Ficou prometido, na semana passada, que voltaríamos esta semana a abrir a Bíblia e podermos, nos próximos minutos, cerca de 55 minutos, vamos dizer assim, podermos estar consigo e podermos estar de Bíblia aberta para podermos encontrar as grandes verdades que podem preencher, encher e preencher o nosso coração. Já sabe, a TV Novo Tempo é um canal de esperança. É o seu canal de esperança. Poderá encontrar este canal no canal 186 da Mel. É onde nós estamos. Mas também pode seguir a programação da Esperança através da Rádio RCS, nos 91.2 FM. E se não tiver nenhum destes meios de comunicação, já sabe, pode ir ao YouTube, encontra a TV Novo Tempo Portugal e também encontra o programa A Bíblia Aberta.
Por isso, nós estamos aqui todas as semanas para lhe fazer companhia, mas nesta companhia podemos ver o que Deus tem para nos dizer. Já ouviu falar, por exemplo, de cidadania celestial? É a partir deste tema que vamos encontrar na carta aos filipenses uma boa conversa com três amigos que tiveram comigo na semana passada e que voltamos a tê-los para o nosso gozo e o nosso refrigerio, podemos dizer assim, ou a nossa alegria. Pedro Esteves, olá Pedro. Obrigado por teres vindo. Olá Hortelinda, mais uma vez. Obrigado por estares connosco. E Paulo, Paulo Macedo, obrigado pela tua presença também no nosso programa. nesta TV. Vamos então abrir a carta aos filipenses, também aí desse lado, se tiver a sua bíblia consigo utilizar, esteja bem perto dela porque nós iremos encontrar várias verdades que podem ser muito úteis para a nossa vida e por isso eu
convido a abrirmos desde já em Filipenses capítulo 3 e vamos fazer quase como que uma continuação daquilo que nós viemos a falar da semana passada. No capítulo 3 de Filipenses agora os versículos 17 a 19 nós podemos fazer esta leitura. Sê depois meus imitadores, irmãos, e tendo cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. cujo fim é a perdição, cujo Deus é o ventre, cuja glória é para a confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas.
Nós podemos ver aqui, nesta pequena ilustração, nestas palavras de Paulo, que ao longo da nossa vida nós já encontramos pessoas que temos muita simpatia, gostamos muito delas, admiramos-las muito e até queremos, de alguma forma, segui-las, não é? Só que, ao mesmo tempo, nós podemos encontrar nelas um mau exemplo. E Paulo, no seu tempo, encontrou várias pessoas que eram maus exemplos. E o mundo em que ele vivia não era melhor do que o nosso. Ele faz uma descrição muito clara de que era um mundo corrupto, de grande imoralidade, de grande malignidade. Hoje nós temos o mesmo problema. Pedro, como é que nós podemos discernir os bons modelos espirituais neste mundo
tão apagado, digamos assim, ou cheio de influenciadores que são, na prática, inimigos da cruz? Verdade, boa questão. Nós vivemos num mundo de influência e de influenciadores. Nunca esta palavra foi tão usada como hoje, uma vez que representa hoje, na verdade, uma carreira para muitas pessoas. É mesmo uma carreira? ser influenciador? Já agora, deixa-me dizer, ainda ontem eu vim a ouvir uma rádio generalista em que a pergunta era para uma influenciadora se ela estava com receio agora das influenciadoras virtuais, não é? E ela dizia, eu sei que já há algumas. Portanto, a questão da influência está muito presente no nosso tempo. No fundo, no tempo em que vivemos, que é muito globalizado, claro, e os meios de comunicação permitiram que uma pessoa consiga ter acesso a milhares ou milhões de outras, isso ajudou, facilitou muito o processo de realmente haver o conceito, de ficar mais claro para todos de que as pessoas se influenciam umas às outras.
Isso tornou-se uma evidência. E o termo influenciador tornou-se mesmo uma designação para essa carreira, para essa postura. Para muitas pessoas é uma profissão, para outras não é, como óbvio, mas mesmo assim percebe-se que tem um impacto. Mas a verdade é que esse conceito sempre existiu, claro. A escala é que se alargou. Porque, obviamente, se formos para um mundo não digital, a nossa capacidade de influência é às pessoas que estão ao alcance físico da nossa presença. O mundo sempre conheceu pessoas que, ou pelas circunstâncias da vida, ou pelo ponto onde chegaram, embora era raro, sempre existiram pessoas que tinham uma capacidade de influenciar muitas outras.
Mas, obviamente, isto era uma coisa muito rara. Talvez uma pessoa que se tornasse um grande escritor, que fosse lida por milhões, No mundo cristão nós conseguimos ir na história e identificar... Estou a falar de uma história contemporânea, claro. Se calhar nos últimos 50, 100 anos alguns grandes pregadores conseguiram ter uma escala universal. Ainda hoje há alguns pregadores que em qualquer lugar do mundo que vão, no mundo cristão, são reconhecidos. Mas hoje realmente ficou mais evidente como a nossa atitude, as nossas palavras, os nossos pensamentos, eles têm um grau de influência enorme. Mas agora, fixando-nos aqui no apóstolo Paulo, eu acho que este conceito que o apóstolo mais do que uma vez nas suas cartas afirma é realmente um conceito extraordinário em termos das implicações e que merece muito bem ser analisado.
Porque parece haver uma certa contradição nos termos da fé cristã quando um homem diz a outros, sejam meus imitadores. E é interessante perceber se há aqui uma incoerência ou qual é o alcance desta expressão. Porque nós estamos habituados a explorar a ideia, e bem, de que digno de imitação, perfeito, santo, sou a um. Isto para nós é mais do que evidente. Estamos a falar de Jesus. Ele é que é o nosso modelo em todos os aspectos, claro. coisas como não há um justo, não há um sequer, todos somos pecadores, enfim, essas coisas nós estamos muito habituados, é a linguagem bíblica e cristã, e estão todas, obviamente, mais do que corretas.
Por isso é que pode parecer estranho aparecer agora um homem que diz, olha, façam o seguinte, sejam meus imitadores. O apóstolo Paulo disse isto aos Coríntios, por exemplo. Ser de meus imitidores como eu sou de Cristo. Essa pequena nota aí também... Já vou dar-lhe uma ênfase. Mesmo a Timóteo, que a carta era mais pessoal, e ele também acaba por dizer a Timóteo para imitar o exemplo dele. Mas, curiosamente, na carta a Timóteo, Paulo também diz a Timóteo para ele ser o exemplo dos fiéis. Quer dizer que só aí percebemos que Paulo não está a dizer, ok, bom, eu vou fazer uma exceção e eu sou tão bom que sou digno de ser imitado, porque o próprio apóstolo Paulo diz muitas vezes, ainda na semana passada, no último episódio, e nós muito aqui abordámos o facto do apóstolo Paulo ironizar-se sobre ele próprio e sobre o seu currículo, dizendo que isso de nada vale.
