Tudo para a glória de Deus

Tudo para a glória de Deus

25 de Julho de 202657 min 21 s

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Legendas Olá viva, seja bem-vindo a mais um episódio do programa Bíblia Aberta. Semanalmente nós estamos consigo e podemos entrar em sua casa através do canal 186 da Mel. Somos a TV Novo Tempo Portugal e também conseguimos estar consigo sempre que é possível, sempre que está no seu carro ou a viajar, pela comunidade Amara.org poderemos estar consigo através da Rádio RCS nos 91.2 FM, sobretudo na Grande Lisboa. Também estamos nos canais do Youtube, quer da TV Novo Tempo Portugal, quer também da Rádio RCS, portanto aí poderá ver-nos várias vezes, poderá voltar para trás, poderá ver outros episódios que já estão registados para que consiga perceber a sequência de toda a temática que levamos durante uma temporada.

Voltamos a estar com uma equipa, com amigos que trabalham no Ministério e que de alguma maneira nos ajudam a podermos encontrar nas Sagradas Escrituras ideias, conceitos e conclusões tão precisas e por isso foi tão bom na semana passada à conversa que voltamos esta semana a ter os mesmos protagonistas. Comigo estão três amigos, o Pedro Esteves, olá Pedro, obrigado mais uma vez por estares no programa Bíblia Aberta, a Hortelinda Gal, que volta a estar connosco, é sempre um gosto. Obrigado Hortelinda pela tua presença e voltamos a ter o António. António Rodrigues, obrigado por mais uma vez nos encontrarmos neste programa para podermos falar sobre as coisas que Deus deixou e neste caso estamos focados nas duas epístolas que Paulo escreveu aos Coríntios.

Na semana passada, nós fomos até à noção de que, sendo nós um templo que Deus definiu como o templo para o Espírito Santo, e para que ele faça morada, nós temos que fugir de tudo aquilo que são as imoralidades deste mundo, todas as coisas que não fazem parte do plano de Deus. Vimos isso na semana passada. Esta semana vamos continuar a olhar para alguns dos problemas e das situações que existiam nesta igreja e que Paulo vai assinalar, não é? E vai também sempre dar-nos a ideia de como é que nós podemos fugir. Neste caso ele vai chamar muito de idolatria, das coisas que não são para a glória de Deus. porque ele diz que tudo deve ser para a glória de Deus. Vamos então entrar um pouquinho neste tema. Vamos falar agora um pouco sobre o conhecimento, o conhecimento que pode edificar a nossa vida ou até destruí-la.

Conhecimento e orgulho

Vamos a 1ª de Coríntios capítulo 8. Você que está aí em sua casa e se tiver a sua Bíblia à mão, abra em 1ª de Coríntios capítulo 8. Hoje vamos centralizar a nossa conversa um bocadinho neste capítulo. Capítulo 8, versículos 1 a 3, que diz E quanto aos sacrificados, aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica. E se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele. António, vou começar por ti. Em que situações o conhecimento pode gerar, de alguma forma, orgulho na nossa vida? Este tal inchados que Paulo fala.

Será que nós podemos, de alguma forma, distinguir entre aquilo que é o conhecimento saudável, o conhecimento que edifica e, de outro lado, o conhecimento que nos deixa inchados? Claro que sim, porque o próprio apóstolo fala-nos aqui dizer que o amor edifica, não é? A ciência incha, ou seja, o conhecimento, o intelectual, a aprendizagem, em muitos casos faz a pessoa achar que é alguém que é superior, que domina tudo, mas isso incha, mas o amor edifica.

Então, no ponto de vista bíblico e na nossa vida religiosa, nós temos que conjugar as duas coisas e não separá-las. Um conhecimento sem amor é um grande obstáculo à vida espiritual. Pode haver muitas pessoas dedicadas ao estudo da Bíblia e intelectualmente conhecem, mas não conhecem o amor de Deus na sua vida. E isso é um grande obstáculo para o seu desenvolvimento espiritual, porque é verdade que no mundo, nós dizemos o mundo, ou seja, fora da área religiosa, as pessoas procuram conhecimento para saber mais do que os outros.

Mas na Bíblia não é assim. Nós aprendemos, ou também pesquisamos e queremos alcançar esse conhecimento, mas não é para ser melhor do que os outros, mas pelo contrário, para estar ao serviço dos outros. Porque quanto mais aprendemos, mais podemos ajudar aqueles que estão à nossa volta. E o próprio Jesus deu o exemplo, porque no seu tempo havia classes, os fariseus, os saduceus, os escribas, que se achavam intelectualmente as pessoas mais conhecedoras, superiores aos outros. E Jesus, sendo superior a essas classes, nunca o demonstrou.

Pelo contrário. Se fez homem, se fez humilde, vivia e lidava com as pessoas sem nenhuma superioridade. Igual. E é aquilo que nós aprendemos na Palavra de Deus. Eu, de uma vez, dei estudos bíblicos a um professor de matemática. Foi ele que me pediu para estudar a Bíblia. Eu disse, pastor, eu precisava de conhecer a Bíblia. Então comecei a estudar a Bíblia com ele. Chegou ao meio dos estudos, nós tínhamos um grupo, 20 lições. Quando foi para a décima lição disse, pastor, eu peço muita desculpa, não é por si, mas eu não quero mais ler a Bíblia. Não quero mais estudos da Bíblia. Eu disse, mas o que é que se passou? Disse alguma coisa que o professor não gostou? Não, não, não. Isto aqui é muito simples.

Eu pensei que era uma coisa muito mais intelectual, uma coisa muito mais que me desse capacidade para ser ainda melhor. Mas realmente é a verdade. É uma habilidade tão simples, tão simples que não serve para si. E isso faz a diferença. Quando nós procuramos uma vivência com Deus para nos aproveitarmos, para pensarmos que somos alguém, para demonstrar que eu conheço, eu sei os textos da Bíblia de todos os corpos, eu conheço a vida toda de Jesus, mas para quê se eu conheço, se eu depois não executo, se eu faço sem amor, se eu não uso esse conhecimento para o serviço de Deus? E era isso que Jesus fazia, ou seja, Jesus praticava, não é? Exatamente, exatamente. E Jesus também disse no Sermão da Montanha, bem-aventurados, os mansos e humildes de coração.

