Confiança Só em Cristo

Confiança Só em Cristo

01 de Fevereiro de 202657 min 10 s

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É sempre muito bom podermos estar consigo em mais um programa A Bíblia Aberta. Semanalmente passamos por aqui, na TV Novo Tempo Portugal, para deixarmos sempre uma mensagem de esperança e de certeza em Cristo Jesus. Já sabe, pode estar em sintonia com a TV Novo Tempo Portugal a partir do canal 186 da MEU. Ou então, se não tiver esta oportunidade, poderá sintonizar as emissões da Rádio RCS nos 91.2 FM para toda a Grande Lisboa. E se nenhum destes canais for possível para si, então, já sabe, pode encontrar-nos no nosso canal do YouTube, no programa A Bíblia Aberta. É sempre muito bom podermos estar consigo, é sempre muito bom podermos abrir a palavra de Deus e podermos tê-la bem perto de nós.

E por isso mesmo, para podermos abrir a palavra consigo e podermos falar um pouco sobre o tema deste episódio, que tem por título A Confiança Só em Cristo. Só em Cristo é que nós conseguimos ter realmente esta confiança. Para me acompanharem, eu tenho o Pedro Esteves. Olá Pedro, bom dia. Também a Hortelinda Gal, que já é, digamos, habitual estar connosco. Obrigado, Hortelinda. Bom dia, Jorge. E também o Paulo Macedo. Olá, Paulo. Sejas bem-vindo, mais uma vez, ao programa A Bíblia Aberta. Obrigado aos três. Vamos começar. Vamos abrir a Bíblia, no livro que estamos a estudar.

A alegria no Senhor

Este episódio continua a sequência de episódios, ou desta temporada, se quisermos, sobretudo focados na carta aos filipenses e, por isso, Se tiver a sua Bíblia consigo, abra então em Filipenses capítulo 3 para lermos do versículo 1 ao versículo 3. Filipenses capítulo 3 versículos 1 a 3 diz, Não me desgosto de escrever-vos as mesmas coisas e é segurança para vós. Acaute laivos dos cães, acaute laivos dos maus obreiros, acaute laivos da circuncisão, porque a circuncisão somos nós que servimos a Deus em espírito e nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne.

Paulo, nesta passagem, eu diria que ele está aqui a dar-nos algumas dicas, porque, quer queiramos, quer não, vivemos sempre, e mesmo nos nossos dias, se quisermos, vivemos sempre debaixo de uma imensa informação enganosa. Hortelinda, de que forma é que este regozijo nos senhores, porque Paulo dá-nos esta frase de nos regozijarmos nos senhores, refere que nós, Enfim, nos pode ajudar a rejeitar, se quisermos, os ensinos enganosos que circulam e que circundam à nossa volta? Primeiro eu gostaria de referir que possivelmente os nossos telespectadores e ouvintes ficarão um pouco chocados que o apóstolo tenha chamado cães àqueles que realmente não partilham das mesmas ideias ou que são diferentes.

É bom referir que no pensamento hebraico o cão representa apenas as pessoas sem sensibilidade. Muitas vezes até estão associados aos porcos, como Jesus diz, não deis as coisas santas aos cães, nem as vossas pérolas aos porcos. É uma imagem para aqueles que realmente não têm a sensibilidade espiritual, ou não têm, ou ainda não despertaram realmente para ela. Então, perguntas-me como é que há alegria, porque o teste começa com isto, de regozijar a visão do Senhor. pode contribuir para evitarmos os erros ou os identificarmos. Em primeiro lugar, é bom dizer que Esta epíscola de Filipenso é mesmo chamada a epíscola da alegria e que esta alegria podemos dizer que é a base da experiência e da existência cristã.

Não se trata de uma alegria ruidosa, aberta, que esteja de harmonia com circunstâncias favoráveis, de acordo com os nossos desejos, com os nossos instintos, com aquilo que realmente nós queremos, os nossos interesses, mas é uma alegria no Senhor. Este, no Senhor, é, efetivamente, a nota tónica desta alegria. O fundamento desta alegria é o Senhor, é Jesus Cristo. Então, o que é alegrar-se em Jesus Cristo? Este em Cristo, temos visto ao longo desta temporada e em todos os escritos de Paulo, é fundamental, este em Cristo, porque em Cristo Na realidade, tudo está ganho, tudo está conseguido.

O mal está ultrapassado, o pecado está vencido, a própria morte está vencida. Alegrar-se no Senhor é alegrar-se naquilo que Cristo representa, que é a nossa salvação. O apóstolo Paulo dirá isto de outra maneira na primeira epístola aos coríntios. quando ele diz, mas vós sois dele em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito sabedoria, justiça, santificação, redenção. É isto tudo que Cristo é para nós e muito mais. Então, regozijar-se no Senhor é regozijar-se nisto. Jesus solucionou todo o problema da humanidade. Em Cristo, tudo o que foi perdido em Adão é realmente recuperado em Cristo.

Nós costumamos dizer que há solução para tudo, menos para a morte, dizem os portugueses. Mas Jesus até para a morte tem a solução, porque Ele ressuscitou, venceu a morte. E, portanto, nos oferece essa ressurreição. E é muito curioso ver que Deus ele próprio quer que sejamos felizes. Deus quer que sejamos felizes e quer que realmente nos apropriemos desta magnificência do dom que representa Jesus Cristo para podermos desfrutar desta alegria. Então, esta alegria podemos dizer que é um fruto do reconhecimento do que Deus fez, do que Deus é, do que Ele nos preparou e do que Ele nos está, portanto, ainda a preparar.

Isto produz confiança. e produz gratidão. E esta confiança e esta gratidão, de alguma maneira, são uma abertura a Deus. Quando estás confiante, quando estás grato, abres, portanto, todo o teu ser, o teu coração, na direção de Deus. E vais receber algo que é muito importante, que é o Espírito Santo. Quando nos abrimos, o Espírito Santo invade tudo aquilo que realmente nós lhe oferecemos. E como diz o Senhor Jesus, o Espírito Santo vos conduzirá em toda a verdade. é porque o próprio Espírito Santo é chamado o Espírito da Verdade. Então, se temos o Espírito Santo, que é o Espírito da Verdade, que nos conduz à verdade, por essa abertura da gratidão que vem da alegria do que o Senhor nos deu, e se usamos a palavra, que ainda por cima a palavra também é chamada a palavra da Verdade, portanto, o Espírito Santo que é a Verdade, usando a palavra que é a Verdade, nos vão conduzir a Cristo, que também é a verdade.

