Razões para Ação de Graças e Oração

Razões para Ação de Graças e Oração

04 de Janeiro de 202656 min 58 s

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O Biblia Aberta está de novo consigo para mais, vou dizer, 50, 55 minutos de conversa, que de certeza absoluta será uma ótima conversa e você desse lado irá aproveitar cada detalhe daquilo que for dito. neste episódio. Nós vamos tentar descobrir várias ideias, várias perspectivas que a Bíblia nos dá em torno da graça e em torno da oração. Esta será a temática deste episódio, as razões para a ação de graças e oração. Já sabe, o programa Bíblia Aberta é um programa semanal, aqui na TV Novo Tempo, no canal 186 da Mel, mas se não tiver oportunidade ou se não tiver esta operadora, Poderá ouvir-nos, escutar-nos na Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa.

Também na internet poderá ligar-se à Rádio RCS. Ou então, se preferir usar o YouTube, poderá ir ao canal da Novo Tempo. Encontrará lá todos os episódios desta temporada, bem como de outras temporadas que já, enfim, registámos para bem de todos nós, para o conhecimento bíblico. Comigo eu tenho sempre alguns convidados. Como ficou registado na semana passada, nós vamos repetir a mesma equipa. Está comigo o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Sejas bem-vindo mais uma vez. A Hortelinda. Hortelinda, é sempre um privilégio ter vindo connosco. Obrigado. E o Ruben. Ruben, voltas a estar connosco. É sempre muito bom ter-te aqui. É um prazer estar convosco. E eu espero, sinceramente, que também gostes desta experiência de podermos juntos trabalharmos para Deus e, sobretudo, podermos mostrar esta relação da graça e da oração.

Hoje vamos ter muita coisa para dizer, certamente, e vai ser muito bom. Eu queria iniciar-se abrindo a Bíblia, e já sabe que para o Bíblia aberto é

Deus começa a boa obra

preciso ter uma Bíblia à mão. Portanto, se tiver a sua Bíblia por perto, utilize-a, vai ser muito útil. Eu gostava de convidar todo o nosso auditório a abrir a Bíblia em Filipenses, capítulo 1. Nós aqui também vamos abrir a nossa Bíblia, capítulo 1 de Filipenses. para lermos os versículos 3 a 6. Filipenses, capítulo 1, versículos 3 a 6, diz assim. Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas pela vossa cooperação no Evangelho desde o primeiro dia até agora, tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo. Paulo aqui é extremamente claro nesta passagem quando ele vai dizer que Deus começou a boa obra.

Se há uma boa obra, essa obra foi iniciada por Deus. Não temos aqui outra alternativa de contornar ou tentar colocar outra pessoa aqui. E depois ele diz, e ele mesmo aperfeiçoará. Então, Ortinda, eu vou começar por ti. Como é viver esta, ou nesta certeza, se quisermos, de termos a veleidade, ou melhor, como é viver nesta certeza, sem termos a veleidade, assim é que é, de podermos cair, de alguma forma, nesta complacência, se quisermos, complacência espiritual? Como é que nós podemos olhar para estas palavras de Paulo, sobretudo na nossa vida prática enquanto cristãos, de modo a orarmos, não é? Mas ao mesmo tempo a vermos o nosso sentido de serviço.

Eu gostava de começar por dizer que é tocante e entrenecedor esta maneira como o apóstolo Paulo se dirige aos filipenses, não é? Realmente como um pai, Alguém tem uma grande intimidade com esta igreja, não é? Aliás, quando nós recebemos uma mensagem, seja pelas redes sociais ou mesmo por carta, como antigamente, se nos dessem esta descrição, nós ficávamos todos felizes. Todos felizes e sentindo-nos amados e aceitos, não é? Tenho a certeza que um dos motivos pelo qual Paulo diz que ora com alegria e gratidão a Deus, alegra, sempre que se lembra, portanto, dos filipenses, poderia ser porque os filipenses, segundo ele mesmo disse, era a única igreja que se preocupava com as suas necessidades materiais e lhe enviava uma vez após outra o que ele necessitava.

Mas é sobretudo esta alegria de Paulo e esta gratidão, este prazer que ele tem quando pensa nos irmãos filipenses, é porque ele vê neles desenvolvidas as virtudes cristãs, um crescimento espiritual gradual que se manifesta através das obras, portanto, desta igreja. É um texto muito interessante que diz isto, ou aquele que em voz começou a boa obra há de terminá-la até ao dia de Jesus Cristo, E nós podemos aprender deste texto algumas coisas que eu gostaria aqui de salientar. O primeiro é quem Deus quer opera. A iniciativa é de Deus. A nossa salvação não depende de nós no início, depende de Deus. O apelo inicial, a nossa justificação, a nossa santificação é iniciativa de Deus.

É Deus quem busca. Até mesmo quando parece que o homem está buscando, é Deus que já o está atraindo a si. Deus teve a iniciativa na criação, Deus teve a iniciativa na salvação, é o Senhor que faz todas as coisas e podemos dizer que no capítulo 2 e no versículo 13, a seguir em Filipenses, o apóstolo diz, Deus é quem opera em vós o querer e o fazer, segundo a sua boa vontade. Portanto, tudo é graça. É o tema deste episódio. Realmente, tudo é graça. Tudo vem de Deus e dele é a fonte de todas as coisas. Mas também aprendemos uma outra coisa. É que esse Deus que opera em nós, por sua alta vontade, ele também diz no versículo 12, deste mesmo Filipenses 2, diz...

Operai a vossa salvação. com temor e tremor. Ou seja, Deus opera em nós a nossa salvação, segundo a sua vontade, mas nós devemos operar a nossa salvação também com temor e tremor. Ou seja, quem é que opera? Por vezes podemos ficar, quem é que opera finalmente? Na verdade, é Deus quem opera em nós, mas a partir da nossa aceitação, de uma aceitação não passiva. Para que Deus opera em nós, é necessário a nossa adesão consciente, permanente e voluntária. Ou seja, Deus faz tudo por nós, mas nada sem nós. Deus dá-nos tudo, tudo é de graça, mas Deus não nos dá nada de bandeja. Ou seja, tudo exige o nosso investimento, tudo exige a nossa disponibilidade.