Aqueles que não procuram valorizar-se a si próprio, aqueles que não procuram a vaidade, aqueles que não procuram a soberba, que não querem desprezar os outros. Mas os outros, aqueles que aprendem para poder ajudar, para poder compreender as necessidades do próximo, para baixar quando é preciso baixar, para crescer quando é preciso crescer, para sentar no chão quando é preciso sentar no chão e sentar no trono quando é preciso sentar no trono. Mas temos essa elasticidade bíblica que Jesus nos faz compreender que nós, seres humanos, nós não somos nada. Eu, infelizmente, tenho encontrado algumas pessoas que acham que sabem tudo, que conhecem tudo, que dominam tudo.

Mas no fundo, nós olhamos e dizemos, esta pessoa é um pobre, miserável, é um cego e é um nu espiritual. Está despido completamente. O próprio Jesus disse, se quiseres chegar, se quiseres ser o primeiro, tens de tornar o último em primeiro lugar. E o conhecimento que nós adquirimos, o chamado intelecto, deve servir para estar ao serviço de Deus. ajudar a amar a Deus e amar o próximo. Então, eu tenho que usar aquelas ferramentas que Deus me dá nessa aprendizagem, nessa disponibilidade, para eu ajudar o necessitado, para eu explicar àquele que não compreende, para motivar o desanimado, para trazer luz àquele que está na escuridão.

E quando essa capacidade, digamos, esse intelecto traz É esta dinâmica, é esta abordagem de motivação, de trazer Cristo à vida das pessoas, mostrar que Jesus está acessível e que não é pelo conhecimento que eu não sou um cristão. É pela prática desse conhecimento. Claro, se eu não quiser ter conhecimento, também sou livre, mas eu vou ser um ignorante. E ser um cristão não é ser ignorante, é ter conhecimento. Mas não é um qualquer conhecimento. É o conhecimento que o Espírito Santo nos traz. E é movido pelo Espírito Santo que nós devemos executar, exercer esse conhecimento. Não para a vaidade, não para a ciência própria, mas para colocar toda a nossa vida, todos os dons que o Senhor nos dá, ao serviço de Deus.

E para alavancar outros que vivem por vezes. Ah, eu não consigo. Eu, por exemplo, estou estupido porque uma pessoa que tem dificuldades e ela quer deixar de fumar e não consegue. Para mim é fácil, eu não fumo. Eu não tenho nenhum problema em deixar de fumar. Eu não fumo. Mas para a pessoa é um problema. A pessoa já tentou, não consegue. Já fez, não consegue. Então, o que é que eu devo fazer? Não é porque eu não fumo. Ah, isso é tão fácil. Não, eu tenho que compreender a dificuldade que a pessoa tem. Tenho que ter empatia com a pessoa. Tenho que exultá-la de uma forma como o Senhor me exorta em outros aspectos que eu também não vou conseguir. daí o conhecimento não vem para ser superior aos outros, vem para me colocar ao serviço do próximo, baseado nos princípios de Deus, então sim, estou a fazer o

Renunciar por amor

bom uso desse conhecimento. E seguindo esse princípio que tu enumeras, quer queiramos, quer não, em muitos momentos da nossa vida nós temos que renunciar. Mas Paulo leva-nos à ideia de renunciar, em algumas das nossas posições, por amor a algo maior do que aquilo que nós temos. Se formos a 1ª de Coríntios, capítulo 9, No versículo 12 nós vamos encontrar aqui esta ideia de renunciar por amor. Mas nós não usamos deste direito, antes suportamos tudo, para não pormos impedimento ao Evangelho de Cristo. Para ele o Evangelho de Cristo era, digamos, a estrela, como o Pedro falava na semana passada, está lá no alto, mas é o nosso objetivo principal.

Hortelinda, que princípio Paulo revela aqui sobre esta abnegação quando ele fala de renunciar aos próprios direitos? Será que isto se pode aplicar hoje nas nossas situações mais diversas da vida, das práticas que nós temos na nossa vida? A palavra abnegação é uma palavra que cheira um bocadinho a mofo, não é? É uma palavra que está lá no baú das coisas velhas e que nós já não usamos. Mas o que é pior é que o próprio conteúdo da palavra abnegação Também temos dificuldade em pôr em prática, como tu já disseste, a renúncia, o altruísmo, o espírito de sacrifício, a capacidade, portanto, do desinteresse próximo, do próprio.

Portanto, são atitudes fora de moda. O que está na moda são as exigências, as reivindicações dos nossos direitos, a satisfação dos nossos desejos, a gratificação imediata dos nossos apetites, exigindo muito dos outros, enfim, a todos os níveis dando pouco. sobretudo a nível dos relacionamentos, esperamos tanto do outro, estamos sempre na expectativa de que os outros preencham as nossas necessidades e expectativas e nem nos questionamos o que é que o outro pode esperar por tanto de nós. Pois eu penso que este princípio que o apóstolo está aqui anunciando da abnegação é uma atitude voluntária de se privar de algo, algo a que temos direito, algo a que é bom, algo a que é caro para nós, mas em prol de um bem maior para favorecer os outros.

Finalmente é ser capaz de renunciar E esta renúncia é a maior prova de uma personalidade madura. Uma personalidade madura é caracterizada por esta capacidade de renunciar, de estar acima, portanto, dos seus desejos, da imediatez. e de ser capaz, portanto, de se orientar por uma atitude de altruísmo em prol dos outros. Podemos dizer que da parte do apóstolo é interessante que ele não apresenta isto como uma obrigação. Ele apresenta isto como uma escolha, não é também um sacrifício.

É um sacrifício, mas é voluntário. Portanto, ele faz tudo isso, como tu disseste, para o bem do Evangelho, para servir a Igreja, para alguma coisa maior do que ele, que ele considera maior do que ele. e que realmente não é ele. Ele fala de livre vontade, de espontânea vontade. Isso vai alinhá-lo realmente com a pessoa de Jesus, não é? A pessoa de Jesus que também disse que ninguém tira de mim a vida. Eu de mim mesmo o adoro." Portanto, o seu sacrifício por nós foi um ato voluntário. A nível da renúncia, Jesus é realmente o expoente máximo do que é um espírito de renúncia, não é? Como diz Filipenses 2, aquele que era em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, na forma de homem e na forma de servo.

