A Mensagem da Cruz

A Mensagem da Cruz

05 de Julho de 202657 min 15 s

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Abrimos aqui mais um programa Bíblia Aberta para podermos, durante os próximos minutos, estarmos na presença de Deus, estarmos na Sua presença e podermos usufruir daquilo que a Bíblia tem para nos dizer sobre matérias tão importantes e tão necessárias à nossa vida hoje e que podem preparar a nossa vida para a eternidade. É sempre muito bom voltarmos à sua companhia, estivemos na semana passada, abrimos uma série nova de episódios agora sobre as Duas Cartas aos Coríntios, iremos ver muitos aspectos que Paulo introduziu nestas Duas Cartas e que foram tão atuais no seu tempo, mas são tão atuais para os nossos dias de hoje, que é merecedor da nossa atenção e do nosso interesse.

Por isso, poderá estar sempre connosco através do canal de TV Novo Tempo, na operadora Mel. Estamos no canal 186 da Mel. Se porventura não puder estar sempre, poderá estar ligado à rádio RCS e aí são 24 horas também sobre 24 horas. Poderá acompanhar-nos em toda a área metropolitana de Lisboa ou então até pela internet. E poderá também seguir-nos, se não tiver nenhuma destas alternativas, poderá seguir-nos através do nosso canal do YouTube Novo Tempo Portugal. Nós vamos iniciar este programa, mas eu gosto sempre de apresentar os meus convidados para que, ao longo deste tempo, possamos fazer aqui uma boa conversa.

E, como é habitual, nós temos connosco o Pedro Esteves, diretor da estação. Obrigado, Pedro, por estares connosco mais uma vez. Voltamos a ter a Hortelinda esta semana connosco. Olá, Hortelinda. É um prazer, bom dia. E, neste caso, temos como convidado não-residente, o Ruben Nóbrega. Olá, Ruben. Obrigado por estares connosco. Também é um prazer estar aqui com vocês. E podermos ter a tua companhia para podermos desenvolver um pouco mais este tema. Neste episódio, nós vamos de alguma forma colocar o nosso foco na poderosa mensagem da cruz, porque Paulo vai ter todo um momento nas epístolas de Coríntios onde ele vai dar um foco e vai dar um destaque muito interessante.

A loucura da cruz

à cruz, como resposta aos problemas e às questões que surgiram naquelas duas igrejas. E por isso, Srta. Linda, eu vou começar por ti, mas antes gostaria de lançar aqui um primeiro versículo para o nosso ponto de partida, que está em 1 Coríntios 1, versículo 18. Se estiver com a sua Bíblia à mão, então poderá abrir em 1 Coríntios 1, versículo 18. Diz este versículo porque a palavra da cruz é loucura para os que parecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porquê que a cruz, de alguma forma, pode ser vista como loucura para uns e, ao mesmo tempo, poder para outros? Será que isto vai revelar, de certa forma, a condição espiritual, a nossa condição espiritual enquanto seres humanos?

Sem dúvida. Sem dúvida, o próprio apóstolo Paulo, na mesma epístola, um pouquinho mais longe, no capítulo 12, no versículo 14, ele diz, ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parecem loucura, justamente. E não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente. Quer dizer que o homem entregue ao seu único recurso, único meio de conhecimento, que é a razão, que é a sua inteligência, que é o seu intelecto, ele não consegue aceder às verdades de natureza espiritual. Não que Deus não lhe o queira revelar, porque Deus, o seu desejo é revelar a sua vontade e dar a sua luz. Mas porque a razão, por muito desenvolvida que esteja, por muito inteligente que seja o homem, por muitos meios que ele tenha realmente desenvolvido, ele não consegue.

É insuficiente para compreender as coisas de Deus, porque como diz o apóstolo, elas discernem-se espiritualmente. Logo, para compreendermos as coisas espirituais, nós necessitamos de uma abertura ao Espírito de Deus. É o Espírito de Deus que pode fazer-nos compreender isso. E esse conhecimento começa, diríamos, por um ato de fé. A fé é como um par de óculos. Se tirar os meus óculos eu não vejo nada, não vejo quase as vossas caras. Quando eu ponho os meus óculos eu vejo tudo nítida, distintamente e claramente. Porquê? Porque os meus óculos me permitem de ver a realidade como ela é. A fé é a mesma coisa, portanto a fé é uma abertura ao Espírito de Deus e é o Espírito de Deus que nos vai levar a compreender aquilo que por nós mesmos não seria compreensível.

Eu gostaria de dizer, às vezes as pessoas pensam que a fé é a irracionalidade e muitas pessoas pensam que para ter fé tem que dar um tiro na sua racionalidade, na sua inteligência. E eu quero dizer que a fé é um ato racional. A fé é também um ato de vontade, tal como o amor, que é um ato de vontade, a fé também é um ato de vontade. E é a vontade de fazer confiança a qualquer coisa que Deus já deu, que é a sua revelação, que é a sua palavra. Logo, a fé tem o fundamento que é a confiança na palavra de Deus. Deus falou. E a fé realmente faz confiança ao que Deus diz. Geralmente as pessoas querem compreender para querer.

Pois a proposta que Deus nos faz é a inversa. É preciso crer, fazer esta confiança, este sim a Deus, para então poderes compreender. Então podemos dizer que de todas as coisas espirituais que são mais difíceis de compreender para o ser humano é a cruz. A cruz parece mesmo o triunfo da irracionalidade. Por exemplo, diz-nos o texto que para os judeus ela é escândalo. Os judeus que esperavam o seu Messias, mas com expectativas demasiado imediatas, terra a terra, para aqui e agora, um Messias pendurado numa cruz. é uma inutilidade, é um escândalo. Quando eles queriam um rei que vencesse todas as outras nações.

Que os tornassem realmente a nação soberana sobre todas as outras. Que reivindicasse a superioridade do povo judeu. E então aparece um Messias pendurado numa cruz. Digo que para além Para além da decepção, é para os judeus uma vergonha que eles não podem realmente aceitar. Este não era o Messias que eles realmente esperavam. A cruz é efetivamente escândalo, é pedra de tropeço. Para os gregos, iluminados pela razão e pela necessidade de compreender, pela necessidade da lógica, realmente... um salvador do mundo pendurado numa cruz. Enfim, não é muito útil e sobretudo não é lógico. Já ouvimos falar daquele grafite do segundo século, por volta do ano 200, em que aparece o Cristo crucificado na cruz com uma cabeça de asno.