Para que Deus operne a minha mente, eu devo entregar-lhe a minha mente. Para que Deus operne a minha vontade, eu devo entregar-lhe a vontade. Devo entregar-lhe o tempo, a razão. A fé, todas as minhas forças vivas devem realmente ser entregues a Deus para que Deus possa atuar. É Ele que atua, mas não sei em mim. Portanto, é comigo. Se nos demitimos, Deus não pode agir. Vou dar um exemplo. Imagina que eu preciso de um vestido. Vou a uma costureira e peço à costureira que me faça o vestido. Tiramos as medidas, vemos o modelo, agendamos as provas e depois eu vou-me embora. E não lhe dou o tecido. Aquela costureira, com todos os elementos que tenha, com toda a boa vontade, nunca poderá fazer um vestido.

Nesta nossa relação com Deus, em que Ele age em nós para nos santificar, Ele necessita que nós nos entreguemos, porque onde Ele vai trabalhar é mesmo em nós. Então nós temos que nos entregar para que Deus possa agir em nós. Outra coisa que aprendemos é que esta obra que Deus começa em nós não é uma obra que termina rapidamente. A santificação ainda não é a santidade. A santificação é um processo que se realiza por etapas, não é? E que tem alguns ajustes, alguns morosos, outros difíceis. Portanto, é algo que é um processo que é, por vezes, demorado. E parece que, enquanto estivermos aqui nesta terra, nunca ficará, nunca teremos o vestido totalmente pronto.

Se assim posso usar, portanto, esta imagem. E o que é muito interessante é que o trabalho de Deus em cada um é personalizado. O trabalho que Deus faz no Pedro é um, o que faz contigo é outro, o que faz comigo é outro. Portanto, é um trabalho personalizado. Cada um de nós tem a sua própria veste. Cada um de nós terá um vestido que será nosso e que não vai servir em mais ninguém. Porque é o trabalho que Deus fez em nós e para nós. E Deus vai nos usar a nós. Portanto, como eu disse, somos realmente esse tecido. De forma que, como é tão personalizado, há duas coisas que são inúteis. É comparar-me-nos. Não temos que comparar os vestidos. Ainda que sejam todos vestidos, mas são todos diferentes.

E também é o julgarmo-nos. Julgar faz o momento em que cada um se encontra, portanto, dentro deste processo. Portanto, não devemos nem compararmos, nem julgarmos, porque somos únicos. Somos peça única. Deus não trabalha em série. Deus faz peças únicas. E podemos ainda dizer uma outra coisa muito bonita. É que Deus não desiste. mesmo quando o tecido pode não ser de grande qualidade, quando o modelo é difícil de fazer. Portanto, Deus vai sempre tentar fazer e vai conseguir, porque, na realidade, Deus é especialista. E Deus não faz o menos. E Deus não faz remendos. É um vestido de uma peça só que te assenta como uma luva e que realmente é incomparável.

Deus não desiste. Então, o resultado desta obra de santificação está garantido. É isto que nós percebemos deste texto. A obra que Ele começou é um processo que Ele vai fazer de maneira personalizada e que vai concluir até ao dia de Jesus Cristo. Ou seja, há pouquinho tu falavas na entrega, nós precisamos nos entregar. E a forma como Paulo, no fundo, retrata esta entrega é por meio da oração, não é? Esta é a ferramenta que Paulo vai usar. Exatamente. E isto vai modificar a nossa oração, Jorge. A maneira como nós oramos, como nós servimos, a partir do momento em que integramos que é Deus que opera, é Deus que acha em nós e através de nós, então nós colocamos-nos nas mãos de Deus como instrumento. sem exigências, mas com confiança e com gratidão, porque é Ele que nos vai usar e a oração aí tem realmente uma outra dimensão, que é a de nos abandonarmos e deixarmos utilizar, para que Deus nos possa usar.

De certeza que você já percebeu que a conversa de hoje vai ser extremamente agradável, muito importante e você não pode perder.

Crescer em amor e discernimento

Ou seja, começamos por dizer que Deus começou a boa obra e Ele está, diariamente e permanentemente, a aperfeiçoá-la. É aquilo que Paulo nos dá. Ou seja, Ele está a olhar por cada detalhe da sua própria obra. E por isso talvez agora fosse bom nós podermos encontrar aqui ou tentar perceber como é que nós devemos crescer em amor nesta obra que Deus iniciou e que Ele está a aperfeiçoá-la. E para isso eu gostava de observar convosco, se vocês concordarem. Como é que Paulo, nas suas conversas com Deus, como é que ele vai orar? Porque a Bíblia diz-nos que ele ora com amor ou por um amor com discernimento, ou seja, ele procura perceber a vontade de Deus.

Abram a vossa Bíblia, se vocês puderem, e aí em casa também, ou onde vocês estiveram de se encontrar, abram a sua Bíblia. No capítulo 1 de Filipenses, marcamos aqui o ponto de encontro, mas agora vamos ler os versículos 9 a 11. Porque nestes dois ou três versículos nós encontramos aqui uma forma de orar que nos é muito importante. E peço isto, diz Paulo, que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao dia de Cristo. cheios de fruto de justiça, que são por Jesus Cristo para glória e louvor a Deus. Nós vemos aqui que Paulo vai escrever esta noção de como é que deve ser o nosso comportamento enquanto cristãos, usando a oração como a ferramenta que temos à nossa mão para podermos alcançar um amor que cresça em conhecimento e discernimento.

Pedro, tenho três perguntas que gostava de te lançar. e vais dar a resposta às três de uma só vez. A primeira delas significa... Ou melhor, o que é que pode significar cultivar um amor que saiba aprovar as coisas excelentes? Já tenho esta ideia. A segunda é, não será este um amor de certa forma até perigoso, se quisermos, uma vez que ele pode tornar-se um amor duro, ou até legalista? Segunda pergunta. A terceira. Se puderes, apresenta-nos, eu diria, alguns critérios práticos para que as nossas decisões na vida pessoal, ou mesmo até as decisões da vida da igreja, possam ser o mais acertado possível.

Três em um, eu sei que tu vais conseguir. É interessante que o que o Póstulo Paulo faz aqui, nós estamos aqui basicamente a estudar Etapa a etapa, o capítulo 1 de Filipenses. E nesta oração, que ainda faz parte desta introdução que Paulo está a fazer, no fundo, a mostrar o que é que ele deseja para aquela igreja, para aqueles amigos e irmãos na fé. E ele agora tem tanta vontade que isto aconteça que o coloca numa formulação de oração. No fundo não é que ele esteja a orar, ele está a formular estas ideias na forma de uma oração. Uma vez que ele está a escrever e sabe que isto vai ser lido diante daquelas pessoas, não é? Então é por isso que ele diz eu peço isto. É como se ele dissesse, o desejo que eu tenho, por isso a súplica que eu faço a Deus, é que vos ajude a alcançar isto.