Ele dá muitos exemplos de uma humildade que não é só retórica, Às vezes até é um pouco desconcertante o apóstolo Paulo falar das suas fraquezas. O tal homem que diz o bem que eu quero fazer, não faço. Expõe-se dessa forma à realidade da vida a dizer coisas como eu corro mas acho que ainda não alcancei, portanto está a dizer estou a tentar mas ainda não estou lá onde quero. E depois talvez aquela Aquela tripla dimensão que eu apercebi imenso nas cartas do apóstolo Paulo, que é o facto de ele dizer três coisas que se podem encaixar umas nas outras. O Paulo diz que é o menor dos apóstolos. Nós diríamos, já não é muito mau, porque os apóstolos já são tão poucos.
Ser o menor é ser o pior entre a elite. Depois ele diz que é o menor entre os santos. Portanto, já alargou muito. Os santos são os crentes, não é? Ok, é o menor entre os santos. Já se colocou muito mais abaixo na escala, mesmo assim, é entre os santos. E depois, para não ficar de dúvidas, ele diz, eu sou o maior dos pecadores. Portanto, ele é duas vezes o menor e uma vez o maior. E em qualquer uma destas, é sempre para dizer, eu sou fraco. E é o mesmo homem que diz estas coisas, que afirma pelo menos três vezes, para ser imitado. Por isso é que é muito interessante perceber de que é que o apóstolo Paulo está a falar, porque, obviamente, ele...
colocar-se na posição de ser digno de imitação não é uma tentativa de dizer que ele é bom, que ele é perfeito, que ele é um exemplo magnífico, porque já... eu dei aqui vários exemplos de como ele nunca afirma isso. o que revela, portanto, uma outra verdade que não pode ser a da moralidade. Portanto, não é no campo da moralidade que o apóstolo Paul se coloca. Porque aí seria dizer, ok, eu sou bom, ou eu sou perfeito, e, portanto, imitem. Eu sou a referência. Ou eu sou a referência, que seria uma outra forma, até ética, de dizer aqui está uma referência. Ele diz muitas vezes que não é a referência. Então, porquê esta força, ainda assim, de dizer que sejam meus imitadores. Muitas coisas poderiam ser ditas sobre isto, eu até desafio aqui o Artelino e o Paulo, e o Jorge, quem sabe alguma coisa ainda que cruze o vosso pensamento para juntar, mas eu pelo menos diria a seguinte.
É inevitável que quem está numa posição de liderança exerça influência e que mesmo que eu não diga para ser imitado, quem está Debaixo, o termo pode ser perigoso dito assim, mas quem está no alcance de quem exerce um ministério que influencie, obviamente que vai seguir, que vai imitar. Não há uma escolha, portanto. É por isso que ele opta por dizer isto. Nós aqui todos somos pais. Eu tenho, por exemplo, um filho adulto, um jovem adulto. E uma coisa que me tem surpreendido, por um lado, na paternidade adulta de um filho, que é uma coisa que eu tenho apreciado imenso, e digo isso com alguma frequência, a parte de ser pai de um filho adulto é uma experiência, para mim, pelo menos, tem sido uma experiência muito diferente de ser pai de uma criança, e que tenho apreciado imenso esta fase da paternidade, por perceber que, para mim, de forma inconsciente, e até acho que para o meu filho, de forma inconsciente, eu começo a ver coisas a nível da influência que eu tive sobre ele que são muito profundas.
E agora ao conversarmos, ao ver o pensamento dele sobre a vida, sobre a fé, sobre a política, sobre a sociedade, muitas vezes eu estou a ouvi-lo e digo Ok, estou de repente... De onde. É que isto vem? Ele está a falar livremente, eu não tentei constrangê-lo para nada e vejo que há ali muita coisa que é um reflexo, obviamente, de coisas que ele viu, que eu vi e de uma referência que foi criada para ele. Mesmo a nível dos valores, que são coisas que nós, como pais, temos... Ou seja, o que eu quero dizer é, a maior parte das coisas que têm a ver com valores nós, no fundo, não transmitimos de forma racional ou muito estruturada. Os valores passam porque nós somos assim. E nós percebemos que esses valores passam.
Então, eu diria assim, não há alternativa. a dizer que como pai eu me tornei um exemplo de imitação. Eu posso até não ser digno de ser imitado, porque as minhas palavras, os meus valores, o meu exemplo ser horrível, Então eu não sou digno de ser imitado, ou eu ter alguma coisa que pode ser uma influência positiva. Portanto, o que eu quero chegar com isto é que, quer o apóstolo Paulo dissesse, tivesse a força, a coragem, para dizer a uma igreja, vejam o exemplo do que eu fiz quando estive no meio de vós, imitem-me. Isto é preciso ter força. Mas mesmo que não seja dito, é a realidade. Nem todas as verdades precisam de ser ditas para serem verdades.
Eu creio que o apóstolo Paulo opta aqui por se referir à ideia de que ele é um exemplo. Está colocado nessa posição, mas mesmo que ele não o dissesse, assim seria. E, portanto, o que eu vejo aqui, acima de tudo, é um exemplo de liderança. É a coragem de assumir que, quando estamos numa posição de influenciar os outros, nós temos de estar muito vigilantes sobre se o nosso exemplo, se a nossa conduta e as nossas escolhas, mesmo com falhas... Por exemplo, uma pessoa com falhas é uma pessoa que pode ser perfeitamente digna de imitação. Não nas falhas, mas na maneira como se lidam com as falhas. Nós temos bons exemplos disso na Bíblia, Davi sempre aparece aqui como um grande exemplo de alguém que é um modelo Não moral, mas um modelo de como se lida com as falhas morais.
Ora, como nós todos vamos ter falhas morais, mas vale seguir alguém que quando falhou moralmente soube ser humilde, soube ser honesto, soube ser íntegro, soube arrepender-se, soube olhar para si próprio com amargura pela falha cometida, mas sempre numa tentativa de melhorar. Então, sim, nós acabamos sempre por ser para alguém modelos de imitação. Tanto assim é que Jesus também nos deixou muitas indicações sobre como é que nos devemos comportar e ser para que outros sigam o nosso exemplo. Então, eu concluo dizendo que eu olho para o apóstolo Paulo e tenho vontade de o imitar. Mesmo sabendo que ele cometeu as suas asneiras, que ele próprio diz que é um pecador, e quantas outras pessoas.