Foi obediente até à morte e morte de cruz. Portanto, Jesus desce para que o homem possa subir. Eu gosto muito de um pensamento que tem os judeus na sua tradição. Eles dizem que Deus para criar, Deus recuou. Porque Deus é o todo, Ele és tudo, é o todo. Para criar espaço para criaturas suas, Deus recuou. Ou seja, Deus cedeu. cedeu espaço e Deus cedeu mais do que isso. Podemos dizer que, sobretudo, Deus recou na sua liberdade. Para criar seres livres como nós, Deus recou na sua liberdade. Ele não pode fazer tudo o que quer, porque Ele nos deu o livre-arbítrio e nos tornou livres. Portanto, aí vemos o amor de Deus nessa renúncia, para nos tornar o mais semelhantes a Ele possível.

Para que isso fosse real, Deus pôde realmente Ou seja, Deus não é limitado, mas nós limitamos Deus. Deus não é limitado, mas limitou-se voluntariamente, cá está, para que o homem pudesse ser. Eu costumo chamar a isso, às vezes falo sobre esse tema, que é o altruísmo radical de Deus. Porque em Deus o altruísmo é radical no sentido absoluto, porque ele existia sem que o outro existisse. Enquanto para nós o altruísmo é uma coisa sempre condicionada, porque eu posso ser altruísta, mas, no fim de contas, eu até ganho sempre alguma coisa. Nem que seja na imagem que projeto, ou seja, eu ajudo o outro, mas sinto-me bem em ajudar o outro. Então, eu estou a ser altruísta em ajudar o pobre, mas aquilo dá-me uma sensação de satisfação, de dever cumprido, que, no fundo, também pode ser...

É um retorno. Mas o altruísmo de Deus é radical porque a própria existência do outro era uma não necessidade. Era como se Deus estivesse melhor sem ninguém. Não teria problemas. Ele era suficiente. Portanto, a própria existência do outro é a prova de que Deus quis que o outro existisse. Ele diminuiu-se só por o outro existir. Vemos então que a renúncia está ligada realmente à qualidade da vida. Na medida em que somos capazes de renunciar pelo outro, que realmente contribuímos para que a vida do outro possa realmente ser aquilo que ela pode ser. E poderemos pensar quão diferentes seriam os nossos relacionamentos humanos se realmente nós tivéssemos esta capacidade.

de dizer ao outro, está bem, leva a bicicleta, eu posso perder, eu posso realmente ficar prejudicado na igreja, no lugar de trabalho, em qualquer relacionamento. Esta renúncia marca a qualidade dos relacionamentos. Eu recuar para fazer, portanto, face ao outro. E é importante dizer, tanto em Paulo como em Deus, é uma qualidade que é o fruto do amor, por querer o bem do outro, mas é também uma qualidade de vontade. Deus renunciou porque Ele quis. Jesus veio a este mundo renunciando ao que Ele tinha no céu porque Ele quis. O apóstolo renuncia aos seus direitos de apóstolo, de ter, de possuir, de obter, porque Ele quis.

Ele quis isso em prol, portanto, de um benefício maior, portanto, para todos. Então quer dizer que a renúncia é um ato de vontade. Nós podemos decidir tomar esta atitude de não sermos reivindicativos, não querermos ocupar o primeiro lugar, não querer aceder a todos os nossos direitos, a tudo aquilo a que temos direito, a poder prescindir de nós para o outro. E isto é qualquer coisa que engrandece o ser humano, porque o ser humano que prescinde, tal como Deus, o ser humano que pode prescindir de si, Ele revela que é um ser que se possui, porque eu só posso dar aquilo que eu tenho. Quando eu me dou, é prova de que eu cresci, sou maduro, me possuo e eu posso dar, ceder, portanto, ao outro.

E claro que esta atitude nos vem de Deus, do trabalho do Espírito Santo em nós, que nos torna capazes. de recuar, de deixar, portanto, o espaço para o outro. O apóstolo Paulo descreve um pouquinho mais longe, na primeira epístola, no capítulo 9, ele diz que eu assim corro, não como uma coisa incerta, assim combato, não como batendo no ar, subjugo o meu corpo, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão. Ou seja, ele era senhor de si próprio. Por isso é que ele podia dispor de si. Quando não podemos dispor de nós, É porque ainda somos crianças. As crianças não podem dispor. Ainda somos meninos espirituais. Precisamos de crescer, mas crescemos realmente com a Palavra, com o Espírito Santo, com esta nossa ligação a Cristo Senhor.

Paulo tinha o seu foco não nele, mas em Cristo. Em Cristo. E como alguém disse, quem tem um porquê pelo qual pode viver, pode suportar qualquer como. Foi Nietzsche que disse, vou ler melhor, quem tem um porquê para viver pode suportar qualquer como. Não é porque... Podemos ir longe porque realmente temos o tal motivo que é Cristo. Que é Cristo, o Evangelho de Cristo. Há um outro aspecto que podemos também entrar e assinalar aqui e desenvolver um bocadinho que é a questão da confiança e da autoconfiança. São duas coisas que nós temos que separá-las, diferentes.

Confiança e autoconfiança

E em 1 Coríntios 10, se formos agora ao capítulo 10 de 1 Coríntios, nos versículos 12 e 13, vamos ver que Paulo vai diferenciar estas duas áreas. Não veio sobre vós tentação senão humana, mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis. Antes, com a tentação, dará também o escape, para que a possais suportar." Esta passagem é muito bonita e é reconfortante quando nós a lemos e quando nós meditamos sobre ela. Pedro, como é que nós podemos equilibrar esta confiança que nos é requerida, não é? Deus próprio diz, confia em mim, não é?

Deus pede que tenhamos confiança, esta confiança espiritual com esta vigilância que Paulo assinava aqui. Realmente é um tema muito pertinente para nós. Há aqui conceitos que podem ser confundidos ou estar próximos, mas são muito diferentes. A vigilância, que é um alerta constante que a palavra faz, Jesus falou muito sobre isso, a vigilância é uma atitude do crente que nasce do reconhecimento da sua fragilidade espiritual. Mas onde há uma certa ironia nisto é que o reconhecimento da minha fragilidade, na verdade, é a maior força do crente. porque me prepara e habilita para entender, para estar alerta, para não cair tão facilmente.