E vai, portanto, aqui descrever uma espécie de ideal. Isto é um autêntico ideal. Aliás, as cartas do apóstolo Paulo são extremamente idealistas, claro. Elas estão conectadas com a realidade, mas ele está sempre a pôr esses grandes ideais. Mas é um ideal que ele vive. É, que ele vive, que ele quer alcançar, pelo menos que ele luta para alcançar. Sabemos que o apóstolo Paulo nunca se colocou noutra posição que não fosse o de estar a tentar. E se ele é muito claro isso em muitas cartas e de muitas maneiras, Paulo diz, não é que eu tenho alcançado, mas estou a tentar. Por isso às vezes fala da corrida e sempre essa ideia de que ele próprio, e por isso todos os crentes, o que precisamos é de estar na direção certa. Mas ele claro que é idealista diante do que propõe.

É interessante que esta expressão que ele usa aqui é uma autêntica definição de amor, muito desconcertante até em certo sentido, para aquilo que nós com frequência identificamos ou usamos na nossa linguagem como sendo o amor. E porquê? O apóstolo vai, em primeiro lugar, mostrar que este conceito de amor cristão, porque ele faz nascer estes grandes desígnios, colocando-os em conexão ou em ligação direta com o amor, coisa que provavelmente nós não faríamos. Se nós olhássemos só para a segunda parte, se quisermos, do texto, em que ele diz que vocês cresçam mais e mais em conhecimento, que sejam capazes de aprovar ou fazer as coisas excelentes, para não serem motivo de escândalo e estarem cheios de fruto.

Tudo isto está muito ligado. Tu próprio, apesar do teu comentário inicial, falavas de comportamento, porque, de facto, nós conectaríamos todas estas dimensões. Ele está a apelar a termos um comportamento o mais excelente possível. Sermos pessoas no caminho da perfeição, da santidade. Só que ele começa esta descrição dizendo como é que isto tudo vai acontecer. Eu peço que o vosso amor cresça mais e mais. O que quer dizer? Que o apóstolo está a fazer aqui este fenómeno interessante de conectar estas capacidades de produzir bom fruto, ser excelente e aumentar em conhecimento, liga estas três coisas diretamente ao amor.

É aqui que eu digo que é um pouco desconcertante, porque se nós tivéssemos que completar esta frase, eu diria que à partida, eu pelo menos, jamais iria lá colocar amor. Porque a lógica seria que estas coisas, como é que as se alcançariam? Um exercício interessante que nós poderíamos fazer, quem sabe até lá em casa, é pensar o que é que nós colocaríamos aqui nesta primeira parte se o que está em causa é aumentar conhecimento, fazer coisas excelentes e produzir bom fruto. Talvez fosse esforço. que a vossa disciplina podia ser outra... Porque estas coisas, em geral, estão ligadas mais ao campo da nossa ética. Que a vossa disciplina seja tal que depois, então, se diga, cresçam em conhecimento, quer dizer, estudem mais, sejam excelentes, produzam uma disciplina, talvez fosse outra, uma ideia.

Já podíamos usar obrigação. A vossa obrigação é que... Sim, podia ser que... É isso, que sejam zelosos com as vossas obrigações. Por isso é que é surpreendente que Paulo vá conectar estas dimensões da vida cristã e da vida, simplesmente, uma ética de vida, dizendo o que eu estou a pedir a Deus é que eles vos dêem mais amor. Ou seja, o segredo é o amor, não é? Por isso é que o segredo é o amor. É aqui que, das duas, uma, ou nós estamos completamente enganados, ou então o amor de que o apóstolo Paulo fala, Tem dimensões que normalmente, na linguagem comum, nós não costumamos pensar nela. Aliás, o Apóstolo Paulo vai ter a preocupação de escrever um capítulo inteiro só sobre o homem.

Totalmente. Onde, de facto, vêm as grandes definições. E é interessante que, remetendo-nos à Coríntios 13, quando ele termina diz que existem aquelas três coisas, amor, fé e esperança. Mas para o Apóstolo Paulo está claro qual é a maior. É o amor. Não admira, portanto, que ele vá conectar esta ética cristã ao amor, porque o amor é maior de todas as coisas. Por isso, zelo, disciplina, fé, tudo isso tem o seu lugar, mas o apóstolo sabe que o amor é maior de todas elas. Por isso, tentando ainda aqui explorar agora um pouco, explorar de que amor então é que ele está a falar, há aqui algumas coisas que podem ser interessantes.

A primeira concepção que me parece muito interessante é compreendermos que o amor verdadeiro não está em desconexão com a verdade. Ou seja, o amor não é uma coisa cega. Mais vezes a ideia de amor romântico, amor que nos cega, a pessoa que faz qualquer coisa por amor, quer dizer, é irracional. Essa irracionalidade não está conectada com este amor que está a falar aqui. Porque este é um amor inteligente, racional e irresponsável. Por isso é que ele produz frutos. Porque ele é amor no sentido em que ele está conectado com o mais profundo, o mais puro dos sentimentos e das intenções. Essa pureza é que o torna inteligente, responsável.

Nós sabemos que a Bíblia nos aponta para a direcção de coisas como esta. Jesus dizia, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Por isso é que o sentido da verdade é um sentido libertador, não de aprisionamento. Se quisermos ir ao Antigo Testamento, provavelmente conhecemos bem aquela expressão de que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Por isso, a sabedoria tem a ver precisamente com compreender que é temor, que é uma reverência diante daquilo que Deus é. Por isso é que amar, biblicamente, amar, é querer o bem do outro e isso consegue-se através de um conhecimento cada vez mais profundo do que é a verdade.

Ora, o apóstolo fala ainda das coisas que são excelentes. Como é que nós conseguimos essas coisas? Com discernimento espiritual. O mesmo apóstolo dizia aos romanos, não vos conformais-te com este mundo, mas transformais-vos pela renovação do vosso entendimento. aos hebreus escrevia que o alimento sólido é aquilo que nós necessitamos para os que já estão amadurecidos. Logo entendemos o quê? Que o amor de que o apóstolo Paulo fala aqui não é um amor impulsivo. Nós às vezes conectamos, no sentido mais popular da linguagem, conectamos o amor às vezes a atitudes pouco refletidas ou pouco maduras, coisas mais impulsivas. Eu senti no meu coração o que devia fazer e nós percebemos que o apóstolo Paulo fala sempre deste amor como uma coisa madura, que é ponderada, que tem a ver com a maneira como eu me relaciono com Deus.

