Legendas Como ficou prometido na semana passada, estamos de volta para estarmos na sua companhia durante alguns minutos. Gostamos muito de estar consigo e é para nós um privilégio muito grande recebê-lo também nesta conversa que iremos ter com alguns amigos sobre uma temática tão importante e tão fundamental para a nossa vida hoje. Nós estamos no canal pela comunidade Amara.org 186 da MEU, somos a TV Novo Tempo Portugal E neste canal você encontra esperança, encontra a certeza de um mundo melhor, encontra temas de grande atualidade e por isso seja assinante da TV Novo Tempo Portugal.
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O programa Bíblia Aberta é um programa semanal que está sempre aqui para lhe abrir a Bíblia e para tirarmos da Bíblia aquilo que é importante. Como sempre, nós temos uma equipa, nós temos um grupo de amigos, de colegas, que partilhamos a vontade e a necessidade de aprendermos mais sobre Jesus, e hoje, não é exceção, volto a ter comigo os mesmos convidados, a mesma equipa, se quisermos, que esteve comigo na semana passada, o Pedro Esteves, olá Pedro, obrigado por estar novamente conosco, a Hortelinda, obrigado Hortelinda, muito bem, e o Olá Ruben. Olá. Sejas bem-vindo novamente ao programa A Biblia Aberta. Nós marcámos encontro na semana passada para que hoje nós pudéssemos falar da unidade em Cristo.
Afinal de contas, Paulo vai encontrar nas igrejas de Coríntio muitas dificuldades, muitos problemas, muitos conflitos. Aliás, hoje nós vamos um pouquinho olhar para aquilo que está escrito no capítulo 1 até ao capítulo 4 de 1ª de Coríntios. E nós vamos ver como é que Paulo vai conseguir vencer estes conflitos ou vai dar dicas extremamente importantes para vencer estes conflitos através da unidade em Cristo. E para isso eu lanço-lhe o desafio, assim que está connosco, de poder abrir a sua Bíblia já em 1 Coríntios capítulo 1. Vamos já ao capítulo 1 de 1 Coríntios, para lermos o versículo 10, onde nós encontramos estas palavras.
Ruben,
hoje vou começar por ti. Por que razão estas dissensões representam, eu diria, uma ameaça tão séria para a vida de uma igreja como era a vida de Corinto, da igreja de Corinto? Paulo aqui parece que não vai perder tempo, não é? Vai diretamente àquilo que provavelmente estava no coração dele, que era o maior problema ali daquele grupo. E ele diz, bem, eu tenho que atacar este problema, tenho que expressá-lo, tenho que tirá-lo do meu coração porque isto pode ser realmente alguma coisa que pode levar até à extinção daquela igreja, daquele conjunto de pessoas que se reuniam para louvar a Deus e que se reconheciam em Jesus, ser ele a cabeça desta igreja.
E nós falamos no outro episódio sobre a solução para este problema. Hoje vamos falar do problema. O problema que Paulo levanta aqui, desta questão de não haver unidade. E realmente eu pensava nesta questão da unidade, uma casa que não está unida, Por exemplo, um pai e uma mãe que não são uma frente unida estão desgraçados, desculpem-me a expressão, porque os filhos vão fazer deles gato e sapato. Há um preguiminente. Eles dizem, ah não, o pai disse assim. Não, não, tu dizes assim, mas a mãe disse assim. Já vimos que frentes que não estão unidas não nos levam a bom porto. Uma empresa, por exemplo, se não houver uma frente unida, uma coerência naquilo que o patrão diz, naquilo que a pessoa que está a atender, as pessoas dizem, se a comunicação não diz tudo a mesma coisa, se não há uma coerência, uma unidade, vai haver problemas.
Prometeram-me isto, mas não está a acontecer. Há sempre problemas. Aqui o maior problema para Paulo, na unidade, não tem a ver com empresas, não tem a ver com relacionamentos, tem a ver com a missão da igreja, porque a missão da igreja para Paulo, e nós relembramos isso, era pregar Jesus e Jesus crucificado. Essa era a grande força da missão da igreja e nós lembramos as palavras de Jesus, que vocês vão ser conhecidos como a minha igreja no dia em que as pessoas virem a vocês, que vocês se amam uns aos outros. E lembramos-nos muito bem deste texto de Jesus.
No dia que quem olhar para vocês como igreja e virem que vocês se amam uns aos outros, as pessoas vão reconhecer que é a minha igreja. E por isso, que maior unidade há que não o amor, não é? E se não há unidade, provavelmente nós quase poderemos fazer o argumento imediato e tirar a conclusão, se não há unidade, provavelmente não está lá o amor. E se Deus é amor, Deus também não está ali, não é? E por isso, ao Paulo processionar todas estas divisões, ele tira a conclusão clara. Deus não está ali da melhor forma, não é? Eles estão-se a afastar ali de alguma maneira e estão a permitir a divisão.
e infelizmente o mal vem de muitas formas, não é? E eles permitem a divisão por um assunto. Nós vamos ver que em outros momentos serão outros assuntos, mas temos que ter muito cuidado que qualquer que seja o assunto não nos devemos dividir. E se por acaso estamos divididos, há um grupinho aqui, há um grupinho ali, isto é um sinal. É um sinal que alguma coisa não está bem no nosso corpo. É um bocado como a doença, não é? Se aparece febre, é um sinal. Alguma coisa está a indicar que o meu corpo não está bem, não é? E a divisão para Paulo é isso mesmo. É esse sinal de alerta, de atenção. A saúde da igreja não está bem, não é? Porque, como dizia ele até no versículo 33, está Cristo dividido.