Então, a ideia é esta. Paulo começa aqui este texto com este aviso direto de que quem pensa estar firme tenha cuidado porque pode cair. Por isso é que na vida cristã, e eu até, Admito que isto seja um princípio mais abrangente do que apenas a vida cristã, embora obviamente que aqui o nosso sistema é mais a nossa vida espiritual. O perigo, o maior perigo para o crente não está na alguma fraqueza própria, por uma tendência, por uma coisa herdada, por o que cultivou. O maior perigo está na ilusão de que temos força. Porque essa ilusão, ela abre a porta a que eu deixe de estar alerta e de cuidar.

Por isso é que, tantas vezes, a Bíblia fala dessa ideia de que é quando sou fraco que estou forte. É um pouco essa dicotomia ou esse paradoxo de que, por exemplo, há áreas em que nós temos um talento natural, vamos dizer assim, podem ou não ser dons, podem transformar-se. O conceito do dom é que está ao serviço, é usado para o bem. Mas uma pessoa tem um talento natural extraordinário. É evidente que esse talento, que também pode ser uma coisa cultivada, ou seja, uma aprendizagem. Uma pessoa aprendeu a dominar um instrumento musical porque toda a vida o estudou. Seja ou não um talento, é uma coisa que a pessoa sabe fazer. Outras pessoas têm uma apetência natural para uma coisa que lhes é super natural.

Essas áreas da vida, normalmente, elas podem ser bênçãos ao serviço dos outros, do reino de Deus. Mas, ao mesmo tempo, as coisas que nós somos naturalmente talentosos são um risco enorme para nós próprios. porque são uma coisa que nós temos mais dificuldade em dominar, porque nos é tão natural. Então a pessoa que é um músico super habilidoso, é evidente que facilmente vai cair na autoconfiança, na ideia de que é muito melhor que os outros, ou em rebaixar os outros, ou, por exemplo, em deixar de cuidar. de não ensaia, não se prepara, vai falhar mais vezes, e é o mais talentoso. Mas falha mais vezes porque não se preparou, porque a sensação tem de, preciso de me preparar.

O outro que não tem talento e, portanto, é metódico, que está ali todos os dias, às tantas, chega à altura do exame e não falha no exame. É o melhor aluno que tira a pior nota. Sim, é um pouco isso. A pessoa é potencialmente o melhor aluno, mas pode tirar uma péssima nota. Ou seja, há muitas áreas da vida em que, se nós não estivermos atentos, as nossas forças tornam-se as nossas maiores fraquezas. E é interessante que o apóstolo Paulo claramente aqui está a fazê-lo, mas esta é uma grande verdade que a Bíblia também nos apresenta. O texto de Jeremias é um dos mais célebres, Jeremias 17, 9. Enganou-os é o coração mais do que todas as coisas. Porque o coração diz-nos coisas, que elas podem parecer verdade, às vezes coisas sobre nós. E por isso, umas vezes pode ser a dizer que és o maior, ou tens razão, outras vezes o nosso coração vai dizer-nos que não prestas para nada.

És feia. E a pessoa é lindíssima, mas o coração pode dizer que és feia ou que és feio. Então, o coração engana-nos porque nos diz coisas, aquela é a nossa voz própria, o nosso autodiálogo, que às vezes é enganoso, porque nos diz, para o bem ou para o mal, diz-nos coisas de nós que não são a realidade, de tudo para a realidade. E por isso a Bíblia é maravilhoso pensar que a Bíblia tem tanta sabedoria que nos ajuda a equilibrar estas coisas. Por isso Jesus dizia, ok, vigiai e orai para que não entreis em tentação, porque o espírito está pronto mas a carne é fraca. O que eu acho muito interessante nestas palavras de Jesus é o contexto em que elas foram ditas. Ditas que é uma passagem que eu admiro imenso, acho que mais estudo e prego até.

Jesus leva três dos seus discípulos para o Getsemane. antes mesmo do seu julgamento e da sua morte. Um momento soleno, um momento fortíssimo. Jesus vai depois ter aquela oração em que ele luta com o Pai. Está naquela angústia. Ele próprio diz, estou angustiado. É um texto extraordinário porque Jesus torna-se muito vulnerável, coisa que não costumamos ver tanto. Ele ali tornou-se mesmo vulnerável. Disse a estes três, eu estou angustiado, estou triste. Até à morte. Até à morte. Eles até devem ter ficado admirados com aquilo. E vai orar. Mas mesmo assim, eles não conseguem entender a dimensão do quão solene e importante era aquele momento. E o que é que a história diz? Que Jesus vai orar, vai àquela luta, quando volta eles estão a dormir. E nós percebemos, está lá claramente, que Jesus ficou desiludido.

Cria-lhe uma certa angústia. Ele diz, então não pudestes orar e vigiar comigo uma hora. Parece-me uma desilusão. Porquê é que o contexto é muito interessante para quem... É nesse contexto que Jesus vai dizer, vigiem e orem, porque a carne é fraca. O contexto é este. Jesus chamou aqueles três, em princípio... Cá está o paradoxo desta história. Jesus tinha 12 discípulos, já era um grupo muito seleto entre muitos outros homens e mulheres que seguiam Jesus. Ele já tinha os 12, a quem ensinava, preparava e enviava. E depois, por razões que há muito debate sobre, não interessa agora aqui, há aqui três, aquilo vai dar uma espécie de... de bónus. Bónus, um extra.

leva àqueles três. Pelo menos que ele pense que eles são mais disponíveis. Podia ser isso, portanto. Jesus podia dizer que estes três têm mais força, são mais maduros, são mais relevantes, fosse qual fosse a razão. Jesus leva àqueles três. Em princípio nós dizemos que aqui estão os três mais importantes, estes são os especiais. Ou seja, são os mais fortes. Só que a história vai... O paradoxo é que a história revela que ele devem ser os piores de todos, porque são os três que não conseguiram perceber o solene que era àquele momento e adormecem. Então, a força destes discípulos, que era a bênção de serem os privilegiados, de estarem tão perto de Jesus, de poderem ter tido o privilégio de orar com ele, No momento, eles seriam os únicos.