Mas, finalmente, é muito importante compreender que o amor, este amor bíblico, é um amor que, na verdade, é o que nos livra dos extremos. Seja a dureza de um legalismo frio ou a permissividade da indiferença, porque as duas coisas são dramáticas. Quando um amor não tem verdade, ele torna-se uma coisa vazia. Que seria o mesmo que eu dizer amo tanto os meus filhos, que quando os vejo fazer as neiras e coisas que são prejudiciais, eu não digo nada porque eu tenho pena de os criticar. Isto seria um exemplo extremo do que seria este amor sem verdade. Por isso eu amo muito os meus filhos, amo-os perdidamente.

Por isso é que eu estou sempre a trazer para cima da mesa da vida deles e da minha relação com eles o quê? A verdade. E a verdade é que se uma ação foi mal feita, se uma palavra foi irrefletida, isso precisa de ser afirmado. para que uma criança não cresça na ilusão de que as suas ações não têm consequências. Mas se eu expressar constantemente essa crítica em relação ao que está mal feito, ao que não foi perfeito, e não for capaz de colocar isso num contexto de profundo afeto, que se manifesta tantas vezes no abraço, no beijo, na palavra carinhosa. O que é que pode acontecer? Isso vai transformar-se na frieza de uma relação em que o pai é visto apenas como aquele ser frio que só está ali para apontar o dedo.

Por isso é que precisamos de entender que o amor que o apóstolo Paulo fala é este que ele mesmo disse seguia verdade em amor. Eu creio que nós podíamos, talvez, até resumir aqui muito rapidamente isto que tu estás a dizer neste sentido. Ainda há pouco a Hortelinda falava de um vestido. O amor é o papel, vá lá, que embrulha. É o vestido. Sim. De onde é recortado. De onde é recortado. Isso mesmo. Essa é uma boa imagem. Por isso, este amor, que eu aposto que o Paulo deseja para os seus irmãos, é um amor que perdoa sem fechar os olhos ao erro. É um amor que corrige sem ferir a pessoa que é corrigida. É um amor que serve sem se deixar humilhar.

A prisão como oportunidade missionária

Este equilíbrio existe e o amor é a expressão desse equilíbrio. E este amor, quer queiramos, quer não, ele tem de ser amadurecido na nossa vida. Temos de o experimentar e ele tem uma forma de trabalhar connosco que é extraordinária. Paulo viveu este tipo de amor e viveu, vamos voltar outra vez, porque já na semana passada falámos aqui, demos muita ênfase a isto, Paulo viveu este tipo de amor num contexto de prisão. Numa prisão, digamos. E se calhar, quando nós pensamos nisto, se calhar muda tudo. Quer dizer, viver este tipo de amor na prisão, se calhar isto não é bem assim, não é? Começamos nós a pensar. Vamos ler, antes de eu perguntar aqui ao Ruben e de eu introduzir aqui na nossa conversa, eu gostava de ler Capítulo 1 de Filipenses, versículos 12 a 14.

12 a 14 de Filipenses nós podemos ler. E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do Evangelho. de maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares. E muitos dos irmãos do Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar da palavra mais confiadamente, sem temor." Então nós podemos ver nestas palavras que Paulo vê a prisão como uma oportunidade missionária e não como um grande problema na vida dele. Mas... Isto leva-me a pensar, Ruben, que existe uma forma de contornar as grandes dificuldades da nossa vida. Talvez podermos chamar a isto aquela lente espiritual.

que nos permite ter sucesso nas nossas crises pessoais ou, se quisermos, até espirituais na nossa vida. Concordas? É muito interessante que isto, no fundo, acaba por ser uma questão de perspectiva. Porque pessoas diferentes podem viver a mesma situação e ter resultados e emoções totalmente diferentes. Isto é muito interessante. É por isso que o vestido que a Gerard Linde dizia há pouco é individual. Não temos alternativa. Não podemos experimentar o vestido do outro. Temos que adotar o nosso. E esta é a perspectiva de Paulo, aqui no versículo 12. Ele é muito claro e ele viu aquela adversidade como uma oportunidade para servir a Deus. Isto faz-me lembrar de duas histórias muito engraçadas.

Uma delas no Velho Testamento, que foi quando um jovem, mais novo, foi vendido como escravo para o Egito. Uma situação catastrófica, não é? Vendido pelos próprios irmãos como escravo para o Egito. Mas o que é certo é que anos mais tarde, o que é que José disse aos irmãos? Não foram vocês que me mandaram. Foi Deus que me mandou para providenciar uma solução para o futuro que ia acontecer. Ora, isto é incrível, não é? José, que estou a falar, claro, de José, teve exatamente esta mesma perspetiva do Augusto de Paula. E foi preso também. E foi preso também. E sofreu muitas adversidades e muitas injustiças.

No entanto, ele chegou a esta conclusão. Se nós fomos fiéis ao Senhor, Aquilo que está a acontecer à nossa volta são oportunidades que o Senhor nos está a dar. E tudo Deus faz, não só para a nossa salvação, mas também para alcançar os outros. É claro que não era o plano de Deus que José fosse vendido daquela maneira. mas Deus transformou aquilo numa oportunidade e é isso que o Paulo está aqui a dizer. Eu lembro-me, talvez no início deste ano, estava a falar com um senhor lá no Norte e esse senhor tinha pavor de ir para o hospital. Não ia para o hospital por maneira nenhuma. No entanto, a doença foi avançando e ele remete a ir para o hospital.

Esteve lá internado ainda há algum tempo. Depois de ele já estar em casa e estar melhor, e eu estava a falar com esse senhor, ele disse-me, foi Deus que me mandou para aquele hospital. E eu assim, como assim foi Deus? Então, o irmão estava doendo, teve de ir para o hospital? Não. Eu tinha mesmo de ir. É que tive a oportunidade, lá naquele hospital, de falar de Deus àquelas pessoas que de outra maneira não teriam tido a oportunidade. Ou seja, aquilo que era o maior medo daquele homem, transformou-se para ele uma bênção. porque ele viu que foi um instrumento de Deus. Deus o usou assim como Deus estava a usar Paulo aqui na prisão. E isto é muito interessante. E nós vimos bem no versículo 13 e no versículo 14, temos aqui algumas lições importantes, que é o testemunho fiel daqui de Paulo alcançou pessoas improváveis.