O Alexamenos. Exatamente. Com uma cabeça de asno e com um jovem que o adora e diz que é o seu Deus. Acho que é o jovem que se chama Alexamenos. E então isto mostra o choque que foi apresentar a cruz como centro de uma mensagem realmente salvídica para a humanidade. Os homens não podiam realmente compreender. Sem o Espírito de Deus, sem a revelação de Deus, não é possível compreender. Há mesmo uma rejeição. Há mesmo uma rejeição deste Deus. Os homens compreendem que alguém pode salvar se estiver vivo e for forte e poderoso. Que alguém possa salvar morto, pendurado numa cruz é ilógico, é efetivamente ilógico.

Mas aqueles que se abrem à lógica de Deus, aqueles que se abrem ao Espírito de Deus, à Sua Palavra, ao Seu convite, isso tem todo o sentido. Podem compreender que é morrendo E aqui está o paradoxo, não é? É morrendo que Jesus nos dá a vida. É morrendo que Ele nos salva. É passando pela morte que Ele domina e vence aquele que tem o império da morte, que é o diabo. Então, pela fé, nós compreendemos que a morte de Cristo efetuada na cruz. porque é a morte de Cristo que nos salva, não é nem por ser na cruz, mas como ela foi efetuada na cruz, é finalmente o poder de Deus, porque é através dessa entrega, desse dom de Jesus, dessa morte, que Deus vai poder utilizar uma vida perfeita que lhe é entregue para poder libertar, portanto, todos os que estão condenados à morte, da morte.

Logo, a cruz, como dizias no início, é efetivamente a resposta de Deus ao problema humano que é o pecado, não é? Através da morte de Cristo na cruz, Deus faz triunfar a vida eterna para todos. Jesus disse no Evangelho de São João, ele disse, eu quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. E depois o apóstolo acrescenta dizendo, e ele disse isto, significando de que morte havia de morrer. Era a morte da cruz. Então há um significado por ser na cruz, não é? Porque na cruz Jesus diz que Ele atrairá todos assim. E realmente esta imagem que Cristo deixa para a humanidade é de um Deus de braços abertos na cruz, convidando e acolhendo todos aqueles que creem e que vêm a Ele em busca da solução para o problema essencial, que é realmente o problema da morte, que é consequência do pecado.

É muito interessante ver que Paulo vai colocar no centro da sua pregação,

A centralidade de Cristo

naquilo que foi os muitos discursos que fez, os muitos conselhos, as conversas que ele teve de forma privada e pública, ele vai colocar no centro da sua pregação este ser que é Cristo. Aliás, se nós formos a 1ª de Coríntios, capítulo 2, versículo 2, nós encontramos esta certeza. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado." Paulo, aqui é muito claro. E Pedro, eu gostava que nós pudéssemos avançar um pouquinho. Por que razão Paulo vai escolher colocar Cristo crucificado no centro da sua mensagem? Bem, na verdade, este não era um sinal que os judeus estavam à espera ou que ansiavam.

Como é que isto pode moldar a nossa experiência hoje, como cristãos, nos nossos dias? A centralidade da cruz, ela não apenas molda a experiência dos crentes, dos cristãos, mas mais do que moldar, ela é a própria essência da mensagem cristã. Quando nós desmultiplicamos e declinamos um pouco os vários significados e implicações da cruz, Ordelinda já fez isso agora aqui em parte, eu vou fazê-lo agora também, quer dizer, declinar mais alguns significados, a conclusão a que vamos chegar é que tudo na vida cristã, de alguma maneira, está conectado com o facto de que Cristo entregou a sua vida. Portanto, a cruz, obviamente, tem essa dimensão simbólica.

Não é por ser uma cruz, é porque a morte de Cristo e tudo o que isso implica. é a cruz porque foi a forma como aconteceu. O objeto é instrumental. Por isso nós não usamos a cruz como um clichê ou como um amuleto. A cruz foi, naquele momento específico da história em que Jesus viveu, era um instrumento de morte e de condenação e, portanto, foi esse que aconteceu. Se Jesus estivesse noutra época, provavelmente numa outra sociedade, por exemplo, teria sido outra realidade. Mas Deus sabe tirar proveito até mesmo destes detalhes. Exatamente. Mas também há uma questão muito interessante de nós vermos que Cristo foi, ou neste caso Deus até o Pai, foi ao limite dos limites, ou seja, conseguiu percorrer o caminho mais profundo para salvar o homem, não é?

Não foi uma coisa ligeira. Não foi algo simples. Ou seja, a implicação foi total. Sua entrega foi até ao fim. Jesus disse aos discípulos, depois da ceia, quando ele já estava a partir para esses momentos terradeiros, diz o Evangelho de João, tendo-os amado, tendo-os amado, amados até o fim. Tem a disponibilidade para a entrega total. Obviamente que a cruz é essa ideia da radicalidade do amor de Deus, que vai ao limite da entrega. E a teologia de Paulo não é só uma teologia cristo-cêntrica. que em si mesmo já é uma expressão muito importante. Não sei como é que se pode traduzir isso, mas é... A cruz é que é o centro.

É como se ainda houvesse um centro um pouco mais central do que é Cristo. E essa centralidade está na cruz. Por isso aqui, como disse há pouco, só para relembrar, ele dizia, nada me propus saber senão Cristo e este crucificado. Então, Cristo já está no centro, então o que Paulo está a dizer é, se eu for explorar ainda um pouco mais o que é que está no centro do que é Cristo, é a cruz que eu vou encontrar. Como se fosse o resumo da vida de Cristo. É um resumo. Ali expressa-se exatamente quem ele é. E cumpre-se a sua missão, sem isso ele não chegaria lá. Porque ele disse, eu vim para dar a vida por muitos. Disse, eu vim para servir. E é ali que se consuma tudo. Paulo, quando escreveu aos Gálatas, disse...