E viu-o acompanhar num momento mais crítico. Podiam estar ao pé dele, acompanhá-lo, podiam pôr-lhe a mão em cima, podiam dizer-lhes, Senhor, estamos aqui contigo, vamos orar juntos. E perderam essa oportunidade porque estavam distraídos a dormir, ou estavam cansados, ou tinham sono, seja o que for. Então nós percebemos aqui o problema da autoconfiança espiritual, é que ela leva-te a uma negligência. Tu deixas de entender o momento que estás a viver. Por isso, Nós precisamos de aprender este equilíbrio entre confiar plenamente em Deus, mas não relaxar, relaxar do ponto de vista espiritual, ao ponto de deixar de trabalhar, de me preparar, de ser vigilante. O apóstolo Paulo aos filipenses dizia, trabalhai a vossa salvação com temor e tremor.

É um trabalho a fazer, é uma dedicação. E muitas vezes isso vem dessa humildade de dizer assim, eu posso ser cristão há 40 anos, posso saber a Bíblia para trás e para a frente, mas não chega aquilo que eu conquistei. Então isso leva-me a esse equilíbrio para evitarmos os dois extremos. No fundo a conclusão que eu quero chegar é esta. Um extremo seria a autoconfiança que me leva a cair, o outro seria o desespero que me leva a desistir. Então, a vida cristã madura e saudável, ela tem a humildade de me manter de forma constante, reconhecer que eu não sou capaz, mas ter confiança que Deus é fiel, que me vai ajudar e que eu hei de conseguir aquilo para o qual Deus me chamou.

Tudo isto para a glória de Deus, porque este era o princípio base que estava na gênese, digamos assim, do objetivo de Paulo. Nós estamos com a Bíblia aberta porque este é o programa para estarmos com a Bíblia aberta e podermos desfrutar das coisas boas que Deus nos deixou e que o Espírito inspirou, mas neste momento temos de ir para intervalo. Será um intervalo muito curto, não saia do seu lugar porque a conversa começa já a seguir.

Idolatria moderna

TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Cá estamos de novo para a segunda parte do programa Bíblia Aberta. No episódio de hoje nós estamos a falar sobre um tema muito querido e muito importante para Paulo. Todas as coisas deveriam ser para a glória de Deus. E eu creio que esta também é, digamos, uma mensagem muito importante para nós, nos nossos dias, de podermos olhar e tudo aquilo que nós fizermos, tudo aquilo que nós somos, podermos ser e fazer para a glória de Deus. Vamos retomar a conversa, mas antes de podermos voltar aos textos que temos assinalados no nosso guião, eu gostava de lhe dizer que tenho um novo guia de estudo para lhe oferecer.

É um guia de estudo sem tabus. Não sei se é o seu caso. Mas, se houver tabus na sua vida, talvez este guia de estudo possa ser bastante interessante, porque o objetivo é sem tabus. Então, este guia de estudo tem por tema o casamento, a pornografia, a sexualidade, São temas, inclusive, que nós vamos falando aqui nos episódios da Bíblia Aberta e, sobretudo, na semana passada, tivemos o cuidado de analisar um pouquinho estes temas. Então, se quiser saber mais sobre estes temas à luz da Palavra de Deus, faça o seu pedido para o 933 93 92 91, 933 93 92 91. Envie uma mensagem a partir de agora e nós vamos ter muito gosto em enviar-lhe gratuitamente para a sua casa.

A Revista Sem Tabus. Sem tabus também, porque vamos aqui encontrar várias coisas que são precisas dizer, não podemos guardá-las para nós e o próprio Paulo também não as guardou somente para ele, deu-as a conhecer a todos aqueles que estavam à sua volta ou relembrou. Vamos voltar à conversa, nós já vimos vários pressupostos que Paulo enumera para que tudo seja para a glória de Deus. Vamos entrar aqui num outro que nós consideramos importante, que está em 1ª de Coríntios, capítulo 10. Vamos um pouquinho mais longe. Se tiver a sua Bíblia à mão, continue com ela aberta. Em 1ª de Coríntios, capítulo 10, vamos ler os versículos 20 e 21. E diz que antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios e não a Deus.

E não quero que sejais participantes com os demónios. Não podeis beber o cálice dos senhores e o cálice dos demónios. Não podeis ser participantes na mesa dos senhores e, ao mesmo tempo, na mesa dos demónios. António, que formas modernas, e vamos colocar a pergunta assim, que formas modernas de idolatria podem de alguma forma coexistir com a fé cristã? E como é que nós podemos, nós hoje que somos cristãos do século XXI, os cristãos que vivem neste mundo atualmente, como é que nós podemos estar alerta para não sermos enganados? Muito bem, eu creio que as palavras de Jesus em Mateus capítulo 6 verso 24, elas são muito importantes porque, bom, eu vou ler aqui o texto, ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezerá o outro.

Então, nós também não podemos servir a Deus e a mamão ou às riquezas. Neste caso, aos demónios, como Paulo fala. Neste caso, aos demónios. Tudo isto é um contexto. Nós já vimos na semana passada questões em que a Igreja de Coríntios praticava. que aceitavam, coisas em que eram condenadas por Deus, são condenadas por Deus, a imoralidade sexual. E quando nós pensamos que podemos amar a Deus e praticar o que Deus não aprova, entramos aqui desta dicotomia, sim, do cálice de Cristo e o cálice dos demónios.

Só que nós não podemos servir a dois senhores. Não podemos querer o melhor de dois mundos, como se costuma dizer, não é? É daí que nós aprendemos nos textos bíblicos que cada um de nós deve passar por uma conversão, por uma mudança na sua vida. Todos nós nascemos neste mundo, aprendemos muitas coisas, talvez alguns de nós viemos de uma outra denominação religiosa porque não conhecíamos a palavra de Deus. Como conhecemos agora, temos uma visão bem clara e uma compreensão bem específica da Palavra de Deus e realmente só que dentro de nós e no nosso conceito humano nós temos muitas coisas que nos puxam para o contrário da vontade a Deus.