Estamos aqui a falar de quê? Da guarda pretoriana. Como é que estes homens poderiam ouvir falar do Evangelho? Houve aqui uma oportunidade pela prisão de Paulo. Outro, o exemplo da fé, como vemos no versículo 14, acabou por dar motivação, dar coragem aos irmãos que estavam atemorizados. E viram no Paulo um exemplo. O que é que diz aqui no versículo 14? Muitos dos irmãos do Senhor motivados pelas minhas cadeias, motivados pela minha prisão, o que é que eles fizeram? Ousaram falar a palavra com mais confiança e sem temor. Então, para Paulo o foco não estava nas circunstâncias, estava na missão. Era isso, o foco dele era a missão, independentemente das circunstâncias. E isto também nos leva a pensar muito nas nossas lutas espirituais.

Eu falo por mim, não é? Muitas vezes nós temos coragem de perguntar a Deus, mas porquê eu? Porquê que isto me foi acontecer a mim? E é certo que eu olho para o exemplo de Paulo e eu não vejo Paulo a perguntar porquê eu. Ainda na natureza humana eu já perguntei muitas vezes porquê eu? Mas Paulo, o que é que ele demonstra? Demonstra que em vez de perguntar porquê, ele pergunta para quê? Para quê que eu estou aqui? E então, nós vimos nestas palavras estar ali, porque era o pano de Deus que ele pudesse chegar às pessoas que chegou e pudesse animar os irmãos da fé. Isto é um grande exemplo para cada um de nós, ter uma confiança assim no Senhor, não é? Quer dizer, que há um propósito. Ó Deus, dá um propósito a cada acontecimento negativo que vem à nossa vida, não é?

Sem dúvida, sem dúvida. Esta conversa é excelente, convosco então ainda melhor. Mas temos que fazer um curto intervalo. Nós voltamos já a seguir para a segunda parte do Bíblia Aberta de hoje. Estamos a falar de perdão e ao mesmo tempo da graça.

Oferta do guia de estudo

Até já. Voltamos para a segunda parte do programa Bíblia Aberta. Este é um programa da TV Novo Tempo. Já sabe, poderá assistir à emissão regular da TV Novo Tempo no canal 186 da MEU. Ou então, se puderes ou se tiveres a oportunidade de se ligar à rádio, poderá ligar-se nos 91.2 FM na Grande Lisboa para poder sintonizar a rádio RCS. Se não tiver nenhum destes canais, então poderá entrar no YouTube, procurar TV Novo Tempo e... TV Novo Tempo Portugal, vamos precisar aqui, TV Novo Tempo Portugal, e procurar o programa Bíblia Aberta. Estamos aqui para lhe servir e, sobretudo, para abrirmos a Bíblia consigo, porque nós queremos, nós, aqui em estúdio e você aí em casa, aprendermos mais sobre Jesus.

Antes de continuarmos a nossa conversa, tenho algo para lhe sugerir e até para lhe oferecer. É mais um guia de estudo. Desta vez este guia de estudo fala de pais preparados, filhos de caráter. Vai encontrar aqui muitas experiências, vai encontrar aqui muitos textos que nos permitem perceber o papel dos pais e também a forma como os filhos devem crescer, mas encontra também muitas observações bíblicas que nos poderão dar uma perspectiva muito grande daquilo que é a vida familiar. Agora, por exemplo, tem interesse em que o seu filho caminhe no caminho do Senhor? A Bíblia dá-nos muitas passagens sobre isso e a forma como nós devemos fazê-lo. E este guia de estudo dá-lhe essa oportunidade de encontrar essas passagens, de encontrar esta temática.

Esta e outras poderá encontrar neste Guia de Estudo. Pais preparados, filhos de caráter. Se quiser receber gratuitamente em sua casa, já sabe, é mandar uma mensagem para o WhatsApp 933 939291. 933 939291 e alguém do outro lado irá enviar diretamente para si, dando-lhe a oportunidade de poder receber este guia de estudo totalmente gratuito em sua casa. Vamos voltar à conversa, vamos voltar a refletir sobre uma solução muito estreita entre graça e oração, e é isso que nós estamos aqui a ver. Duas ferramentas que são insubstituíveis na nossa vida. Nós já vimos aqui que o Evangelho chega e existe sempre uma transformação quando ele nos atinge, quando nós o procuramos, quando ele entra no nosso coração.

O evangelho que frutifica

E para isto eu gostava agora de poder lançar convosco a ideia de irmos ao livro de Colossenses, Colossenses, capítulo 1, e vamos encontrar em Colossenses, que é o livro seguinte. Se está em Filipenses, basta passar algumas folhas para a frente e vai abrir em Colossenses, capítulo 1, e vamos ler dos versículos 3 ao versículo 6. 3 a 6 diz, Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós, porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos. por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvisteis pela palavra da verdade do Evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo o mundo, e já foi frutificando, desde o dia em que ouvisteis e conhecesteis a graça de Deus em verdade." Ou seja, na Igreja de Colossos, o Evangelho gerava algumas coisas boas.

Fé, amor, esperança. E isto o Paulo sentia-se, digamos, muito grato. E depois ele dizia, tudo isto dá fruto. Hortelinda, quais são hoje os sinais concretos de que o Evangelho também pode frutificar a nossa vida, seja ela pessoal, seja ela comunitária? Como é que nós podemos olhar para o Evangelho na nossa vida hoje? Estas palavras do apóstolo Paulo enraizam-se nas próprias palavras de Jesus Cristo, que disse que toda árvore boa produz bons frutos, toda árvore má produz maus frutos, e não é possível que uma árvore boa produza maus frutos, nem a má produzir bons frutos, e que pelo fruto se conheça a árvore.

Portanto, se uma pessoa está enraizada, em Cristo ela vai, certamente, dar fruto. O Evangelho, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, se ele for aceito, se ele for querido, se ele for vivido na vida, ele vai manifestar-se no exterior, no comportamento, nas escolhas, nas decisões. que cada ser humano, cada crente, portanto, vai fazer na vida da pessoa e também da comunidade, da igreja. Porque a fé cristã não é um sistema filosófico com ideias bonitas ou até mesmo fortes ou geniais. A vida cristã é uma vida que tem como base o relacionamento com uma pessoa, que é Cristo.

