Unidade Mediante a Humildade

Unidade Mediante a Humildade

18 de Janeiro de 202657 min 13 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura

Seja bem-vindo a mais um episódio, a mais um programa do Programa Bíblia Aberta aqui na TV Novo Tempo Portugal e também na Rádio RCS e também no canal do YouTube da TV Novo Tempo. Estamos muito gratos por sintonizar esta que é a TV que lhe proporciona esperança e certeza na vida eterna em Jesus Cristo. Estamos muito gratos por estar de novo connosco e sintonizar durante os próximos minutos aquilo que a Bíblia diz sobre um tema bastante interessante. Hoje nós vamos falar da unidade mediante a humildade. Não perca, claramente, tudo aquilo que vai ser o sumo deste programa porque temos muita coisa para dizer sobre esta temática da unidade mediante a humildade.

E eu quero começar por ler Filipenses. Vamos abrir as nossas Bíblias. Se já sabe que o programa Bíblia Aberta tem sempre a particularidade de podermos extrair da Bíblia aquilo que é o mais importante e o mais necessário. E vamos abrir em Filipenses capítulo 2. No livro de Filipenses, no capítulo 2, versículo 3, diz nada facais por contenda ou por vanglória, mas por humildade. cada um considera os outros superiores a si mesmo. Ou seja, nós vemos que Paulo vai dar aqui uma indicação muito precisa que o ego é, no fundo, a raiz de toda a desunião que possa haver entre duas ou mais pessoas. Ruben, para começar, como é que nós podemos, de forma prática e, ao mesmo tempo, de forma espiritual, vencer aquilo que nós chamamos, um traço de caráter muito particular em todos nós, que é o orgulho e à autossuficiência.

Orgulho e autossuficiência

Como é que nós podemos vencer tudo isto e substituir por esta humildade que Paulo fala e que não deixa de ser uma humildade genuína? Então, isto é um desafio, não é? Um desafio gigante. Um grande desafio. Desafio, porque nós vemos mesmo em nós essa dificuldade, não é? Aliás, desde pequeninos, o brinquedo é meu. Foi logo a primeira entrada neste mundo. Começámos, eu lembro-me que eu era... Eu fui o primeiro de uma catrafada de netos. Nós éramos oito primos, mas eu fui o primeiro. E no primeiro Natal, em que só existia eu, a pilha de brinquedos era enorme, gigante. Eu tenho lá uma foto, sentado com um sorriso de orelha a orelha, ao lado daquela pilha de brinquedos, porque eu era o único.

Então, os avós, todos os tios, aquela família imensa, dava àquela criança, a primeira de todas, toda a sua atenção. Só que depois o irmão foi aparecendo, os primos foram aparecendo e a pilha foi diminuindo. Mas é engraçado porque à medida que nós vamos fazendo esse exercício de não ficarmos sós, vamos encontrando coisas boas pelo caminho. Porque ficamos com menos coisas, mas ficamos com coisas para dividir e com companhia. E a companhia vai nos trazer aqui o desafio de nós não olharmos para nós mesmos. E esta questão que Paulo nos traz de não estarmos focados em nós próprios, nesta vanglória, neste orgulho, em tudo aquilo que é nosso.

E parece, não sei, acho que isto é muito do mundo de hoje em dia, parece que está tudo muito voltado para nós, não é? Os nossos direitos, as nossas garantias, o nosso, o nosso, não é? Há grupos de proteção quase a tudo. Os professores juntam-se para defender os seus direitos, os advogados juntam-se para defender os seus direitos. Toda a gente se junta para quê? para o seu direito. Parece que toda a gente é mais importante que todos os outros. E creio que esta é uma lição muito adequada a este tempo, para nós repensarmos como é que tem sido a nossa glória. E Paulo nos aconselha a nós substituirmos este centrismo, esta centralidade em nós mesmos, por humildade.

E depois ele diz que cada um considera os outros superiores a si mesmo. Essa é a parte mais difícil da nossa vida, não achas? É, porque se nós colocarmos aqui o texto em prática, não é, se calhar os advogados teriam que dizer, olha, os médicos se calhar teriam que ganhar mais do que nós. Ou então os médicos deveriam dizer, olha, nós estamos a ganhar muito, se calhar os professores, coitados, também mereciam alguma coisa a mais porque eles passam um mau bocado. Se nós tivéssemos este tipo de diálogo, ia ser complicado, não ia? Completamente. Ia ser muito complicado. Nós até tentámos que os outros sejam iguais a nós. Isso. Mas ser superiores é muitíssimo complicado. E de uma forma muito... tentar ser certeiro para ver como é que nós podemos fazer isto na prática, eu gosto de um texto de Miquel, que ele diz, ele te declarou ao homem o que é bom.

E depois Deus vai dizer o que é que é bom. Que é que pratiques a justiça, Ames a misericórdia e andes humildemente com Deus. E são três coisas que nos ajudam a nós ganharmos essa humildade. Porque essa humildade nós podemos, e claramente nós temos que ser claros em dizer, não está em nós. Nós não viemos equipados com esse software. Vieram? Algum de vocês? Eu não vi. Muitas das vezes eu quero a estacionar primeiro que vocês. Se tiver a chover, eu vou querer estacionar mais à porta do que vocês, que eu não quero ficar milhado. Há esta tendência em nós, de não deixar... Eu não quero ser o último. Eu não quero ser o último. E isso parece que veio neste nosso software, deste mundo, onde o conflito do bem e do mal está muito patente, e isso não vem em nós.

Mas nós precisamos que isso desenvolva essa humildade. E então Deus diz como é que ela se pode desenvolver. Praticar a justiça. E o que é isto de praticar a justiça? praticar a justiça é, como eu disse até no episódio anterior, é colocar um amor em ação. E não é fácil. Mas eu acredito que quando nós colocamos e modificamos esta palavra de um amor em ação, o amor para se desenvolver tem que haver um relacionamento. E eu quase desafiaria a que nós pudéssemos praticar este amor com alguém que não nos pode dar nada em troca. Quando nós fazemos este exercício de alguém que não nos pode dar nada em troca, porque nós normalmente não funcionamos assim. Nós gostamos de estar nos círculos daqueles que nos podem dar alguma coisa em troca.