Eu olho para muitas pessoas ao longo da vida, por exemplo, pessoas com quem eu me cruzei, e digo há muitas pessoas que eu tenho vontade de imitar. Eu lembro, não vou agora aqui contar algumas histórias por uma questão de tempo, mas eu tenho alguns exemplos, sobretudo de pessoas idosas, irmãos muito humildes, que eu no meu ministério como pastor ao longo de todas as igrejas onde eu passei, lugares diferentes, comunidades diferentes, eu encontrei algumas pessoas, conto muitas vezes histórias dessas pessoas, que tornaram-se totalmente exemplos para mim de imitação. Na fé, na postura, E elas não fizeram nada. Nunca fizeram essas coisas para que um dia um jovem pastor os imitasse, por exemplo. Mas simplesmente tornaram-se dignas de imitação. Não é uma escolha, é uma realidade.
O Pedro fez um desafio. Eu sei que nós estamos com falta de tempo. Eu estou aqui perante três pessoas que estudaram Teologia, são teólogas e que me podem corrigir se o que eu vou dizer fizer pouco sentido. Se calhar naquilo que nos diz a nós o texto também. Mas Paulo tem este desafio muito grande que é nós pegarmos num ou dois versículos e separarmos tudo aquilo que ele escreveu antes e depois. Porque o pensamento dele é tão lógico, é tão profundo, que se auto-explica. E, portanto, ao separá-lo, nós ficamos com este problema. É que não compreendemos o que é que ele quer dizer nesta frase. E estamos a falar na questão da imitação. Porque se nós formos, por exemplo, ao versículo 15, que vem mesmo antes, ele diz assim, por isso todos, quando já fomos perfeitos, sintamos isto mesmo. que é a alta vocação em Deus, em Cristo Jesus.
Nós fomos ainda compreender o que é que Ele quer dizer. Todos, quando já somos perfeitos, ainda tínhamos outro problema. Tínhamos de explicar o que é a perfeição de Cristo. Portanto, eu vou tentar, na minha incapacidade para chegar àquilo que Paulo muitas vezes quer dizer, e nós fazemos isso espiritualmente, intelectualmente, culturalmente, contextualizando. Eu, olhando para esta frasinha que diz, sendo, pois, meus imitadores, e vendo o contexto que vem de trás, Eu gosto de focar-me um pouco naquilo que nós estamos a falar da influência. A tua pergunta foi sobre a influência. Paulo decidiu... A influência o que é que quer dizer? A influência é a capacidade de levar alguém a alterar o seu pensamento ou o seu comportamento. Isso é que é a influência. Termos influência sobre alguém é levarmos essa pessoa a alterar a forma como pensa ou como age.
E Paulo decidiu, naquilo que tem tudo vindo a explicar neste capítulo 3, ele decidiu que a máxima influência sobre a sua vida, se calhar a única influência sobre a sua vida, é a influência de Deus. E eu penso que é isto que ele está a querer dizer, porque ele depois vai definir, já vos disse que são inimigos da cruz, cujo fim é a perdição, cujo Deus é o ventre. Não é por estes que se deixam influenciar. Imitem-me em quê? Em deixar-me influenciar unicamente por Deus. E nisto realmente, Paulo, isto é fácil de compreender. Que se ele aceitou que a única influência sobre ele seja Deus, ele está a pedir que o imitem nisso. e por isso adverto contra todas as outras influências contrárias. Isto já não é, não sei, na minha pequenez já não é tão difícil de compreender do que se ele estava ou não a apresentar-se como referência. E podemos dizer que ele é também modelo na sua própria experiência espiritual que ele fez com Jesus.
Como dissemos a semana passada, há um antes e um depois do encontro com Cristo. E aí, ele é nosso modelo. Isso tem que acontecer em cada crente. Portanto, ele, de alguma maneira, significa aquilo que é ser cristão. Paulo. Portanto, é deixar o que fica para trás, é avançar para o que está à frente, confiando na pessoa de Jesus Cristo. É este confronto com Cristo que muda. E, realmente, ele é modelo.
Todo cristão passa por aí, não é? Eu creio até que os versículos que vêm a seguir e que nós vamos ler vão nos dar esta certeza e talvez aqui podermos já utilizar aqui o tema base da cidadania celestial, não é? Porque vamos ver Paulo a colocar o foco nas coisas eternas. Se virmos no capítulo 3, versículos 20 e 21, diz, mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder, de até sujeitar a si todas as coisas. Portanto, nós podemos ver aqui Paulo a colocar a sua esperança totalmente, e mesmo no futuro, totalmente na cidade que Jesus vai preparar, ou que foi preparar e que está preparada.
Paulo, isto leva-nos de alguma forma a termos aqui um rasgo de consciência, vamos dizer assim, de que somos, afinal de contas, cidadãos do céu. Nós vivemos nesta terra, mas temos que ter esta consciência. Será que viver esta certeza da vida eterna, deste lugar extraordinário que Jesus foi preparar, transforma a nossa maneira de viver hoje e de alguma forma aumenta a nossa esperança? Antes de mais um ponto prévio, eu acho que o grande desafio é mesmo esse. É nós passarmos de algo etéreo, não palpável. Pensarmos só numa cidadania futura, num momento em que a Nova Terra esteja preparada e que nós estejamos lá a habitar. Para vivermos o que Paulo também está a querer significar. É essa dimensão, sem dúvida. Paulo, no livro de Salonicenso, explica a segunda vinda real, visível, universal de Jesus.
Portanto, ele não tem dúvidas sobre essa segunda vinda. mas todos os textos dele são um impulso, são um convite a que possamos viver já os princípios desse reino. Essa é que é a nossa dificuldade, não é viver o reino de Deus na glória, mas é viver o reino da graça já nesta terra. Aliás, Ellen White, que é uma escritora americana, ela escreve que nós temos que viver o céu ainda nesta terra. Pois, é isso. Esse é que é o verdadeiro desafio. E realmente nós vemos aqui um contraste dramático. Lá está o tal contextualização dos escritos de Paulo. O texto que o Pedro estava há pouco a comentar, em que Paulo está a falar de Deus é o ventre das pessoas cuja glória está na infâmia, que só pensam nas coisas terrenas. E depois vai dizer assim, mas a nossa cidade está nos céus. Portanto, ele foca o alvo com um contraste muito grande.