Um relacionamento íntimo, investido. real, portanto uma verdadeira intimidade. Isso vai produzir transformação, vai produzir regeneração. É isso que diz o apóstolo Paulo na segunda epístola aos corintios. Sempre temos que falar de Paulo, não é? Quando ele diz que alguém está em Cristo, Nova criatura é. As coisas velhas já passaram e é que tudo se fez de novo. E esta nova vida não mais sujeita aos impulsos, às paixões, aos instintos da nossa natureza caída, que movida pela ação do Espírito Santo. Vai produzir, portanto, no crente comportamentos justos. adequados, portanto, compatíveis realmente com esta fé e o facto de termos Jesus no centro.

E não são apenas comportamentos, porque comportamentos qualquer ser humano os pode mudar em função até dos seus interesses. Sabemos que os seres humanos podem mudar os seus comportamentos se isso lhes interessa de alguma maneira. Mas esta mudança de comportamentos nos crentes não é superficial. Ela é interior. Ela é uma vida nova que o crente recebeu e que vai produzir realmente frutos dignos dessa relação com Cristo. Sobre a identificação destes frutos, o Apóstolo Paulo é o que mais eloquentemente fala, não é? Eu faço aqui apelo à Gálatas 5.22, em que ele vai identificar os frutos do Espírito e em que ele diz que o fruto do Espírito é o amor, a alegria e a paz. São atitudes de fundo, de estado, indicam estado.

É uma maneira de estar, não é? E depois fala da paciência, da amabilidade e da bondade, que são relacionamentos São atributos para os nossos relacionamentos, a maneira como nos relacionamos com os outros, com bondade, com generosidade, com paciência, com aceitação. E é curioso que qualquer um de nós pode ter todas essas características, ou deve ter todas essas características. Devemos ter todas elas, não é? Porque elas são as características do fruto. Do fruto do Espírito. Exatamente. E as últimas três eu acho muito interessantes, que é a fé, a macidão e o domínio próprio, que tem que ver com a maturidade que o cristão vai desenvolvendo, portanto, no seu caráter. Portanto, segundo Jesus, isto é muito interessante, é porque, segundo Jesus, é esta manifestação dos frutos do Espírito, esta transformação da vida, esta mudança do caráter, que é a prova que vai poder convencer aqueles que ainda não são crentes.

Segundo Jesus, o mundo quereria que ele veio e que introduziu uma nova força na massa humana, uma nova dinâmica, ao contemplar a mudança observada na vida dos crentes. Portanto, os frutos são algo de natural se estamos em Cristo. E são a prova de que realmente Cristo é real. Deus não é apenas uma bonita ideia, que se defende em debates, em discursos, mas é algo que se vive na vida concreta da existência e que se manifesta, portanto, através da vida de cada uma. Nós devemos aos homens e mulheres deste mundo este testemunho. O mundo necessita de ver cristãos que mostrem que Deus não é uma ideia, mas que é realmente um poder, uma dínamo que vai modificar a nossa vida.

Algo real. Eu li há alguns anos um livro que era intitulado A Fé Cristã, que é uma correspondência entre dois homens, um que é teólogo, que é Gonçales Faus e um que é ateu, um colectual ateu. Os dois são espanhóis, que é Inácio Sotelo. E é muito interessante que este Gonçales Faus, ele busca através de raciocínios, de argumentos, de evidências, mostrar ao ateu que Deus existe, que Deus existe e são eficazes estes argumentos. Eu ficaria convencida por eles. Mas este Gonçalo, este Inácio Sotelo ateu, ele termina sempre os seus argumentos com uma frase, que é, se Deus existisse, isso deveria ver-se mais.

Se Deus, como um leitmotivo, se Deus existisse, isso deveria ver-se mais. E eu acho que ele tem razão. Deus existe, mas deveria haver-se mais. Mas onde Deus quer que se veja é na minha vida e na vida de cada crente. Porque é aí que Deus prova que realmente aquilo que Ele diz é real, é para valer e produz realmente efeitos práticos na vida. Devemos ao mundo este testemunho. Portanto, que Deus nos ajude a sermos testemunhas capazes de demonstrar na nossa vida que Deus é real e que vive. Essa perspectiva de Deus ver-se mais é muito interessante e, acima de tudo, é

Discernir a vontade de Deus

aquela que mais necessitamos no mundo, quer queiramos, quer não. Então, talvez nós pudéssemos ver aqui que o fruto que o Evangelho permite que nós possamos dar, ele não cresce por mero acaso. Ele cresce com a direção espiritual, se quisermos. É Deus que está, digamos, em nós, que nos permite isso mesmo. E Paulo orava. E eu acho bastante interessante nesta sequência de ideias que Paulo dá, quer em Colossenses, quer em Filipenses e outras cartas, a necessidade que ele tinha de orar pelos povos, pelas igrejas, pelos cristãos. E orava com um propósito. que era que eles tivessem a conhecimento da vontade de Deus. Era fundamental. Eu gostava de introduzir o Ruben, mas antes de dar a palavra ao Ruben, eu gostava que nós pudéssemos olhar para Colossenses capítulo 1 e virmos aqui a ideia que está espalhada no versículo 9 e versículo 10.

Colossenses com o Centro de Capítulo I, versículo 9 e versículo 10. Vamos então ler. Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessámos de orar por vós e de pedir que sechais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual, para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra e crescendo no conhecimento de Deus. Voltamos, outra vez, a ter aqui a questão do fruto. Paulo, nesta passagem, pede, na sua oração, para que aqueles cristãos do seu tempo, e porque não nós hoje também, tenhamos o conhecimento da vontade de Deus de modo a andarmos dignamente.

Ainda não vou a Ruben. Vou primeiro ao Pedro. Pedro, é possível nós discernirmos na prática a vontade de Deus entre palavra, providência, direcção do Espírito de modo a evitarmos ou a enganarmos a nós próprios? Eu creio que é possível. Tem que ser possível, não é? Mas é uma das grandes questões da fé cristã. É como é que o crente consegue entender a vontade de Deus. se só há um meio de revelação ou se há vários meios de revelação. A verdade é que o oposto muitas vezes fala desta ideia de sermos cheios do conhecimento da sua vontade. O que quer dizer que é possível que isso aconteça, mas claro que há alguns critérios, também há alguns enganos.

Há lugares onde não se pode ouvir a voz de Deus, com certeza. Há atitudes que não promovem que a voz de Deus seja audível, possa ser compreendida. Por isso, creio que vamos talvez ao básico, porque o básico neste aspecto parece-me mais importante. A primeira coisa que precisamos de relembrar sempre é que a vontade de Deus está primeiramente e fundamentalmente revelada na Sua Palavra. Porque a palavra serve-nos como um padrão ou uma referência que é objetiva, que é segura. E claro, eu quando utilizei aqui, adjetivei a palavra como sendo objetiva e mesmo assim sabemos que a interpretação que é possível ter de uma coisa que está escrita é variadíssima.

Por isso talvez até seja um exagero dizer que é objetivo no sentido em que é o mais objetivo que existe. E porquê? Porque está escrito. Porque é uma revelação que foi dada. Porque quer dizer que eu posso comparar aquilo que está escrito. Por isso é que nós sabemos que a Bíblia repete tantas vezes. quase como um refrão permanente. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, luz para o meu caminho. E muitos perfetas e apóstolos, no fundo, escrevem isto com outras palavras. Aqui, claro, o salmista, na sua poesia, conseguiu dizer isto com esta imagem maravilhosa. Mas esta ideia de que na palavra de Deus é que encontramos a luz para nos orientar é uma ideia estruturante em toda a Bíblia. Toda a escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, rederguir, corrigir, dizia o apóstolo Paulo também quando escreveu a Timóteo.

Por isso, talvez o primeiro grande teste para nós discernirmos a vontade de Deus qual é, é, será que isto que eu estou a pensar em fazer Ou será que esta ideia que alguém partilhou comigo está em harmonia com a palavra de Deus? Com aquilo que está revelado? Essa é uma pergunta essencial. E a conclusão que o crente na palavra vai chegar é que Deus nunca vai revelar outra coisa ou algo incoerente com aquilo que ele já revelou. Agora, vamos à segunda etapa. Isto não retira que em muitos aspectos da nossa experiência Deus nos revela coisas que são muito mais pessoais. que é a revelação que não pode estar escrita, porque é a revelação individual.

Essa nasce, claro, da relação com Deus, que já aqui falámos. Essa vem, sobretudo, daquela ação do Espírito Santo. Por isso Jesus disse muitas vezes, a propósito do Espírito Santo, Jesus instruiu muito os discípulos, que hoje somos nós. Para estarmos atentos e estarmos em condições de poder ouvir a voz do Espírito Santo. Mas o que é certo é que Jesus disse coisas como estas. Quando aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vier, ele vos ensinará todas as coisas. Quer dizer que há coisas que nós não sabemos e que o Espírito Santo nos ensina. Mais uma vez, ele ensina-nos a todas as mesmas coisas? Não. Não é que ele diga coisas diferentes, mas é que eu, se for uma pessoa muito indisciplinada, ele vai dizer-me, olha lá, tu precisas de ser mais zeloso e ter mais disciplina.

Esse é o ensino que ele me vai fazer a mim. Mas há pessoas que são extremamente disciplinadas, seja pela educação que tiveram ou pelas suas características, e portanto o que elas precisam é de uma outra dimensão na sua vida espiritual. E o Espírito Santo vai dizer, olha, tens de estar mais atento às pessoas, Os relacionamentos. Então há essa dimensão da revelação que é única, que é individual, que é isso que Jesus disse e ele vai-nos ensinar todas as coisas. O apóstolo Paulo, em Romanos 8, dizia que todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Um texto que eu gosto muito. Essa ideia de que os que são guiados pelo Espírito de Deus quer dizer que o Espírito está-nos a guiar. É ele que tem esse processo. Por isso é que há este teste, que também nós precisamos muito, que é o teste de se a voz, se o Espírito de Deus tem tempo, espaço, e eu lhe dou capacidade, e de ele falar.

de ele me orientar na minha vida, não é? E por isso... Sobre isso, Pedro, eu estava aqui a pensar... Lembro-me de um episódio, já há muitos anos, que o pastor Alejandro Bullion, ele apresentava. Ele dizia quando, por exemplo, vamos comprar umas calças e depois vamos ao provador e vestimos as calças, olhamos para o espelho e vemos se as calças nos ficam bem ou não. Será que nós perguntamos, ó Deus, gostas de nos ver com estas calças? Eu creio que aqui este conceito também de permitir que Deus fale nas coisas tão simples e tão básicas da nossa vida, não é? Porque é verdade que nos grandes conceitos da nossa vida espiritual temos a noção, claro, que o Senhor Deus fala, mas também nestas pequenas nós também devíamos ter esta atenção. É, sem dúvida. E se por acaso esse exemplo que disseste é perfeito para a última nota que eu vou deixar, que é a terceira dimensão da revelação de Deus, que é a providência dele.

a maneira como Deus está a agir. Também pode ser muito individual ou pode ser mais coletivo. Mas se eu tenho a palavra escrita como algo objetivo, se tenho o mais subjetivo que é o Espírito a falar à minha vida, eu depois tenho a minha interpretação do que Deus faz, da obra de Deus. Isso é o que muitas vezes chamamos de providência. São os caminhos de Deus, as portas que Ele abre, as portas que se fecham, as oportunidades que surgem. E aí, lembremos-nos de um texto do salmista e do sábio, aos provérbios que dizia, confia no Senhor de todo o teu coração, E não distribues no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos. E ele endireitará as tuas veredas. Quer dizer que Deus está a agir também através dos caminhos da vida. E nesse sentido eu também preciso estar atento ao que é que Deus me diz através das circunstâncias.

E de facto Deus pode trazer pessoas à minha vida. que me dão conselhos ou que me dão advertências. Deus pode fazer-me viver circunstâncias que falam comigo. Portanto, a providência de Deus também é uma forma de revelação. Ou que precisam de ti. Sim. Conhecer a vontade de Deus é extraordinário. Não consigo dar outra expressão, mas sem dúvida que a vontade de Deus tem um propósito tão particular, tão profundo em nós. Ela leva-nos a conduzirmos, por exemplo, da nossa vida a uma vida de

Gratidão e resiliência

perseverança, porque temos uma tendência muito grande em cairmos rapidamente, em alargarmos, em desistir. mas ao mesmo tempo a uma ideia ou uma vida de gratidão, porque a vontade de Deus leva-nos a isto mesmo. E eu posso vos dizer que esta talvez seja uma das conclusões do pensamento de Paulo quando nós vamos ao livro de Colossenses. E eu gostava, como última passagem, digamos, que pessoalmente vou ler, mas no capítulo 1 de Colossenses, versículos 11 e 12, nós vamos encontrar aqui este poder para preservar e a gratidão que pode sustentar. Diz a partir do versículo 11, corroborados em toda a fortaleza. Há algumas outras versões que dizem fortalecidos com todo o vigor, no sentido de tentarmos compreender mais rapidamente.