Não é? Está o corpo de Cristo dividido? É só a cabeça? Ou é só os membros? Ou é só... Não. Tem que haver uma unidade, não é? Cristo não pode estar dividido, o seu corpo não pode estar dividido, nós não podemos estar divididos uns com os outros. E isto é um desafio imenso. Imenso nos dias de hoje. Nós, provavelmente, estamos a experenciar a época do mundo onde há mais divisão e onde provavelmente há mais espaço que nos dividamos aos outros. E isto é um desafio, e acho que isto é quase uma carta que Paulo podia escrever hoje. Hoje, século XXI. É mesmo considerado o maior desafio da Igreja. A unidade, manter a unidade no meio de...
Enfim, da universalidade que é a Igreja. E é interessante ver que Paulo vai tocar na ferida. Ele não tem medo de tocar na ferida. Ele fala claramente que havia dissensões, havia pareceres diferentes, havia conversas que não batiam. umas com as outras eram completamente contrárias. Inclusive, se formos a primeira de Coríntios, capítulo 1, versículos 12 e 13, nós vamos encontrar aqui Paulo ainda a ir um bocadinho mais a fundo nestes problemas, porque ele próprio se sente, em parte, atingido, se quisermos, nesta divisão da igreja, em vez da unidade. 1 Coríntios 1, versículos 12 e 13 diz, quero dizer com isto, que cada um de vós diz, eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.
E como dizia há pouco o Ruben, está Cristo dividido? Quer dizer, é possível nós vermos um Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo? O próprio Paulo se sente-se aqui de forma extremamente incómoda. Ele está incomodado com aquilo que se passa ali naquelas igrejas. Hortelinda, por que razão a formação de grupos que fizermos em torno dos líderes
humanos e nós vemos isso hoje, não é algo que nos surpreenda do passado, vemos isso no presente. Como é que essa formação de grupos em torno de líderes humanos contradiz diretamente a instrução daquilo que os apóstolos nos deram e que está registado na Bíblia? Será que a centralidade de Cristo na Igreja é fundamental e assim tão importante termos isto em conta? É absolutamente essencial. Basilar, podemos dizer. Os líderes são realmente muito importantes para os crentes, como em todas as áreas da vida são necessários os líderes. E Deus até colocou líderes. E Deus colocou os líderes. Os líderes são necessários, mesmo na vida religiosa e espiritual, porque os crentes não nos encontramos todos ao mesmo nível, no mesmo momento do processo de maturidade, não temos o mesmo desenvolvimento moral e espiritual, não temos a mesma compreensão das verdades bíblicas e nem sequer às vezes a motivação para o serviço, nem a melhor maneira de o realizar.
Portanto, os líderes são realmente muito importantes e eles têm também ainda uma outra função. é que eles são modelares. O líder, em princípio, é alguém que vai mais longe na maturidade e que é também um modelo para os neófitos, para aqueles menos avançados. É por isso que o apóstolo Paulo Ilmes me diz algumas vezes ser de meus imitadores. ser de meus imitadores, porque há esta função, portanto, modular do líder. E no seu trato com os crentes, Deus sempre usou os líderes, o que seria o Antigo Testamento sem Moisés, não existiria sequer. O que seria depois sem Samuel, sem Eliseu, outros líderes.
E no Novo Testamento, na Igreja, o que seria a Igreja sem os líderes? Olha este enorme apóstolo Paulo, que tem uma presença e uma liderança. realmente diferente de todos os outros, e depois todos os apóstolos e todos os líderes ao longo da era cristã, que foram realmente modelos, foram exemplos, portanto, para o povo de Deus. Mas... Isto é muito importante e é aí que tu fazes a tua pergunta. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, os líderes são sempre liderados por Deus. O líder, para Deus, é alguém que é liderado por Ele. Eles são apenas intermediários entre Deus e os crentes para o cumprimento do propósito de Deus.
É por isso que quando Paulo diz ser de meus imitadores, ele sempre acrescenta como eu de Cristo. Portanto, o líder é um imitador de Cristo. Toda a orientação tem que vir do Senhor. Ele é que é a cabeça, é o fundamento. E a autoridade, realmente, é sua. Todas as outras autoridades devem submeter-se. Portanto, Ele. Aliás, o próprio Jesus, no capítulo 20, no capítulo 23 e no versículo 8 de Mateus, Ele diz, um só é o vosso Mestre. e vós todos sois irmãos. E esta fará se traduz, esta igualdade cristã que leva à humildade. Não importa a função que cada um desempenha na igreja.
Aos olhos de Deus, nós estamos numa verdadeira horizontalidade. Portanto, somos todos iguais, mesmo que a função seja de liderança. E é curioso ver que até o próprio Jesus foi liderado pelo Pai. Exatamente. Ele é apresentado como o servo, como o servo de Deus. Então esta submissão à liderança de Cristo é absolutamente, portanto, essencial. E além disso ela é promotora da unidade. E ela é também promotora do amor autêntico, do respeito uns pelos outros. Todos estamos ao mesmo nível diante de Deus. E ela tem também uma função muito importante que é de proteção. Ou seja, a centralidade de Cristo, a liderança de Cristo, acima de todas as lideranças.
Portanto, ela protege, em primeiro lugar, os líderes. que realmente é o protégios do orgulho, protégios da necessidade do protagonismo, do abuso do poder, que sempre espreita as funções de liderança em todas as áreas e também no religioso. E talvez no religioso o abuso do poder é o mais grave, porque é feito em nome de Deus e aparentemente com a autoridade de Deus. Portanto, os líderes, ao colocarem Cristo no centro e acima, eles protegem-se a eles mesmos. Eles estão apenas ao serviço de Deus. E depois, quanto mais carismático é um líder, maior é o perigo.
para eles próprios e também para os crentes. Porque os crentes, como alguém disse, colocam muito facilmente, quando gostam de um líder, colocam muito facilmente a auréola à volta da cabeça do líder, em vez de a colocarem à volta de Cristo. Porque mesmo quando um líder age bem, ele está mandatado, não é? Ele está sendo liderado, portanto, por Deus. Logo, se o líder não fizer isto, não fizer de Cristo o seu centro, então em vez de ele ser um trampolim para que os crentes vão mais longe, ele é um enorme obstáculo para ele mesmo, para o seu crescimento pessoal e também para o crescimento dos membros. É, portanto, necessária a liderança de servo. O líder é um servo, como todos os outros.
E, para Deus, todos são realmente iguais. Ao mesmo tempo, esta centralidade de Cristo na igreja é muito importante para os crentes, para os liderados, porque evita-os de se desencaminharem. Ainda hoje, nas igrejas, incluindo na nossa, um dos problemas é que são líderes que aparecem, que se apaixonam pelas suas ideias, que as querem fazer prevalecer, e sempre conseguem, portanto, atrair toda uma série de pessoas que os segue por vezes cegamente. Então, a centralidade de Cristo protege os crentes, levando-os a examinar as coisas à luz da palavra, as ideias à luz do próprio Cristo.
E se evita que eles finalmente sigam ideias de homens e doutrinas de homens. E depois protege-nos de uma coisa muito importante, a centralidade em Cristo. Protege-nos de nos demitirmos de pensar em relação aos líderes. Um crente, precisamente porque somos todos iguais, ninguém se pode demitir de pensar. Isto é a liberdade, o privilégio e a responsabilidade que Deus dá a todos os crentes. Não é por teres um líder carismático, tu não te deves demitir de pensar. Devemos analisar todas as coisas à luz da palavra de Deus. E como vocês sabem, os humanos somos um bocadinho preguiçosos, não é? Se alguém pensar por nós, se alguém levar a responsabilidade por nós, se alguém matar a cabeça por nós, nós deixamos-nos levar na onda muito facilmente.
levar na onda é qualquer coisa indigna de um cristão. O cristão deve conferir todas as coisas, portanto, à luz daquilo que Cristo diz. Eu lembro-me de ter lido em tempos uma referência que dizia que na humanidade só 4% das pessoas é que pensam. o resto seguem, deixam-se levar nessa onda. Quando Cristo é o centro da nossa vida, é o centro da nossa comunidade, todos somos pensantes. Todos temos ideias diferentes, como dizia o Rubem, não somos o tal corpo, mas unimos-nos na pessoa e na mentalidade de Cristo. Portanto, esta centralidade promove a unidade.
promove também um testemunho poderoso, não é? Jesus dizia que quando forem unidos que o mundo vai acreditar que eu vim. Mas esta unidade existe se Cristo for central. Bem-vindos todos os líderes e que Deus os abençoe, todos aqueles que lideram, mas que cada um não esqueça que isto é uma liderança de serviço e que estamos ao serviço de Cristo. E é curioso ver que quando Jesus diz que no final, quando Ele voltar, vai dizer a alguns que não te conheço, essa vai ser uma surpresa grande para muitos destes líderes que porventura se centralizam. Claro, em Teu nome não fizemos maravilhas. Não arrebatámos muita gente. Exatamente. Uma outra característica que Paulo vai salientar, digamos assim, nos seus discursos e na sua correção com esta igreja é a necessidade de maturidade espiritual.
Ou seja, uma das preocupações de Paulo é que aqueles eram muito imaturos a nível
espiritual e isso provocava divisões. Se formos, por exemplo, a 1ª de Coríntios, capítulo 3, Lendo os versículos 3 e 4, nós vamos encontrar esta preocupação de Paulo. porque dizendo um, eu sou de Paulo, o outro, eu sou de Apolo, porventura não sou escarnais. Ou seja, havia a necessidade aqui de uma certa, de ultrapassar uma barreira que ela estava ali a incomodar. Pedro, de que modo Paulo vai relacionar estas divisões que existem entre os crentes e ao mesmo tempo este conceito da carne, que nós sabemos pela Bíblia que não é um conceito, que, enfim, muito aprofundado por Deus, mas é sobretudo uma alerta para a nossa vida.
Sem dúvida. O conceito de carne e as coisas carnais é um tema central na teologia de Paulo. Não há dúvida nenhuma. E aqui é exatamente como a tua pergunta induz, que Paulo vai relacionar estes dois... Estes dois ambientes, que é o lugar onde há contendas e dissensões, onde há falta de unidade, andar e estar na carne. Uma vida governada pela carne, bíblicamente, é o quê? É uma vida na qual o espírito não tem controle, não tem capacidade de influenciar. Por isso, O contexto teológico de carne, a expressão sarx, do grego, não tem a ver com corpo físico.
Não quero dizer que a palavra não possa traduzir essa ideia, mas o sentido bíblico e teológico da expressão carne não é uma expressão que se refira à carne enquanto elemento físico. uma expressão da natureza humana quando ela é dominada por paixões ou vontades de baixo. Portanto, carne opõe-se ao que é de cima. Expressões que o apóstolo Paulo às vezes usa fazer essa distinção, o que é de baixo e o que é de cima. E por isso existem vidas dominadas pelo espírito e vidas dominadas pela carne. o que significa que... Neste caso eu até posso dar aqui um exemplo.
Tenho aqui o texto de Gálatas 5. Gálatas é uma das cartas onde o apóstolo mais trabalha isto, embora não fui verificar, mas acho que não deve haver uma carta do apóstolo Paulo no qual ele não fala da carne e destas questões entre carne e espírito. Mas Gálatas é uma das principais. Por exemplo, no versículo 17, capítulo 5, Paulo diz porque a carne cobiça contra o espírito e estes opõem-se um ao outro. Portanto, ele faz mesmo esta explicação de que há uma oposição total entre a carne e o espírito. Ora, se agora aqui em Coríntios, é uma questão lógica aqui, se em Coríntios Paulo vai dizer e acusa basicamente esta igreja, esta comunidade, de ainda serem carnais, E vai dar como exemplo do que é a manifestação de ainda estarmos na carne a ver invejas, contendas e dissensões.