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Então, é muito importante estes dois instrumentos, o Espírito Santo que é verdade e a palavra que é verdade. Os dois. O Espírito Santo, sem palavra, como a palavra é a espada do Espírito, o Espírito fica desarmado, não pode fazer muito. E a palavra sem o Espírito é a letra morta. Portanto, são necessários os dois para que te dê iluminação, discernimento, para que possamos, então, realmente discernir entre o erro e a verdade. É esta presença do Espírito que nos vai ajudar a detectar as doutrinas falsas, enganosas, como tu dizias há pouco. Portanto, a alegria produz esta abertura e esta abertura realmente é a aceitação, acolhimento do Espírito, que ele sim nos vai guiar em toda a verdade.

Então, por vezes, algumas pessoas já me têm dito assim, como é que eu sei onde está a verdade? Como é que eu sei o que é a verdade? Teria que analisar todos os credos de todas as igrejas para depois ver qual é realmente a verdade. Eu penso que seria um empreendimento titânico. Na medida em que só na Igreja Cristã nós temos 45 mil denominações, mais de 45 mil denominações, procurar analisar todas para tirar a verdade seria realmente qualquer coisa que a vida não chegaria talvez para isso. Mas não precisamos, precisamos apenas de nos abrir ao Espírito e deixar que o Espírito nos conduza. Em humildade, em mansidão, o Espírito vai nos conduzir e dar essa visão de quando aquilo que lhe é dito é verdade ou não é.

Aquilo que lhe é apresentado é autêntico ou é falso. Mas precisamos de uma referência, não é? E essa referência é a Palavra de Deus, essa referência que o Espírito Santo vai usar. Então, se queremos identificar e, de alguma maneira, protegermos contra o erro, é conhecer a verdade. É muito interessante que estás a dar duas ferramentas para este regozijo, para esta alegria, que é o Espírito Santo como a verdade e a Palavra como a verdade. E, portanto, nós podemos dizer que a Bíblia é uma espécie de manual de instruções, se quisermos, para chegarmos a essa verdade e para conquistarmos, para atingirmos essa verdadeira felicidade.

O perigo do orgulho

Eu gostava muito rapidamente que nós agora pudéssemos olhar de uma forma muito sintética para a vida passada de Paulo. Porquê? Porque Paulo vai chamar um bocadinho o seu passado também para nos mostrar que os cristãos, em muitos momentos, antes de aceitarmos Jesus, temos um modo de vida e depois de aceitarmos Jesus temos um outro modo de vida. Por exemplo, se formos a Filipenses, capítulo 3, versículos 4 a 6, nós vamos encontrar Paulo a referir um desses momentos ou alguns desses momentos. Diz Filipenses capítulo 3 versículos 4 a 6. Ainda que também podia confiar na carne, se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu, circuncidado ao oitavo dia da geração de Israel, da tribo de Benjamin, Hebreu de Hebreus, segundo a lei fui fariseu, segundo o zelo perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei irrepreensível.

Ou seja, o que é que nós temos aqui? Temos um Paulo que nos traz à memória uma série de coisas que ele viveu no passado, que viveu antes de ter Cristo, e agora ele, depois de ter aceitado Cristo, vai mostrar como é que é a sua vida agora numa outra conquista. O currículo não está nada mal, não é? Não está nada mal, exatamente. Pedro, como é que as conquistas, se nós quisermos dizer assim, conquistas da nossa vida passada, apesar de tudo, quer queiramos ou não, analisando bem, poderão ser barreiras espirituais se elas ocuparem o principal lugar da nossa vida, o lugar da graça? Sim, podem tornar-se barreiras e é curioso porque aqui o apóstolo refere-se a um conjunto de realidades que à partida seriam interpretadas como coisas boas, como boas conquistas.

Por isso, aqui o apóstolo está a usar de ironia, claramente. E se for lido isoladamente, sem o resto do contexto, até poderia dar a ideia contrária. Ele está claramente a dizer que se fosse para tentar ver um currículo espiritual, teológico, familiar, de tradição, de origem, ele diria que se fosse isso que tivesse algum valor, eu então apresentava já o meu currículo. Em certo sentido é como se ele dissesse o meu currículo é dos melhores que é possível apresentar. E estes vários exemplos de circuncidado ao oitavo dia, que é para dizer, exatamente como a lei prescrevia, em mim, todas as coisas foram feitas. Era como algum de nós olhar para o seu passado e dizer, eu fui uma criança excepcional, uma adolescente incrível.

Olhar para o passado e mostrar como nós cumprimos as etapas e o que era suposto termos feito. Ele vai até à sua origem, à tribo de qual é a origem, e depois usa como cúmulo, se quisermos, desta ironia de que ele até poderia ser chamado irrepreensível. Mas, curiosamente, nada disto o apóstolo está a dizer para validar alguma coisa. É, no fundo, para dizer que de nada isto vale. Não o qualifica diante do que é realmente o que é uma vida em Cristo e o que é a qualificação do cristão. Mas, realmente, torna-se, daí a tua pergunta, esta explanação histórica que ele faz, torna-se uma boa metáfora para esta ideia de que o nosso passado e mesmo o nosso currículo sobretudo em termos religiosos, que é o que ele também vai situar-se mais, eles podem ser um grande engudo e um grande engano para nós.

E por isso é que na teologia cristã é um alerta permanente. Eu queria chamar a atenção aqui, pelo menos, para três pontos. O primeiro deles é que, diante de Deus, nós não temos currículo. Só temos cadastro. Tudo aquilo a que nós poderíamos chamar currículo é válido diante uns dos outros, porque como a nossa escala é mais ou menos equivalente uns aos outros, é muito fácil alguém se destacar nessa escala humana a partir do seu currículo. Por isso é que para nós é muito valioso os títulos que temos. Os títulos são muito valiosos. Alguém ser chamado doutor, alguém ser chamado pastor. Mesmo na perspectiva eclesiástica, os títulos dão-nos credibilidade.

Porque, em princípio, para a pessoa obter ou ser chamada por aquele nome, alguma coisa ela fez ou conquistou. Por isso eu digo, é esta escala. Também as nossas obras, que é as coisas que já fizemos. Nosso currículo, muitas vezes, também é feito de coisas que nós já conquistamos. Uma obra que deixámos para trás. É por isso que uma boa perspectiva é pensar que a distância a que Deus está de nós é tão grande. A Bíblia diz isso muitas vezes. Os pensamentos dEle são tão diferentes. Ele está tão longe de nós que quando Deus olha para nós, todas essas coisas são realmente irrelevantes. Há um exercício humano muito simples de fazer isto. Se subirmos a um andar, a um prédio, por exemplo, muito alto, quando nós olhamos do prédio alto para baixo, tudo está ao mesmo nível.

Uma pessoa, um carro, nós não... Um carro, um camião, é tudo igual se nós estivéssemos no andar 70 de um arranha-céus. É um nível de grandeza. Porque a perspectiva, a distância é tanta que as coisas deixam de ter relevo umas em relação às outras. É uma pequena metáfora de... Portanto, quando Deus olha, do alto da sua santidade, da sua perfeição, de quem conhece as intenções do coração. O que é que interessa a um diploma que eu tenha para apresentar? O que é que interessa às coisas que na minha história eu já conquistei? se há tantas falhas no meu coração, nos meus pensamentos. É por isso que, diante de Deus, em vez de currículo, nós só temos cadastro. Porque se ele fosse a olhar para a realidade das nossas obras, mais depressa, mais evidentes seriam as nossas falhas, os nossos fracassos, as nossas incapacidades, diante dele, do que as nossas grandezas ou conquistas.

Mas nós, se nos agarrarmos a elas, elas são barreiras para nós. Por isso elas tornam-se barreiras, porque elas seguem-nos o olhar de Deus. e são realmente muito um olhar humano. É quase para nós irresistível ter esse olhar humano sobre as pessoas, sobre as coisas. Mas a Bíblia diz-nos, o apóstolo Tiago, por exemplo, diz que Deus resiste aos soberbos. Uma expressão fortíssima, mas dá graça aos humildes. O que acho que é uma expressão incrível, é Tiago 4.6, para ficar aqui o registro, quem quer ir verificar. que acha uma expressão extraordinária sobre essa visão de Deus. Ele dá graça aos humildes, porque o humilde é aquele que não quer ser nada. No fundo, o humilde sabe que não vale nada.

E isso é o único currículo que podemos trazer diante de Deus. Por isso é que Paulo, que aqui, ironicamente, diz estas coisas todas, mas quando fala sem ironia, ele diz, miserável homem que eu sou. Esse é Paulo a falar sobre quem é. Mesmo. Mas depois quando ele diz, se fosse para apresentar um currículo, está aqui o meu. Mas ele sabe que isso não conta para nada. Em Mateus 23, Jesus diz, aquele que se exalta será humilhado e aquele que se humilha será exaltado. muitas vezes, de tantas formas, reformula esta ideia muito importante. E é por isso que a graça é, talvez, o grande tema do Novo Testamento, em particular, porque é esse conceito de que não somos nós que apresentamos nada diante de Deus.

O nosso nome, a nossa assinatura, não está em nada que tenha a ver com a nossa salvação. É por isso, o segundo aspecto que eu queria fixar-me é dar força à ideia de que o orgulho espiritual é por isso mesmo na Bíblia considerado como o grande pecado do povo de Deus. Ele está sempre assim atribuído àqueles, não é àqueles que estão fora de Cristo, fora do conhecimento da verdade. Quando se fala daqueles que já tiveram acesso a esse conhecimento, o grande risco, o grande problema é sempre o orgulho espiritual. Porque nos desfoca de Deus e nos faz focar em nós. Em nós próprios, no tal currículo que nós temos, seja no olhar sobre nós, seja sobre os outros.

Na verdade, o orgulho espiritual é a condição que nos torna incapazes do arrependimento. E como o arrependimento é absolutamente essencial na nossa caminhada com Cristo, o orgulho espiritual retira-me a capacidade de perceber que eu tenho que me arrepender. Por isso é que nós temos a Carta à Laodiceia como um dos grandes exemplos proféticos, mas que tem esta aplicação universal, que é que tu dizes... É Deus que diz. Tu dizes, rico sou, tens a coragem de dizer, rico sou, de nada tenho falta. E a expressão fortíssima dessa carta, quando Deus diz eu vou vomitar-te da minha boca, que é uma metáfora fortíssima, por isso é que podemos dizer que essa condição de olho espiritual é uma coisa que Deus abomina e que é muito forte nos termos quando fala sobre isso, é olhar para Jesus.

e ver as coisas que Jesus disse aos orgulhosos da religião e da espiritualidade. Disse-lhes coisas terríveis, com ataques muito fortes, porque o assunto é tão relevante que mesmo Jesus não se inibiu de dizer raça de víboras ou sepulcros caiados de branco, e o que estava em causa é. Vocês querem fazer passar uma ideia. Querem trazer um currículo que não têm. Só têm cadastro, mas não estão conscientes disso. E por isso, Quanto mais pensamos que somos válidos, que somos bons, que temos coisas que já conquistámos, estamos a falar do ponto de vista espiritual, teológico. Antes disso, ao teu terceiro ponto, posso só interromper e dizer 30 segundos. Eu vou ficar por ele por este segundo. Não, mas é que já não tem tempo.

É porque aqui na questão da... Nós às vezes estamos a falar de uma pessoa genial. Paulo, para além da inspiração, tinha um género muito próprio na forma de escrever. E como já foi explicado, ele estava a escrever um conjunto de pessoas que viviam numa cultura grega, num império romano, e que não eram judeus, a maioria deles. E utiliza figuras de estilo que eles vão compreender. E ele está a utilizar um argumento de autoridade. Existe uma ironia muito forte aqui, mas existe uma fonte de autoridade. O que ele está verdadeiramente a dizer com este texto é assim. Se há alguém que poderia... afirmar ter algum mérito perante a lei, sou eu. E vai dizer todos os pontos em que a lei, para os judeus principalmente, credenciaria uma pessoa a falar. E chega ao fim e diz assim, se mesmo eu, que tenho todas estas coisas que me podiam credenciar, não as tomo como mérito meu, quanto mais aqueles que ficam aquém de tudo isso.

Isto é realmente muito forte. A maneira como Paulo apresenta esta maneira de ver as coisas desarma qualquer um que possa invocar qualquer mérito próprio, incluindo eu, incluindo nós, e eu acho que realmente esta frase é mesmo muito forte relativamente ao que é graça. Desculpa interromper, mas vai ao terceiro que tiras do meu tempo. Não interrompeste nada porque foi muito útil. Neste caso já não vou explorar o ponto, mas deixo uma frase final para dizer que A salvação não é uma média das coisas que fazemos. Por isso é que a graça é tão indispensável. Porquê? Porque nada do que eu tenho hoje, do que eu conquistei hoje, é uma garantia do que vai acontecer amanhã, diante de Deus. Porque se eu amanhã me afastar dos caminhos de Deus, não interessa o que eu conquistei nos dias antes. Então não há uma média para a salvação.

É por isso que a única solução é a graça. porque a graça põe sempre o nível onde ele tem que estar. Eu creio que é isto também que o apóstolo Paulo está a tentar dizer. Sem dúvida que todos nós temos um passado que não podemos apagá-lo, é nosso, não

A verdadeira visão espiritual

conseguimos eliminá-lo, mas a confiança que nós podemos ter em Cristo Permite que nós não fiquemos agarrados ao nosso passado, mas que avancemos e que olhemos para a frente, porque é isso que o Senhor Deus quer. E para isso eu gostava que nós pudéssemos ler agora, nós aqui, você aí em casa, se tiver a sua bíblia à mão, pudéssemos ir agora saltar de Filipenses e irmos a São João capítulo 9. É só um saltozinho para trás, não é muito. É também no Novo Testamento, no Evangelho de São João, capítulo 9, versículo 39, nós podemos ler, e disse Jesus, eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem sejam cegos.

Estas palavras não são do apóstolo Paulo, são do próprio Jesus, embora Paulo pela descrição do seu passado nos tenha mostrado claramente que nós não nos podemos orgulhar em muitos momentos daquilo que fizemos, e são muitas vezes obstáculos para a nossa fé, se quisermos nos agarrar a elas. Paulo, que atitudes ou que conquistas, se quisermos que valores, podem estar hoje a cegar-nos espiritualmente e... E o que é que importa verdadeiramente para nós podermos ter uma completa confiança em Cristo? Olha, eu agradeço tanto demais porque a pergunta que me calha, embora seja da perfeição que é Cristo, aparentemente é mais fácil do que interpretar os escritos de Paulo.

E nós estamos realmente com o livro de Filipenses, que é um livro fantástico, com a profundidade do que Paulo diz. E Jesus é alguém em cuja perfeição nós vemos colocar as grandes verdades de uma forma extremamente simples. E antes de nós vermos o que é que foi dito no versículo 39, eu acho que é muito importante procurarmos relembrar com aqueles que nos estão a ouvir, e posso não estar a enquadrar, o momento em que Jesus disse essas palavras. Porque existe aqui um paradoxo, um contraditório, que é muito interessante pensarmos. O que tinha acabado de acontecer era uma cura de um cego de nascença. perante, e as conversas subsequentes com a família desse cego e com os fariseus, em que nós vemos este contraditório muito interessante de vermos um cego que agora vê plenamente, em ambos os sentidos do que é a visão, ao lado de líderes religiosos que continuam espiritualmente cegos apesar de verem fisicamente.

Este é o paradoxo daquele momento. É alguém que não via fisicamente e que não via espiritualmente e que passa a ver das duas maneiras. em que, no fundo, a cura física, mais uma vez, é a credenciação, é o crédito daquele que consegue curar também espiritualmente. Há aqui, mais uma vez, como o Pedro Bocado utilizou a palavra ironia, a ironia aqui é que o cego físico agora vê, enquanto que os mestres espirituais continuam sem ver plenamente. Quando nós lemos todo o texto de João IX, é essa a conclusão que tiramos. Mas, de facto, colocas uma pergunta que é muito interessante. O que é que nos separa? O que é que pode na nossa vida levar a que nós possamos não ver? Não ver o que Cristo deseja para nós? E nós temos que reconhecer que a vinda de Cristo produz uma divisão.

Uma divisão muito grande entre aqueles que reconhecem a necessidade de Cristo como Salvador e aqueles que continuam a confiar na sua sabedoria e que rejetam a necessidade de Cristo. No fundo, isto é uma coisa que hoje em dia não é muito popular, porque o relativismo diz que cada um encontra a sua verdade, a Ortelina está a falar nisso, mas Cristo traz um juízo sobre o conhecimento da verdade. Isto parece assim uma frase muito feita, uma expressão muito feita, mas é isso que acontece. Quando uma pessoa conhece a verdade, a partir desse momento está sobre um juízo. de aceitar ou de não aceitar, consoante o conhecimento que lhe é dado. Conta-se uma história, que não é uma anedota, uma história que, se calhar, vocês também já ouviram, de dois missionários que se bateram à porta de uma pessoa um dia e que lhes disseram, olha, estou aqui só para lhe dizer que Jesus vem e você tem que orientar a sua vida segundo os seus princípios.

Boa tarde e vamos embora. E a pessoa ficou a pensar, mas então eu estava tão sossegado, para que é que me disse isso? Porque, de facto, muitas vezes acontece que nós acabamos por dar as notícias sobre o que é o Evangelho, sobre o que é o amor de Deus, de uma forma que os coloca sobre o juízo das suas ações, dos seus pensamentos, e se centram nas próprias pessoas. E não é essa a visão que Deus nos quer dar do que é o conhecimento da verdade. O que acontece com aquele cego que é curado é que ele vê a verdade na perspectiva de uma pessoa. de alguém que teve interesse por ele e que o curou e que o restaurou, digamos assim, o tornou pessoa completa no sentido em que o curou fisicamente e lhe abriu a mente espiritualmente. A tua pergunta foi o que é que nos cega hoje.

Isso. O que é que nos pode cegar hoje como seres humanos? E eu penso que há algumas autossuficiências. Pedro falou há pouco no orgulho e nós podemos ir por aí. Algumas autossuficiências que são aquelas que nos impedem de ir a Deus de uma forma humilde, a necessitar de cura, como aquele cego. Em primeiro lugar, a autossuficiência religiosa, porque essa foi a que foi demonstrada pelos fariseus. O problema deles não era serem ignorantes, era precisamente o contrário, era acharem que já sabiam tudo o que era necessário para serem, por eles próprios, suficientes para a sua salvação. Eles diziam que viam, porque tinham escrituras, tradições, alinhagem. E hoje isso pode traduzir num acumular de conhecimento sem nos deixarmos tocar e sem nos deixarmos transformar pessoalmente por esse conhecimento.

Acho que é um dos primeiros pontos que vale a pena falar. O segundo, a autossuficiência da identidade. Hoje fala-se muito nas questões da identidade. É fácil nós nos construirmos sobre quem somos profissionalmente, ou o que temos materialmente, sobre a nossa família, porque nos dá uma autossuficiência, ou um reconhecimento que as pessoas têm relativamente a nós socialmente, acabam por se transformar em confortos pessoais que nós temos, em que quase que não sentimos a necessidade de reconhecer a nossa insuficiência. E essas questões da nossa própria identidade muitas vezes podem ser uma barreira. Podíamos usar aqui o termo de Jesus. Cegueira, não é? É uma cegueira. É uma cegueira. Outra é uma autossuficiência coletiva. Porque pertencemos a um determinado grupo religioso, porque pertencemos...

Hoje em dia também se fala muito nisto. ou uma determinada etnia com foco religioso, ou porque pertencemos a um grupo de pessoas que se acha uma casta superior porque atingiu um determinado tipo de iluminação. Esta autossuficiência coletiva muitas vezes também nos impede de encontrar um Cristo que é pessoal. E finalmente a mais importante, que é a autossuficiência espiritual. E nós temos que reconhecer que muitas vezes, quantas vezes nós vivemos com as nossas certezas de que estamos no bom caminho, Porque não fomos capazes de colocar as nossas dúvidas honestamente a Deus. Porque não somos capazes de lhe dizer, eu preciso mais de ti pessoalmente. A minha vida, apesar de eu estar a sentir bem, pode ter alguma coisa oculta que eu ainda não resolvi. E todas estas coisas nos podem impedir de ir a Deus.

O Pedro falou... Há pouco em Laodiceia também encontramos lá quais são as soluções, não é? O que é que temos que comprar de Deus e uma delas tem a ver precisamente com a visão. Diz lá precisamente o colírio. O colírio é um tipo de soro que podemos usar que nos faz ver. E não há outro colírio melhor do que pedir que o Espírito Santo nos sonde para ver quais são as autossuficiências que nós temos que nos estão a impedir de efetivamente ver. E essa é a única possibilidade de olharmos para a frente, não é? É, não temos outra possibilidade. Muito bem. Nós estamos a necessitar de fazer uma curta paragem. É pena, mas temos de o fazer. Nós vamos sair para um pequenino intervalo.

Guia de estudo

Não saia do seu lugar porque a segunda parte promete. Nós estamos a falar sobre a confiança que nós devemos ter em Cristo. Fico por aí. Nós voltamos já a seguir. TV Novo Tempo. O canal do sábado. O canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte deste episódio que nós estamos a oferecer-lhe da Bíblia aberta. Semanalmente nós abrimos a Bíblia para podermos encontrar nela aquilo que Deus tem para nos dizer. Mas antes de voltarmos à conversa, de retomarmos a nossa conversa com os nossos três convidados, o Pedro Esteves, a Hortelinda Gal e o Paulo Macedo, eu tenho um guia de estudo para lhe propor. Um guia de estudo que é bastante interessante, tem por título Eu no Universo.

É um guia de estudo, talvez, mais direcionado para os jovens, mas não significa que você, com a sua idade, não importa, não possa receber gratuitamente este guia de estudo. Só para ter uma ideia, são vários os temas que aqui estão mencionados, eu destaco este. Jesus morreu por mim. Qual é o significado desta verdade? Não sei se já pensou em tudo isto, porque é que Jesus morreu por nós e qual foi, no fundo, a razão plena de Jesus ter-se morrido por cada um de nós. Ora bem, se quiser saber mais sobre este e outros temas, poderá escolher este guia de estudo, poderá pedir, solicitar, Eu no Universo. Basta ligar para o 933-939291, 933-939291, ou então enviar uma mensagem pelo WhatsApp solicitando o guia de estudo Eu no Universo.

E claramente daremos todo o gosto em oferecer-lhe. É totalmente gratuito, chegará a sua casa sem qualquer tipo de custo. ou a necessidade de poder fazer alguma coisa mais. Fique então com esta certeza de que queremos muito que estude a Bíblia e como este é um programa de Bíblia aberta, vamos continuar. E eu gostava muito de só fazer aqui um, digamos que um apanhado daquilo que já dissemos aqui. Nós vimos que realmente temos a necessidade de nos regozijarmos sempre em Cristo. O regozijar-nos em Cristo passa por termos a presença do Espírito de Deus e a Palavra de Deus? Verificamos também que o nosso passado existe e nós não nos podemos esquecer dele, mas podemos seguir em frente, tendo os olhos postos em Jesus.

E eu gostava, neste momento, de podermos voltar à Carta de Filipenses para lermos agora no capítulo 3, versículo 8 e 9. Se tem a sua Bíblia consigo, então volte novamente à Epístola ou à Carta aos Filipenses. Vamos abrir no capítulo 3 e vamos ver agora os versículos 8 e 9.

A justiça de Cristo

E diz assim... E na verdade tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco. para que possa ganhar a Cristo e seja achado nele, não tendo a minha justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé. Nós voltamos aqui quase como que à primeira pergunta, não é? Quase que voltamos ao início da nossa conversa ao estado atual das nossas sociedades, àquilo que é a cegueira espiritual de muitos de nós. Hortelinda, como é que nós podemos viver diariamente esta realidade de dependência, não da nossa própria justiça, mas da justiça de Cristo, sem cairmos, como falávamos há pouco, naquela armadilha de tentar construir a nossa própria justiça.

É interessante esta comparação que o Apóstolo faz aqui, não é? Ele faz a comparação entre um antes, o que ele era, não é? O tal fariseu irrepreensível, orgulhoso, que tinha tudo, não precisava de nada, e o Paulo que ele é depois de algo que lhe aconteceu. E o que lhe aconteceu foi um encontro com Cristo. Ou seja, ele perde tudo. Ele perde tudo porque ele ganha o tudo. Porque ganha tudo. Ele ganha o tudo. Este encontro com Jesus Cristo é realmente marcante na vida de Paulo e é marcante na vida, portanto, de todo o crente, não é? Da mesma maneira que há na história um antes de Cristo e um depois de Cristo.

Também na nossa vida tem que haver um antes de Cristo e um depois de Cristo. E é Cristo que vai fazer realmente a diferença. Portanto, antes de Cristo, o apóstolo tinha a sua própria justiça. Quando ele encontra Cristo, ele vê que realmente a sua justiça não é nada. É como ele diz mesmo, é lixo. Ele até usa um termo mais forte, não é? Ele diz que é realmente imundícia, não é esterco. Portanto, é a palavra que temos nas nossas versões portuguesas. Portanto, isso mostra que é esse encontro com a pessoa de Jesus que é fundamental e que vai realmente mudar a nossa vida. E quando nós temos esse encontro com Jesus, quando nós olhamos para Jesus, nós vemos, como dizia o Pedro há pouco, que realmente não temos currículo, só temos cadastro.

e que não é possível a um criminoso limpar o seu próprio cadastro. Alguém do outro tem que o limpar. E o que Jesus fez foi isso. A sua justiça foi a maneira como ele limpou o nosso cadastro, pagando realmente o preço da nossa transgressão e do nosso pecado com sua própria morte. Ou seja, Paulo sentia-se completamente limpo do seu cadastro. Após o encontro com Jesus. Ela sabia que tinha o cadastro e que ele estava limpo com Jesus. Então, não era possível ele avançar com uma justiça própria. Mesmo antes de Cristo, nós pensamos que somos bons, que somos dignos, que realmente até podemos ter os melhores, mas quando nos encontramos com Jesus, nós realmente encontramos com a nossa realidade.

Porque isto de pensarmos que somos bons e os melhores, o nosso orgulho, É uma alienação, porque é uma mentira. Nós não somos assim. Então, Jesus, que é a verdade, que dizíamos há pouco, Ele também nos traz à nossa verdade. E a nossa verdade é que somos pecadores. e que por nós mesmos não podemos fazer nada por nós mesmos. Necessitamos de Cristo. Só em Cristo é que podemos ser considerados juntos, justos. Então, para mantermos a justiça de Cristo e não a nossa, nós precisamos, penso eu, de manter e atualizar o nosso encontro com Cristo. Enquanto estamos com Cristo, nós sentimos quem somos.

Sentimos-nos agraciados por aquilo que Ele fez por nós. Mas quando nós nos afastamos de Cristo, a nossa tendência natural é voltar realmente àquilo que nós éramos. E é começarmos novamente a confiarmos e a fiarmo-nos nas nossas próprias justiças. É por isso que a Bíblia diz que o nosso coração é enganoso. Mais do que todas as coisas. É o coração enganoso mais do que todas as coisas. Porque o ser humano, a nossa natureza humana, necessita sempre de se fazer valer, reconhecer, validar, afirmar-se. Precisamos, de alguma maneira, de nos gloriar. Precisamos nos gloriar em nós mesmos.

E é só diante de Cristo. que nós vemos que isso realmente é falso, é uma mentira. Não temos nada de que nos gloriar. Aliás, o apóstolo Paulo diz isso na Epístola aos Gálatas, não é? Longe de mim esteja a gloriar-me. A não ser onde? Na cruz de Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. O mundo é todo este conceito que nós temos de justiça própria, de capacidade própria, de afirmação própria. Portanto, é em Cristo que nós reconhecemos a nossa fraqueza. Não podemos, não temos nada que nos gloriar. Precisamos de aceitar a justiça de Cristo pela fé. E, se conseguímos-lo, mantemos-lo contemplando Jesus, aceitando o seu amor, agradecendo.

vivenciando a sua justiça na nossa vida. Como diz o apóstolo Paulo, para sermos achados nele com a sua justiça e não com a nossa justiça. A nossa justiça é o que diz o apóstolo Paulo. A palavra fiel e digna de aceitação é esta. Jesus Cristo veio ao mundo para salvar pecadores, dos quais eu sou o principal. E é assim que nós nos devemos ver, o principal pecador. aceito e justificado por Jesus Cristo.

Conhecer a Cristo

Eu creio que todos nós estamos de acordo, mas que não é nada fácil. Mas nós podíamos resumir tudo o que estamos a dizer aqui, é que se estivermos em Cristo e Ele viver em nós, a nossa fé é perfeiçoada, o nosso regozijo é constante e o nosso passado é uma mera expressão da nossa vida, quer queiramos, quer não. Se formos agora a Filipenses, capítulo 3, e eu gostava de convidar todos aqueles que estão lá em casa a poderem novamente entrar na epístola aos Filipenses, agora no capítulo 3, e vamos ao versículo 10, porque ainda há pouco lemos o 8 e o 9, e agora vamos ler o versículo 10. E diz assim, para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição e à comunicação das suas aflições, sendo feito conforme à sua morte.

Isto é uma, digamos, continua um pouquinho daquilo que a Urlinda já falou e certamente não há nada mais importante do que nós conhecermos Cristo, mas sabermos que não o podemos conhecer face a face, não é? Como os discípulos conheceram. Nós temos esta impossibilidade, não é? No entanto, há um caminho que nós podemos percorrer E este caminho vai nos dar a possibilidade de nos tornarmos mais semelhantes a Cristo, que é aquilo que no fundo Cristo também deseja de cada um de nós. Pedro... Se há um caminho a percorrer, e se todos nós podemos ser mais semelhantes a Cristo, eu pergunto quais são os passos concretos, e vamos aqui tentar ser práticos, não é? Quais os passos concretos que nós podemos dar para conhecer Cristo de tal maneira que, se falarmos de sofrimento, podermos dizer até o sofrimento se torne quase como que parte desse processo.

Verdade. Essa ideia de conhecer Cristo realmente tem uma centralidade muito grande na nossa experiência, nos objetivos da nossa vida cristã. Eu estava agora, até nem tinha aqui nas minhas notas, e estava há uns minutos atrás a lembrar-me daquele texto de Oseias. É um texto maravilhoso em que Oseias diz, o profeta diz, conheçamos a Deus e prosseguamos em conhecê-Lo. Essa ideia de que conhecer Deus não é uma meta que se atinge em algum momento. Não é um ato isolado. Pronto, ok, agora já conheço tudo sobre Deus. É uma experiência. É uma experiência. Por isso é que a única coisa que se pode dizer é que prosseguamos em conhecê-lo, porque de qualquer maneira nunca o vamos conhecer. Então temos que prosseguir a conhecê-lo. Por isso o apóstolo aqui, neste capítulo 3, que estamos a analisar de Filipenses, dá muita força a esta ideia.

O versículo 8 falava da excelência do conhecimento de Cristo e depois aqui no 10 ele continua a dizer que para conhecê-lo... Claro, refere-se às virtudes que vêm da ressurreição e do seu sofrimento também. Percebemos que o fio condutor aqui desta porção do texto, pelo menos, é a ideia de que conhecer a Deus é parte essencial da nossa experiência. Uma questão muito relevante, daí a pergunta talvez de ser desafiar-me nos anós e aqui a mim agora que faço um comentário a ser um pouco mais práticos é que Nós temos de reconhecer o seguinte, nós estamos a falar sobre Cristo aqui, mas nenhum de nós esteve com Cristo pessoalmente. Os apóstolos estiveram, os discípulos que escreveram, o apóstolo Paulo até não esteve pessoalmente, embora muito próximo, privou com pessoas que estiveram com Cristo.

O que quer dizer que mesmo quando nós falamos de Cristo, falamos do quê? Do que nós lemos sobre ele. É por isso que, se pensarmos bem, há sempre este risco, podemos dizer assim, de que na vida espiritual, na nossa relação com Deus, as coisas estejam muito no campo intelectual. Porque mesmo o nosso acesso ao conhecimento tem um certo domínio intelectual. Nós lemos e depois refletimos. Nós estamos aqui sentados a uma mesa a comentar o texto bíblico, as coisas que o Apóstolo disse, as coisas que Jesus ensinou. E, portanto, não podemos fugir deste facto de que uma grande parte da construção da nossa identidade espiritual e cristã é muito baseada na reflexão.

É mesmo. Nós refletimos sobre as coisas. Sim, mas o conhecimento, segundo a Bíblia, não é apenas a reflexão. É uma experiência total do ser humano. Nós não vimos Jesus com os olhos, mas o crente pode hoje fazer a experiência da presença real de Cristo na sua vida. É isso mesmo. Isso é aqui um grande desafio, ao qual eu não tenho exatamente uma resposta. Posso dar aqui uma lista de coisas e vou tentar partilhar algumas, mas tem que haver esta transferência entre o momento em que isto deixa de ser esta intelectualidade de ler, fazer uma abstração, refletir, e depois realmente conseguir viver essas coisas e nos apoderarmos delas.

Tenho que admitir que muitas vezes a nossa vida cristã... Eu falo por mim, estou mesmo a ser muito genuína. Muitas vezes a luta é que nós sabemos estas coisas, nós conseguimos intelectualmente, ou pelo menos teoricamente, discerni-las e até formulá-las. Só que quando saímos desta mesa e vamos para casa, E depois minha filha vem com os desafios que teve na escola e se calhar não se portou como eu gostava e depois logo mais à noite a minha mulher chega à casa e estamos a debater um tema qualquer e não estamos de acordo. E depois a vida torna-se aquelas coisas reais, tão concretas. E às vezes como é que o que nós discutimos aqui, na beleza das palavras, à mesa, como é que isto afeta a maneira como eu vivo, as escolhas que eu faço.

Esta é talvez a grande luta do crente e do cristão, não sei se não é este o bom combate. que o apóstolo falava, não é, de que combatia o bom combate. Será que ele está a dizer que o bom combate foi conseguir descrever em palavras e escrever cartas com coisas complexas sobre a teologia? Não, tem que ser a maneira como nós tratamos os outros, como nós vivemos, como cuidamos da nossa vida. Por isso que há muitos desafios para conseguir que esta realidade aconteça. Mas também depende da nossa capacidade ou do nosso esforço, se assim podemos dizer, para tomarmos consciência desta presença de Cristo. Cristo vive, não é? Cristo não deixou um livro escrito e foi para o céu.

Cristo está presente. Ele diz, eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Nós, crentes, é que temos que nos apropriar desta presença. Estar conscientes dela. E o nosso problema é o que tu dizes, é que o nosso dia-a-dia, as nossas ocupações, nos privam dessa tomada de consciência. Então, temos que fazer um esforço para nos lembrarmos cada dia e quase em cada momento. Não estou só. Cristo está aqui. Ele é vivo. Posso comunicar com Ele em todo momento. Depois trazê-lo para dentro da nossa vida. É claro, nós precisamos de fazer o quê? Precisamos de ter profunda comunicação com Deus. Sabemos que o fazemos através da oração, claro, mas também Não precisa de ser sempre naquela oração formal, em que fecho os olhos e digo aquelas palavras.

É os meus pensamentos voltados para Deus. Uma coisa que pode ser muito útil é termos conversas honestas com pessoas à nossa volta, pessoas que amamos, a nossa família. Termos conversas profundas, espiritualmente relevantes. mesmo com os nossos amigos. Às vezes as nossas conversas podem ser sobre temas diversos e nós precisaríamos ter conversas sobre as nossas realidades espirituais, as nossas necessidades. Nós também precisamos muito de tomar tempo para confessar a Deus as nossas fraquezas. Creio que é uma dimensão da nossa vida espiritual que traz muito Cristo para dentro da nossa vida, essa dimensão da confissão, de falarmos sobre as coisas que não temos conseguido, pedir a Deus ajuda.

Outra coisa que eu creio que nós podemos fazer é usar o nosso tempo, os nossos recursos para ajudar outros, para servir, que é uma forma de tornar o cristianismo mais real, mais palpável. menos teórico e à mesa, então procurar oportunidades de realmente ver onde há sofrimento, onde há necessidade e procurar ser úteis, tornar a vida cristã mais prática. Enfim, são pequenos gestos que podem contribuir para esta experiência do Cristo vivo. Essa questão da prática, não sei se temos tempo, Jorge. Vamos controlar. 30 segundos. Eu depois corto. Essa questão da prática é muito importante. Paulo também diz que Deus nos dá, que Cristo nos dá o crer e o efetuar.

Mas vamos ser sinceros, nós nem sempre queremos fazer aquilo que sabemos que devia ser a prática que o Cristianismo nos manda fazer. Há dimensões morais da nossa vida, que diz respeito a nós e aos nossos comportamentos, éticas no relacionamento com os outros, que muitas vezes não estão à altura daquilo que nós sabemos que deveria ser uma prática cristã. E aí há uma componente que é o efetuar, mesmo sem querer, que é muito importante. nós não podemos deixar que seja à vontade a liderar as nossas ações. E Paulo é um mestre na apresentação desta renúncia própria, que é não fazer o que se quer, mas fazer o que se deve. E a nossa sociedade diz-nos ao contrário. Diz-nos que nós, de facto, só devemos fazer até muitas vezes dizemos o que nos apetece e não só, até nos justificamos e dizemos para que fazer uma coisa que não temos vontade?

Tentamos a ser hipócritas. É isso que nos ensinam. Quando, no fundo, o praticar uma coisa que é contra a nossa vontade, ensina-nos a alinhar a nossa vontade com o que é correto. E Paulo é um mestre. Nós não temos tempo, mas há muitos escritos onde ele nos ensina a fazer isto. Eu gosto muito de uma ideia de um colega nosso e amigo, que também está aqui muitas vezes na Novo Tempo, que é o Daniel Bastros, que tem o programa Ser Família aqui na Novo Tempo. Eu lembro-me que há uns anos atrás sempre me marcou uma explicação que eu ouvia dar sobre a diferença entre a força de vontade e a força da vontade. E literalmente é uma palavrinha. A força de vontade é essa ideia de que se temos força de vontade, conseguimos. Mas há a força da vontade, que é uma escolha intencional. É diferente de...

É um querer. É um querer mais do que ser levado por certos instintos e vontades de querer. É irracional. Há uma racionalidade na força da vontade. E Paulo é um mestre em explicar-nos isto. Ainda há pouco eu estava a ouvir-vos e estava a lembrar desta expressão que Deus é a palavra, não é? O Cristo é a palavra, se quisermos. Eu, quando falo com aquelas pessoas que, porventura, não têm ainda o mesmo conhecimento que nós já adquirimos, ou que, porventura, estão à procura de mais conhecimento sobre Cristo, e que me dizem, ah, mas no tempo dos apóstolos ou dos discípulos, eles tocavam em Jesus, eles sentiam Jesus, eles ouviam Jesus, Eu digo sempre, se Deus é a palavra, então ao tocarmos neste livro, é como se estivéssemos a tocar em Jesus.

Porque, no fundo, este é o pedacinho que Jesus deixou na minha mão para eu poder senti-lo na minha vida. Enfim, nós temos mesmo que ir até ao final. Já temos pouco tempo, mas eu ainda tenho aqui mais dois versículos que eu

O alvo da fé

gostava de ler, de Filipenses capítulo 3, agora para lermos os versículos 13 e 14. E digamos que aqui vamos fazer um remate, se quisermos, a este episódio. Diz os versículos 13 e 14, Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado. Mas uma coisa faço. E é que esquecendo das coisas que para trás ficam. Paulo, insisto bem aqui na ideia. O passado é passado. Ponto final. E avançando para as questões diante de mim, prossigo para o alvo pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Paulo, uma pergunta muito direta e também muito objetiva. O que é que significa deixar este passado e avançar focado no alvo que Cristo coloca diante de nós? Como ele também está a utilizar o contexto na imagem de um atleta, eu também vou ter que ser rápido.

Mas tens ainda tempo, tens ainda tempo, podes ir devagar. Paulo usa realmente aqui uma imagem muito vigorosa, de um corredor que está a concentrar as energias todas num alvo final. E nós temos que lembrar, temos que sempre contextualizar, nós estamos a falar de uma pessoa 30 anos depois da sua conversão. um gigante da fé, que escreveu grande parte do Novo Testamento, dos 27 livros que conhecemos do Novo Testamento, fundou igrejas por todo o império e que humildemente diz, eu não julgo que o haja alcançado. Mais uma vez, nós temos que recorrer aqui a quem é Paulo para compreender a credibilidade do que ele está a dizer. Então, para ele, naquilo que lemos nos textos anteriores, o que é que significa estalvo que ele quer alcançar? a estatura da perfeição de Cristo, no fundo. Ele olha para Cristo como sendo o alvo que quer atingir e que diz que para ele próprio ainda não alcançou.

Mas a tua pergunta é o que é que significa esquecer o passado. Eu peço-te que me deixes muito resumidamente dizer o que é que não significa apagar memórias. Não é apagar as memórias, porque isso nós, infelizmente, quando começamos a ficar sem memória, não é um bom sinal. Nós não temos essa capacidade de apagar a memória. Significa algo que é muito mais profundo. É não nos deixarmos viver por aquilo que é, ou não deixarmos que a nossa vida se torne a consequência do que são as próprias memórias. Por exemplo, significa não viver definido por fracassos passados. Nós não temos que deixar a nossa vida presente ser definida por as coisas em que fracassamos. Paulo perseguiu violentamente a Igreja, aprovou o apodrejamento de Estevão, poderia ser uma pessoa paralisada pela culpa e não ficou.

Não ficou paralisado pelos seus fracassos passados. Ele definiu que tinha que os ultrapassar para uma vida nova com Deus. Também não significa descansar nas conquistas passadas. não significa cruzar os braços e passar a vida a relembrar aquilo que já conseguimos fazer. Crisóstomo, um dos pais da igreja, tem uma frase muito bonita. Até é curioso, eu gosto de imaginar esta pessoa intelectual a usar metáforas de atletas. Ele diz assim, o verdadeiro corredor não conta quantas voltas completou, mas quantas faltam para concluir. E realmente é verdade, uma pessoa que vira para o futuro não se deixa ficar naquilo que já fez no passado. E finalmente, significa não permitir que as bênçãos passadas nos tornem complacentes. É muito importante nós... Aliás, a Bíblia está cheia de apelos a que relembremos, relembremos as memórias, relembremos os textos bíblicos, relembremos tudo aquilo que Deus fez por nós no passado.

Tudo isso é verdade. Tem os erros, não é? Lembra-te onde te caíste. Exatamente. Mas as bênçãos são de graus para coisas maiores. Deus não nos abençoou para nós ficarmos estacionados num relacionamento passado. abençoa-nos para nós continuarmos a crescer naquilo que ele pode fazer por nós. Então, na prática, o que é este avançar focado? Uma palavrinha grega que Paulo utiliza, que é dioko, é como se ele perseguisse algo que continua a afastar-se à medida que chega. E é isso que o faz crescer. E é isso que nos faz crescer também. É nós perseguirmos algo que parece que se afasta porquê? Afasta-se porque o nosso conhecimento do que é a perfeição nos diz que nós, por mais longe que estejamos, é nesse percurso que nos estamos a aperfeiçoar. E pensando que nos estamos a afastar, estamos de facto a chegar mais perto.

Mas a chegar no presente, não é como algo inatingível. É nas pessoas em que nos estamos a transformar, em que Deus nos está a transformar no presente. E aí o foco é Jesus. O alvo a que Paulo se refere é Jesus. E lá está, como o Pedro há pouco dizia, não é o saber quem é Jesus, nem é um ter conhecimento sobre Jesus, mas é conhecer verdadeiramente Jesus.

Encerramento

E é aí, nesse crescimento, que nós estamos a atingir o alvo. Bom, chegámos ao fim deste episódio. Foi muito bom ter-vos comigo. Foi muito bom nós podermos tentar perceber um pouquinho mais sobre o que é depender de Cristo e viver em Cristo. Esta felicidade que Paulo tanto o foco tão grande na carta aos filipenses. Nós marcamos encontro para a semana com esta mesma equipa e por isso desejamos muito que vocês possam voltar a trazer o vosso entusiasmo para mais um episódio. Antes de nos irmos embora, temos para lhe oferecer, e vou repetir-me novamente, neste guia de estudo, Eu no Universo.

É um guia de estudo que está feito para todas as idades, podemos assim dizer, para os mais novos ou também para aqueles que já são um pouco mais maduros, não vou dizer mais velhos porque não fica muito bem. Então nós podemos encontrar aqui nesta revista vários temas. Deus ouve-me? Será que Deus me ouve? Porquê é que a Igreja é tão importante? Enfim, temos vários temas aqui que você não pode perder. Basta ligar gratuitamente para o 933-939291 e solicitar através de uma mensagem para o WhatsApp, solicitando esta revista, este guia de estudo. Quanto a nós, já sabe que o Bíblia Aberta está sempre presente semanalmente aqui na sua TV, quer no canal 186 da MEU, para poder estar com o Canal da Esperança, quer também através da programação da Rádio RCS.

Está tudo dito por hoje. Nós voltamos para a semana, se Deus quiser. Até lá.

Sobre este episódio

📖 Neste episódio de A Bíblia Aberta, somos convidados a refletir profundamente sobre onde colocamos a nossa verdadeira confiança. O apóstolo Paulo mostra-nos que nenhuma conquista humana, religiosa ou pessoal pode substituir a dependência total de Cristo.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 6
Estreou
01 de Fevereiro de 2026
Categoria
Espiritualidade