Segundo a força da sua glória, em toda a paciência e longa-animidade, com gozo, dando graças ao Pai que vos fez idóneos para participar da herança dos santos na luz." Ruben, de que forma é que a gratidão pode tornar-se, vou usar esta expressão que nós precisamos dela quando nos deslocamos de um lado para o outro, o combustível. Como é que a gratidão se pode tornar o combustível para a nossa resiliência, até mesmo para a missão, se quisermos, não é? E já agora aproveito para te sugerir que nos digas como é que nós, de alguma maneira, de forma prática, podemos cultivar essa cultura de gratidão nos dias de hoje, quando olhamos para este mundo, quando olhamos para o quadro que está à nossa frente.

É muito interessante esta parte da gratidão, porque isto é quase como o Paulo dar um passo ainda mais à frente. Nós ao caso falávamos da perspectiva, certo? Portanto, ele estar em situações difíceis e ver nisso um plano de Deus para a missão. E agora vamos para o nível 2, não é? É que não só o Paulo está a ver estas circunstâncias como uma oportunidade, mas ele está a agradecer aquela oportunidade. Ou seja, no fundo o Paulo está a agradecer as dificuldades que ele está a ter. Por ter sido preso, por exemplo. Exatamente. E isto é, digamos assim, o nível 2. Já é difícil a primeira parte. Nós encarámos as dificuldades como uma oportunidade. Agora, agradecer as dificuldades é, de facto, algo de incrível.

E Paulo mostra-nos isto. E porquê que ele faz isto? Porque ele entendia que, para ele, era uma alegria ele estar a fazer parte do plano de Deus. Ou seja, na mente de Paulo, estar a executar o plano de Deus, independentemente se isso trazia dificuldades para a vida dele ou não, era o maior desejo, o maior objetivo de vida dele. E por isso é que ele encontra não só a alegria, mas também a gratidão. Obrigado. É muito interessante que no versículo 11 diz, fortalecidos com todo o poder, para toda a paciência e longa unidade, com alegria. O que é que isto quer dizer? A gratidão fortalece. não só a nossa fé, mas a nossa capacidade de preservar, de continuar em frente.

E isto faz-me lembrar um texto que o Paulo escreveu lá em 1ª de Santos, no capítulo 5, versículo 18, que diz em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus. Ora, em tudo é em tudo. Certo? E eu olho para a minha vida e eu penso como é que eu posso dizer uma coisa destas, não é? Porque especialmente quando nós temos problemas e dificuldades, porque todos nós temos, lembrar deste versículo é algo incrível. Em tudo dá graças. Uma vez eu estava talvez na noite mais difícil da minha vida, que era a noite em que antecedia o nascimento da minha filha, em que a minha esposa estava em risco de vida, a minha filha estava em risco de vida, E eu estava na noite de maior tribulação, digamos assim.

E o senhor lançou-me este desafio. ver aquilo como não um momento de desespero, mas um momento de confiar no Senhor e de agradecer ao Senhor, é como nós olharmos para trás e vermos o que Deus já fez no passado e entendermos que é nele que devemos depositar a nossa confiança e agradecer ao Senhor. E era esta a perspectiva de Paulo.

Encerramento

Então, a gratidão renova a alegria mesmo nas provas, Vemos também que a gratidão nasce de uma consciência de graça recebida, ou seja, de que Deus já nos dirigiu e abençoou no passado. E vemos também que a gratidão pode se tornar um meio de testemunho e um meio de missão. Porque agradecer esta forma de Paulo de Farar e de orar e a gratidão que ele tinha era um testemunho incrível. Porque inspirava outras pessoas. Exatamente, porque inspirava. E finalmente, respondendo diretamente à tua pergunta, a gratidão deve ser cultivada diariamente. Porque não há outra forma. Nós partemos um relacionamento com o Paulo, diariamente temos que ir ao Senhor, passar tempo com ele e agradecer ao Senhor por todas as bênçãos que ele nos dá.

E a Bíblia é muito clara que as bênçãos do Senhor se renovam a cada manhã. E é isso que Paulo acreditava, é isso que ele buscava e era isso que ele agradecia. Devemos pensar, devemos tomar tempo para pensar e identificar as bênçãos, não é? Para ser agradecidos. Eu, se pudesse, parava o relógio, mas não posso. Portanto, estamos no final. Foi muito bom a vossa presença. Quero-vos agradecer de coração por terem estado aqui comigo e desejo-vos muito que Deus vos possa abençoar na vossa vida e nos vossos afazeres. Quanto a nós, já sabe, voltamos para a semana, mas antes de nos ir embora, deixe-me repetir que temos aqui um guia de estudo muito importante e muito interessante. Ele fala sobre pais preparados, filhos de caráter. Vai encontrar aqui conceitos muito interessantes para nós podermos, como pais, relacionarmos-nos corretamente com os nossos filhos e, ao mesmo tempo, verem o crescimento dos nossos filhos a serem filhos de caráter.

Pode fazê-lo pedindo este guia de estudo para o 933 93 92 91. 933 93 92 91. Já sabe, alguém do outro lado irá atender o seu pedido, irá enviar-lhe gratuitamente para a sua casa e será mais um manual que você pode receber para se cultivar naquilo que Deus pretende para a nossa vida. Só nos resta agradecer o tempo que passou connosco e, sobretudo, que este tempo possa fazer bem à sua vida. Quanto a nós, voltamos no próximo episódio para a semana, se Deus quiser. Até lá.

Sobre este episódio

Neste episódio do Bíblia Aberta, somos convidados a refletir profundamente sobre duas realidades centrais da vida cristã, a graça de Deus e a oração. A partir das cartas de Paulo aos Filipenses e aos Colossenses, a conversa conduz-nos por diferentes perspetivas bíblicas que revelam como Deus inicia a boa obra no ser humano e como a aperfeiçoa dia após dia.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 5 · Episódio 2
Estreou
04 de Janeiro de 2026
Categoria
Espiritualidade