Naquele que é bem visto, naquele que tem uma posição boa na empresa, não quer ser visto com aquele funcionarizinho humilde. Não é? Não queremos isso. Não queremos esse círculo. E nesses nós até consideramos ou aceitamos que eles podem até ser superiores a nós. Mas quando nós praticamos... É isso mesmo. E quando nós praticamos essa justiça diante destas pessoas, que não têm nada para nos oferecer, eu lembro-me de uma vez, uma menina que não tinha família, me pediu, olha, eu queria, estou a precisar de um fio de linha. Eu lembro-me que ela pediu o fio de linha, eu fui comprar, aquilo custou-me 60 cêntimos, e eu levei-lhe o fio da linha, ela usou o fio da linha, e eu já tinha desligado aquilo, não é?

60 cêntimos, o que é que é aquilo? E passado duas horas, ela voltou com o fio e disse assim, olha, eu já usei o que era necessário. Está aqui de volta, eu não preciso mais. E eu fiquei embaraçado. Eu fiquei embaraçado. Mas isso é para ti? Eu já não preciso disso. Quando nós praticamos a justiça, nós percebemos que somos todos iguais. Quando nós praticamos a justiça e praticamos a misericórdia, nós vamos perceber que nós mesmos pouco interessamos. Quando nós começamos a ver que o outro está com tanta necessidade, está ali ao nosso lado e nós não nos apercebemos, e nós nos relacionamos e abraçamos, nós vamos ver que essa pessoa é muito especial e nós temos mesmo que estar ali. Por isso esta prática da justiça, a prática da misericórdia e o andar com Deus são três coisas que este último andar com Deus é que nos permite fazer o primeiro.

E permite-nos fazer o primeiro. Porque quando nós estamos com Deus, E percebemos, bem, eu fiz isto, isto e isto. E Deus teve aqui uma benção para mim. Deus abençoou-me desta maneira. Então eu posso fazer muito mais. Então eu também posso fazer exatamente igual por aqueles que estão ali ao meu lado. É muito interessante ver que Paulo vai usar este termo que nós não gostamos nada de ouvir, que é humildade. Podia usar um outro termo mais próximo daquilo que faz assim uma sonoridade aos nossos ouvidos mais agradável, mas ele vai batalhar muito na humildade, não apenas como uma atitude, se quisermos, mas sobretudo a forma de nós olharmos os outros à nossa volta e podermos considerar os outros.

Necessidades dos outros

Moisés, vou propor que nós leiamos Filipenses capítulo 2, versículo 4, e depois eu quero colocar-te aqui uma pequena questão para tu poderes considerar. Filipenses capítulo 2, versículo 4 diz, não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. Mas este, como é que nós podemos... Qual é a maneira de nós podermos olhar de forma atenta às necessidades e interesses dos outros? E se isso, no fundo, é o verdadeiro fundamento da unidade cristã, ou seja, de uma expressão concreta do amor de Cristo na nossa vida.

Eu vou pegar aqui naquilo que o Rubem nos apresentou, porque a nossa tendência é dizer isto é meu, não é? As crianças logo de pequeninas dizem isto é meu, isto é meu. E às vezes até nem estamos a precisar daquilo que estou a falar das crianças, nem estamos a precisar daquilo, mas só porque o outro pegou a criança quer. Nós somos assim. Isto é um retrato daquilo que nós somos. E... Jesus deu o exemplo do que é estar atento às necessidades dos outros. Quando nós olhamos para a vida de Jesus, nós vemos a forma como Ele agia. É interessante que, em determinado momento, depois dos discípulos terem saído, para também se preocuparem com os outros, Jesus disse, vim de vós aqui à parte, a um lugar deserto, reposai um pouco, porque havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo nem para comer.

Este é um exemplo do que é estar preocupado com o bem-estar dos outros. E Jesus contou uma parábola, ela está registada em Mateus 25, quando Jesus vai dizer-lhe, vindo, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. E eles vão ser benditos porquê? Jesus vai dizer a seguir, porque tive fome e deixo-me de comer. Tive sede e deste-me beber. Eres estrangeiro e hospedaste-me. Estava nu e vestiste-me. Aduci e visitaste-me. Estive na prisão e foste-me beber. Então os Justos lhe responderão, dizendo, Senhor, quando é que nós estivemos com fome e tivemos de comer, ou com sede e tivemos de beber? Vamos questionar. E Jesus vai dizer assim no final.

Quando fizeste a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste. E quando os cristãos aprendem a olhar para os outros com este mesmo olhar que Jesus tinha, este olhar atento, empático, desinteressado e compassivo, esta comunidade de crentes torna-se um corpo vivo. E porquê? Porque não são apenas um grupo de pessoas reunidas em torno de doutrinas, mas são pessoas tão reunidas em torno da necessidade de atender à necessidade do próximo.

E isto promove comunhão, isto gera solidariedade e revela o amor de Cristo. Então, nós precisamos desenvolver estas características na nossa vida. Jesus, e está registado em Mateus 4.23, Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. A ação de Jesus era neste sentido, de ir ao encontro na necessidade dos outros, esquecer-se dele próprio, muitas vezes, para satisfazer as necessidades primárias do próximo. Vemos também em Mateus 15.30 que levaram a Jesus uma multidão de pessoas e na multidão iam cojos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes.

E eles eram colocados aos pés de Jesus e diz o texto, e Ele os curou a todos. E Tiago, quando escreveu na sua carta, ele vai dizer, no capítulo 1, versículo 27, a religião pura e maculada para com Deus o Pai é esta, visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se incontaminado do mundo. Enquanto os líderes religiosos tendiam a enfatizar o comportamento exterior, Jesus concentrou-se nos nossos pensamentos e nos nossos sentimentos para com o próximo. Quer dizer, expressar, manifestar a preocupação com o bem-estar dos outros.

Quando nós nos preocupamos com o bem-estar dos outros, nós até também nos preocupamos em resolver conflitos. Porque muitas das vezes, e agora vou pegar num exemplo prático, muitas das vezes nós temos nas comunidades conflitos interpessoais. Porquê é que esses conflitos não são resolvidos? Porque a pessoa pensa, eu tenho razão. Eu. A outra pessoa fez mal a mim. Portanto, é o centrado em nós, no eu. E se eu pensasse no outro também? Se eu me preocupasse com o outro? Se eu estendesse compaixão, perdão? Se eu fosse junto dele e dizer, olha, nós temos este conflito.