Então, no fundo, nós temos aqui uma compreensão de que as divisões, a falta de unidade, é uma manifestação da carne. Coisa que o apóstolo... Agora vou voltar a Gálatas 5. Um bocadinho mais à frente, a partir do versículo 19, ele vai dizer que as obras da carne são manifestas. Depois faz uma lista, como o apóstolo bem gosta de fazer. Em muitas ocasiões ele dá listas. Coisas que são da carne, o fruto do espírito, os dons... Ele vai dizer que as obras da carne são inimizados, contendas, iras, pelejas, dissensões, heresias. Nesta lista, A maior parte destas expressões tem precisamente a ver com a maneira como as pessoas se relacionam umas com as outras.
Ou seja, essas são as características da nossa própria natureza pecaminosa. Esta carne é considerada a natureza humana. Essa natureza humana pecaminosa, a qual o espírito não consegue controlar, Manifesta-se em quê? Quando eu estou sozinho, pode-se manifestar em comportamentos, em escolhas. Quando eu estou em sociedade, em grupo, vai-se manifestar essencialmente na relação com os outros. Por isso, estas expressões aplicam-se a que lugares, a que contextos? A todos aqueles onde nós temos que coabitar com outras pessoas. Por isso, estes termos, estas expressões aplicam-se, por exemplo, à família. Claro, porque essa é que é a sociedade mais poderosa, mais central da humanidade.
Se em nossa casa o que nós manifestamos a maior parte das vezes é contendas, pelejas e dissensões, a nossa casa é governada por quem? Não é pelo Espírito de Deus. Isto tem que ser dito assim, desta forma. A ideia que o apóstolo está a explorar é de que quando há divisões persistentes, E agora talvez a frase essencial que eu queria expressar aqui é esta. Quando em qualquer ambiente comunitário existem divisões que são persistentes e permanentes, então nós sabemos que o problema não é um problema apenas relacional, é um problema espiritual. Por isso é isso que se chama, o apóstolo Paulo diz dizer, vocês têm esses problemas entre vós porque ainda sois carnais.
É o que ele está a dizer. A carne tem mais força do que o espírito. Portanto, é um problema espiritual. Daí ele lançar mesmo a ideia da nossa imaturidade espiritual. É exatamente aí que entra a ideia de imaturidade. Porque a imaturidade espiritual é um conceito que tu ainda não conseguiste compreender, até que ponto o Espírito precisa-te controlar e-te dominar. Nós sabemos que os crentes em Corinto, a pergunta e a explicação aqui da Ortelenda dizia respeito a isso, os crentes em Corinto estavam com Entre outros este problema de começarem-se a identificar com líderes humanos e, portanto, as suas dissenções também vinham daí. Apesar de tudo, estes líderes até eram bons líderes.
O mal nem estava nestes líderes. Estava no grupo, na comunidade. Exatamente. Não conhecia sempre os de Paulo. Exato. Agora, é interessante que 1 Coríntios 3, no versículo 5, que ainda não lemos, em que o apóstolo continua a explorar esse tema, ele diz... Servos. Ora, o que é interessante é que a maior parte das traduções vai colocar a expressão ministros. É uma velha questão de que os tradutores, obviamente no contexto de liderança ou de posições de liderança, traduzem esta expressão por ministros. O que muita gente, se calhar, não sabe é que a maior parte das vezes que a Bíblia tem a expressão, o Novo Testamento, ministro, o termo grego que está lá é diákonos.
E aqui eu fui verificar, é diákonóico que está aqui. E nós sabemos, porque estamos habituados, não é preciso falar grego para saber a transliteração, nós temos uma transliteração em português do grego, que na igreja, por exemplo, temos a função do diácono. que nós atribuímos diretamente àquela pessoa que serve. Parece uma função mais de humildade, a função do diácono, porque é aquele que está ali para servir, para ajudar, para colaborar. Então o tradutor aqui vai meter ministros. Mas o que está cá é os diáconos pelos quais crestes. Que o sentido é o quê? Os servos. O que quer dizer que isto vem corroborar aquilo que a Hortelina agora aqui dizia, que o problema não era Paulo nem era Apolo. Porque eles são designados pelo Apóstolo como ministros.
Ele está a dizer dele próprio, porque ele é um destes que estava nessa suposta contenda, dizer, meus amigos, vocês estão aí a criar divisões entre vocês, a dizer que são da equipa de Paulo ou da equipa de Apolo, quando, na verdade, eu sou um servo, eu estou aqui para servir. Eu não preciso de ninguém que esteja na minha equipa. Porque eu sou um servo como vocês são. Então, nesse sentido, uma das manifestações que nós temos da carne é precisamente esta ideia de que nós precisamos de equipas. Os humanos precisam muito de claques, de sentir-se que são parte de alguma coisa, que puxamos para algum lado. mas geralmente é para se sentirem superiores e é sempre o problema da supremacia que está aí presente, cá por cima. Exatamente. Essa ideia de que como eu escolhi o líder certo, ou a ideia certa, ou a ideologia certa...
A equipa certa. A equipa certa. As pessoas escolhem os lados e, na verdade, é uma desculpa para dizerem eu tenho razão e tu não tens. Eu sei a verdade e tu não sabes, eu estou do lado certo e tu não estás. Por isso, a imaturidade espiritual revela-se nesta absoluta incapacidade de compreender a natureza do reino de Deus. O apóstolo aos hebreus, em Hebreus 5, diz que nós, ele dizia, já devias ser mestres. e depois dizem ainda necessitais de leite e não de sólido alimento. Mas já deviam ser mestres. É aqui que entra esta ideia de que realmente nós muitas vezes estamos muito aquém ainda daquilo que Deus pensou para nós e manifestamos muito isso nesta incapacidade de nos relacionarmos uns com os outros e nós precisamos de entender que uma das maiores evidências de maturidade espiritual e da obra do Espírito em nós É a forma como nós nos conseguimos relacionar em conjunto, mesmo quando somos pessoas diferentes e temos histórias diferentes.
Essa é uma das principais manifestações de que o Espírito está a agir em nós. A igreja em Corinto não era uma igreja fácil. Eu não sei se houve alguma vez igrejas fáceis, com toda honestidade. E nos nossos dias nós também sentimos essa dificuldade e Paulo lidou com muitos problemas e com muitos conflitos na igreja e ele procurou sensibilizá-los à unidade em Cristo. E tem sido exatamente este o tema de conversa, nesta boa conversa que estamos a ter, neste episódio é a unidade em Cristo. Nós vamos continuar unidos em Cristo nesta conversa, mas precisamos agora de fazer um curto intervalo. Voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança.
Cá estamos nós para a segunda parte deste episódio do Bíblia Aberta. Já sabe, pode estar connosco em qualquer uma das plataformas que existem possíveis para estar com o Canal da Esperança. Poderá ligar-se ao canal 186 da MEU. Poderá estar connosco através da Rádio RCS nos 91.2 FM para a Grande Lisboa. Poderá encontrar-nos no canal do YouTube Novo Tempo Portugal, razões mais do que suficientes para nos acompanhar e estar com a sua Bíblia aberta ao nosso lado para usufruir desta boa conversa que vamos tendo semanalmente em torno dos temas que são escolhidos, que são preparados e que são apresentados aqui neste programa.
Hoje nós estamos a falar sobre a unidade em Cristo. Já tivemos uma primeira parte muito interessante sobre Vimos vários aspectos que Paulo se preocupava, vamos continuar a ver, mas antes de irmos à conversa eu quero relembrar-lhe que tenho sempre para lhe oferecer algo também muito interessante. Temos guias de estudo que poderão ajudá-lo na compreensão de várias temáticas tão atuais para os nossos dias. Hoje nós temos aqui um guia de estudo que tem um tema bastante interessante. Lar, doce lar. Não sei se é o seu caso, se é o seu privilégio, Mas mesmo se for o seu privilégio de ter um lar que seja um lar doce de lar, este guia de estudo de certeza absoluta que o irá ajudar ainda a tornar o seu lar ainda melhor do que aquilo que tem sido.
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Vamos voltar à nossa conversa e vamos entrar agora aqui numa área que eu diria que Paulo também aborda de uma forma muito sincera, que é, ele fala da mente de Cristo. e que nós devíamos ter isto como ponto de reflexão e de maturação na nossa vida. Se formos agora a Filipenses, vamos sair um bocadinho das cartas aos Coríntios, vamos agora a Filipenses, no capítulo 2, e vamos ler os versículos 5 e 6. Capítulo 2 de Filipenses, versículos 5 e 6, podemos ler... Ruben, será que nós podemos dizer que esta exurtação que Paulo faz para, no fundo, termos a mente de Cristo, para pensarmos como Cristo e agirmos como Cristo, é o fundamento espiritual para nós podermos cultivar claramente esta unidade da Igreja que temos vindo a falar neste episódio?
Penso que sim, e Paulo vai fazer aqui esta apresentação do tema de ter a mente de Cristo, que à partida parece assim uma coisa impossível de acontecer, porque a mente de outra pessoa passar para a minha é muito complexa, não é? Mas este último sábado eu e a minha esposa vestimos-nos para para ir à igreja e ela vestiu-se e eu vesti-me. Não falámos, não combinámos nada. De repente, quando nos aproximámos um do outro, reparámos que tínhamos muito presente as mesmas cores. Parecia que tínhamos combinado tudo às mil maravilhas. Mas isto para dizer que muitas das vezes quando passamos horas e horas e horas com as mesmas pessoas, quando nos relacionamos horas e horas com alguém, mesmo às vezes no silêncio, no bom e no mau, em todos os momentos, parece que já não precisamos falar.
As coisas acontecem naturalmente. E isso eu lembrei-me quando pensei aqui na mente de Cristo, é alguma coisa que para Não me acontece automaticamente, não acontece porque eu desejo, mas acontece por um relacionamento. Por eu conhecer o que é que vai na mente de Cristo, o que é que lá está dentro. E quando eu me relaciono com Cristo e eu começo a perceber tudo o que vai na mente de Cristo, nós começamos a ficar tão entusiasmados com aquilo que vai na mente de Cristo que nós não queremos ir para mais lado nenhum. Não queremos pensar nas ideias humanas, não queremos pensar... Jorge, podes falar muito bem, mas as tuas sugestões vão ser fracas ao lado das sugestões daquilo que vai na mente de Cristo.
É mesmo esta questão do relacionamento que é importante. E vemos que Paulo vai dizer que a forma de fazermos isso, e depois isso começa a partir do versículo 7, aqui também de Filipenses, que é Jesus esvaziou-se. Esvaziou-se para tomar a forma de servo. Ou seja, ele esvazia-se para depois ser cheio. E cheio deste sentimento de amor que se sacrifica pelo outro. e este esvaziamento é alguma coisa que é difícil. Porque muitas das vezes, ou na maior parte das vezes, nós achamos que temos mais razão, percebemos melhor os assuntos, podemos dar contributos melhores.
Mas a verdade é que na unidade com Cristo é que nós percebemos que conseguimos ser verdadeiramente felizes neste esvaziar, neste deixar o meu. Só quando nós esvaziamos, e provavelmente já aconteceu a muitos de vocês, às vezes esvaziamos-nos em algum assunto Não sabemos como devemos resolver e às vezes uma ideia, alguém que nós temos na nossa rede de amigos, alguém que é temente a Deus, dar-nos um conselho, dar-nos uma... E nós dizemos, olha, é isto mesmo. Eu não tinha aqui nada, eu tinha zero para resolver isto e parece que aquele versículo ou aquela pessoa, aquela...
Aquele pensamento de Deus, aquele pensamento de Jesus, aquela forma de pensar de Jesus, quando eu me esvazio, às vezes é aí que eu encontro a solução. Eu lembro-me que houve uma noite que... problemas vários que nós vamos tendo na vida. Eu lembro-me que era um problema de um negócio por causa de uma casa. Eu fiquei a noite completa sem dormir e é muito raro isso acontecer. Eu sou daquelas pessoas que deito mais 10 e, graças a Deus, durmo a noite seguidinha. Naquela noite eu não dormi rigorosamente nada. Havia muita coisa em jogo, havia processos legais em jogo. Eu não conseguia dormir. E eu só pensava, tu não consegues resolver nada durante a noite, não podes ligar para ninguém, não há advogados que te atendam, nada, não podes fazer nada, dorme.
Mas eu não consegui dormir nada, zerinho. E eu lembro-me que nessa manhã houve um versículo que me deu alguma segurança e eu dormi 5, 10 minutos. Aqueles 5, 10 minutos que eu dormi, posso-vos dizer que me pareceram 7 ou 8 horas. Quando acordei daqueles 5, 10 minutos estava descansado, tranquilo. 9 da manhã as coisas abriram, fui resolver todas as coisas. Tudo se resolveu de uma forma mais ou menos tranquila, porque não era tranquilo resolver. Mas este esvaziar de confiar em Deus, de pôr tudo nas mãos de Deus, É isso que nos pode dar a paz e a tranquilidade e pode resolver aqui o nosso problema também de unidade na Igreja, porque só Ele o pode fazer, como já falamos anteriormente.
E é muito interessante que ainda há pouco nós terminámos praticamente a primeira parte a falar dos ministros e que no fundo o verdadeiro significado da palavra no original não nos leva tanto àquilo que hoje nós consideramos ser um ministro,
mas é mais na vertente do servo. É muito interessante aquilo que nós podemos encontrar agora em 2 Coríntios capítulo 11. Porque, no fundo, Paulo vai aqui descrever quase aquilo que um ministro pode passar. E se tivermos a intenção de sermos ministros de Cristo, podemos ter aqui, de alguma maneira, uma lista de coisas que podem acontecer na nossa vida. Não quer dizer que aconteçam, mas podem acontecer. Segunda de Coríntios, capítulo 11, para lermos os versículos 22 e... Perdão, 23 e 24. Portanto, capítulo 11, segunda de Coríntios, na segunda carta, versículos 23 e 24. Diz-lhe, são ministros de Cristo? Ponto de interrogação. Falo como fora de mim. Eu ainda mais.
Em trabalhos, muito mais. Em perigo de morte, muitas vezes. Dos judeus, recebi cinco quarentenas de açoitos, menos um. Então Paulo está aqui a mostrar que os ministros de Cristo, de alguma maneira, sofrem e vivem uma vida difícil. Hortelinda, de que forma é que este sofrimento apostólico que Paulo fala aqui, que é apresentado aqui por Paulo, pode redefinir os critérios da autoridade, da grandeza no serviço cristão? Pois Paulo foi muitas vezes certamente confrontado com a autoridade do seu apostolado, porque ele não tinha sido um apóstolo, tinha andado presencialmente com Jesus. E então ele mostra aqui as suas credenciais, se assim podemos dizer, e dá toda uma lista de suprimentos.
Enfim, enorme de coisas que ele passou ao longo do seu ministério e ele não termina a lista. Nós é que podemos terminar a lista e dizer que ele terminou com a cabeça cortada numa masmorra lá em Roma, no ano 67 da nossa era. Portanto, ele foi realmente alguém que bebeu a fundo esta taça de sofrimento, de renúncia que a sua missão lhe impôs. Esta resistência, esta resiliência. passa o sofrimento que o apóstolo Paulo teve, o sofrimento que ele teve que passar por causa do Evangelho, é para ele uma prova da sua seriedade e também do seu apostolado, de que ele foi chamado para cumprir esta missão, esta fidelidade com que ele e também os outros apóstolos, e podemos dizer que todos os cristãos ao longo das eras, é prova que eles ouviram realmente o chamado de Deus e que eles têm de Deus o mandato para proclamar a sua palavra.
O filósofo Blaise Pascal, ele dizia, eu só acredito em relatos cujas testemunhas estejam prontas a fazerem-se degolar por eles. É porque os seres humanos estão prontos a defender muitas ideias, a arrastar muitas pessoas, a fazer defesas com entusiasmo e eloquência, mas quando se trata de por a vida por essas mesmas ideias, enfim, eles recuam, porque os heróis e os covardes não são feitos do mesmo estofo. A não ser que o ser humano ame algo mais do que a sua própria vida. Neste caso, Jesus Cristo vai sempre triunfar a lei da autopreservação e ela ganhará sempre.
Em meio cristão, nós sabemos que muitos foram os cristãos que deram a sua vida pela sua fé. E hoje ainda o cristianismo é a religião que soma o maior número de mártires. Há muitos mártires, muitas pessoas a morrerem pelo evangelho ainda hoje no mundo. Portanto, é a religião mais perseguida. Então a fidelidade a Cristo no meio das dificuldades e perdas, com sofrimento, é uma atitude constante da verdadeira vocação, do verdadeiro chamado e que lhes dá, portanto, autoridade. Quando Jesus chama alguém a segui-lo, o chamado de Jesus a segui-lo é sempre também um chamado a participar nos seus sofrimentos.
Não há caminho cristão sem cruz. Mesmo o apóstolo Paulo diz que todos que querem fielmente seguir o Senhor padecerão perseguições. É isto que ele diz. E o próprio Jesus também diz que o servo não é maior do que o seu Senhor, se perseguiram a mim também, se perseguiram a vós. Portanto, isto é o antagonismo irredutível entre o príncipe da luz e o príncipe das trevas que governa. que governa este mundo. Portanto, não há realmente apostolado missão sem cruz. Então, esta fidelidade, diz o apóstolo, é ele que quer demonstrar isto à vocação de Deus, a meio ao sofrimento que dá a autoridade. A autoridade vem da tua entrega total, portanto, ao teu ministério.
É um pouco como diz Tiago, não é? Mostra-me a tua fé pelas tuas obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Se substituirmos fé por autoridade, obtemos isso, não é? Mostra-me a tua autoridade. Sem obras, quando tudo vai bem, não é? E eu mostrar-te aí a minha autoridade pelas minhas obras que suporto mesmo quando tudo vai mal, mesmo quando dou-se os passos do carrasco que veio encurtar-me o pescoço. O Paulo poderia ter acrescentado isso. Portanto, ainda hoje também, meus... Meus amigos, a capacidade de permanecermos fiéis em meio às dificuldades, em meio às tribulações, em meio a perdermos emprego, a perdermos família, a perdermos amizade, por vezes a ficarmos completamente como no deserto, dependendo unicamente de Deus, é prova de que o Senhor nos chamou e é isso que nos dá autoridade.
Nossa autoridade vem dessa consagração total ao ministério que Ele nos deu. Enquanto falavas, eu lembrei-me que recentemente fiz uma apresentação sobre a questão da perseguição e dos casos que existem de pessoas que sofrem por causa da sua fé e eu encontrei uma estatística muito interessante que diz que 380 milhões de cristãos enfrentam altos níveis de perseguição. Por exemplo, em 2025, e nós saímos recentemente desse ano, 4476 cristãos foram mortos por causa da sua fé. e a lista continua com dados muito interessantes. A liberdade que usamos aqui não é a mesma de muitos. Não é a mesma. Mas o que é certo é que Deus lança-nos o desafio de o seguirmos, mesmo tendo esta dificuldade, porque o final do nosso percurso será glorioso.
E é isso que nos move a podermos estar aqui, até mesmo nós, semanalmente, a podermos falar de coisas tão importantes como esta. Nós caminhamos para o fim do nosso programa, mas eu ainda gostava de implementar
aqui uma outra ideia e tentarmos desenvolver rapidamente esta ideia, que está em 1 Coríntios 4, versículos 1 e 2. Abra novamente a sua Bíblia, 1 Coríntios 4, versículos 1 e 2, que diz que os homens nos considerem como ministros de Cristo. e dispenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se dos dispenseiros que cada um se ache fiel. Pedro, que visão de ministério e até mesmo de liderança cristã nós encontramos aqui nestas palavras de Paulo. Sim. Eu acho que, de facto, aqui é um versículo, mas globalmente Paulo tem realmente uma visão de liderança e de ministério muito interessante e que é decisiva, claro, para a construção desta realidade que é a Igreja Cristã.
e temos, por isso, muito a aprender com Paulo, claro. Só se nos fixarmos neste texto, podemos dividir aqui em três ou quatro expressões, cada uma delas acrescenta alguma coisa para podermos encontrar esta visão global de Paulo. Naturalmente temos esta ideia, que ainda há pouco eu estava a explorar, de que é uma visão de ministério para a liderança. Na prática, o que é que significa? Que o líder cristão não é o dono da obra. Enquanto em diferentes contextos humanos, as pessoas que estão revestidas de autoridade, por vezes, a autoridade é inerente a elas. Por exemplo, se eu sou o dono de uma empresa, a empresa é minha, a autoridade vem do facto de que aquilo é meu.
Para o bem e para o mal, se houver más consequências nas minhas decisões, eu sou o primeiro que vou sofrer. A autoridade é inerente. Mas no caso da liderança cristã, ninguém é dono da obra. Por isso é aqui que há uma espécie de revolução, quase uma radicalidade do Evangelho, que precisa de estar manifestada nas comunidades cristãs. Por isso é que às vezes nós estamos tão longe do ideal. No máximo somos chamados a sermos mordomos e não donos ou proprietários. Tal e qual. Já lá vou explorar essa dimensão, que é aqui com a expressão dispenseira. Mas esta ideia de que a liderança é ministério, portanto é serviço, É precisamente a ideia de que o líder cristão não é dono.
Jesus dizia assim, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva. A radicalidade do Evangelho é isto. Aquilo que pode ser chamado ou considerado grande é o que serve. Por isso Jesus fez aquele ato absolutamente, também ele radical, que os discípulos não queriam sequer aceitar de começar a lavar-lhes os pés, que era essa ideia de mostrar fisicamente uma total inversão na lógica de que aquele que é chamado de mestre, de autoridade, dispõe da vida dos outros e da vida no sentido do trabalho ou do que seja.
Não. Na igreja, no reino de Deus, o líder não dispõe da vida dos outros. Serve a vida dos outros. Por isso, o conceito de domínio é um conceito, também biblicamente, eu acho muito interessante, desde o início, porque também há uma inversão sobre o conceito de dominar. Deus dominou este planeta vindo morrer por ele. Então, a força não é a lógica do domínio no reino de Deus. Nem por força nem por violência. Já dizia o profeta. Não há Deus, diz só o profeta. Então, essa ideia é desde logo uma visão sobre liderança que é muito importante.
Não é uma visão de liderança de serviço, que a Ortelina há pouco já explorava, mas, digamos, vai muito para além disso, é quase a ideia de que a natureza do reino de Deus é de que o domínio não está pela manifestação de poder, mas pela humildade de servir os outros, de ver como é que eu posso ser útil. Só que este texto também explora uma visão para a Igreja, para o Reino de Deus e para a liderança, que é a visão do dispenseiro. Obviamente que o dispenseiro é o administrador. É aquele que cuida de uma coisa que não lhe pertence. E neste sentido, quando falamos de liderança cristã, qual é a liderança cristã? Lida com o quê? Lida com o Evangelho. Ora, o Evangelho obviamente é um tesouro que não é de ninguém.
Ele é confiado a todos, não é? Então, nós somos depositários, dispenseiros, mordomos ou administradores, tudo sinónimos de alguma coisa muito valiosa. Por isso, quando nós falamos de todas estas expressões de humildade e serviço na obra de Deus, nós não estamos a desvalorizar a grandeza das coisas com que estamos a lidar. São coisas valiosíssimas. O apóstolo Segundo Timóteo 1.14 diz que guarda o depósito pelo Espírito Santo que habita em nós. Quer dizer, é uma coisa muito valiosa. Nós somos depositários de um tesouro absoluto. Por isso é que a obra do líder não é uma obra desprezável.
que se possa dizer, isto aqui não interessa quem lidera ou não lidera, porque somos todos uns pobres e uns desgraçados que aqui andamos. É necessária mesmo, é necessária. É muito necessária essa obra. E, aliás, quando nós depois vemos toda a eclesiologia, que é a maneira como, especialmente o apóstolo Paulo, embora todos os apóstolos exploram de alguma maneira, como é que a Igreja se organiza, quais são os valores do Reino de Deus, nós percebemos que há estrutura, por exemplo, que há ordem. Essa ordem nunca é hierárquica, é funcional, porque a hierarquia é como se alguém, por qualquer razão, tivesse direito àquele posto, e não há hierarquia na igreja porque ninguém tem direito a nenhum lugar nem função, mas existe uma estrutura funcional.
Aliás, sabemos que os dons são a base da estrutura da igreja. E a liderança é um dom. Por isso a liderança é um dom. A capacidade, por exemplo, de retirar o melhor das pessoas, isto é um dom. E aliás, quando esse dom não se manifesta, No outro dia estive numa situação que não se via liderança. Estava aflitivo de ver. Parecia que ninguém sabia por um dia. Se ele não estiver presente é gravíssimo. Dá confusão, dá incapacidade de produzir. Há desorientação. E mesmo a ausência de liderança em geral torna-nos infrutíferos. Então, este discurso que estamos a ter, baseado, claro, no apóstolo de que precisamos de humildade e serviço na liderança, não retira em nada da enorme responsabilidade e do privilégio de receber de Deus esses dons para poder administrar.
A questão é perceber que isso é uma função que é concedida, que não pertence, não é inerente, não é eu mereço ser líder. porque, diante de Deus, ninguém merece nada.
Agora, tu podes receber um chamado que realmente te vai capacitar para exercer funções que administra os mistérios de Deus e isso, obviamente, é uma coisa elevadíssima. E a última expressão que o apóstolo usa neste versículo, que leste há pouco, que é a requerse dos dispenseiros que cada um se ache fiel. Então nós percebemos que o critério principal, se quisermos dizer assim, da liderança é a fidelidade. Não é nem a performance, nem os teus conhecimentos, é o quão fiel tu consegues ser. E isto está em total sintonia com aquele grande princípio que Jesus estabeleceu quando ele dizia na parábola, bem-está, bom e fiel servo.
Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Por isso a fidelidade é que é a marca da verdadeira liderança cristã. Por isso, quando somos fieis nas coisas que Deus nos confia, por isso os dons aparecem aqui, obviamente, como um dos maiores exemplos disso. Se tu fores fiel a Deus, usando bem, de forma frutífera e empenhada, os dons, o que é que vai acontecer? Vais multiplicar. Por isso é que nós podemos dizer que uma das marcas da vida cristã é o quão frutíferos nós somos. Porque se deles estiverem nós, nós vamos dar fruto. É pelos frutos que se conhece. E Jesus disse isso de muitas maneiras, em muitas parábolas, em muitos dos seus ensinos, que a vida cristã é uma vida abundante no sentido em que ela dá fruto.
E isso é uma coisa que nós, as pessoas que nos estão a ver, nós podemos olhar para a nossa vida, para a realidade onde nós agimos, onde somos usados por Deus, e podemos mais friamente dizer assim, está a haver fruto ou não está? Se houver fruto, se nós vemos que há crescimento, há avanço, há multiplicação, então a frutificação é a demonstração de que Deus está a operar. Essa é a melhor ideia com que podemos fechar o nosso programa de hoje. Porque, afinal, quando Deus opera na nossa vida, há transformação, há atitude, há sentido de liderança, há um caminho a percorrer, há uma série de coisas a fazer. E depois há alegria no serviço.
Porque Deus é o que mais serve e Deus é a alegria. Então, descobramos essa alegria de servir. É nesta base de alegria que também nós fechamos esta emissão de hoje, este programa, mas antes de nos irmos embora, eu quero dizer que tenho uma revista, tenho um guia de estudo muito interessante para lhe oferecer, Lars, doce Lars, que tem uma série de temas bem atuais para os nossos dias e que poderão ajudá-lo a si, à sua esposa, ao seu marido, aos seus filhos, a poderem caminhar no caminho do Senhor, mas, acima de tudo, saberem a realidade e poderem melhorar todos os aspectos que possam estar menos bons no seu lar. Para isso, basta que peça este guia de estudo para o 933 93 92 91. 933 93 92 91.
Envie uma mensagem que nós trataremos do resto, enviaremos para a sua casa totalmente gratuito para que você possa usufruir deste bem. Quanto a nós, já sabe, o Bíblia Aberta é um programa semanal aqui na Novo Tempo Portugal. Estaremos de volta de hoje a oito dias. Até lá, continue com a sua Bíblia Aberta e continue a estudar para que Deus engrandeça a sua vida. Até mais.
Num mundo cada vez mais marcado por divisões, conflitos e opiniões contrárias, como pode a Igreja manter-se verdadeiramente unida?