Creio que é no capítulo 4, em que ele diz que longe de mim esteja a gloriar-me, noutra qualquer coisa a não ser a cruz de Cristo. Outra vez a ideia de que não é só Cristo que está no centro, mas a cruz ainda representa uma centralidade maior. Então, tirando para nós algumas implicações disso, e como a tua pergunta desafiava um pouco para a nossa própria experiência como cristãos, eu vejo pelo menos aqui três elementos que acho que é importante salientar. Primeiro, talvez um pouco mais teológico, no sentido de que a cruz é o fundamento da salvação. Nós podemos dizer que uma das grandes metanarrativas da Bíblia, que é uma das grandes histórias na Bíblia, que está acima das narrativas e das pequenas histórias, Porque a Bíblia em si é um livro de metanarrativas.

A Bíblia não existe para nos contar a história específica de Adão e Eva ou de Abraão. Não é a curiosidade de saber o que aconteceu com Josué, com Moisés. Essas histórias e essas narrativas estão ao serviço de uma narrativa maior. E essa grande metanarrativa bíblica, obviamente que o plano da salvação é uma dessas grandes metanarrativas. Nós encontramos, desde o princípio até ao fim, uma explicação sobre porquê existe um plano da salvação. Porquê nós precisamos de salvação. E como é que se pode adquirir essa salvação. É nesse sentido que as histórias e os livros da Bíblia estão muito conectados. Ora, a cruz é um dos fundamentos da salvação. Porquê? Porque a morte É uma consequência do pecado e, portanto, é preciso um tratamento de justiça em relação ao desafio que o pecado representa, por ser uma inclinação contrária a Deus.

É como se alguém escolhe morrer por sua própria vontade. E como o afastamento de Deus é uma escolha humana, e essencialmente é isso o pecado, porque Deus é a fonte de vida, Por isso é que o livro do Génesis e a história do Éden é uma história absolutamente extraordinária para representar bem todas estas verdades, mesmo se ali são numa história aparentemente tão simples. Não se pode pregar o Evangelho sem o Génesis. Não faz sentido. Não dá. E ali nós percebemos essa ideia de que Deus é apresentado como a fonte da vida. Ele é que superou em nós o fogo da vida. Portanto, é pela conexão com ele que nós temos vida. Mas quando nós lhe voltamos as costas e dizemos, ele diz isso, ele que sopra em mim, mas o que é experimentar por mim mesmo?

Esse afastamento da fonte da vida condena-nos à morte. No fundo, é esta a essência da ideia de que o pecado nos separa de Deus. Porque se nós nos afastamos do autor da vida, forçosamente nós colocamos-nos num caminho de morte. Seria um pouco, para usar uma... se um recém-nascido pudesse ter a capacidade de dizer, eu não quero o leite da minha mãe. E se ele tomasse essa opção, é apenas uma imagem, é evidente que ele estava com nada a morrer, porque ele come fisicamente, não tem condição para ir buscar alimento, não anda, não se move, ou a mãe lhe dá ou ele morre. Portanto, vamos imaginar que é um bebê a ter a força de dizer, não, eu não tomo da mama da minha mãe.

Automaticamente era como uma autocondenação. É o que nós fazemos quando somos seres totalmente dependentes do Criador e dizemos, não, eu quero experimentar viver sem o Criador, é o mesmo que dizer eu quero morrer. Noutro sentido. É isto que justifica que, nesse plano extraordinário, a morte apareça como uma solução, uma necessidade. Porque nós auto-escolhemos a morte. E, portanto, a cruz representa a ideia de que Deus colocou como parte do plano, para ser possível, um reequilíbrio, de que não tivéssemos que ser nós a morrer. Ou seja, nós não temos que escolher morrer.

Tal como escolhemos a morte, Jesus também escolheu morrer. É nesse sentido que a nossa liberdade para ter escolhido a morte foi substituída pela liberdade de Jesus de escolher morrer. Por isso é que as duas coisas equilibram-se. A Bíblia, tantas vezes, diz que nós somos justificados pela redenção que há em Cristo Jesus. Isto diz, por exemplo, o apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 3, versículo 24. Tem que haver uma coisa que é feita por nós, porque a nossa escolha errada já foi feita. Na 2ª Carta aos Coríntios, se calhar ainda vamos ler este texto lá mais para a frente, não é? Muitas vezes. Nalgum momento o apóstolo diz, aquele que não conheceu o pecado, esse é que se fez pecado por nós.

Então, a cruz é o Evangelho, é a ideia de que há uma boa nova, de que aquilo que eu não consigo fazer para ter a salvação, Deus consegue através de Jesus. Mas depois temos as implicações, e eu queria terminar com isso, as implicações um pouco mais práticas para a nossa vida, mais reais, que é a ideia de que a cruz não apenas faz parte desse projeto de salvação, mas a cruz também tem um poder transformador em nós. Porquê? Porque a experiência cristã, em Jesus, ela tem uma espécie de referência. Essa referência tem a ver com entrega, com renúncia, com dependência. Por exemplo, o apóstolo Paulo expressou isso em textos muito conhecidos como Já estou crucificado com Cristo e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Claro que isto é uma imagem. A ideia de estar crucificado com Ele é esta ideia de que eu aprendi com Cristo a renunciar a mim mesmo. se calhar a apetites, a paixões, a vontades, a temperamentos não controlados. Mas Jesus, por exemplo, antes mesmo da cruz, usou a cruz também como essa referência para a nossa vida, quando ele disse, se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo. Toma a sua cruz e siga-me." Jesus já usou a ideia da cruz como esse espaço de transformação. Quer dizer, eu preciso de ter uma experiência de vida que só consigo consumar quando eu renuncio. Mas, finalmente, a cruz também molda. Ela representa uma imagem e o poder de moldar os meus relacionamentos.

Porquê? Porque a cruz é a representação da máxima humildade, do amor sacrificial. da ideia de que eu vivo disponível para servir o outro de uma tal forma que eu ponho o bem do outro antes do meu próprio bem. E se pensarmos bem, isto é um modelo das relações humanas. Não é em vão que o apóstolo Paulo, por exemplo, diz aos maridos que amem as suas esposas como Cristo amou a Igreja e assim se entregou por ela. Aquela ideia de que o amor é sacrifício. Estás disponível para o sacrifício. Aos Efésios, Paulo dizia assim, andai em amor como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo. Então, a entrega de si mesmo torna-se uma espécie de referência da maneira como nós devemos amar os outros.