A nossa cidade está nos céus. Ele chama-lhe nossa. E utiliza uma palavrinha grega, politeuma, que significa, de facto, cidadania. Ele está a falar de uma comunidade política. Polis vem de cidade, palavra grega. Ele está a falar de uma pátria. É algo que nos... A nossa identidade está no céu. É curioso porque hoje em dia falamos tanto sobre as questões que dividem as pessoas. Identidade, nacionalidade, o nacionalismo, que é uma forma ativa de identificar as pessoas através da sua nacionalidade. E o que Paulo está a querer dizer é uma coisa completamente diferente. É dizer, a nossa identidade está nos céus. A nossa verdadeira casa é ali, mas é ali já hoje, não é só na segunda vinda. Os princípios que regem o governo de Deus devem ser a nossa nacionalidade já hoje.
É o estado do qual nós somos cidadãos. E realmente, eu digo-vos sinceramente, tenho que meter aqui uma pequena agulha, digamos assim, em algo que nos deve fazer refletir, que é muitas vezes ver o Evangelho utilizado para dividir. É uma coisa que pessoalmente me custa muito. Este é o homem que diz que já não há judeu nem grego, já não há homem nem mulher, já não há servo nem senhor. É o homem que une pelo Evangelho. É alguém que nos está a dizer, sem tomar aqui um pensamento político que eu estou a produzir, mas é um pensamento de humanidade, de irmandade universal, em que nós somos de facto cidadãos de um reino que é superior. E esses são os cidadãos desse reino? Que todos nós somos convidados a pertencer a esse reino.
Podemos rejeitá-lo, mas somos convidados. Portanto, há aqui um contexto muito provocador. Eu também não resisto a trazer esta pequena passagem, ou pensamento, que é que Filipes, a cidade onde estão estes habitantes a receber as cartas de Paulo, é uma colónia romana, é uma extensão de Roma na Grécia, na Macedónia, na zona da Macedónia. E os filipenses se orgulhavam muito de serem cidadãos romanos. e viviam segundo leis romanas, aguardavam ordens de Roma, e eles que estavam naquele contexto recebem uma carta que tem este detalhe, que é dizer assim. Na terra onde Salvador é um dos títulos dos Césares, pelo menos desde Júlio César, cerca de 50, mais 60, 110, 120 anos antes de Paulo escrever a carta, Salvador era um dos títulos daqueles Césares, Paulo diz que o verdadeiro Salvador não vem de Roma, vem do céu.
E isto é um detalhe muito, muito importante, porque ele está a tentar refocar o pensamento das pessoas que estão a receber aquela carta no que verdadeiramente interessa, que é a cidadania, os princípios do reino de Deus. E diz isto, e isto para mim ainda é algo ainda mais profundo, por causa do valor que nós damos à liberdade de consciência, é que Paulo diz isto estando preso. Nós não falamos nisso a semana passada, nem agora, mas estando numa prisão... Já falámos nisso na semana passada em que eu estive e não agora, mas neste momento eu acho que é muito importante referir que nós vemos um homem preso a dizer que o verdadeiro salvador não é aquele que me está a aprisionar e a minha verdadeira cidadania não é aquela que me está a julgar, porque nós temos a nossa cidade, esta cidade.
Portanto, esta consciência de quem Paulo é, E esta consciência de querer focar os olhos dos filipenses leva-nos, muito resumidamente, a ver-nos como pessoas livres, livres da ansiedade, do medo, do cálculo do que nos pode acontecer, liberta-nos, no fundo, da tirania do que aqui e agora estamos a sofrer. porque foca-nos num reino celestial que nós podemos viver pelo Espírito, fortalece a nossa identidade em Deus, a nossa irmandade, mas também o nosso amor para com as pessoas, que todos os seres humanos, no fundo, são criadas por Deus e candidatas à salvação, e candidatas a pertencer a este reino. e transforma a nossa resposta ao sofrimento, porque de facto coloca a nossa esperança em algo que é muito mais do que a matéria que nos está a aprisionar.
E Paulo ensina-nos isto tudo. Uma frasinha final. Eu sei que estamos atrasados. C.S. Lewis, um grande apologeta cristão do século passado, disse o seguinte. Os cristãos que mais fizeram pelo mundo em que viveram foram precisamente aqueles que mais pensaram no mundo que viria. E realmente é verdade. Nós podemos pegar em muitos casos que o mundo avança quando as pessoas que vivem hoje têm uma perspectiva do mundo perfeito que Deus deseja que elas criem. Já hoje também. E esta questão da cidadania celestial, sem dúvida, apaixona-nos, porque é a perspectiva futura, já não faltará muito tempo para nós podermos lá chegar. E é muito curioso ver que Paulo, nesta cidadania celestial, vai incluir também aqueles, a promessa se quisermos, daqueles que já faleceram em Cristo, de poderem ressuscitar e sermos todos, como dizia o Paulo, digamos, ao mesmo nível
ou com as mesmas qualidades. Mas há aqui uma questão, é que quando nós pensamos nestas coisas, pode parecer que, se calhar, queremos muito, não é? E começamos a ficar aqui um pouco ansiosos ou inquietos, não é? Se formos agora a Filipenses capítulo 4, eu convido-vos a abrirmos agora no capítulo seguinte, em Filipenses capítulo 4, para lermos os versículos 6 e 7, diz assim, não estejais inquietos por coisa alguma. antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas com a ação de graças e a paz de Deus que excede todo o entendimento guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Hortelinda... Se em vez de andarmos ansiosos, que é uma coisa bem complicada e bem difícil de nós dizermos não andarmos, não é?
Mas se em vez da ansiedade nós desejarmos, por exemplo, ter paz, porque é uma alternativa contrária à ansiedade e que nós tanto desejamos, como é que nós podemos desenvolver esta prática espiritual, essencialmente quando as circunstâncias da nossa vida parecem que o caminho não vai por aí e que em muitos momentos parece até contradizer esta promessa? Eu penso que o Paulo já deu a resposta no comentário dele. Eu penso que esta certeza de que somos cidadãos do reino, de que somos filhos de Deus, de que estamos a caminho, Ainda não chegámos lá, mas estamos a caminho e sabemos que vamos chegar. Esta certeza de que Deus está sempre presente, que nunca nos abandona, estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos, tudo isto deve ser como uma janela que se abre na nossa realidade atual.
Nós precisamos de atualizar o céu. O céu não pode ser para nós apenas algo que está no futuro, daqui a não sabemos quantos séculos. O céu é o lugar para onde vamos, mas é o lugar onde podemos viver já. porque o céu é Cristo, não é viver na presença de Deus. E nós podemos viver na presença de Deus já aqui. Então, a fé deve nos permitir essa abertura para a realidade do espiritual, do definitivo, para dar sentido àquilo que é passageiro, que é transitório. Portanto, as dificuldades da nossa vida. Quando nós olhamos para... Acho que foi Isaac Newton que disse, quando eu saio, tenho um grande problema, eu à noite saio para o campo e eu olho para o céu.
E dentro da grandeza do universo, os meus problemas descem à insignificância. Eu penso que nós, como cristãos, devíamos ser assim também. Quando temos problemas que nos causam ansiedade, nós devemos ser capazes de sair desta realidade, contemplar tudo aquilo que já é a nossa realidade pela fé em Cristo e sermos capazes de descansar e os nossos problemas, ainda que reais, ainda que concretos, não é uma negação deles, mas é uma mudança de foco. É realmente focarmo-nos naquilo que somos na realidade em Cristo, naquilo que ganhámos em Cristo, naquilo que Cristo nos disponibiliza. E isso deve nos dar alento e deve tornar as nossas misérias do dia-a-dia menos importantes, menos graves, porque todas elas finalmente são passageiras.
Este texto que tu leste É interessante que o apóstolo diz, não estejais inquietos por coisa alguma, é precedido por aquele que diz regozijai-vos, regozijai-vos no Senhor sempre. Outra vez vos digo, regozijai-vos. Ou seja, a causa desta não inquietação que ele nos propõe e nos desafia, finalmente não é outra coisa que senão o resultado desta alegria no Senhor. Deus vive. Temos um Deus vivo, não é uma ideia? É um Deus vivo. E essa presença de Deus deve nos encher de alegria. E essa alegria exclui o medo, porque, finalmente, a inquietação é um medo, não é? A pessoa sente-se ameaçada, ameaçada às vezes nem sabe porquê. Os nossos contemporâneos são ameaçados por tudo e por nada, não é?
Pelo futuro, por o que vem aí, por o que vai acontecer, por o que nos vai faltar. Parece que está provado que 90% das nossas temores nunca se realizam. Ficam apenas como, enfim, à volta da nossa cabeça, massacrando, pressionando e tirando-nos a alegria. O apóstolo diz aqui, alegrem-se no Senhor, porque perto está o Senhor. Diz ele, perto está o Senhor. Deus não está longe de cada um de nós. Então, se o Senhor está perto, se temos a alegria da salvação, então esta inquietação não vai acontecer. e no lugar dela vamos então ter outra coisa. Esta não inquietação tem a causa, que é a alegria, e tem um efeito, que é a paz. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, realmente encherá os vossos corações.
A paz de Deus. Cristo é chamado de príncipe da paz. Ele disse, deixe-vos a paz. A minha paz vos dou. Não vou lhe dar como o mundo, que é por intermitência e circunstancial. Dou-vos-a definitivamente. Vocês são filhos do reino. Podem estar em paz. Pertencem a Deus. Deus está convosco. Não tenham realmente nada a temer. E também podemos dizer que esta não inquietação também tem um recurso. Segundo diz o apóstolo Paulo. E o recurso é a oração. Antes as vossas orações, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus. Com ação de graças. Com ação de graças. Então, temos a causa para estarmos bem e há alegria em Cristo.
Temos o efeito que é a paz que a Cristo nos dá. Pode estar em paz. E temos um recurso para podermos, em todo momento, quando há aflição, poderá vir a sediar-nos. chegarmos junto ao trono de Deus, que o caminho está sempre aberto e Deus está sempre disponível, apresentar-lhe as nossas petições e realmente agradecer, sobretudo, tudo aquilo que Ele tem para nós. Realmente, a verdadeira oração é sempre a oração de ação de graças, porque Deus já nos deu tudo, não é? Deus já nos deu tudo. Em Cristo, Deus já nos deu tudo. Pegando numa pequenina frase que tu disseste, que acho que ela faz todo o sentido, temos que atualizar o céu na nossa vida. E tudo isso que acabaste de dizer faz com que nós vivamos o céu no presente e não na mera perspectiva do futuro.
Não anula as misérias desta vida, mas contamos com elas, mas ao lado das misérias temos as bênçãos. E o nosso foco tem que estar realmente nas bênçãos que já temos e que esperamos. E a paz excede todo o entendimento. Nós temos que fazer aqui um curtíssimo intervalo. Nós vamos sair para um curtíssimo intervalo, como dizia. Voltamos já a seguir porque há muita coisa ainda para falar sobre esta cidadania celestial. Não saia daí, é já a seguir. TV Novo Tempo, o canal do sábado.
O canal da esperança. O programa Bíblia Aberta está consigo para a segunda parte deste episódio. Durante esta temporada, temos vindo a falar sobre a epístola ou a carta, se quisermos, aos filipenses, da autoria do apóstolo Paulo, e têm sido momentos muito agradáveis com todos os convidados que temos semanalmente, e hoje não é exceção. Antes de continuarmos a nossa conversa, desta vez sobre cidadania celestial, eu quero lançar-lhe o desafio de poder encontrares um guia de estudo que tem por título A Máquina Humana. Ou seja, este é um guia de estudo sobre o nosso corpo, sobre a nossa vida, sobre a nossa mente, sobre aquilo que nós somos, afinal de contas. Se quiseres saber mais sobre o que a Bíblia diz sobre temas como a diabetes, por exemplo, não sei se você já pensou, que pode encontrar coisas muito interessantes na Bíblia e que podem ir ao encontro daquilo que poderá ser um problema na sua vida, que é diabetes, ou então um coração em risco, ou então uma inflamação, ou mesmo obesidade.
Enfim, há tanta coisa que circula à nossa volta, mas podemos encontrar sempre uma alternativa de solução e bons conselhos na Palavra do Senhor. O guia de estudo com o título A Máquina Humana é um guia que está totalmente à sua disposição. Pode ligar para o 933-939291 ou então enviar-nos uma mensagem pelo WhatsApp e nós teremos todo o gosto em fazer-lhe chegar brevemente. Vamos retomar a conversa com o Pedro, com a Hortelinda e também com o Paulo. Creio que será de todo importante nós seguirmos o conselho do apóstolo Paulo quando diz que devemos fixar a nossa mente nas coisas que vêm do alto. Esta é uma expressão que Paulo batalhou bastante.
E quando nós vamos a Filipenses capítulo 4, mas agora no versículo 8, diz quanto
ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai." Ou seja, Paulo não ficava apenas pelas coisas simples e superficiais. Ele leva-nos sempre ao que de mais profundo pode existir à nossa volta. Pedro, como é que nós podemos De alguma maneira, treinar a nossa mente para fixarmos o nosso olhar, a nossa atenção naquilo que é verdadeiro, naquilo que é puro. Vamos voltar outra vez à ideia de tanta informação que circula à nossa volta. É verdade. Nós vivemos num mundo que hoje tem muita poluição.
E isto não é sobre camada de ozono e comestíveis e energia fóssil, porque a dimensão dos estímulos que hoje estão disponíveis, mas também, como ainda há pouco falávamos, até num outro contexto, hoje a grande capacidade das pessoas a exporem tudo o que fazem, o que pensam, criou um mundo onde a vastidão do lixo que é possível produzir é gigantesca. E claro, aqui falo mesmo do lixo, não estou a acusar ninguém, a chamar nomes a ninguém, lixo no sentido de produzir ideias que são terríveis, de dar exemplos, e na época que falávamos de coisas dignas de imitação, hoje o potencial de uma criança de seis, sete anos.
Estar exposta a coisas horríveis, violentas, imorais, é sem limites. O limite é, se eles tiverem nas mãos, um pequeno aparelho que os conecta com tudo o que é feito por esse mundo. Mas também, mantendo-me aqui um pouco na realidade do mundo moderno, e neste mundo digital particularmente, Uma coisa que tem causado surpresa para muitos, certamente, é que hoje sabemos que, por exemplo, os algoritmos que gerem o acesso dos conteúdos que nos aparecem à frente, os algoritmos estão afinados para favorecer É claro, se quiser usar uma linguagem simplista é favorecer o que é mau.
Mas nós sabemos que hoje tudo o que seja divisionista, tudo o que cause choque, na verdade, é isso que é priorizado, porque isso vai criar nas pessoas uma vontade maior de ver. E do ponto de vista de quem está por trás, obviamente, não é só a ideia de que são pessoas más, estão a maquinar o mal, é o que está por trás, é o número de horas que tu passas. Porque é aí que publicidades, que tempos postos, portanto, Sim, podemos dizer que, de um ponto de vista moral, o mal está favorecido, porque uma pessoa a transmitir uma ideia moderada, razoável, torna-se uma coisa sem apelo. Portanto, isto cruza todo o universo do conhecimento, vai desde as questões mais ideológicas até às próprias imagens que aparecem, ou seja, uma imagem violenta É uma coisa que vai atrair as pessoas.
E uma imagem simples de um campo e de pessoas a não fazer nada, obviamente não vai atrair. É uma questão quase lógica. É o choque. É por isso que este mundo tornou-se realmente um mundo onde a produção de conteúdo que estraga, que fera, que... E agora, claro, vou conectar isto muito com esta expressão magnífica, célebre, uma das grandes expressões do apóstolo Paulo aos filipenses. Tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que tem virtude. Isto não está na moda, isto não move as pessoas. Ninguém busca isso. Ninguém está à procura disto. O ninguém é obligado a aquilo. É claro, é uma hipérbole, não é?
Para dizer, isto não atrai as pessoas. E preocupa-me, aliás, de uma maneira muito especial, o que acontece hoje com jovens, crianças e jovens, que estão muito expostos, que passam horas e horas diante de conteúdos e, claro, a sua mente, como está a ser formada, ainda não tem uma bússola moral capaz de discernir e dizer, não, isto não. E, portanto, as pessoas são expostas. É só fazer os antónimos destas expressões aqui e hoje as posiciam ao que não é puro, ao que não é amável, ao que não tem virtude. É o padrão, é o que está aí mais acessível. É por isso que estas palavras, e a Bíblia tantas vezes nos surpreende e desconcerta desta forma, é por isso que estas velhas palavras, com séculos e séculos, estão mais atuais agora do que no tempo em que foram escritas.
que é, aliás, uma das marcas da verdadeira profecia. É que ela atualiza-se com o tempo e não perde valor ou atualidade. Nós hoje lemos isto e pensamos assim... No mundo em que vivemos, de que é que o apóstolo estaria a falar naquele tempo para falar de pureza, de boa fama e de virtude? Parece que isto foi escrito é para o mundo em que hoje vivemos. Portanto, está mais atual. Quer dizer que estas palavras inspiradas servem como guia. Nós podemos perfeitamente ser guiados e orientados por estas palavras. Termino com esta nota. Continuo a achar que, em termos práticos, Jesus deu-nos o verdadeiro segredo para conseguir fazer isto.
Porque a tua pergunta até dizia, se não me recordo bem, que era como treinar a mente. É difícil responder como é que nós treinamos a mente. Eu gosto muito de aplicar o princípio, porque é um princípio de Jesus, que. É oração e jejum. Jesus aplicou isso precisamente à ideia das coisas demoníacas, as coisas más, as más influências, que elas também são demoníacas e diabólicas. É oração e jejum. E a definição por trás dessas expressões, que parecem quase até banais hoje em dia, ou no mundo cristão, oração e jejum pode definir-se assim. O jejum é tudo o que me fecha portas, por isso é que é importante jejuar. Porque há coisas que são tão más, tão prejudiciais, que a única hipótese é fechar portas. Jejuar é abster-me de. E orar é abrir portas.
Portanto, orar e jejuar é um princípio de Cristo que não tem apenas a ver com passar um dia sem comer, por exemplo, um sábado sem comer, ou começar a falar com Deus de repente. Não, é abrir portas ao que me dá acesso ao Espírito Santo. Então o tempo que eu passo a. Ouvir a palavra de Deus, a ouvir. Conteúdos, a ouvir música, a ver conteúdos que me tragam inspiração e fechar as portas àquelas coisas que podem ser um prejuízo, claro, à minha vida espiritual. O mundo está muito carente de pessoas que oram e jejuam. Abrem portas ao que é do Espírito, ao que é puro e fecham portas ao que é impuro. A grande diferença nos dias de hoje é que antigamente provavelmente teria que se procurar essas coisas e hoje em dia elas entram-nos pela casa dentro. Essa é que é a grande dificuldade que acontece hoje em dia.
Precisas quase ser passivo. Sim. É suficiente. Basta existir. Quase é só existir. E Paulo, ao dar todas estas características de honestidade, de justiça, de pureza, de amabilidade, muito provavelmente também no seu tempo ele já estava sozinho. Ou era uma pessoa que até sofria, se quisermos, perante esta vontade de olhar para o mundo desta maneira.
Se não vejam, por exemplo, o que está escrito em Filipenses capítulo 4, lendo os versículos 12 e 13. Porque ele aqui faz uma declaração bastante interessante. Sem estar abatido, E sei também ter abundância. Em toda a maneira e em todas as coisas estou instruído tanto a ter fartura como a ter fome. Tanto a ter abundância como a padecer necessidade. E depois ele termina com aquela frase, digamos, que quase nós sabemos todos de cor, posso todas as coisas naquele que me fortalece. Paulo, como é que nós podemos aprender Se pudermos dizer segredo, como é que nós podemos aprender o segredo do contentamento cristão? O que é isto de segredo de contentamento cristão?
E se neste segredo conseguimos viver em paz, nestes tais momentos difíceis, como Paulo também diz, que teve e não foram poucos, e ao mesmo tempo vivermos em abundância. Não é fácil. Dois pontos prévios. Primeiro, a palavra contente sofreu alterações no seu significado ao longo do tempo e passou de um estado de satisfação mínimo, dizer eu contente-me com isto. Hoje em dia as pessoas usam muito a referência dizendo eu estou alegre, quer dizer, eu estou contente. Há muito esta similitude. Não é isso que Paulo de facto está a dizer. É algo muito mais profundo. Segundo ponto. Ele usa essa palavra, curiosamente, no versículo anterior. O versículo anterior aos dois que tu acabaste de introduzir diz, não digo isto como por necessidade, pois já aprendi a contentar-me com o que tenho.
E depois introduz realmente essa contradição permanente, a dizer, eu sei o que é estar abatido, sei o que é ter abundância. em todas as coisas que são instruídas, até fartura como até fome. Portanto, ele vai utilizando esta imagem de contradição para dizer que já passou por todas as experiências possíveis dentro do que está a tentar explicar. O que significa, novamente, a suprema liberdade que Paulo consegue atingir em Cristo. É que não são as circunstâncias Eu costumo chamar-lhe, como quando falo muitas vezes sobre questões de estratégia, de planeamento, eu falo nos 5 Cs. E aqui há alguns que importam para isto. Não são as circunstâncias, nem são os contextos, nem são as condições que influenciam o estado de espírito de Paulo. No fundo é isso que nós estamos a ver que é a liberdade dele.
A satisfação de Paulo não está nas suas circunstâncias, contextos e condições exteriores, porque em Cristo ele atingiu um estado diferente de espiritualidade. É isso, no fundo, que ele está a dizer. Nós temos, novamente, que relembrar que ele está preso em Roma, acorrentado, a aguardar julgamento, possivelmente a aguardar a sua execução, e nestas circunstâncias ele diz, eu aprendi o segredo de me satisfazer, de estar satisfeito, de estar contente com a situação que tenho. E depois utiliza, no versículo 13, um texto muito conhecido, como disseste, posso todas as coisas naquilo que me fortalece, que parece um contrassense, porque ele começa por dizer, eu posso todas as coisas, que é um conceito muito forte no mundo grego, no temperamento grego, a autarquia. Portanto, eu tenho poder. A autarquia quer dizer o poder próprio. Quando nós nos referimos às autarquias locais, que é um adquirido extraordinário dos países democráticos, que significa que as autarquias locais estão mais próximas do povo do que o Estado central ou do que as organizações superiores, não governamentais.
Quer dizer que o povo a aquele nível é responsável por si próprio, tem o poder próprio. E Paulo tem este conceito extraordinário e começa por dizer, portanto, eu sou suficiente em mim mesmo e depois explica porquê. não por mim, mas naquele que me fortalece. O poder próprio de Paulo não vem dele, da sua capacidade, do seu esforço, apesar dele aplicar capacidade e esforço em tudo aquilo que faz, já vamos ver isso, mas vem do facto de Deus lhe dar a capacidade para se sentir contente com aquilo que tem. Eu parafrasearia estes dois versículos da seguinte forma. Aprendi a estar satisfeito e aprendi a ser suficiente em mim mesmo E ainda assim, não em mim mesmo, por mim mesmo, mas em mim mesmo como habitado por Cristo.
E isso é que faz a verdadeira diferença em Paulo. É que a sua autarquia, o seu poder próprio, não depende dele, mas depende da capacidade que Deus lhe dá. Então, resumindo, até pensando no que é o pensamento da época, desculpem o Leonardo, o contentamento de Paulo não é um estoicismo. Não é o estoicismo com uma roupagem cristal. Os estoicos olhavam muito para esta questão da autossuficiência e diziam, eu sou forte por mim, não preciso de nada, consigo me abster pelos meus exercícios, pelas minhas capacidades, eu consigo. Não, Paulo diz o oposto. Eu só consigo ser forte naquele que me fortalece. Eu só consigo todas as coisas porque a força vem de fora de mim. É Deus que me ajuda a conseguir fazer isso.
Paulo é autossuficiente em relação aos homens, reconhecendo a sua completa dependência de Deus. E nós, normalmente, temos o problema de levarmos a nossa vida ao contrário. Quando eu digo nós, não é nós aqui, é a sociedade. Ensina-nos que nós devemos ter uma autonomia, que é uma lei própria em relação a Deus, e depois somos condicionados porquê. Pelas circunstâncias, pelas doenças, pelas pessoas, pela família, pelo desemprego, as circunstâncias acabam por nos dominar. Quem é que é mais livre? É aquele que não se deixa limitar pelas circunstâncias porque depende de Deus? Ou é aquele que quer uma autonomia em relação a Deus e depois está constantemente limitado? Em segundo lugar, não é uma complacência, não há uma passividade. Paulo não cruzou os braços. Este é o mesmo homem que, com uma capacidade intelectual incrível, um príncipe dos judeus, andou a montar tendas.
Portanto, ele não é uma pessoa passiva. É uma pessoa que também fez por ele, trabalhou por ele e não aceita, digamos assim, que as coisas lhe cheguem de mão beijada. É alguém que trabalha. Portanto, não é complacência, não é passividade, não é um contentamento de estar satisfeito com as coisas que acontecem. E finalmente, não é uma indiferença às emoções, porque Paulo, por exemplo, lemos também em relação aos filipenses, alegrou-se grandemente com as ofertas que os filipenses lhe deram. E é no enquadramento desta gratidão que ele depois explica que agradece muito, mas não é isso que o faz ficar mais feliz, como não é a falta que o faz ficar mais triste, porque ele está acima de um estado de espírito. Ele está afundado naquilo que são as promessas de Deus e do que Deus está a fazer na sua vida. Então, nós podemos ver aqui que há uma disciplina que é aprendida, que não é natural.
Por isso Paulo diz, eu aprendi, eu estou instruído nestas coisas. Deus ensinou. que é igualmente difícil na abundância e na escassez, mas por uma força superior ele consegue fazer face às realidades da sua vida, e o resultado é uma união vital com Cristo. É isso que nós vemos no versículo 13. O versículo 13 o que quer dizer é que há uma união de vida, uma parceria para a vida toda, em que Paulo aceita a dependência de Cristo para ser livre em todas as outras coisas.
É muito interessante que tu há pouquinho, quando parafraseaste o verso que acabámos de ler, disseste algo que me chamou bastante a atenção, porque nós não devemos habitar apenas com Cristo, mas sermos habitados por Cristo. E aqui há uma grande diferença, não é? E isto permite, nós estamos mesmo a terminar, estamos na reta final do nosso programa, mas permite-me ainda irmos a Filipenses, capítulo 4, para lermos os versículos 18 e 19, porque ele aqui dá a ideia de que Deus realmente tem a coragem de suprir todas as nossas necessidades. Diz assim no capítulo 4, versículos 18 e 19, mas bastante tenho recebido e tenho abundância. Cheio estou, desde que recebi Depafródito, o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus.
O meu Deus, segundo as suas riquezas, superirá todas as vossas necessidades em glória por Cristo Jesus." Quase que eu me atreveria a dizer que Paulo só podia ter posto aqui, Deus superirá todas as vossas necessidades como as minhas, em glória por Cristo Jesus. Hortelinda, mesmo a terminar, Paulo mostra-nos aqui nesta passagem que é possível nós desenvolvermos, afinal de contas, uma vida de generosidade, uma vida de confiança plena em Deus, um Deus que promete superir todas as nossas necessidades. É isto possível mesmo quando a lógica humana gira claramente na ideia, por exemplo, do guardar, do reter, do acumular para nós próprios?
Sim, depende particularmente, tal como Paulo, da visão que temos de Deus. Ele tinha este comportamento, este sentimento, esta maneira de estar, esta liberdade de que falava o Paulo, precisamente porque ele tinha de Deus uma imagem de Deus de verdade. Ou seja, ele sabia que Deus prometia e que Deus cumpria. Portanto, depende muito do que Deus é para nós. Eu lembro-me de quando era jovem de uma canção do padre Zezinho em que ele dizia que o problema dos cristãos é que muitas vezes eles não creem no que acreditam. Então, muitas vezes nós não temos... Acreditamos que Deus é bom, que Deus ouve as nossas orações, que Deus cuida, que Deus provê, que podemos realmente contar com Ele, mas não contamos.
Contamos connosco. Não vivemos como se isso fosse verdade. Como se isso fosse verdade. Portanto, isso é, como dizias tu numa outra vez, é uma verdade intelectual. É verdade para a mente, mas para a vida, para a existência, para o meu viver interior, isso não é verdade. Então, muitas vezes, dependemos das coisas, agarrámonos às coisas, não é? Até damos prioridade às coisas, não é? A Bíblia lhe propõe-nos uma escala de prioridades que é primeiro Deus, depois as pessoas e depois as coisas. E todas as coisas vos serão acrescentadas. Todas as coisas vos serão acrescentadas. Nós fazemos o contrário, não é? Primeiro as coisas, porque nos agarramos realmente a elas e depois as pessoas. E depois Deus, se calhar já não chegamos lá, não é?
Portanto, a maneira como nos posicionamos face às promessas de Deus é que determina se vamos ser pessoas agarradas às coisas e podemos ser ou não generosas, não é? Quando compreendemos O que Jesus disse é que a vida de cada um, uma vida com sentido, não depende da abundância do que possui, mas depende realmente de Deus. Quando compreendemos isto, então adquirimos esta liberdade que Paulo adquiriu.
Mesmo preso, mesmo sem nada, ele estava contente e satisfeito. Sabia ter, sabia não ter, sabia todas essas coisas, porque ele tinha um Deus em que ele podia confiar e que podia suprir todas as suas necessidades. Mas apesar disso, e o Paulo referiu isso, eu achei interessante, apesar de ele não achar que se tinha, tinha, se não tinha, não tinha, apesar de tudo, ele elogia os filipenses. Ele disse que os filipenses eram os únicos, isso ficou escrito para sempre, os únicos que se relacionavam com ele, preocupando-se com se ele tinha, se ele necessitava, se realmente o podiam ajudar. E sempre lhe enviaram, como ele diz, uma e outra vez aquilo que ele necessitava. Ou seja, ele podia passar-se em muita coisa.
mas a generosidade da igreja para com ele era qualquer coisa que o enriquecia também espiritualmente. E eu penso que esta generosidade nos vem desta confiança em Deus. Quando compreendemos que tudo pertence a Deus, tudo vem de Deus, e como diz o salmista, de sua mão nós realmente o damos, Então, nós podemos ter esta liberalidade de dar. E este dar da igreja, este dar do crente, faz parte desta glória de Deus. Deus supra as vossas necessidades, diz o apóstolo, em glória. Mas Deus supra através do que tu dás, do que eu dou, do que o outro dá. Ou seja, Deus supra as necessidades de uns através de outros.
Supra as necessidades de todos através de cada um. E isso é a sua glória, porque a glória de Deus É dar. E nós participamos dessa glória quando nos libertamos do poder das coisas e podemos dar, partilhar, dar ao outro aquilo que ele necessita. Não só bens, mas também o teu tempo, o teu apoio, o teu carinho, o teu ombro.
Saiba que havia muito mais para dizer sobre a cidadania celestial. Nós temos que ficar por aqui, o nosso tempo terminou, mas para a semana vamos voltar. Antes de sairmos, relembro-lhe que temos para lhe oferecer esta revista ou este guia de estudo que tem por título A Máquina Humana. É um... digamos, um guia de estudo virado para aquilo que é a nossa vida física, mental e espiritual. Por isso, se desejar ter este material consigo, pode enviar uma mensagem agora mesmo para o 933 939291 933 939291 solicitar este material que nós temos muito gosto em oferecer-lhe. Quanto a vós, meus queridos amigos, muito obrigado por terem estado comigo neste programa.
Desejo muito que nos encontremos numa próxima oportunidade. Quanto a nós, já sabe, mantenha-se ligado à rede Novo Tempo, neste caso ao canal 186 da Mel, e também na Rádio RCS, nos 91.2 FM. Nós voltamos para a semana com mais um Bíblia Aberta, destinado para aprendermos mais sobre Deus. Até lá.
Neste episódio do programa Bíblia Aberta, abrimos a Palavra de Deus para refletir sobre um tema profundamente atual, a cidadania celestial. A partir de Filipenses 3 e 4, o apóstolo Paulo desafia-nos a viver com os olhos postos no céu, mesmo enquanto caminhamos nesta terra.