Vamos resolvê-lo. Eu estou aqui para te pedir perdão. E como tu disseste, quando citaste o texto há pouco, e se nós olharmos para o outro e virmos Jesus? Se nós tivermos a real noção de que aquele que está à nossa frente é Cristo? É porque muda tudo. Exatamente. Muda tudo. Porque já não vai ser aquela pessoa que me está a fazer criar conflito, já não é aquela pessoa que me cria tensão, já não é aquela pessoa que cheira mal. Não. Porque é Cristo que está a cheirar mal. É Cristo que me está a criar tensão. E isso muda completamente o paradigma. E acho que hoje em dia nós precisamos pensar muito nisso porque vivemos num momento da história que parece que andamos todos a bater-nos diferentes, não é?

E nós estamos num contexto, até sairmos do nosso contexto de igreja, o nosso contexto cultural, com tanta diversidade, não é? E andamos a bater-nos diferentes. E esquecemos que aquele ali pode ser Jesus. Aquele ali pode ser Jesus. E todos eles são Tem que ser a nossa extensão do nosso amor. E Jesus vai dizer no final da parábola de Mateus 25, quando o deixaste fazer a um destes meus pequeninos irmãos, a mim deixaste fazer. Por isso é que eu tenho alguma dificuldade quando alguém que se diz cristão diz aqueles ou aquelas. Já é o sinal que alguma coisa não está bem. Há um ego que se mantém, não é? Há um ego que se mantém.

E é tão difícil destruir o nosso ego. Só Cristo pode destruir o nosso ego. E é um sinal que, para mim, não há um relacionamento com Jesus. Porque quando eu amo aquele que é diferente, e o que cheira mal, e o que não tem a mesma visão de mim, mas eu o abracei, eu estou habituado a ir lá todas as semanas, eu estou habituado a conviver com eles, eu despeço-me dele com um beijo, ninguém pode, ninguém pode fazer nada ao meu Jesus, porque eu o conheço, eu conheço as suas lutas, eu conheço as suas dificuldades, eu estou dentro dos sapatos, porque eu já andei com pessoas na rua que as pessoas olhavam para mim pela pessoa que eu estava ao lado. E quando nós sentimos isto, nós vamos defendê-las, nós vamos abrigá-las, porque é o Jesus que está em dificuldade.

E nós precisamos ter esse amor. Paulo, ele é um ser extraordinário, porque ele deixou-nos muitas dicas, mas ele

Mente de Cristo

também nos coloca aqui numa situação difícil, não é? Esta questão da humildade, sem dúvida, que é uma atitude bem difícil no nosso dia-a-dia, olharmos para os outros como superiores a nós, já vimos isso, e Paulo agora ainda nos leva a uma outra dificuldade maior. É que ele vai dizer que nós precisamos de ter a mente de Cristo. E aqui entramos ainda num capítulo, eu diria, mais profundo. Se nós formos a Filipenses, capítulo 2, versículo 5, nós vamos encontrar estas palavras. Filipenses, capítulo 2, versículo 5, diz... Eu diria que o Moisés, ainda há pouco, referiu uma série de passagens que falavam do comportamento de Jesus nesta terra.

E, no fundo, é isso que Paulo está nos a relembrar. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Pedro, agora virando-me para ti, eu gostava que tu nos pudesses dar uma forma a ajudar a perceber o que é que significa, na prática, ter a mente de Cristo. O que é que isto é? E, ao mesmo tempo, se... Se a ideia que muitas vezes nós falamos de que o Espírito Santo é quem transforma o nosso modo de pensar, se efetivamente esta é a realidade que precisamos viver no nosso dia-a-dia? É, a fasquia está muito alta. Isso não há dúvida. Mas ainda bem. Porque se a fasquia fosse colocada baixa, significa que nós não tínhamos muito para onde crescer e, sobretudo, significaria que a nossa referência era pequena.

A razão pela qual a fasquia nos valores cristãos e na fé cristã é muito alta é porque o padrão é perfeito. Portanto, não se trata de uma exigência qualquer de nós sermos capazes de ter obras perfeitas. É simplesmente que o nosso padrão é Cristo. É por isso que... Nós estamos hoje, neste episódio, basicamente a fazer uma análise, versículo a versículo, do capítulo 2, Filipenses. E a verdade é que, se repararmos, os dois versículos que já vimos até aqui, que a fasquia já era altíssima, o Rubén analisou o Filipe nesses dois, três, que basicamente dizia que cada um considera os outros superiores a si mesmos, E depois o versículo 4 que dizia que cada um atende também para o que é dos outros, não apenas para o que é seu. O que eu vejo aqui é quando o apóstolo agora, no versículo 5, diz que vocês tenham o mesmo sentimento ou a mente de Cristo, na prática Fazer isto, que é considerar os outros superiores ou atentar para os outros, foi o que Jesus fez.

É uma descrição. Ele não precisou de o dizer, mas é uma descrição da obra de Cristo. Porque o facto... É por isso que se diz, é um termo muito conhecido no mundo cristão e muito significativo, que a obra e o exemplo de Cristo é encarnacional. Porquê? Porque Jesus não ficou no céu a dizer-nos como deveríamos fazer. Não é uma abstração teórica. que é, muitas vezes, o que nós fazemos na nossa didática ou na nossa pedagogia. Nós podemos... Nós que, por exemplo, pregamos a palavra de Deus ou ensinamos, nós como pais, como educadores... Se formos honestos, a grande parte das coisas que nós ensinamos é pura pedagogia, ou seja, nós podemos não estar a viver nada daquilo, mas, ok, vamos dizer como é.

Mas Jesus não fez isto. Portanto, Jesus não ficou no céu a dizer, olhe, sejam humildes. não desconsiderem os outros, não os considerem inferiores. É claro, ele do céu, nessa perfeição, a dizer isto para os desgraçados que estão aqui embaixo... Enfim, nós poderíamos dizer, bom, pois tu é fácil estares aí, não é? É um pouco como, às vezes, quando pessoas estão em situação de enorme privilégio, falam de que os outros é que deviam esforçar mais, não é? Que é uma coisa engraçada, hoje vemos... É muito comum ouvir-se falar dessa ideia do esforço, das pessoas usarem o seu mérito, mas é interessante porque muitas vezes as pessoas que o fazem, elas obviamente nasceram numa situação de muito privilégio. E elas não têm culpa, isso não é um defeito em si mesmo.

Então, Jesus não se coloca nesta posição de dizer, vá, sejam humildes. E ele nem sabe o que é ser humilde, porque ele está na perfeição absoluta, na glória absoluta. É este poder do exemplo de Jesus. O apóstolo, quando escreveu aos hebreus, dizia que nós temos uma vantagem. É que temos um sacerdote. Lembram-se disso, não é? Ele diz... O sacerdote é aquele... Temos alguém que nos representa, que é isso, mas que sabe exatamente o que é que nós estamos a passar, porque ele foi tentado em todas as coisas, viveu todas as nossas dores, por isso ele intercede da maneira certa. Dizem que é... Eu sei bem o que é que eles estão a sofrer. Olha, eu sei o que isto custa. Eu sei o que é esta dor. Então é muito interessante que a expressão do apóstolo Paulo, para nós termos a mente de Cristo, usem-no como referência, porque ele fez isso tudo.

Não é uma abstração teórica. Jesus não é um guru qualquer espiritual que está fechado dentro de uma casa, de um templo. É interessante porque Jesus tornou-se o líder da maior religião à face da Terra, mas ele não seguiu esse padrão às vezes comum nos grandes líderes ou gurus históricos das religiões, que foram pessoas que ficaram, se quiserem, em introspeção dentro de um mosteiro, ou seja, lá onde for. Ele andou aí nas ruas. Ele comeu com as pessoas, ele não tinha onde meter a cabeça para dormir porque não tinha nada. Jesus foi pobre. Esta é que é a realidade. Jesus não foi rico, foi pobre. Jesus nasceu como uma pessoa pobre.

Se fosse hoje, se tivéssemos que hoje colocar Jesus dentro das classes sociais que nós temos, onde é que nós o colocaríamos? Sem abrigo quase. Quase um sem-abrigo, os seus pais seriam o quê? Meteram-se em cima de um burro e foram por aí a caminhar não sei para onde, depois não tinham sítio para ficar e ele nasceu lá no meio dos animais. Hoje nós diríamos... Há pessoas que realmente têm vidas desgraçadas. Não se esforçaram o suficiente, sei lá, o que é que nós poderíamos dizer hoje? Mas essa, na condição humana, essa é uma característica que nós até nem queremos, não é? Pois nós não queremos isso, nós não queremos essa experiência, porque nós todos queremos o privilégio de ser melhor, de ascender a uma posição melhor, E o que é interessante é que não há problema nenhum em desejar ascender a uma posição melhor. A lógica aqui é olharmos para Cristo.

Que é isso que é um crente e que é um cristão. Que somos nós a esta mesa e a maioria das pessoas que estão connosco, mesmo que estejam no seu processo de conhecer Jesus, que é como nós estamos. Nós estamos todos no processo de conhecer Jesus. Provavelmente alguém que ainda mal o conhece pode conhecê-lo melhor do que eu. Até metem um título como se fosse pastor ou teólogo ou o que seja. Mas o ponto é este, é que a referência que nós temos é de alguém que fez isso, que viveu isso. Jesus nasceu assim. nasceu na pobreza, nasceu na humildade, viveu assim, nasceu numa terra, nasceu e cresceu numa terra que nós sabemos que era, mesmo na localidade ali, naquela nação, era desconsiderada aquela zona, uma zona mais pobre, lá está, de gente menos letrada.

Portanto, comparado com as elites que estavam em Jerusalém, ele era o rapazola filho de gente pobre e sem formação, que estava lá na Galileia ou em Nazaré. Aliás, houve mesmo uma expressão, será que de Nazaré pode vir alguém? Nós aí temos um bom exemplo. Então vejam, se fosse à escala hoje do que temos no mundo, Jesus foi uma pessoa que nasceu, cresceu e viveu nessas margens da sociedade. E escolheu viver assim. Foi uma escolha. Porque depois, quando começou o seu ministério, manteve-se dessa forma. Porque essa escolha era uma escolha de vitória. Quer queiramos, quer não. Por isso é que, quando diz, tenham o mesmo sentimento que teve Jesus Cristo, ou a mente de Cristo, não nos confundamos.

É disto que estamos a falar. É dessa realidade concreta. É de uma vida humilde. Isto não tem a ver com condição financeira ou profissão. Isto tem a ver com, de facto, uma atitude que se vê nas nossas escolhas diárias. Por isso o exemplo de Jesus torna-se perfeito do que é ter essa mente. Porque é interessante ver que Jesus vem, desce-se do ser que é, e adota o seu corpo, a sua vida, à semelhança daquilo que nós vivemos, mas ele também tem a garantia de que de onde ele veio é muito melhor do que o lugar onde nós estamos, não é? Então ele também vem aqui para nos convencer de que verdadeiramente onde ele está É completamente diferente do lugar onde nós estamos hoje, não é?

É isso. Ora, como é que nós hoje... Eu termino só dizendo isto. Como é que nós podemos ascender uma coisa a um nível tão elevado? É evidente que... É por isso que o que a fé cristã, o Evangelho propõe, não é apenas mudar de ideias. Por isso ter a mente de Cristo é mudar o centro. É por isso que tem a ver com o eu. É mudar o centro. É fazer de Cristo o exemplo perfeito para a nossa vida, por isso é que é uma conversão, é uma mudança de rumo, é uma coisa que só se conquista com a obra que Deus faz em nós, porque isto é mudar totalmente o centro da nossa vida. Precisamente a expressão grega que está nestas palavras é muito interessante, não tenho tempo agora de explorá-la, mas tem a ver mesmo com as vísceras, literalmente.

É uma expressão que pode ser traduzida por diafragma ou o que está à volta do coração, que é aquela ideia de que o mais profundo em nós é que precisa de estar rendido a Cristo. Isso é o que nós precisamos de fazer, nós precisamos de render a Cristo o que está no mais profundo do nosso ser. Hoje nós estamos a tentar perceber como é que nós somos, mas aquilo que Deus quer e espera de cada um de nós. Somos seres egoístas, somos seres com muita falta de humildade, mas Paulo está-nos a advertir para uma outra necessidade que nós temos. de capacitar a nossa vida com a presença de Deus. Nós vamos para um curto intervalo, um pequenino, não saia do seu lugar, porque na segunda parte nós iremos continuar a explorar esta ideia de Paulo no que diz respeito à nossa vida pessoal e na nossa relação com os outros.

Até já. TV Novo Tempo, o canal do sábado, o canal da esperança. Voltamos a estar consigo para a segunda parte do programa A Bíblia Aberta. Este é um programa na TV Novo Tempo. A TV Novo Tempo encontra-se no canal 186 da Mel. Também poderá assistir ou ouvir, se quiser, a programação da Novo Tempo na rádio RCS, nos 91.2 FM. Ou então, se não tiver nenhum destes canais à mão, poderá entrar na internet, no YouTube, e procurares a TV Novo Tempo Portugal e encontrará lá os vários episódios deste programa, o programa A Bíblia Aberta. Antes de continuarmos a nossa conversa com os nossos três convidados de hoje, nós trazemos-lhe aqui mais um guia de estudo, um guia bastante interessante.

Este tem a ver com a máquina humana. Ou seja, é um guia de estudo, sobretudo para lhe dar algumas dicas e importantes razões para nós cuidarmos da nossa saúde, cuidarmos do nosso corpo, cuidarmos da nossa mente. Por exemplo, aqui podemos ver que a fonte da cura existe. Existe uma fonte da cura e precisamos descobrir qual é o segredo. E o segredo está, por exemplo, nos oito remédios da natureza. Acredite, se não os conhece, este é um guia de estudo que você não pode perder. Mas igualmente, por exemplo, saúde no prato. Nós podemos ter aqui um foco mais centralizado na qualidade daquilo que nós ingerimos, daquilo que nós fazemos com o nosso corpo.

Se achar por bem, nós temos muito gosto em oferecer-lhe esta revista, a Máquina Humana. É um guia de estudo baseado naquilo que a Bíblia nos dá e que nos poderá ajudar também na nossa vida física, mental e espiritual. 933 939291 é para onde deve enviar o seu pedido e, do outro lado, alguém irá responder ao seu pedido. 933 939291. Vamos continuar a conversar com o Pedro, com o Moisés e com o Ruben. Vamos continuar aqui a ver esta questão de Paulo, no fundo, apresentar a questão da humildade como uma referência a termos em conta, uma prioridade da nossa

Compreensão do poder

vida. E entrámos no final, digamos, da primeira parte, naquela questão de termos a mente de Cristo para continuarmos a viver e a podermos fazer o ministério que o Senhor Deus tem para cada um de nós. Em Filipenses, agora, no capítulo 2, e eu gostava de ler esta passagem, capítulo 2 de Filipenses, versículos 6 e 7, nós podemos ver aqui que Cristo foi humilde e é pela humildade que nós podemos servir. Vejam o que está em Filipenses 2, 6 e 7, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. Nós no final da primeira parte já demos um lamiré quase desta passagem.

Lemo-la agora Jesus esvaziou-se de si mesmo, tomou a forma de um servo e fez semelhante aos homens. Ruben, nós quando olhamos para esta descrição que Paulo faz do próprio Jesus, daquele que ele tem como a sua referência máxima, como é que nós podemos redefinir a nossa compreensão, digamos, de poder, de liderança, de grandeza, neste contexto da fé cristã? Todas estas palavras, não é? Poder, liderança, grandeza. Quando nós as começamos a ouvir, parece que é logo, não é? Um som bonito aos nossos ouvidos, não é? Porque começamos logo a pensar em vantagens, em boa vida, em... não é? Tantas coisas que podem ser boas para mim, para a minha família, para os meus amigos.

Só que depois, se voltarmos aqui aos textos e os textos que tu leste, e aquilo que é uma nova forma de pensar e de sentir, como já há pouco debatíamos, que é a forma de pensar de Jesus, A forma de pensar de Jesus sobre estas três coisas, o poder, a liderança e a grandeza, são muito distintas. Muito, muito distintas. Podemos dizer que é água e azeite. Não se misturam. Nós pensamos de uma maneira, Jesus pensa de outra. E por isso é que nós precisamos da mente dele. Porque a nossa mente pensa de outra. E diz que como é que a mente de Cristo Ela funciona, não é? E depois Paulo começa por dizer que sendo em forma de Deus, ou seja, sendo, estando na sua identidade, e aqui podemos nos colocar cada um de nós, sendo Pedro, O Pedro não vai querer, não se importa com o Pedro.

O Jorge é Jorge, foi Jorge a vida toda, mas não importa. Não importa mais o Jorge. É um bocado aquilo que o texto está aqui a dizer. Sendo Deus, essa identidade, ele não tem, ele não deseja ser, não deseja ser Deus. Não deseja nem ser igual. Já repararam aqui a palavrinha? Não é nem igual. E parece que é inferior, não é? Porque depois diz, e ele continua a dizer, mas vai-se aniquilar a si mesmo, vai-se rebaixar a si mesmo, vai-se colocar numa posição que possa ser mais favorável. O Pedro há pouco dizia que vai-se colocar noutra posição, uma posição que lhe dê uma perspectiva, não é? Porquê que ele foi pobre? Ele precisava... que todos nós nos pudéssemos rever, não é?

Perceber que ele tem a mesma perspectiva que a minha. Ele está no mesmo lugar do que eu. Ele pode falar porque ele sabe. Ele passou fome, como eu. Ele foi maltratado. disseram que ele não era bonito, disseram que ele veio de uma terra que aquilo era um bairro de barracas. Até hoje, até aos dias de hoje, o sítio onde Jesus morou, se vocês forem lá, e, aliás, partilho já com vocês que se vocês forem a Israel e lá fora é a terra onde Jesus nasceu, não digam no aeroporto que lá foram, porque senão vão ter um questionário imenso de perguntas, porque até aos dias de hoje aquilo é um bairro de má fama. E Jesus passou por isso. Ele vivia no bairro de má fama. Ele vivia no sítio dos pobres. Ele vivia com essas conotações todas.

E ele decidiu intencionalmente colocar-se aí. Ele decidiu ter essa perspectiva. Ele decidiu ter a nossa perspectiva, mas não foi uma perspectiva qualquer. Foi aquele lá mesmo, o de baixo, de baixo, de baixo. E nisso nós podemos ter grande esperança porque a nossa vida muda. Hoje em dia estamos lá em cima, um bocadinho como Paulo. Eu sei viver na riqueza, mas olhem, também já me aconteceu eu ter que viver na pobreza. E muitas das vezes é muito bom nós termos esta noção de que temos um Deus que passou por todas as coisas neste mundo. E nós sabemos que até quando ele foi bebê, os reis de alguma forma, puseram aquela família rica, não é?

Momentaneamente, pelo menos, houve ouro, incenso e mirra, não é? Que num determinado momento houve algum conforto para ser estrangeiro numa terra distante. Por isso Jesus soube viver em todas as perspectivas, mas, interessantemente, ele escolheu aquela que nos pode dar mais perspectiva daqueles que estão a caminhar ao nosso lado e que às vezes têm tão menos do que nós. Por isso, quando pensamos em poder, em liderança e em grandeza. O poder, podemos dizer que não é o poder, hoje em dia, de influência, de estratégia.

É o poder da estratégia do amor. Se nós pensarmos na liderança, não é uma liderança que é autoritária, que eu quero vos levar para aquilo que eu penso, acho, e é bom para vocês, mas é uma liderança que vos leva para um caminho que eu acho que vos vai fazer bem, que é um caminho que, seja difícil, eu tenho a certeza que vos vai levar a bom porto. E a grandeza, a grandeza maior, é eu não querer saber de mim e poder abraçar aqueles que estão ao nosso redor. Há pouco, quando o Pedro falava, e eu pensava na minha trajetória de vida, diria que a igreja talvez me fez conhecer Deus, mas, à medida que ele falava, chegava à conclusão que O estar às vezes em alguns lugares e com algumas pessoas, daquelas que às vezes falamos aqui, tem sido o lugar onde eu tenho encontrado...

onde Deus me tem transformado. Porque eu percebo que Deus tem um propósito para mim e eu não interesso. Quando nós vemos uma menina de quatro anos que não tem nada, nós não interessamos. As nossas casas não interessam, os nossos carros não interessam. Nós queremos o bem daquele que ali está. E isso a Igreja não faz. É Deus e a sua perspectiva, o seu amor em nós, que nos pode mudar e colocar este novo pensamento de Cristo em nós. Excelente, excelente por menores e acima de tudo esta reflexão que nós precisamos de fazer na nossa vida.

E é muito interessante que tu dizias aí uma pequenina frase que Jesus não se preocupou nada com ele. E é realmente por não se ter preocupado nada com ele, mas simplesmente ter-se preocupado com os outros, ele vai até ao fim de todo um trajeto de vida que não

O significado da cruz

foi muito grande, não foi muito longo nesta Terra, nós sabemos disso, não é? Mas Paulo vai referenciar claramente esse fim de trajeto, digamos, numa primeira fase, que é o ponto mais profundo que Jesus chegou, que foi a própria cruz. E é exatamente na cruz onde nós vamos ver que o amor e a obediência se vão cruzar e se vão unir para sempre e eternamente na nossa perspectiva humana, não é? E o próprio Paulo vai afirmar isso mesmo. Se nós formos a Filipenses, capítulo 2, nós vamos ver que o próprio Paulo, em Filipenses, capítulo 2, versículo 8, diz que Jesus, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.

Esta foi a perspectiva que Paulo deu pelas melhores palavras que ele tinha, de poder mostrar o que é que aconteceu na vida de Jesus. E, por isso, Pedro, sendo a cruz, eu diria, o expoente máximo daquilo que foi a vida de Jesus, no que toca a obediência, no que toca a humildade, como é que nós podemos ver a cruz? Como é que a cruz nos revela a necessidade real de nós podermos amar os outros, quando isso implica, de alguma maneira, dor, perda, até mesmo uma certa renúncia pessoal da nossa vida. É realmente um exemplo absolutamente extraordinário o que Jesus nos dá e a cruz...

A cruz é o centro, é um privilégio só poder hoje falar aqui durante cinco minutos sobre o que é a cruz. A cruz, enquanto tema mesmo, a cruz de Cristo, é um tema extremamente profundo. Pode ser analisado de muitos ângulos. Eu vos proponho de partilhar aqui convosco um pensamento ou dois sobre isto. Na lógica humana, se quisermos, obviamente que humilhar-se é um sinal de fraqueza. Pode ser a pessoa que se humilha porque a outra é mais forte, então eu vou humilhar-me porque senão não vai correr pior. Pode ser humilhar-se porque numa guerra, seja ela entre pessoas ou entre nações, vai humilhar-se aquele que perdeu. Chegou ao fim e diz, ok, não há hipótese, então humilho-me e rendo-me.

Portanto, a lógica de humilhação está associada à lógica da fraqueza. Vai-se humilhar aquele que é mais fraco, porque o que for mais forte não precisa de se humilhar. Como Jesus é, por definição, o mais forte, porque ele é o Senhor, o Rei dos Reis, o Criador, a humilhação de Cristo, portanto, é uma explicação contrária à lógica. É por isso que o apóstolo Paulo, por exemplo, explora muitas vezes aquela ideia de que a lógica de Deus é totalmente oposta. e ele vai muitas vezes opor a loucura, ou a sabedoria, ou a riqueza e a pobreza humanas estão invertidas na lógica do reino de Deus. Porque a cruz é a humilhação total.

É alguém que vem para trazer um projeto, um projeto de salvação, um projeto de vida, e no fim acaba espetado numa cruz. É a humilhação total. No entanto, O versículo 9, talvez seja um dos mais surpreendentes e incríveis nesta sequência que estamos a ver aqui, que viemos desde o versículo 3, 8. Acabaste de o ler? É quando ele diz que foi até à morte e morte cruz. Mas eu quero chamar a atenção agora para o 9 porque diz, pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobretudo o nome. E aqui está uma espécie de um problema eventualmente difícil de entender. O momento em que o texto diz ele foi até à morte e morte de Cruz, que é como quem diz foi o mais humilhante e baixo que é possível, e depois a seguir é nesse momento que diz por isso é que ele foi elevado e feito soberano.

É que a Cruz, de facto, ela representa uma vitória extraordinária sobre o poder da morte e do mal e da destruição, que é um poder que está assente na ideia de superioridade. É assim desde que há pecado. O texto diz que ele, quando fala sobre a descrição que ele vê no céu, sobre o que aconteceu com Lúcifer, diz que Lúcifer no céu está lá escrito literalmente que ele disse eu sou Deus. E, portanto, no momento em que no seu coração ele teve essa vontade e convenceu-se que era Deus, por isso ele disse, eu sou, que é o nome de Deus, eu sou Deus, nós percebemos o início da lógica diabólica, é isso mesmo, não tem outro nome.

Essa lógica oposta a Deus e ao seu reino é a lógica de superioridade, de ir para o trono. De ficar. Num lugar acima, de domínio. Essa é a lógica do pecado. Jesus vence essa lógica indo para a cruz, que é o lugar da absoluta humilhação. E quando nós comparamos estas duas realidades entre a forma de agir do diabo e a forma de agir de Jesus, nós entendemos que um quer o trono, a glória, a coroa, a autoridade, e o outro, quietinho, diz, eu vou para lá, e é colocado, exposto numa cruz.

Por isso a cruz é a glória suprema, porque é a manifestação dos valores do reino de Deus. De que forma é que ela está invertida? É que na cruz a essência do ministério de Cristo manifestou-se. Nós no Antigo Testamento tínhamos três grandes ministérios que permitiam, se quisermos, a vida do povo de Deus. Esses três ministérios eram muito importantes, as pessoas eram mogidas para os executar, falo de reis, de profetas e de sacerdotes. Eram três grandes ministérios. Temos vários exemplos de homens que eram ungidos, separados, para fazer este ministério e, portanto, tinham essa glória de liderar o povo. Quando Cristo é colocado e submetido à humilhação da cruz, ele tornou-se derradeira e totalmente o verdadeiro rei, profeta e sacerdote.

A cruz é uma espécie de unção invertida de Jesus como o Senhor do Universo. Porquê? Porque na cruz, Jesus é coroado como o Senhor do seu reino, que é um reino de humildade e de serviço. Que é, eu estou aqui para servir os outros. para me entregar por eles. Por isso é que na cruz Jesus é verdadeiramente o Rei. É por isso que podíamos dizer, simbólica, metaforicamente, quase poeticamente, que a cruz é um trono. Desse trono Jesus governa o universo, porque ele governa com base no amor, na abnegação, no serviço. Só que na cruz Jesus é o derradeiro profeta, porque o que é que faz o profeta? Fala em nome de Deus.

E na cruz Jesus prega em silêncio, que é... Deus amou o mundo de tal maneira. Cadê o seu filho ingénito? Ele está calado na cruz e está a pregar isto. É por isso que a cruz é o maior púlpito que alguma vez existiu. Porque Deus falou sobre o seu amor. Mas na cruz Jesus também é o sacerdote, o somo-sacerdote. Porquê? Porque ele intercede por todos com o seu próprio sangue. Portanto, a cruz é o quê? É um santuário. Então a cruz é um trono onde Jesus governa o universo, Jesus é o púlpito onde Jesus prega a mensagem do amor de Deus e a cruz é o santuário onde Jesus está literalmente a ministrar. Ele humilhou-se humanamente, mas na verdade a cruz é a glória suprema de Jesus sobre todos nós.

É muito interessante ver-se nessa perspectiva. Mas eu ainda ia puxar aqui um bocadinho à conversa só esta questão. É que o Senhor Deus também considera que cada um de nós tem a sua cruz. E o que é que Ele nos diz? Toma a tua cruz e segue-me. O Senhor Jesus respeita a nossa dificuldade. Mas Ele compromete-se a carregar connosco a cruz. Mas Ele também diz que o fardo dEle é leve. Portanto, há uma segurança. Temos que pegar a nossa cruz, mas ele alivia o nosso fardo. Ele está pronto a carregar. E esse desafio que ele nos coloca, ele sabe que é o melhor caminho. Ele convidar-nos a fazer este caminho da cruz, Ele sabe que é o que...

Ele sabe. Jesus sabe. Porque Jesus vê ali todos aqueles que ele salvou. Ele sabe que foi o melhor caminho. Ele sabe esse caminho. Por isso ele está-nos a fazer um convite. Não é para o sofrimento. Não. Não é para o sofrimento. Mesmo essa expressão, levar a sua cruz, não é um convite ao sofrimento. Exatamente. É realmente a passar pela experiência que Jesus passou. Estar nesse caminho de ser o servo. Porque Jesus, quase vemos aqui as características todas dele, se pegássemos naquelas características do apocalipse, do leão, do boi, do homem, da águia, nós vemos aqui que claramente o leão deixou de ser leão e passou a ser o servo. E o boi, no reino animal, não sei se há muita gente que gosta de ser o boi. O boi é aquele animal que não dá para muita coisa, não é?

Mas que dá para trabalhar. Dá para servir. Dá para servir. Dá para servir. E vemos aqui esse caminho de serviço que Deus o acha tão bonito e nos convida a esse caminho. Jesus talvez resumiu isto Ele próprio, no Seu discurso. Em Mateus 23, versículo 12, Jesus disse o seguinte. Quem se exaltar será humilhado, quem se humilhar será exaltado.

Mistério da piedade

na cruz. O lugar da sublimação. E lá está. E Paulo leva-nos ao exercício da humildade. Porque sem essa humildade não é possível nós entrarmos neste caminho e termos aqui o reconhecimento daquilo que foi a vida de Jesus. Nós estamos a caminhar para o final, mas ainda temos aqui algum tempinho para nós podermos ver aqui uma outra perspectiva que Paulo menciona, basicamente, aqui em Filipenses. Ele vai apoiar-se agora em Timóteo. Nós vamos ler aqui uma passagem de 1 Timóteo, capítulo 3, versículo 16, que nos leva ao verdadeiro ministério da piedade. É uma outra característica que Paulo vai mencionar como uma característica do verdadeiro cristão. Então, em 1 Timóteo 3, versículo 16, nós podemos ler, e sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade.

Aquele que se manifestou em carne foi justificado no espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, querido no mundo e recebido acima na glória. Esta passagem tem muita coisa para nós explorarmos e nos próximos minutos, que são os minutos finais do nosso programa, eu vou pedir ao Moisés que nós possamos aqui tentar tirar boas ideias desta passagem. Moisés, se a encarnação de Cristo é, sem dúvida, o maior mistério da piedade, talvez seja necessário nós descobrirmos qual é a forma de viver uma espiritualidade que possa preservar este mistério na nossa vida, ok? Mas ao mesmo tempo, como é que isto tudo, de forma racional e previsível, pode acontecer na nossa vida?

Como é que nós podemos preservar este mistério da piedade na nossa vida? Vamos lá. Eu vou começar por a palavra humildade. Isso. A palavra humildade deriva, tem na sua raiz, uma palavra que também deu origem ao humus. O que é o humus? O humus é quando uma planta morre, uma folha cai, cai no solo, vai se decompor e essa decomposição vai alimentar o crescimento de outras plantas. Ora, a humildade é, de uma forma figurativa, esta ideia. Eu morro para que outro possa sobressair, não é?

Por isso é que o Paulo diz. Que considerem os outros superiores a vocês próprios. Jesus fez isto. Como é que Jesus fez isto? Ok, foi uma forma extraordinária. Ele era Deus, era divino. E nós, o apóstolo Paulo fala aqui que ele tomou a forma de servo, veio, morreu, já vimos. E agora, qual é a minha posição? O que é que eu tenho que fazer? Em primeiro lugar, eu tenho que louvar a Deus por essa dádiva. Eu tenho que ser grato a Deus. E quando eu louvo a Deus, quando eu sou grato a Deus, eu vou me tornar semelhante a ele, porque eu também vou ser humilde. E voltamos ao princípio da nossa reflexão aqui.

Eu vou ser grato, vou ser humilde diante dele, vou dizer assim, realmente, se. Eu estou salvo, estou salvo porquê? Porque houve alguém que tomou a forma humana, não tendo ele necessidade de o fazer, mas ele fez por mim, para a minha salvação, e eu hoje louvo. A Deus por isso. E isto vai criar em mim um sentimento de profunda gratidão, de profundo reconhecimento. E é na medida em que eu sou grato e sou reconhecido a Deus, que eu me torno mais semelhante a Ele. E eu preciso ser semelhante a Ele. Porque se eu não for semelhante a Ele, Eu não vou transmitir à humanidade, à sociedade, os atributos de Deus que já estivemos aqui a ver, mas vou transmitir os atributos do inimigo de Deus.

Então, eu só tenho uma possibilidade, ou reflito, estou a refletir Cristo, ou estou a refletir o inimigo de Cristo. Quem é que eu quero refletir? Então, eu preciso de manter esta unidade A unidade com Cristo, unidade uns com os outros, mas recebendo de Cristo, recebendo do Céu esta influência que me leva a ser semelhante a Cristo. E isto leva-me a repensar os meus. Valores, os meus desejos. A desejar ser como Jesus. Isso é um verdadeiro mistério, não é? É um mistério. E quando pensamos nesta segunda parte do que Moisés estava a falar, do amor aos outros, eu lembro-me do maior momento que Jesus, também em vida, ainda não na cruz, mas mostra este lado de servo, de serviço, de amar os outros, que é o momento da Santa Ceia.

E que Ele diz, assim como eu fiz... O que é que Ele diz? Vocês devem fazer. E porquê é que nós devemos fazer esse treino? Se nós pensássemos Jesus como o nosso treinador, Ele disse, olha, agora vocês precisam fazer este treino. Vocês precisam repetir isto. E porquê é que nós devemos treinar? Porque nós precisamos ter a prática, não é? Nós precisamos ter a prática. Porque se nós estivermos só aqui a falar, nós podemos estar aqui os quatro a falar sobre isto maravilhosamente. Mas se sairmos daqui, e a nossa vida for só ler e não praticarmos nada. Os outros passam ao nosso lado, não há uma mão estendida, não há um sorriso, não há um momento que eu paro o meu dia para estar com eles. Se eu não praticar, meus amigos, vamos ser muito bons na letra, não é? Mas não vamos... Estamos mostrarizeiros.

Isso. E por isso nós precisamos mesmo ir aos treinos, praticar, para sermos semelhantes a Jesus. Nós temos apenas um minuto e eu vou pedir que vocês, de forma de 30 segundos para cada um, que nós possamos resumir tudo isto que é a unidade mediante a humildade. Vou começar pelo Pedro. Pedro. Talvez a minha mensagem final, nesse aspecto, fosse a ideia de que nós precisamos de olhar para Jesus como o nosso exemplo e procurar viver de acordo com o exemplo que ele nos deu. E Jesus foi isso mesmo. Não foi aquele que ficou fechado a refletir, foi o que avançou, tocou nas pessoas, coroas, esteve no meio delas. Moisés, se nós seguirmos o exemplo de Jesus, o que é que vai acontecer?

Vamos ser homens e mulheres, o nosso mundo vai ser transformado. Porque o nosso mundo precisa disso. O nosso mundo precisa de ver Jesus em nós. E nós precisamos, pela unção do Espírito, pedir ao Senhor que nos transforme, que nos faça ser como Jesus. Como é que nós podemos viver isto na prática? Vivendo com o poder de Deus e deixando que esse poder possa fluir de nós. Eu lembro-me de Jesus dizer, uma vez quando estava apertado pela multidão, quem me tocou? Porque ele disse, de mim sei o poder. Quando nós sentirmos que a nossa mão realmente tocou alguém, nós sabemos que temos o poder de Deus. Eu agradeço-vos imenso por este tempo que passámos aqui a falar sobre as coisas boas que Deus nos deixou e a vermos-nos encontrar novamente neste ou no outro programa, mas sobretudo aqui no Biblia Aberta.

Muito obrigado pela vossa presença. Quanto a si, já sabe, nós estamos mesmo no final do programa, mas quero relembrar-lhe o guia de estudo que selecionámos para si. É um guia de estudo que fala sobre a máquina humana, portanto, cada um de nós. Neste guia de estudo, você vai encontrar vários conceitos extremamente importantes e necessários para cuidar da sua vida, seja ao nível físico, mental e espiritual. Por isso, se desejar este guia de estudo, é muito simples, basta enviar uma mensagem para o 933 939291, 933939291, solicitar, e do outro lado alguém irá enviar para a sua casa totalmente gratuito. Já sabe, o programa Bíblia Aberta passa sempre aqui na TV Novo Tempo, no canal 186 da Mel, poderá ouvir-nos também na Rádio RCS, nos 91.2 FM, ou então no canal do YouTube.

Está tudo dito por hoje, nós voltamos para a semana, se Deus quiser. Até lá, muitas bênçãos de Deus para si.

Sobre este episódio

Neste episódio do Bíblia Aberta, somos convidados a refletir profundamente sobre um tema essencial para a vida cristã, a unidade que nasce da humildade. À luz de Filipenses 2, Paulo apresenta-nos um desafio claro e transformador, deixar o ego de lado e aprender a olhar para os outros com o mesmo amor e serviço demonstrados por Jesus Cristo.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 4
Estreou
18 de Janeiro de 2026
Categoria
Espiritualidade