E isso entra em confronto, entra em dificuldade com a nossa chamada vida cristã. O Pedro também já tinha mencionado isso, de que o Paulo diz, o bem que eu quero não o faço, o mal que eu não quero estou sempre a fazer, miserável homem que eu sou. E aqui é que quando se praticam ou quando se aceitam certas práticas que não estão de acordo com os princípios de Deus, é completamente um desvio aos princípios de Deus. E nós não podemos pensar que estamos a amar a Deus e conseguimos amar o mundo, Satanás agradando e fazendo as coisas que ele quer que nós façamos.

Primeira coisa, daí que no verso 23 diz que nem todas as coisas me são lícitas. Mas eu posso fazer tudo, mas nem tudo me é lícito. Eu posso ser um cristão? Eu de uma vez conheci, eu vou aqui contar uma história rapidamente, eu conheci um senhor que ele tinha uma oficina de carros e ele estava a reparar o meu carro. E telefonou para mim e disse, pastor, venha cá, o carro está pronto, eu tive um acidente com o carro. Eu fui. E ele começou a falar da fé dele. Olha, eu sou um cristão, eu amo muito a Deus, eu sou uma pessoa muito dedicada a Deus. Quer ver? Ele convidou-me a entrar no carro dele.

Ele entrou no lugar do condutor e eu sentei-me ao lado dele. Ele abriu o porta-luvas do carro e tirou uma bíblia. Eu disse, está a ver? Esta bíblia anda sempre comigo neste carro. Eu quero andar sempre com Deus na minha vida. Eu disse, amém, graças a Deus, está tudo bem. Ele voltou a pôr a mão dentro do porta-luvas e tirou uma pistola, um revólver. E tu ficaste tranquilo como estavas, não é? E eu fiquei, o que é que ele vai fazer? E ele pegou a Bíblia de um lado e o revólver do outro. E disse, quando não vai a bem, vai a mal. Eu disse, muito obrigado. E fui embora.

E muitas vezes nós pensamos que o cristianismo chegasse ao ponto. de fazermos algumas coisas que Deus quer, mas de resto eu faço aquilo que eu quero. E misturamos o sagrado com o profano. Misturamos a mentira com a verdade. Misturamos o cálice de Cristo com o cálice de Satanás, com as doutrinas, com as tendências carnais, com tantas coisas que acontecem na nossa vida. E isso realmente é um grande problema. Ou estamos disponíveis para aprender e quando um ser humano aceita ser um cristão, ele tem que pensar numa coisa. Ele torna-se a ser exclusivo de Deus ou passa a ser um exclusivo de Deus. Não tem exclusividade para mais nada neste mundo.

Ou é de Cristo ou não é. Se é de Cristo, fará as coisas de Cristo. Ama a Deus e ama o Próximo. guarda os princípios de Deus e põe em prática. Não pode andar a beber de um cálice quando convém e a beber de outro cálice quando convém. Quando eu preciso, puxo-te do revólver e quando eu preciso, puxo-te da Bíblia. Isso é uma contradição. Eu fiquei assustado com o senhor. Nunca mais eu volto àquela oficina. Porque, pronto, não sei se ele tratava assim bem os clientes, mas ele, com tanta emoção e era efusivo, com a Bíblia na mão... mas depois com a pistola do outro. Isso já foi há muitos anos, mas eu sempre guardei essa história no meu coração.

E por isso é que o Senhor nos chama aqui. Nós não podemos beber das duas mesas. Ou é o cálice de Cristo, ou estamos do lado de Cristo. Ou então não estamos do lado do Cristo. Estamos do lado contrário. E esta é a posição. Por isso é que é uma coisa que, geralmente, faz um bocadinho de confusão às pessoas. Por que é que há uma só Bíblia e tantas religiões? Sei que não é o tema aqui hoje. Mas é confuso. É muito confuso. Um diz, ah, a minha igreja é que está bem. Ah, a outra, a minha igreja... Todas as igrejas estão bem. Mas Deus é só um. Há só um caminho que é Jesus, um só Senhor que é Cristo, um só Deus que é o Pai, também Cristo é, e o Espírito Santo, e um só Conselador. Mas todos nós queremos uma igreja moldada aos nossos princípios.

Uns fumam, uns bebem, uns dançam, uns não dançam, uns cantam, uns não cantam, uns comem carne imunda, outros não comem carne imunda. Isto é uma confusão muito confusa. Nós precisamos de entregar-nos a Deus, deixar que o Espírito Santo nos leve ao caminho da verdade, o caminho certo de Deus. E o Senhor mostrará o caminho, que é a Sua Palavra, e não as nossas tendências

Amar a Deus

nem os nossos gostos. Claro. E Paulo sustenta mesmo a ideia de que há coisas que irritam, irritam o nosso Deus, se quisermos, não é? Para contrariar, no fundo, esta ideia, ele vai colocar aqui o amor como a base para a mudança, para a transformação, para o verdadeiro antigo, se quisermos, não é? Se formos saltar neste momento para Deuteronómio, vamos sair agora... Muito rapidamente de Coríntios e vamos para Deuteronômio, para o início da Bíblia quase, para o capítulo 6, porque nos versículos 4 e 5 nós lemos, Oh Virgael, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu poder.

Pegando nesta ideia, que Paulo conhecia muito bem e que nós hoje também temos o privilégio de conhecer, vem escrita logo no início da Bíblia, Hortlinda, o que é que isto significa na prática? Amar a Deus desta forma tão profunda que Paulo batalhava e mostrava e falava? Não vou dizer que ele era aborrecido, mas ele batia muito nesta tecla. E já agora, como é que nós podemos saber se algo até que seja bom, está a tomar o lugar de Deus. Esse texto é um texto muito importante, considerado por Jesus o texto mais importante de todo o Antigo Testamento. Ele chama a Israel, ouve ao Israel e Jesus vai até alargá-lo um bocadinho.

Jesus vai dizer, sobretudo em Lucas, vai aumentar ainda mais uma dimensão. Portanto, este amor. Este amor é realmente fazer de Deus, amar a Deus desta maneira, é fazer de Deus a nossa prioridade absoluta. É amar-lo de uma maneira total, com todo o ser. É interessante e gostaria de refletir um pouquinho sobre cada dimensão deste amor, que é apresentado aí por cada característica e diz amar a Deus com todo o coração. E o que é isto de amar a Deus com todo o coração? Não é certamente com o nosso músculo cardíaco, não é? Amar a Deus com todo o coração é amar a Deus realmente com as faculdades superiores do nosso ser, que têm a ver com o nosso centro de escolhas, o nosso centro de decisão.

Amar a Deus é intencional. Eu amo a Deus intencionalmente. Eu amo a Deus porque eu decidi amar a Deus. Portanto, Deus pede essa decisão. O amor para Deus é uma decisão. Então, amar a Deus, com o coração, é amá-lo com esta intencionalidade, com esta vontade. Deixa-me só interromper-te e dizer, é recuar para dar o espaço a Deus, não é? É o recuar totalmente para dar o espaço a Deus. Portanto, este amor do coração é, poderíamos dizer, o amor que se quer. Portanto, que é o amor feito de vontade. E depois Jesus diz que é amar a Deus com toda a nossa alma. E o que é amar a Deus com a nossa alma? A alma representa a nossa dimensão psicoafetiva.

Representa as emoções, os sentimentos, os afetos, o apego emocional, os estados de alma. É isto que realmente encontramos várias vezes na Bíblia. Amoa com toda a sua alma. Portanto, a alma é realmente a sede. das emoções. Para nós, no nosso tempo, quando nós pensamos na palavra amor ou no conceito de amor, é este amor que nós pensamos, não é? É este amor afetivo, ligado aos sentimentos. Então, é o amor que se sente. E o amor também se sente, não é? E depois Jesus diz também que amar a Deus com todo o entendimento. O entendimento é amar a Deus com o intelecto.

É amar a Deus com inteligência. com a razão, com o raciocínio. Há pouco o António falava da confusão das religiões, das pessoas serem todas crentes. Muitas vezes o nosso amor a Deus pode ser o amor místico, que não para para pensar, não para para analisar, para usar realmente O raciocínio, a reflexão, a análise, a comparação, enfim, para chegarmos a conclusões lógicas. Deus quer que nós o amemos com inteligência. É o amor que se pensa e o amor precisa de ser pensado. O apóstolo Paulo fala de um culto racional. pensado, voluntário, que fazes realmente porque tu decidiste e tu pensaste e também o podes sentir.

E depois Jesus conclui dizendo com todas as forças, não é? E nós poderíamos dizer quase que esta todas as forças seria talvez a dimensão física do amor. Ou seja, é tudo aquilo que tu tens mas que se manifesta, não é? Que se vê. É amar a Deus de maneira consequente. É amar a Deus com uma total entrega. com uma total obediência. Esta é a dimensão, portanto, da obediência. É aquilo que diz o apóstolo João, na sua primeira epístola, aquilo que diz que ama a Deus, mas não guarda os seus mandamentos. É mentiroso. E nele não está a verdade. Se tu amas a Deus, Então, tu estás à disposição de Deus para obedecer, seguir as orientações de Deus.

Logo, ser obediente faz parte do teu amor a Deus. Portanto, é o amor que se prova, o amor prova-se, o amor pensa-se, o amor sente-se e o amor decide-se, quer ser este amor. Este amor a Deus, ter Deus ocupando na nossa vida e no nosso ser este lugar, é um antídoto contra a idolatria, como tu dizias. Este amor é uma proteção contra a idolatria, quer os nossos ídolos sejam de pé. de pedra, de ouro, de carne, de luzes da ribalta, o que quer que seja. Se Deus ocupa este lugar no teu coração, então tu estás protegido contra a idolatria. Li uma vez uma frase de Alberoni, que é um psicólogo que escreveu muito sobre o amor, e ele analisou muito o estado do enamoramento.

E ele dizia que podemos amar duas pessoas, podemos gostar de duas pessoas, mas não podemos estar enamorados de duas pessoas ao mesmo tempo. Porque o enamoramento exclui. concorrentes, porque é uma tal concentração, uma tal orientação, uma tal habitação por uma pessoa, emocional e a todos os níveis, que não é possível realmente ter isto para outra. Portanto, quando estás enamorado de alguém, tu só podes estar enamorado de uma pessoa, podes ter duas namoradas. mas só pode estar realmente enamorado de uma pessoa, porque o enamoramento é algo que te habita, algo que realmente te transcende. É uma descoberta transcendente. Eu penso que este amor de Deus, não digo que estamos enamorados de Deus, mas quer dizer que Deus ocupa um lugar tão central que é exclusivo.

Como o António dizia há pouco, citando o Senhor Jesus, não podemos servir a dois senhores. Só ou amamos um e excluímos o outro ou amamos o outro e excluímos, portanto, o outro. Mas nós podemos dizer então porquê é que Deus quer esse amor da nossa parte? Deus não quer que nós amemos assim mais ninguém. Não é? Deus não quer que nós queiramos ser amados assim por ninguém. Só Ele é que é amado assim. Será que é um narcisismo da parte de Deus? Será que Deus realmente quer ocupar? É tão grande, tão cheio dEle mesmo que Ele tem que ocupar o primeiro lugar, todo o espaço. Será que Deus é um buraco negro que absorve tudo o que está à sua volta?

Não, é precisamente o contrário. É precisamente porque Deus é o que permanece depois de tudo o que passa. Deus é o único que é a vida em si mesmo. Deus é o único que nos pode dar, neste amor, segurança, estabilidade e esse amor ser uma proteção. Porque a idolatria não ofende Deus. A idolatria diminui-nos a nós. A idolatria, seja do que quer que for, vai-te diminuir, vai-te fazer regredir, não te deixa atingir a tua verdadeira grandeza, que é seres à imagem e semelhança de Deus. Então, o amor a Deus, total e absoluto, é a nossa salvaguarda contra todos os amores destrutivos, contra todos os amores passageiros, contra tudo aquilo que realmente nos pode prejudicar.

Estamos quase a terminar esta conversa, por incrível que pareça o tempo passa a

Viva para Deus

correr, mas eu ainda gostava de ver um outro aspecto que Paulo menciona e que permite nós dizermos viver para a glória de Deus em tudo. Se formos a 1ª de Coríntios, capítulo 10, lendo os versículos 31 a 33, Paulo vai aqui falar de algo que nós muitas vezes referimos. Capítulo 10, versículos 31 a 33, diz, portanto, quer comais, quer babais, ou façais qualquer outra coisa, fazeis tudo para a glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Porque também eu, em tudo, agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.