Então, a cruz, em certo sentido, ela define a maneira como nós amamos as pessoas, como servimos os outros, como lidamos com o sofrimento e como compreendemos o amor de Deus. A cruz sintetiza todas estas coisas. Pegando nas tuas palavras, talvez possamos dizer que a cruz reconcilia-nos com

Reconciliação e paz

Deus, ou seja, faz-nos ou permite que nós façamos o caminho, digamos, inverso àquele que nós fazemos, o caminho de volta a Cristo. Eu gostava de pegar aqui em tudo aquilo que o Pedro disse, juntando agora Colossenses capítulo 1, versículo 20. Porque em Colossenses capítulo 1, versículo 20, diz que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. a necessidade que Cristo viu de reconciliar o céu com a terra e a terra com o céu. Ruben, o que isto pode significar, esta reconciliação realizada por Cristo na cruz? Será que nós podemos dizer que isto transforma a nossa relação com Deus e até mesmo com os outros?

O próprio verbo reconciliar é um verbo que nos incomoda logo, não é? É um verbo... não é um verbo fácil, não é um verbo que nos saia num primeiro momento. Não é assim tão natural em nós, não é? Não é assim uma coisa que está inata em nós, não é? O reconciliar, para mim, mal eu ouço este verbo, não é? Para já tem que haver sempre duas partes, não é? e depois tem que haver duas partes que não estão bem uma com a outra. Não é? Há aqui um problema entre as partes. Que cita a necessidade de reconciliação. Há um conflito, não é? Há aqui alguma coisa que não está a correr bem. Tu dizes alguma coisa e eu não me revejo nisso ou estou mesmo contra aquilo que tu dizes. E realmente essa reconciliação e este verbo tomam lugar por tudo aquilo que o Pedro e a Ortlinda também disseram, não é?

Porque nós, pela nossa escolha, desde o Éden, nós escolhemos outra coisa e decidimos Decidimos, então, nos afastar do Criador. Afastámos-nos bastante e vemos os frutos desse afastamento logo. Vemos a morte, os dois irmãos, os filhos de Adão e Eva, aquele ato incrível, como é que dois seres ali quase acabados de sair de uma família perfeita, um mata o outro. Começamos logo a ver coisas estranhas que este afastamento de Deus provoca em nós. Mas esta reconciliação é necessária e sabemos nós, no nosso coração, que ela é necessária. Basta pensar em pais e filhos, irmãos, basta pensar em amigos, marido e mulher.

E há bocado falámos de palavras como humildade, mas às vezes não gostamos de falar de outras como humilhação. E muitas das vezes, em Coríntios e noutros lugares, aparece a expressão e a palavra humilhação, que Jesus passou por uma humilhação. Eu acho que no nosso mundo a humildade é bem vista. E é muito bem visto nós vermos que alguém foi humilde, se errou, assumiu a sua culpa. Mas sermos humilhados e não respondermos já não é tão bem visto. E a humilhação de Jesus foi humilhação. Quando nós vemos tudo aquilo que aconteceu na cruz, momentos que Jesus foi cuspido, Jesus foi batido, Jesus foi...

Tiraram-lhe a roupa, não é? Puseram-lhe a nu. Jesus foi mesmo humilhado. Aliás, havia muita gente ali naquela multidão que esperava ver a reação de Jesus, não é? É. A morte de Jesus não é uma morte que alguém matou alguém. É uma morte que foi... Toda a gente que estava ali à volta, uma multidão, assumiu aquela morte, desejou aquela morte. Jesus foi humilhado por todos aqueles que ali estavam. Poucos estavam a tentar defender Jesus ali naquele momento e a humilhação por a qual Jesus passou É realmente estranha e por isso é que Paulo diz que é uma loucura. Porque nós, às vezes, eu penso, por exemplo, num assalto.

Nós homens, se formos assaltados, a nossa esposa estiver no carro, se estivermos assaltados, o que é que o mundo espera de nós? O que é que espera de nós? Que nós possamos sair e defender a nossa mulher, talvez com força, talvez com violência. Mas a proposta do Evangelho, às vezes, é a humilhação. Queres me roubar? Queres levar o meu computador? Então, olha, leva o computador. Precisas de mais alguma coisa? É o que Jesus diz, não é? Se tu queres a minha capa, se calhar eu posso te dar a capa e mais alguma coisa, porque tu podes precisar de mais alguma coisa. E o Evangelho é esta loucura. A humilhação é assim uma loucura de tu dizeres, olha, eu se calhar até tenho razão, mas eu vou-me calar porque a minha esposa se calhar mais vale termos a paz, não é?

Este versículo é interessante porque associa o sangue, o sacrifício de Jesus, a paz. Que havendo por ele feito, a paz pelo sangue. Pelo sacrifício, pela humilhação, nós podemos chegar à paz. E isto é uma coisa que não vem de nós. Nós, no assalto, vamos querer repostar. Se nos tiram o nosso computador, nós vamos querer defender. Não está em nós. Se nós tivermos razão, nós vamos argumentar com a nossa esposa. Eu fiz isto, isto, isto. Temos 50 argumentos lógicos. mas o Evangelho não é isso, não é? E é por isso que Ele tem que fazer alguma coisa em nós, para já restabelecer e reconciliar primeiro a minha relação com Deus, Ele que faça esse milagre em nós, porque não está em nós, para que depois nós possamos ter o senso ou a capacidade de poder fazer isso com os outros, que é a dimensão da terra, que este verso também diz.

Muito bem, a nossa conversa está ótima. Já chegámos a uma conclusão, que a cruz é sem dúvida um símbolo da fé. Vimos também que a mensagem, esta mensagem no primeiro ano, no primeiro século, foi uma mensagem extremamente chocante para muitos, não é? Mas o que é certo é que Cristo foi ao limite, Deus foi ao limite, entregando o Seu próprio Filho para nos resgatar e agora terminamos esta primeira parte falando um pouquinho da humildade e da humilhação, aquilo que o Senhor Deus passou para nós podermos ser recuperados. Nós vamos fazer uma curta paragem.

Guia de estudo

São apenas poucos segundos, um minuto de tanto. Fico desse lado. Não saia daí porque voltamos para a segunda parte. Temos muito mais para dizer sobre este tema. Até já. TV Novo Tempo. O canal da Bíblia. O canal da esperança. Estamos de volta para a segunda parte do Bíblia Aberta de hoje. Nós estamos numa nova temporada, estamos a colocar o nosso foco em duas cartas que Paulo escreveu aos Coríntios e por isso dentro destas cartas nós vamos encontrar muitas coisas que nos são muito úteis para a nossa vida hoje. e que poderão dar-nos uma capacitação para a nossa vida na eternidade.

Estamos hoje a falar sobre a cruz, estamos hoje a ver o foco Cristo na cruz. Antes de continuarmos, eu quero dizer-lhe que temos um guia de estudo também para lhe oferecer. O tema é eventos finais, são temas muito atuais dos nossos dias, que nos merecem a nossa atenção e por isso eu gostava de lhe lançar o desafio. Se tiver a oportunidade de entrar em contacto connosco, faça-o. Nós teremos muito gosto em oferecer-lhe este guia de estudo sobre estes temas, eventos finais. Por exemplo, quem é o anticristo? Será que sabe quem é o anticristo? O que é que ele pode fazer? O que é que ele está a fazer? quais são os benefícios ou prejuízos que nós poderemos ter se houver um anticristo.

Tudo isto e muito mais você encontra aqui como guia de estudo nesta revista. Poderá fazê-lo agora para o 933 93 92 91. 933 93 92 91. Enviando uma mensagem, solicitando este guia de estudo e nós teremos muito gosto em oferecê-lo gratuitamente. Ele chegará a sua casa sem qualquer custo. Faça-o agora e verá que não se irá arrepender. Meus amigos, a cruz significa... Ou melhor, a cruz depende, vamos dizer assim, do modo como nós olhamos para ela.

A gravidade do pecado

Alguns olharam para ela como loucura, outros olharam para ela como o poder que vem de Deus. E por isso, na nossa conversa, eu gostava agora de chamar aqui uma outra epístola, que não é propriamente a epístola aos Coríntios. Também não lhe vou chamar a epístola. É uma carta, digamos assim, de Pedro. Primeira de Pedro. No capítulo 2, versículo 24, nós lemos esta passagem. Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que mortos para os pecados pudéssemos viver para a justiça e pelas suas feridas fomos cerados, ou fostes cerados. Hortelinda, como é que o sacrifício de Cristo, nesta perspectiva que nos é dada aqui por Pedro, o sacrifício de Cristo na cruz pode revelar tanto a gravidade do pecado, como também a profundidade do amor de Deus e que o Pedro, em parte, já aqui há pouquinho nos falou um pouquinho sobre isto.

Tu dizias que cada um olha para a cruz e vê coisas diferentes e nós podemos dizer que hoje no cristianismo existem correntes de pensamento que não veem na cruz nenhum valor salvífico. Portanto, para esta corrente de pensamento liberal, a redenção que Cristo traz não a traz com a sua morte, traz com a sua vida. Ou seja, o termo que Paulo utiliza continua a ser atual. Continua a ser atual. É loucura para uns. E é inutilidade para outros. Portanto, para esta corrente nova do cristianismo, a cruz é unicamente o que os homens fizeram a Cristo. Não tem nenhum valor em si mesma, porque o valor de Cristo está na sua vida perfeita, está na sua mensagem e está nele realmente ser um modelo para os seres humanos.

A morte expiatória não tem realmente valor. Geralmente estes desenvolvimentos estão ligados à crença da teoria da evolução, não é? Porque para muitos cristãos, para conjugarem a revelação com a evolução, é qualquer coisa de impossível, não é? Portanto, para a evolução, o homem é melhor amanhã do que foi hoje, é melhor hoje do que foi ontem, está realmente num crescendo progressivo. O pecado quando é que teve origem? O mal faz parte das contingências da evolução, da necessidade, portanto, de evoluir e logo não há necessidade de uma redenção, há necessidade de um modelo para crescer e é isso que eles dizem que foi Jesus Cristo, não é?

Portanto, segundo esta visão o homem vai de bem para melhor. o que a Bíblia, o apóstolo Paulo contraria e ele diz que o homem vai de mal para pior, enganando e, portanto, enganando-se a si mesmo. Ele diz isto na segunda epístola de Timóteo, no capítulo 3. Ora, segundo a palavra de Deus, quando nós pegamos na palavra de Deus, e há pouco o Pedro falava nesta importância de conhecermos a Bíblia, o Gênesis, há um problema lá na origem, há um problema lá no início, O homem não caminha para um caminho mais perfeito, o homem caiu de um caminho perfeito. Há uma queda. A narrativa bíblica implica esta queda, traduz esta queda.

Há uma queda. Não é? Que cria um problema ao homem. Há um corte de ligação ao reivindicar a sua autonomia, a sua independência em relação a Deus, em relação às leis da vida que Deus estabelece, ao reivindicar a sua independência e autonomia em relação a isto, o homem corta-se com Deus. O pecado é isso mesmo, é um corte numa ligação vital. Portanto, o homem, a partir do momento em que ele toma o lugar de Deus, o pedra-a-pouco falava do bebê que decide não mamar, o ser criado que decide viver separado do Criador, escolhe a morte, foi isso que Deus lhe diz. Escolhe-lhes a morte, no dia em que desobedeceres, escolhe-lhes a morte.

Então, o homem, pela sua escolha, ele inviabiliza realmente este projeto de Deus ao renunciar, ao não querer esta dependência em relação a Deus. para ser restaurado, para ser recuperado, para a sua posição original de voltar a estar em ligação com Deus e receber a vida plena e eterna que vem de Deus, o homem necessitava, era necessário um homem que pudesse fazer no positivo aquilo que o Adão fez no negativo. Um homem que fosse perfeito, fiel a Deus e que morresse no nosso lugar, não é? Um homem que, ao morrer a sua morte, não fosse uma consequência do seu pecado, para que ela pudesse ser redentora para aqueles que morrem por causa do seu pecado.

É algo simples, mas sempre que o queremos explicar nos parece muito rico. Há muitas ideias, não é? Mas só em Jesus Cristo é que é possível fazer esta reconciliação. Aliás, é isso que quer dizer a palavra religião, quer dizer religar. Jesus Cristo religa-nos a Deus. Porque o homem não pode mais ter naturalmente, nem por si, essa ligação. É unicamente através de Jesus. A nossa ligação com Deus é sempre, agora, através, portanto, de Jesus. Porque, como diz na epístola aos Romanos, o salário do pecado é a morte. É o corte. Mas o dom gratuito de Deus é a vida em Jesus Cristo. Então, esse texto de Pedro que tu lês, encontramos muitos outros que falam realmente desta centralidade, portanto, da morte de Cristo.

Esta necessidade da vítima de que alguém realmente morresse. Vemos isso tanto no Antigo como no Novo Testamento. Isaías 53 e também muitos textos do Novo Testamento. Já foi referido aqui um em que diz que Ele, Jesus, é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Portanto, Ele é aquele que vem e dá a sua vida pelo mundo. E isto era tão importante que todo o Antigo Testamento gira à volta disto. Toda a formação que Deus faz ao povo de Israel no Antigo Testamento gira à volta desta necessidade de sacrifício e desta substituição de um pecador por um inocente. Vemos isso em todo o sistema sacrificial, portanto, do templo, que era o centro da vida do povo.

A vida do povo girava à volta do templo, do santuário, e o núcleo do santuário era o sacrifício, portanto, de um inocente. E isto era já uma prefiguração, portanto, do plano da salvação. Então, foi necessária esta entrega de Jesus, como já foi dito aqui. É uma entrega que começa na Ana Cruz. A Cruz é realmente o centro, como tinha dito há pouco o Pedro. Mas, antes da Cruz, há ainda um outro sacrifício. que é a encarnação. É porque para nos salvar o Filho de Deus teve que se tornar homem. O próprio construtor teve que se construir. Exatamente, o Criador tornou-se criatura. Isto é qualquer coisa, é um mistério que nós não podemos compreender. Como criatura depois ele morre.

Mas já o tornar-se criatura é um baixar, um abdicar. um renunciar até mesmo quase a uma natureza, não é? Ele permanece sempre Deus, mas ele renuncia a manifestar essa natureza. Ele vive apenas, portanto, como homem. Logo, e depois vive, como diz o apóstolo Paulo em Filipenses, no capítulo 2, aquele que era em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Depois tornou-se, tomou a forma de homem, a forma de servo e estado na forma de servo, foi humilde até à morte e morte de cruz. Portanto, a morte é realmente o culminar de toda esta experiência, que depois vai ser coroada com a ressurreição, que é a resposta de Deus a esta experiência que Jesus viveu.

Então, esta morte expiatória de Cristo, este sacrifício de Deus, que tem que se tornar criatura e que tem que morrer como criatura, mostra o problema que é o pecado. O pecado não é assim uma coisa, enfim, sem importância. Às vezes as pessoas dizem, e porquê que Deus não perdoa apenas? Não foi possível perdoar só. O perdão para nós não tem um preço, é de graça, mas para nos perdoar Deus teve que pagar um preço imenso para recuperar essa tal criatura perdida. Então, a cruz revela. Simultaneamente, a gravidade do pecado foi necessário este sacrifício, não é? Até ali e também revela, ao mesmo tempo, o amor de Deus que não renunciou, não procurou soluções fáceis, que não era possível.

Só era possível com esta escolha difícil de renúncia total e o amor de Deus foi até ali. Ele não se poupou realmente a nenhum. a nenhum sacrifício, não é? É por isso que o apóstolo Paulo diz, aquele que neio o seu próprio filho, Popó. Como é que ele não nos vai dar tudo o que nós necessitamos? Ou seja, a cruz é a revelação da maior renúncia, do maior dom de amor de Deus para a humanidade. Não há como duvidar. Duvidar do amor de Deus, eu penso que é o maior pecado que nós podemos cometer na nossa prática. E quando vemos Deus que com o seu poder, com a sua palavra, fez... Exatamente. E muito provavelmente com a sua palavra Deus conseguia destruir o mal. Não temos dúvidas disso. E até fazer outro homem.

E fazer outro homem. Mas ele não quis. Ele quis este. E foi exatamente pelo caminho mais difícil, como dizia o Rubem há pouco, da verdadeira humilhação. para nos resgatar. É muito interessante que Paulo tem uma outra passagem que eu gostava de

A sabedoria de Deus

introduzir aqui também para desenvolvermos o nosso pensamento, que está em 1 Coríntios 1, versículo 25. 1 Coríntios 1, versículo 25, nós podemos ler porque A loucura de Deus. E Paulo agora vai colocar a loucura, digamos, do lado de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. É interessante esta passagem. Ruben... De que forma nós podemos olhar para a cruz e ela desafiar os nossos padrões humanos, digamos assim, quer de sabedoria, quer de poder? Será que isto poderá ser um obstáculo para muitos de nós? Toda esta história, esta metanarrativa que o Pedro estava há pouco a falar, até antes da cruz, já para nós, a forma de fazer as coisas, já para o povo de Israel, já parecia loucura.

Não foi preciso a cruz chegar para eles acharem que muitas das formas de Deus atuares já apareciam, como aqui Paulo diz, loucura, parecia escândalo, parecia uma coisa contrária àquilo que era normal fazer. Nunca vista. E, aliás, essa forma de Deus se apresentar a nós de uma forma diferente foi, para o ser humano, até foi difícil desde o início, não é? E, aliás, por causa disso nós desconfiámos, não é? Desconfiámos daquilo que Deus estava a dizer. Nós achamos que esta loucura de Deus é mesmo uma loucura, não se encaixa, não é lógica nos argumentos. Eu lembro-me que ainda há pouco tempo, com textos bíblicos, eu fazia um estudo e parecia-me, na minha lógica, eu gosto muito, talvez tenha uma mente um bocado ligada à matemática, eu gosto que um mais um sejam dois, não é?

E todos nós gostamos de ter essas certezas. E comecei a estudar e aqueles argumentos pareciam-me bem, parecia-me uma sequência. e cheguei a uma conclusão, mas depois li outro texto que mudou-me completamente o sentido e eu percebi de outra maneira. Às vezes, na sabedoria de Deus, um mais um não são dois. E quando a Hortelinda falava que a proposta de Deus quando nós pecamos foi, se tu pecaste é a morte, É estranho, não é? É estranho. Parece que de alguma forma Deus nos estava a colocar ali num final de caminho. Mas a verdade é que quando nós estudamos e vemos o resultado da morte e a miséria que a morte traz, e nós podemos ver no nosso mundo atual o estado, a calamidade que está, nós estamos a presenciar guerras quase em todo o lado do mundo.

Nós vemos crianças sem pais em todo o lado do mundo. nós vemos que Deus sabe perfeitamente o resultado, o resultado do pecado e o resultado de nós nos afastarmos de Deus. Por isso ele traz a sua loucura, por isso ele traz a sua forma, a sua cruz, não é? E este instrumento que nos vai reconciliar e nos aproximar dele, porque ele realmente Não nos quer confundir, mas nos quer dar certezas. E, especialmente, eu gosto aqui de uma parte que diz que a cruz também é um instrumento de loucura, mas também para nós não nos gloriarmos. Se um mais um for dois, eu não preciso de ter Deus na equação.

Se a lógica humana der para resolver o problema do pecado, Nós não procuramos Deus. E nós, seres humanos, rapidamente damos glórias a nós mesmos. Quantas e quantas vezes nós já chegamos ao final de termos visto, sei lá, uma tese de mestrado, um concerto espetacular. Chegamos ao final e o que é que nós fazemos? Batemos todos palmas. Damos glória ao homem de que uma forma brilhante conseguiu chegar àquele resultado. Nunca chegamos à conclusão que ele só chegou àquele resultado porque Deus lhe infundiu características, dons, vida, deixou-o respirar naquele dia para que ele conseguisse chegar àquele momento e provavelmente o Espírito de Deus estaria com ele naquele momento.

para às vezes ele chegar àquela conclusão. Por isso é loucura. Nós não entendemos, mas possamos ser humildes e perceber que essa loucura faz-nos muita falta. Sem dúvida. Olhando para a sabedoria humana, nós temos muito que palmilhar e caminhar em direção a Deus para podermos ser mais fortes e podermos ter condições que nos levem a uma resposta clara daquilo que nós necessitamos. Nós estamos praticamente, enfim, a chegar ao fim do nosso programa, da nossa da nossa conversa, mas ainda temos aqui a oportunidade de entrarmos num aspecto

Arrependimento e perdão

também interessante da mensagem que Paulo levava, não é? E eu gostava que nós pudéssemos ir a Atos capítulo 13, porque no livro de Atos, que não tem muito a ver, digamos assim, com Coríntios, é uma sequência, mas não foram produzidos para o mesmo fim, Atos capítulo 13, versículo 31, melhor, 38, diz-nos... Pedro, nós vamos fechar o nosso programa, mas vou-te dar a oportunidade de poderes dar aqui uma resposta a esta ideia.

No fundo, Qual deve ser o nosso comportamento pessoal à mensagem da cruz e, ao mesmo tempo, qual a certeza do perdão em Cristo que, no fundo, impacta a vida diária de todos nós como crentes? É, se não houver uma resposta pessoal a estes conceitos que estamos aqui a explorar e ao significado da cruz, então isto é absolutamente letra morta. São ideias, são conceitos, é religião. Nós sabemos bem que a essência da fé é vida, traduz-se na vida. E a cruz, em concreto, E tudo o que ela significa é claro que tem que ter uma tradução depois em muito do que são as nossas experiências, nossas escolhas, nossa maneira de viver.

Então eu proponho aqui uma espécie de sequência, que me parece mais ou menos lógica, de como os impactos de cruz sobre a nossa vida podem ser sentidos. Eu começaria por dizer que a resposta inicial a uma compreensão de que Deus se entregou a si mesmo precisa de ser o arrependimento. que é eu reconhecer que aquilo aconteceu por causa das minhas escolhas, das minhas escolhas erradas. A cruz representa essa ideia de que o perdão é oferecido gratuitamente. Porque se fosse possível ser eu a sofrer a pena e que essa pena fosse suficiente, isso aliás é a lógica da justiça humana, que ela é retributiva. Eu cometo...

As leis definem qual é a dimensão da consequência para uma coisa errada que eu fiz. E, por isso, uma pessoa que, por exemplo, é presa, ela cumpre os seus anos numa prisão e, no fim, ela está totalmente restaurada. É como se ela pagou a dívida que tinha à sociedade. E, em princípio, nós não devemos mais tratar aquela pessoa como um criminoso, no sentido em que há uma espécie de expiação da medida da culpa da pessoa por causa da culpa que ela assumiu e da consequência. Como nós não estamos a assumir a consequência do nosso pecado, significa que é uma coisa que nos está a ser oferecida, creditada, como às vezes dizemos. Logo, a primeira resposta tem que ser o quê? Arrependimento.

Porque como eu não tive que cumprir a pena, factualmente, então... É gratidão. Arrependimento é o quê? Arrependimento é gratidão. É dizer, realmente, eu não mereço, eu não quero mais ser assim, eu arrependo-me. Então, atos, estávamos a ler em atos, o apóstolo Pedro tem uma das frases mais célebres naquele discurso, no Pentecostes, quando ele diz, arrependei-vos e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados. É o que nós podemos fazer, como nós não vamos dar a nossa vida, ela não tem valor para isso, nós precisamos de nos arrepender. E é daí que nasce o potencial de depois isso ter outros impactos na nossa vida. Mas a verdade é que depois disso esta consciência do perdão de Deus é uma coisa muito libertadora.

A ideia de que eu não estou condenado. O que isto traz é que não é apenas que o pecado me é perdoado, é de que a culpa é removida. É de que eu posso, nesse sentido, andar de cabeça erguida, não com orgulho próprio, porque nem veio de mim. Mas eu não tenho que viver como um condenado. Nós temos textos, como do apóstolo Paulo, em Romanos 8, muito conhecido, claro, o primeiro versículo que diz... Então, nós não temos que viver com uma espécie de amargura, com a cabeça baixa, desesperados, porque se há alguma coisa que a cruz nos oferece é essa ideia de que nós não estamos condenados.

Então, nós não precisamos de viver como condenados. Alguém foi condenado no nosso lugar e nos libertou. Essa humilhação, ele sofreu. Na prática, o que isto significa? Que eu posso viver com aquela paz, a serenidade de quem sabe que é possível

Liberdade em Cristo

viver uma vida restaurada. Por isso, o peso de viver debaixo do peso da culpa é uma coisa que os cristãos não precisam de viver. Existem, por vezes, mecanismos e até uma certa abordagem ao cristianismo que de alguma forma coloca sobre o cristão a ideia de viver sobre a amargura de um peso. E é isso que nós temos que compreender, que o cristianismo é uma religião de liberdade. Porque se não, então não valeu apenas Jesus ter assumido a culpa e o peso. Nós não vivemos debaixo de um jogo em que, usando um pouco aquela imagem do que já foi, se é que não é ainda para alguns, mas nós temos imagens mais do passado, associadas muito ao que foi depois a reforma protestante, que foi essa ideia de que alguém compreendeu que a liberdade em Cristo significa que eu não preciso me martirizar autocondenar, por exemplo, a flagelação.

Durante muitos séculos o cristianismo era uma religião de auto-flagelação. Podia ser física. Tu flagelavas-te porque és tão mau que é uma maneira de... Sofre para entenderes o quanto és mau. Hoje talvez não vivemos isso, mas vivemos, sei lá, o pagamento de promessas. Sim, há outras formas. Há outras penitências. São penitências. Não só há muitos cristãos que vivem isso, mas pode haver cristãos que vivem numa espécie de penitência, que é uma ideia de que é através de certos comportamentos que tu vais te esforçar para ter, e eles são tão bons e tão puros, esses comportamentos, e tu esforças-te para os ter, mas na verdade é uma luta contra Deus. Tu estás a tentar lutar para ter esse comportamento. Então, isso é um cristianismo, não é de liberdade, é de condenação.

Mas a certeza de que Cristo já sofreu por mim, isso tem que me trazer liberdade, paz, confiança e segurança. É muito importante que os cristãos sejam capazes de viver isto. Agora, é evidente que isto depois faz o quê? Isto depois tem implicação nas minhas escolhas, na minha maneira de viver. E isso afeta também o meu caráter, o meu comportamento. que é, como quem diz, a minha ética. Então, se eu me arrependi e se eu estou livre e não vivo sob a condenação, é claro que isso afeta a maneira como eu vivo, como eu escolho, como eu me comporto, se quiséssemos colocar nesses termos. O apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 5, dizia que se alguém está em Cristo, nova criatura é. Portanto, não pode ser a mesma criatura.

E a boa notícia é que não depende só de nós. É que ao morrer por nós, Cristo disponibiliza o poder que necessitamos para essa vida nova. Jesus disse que não se preocupem porque o Espírito Santo virá sobre vós. Só aí é que vocês terão a virtude e o poder para conseguir viver isto. Há um texto que acho muito interessante, o Apóstolo Paulo também, que estamos hoje aqui a citar, de muitas formas, a Tito 2.11, que ele diz porque a graça de Deus ensina-nos a renunciar à impiedade. Este texto faz uma ligação muito interessante entre a renúncia à impiedade, mas que isso vem da graça de Deus. É uma coisa que é dada, por isso não é, mais uma vez, um caminho de sacrifício. Mas é evidente que a quem experimenta o perdão de Cristo não permanece igual.

Começa a ganhar um discernimento. Até a gratidão nos faz ter atitudes diferentes. Ainda aqui nesta vida, quando alguém fez uma coisa boa por nós, nós passamos a tratar essa pessoa de maneira diferente e até à nossa volta a ter comportamentos diferentes. E, portanto, a cruz tem este potencial de nos fazer ter experiências e sentimentos diferentes. Estamos mesmo no final, mas eu queria muito rapidamente que cada um de nós

Conclusão

pudesse fazer um resumo a esta conversa. Vou começar pela Hortelinda. Hortelinda, o que é que nós podemos dizer mesmo como remate final àquilo que foi a nossa conversa de hoje? É que a cruz é a oferta de Deus para nós, ao nosso problema. Ela é suficiente para aquilo que nós necessitamos. mas ela será sem nenhum valor se nós não nos apropriarmos dela e não a tornarmos um motor para a nossa vida aqui. É poder disponível. Claro. Pedro? A cruz é trono porque Deus governa a partir da humildade. A cruz é púlpito porque Jesus prefere o amor de Deus e a cruz é santuário porque é um lugar de encontro e de reconciliação.

Ruben? Acho que só podemos agradecer a Deus e dizer, especialmente a Jesus, obrigado. Obrigado pelo que fizeste e pelo que estás a fazer através do teu santo Espírito em nós, porque nós não éramos capazes. Sem dúvida. E se tiver essa oportunidade, agarre-a com os dois braços e não perca Cristo da sua vida. porque ele sem dúvida que tem a solução para todos os problemas que possam

Encerramento

existir e ao fim de contas para lhe dar o gozo eterno, a vida eterna. Estamos de partida, voltaremos para a semana, mas antes de nos irmos embora eu quero só relembrar-lhe muito rapidamente que temos este guia de estudo, eventos finais, onde você poderá extrair várias conclusões sobre os dias em que nós estamos a viver. Fala-nos sobre o conflito cósmico, por exemplo. Não sei se você tem muito presente este tema, se já estudou sobre este tema, então solicite o Guia de Estudo e Eventos Finais para o 933 93 92 91 e de certeza que será um momento agradável de pegar neste estudo e de poder fazê-lo tranquilamente em sua casa. Quanto a nós, voltamos para a semana para falarmos sobre a unidade em Cristo.

Até lá, fique com a sua Bíblia aberta e com Jesus também.

A nossa oferta

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Eventos Finais

Sobre este episódio

Neste episódio do Bíblia Aberta, a conversa centra-se na poderosa mensagem da cruz e no seu significado para a vida de cada cristão.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 2
Estreou
05 de Julho de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte