na dor. Então temos dificuldade em ver isto, mas podemos ter a certeza que Jesus disse que está connosco. momento, não é? Quando estamos lá no olho do furacão. Temos de lembrar que Jesus já passou por lá, pelo olho do furacão, antes de nós e que realmente podemos contar com a sua ajuda sempre.

Esta experiência das prisões de Paulo, não é? Faz-me lembrar quando eu era criança e eu fui visitar Roma com os meus pais. Então eu tive o privilégio de visitar aquela que supostamente é a prisão onde Paulo esteve e onde talvez tenha escrito a carta dos filipenses. E aquilo foi uma cena que me marcou profundamente. como é que alguém estava naquela prisão, que eu não sei se quem já teve o privilégio de lá estar. É um sítio sombrio, úmido, difícil de imaginar alguém estar ali. E é difícil de imaginar alguém estar ali com o propósito do apóstolo Paulo. Porque, reparem, ele escreveu a Carta das Filipensas, muito provavelmente ali. E a Carta das Filipensas tem uma característica incrível, que é um livro pequeno, uma carta pequena, mas por 16 vezes diz, alegrai-vos.

Ou seja, o foco de Paulo lá naquela prisão não era a condição onde ele estava, mas era sim estar feliz no Senhor e estar a dizer aos outros para serem felizes no Senhor. Isto para mim foi uma lição incrível. Como é que alguém ali naquela prisão tem o foco não na circunstância em que está a viver, mas está num foco em Cristo e no foco de realmente tentar ajudar os outros. É uma lição grande para mim, não é? Depois há aqui uma dimensão que também não podemos esquecer. Quando tratamos do sofrimento e destas provações no contexto de Paulo, que é um pouco a razão pela qual nós até começámos a ler Efésios e estamos a estudar Filipenses no Oculocenso, que é esta lógica de que Paulo apresenta-se como um discípulo.

Está preso por Cristo e não apenas preso. É porque há uma dimensão aqui muito importante que é que... A questão universal do sofrimento pode ser tratada desta perspectiva mais universal, ou mais antropológica, ou existencial. Como estávamos aqui, a Rotelina estava aqui a comentar connosco, como é que o cristão pode entender... Mas há uma dimensão específica em Paulo que é a dimensão do sofrimento como parte da fidelidade a Deus. Portanto, ele não está a sofrer apenas naquele sentido humano de que todos sofremos e passamos por problemas, ele está a sofrer porque decidiu ser fiel a Deus num tempo em que ser cristão tinha este significado.

Nós hoje, para a maioria de nós, dos que estão a ver este programa, porque há muitos lugares no mundo onde cristãos ainda são perseguidos, É um detalhe que às vezes nos escapa porque está fora do nosso radar. Mas nós, aqui em Portugal ou em países onde as pessoas deverão estar a ver-nos, nós gozamos, desfrutamos de uma liberdade religiosa que nos torna quase impossível compreender o que é ser cristão e sofrer por ser cristão. Porque aqui será mais o contrário. Ser cristão é a norma. A cultura é cristã. Mas num lugar em que isso não acontecia, o sofrimento representa o ato de decidir ser fiel a Deus apesar das consequências. O que quer dizer que se calhar para nós até não é tanto no campo do sofrimento, mas por exemplo há outras pressões. que alguém que queira manter-se fiel a Deus, à sua palavra, a um conjunto de valores, pode, por exemplo, sofrer pressões, que não são propriamente no campo do sofrimento físico, mas são perdas, são oportunidades que se escapam, amizades ou relacionamentos que podem não conseguir fortificar.

Então, há outras formas de nós vivermos esta mesma experiência. É nesse sentido que o Paulo é admirável, até para os outros cristãos, porque nós podíamos dizer, olha, está aqui um exemplo, quer dizer, ele quer ser o apóstolo para os gentios, mas é um exemplo de quê? Se está ali numa luta. Ele é um exemplo de uma pessoa que é fiel a Deus. É nesse sentido que o sofrimento de Paulo é inspirador para nós. E é o exemplo também de como podemos encontrar a tal alegria que falava o Rubem, mesmo nestas dificuldades. É o exemplo de alguém que esteve sempre conectado com o seu Senhor. E é essa conexão que realmente lhe permite encontrar alegria, até mesmo nas perseguições. Sem dúvida. Paulo, de alguma maneira, interpretava o sofrimento como parte da sua missão nesta terra. Ele não colocou o sofrimento de parte.

mas integrou. Isto leva-nos de alguma forma a refletir a forma como é que nós podemos ver,

Direção divina e portas

como é que a missão é orientada, se quisermos. E para isso eu gostava que nós pudéssemos olhar para o papel do Espírito Santo, porque lá está, a presença de Deus e o poder de Deus tem que estar aqui na condução do rumo da Igreja. Para isso, Vamos ainda abrir, não em Filipenses nem em Colossenses, mas vamos a Atos. Porque em Atos, capítulo 16, tem aqui uma expressão muito interessante, dois versículos, o 9 e o 10, que diz que Ipaulo teve de noite uma visão em que se apresentava um varão da Macedónia e lhe rugava dizendo, passa à Macedónia e ajuda-nos. Logo depois desta visão, procuramos partir para Macedónia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o Evangelho.

Nós podemos ver que, nesta passagem, Paulo muda os seus planos missionários porque, de alguma maneira, sente que o Espírito Santo o vai redirecionar, se quisermos, para ele ir antes à Macedónia e depois, eventualmente, seguir o caminho que estava previsto. Rubem, nós podemos dizer que quando uma porta se fecha, quando um ideal que nós temos é mudado, é alterado, isto torna-se uma frustração humana ou podemos dizer que por trás está uma direção divina. E já agora, na tua observação e no teu desenvolvimento, como é que essa sensibilidade pode, de alguma forma, impactar a nossa missão enquanto crentes? É claro que isso vai depender muito do nosso relacionamento com Deus.

E nós aprendemos muito aqui com o exemplo de Paulo, porque Paulo era um homem que tinha os seus desejos, os seus anseios, que tinha os seus planos, não é? Mas, acima de tudo, era um homem que compreendia que o mais importante era fazer a vontade de Deus e não os seus desejos ou as suas vontades. E era isso que ele procurava fazer na vida. E é por isso que, mesmo na altura dos sofrimentos, o sofrimento fazia sentido para ele. Porquê? Porque ele tinha a certeza que estava lá, como há bocado estávamos a falar na prisão, porque Deus assim o permitiu. Então, para ele estava tudo bem. E é isto que, muitas vezes, nós temos dificuldade em compreender é que a nossa vontade, quando nós fazemos a nossa vontade, muitas vezes estamos a ir contra a vontade de Deus.

E este exemplo é um exemplo muito claro. E eles estavam a ir numa direção e Deus disse, não, não é nessa direção que eu quero que vocês vão. Quero que vão noutra direção. E a questão do abrir e fechar portas muitas vezes é a maneira que Deus tem de comunicar a sua vontade ao ser humano. É um aspecto muito importante. Eu lembro-me de um exemplo bíblico que eu acho que é, para mim, o exemplo mais claro de Deus a abrir as portas. Não é aqui no Novo Testamento, é no Velho Testamento, no livro de Neemias. É lá em Neemias, capítulo 2, e eu aprendi muito acerca deste tema. É um versículo que eu costumo dar como exemplo da providência de Deus. É isso que estamos aqui a falar, da providência de Deus, do abrir as portas. E eu acho muito interessante lá em Nemeas, capítulo 2, que ele apresenta-se perante o rei, o rei Artaxexas, e faz algo que era inusitado, ou seja, ele apresenta-se perante o rei triste.

O que, quando o rei repara que ele está triste, lá no versículo 2, ele diz-te-me sobre maneira. Ou seja, ele ficou com medo. Porquê? Porque era suficiente para ele, eventualmente, poder até perder a vida. Mas o que é certo é que quando o rei lhe pergunta, ou na mesa, então, o que é que se passa? O que é que se passa contigo? Aqui no versículo 3 e no versículo 4 temos aqui a história. E o que é que acontece? Neste diálogo, antes do Nemías responder ao rei, diz o texto que ele fez uma oração. Ora, ele não parou o rei, não foi ao quarto dele fazer uma oração. Na sua mente ele estava a tentar estar conectado com Deus e pedir-lhe o que é que eu faço agora perante uma situação destas. O que é certo é que ele falou ao rei, disse qual era a mágoa que estava no seu coração, que era a sua cidade de Jerusalém.

Estava em ruínas, estava em cinzas e ele tinha o desejo no seu coração de ir lá reconstruir aquela cidade. E Artaxés fez algo de incrível. é que ele não só deixou Namiaz ir, mas como providenciou que Namiaz levasse pessoas com ele, levasse o material de construção, providenciou tudo para que a missão dele fosse cumprida. Ou seja, isto é, aos olhos humanos, isto seria impossível. Um rei providenciar que um povo dito inimigo fosse reconstruir a sua cidade fortificada não fazia sentido nenhum. O que é certo é que nós notámos claramente que era vontade de Deus que aquilo fosse feito. Então o que é que Deus fez? Abriu as portas.

Mesmo que para nós pareça impossível que as portas sejam abertas, e quando nós temos um desejo de fazer algo, mesmo para Deus neste sentido, nós muitas vezes vemos a resposta de Deus pelas portas que se abram ou pelas portas que se fecham. E eu lembro perfeitamente, só para terminar este pensamento, Há uns anos atrás, um casal veio comigo e queria fazer um determinado negócio, mas tinha dúvidas se devia fazer ou não. E eu... O que é que eu ia responder, não é? Respondi, olha... Orem ao Senhor e com certeza Ele vos orientará se será o melhor negócio ou não. E eles fizeram isso. Passaram alguns meses em oração, em jejum, e eventualmente, mais tarde, fiquei a saber que eles fizeram esse negócio, que foi um negócio ruinoso.

É estranho, não é? Depois de tanta oração, um negócio rionoso. Mas mais tarde, em conversa, eles estavam a dizer, sabe, nós agora olhámos para trás e nós vimos que Deus fechou as portas todas para nós não fazermos aquele negócio. E ele tentou impedir de todas as maneiras. E nós, de facto, estávamos a pedir a Deus, mas o que nós realmente queríamos é que Deus abençoasse aquilo que nós queríamos fazer. A nossa porta. Arrombamos as portas. Então Deus... E contaram-me todos os pormenores do que aconteceu e de facto Deus fez tudo. Tudo para impedir que elas fizessem aquele negócio. Mas a vontade era tão grande que a porta foi arrombada, não é? E muitas vezes nós não temos esta sensibilidade, como Paulo tinha, de perceber que Deus quer-nos orientar. E a providência de Deus é uma maneira que Deus muitas vezes usa para orientar o seu povo.

E o melhor, como no exemplo de Paulo, é deixarmos realmente que seja o senhor a dirigir. Sem dúvida. E o exemplo de Paulo é extraordinário, a forma como ele se entregou completamente à missão, não olhando a meios nem a circunstâncias, mas avançou.

O papel dos membros

E há uma coisa muito interessante que nós podemos dizer aqui, e abrindo aqui um pouquinho a nossa conversa também, para podermos perceber como é que o Evangelho deveria ser levado aos outros. Nós podemos pensar que em muitos momentos da história o Evangelho foi levado pelos apóstolos no passado ou então no presente os líderes da igreja é que têm essa função, essa responsabilidade. O que é certo é que Paulo vai abrir aqui o leque, vai abrir aqui o nosso panorama para percebermos como é que os cristãos tiveram um papel tão interessante e tão importante também no avanço do Evangelho. E para isso eu gostava, agora sim, de irmos a Colossenses. Vamos a Colossenses. No capítulo 1, nós vamos encontrar aqui nos versículos 7 e 8. Se estiver aberta a sua Bíblia, então vá até Colossenses.

Colossenses é um livro não muito grande, mas de alguma forma é rápido e fácil de encontrar. Quase mais no fim da Bíblia, vamos dizer assim. Colossenses capítulo 1, versículos 7 e 8, nós lemos isto. Como aprendeste de Epáfras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, o qual nos declarou também o vosso amor no Espírito?" Então nós podemos ver aqui que Paulo e a própria Bíblia mostra que a igreja, por exemplo, de Colossos, nasceu através de um ministério de um homem, se quisermos, deste senhor chamado, ou deste irmão chamado Epáfras. Era membro da igreja. Não era um apóstolo. Não temos nenhum registro que ele possa ter tirado alguma característica ou tivesse alguma característica de apóstolo.

Pedro, o que isto nos ensina sobre o papel dos membros, sobretudo aqueles que não são pastores, não são missionários, que não estão naquela expansão do evangelho tão visível? Porquê que eu pergunto isto? É porque muitos cristãos, de alguma forma, pensam que a missão é uma tarefa exclusiva dos líderes e dos pastores que estão à frente das iras, ou até mesmo dos missionários que percorrem o mundo. Será que esta ideia é assim tão acertada na perspectiva que Paulo nos dá aqui? Verdade, Jorge. Na verdade, ao introduzirmos aqui a carta aos Colossenses e percebermos o papel que Epáfras teve e que Paulo saúda, Estamos ainda no início desta carta, mas isto já nos leva para um dos temas teologicamente mais relevantes.

É um tema que eu tenho particular interesse, por acaso há muito tempo, por isso é um tema que eu gosto de poder responder e falar sobre este tema. É um tema que se encontra nas cartas de Paulo muito bem explorado. E que nós temos alguma dificuldade como cristãos, historicamente, em entender, porque a história do cristianismo, se quisermos, organizado da igreja tradicional cristã, introduziu uma das, não é apenas, eu diria, uma das maiores heresias, mas estou a utilizar este adjetivo não tanto para catalogar aqui o erro, mas mais para dizer que foi uma coisa que trouxe consequências danosas para a nossa visão do cristianismo, que é a diferença entre clero e não clero, os leigos.

O conceito de uma classe dentro do cristianismo, que é uma classe profissional, designada como clero, que depois, mais do que profissional, tem um conjunto de autoridades e um conjunto de características que lhe são atribuídas, que no fundo diferencia como uma classe dentro do cristianismo, E, portanto, podíamos dizer que é como se a igreja cristã estivesse dividida de forma simplista em dois grupos. Ora, esta visão que, se quisermos, foi uma tentativa de manter dentro do cristianismo um conceito que não é totalmente estranho à Bíblia, que é um conceito do Antigo Testamento, que é um conceito sacerdotal.

Porque no Antigo Testamento nós temos uma classe sacerdotal. E a classe sacerdotal tem, na verdade, um conjunto de características e de critérios para se fazer parte dela, dessa classe, mas também um conjunto de capacidades de intervenção que, de facto, dividiam o povo entre uma classe espiritualmente liderante, a classe sacerdotal, e uma classe a que nós diríamos o povo. Porquê que isto cria uma confusão tremenda? Porque a razão pela qual essa classe ou esta forma de organizar o povo existia, não vamos agora aprofundar porquê que ela existia, mas foi Deus que instruiu e instituiu essa forma de organização coletiva de um povo.

Os cristãos pensam muitas vezes por isso. E estou a falar também dos cristãos modernos, que podemos ser nós aqui a esta mesa ou quem está em casa connosco. Como foi algo ou uma realidade que existiu biblicamente e que Deus instituiu, isso dá-nos um certo conforto de que, em princípio, não deve haver problema nenhum. em existirem classes dentro do universo do povo de Deus. Por isso é que é uma heresia, na verdade, que escapa um pouco à atenção do nosso radar, até para as suas consequências, porque, bem, isto já foi assim lá no povo de Israel, não deve haver problema nenhum em ser assim. Isto já sou eu a interpretar como é que nós podemos fazer um mecanismo de justificação. A grande questão é que o cristianismo retirou de cima da sua estrutura, porque Cristo assim o fez e os apóstolos assim instruíram essa dimensão.

Por isso é que é muito importante compreender que a igreja cristã não está organizada debaixo de uma estrutura sacerdotal. Quase não devia, não é? Isso, estamos a dizer do ponto de vista bíblico, do ponto de vista teológico. Depois, as igrejas cristãs O cristianismo organizado é que esse sim está de diversas formas, e sejamos aqui totalmente transparentes nesta mesa. Diferentes confissões religiosas, se quisermos até entre os grandes movimentos, se quisermos dividir o cristianismo em um cristianismo católico-romano e o protestante, todo ele tem ramificações, claro, o protestantismo mais ramificações, mas não quer dizer, na verdade, esse problema ele permeia o cristianismo.

É claro que no cristianismo tradicional aí é assumida a existência de uma classe sacerdotal. Por isso é que essa heresia, que temos que a chamar desta forma, porque não estamos a atacar pessoas, é uma heresia do ponto de vista da teologia bíblica. E cristã, na tradição clássica cristã, ela é assumida. Tanto é assumida que há uma classe de pessoas a quem os cristãos chamam sacerdotes. Ou seja, essa classe de pessoas está colocada numa posição, que é essa que é a posição sacerdotal, que é uma posição intercessória. Por definição bíblica, o sacerdote está numa posição de intercessão. Por isso é que para muitos cristãos tradicionais, o que é que acontece? Olham para a sua classe sacerdotal e, portanto, podem, por exemplo, confessar-lhe os pecados.

ou receber dessa classe instruções sobre o que é que devem fazer para que o seu pecado seja espiado. E outros exemplos, a capacidade de ministrar sacramentos, por exemplo, em que só aquela pessoa é que pode porque é só ela que tem. A santidade representativa para poder fazer certas coisas que os outros não podem fazer porque são povo e, portanto, diante de Deus, não estão nesse estatuto. Portanto, existem níveis que distinguem os grandes. Agora, talvez seja para a maioria das pessoas que nos estão a ver, podem dizer, ah, interessante, pois olha, eu até, como não me identifico como católico, por exemplo, estou fora dessa questão. O problema, precisamente, é que mesmo se não existe uma classe dita sacerdotal, na maior parte das igrejas, por exemplo, de cariz protestante, evangélico, existe um ministério profissional.

E o Ministério Profissional corre o risco de ser confundido com uma classe de natureza vamos dizer, estiológica ou sacerdotal. Porque o que é que identificamos como ministério profissional? Uma pessoa que vive exclusivamente do seu ministério. Quer dizer que ela pode ser paga ou lhe são dadas condições de vida para que uma pessoa se dedique exclusivamente e consiga sobreviver através de um ministério. Em Portugal, a lei da liberdade religiosa classifica estas pessoas como ministros do culto, que é um termo que, por causa dessa questão de lei, se tornou até um termo, historicamente utilizava-se muito o termo ministro do evangelho, que é uma ideia de que alguém está ao serviço do evangelho e se lhe dedica exclusivamente.

O que nós não podemos confundir é a natureza exclusiva ou até profissional de um ministério com a sua dimensão teológica. Não pode haver confusão entre estas duas coisas. O que é que isto quer dizer? Que a Bíblia diz que... o Novo Testamento diz que a Igreja é constituída por um sacerdócio que é universal. Ou seja, todos fazem parte do sacerdócio. O sacerdócio não é uma classe, o sacerdócio é uma ação, é um ministério. Por isso, quando o apóstolo Pedro falava sobre que existe um edifício espiritual e que todos somos tijolos dentro desse edifício, a isso é que ele vai chamar o sacerdócio, que é uma das melhores maneiras de explicar que todos fazem parte desse processo, mesmo que uns sejam profissionais e outros não.

E eu termino dizendo que nunca podemos esquecer que a natureza essencial da teologia da Igreja no Novo Testamento, e o apóstolo Paulo também vai explorar aqui, obviamente, nestas cartas, é que os dons e a vocação são a base na qual se constrói a Igreja de Cristo. Por isso Deus a uns deu o apostolado, a outros a obra missionária, a outros ensinar, a outros pastorear, mas Deus deu. No entanto, Pedro, não devemos esquecer a exortação que o apóstolo Paulo faz de se ter a indiferença. e em particular estima aqueles que desempenham funções de liderança. E daqui a um pouco já vou falar sobre isso.

A minha segunda pergunta é sobre isso. Desculpem, é muito interessante o que o Pedro está a dizer porque isso foi uma das grandes redescobertas da reforma protestante. Foi o sacerdócio universal, não é? Porque eles vinham de uma mentalidade totalmente diferente e eles próprios, muitos reformadores faziam parte dessa hierarquia E eles na Bíblia descobriram exatamente o que o Pedro está a dizer. Descobriram que o sacerdócio é universal para todos os crentes. Isto é uma visão totalmente diferente. A nossa conversa aqui está ótima e nós não vamos sair daqui porque há muito para

Sofrimento e testemunho

dizer, mas temos mesmo que ir para intervalo. É um intervalo muito curto, não saia do seu lugar. Nós voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal do sábado. O canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do Bíblia Aberta de hoje. Como sabe, nós iniciamos aqui uma nova temporada com o estudo de dois livros muito importantes. É o livro de Colossenses e também de Filipenses. Duas cartas que Paulo deixou. Elas não são muito grandes a nível de conteúdo, mas elas são profundas e nós precisamos de as estudar para encontrarmos nelas aquilo que é a grande verdade. Como é que Jesus une o céu à terra? Antes de avançarmos a nossa conversa, porque ficámos aqui numa situação muito interessante, estávamos todos aqui a tentar debitar o nosso conhecimento sobre a perspetiva da liderança da Igreja e da forma como devemos levar o Evangelho.

Antes disso, tenho para lhe oferecer um guia de estudo que tem por título O Céu ou o Inferno. Este guia de estudo tem vários temas de grande importância e que poderão ser muito úteis ao seu estudo da Bíblia. Aqui você poderá retirar ideias, contextos, poderá encontrar passagens bíblicas de acordo com as temáticas e poderá refletir claramente naquilo que Jesus espera de cada um de nós. Portanto, se quiser este guia de estudo O Céu ou o Inferno, céu ou inferno, assim é que é, poderá então solicitar a partir do número de telefone 933-939291, 933-939291, enviar uma mensagem pelo WhatsApp e rapidamente alguém responderá o seu pedido e enviaremos com muito gosto este guia de estudo para si.

Vamos retomar a nossa conversa. Nós estávamos aqui numa situação muito interessante. Nós já podemos ver que o Evangelho é, no fundo, algo que todos nós podemos partilhar, desde a liderança ao simples membro de igreja. Mas é verdade também, e vou voltar outra vez aqui à ideia do sofrimento, porque Paulo viveu tudo isto na sua vida. mas ele conseguiu fazer uma coisa, ele conseguiu transformar, ou se quisermos, ele via a perspectiva de transformar o sofrimento em testemunho. Então eu gostava de ler convosco, e agora sim, vamos abrir a Bíblia em Filipenses, vamos mesmo estar no livro, ou na epístola que está sugerida para esta série, vamos a Filipenses capítulo 1, para lermos o versículo 12 a 14.

Filipenses capítulo 1, versículos 12 a 14. Então diz assim, e quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do Evangelho. de maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares. E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo nas minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor." Esta passagem é extraordinária, não é? A forma como Paulo vai introduzir aqui os seus sofrimentos, não como um problema, mas como uma alternativa, como um recurso, uma oportunidade. Hortelinda, esta ideia que Paulo nos dá aqui, ela é sem dúvida muito interessante, porque ela mostra-nos como é que o nosso pensamento pode ser desenvolvido para nós podermos ver o testemunho cristão.

Mas a pergunta que eu te quero colocar é esta. Será que este testemunho pode ser ainda mais poderoso justamente nos momentos de vulnerabilidade ou nos momentos de crise. Voltamos outra vez um pouco a essa temática do sofrimento. Penso que foi Blesse Pascal que disse que eu só acredito em testemunhos cujas testemunhas se deixem degolar por eles. É porque, quando tu dás a tua liberdade, e até podes vir a dar a tua vida, como aconteceu, portanto, com o apóstolo Paulo, enveredas por um caminho de privação e de dificuldades, isso prova a força e a seriedade das tuas convicções, não é a autenticidade daquilo em que tu crês.

Os heróis e os covardes não são feitos do mesmo estofo, não é? Portanto, isso prova que o que tu pregas, o que tu anuncias, é algo em que tu acreditas tão a fundo que és capaz de dar a vida por eles. Portanto, é no sofrimento que o testemunho cristão, podemos dizer, atinge a sua verdadeira medida. E é no sofrimento que Deus pode usar melhor esse testemunho cristão. Foi através de um testemunho de sofrimento que os cristãos primitivos Não é verdade derrotar o paganismo, não é? Foi através dos mártires nas arenas de Roma que os cristãos fizeram com que o Império Romano se ajoelhasse diante de Cristo. E foi a vitória total, se assim.

Pudermos dizer, do cristianismo. Nós aqui vemos um Paulo não tão preocupado com os detalhes do seu sofrimento, mas a usar o sofrimento e mostrar. Que pode haver através desse sofrimento. O que Deus pode fazer através desse sofrimento... Não esqueçamos a célebre frase de Tertuliano que dizia que o sangue dos cristãos é semente. Quanto mais cristãos matas, mais cristãos aparecem. É realmente nesse calor do sofrimento em que te dás inteiramente Portanto, pelo Evangelho e por Cristo que Deus pode usar esse fervor, essa força para atrair outras pessoas a ele. Voltamos a dizer, Deus não é pelo sofrimento, não é Deus que dá o sofrimento, mas Deus usa o sofrimento para alcançar pessoas que possivelmente de outra maneira não seriam alcançadas.

E neste texto muito bonito que tu leste, Aí vemos duas coisas. O apóstolo fala de duas coisas que aconteceram com os seus sofrimentos. Em primeiro lugar, impactaram os descrentes, os ignorantes. Levaram-lhes a luz e a salvação. Paulo refere à guarda pretoriana, à casa de César. que possivelmente teria ouvido o Evangelho muito mais tarde se não fossem os sofrimentos de Paulo, se Paulo não tivesse estado lá preso. Portanto, Deus conseguiu atingir estas pessoas através do sofrimento de Paulo. E o segundo acontecimento é realmente a coragem, a firmeza de fé reveladas por Paulo que vão ajudar os outros cristãos a se posicionarem, a se tornarem mais fervorosos também, mais disponíveis até mesmo para sofrerem, e tornarem-se mais ousados.

Então podemos dizer que o sofrimento marca o triunfo do amor de Deus, que consegue tirar realmente um bem do mal, não é? E eu penso muitas vezes que isso deve ser a coisa que mais enerva Satanás e aqueles que fazem parte dele. que tudo o que eles fazem para mal, finalmente Deus consegue tirar-lhe um bem de frustração, portanto, para o mal. Mas é esse o destino do mal, é ficar frustrado pela vitória do bem. E o maior exemplo foi o próprio Jesus, não é? Exatamente. Como morreu na cruz. Portanto, realmente Jesus vence morrendo o que realmente vai dar a Satanás e ao seu reino realmente a sua machadada final.

Portanto, eu penso que é muito importante para nós cristãos hoje pensarmos nestes testemunhos. Nós que estamos habituados ao conforto, ao comodismo, somos por vezes cristãos que, enfim, acomodados. E privamos o mundo de um testemunho que o mundo necessita. O mundo necessita de cristãos envolvidos que estejam prontos a pagar o preço pela sua fé, porque é assim que Deus torna convicto no coração dos que ouvem. que realmente o Evangelho tem poder. É o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. É muito interessante ver que, Paulo, o objetivo dele com estes testemunhos era que o Evangelho chegasse ao maior número de pessoas, às cidades, para que todos pudessem ver que a mensagem de Jesus, quando ela nos confronta perante as

Transformação social do evangelho

dificuldades que temos, seja a nível social, seja a nível cultural, seja até mesmo nível pessoal, o Evangelho Eterno é, sem dúvida, aquilo que mais necessitamos e aquilo que vai fazer a diferença na nossa vida. Eu gostava agora, se vocês concordarem comigo e sobretudo o Ruben, porque vou lhe lançar aqui um desafio, eu gostava que nós pudéssemos ver aqui um outro exemplo muito concreto. sobre esta questão do Evangelho. A perspectiva de Paulo na questão do sofrimento, mas agora a perspectiva do Evangelho também com as estruturas sociais. E eu gostava que nós pudéssemos ir a Filemon. Filemon é um livro muito pequenino que você encontra logo a seguir a Hebreus. Se encontrar a Hebreus, está lá, vai ver Filemon.

livro que só tem um capítulo, portanto é muito... às vezes é difícil de nós lá chegarmos, mas não é assim tão difícil. Vamos ler dois versículos, o versículo 15 e o versículo 16 deste único capítulo de Filemont, que diz, porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo para que o retivesse para sempre. não já como servo, antes mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor. Eu diria que há coisas difíceis de serem derrubadas. E ao longo da nossa vida, de certeza absoluta, que nós os quatro que estamos aqui, já tivemos muita dificuldade de derrubar momentos e obstáculos.

E nesta passagem nós vemos que Paulo não consegue derrubar uma coisa, que é a escravidão, através do lançamento, por exemplo, de uma lei, de um decreto, não é? Mas ele vai conseguir fazer uma coisa, ou vai conseguir algo por meio de Deus, que é transformar aquela relação que existia entre Filemon e Onésimo, porque no fundo o livro de Filemon fala muito desta relação, numa relação muito mais próxima. Ou seja, havia um distanciamento e agora vemos Paulo a lutar por esta proximidade. Ele chama-os, inclusive, de irmãos. Ruben, a pergunta que eu tenho é esta. A estratégia do Evangelho pode permitir ou também permite, se quisermos, transformar injustiças sociais?

É muito interessante esta carta do Philemon. Nós vemos aqui a exortação de Paulo não para a revolta social, mas para a transformação dos corações. Isto é muito interessante. Qual é o contexto desta carta? Philemon era um cristão com algumas posses financeiras, lá em Colosso. E ele tinha uma igreja na sua casa, como diz aqui o versículo, penso que era o versículo 2, tem uma igreja em sua casa. Portanto, era um cristão respeitado e influente naquela região. Mas como era a prática daquela sociedade, e para nós isto é um pouco difícil de compreender como era a prática daquela sociedade, havia senhoras e escravos. Ok? É claro que para nós que vivemos numa sociedade totalmente diferente, isto não faz sentido nenhum, um cristão, não é? Ter um escravo.

Mas nós temos que entender que as pessoas nasciam numa sociedade que era diferente da nossa. E talvez... É claro que eu não estou a justificar a escravidão. Não é isso que eu estou a dizer. Mas na mente deles seria quase como nós terem um patrão e um funcionário. Seria algo assim. É claro que isto não justifica haver a escravatura. Mas o que é certo é que as pessoas, para eles aquilo era perfeitamente normal. Mas o Paulo tem aqui algo de incrível. É que Onésimo é um escravo que fugiu, isso era um crime. Provavelmente quando ele fugiu levou alguma coisa consigo que não era dele. Porque no versículo 18 o que é que o Paulo diz? Se te causou algum prejuízo ou te deve alguma coisa, lança-o na minha conta.

Temos duas coisas incríveis aqui. Primeiro, provavelmente o Onésimo levou alguma coisa que não devia, mas nesse processo de o Onésimo ter fugido, ele encontrou Paulo. E o encontro com Paulo não foi simplesmente conhecer a Paulo, mas foi conhecer a Cristo. E o Onésimo é agora um homem transformado, é um cristão transformado. E Paulo confia tanto nesta transformação de Onésimo que coloca-se quase como um intercessor dele, não é? A dizer, se ele fez alguma coisa, eu assumo a responsabilidade. Então o Paulo tem uma ideia. Bom, vou escrever aqui ao Philemon e vou-lhe lançar um desafio. E ele, repara, ele não lança um desafio de revolução, não lançou um desafio de que agora vais lá e vais fazer à força.

Não, ele lançou um desafio ao coração de Philemon. Agora aceita o Onésimo, não como um escravo, mas como um irmão de fé. É incrível porque a lei estava do lado do filémeno, não é? Mas aqui Paulo está a exortar o Evangelho. Isto é incrível porque nós, hoje, como cristãos, devemos ver, ter esta perspectiva porque existem injustiças sociais hoje na nossa volta, não é? E muitas vezes vemos no noticiário pessoas a lutar contra as injustiças sociais. De que forma? Incendiando carros, partindo lojas. Não é esse o espírito do Evangelho. Não é isso que Paulo aqui nos está a ensinar. Paulo aqui apelou ao coração de Filamon. E é esta transformação de corações que o Evangelho nos exorta e este exemplo é um exemplo incrível.

Colocando-se, de alguma forma, no lugar até de onésimo e suportando eventuais consequências. Quer dizer que é a mudança de coração que mudará as coisas e não o contrário. É por isso que o Evangelho, tal como está apresentado na Bíblia, Ele é completamente... Os seus valores são totalmente fora de qualquer realidade que o mundo possa viver, porque o Evangelho e os seus valores são de natureza divina. Só que depois, quando nós vemos a realidade da aplicação desses valores, vemos que eles estão dentro da cultura. É por isso que a Bíblia não é um livro que está fora da cultura. Ela está completamente premiada das realidades culturais que se vivem, porque o ser humano não pode viver fora da cultura.

Por isso nós percebemos como há esta dicotomia muito interessante entre o potencial dos valores do Evangelho e a sua aplicação no mundo real. Aliás, isto da igualdade é uma ideia bíblica. O que é que Cristo disse? Reparem, em Gálatas 3.28, não há judeu nem... Desculpem, Cristo não. Paulo disse, não há judeu nem grego, não há escravo nem livro, não há homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo. E é isto que Paulo estava a tentar dizer aqui ao filómeno e está a tentar dizer a cada um de nós. Perante Deus nós somos todos iguais e merecemos ser tratados dessa maneira. Depois há a aplicação disto no mundo real, leva tempo, adapta-se às circunstâncias, que é a realidade em que vivemos.

Ou seja, ele não conseguiu fazer um lançamento de um decreto para eliminar este problema, mas conseguiu, por meio deste exemplo, mostrar-nos como é que Deus é capaz de resolver estas situações na nossa vida. Portanto, o exemplo de Paulo é, sem dúvida, uma excelente oportunidade que nós temos, se quisermos, para nós fazermos a diferença neste mundo. Porque, no fundo, a Bíblia também nos dá esta perspectiva, de nós fazermos a diferença neste mundo. Mas neste processo de transformação, O papel de uma comunidade bem organizada é

Identidade e estrutura da igreja

de extrema importância, é extremamente relevante. E Paulo vai inclusive dar esta tónica, vai falar da identidade da estrutura da igreja. Se não vejamos, se formos a Filipenses, Capítulo 1, versículos 1 e 2, nós vamos encontrar esta passagem. Filipenses, capítulo 1, versículos 1 e 2, diz Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, como os bispos e diáconos, graça a vós e paz da parte de Deus, nosso Pai e da do nosso Senhor Jesus Cristo. Exatamente. Ou seja, aos filipenses Paulo vai chamar os cristãos santos.

Ou seja, vai colocar-lhes aqui esta característica de cristãos santos e refere-se aos líderes como bispos ou, se quisermos, como diáconos. Bispos e diáconos. Pedro, no tempo que ainda nos resta, e já não nos falta muito tempo, como é que esta identidade de povo unido numa estrutura organizada pode contribuir, contribuiu no passado, como é que ela pode contribuir hoje para que nós façamos parte desta igreja, eu vou dizer, saudável, uma igreja organizada, uma igreja focada na missão? Será obrigatório nós dizermos que só teremos uma espiritualidade dentro desta estrutura de igreja se tivermos uma igreja organizada?

A segunda parte é um pouco mais exigente. Não sei se sou capaz de dizer que só se pode ter essa espiritualidade dentro de uma organização, mas o que podemos afirmar, tanto pela prática, pela experiência de séculos, como pela relação dos apóstolos, é que a organização entre o povo de Deus é essencial a dois níveis. É essencial para que a igreja, os crentes, a comunidade, cumpra a missão que lhe foi confiada, mas também para que os crentes sejam alimentados. Aquela dimensão pastoral das pessoas serem cuidadas e alimentadas, seja física ou espiritualmente, isso precisa de organização. Por isso, nós temos muitos exemplos na Palavra de Deus desta realidade.

Estamos a focar especialmente no Novo Testamento. É por isso que se há pouco, Eu falava sobre a importância de uma compreensão teológica adequada sobre essa não existência de classes dentro do cristianismo, classes do ponto de vista da nossa capacidade diante de Deus. Isso não retira de todo o facto de que o povo, enquanto coletivo, precisa de uma estrutura e uma organização para conseguir prosperar. O apóstolo Paulo mesmo, quando escreveu aos Coríntios, dizia que Deus não é um Deus de confusão, mas um Deus de paz, como em todas as igrejas dos santos. Quer dizer, a igreja de Deus precisa das duas coisas. Precisa de paz e precisa de ordem, que é o contrário da confusão.

Por isso, Deus criou instrumentos e instruiu os seus servos, os profetas, os apóstolos, a quem revelou coisas, precisamente instruções sobre como é que melhor esta organização pode funcionar. Nesse aspecto, um texto, também no apóstolo Paulo, que para mim serve como referência, eu considero talvez o texto fundamental para perceber essa estrutura, Efésios 4, 11 e 12, aconselho muito, e os nossos espectadores e ouvintes a estudá-lo, eu vou lê-lo aqui para pelo menos ele ficar expresso, que é isto. Ele mesmo, está a falar do pai, deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo.

E o que é interessante nisto é percebermos que esta lista nem sequer pretende ser uma lista completa, porque o oposto do Paulo até dá outras listas de outros dons ou ministérios que podem ser úteis. Esta lista tem esta característica interessante de ele colocar cinco áreas, quase são áreas de ministério, que são extremamente decisivas para que os três resultados possam acontecer. Que é o aperfeiçamento das pessoas, que é sermos cada vez mais perfeitos na nossa conduta, na nossa vida, para a obra do Ministério, que é para conseguirmos realizar uma obra que realmente produza fruto, e para a edificação do Corpo de Cristo, que é o coletivo, para que possamos estar organizados. Para que isto aconteça, o que é que nós precisamos? Dons. Porque isto são dons.

Por isso é que a palavra onde está pendurada, se posso dizer assim poeticamente, onde está pendurada esta estrutura é a palavra ele mesmo deu. Por isso eu repito uma ideia que há pouco expressei e com ela termino. Que a igreja cristã vive sob o pilar dos dons. É Deus que dá, não somos nós que damos. Não sou eu que me escolho como apóstolo, como evangelista, como profeta ou como pastor. Deus dá e a igreja cria uma estrutura para que seja possível manifestar esse dom. Eu gostava de ter mais tempo para esta conversa, mas já não conseguimos. Esta semana já não conseguimos mais. Fica aqui o meu muito obrigado a vocês por estarem comigo. Para a semana voltamos. Convido-vos a estarem comigo na próxima semana.

Antes de nos irmos embora eu quero voltar a referir que temos este guia de estudo, céu ou inferno. É um guia de estudo onde você poderá encontrar várias temáticas e eu vou escolher uma aqui que me parece bastante interessante entre muitas outras. Entrar no céu é de graça? Já pensou nisto? Então, se quiser saber se entrar no Céu é de graça ou não, peça agora o Guia de Estudo da Bíblia Céu ou Inferno para o número telefone que aparece no seu ecrã 933 939 291 e nós teremos muito gosto em dar-lhe este Guia de Estudo. Fechamos este primeiro episódio, digamos assim, desta nova série com a certeza de que o tempo que aqui tivemos foi muito bom para podermos abrir a Bíblia e podermos desfrutar daquilo que o Senhor Deus tem para nós.

Não pudemos dizer tudo, para a semana continuaremos, por isso fica marcado a encontro consigo daqui a oito dias e para a semana não pode perder, porque iremos ver Digamos que a relação entre graça e oração que estão intrinsecamente ligadas. Fica o encontro marcado para a próxima semana. Até lá, que Deus o possa abençoar.

Sobre este episódio

Bem-vindos a uma nova temporada do Bíblia Aberta! 📖 Neste episódio, iniciamos um estudo profundo sobre as cartas de Paulo aos Filipenses e Colossenses. Com Jorge Duarte e os seus convidados, exploramos como Cristo une o Céu à Terra e como a perspetiva cristã transforma o sofrimento em testemunho. Descubra a importância da missão guiada pelo Espírito Santo e o papel de cada crente na edificação do corpo de Cristo. Uma conversa essencial para a sua caminhada espiritual! ✨

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 1
Estreou
28 de Dezembro de 2025
Categoria
Espiritualidade