Pedro, vamos terminar, digamos, com a tua reflexão sobre este aspecto. O que significa realmente viver tudo, mas tudo mesmo, para a glória de Deus? E como é que nós podemos aplicar isto nas nossas decisões? Vou tentar resumir aqui algumas ideias. Sim, porque temos pouco tempo, mas temos ainda uns minutos que dá. Se calhar vou por outro caminho em relação ao que eu tinha preparado para pegar um pouco na última parte que eu ainda estava a refletir. É um dos meus temas preferidos, na verdade, que é a glória de Deus e a adoração a Deus. Eu acho que é um tema absolutamente fascinante porque é um tema que... Se nós não o entendermos bem, ele pode ser a justificação, por isso é que eu gostaria muito que tivesses colocado essa questão, que é uma das questões que mais me interessa responder, em termos teológicos, que é porquê que Deus tem de ser adorado e porquê que Deus pede para ser adorado.

E ter o primeiro lugar. Por isso é que, claro, aqui não é Deus que está a dizê-lo, é o apóstolo em nome dele. Há outros textos em que, através dos profetas, Deus diz adora-me, glorifica-me. E a pergunta é muito interessante porque, numa escala humana, a única pessoa que poderia dizer uma frase destas é um narcisista total, que é a pessoa que diz adora-me a mim, serve-me a mim, baixa-te aí diante de mim. À escala humana, isto seria um horror. Nós aplicamos isto a Deus e dizemos-lhe com alegria, como uma coisa boa. Mas é preciso esclarecer bem quais são então as motivações que justificam a ideia de que Deus pede para ser glorificado. Vamos ver se eu consigo dizer isso em três minutos. A primeira delas é de que Deus sabe que a natureza humana é autodestrutiva e que a nossa tendência para a autodestruição tem a ver com o quê?

Com nós colocarmos como centro da adoração. Por isso é que os seres humanos, quando têm poder, basicamente o que fazem é mesquinhar os outros. Quando eu digo isto, esta é a realidade que a história comprova. Em todas as áreas. Em todas as áreas. O que nós vemos é homens aspezinhar mulheres. Isso é o que a história demonstrou. Povos aspezinhar outros povos. Pessoas com a pele de uma cor aspezinhar as pessoas com a pele de outra cor. A história da humanidade é uma demonstração gigantesca do que o ser humano é capaz quando se coloca na posição de eu quero ser servido pelos outros. Portanto, isso redunda sempre em... Absoluta destruição.

Então, não se trata, quando Deus diz adora-me a mim, Deus está a criar uma lei que me liberta da ideia de que eu é que tenho que ser adorado. Por isso é uma libertação dessa prisão, porque é uma prisão brutal a de nós queremos ser o centro. Então, a ideia de adoração é uma ideia que desloca o centro de mim próprio, que é onde eu estou sempre a colocá-lo. É por isso que é extraordinariamente importante que, através de Ezequiel, Deus tenha revelado o profeta. A ideia de que no céu o que aconteceu com o Lucifer foi que ele disse eu sou Deus. Então a expressão que está lá é tu dizes no teu coração eu sou Deus. Então essa expressão é a que determina qual é a tendência do pecado, é dizer eu sou Deus.

Logo, quando eu digo eu sou Deus, eu quero que a minha mulher me sirva. e que os meus filhos me sirvam e que as pessoas com quem eu convivo me sirvam. Eu quero ser adorado. E foi essa a proposta que Satanás fez a Adão e a Eva. Exatamente. É adora-te a ti próprio. O que Deus quer fazer é que tu não te adores. Portanto, o que Deus faz quando diz glorifica-me é precisamente ajudar-nos a libertar-nos da nossa maior tendência, que é o buraco onde nós caímos constantemente. Por isso, quando eu digo, Senhor, Tu és bom, eu adoro-te, o que eu estou a dizer é, não sou eu que tenho que ser adorado. Isso é extremamente importante para o equilíbrio humano. Mas depois há uma segunda dimensão que eu vou dizer aqui num minuto, que é...

que foi uma coisa que eu aprendi com um teólogo e pastor que eu admiro imenso, John Piper, é um americano, ele construiu toda uma teologia, uma sistemática à volta desta ideia, que é uma expressão, eu vou traduzir já em português, que é Deus é tão mais glorificado quanto mais eu sou satisfeito nele, que o conceito é que a glória de Deus é o prazer humano. Quer dizer que nós não conseguimos obter satisfação em nada na vida tão grande e tão profundo como quando glorificamos a Deus. Então a ideia de Deus ser glorificado é aquilo que me dá prazer. Deus fica satisfeito. É a nossa alegria. A nossa alegria é a glória de Deus. Isto ajuda a explicar porque é que os profetas e os apóstolos dizem glorificar Deus. Pena é que nós não temos mais tempo para a nossa conversa.

Ela está ótima, mas vamos ter que ficar por aqui neste episódio. Voltaremos a encontrar-nos brevemente, que Deus vos possa abençoar. Quanto a si, já sabe que nós temos também um guia de estudo para lhe oferecer. É sempre este o propósito que temos, para deixar consigo alguma coisa. Desta vez é a revista Sem Tabus. Este guia de estudo pode ser pedido através do telefone 933-939291. Faça o seu pedido enviando uma mensagem para este contacto telefónico e nós teremos muito gosto em oferecer-lhe para que possa aprender mais sobre os temas que estão neste guia de estudo. Quanto a nós, já sabe que voltaremos para a semana e na próxima semana nós vamos falar sobre outro tema que está inscrito em Coríntios, que são os dons espirituais.

Nós iremos olhar para um dos capítulos centrais da Bíblia, para um dos melhores e dos mais bonitos capítulos da Bíblia que fala do amor, que é o capítulo 13. Tudo isto ficará para a próxima semana. Que Deus o abençoe. Até lá. Fique com as bençãs de Deus.

A nossa oferta

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Sem Tabus

Sobre este episódio

Neste episódio de Bíblia Aberta, continuamos a nossa jornada pela Primeira Epístola aos Coríntios, explorando ensinamentos profundos do apóstolo Paulo sobre como viver para a glória de Deus em todas as áreas da vida.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 5
Estreou
25 de Julho de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte