O Ministério de Paulo em Corinto

O Ministério de Paulo em Corinto

28 de Junho de 202657 min 10 s

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Começa agora mais um episódio do programa A Bíblia Aberta, mas também começa a partir de agora uma nova temporada deste programa com um novo tempo, ou melhor, com um novo tema, assim é que é, e que nos permitirá desenvolver o nosso conhecimento, a nossa fé, o nosso interesse por Jesus, através de duas cartas que Paulo escreveu àqueles que viviam em Corinto. Estamos a falar da primeira e segunda epístola do apóstolo Paulo aos coríntios. Nós vamos ter esse privilégio durante várias semanas, portanto vamos partir, digamos assim, estas cartas em vários temas ou subtemas, se quisermos, e podermos encontrar, de certeza absoluta, o melhor e o necessário para a nossa vida.

E, tal como ficou, digamos, combinado, acordado, na semana passada, eu volto a ter a mesma equipa que esteve connosco e que fechamos a temporada passada. É a mesma equipa que vai abrir esta nova temporada. Eu tenho comigo o Pedro Esteves. Olá, Pedro. Obrigado mais uma vez. A Hortelinda. E o Mário, que se junta a nós nesta semana também. E eu acredito que nós vamos ter aqui muito para conversar, porque o apóstolo Paulo tem muita matéria, muito profundo, e dar-nos-á de certeza absoluta a oportunidade de nós podermos encontrar muitas coisas para a nossa vida. Relembro-lhe que o programa A Bíblia Aberta passa sempre e poderá estar connosco sempre através do canal 186 da Mel, o canal da TV Adventista Portugal, melhor, da TV Novo Tempo Portugal, assim é que é, e nós podemos encontrar-nos consigo semanalmente através deste programa, mas existem outras programações também muito interessantes e muito importantes e que poderão ajudá-lo a firmar a sua fé e a sua esperança em Cristo Jesus.

Se não tiver o canal da Mel, então poderá escutar-nos na Rádio RCS, nos 91.2 FM, para a Grande Lisboa. Ou então, se não estiver em Lisboa, poderá escutar-nos pela internet, através dos canais do YouTube, quer da TV Adventista, ou neste caso, TV Novo Tempo, quer também da Rádio RCS. Vamos iniciar a nossa conversa de hoje, abrindo então em primeira de Coríntios, vamos assim, vamos à primeira epístola de Coríntios, para vermos aqui um

A vocação de Paulo

pouquinho aquilo que foi o chamado e a identidade apostólica do próprio apóstolo Paulo, no capítulo 1, versículo 1 da 1ª de Coríntios diz-nos que Paulo foi chamado apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. Ortoplinda, nós vemos aqui aplicado a Paulo este conceito da vocação divina. Como é que alguém pode saber o que é a sua vocação? Qual é a vocação que recebeu de Deus? Ou será que nem todos recebem uma vocação de Deus? Penso que todos recebem, mas gostava de falar um pouquinho realmente sobre a vocação. A vocação é um chamado que as pessoas recebem, que tem uma certa tendência, uma inclinação, um desejo, uma paixão que os orienta em determinadas áreas da vida, da atividade.

dentro do domínio espiritual, no contexto religioso, a vocação é um convite de Deus para a realização de algo de natureza espiritual. Convite que Deus faz. Por isso é que Paulo diz pela vontade de Deus. Foi um convite que Deus, portanto, lhe fez. Ele, Paulo, na Epístola aos Filipenses, no capítulo 3 e no versículo 14, ele fala da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Ou seja, Deus faz uma soberana vocação, ou seja, é a vocação das vocações. Deus fala em Cristo Jesus e é feita a todo mundo, a toda a gente. Todos os homens são, e mulheres, são chamados, portanto, nesta vocação.

E o que é esta vocação? Nada mais, nada menos que é o chamado de Deus à salvação. Em Jesus Cristo, Deus apela e chama todos os seres humanos, portanto, para a salvação, porque, como diz na Epístola a Timóteo, Deus quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. A todos os que são chamados e aceitam este convite, desta vocação de Deus, é-lhes dada uma missão. Todos têm uma missão e essa missão foi designada por Jesus Cristo. Quando Jesus, na sua partida para o céu, quando deixa os apóstolos, ele deixa-lhes uma missão. Ele diz ser mestres de Munhas tanto em Jerusalém como em Samaria e em toda a Terra, até aos confins da Terra.

Portanto, é uma vocação universal para todos os crentes. Todos os crentes têm uma vocação e essa vocação é testemunhar de Jesus Cristo. Com as suas características, com as suas capacidades, com os seus talentos, com as suas peculiaridades, com as suas situações de vida, onde se encontra, o momento, o estado, tudo isso, eles devem anunciar o que Cristo fez por eles. Esta é realmente a missão para todos os crentes. Todos os crentes têm uma missão. têm esta vocação de serem testemunhas de Jesus Cristo. Elena White diz que todo crente nasce no Reino de Deus como missionário. Todos somos missionários, todos os crentes estão em missão e o Espírito Santo capacita cada um no seu dia-a-dia para realizar, portanto, esta missão.

Mas dentro deste corpo de Deus, que é a Igreja, que é o conjunto, portanto, de todos os crentes, Deus escolhe algumas pessoas para uma obra especial, específica, que geralmente é mais transcendente no sentido geográfico, no sentido do tempo. São pessoas que se desconectam de uma vida normal para viverem mesmo para esse chamado, essa missão à qual Deus os designou e estão os apóstolos, são os que são enviados para, não é? E foi isso que aconteceu com Paulo. E foi isso realmente que aconteceu com Paulo. Entre todos os chamados, Paulo é realmente, poderíamos dizer, o modelo daquilo que é ser chamado para uma missão especial.

Jesus chamou-o para cumprir uma obra essencial que só Paulo realmente, naquele tempo, poderia certamente fazer. E a obra que Deus lhe deu era traduzir A mensagem cristã, o mistério de Cristo, tanto da salvação de Deus para a humanidade, traduzir isso de um meio judaico, tudo isso teve origem, não é? Cristo foi judeu, a mensagem, os apóstolos eram judeus, mas Paulo devia traduzir isso para o mundo pagão de cultura grego-romana. E, na realidade, ele fez isso como ninguém. Lembrámos todos de Ananias, quando Jesus lhe manda ele ir para dar a visão a Paulo, após o encontro de Paulo com Jesus no caminho de Damasco.

Ananias não queria ir, disse assim, ó senhor, tu bem sabes o que é que ele tem feito. E Jesus diz uma frase muito bonita, ele diz, vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos raios. diante dos gentios, diante dos próprios judeus. Portanto, ele era um vaso escolhido. É uma missão especial que algumas pessoas realmente podem ter. Paulo foi capacitado por Deus para esta missão, mas nós podemos dizer até que Paulo já estava naturalmente capacitado. Ou seja, a vocação especial é Deus que chama, mas Deus chama-a já em função de um contexto pessoal, Paulo era um homem preparado para a missão que Jesus lhe deu, pela sua educação, pela sua cultura grego-romana, por ser um cidadão romano, pelo seu envolvimento espiritual no judaísmo.

Até mesmo pela sua formação, digamos, académica. Académica, pela sua capacidade intelectual, espiritual. E até mesmo pelo seu temperamento. Aquele temperamento intrépido que vai contra tudo. Isso fizemos pela sua dedicação. O que estás a dizer agora era uma dedicação plena. total, portanto, e pelo seu próprio caráter. Paulo é aquele homem feito de uma peça só, deitado de pé, sentado. É igual a ele mesmo, ele é realmente uma pessoa. indomável, portanto seguro, certo. Então Paulo é realmente este tipo de que é uma missão e uma vocação. Costumamos dizer que Paulo foi o homem certo para a obra certa no momento certo.

E o cristianismo não seria de maneira nenhuma o que é sem Paulo. Paulo é a personalidade mais brilhante de todo o cristianismo, de todas as épocas, à parte do seu fundador, que é o Senhor Jesus Cristo. Portanto, Paulo foi este homem que teve esta missão. E há seres humanos que são chamados para esta missão. Estou pensando, por exemplo, em Lutero, que teve realmente também um homem do mesmo tipo de temperamento e de caráter que foi Paulo. E se calhar, enfim, todos os que estão aqui também são receber um chamado desta natureza, um chamado especial, peculiar, para cumprir, portanto, uma missão específica, para ir onde o Senhor mandar.

Mas quero repetir que esta missão especial que alguns podem receber como pastores, como administradores, como médicos, como missionários, que a sua formação já os orienta para cumprir uma missão especial que o Senhor lhes pode pedir, não invalida que cada crente tem uma missão, uma missão a cumprir. E volto a citar a escritora que citei há pouco, que dizia que todo o verdadeiro crente nasce no reino de Deus com o missionário, e ela também diz, tão certo como haver no céu um lugar preparado por Cristo Para nós, há na Terra um lugar onde devemos trabalhar para ele. Portanto, seja qual for a nossa profissão, seja qual for a nossa situação de vida.

Portanto, todo o crente está em missão. Há dias um amigo meu me falava de um cristão que nem é da sua igreja, nem da sua denominação sequer, mas que lhe foi remodelar a casa. E ele trabalha muito bem, aquela pessoa. Faz tudo com muita perfeição, muito bem. E quando este meu amigo lhe disse, o senhor trabalha muito bem e admiro o seu trabalho, este homem olhou para ele e disse, o meu trabalho é a minha missão. E penso que é isto que todos nós devemos pensar. Onde quer que estejamos, o que quer que façamos, somos enviados por Cristo e estamos realmente em missão. Mas tu me perguntavas, portanto, Uma parte da resposta está dada. Todos. Mas como descobrir?

Como descobrir? Eu penso que precisamos da orientação do Espírito, de uma comunhão profunda com o Senhor, para que o Senhor nos indique. Em todo o caso, há dois aspectos que eu acho importantes. Primeiro, é preciso que estejas investido. Se estás sentado numa cadeira e não fazes nada, isto é apenas uma imagem, quer dizer, nunca vais saber qual é a missão que te foi dada na vida. Precisas de estar investido na vida, com as pessoas. com Cristo, com a Igreja. Todo aquele que está em movimento, Deus o orienta para onde Deus sabe que ele pode ser mais útil e tem uma missão. E depois, o outro aspecto é a Igreja. A Igreja que é servida através da missão de cada um, é ela que descobre muitas vezes a vocação que cada um tem.

Diz, tu és bom nisto, avança nesta direção, somos edificados por ti neste aspecto, avança nesta direção. Ou seja, é no serviço que descobrimos qual é o nosso lugar e a nossa missão no serviço universal do povo de Deus. Há uma ideia muito interessante também que nós podemos encontrar nos escritos de Paulo e naqueles que lidaram com Paulo no seu tempo. Nós sabemos algumas coisas da vida de Paulo, não é? Por onde ele passou, o que ele sofreu, o que ele viveu, a forma como ele tinha o seu sustento. Mas também vemos que ele era um homem de grandes convicções e de motivações.

As motivações de Paulo

Aliás, a Hortelinda já referiu um pouquinho isso. Mas eu gostava que nós pudéssemos abrir agora em 1ª de Coríntios, ou melhor, manter-nos no 1º capítulo de 1ª de Coríntios, mas lendo agora os versículos 11 a 13, porque estes versículos mostram exatamente isso mesmo, as motivações de Paulo. Ele diz, porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado, pelos da família de Cloé, que há contendas entre vós. Quero dizer isto, que cada um de vós diz, eu sou de Paulo, eu de Apolo, eu de Cefas e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" Paulo faz estas perguntas todas para tentar levar ao raciocínio e, no fundo, levar a uma conclusão.

E, por isso, pergunto-te, Mário, usando estas duas passagens que Paulo nos dá, estes dois versículos, como é que nós podemos compreender verdadeiramente as razões por que Paulo vai se salientar, vai escrever estas cartas aos corinhos? Pois bem, nós temos que perceber que realmente estamos a ler uma carta, que essa carta é escrita a uma igreja onde Paulo já tinha estado. Ele estava agora em Efésio. Que conhecia bem aquele povo. Conhecia bem aquela situação. Ele tinha vindo antes de... tinha passado por Atenas, de Salónica, depois Bereia e finalmente chega aqui a Corinto. A história é esta, mas quando ele está a escrever isto, ele está já noutra igreja. Isto mostra-nos a preocupação que ele tinha para com aquelas igrejas que ele tinha fundado.

E a maneira que tinha de mais fácil, porque nessa altura, apesar da distância não ser assim tão grande, não havia aviões, não é? Quer dizer, e os barcos demoravam às vezes um ano para chegar, sei lá, de... da Palestina ou da Antioquia, por exemplo, até Roma, era uma viagem que nunca mais acabava. Então, ele tinha as cartas que depois os crentes dessas igrejas levavam e liam nas respectivas igrejas. E ele conhecia as necessidades exatamente pelos emissários. Eu lembro-me que no caso de Epáfras, que tinha fundado aquela igreja que nós estudámos num trimensário anterior, ele veio falar-lhes do problema da circuncisão, do problema do culto dos anjos, e portanto essa era uma igreja que ele tinha uma preocupação especial com este tema.

Que viviam esses temas, ou esses dilemas. E quais eram as motivações para escrever aqui esta igreja? Quais eram os problemas desta igreja? Primeiro, a cidade de Corinto era como se fosse uma nova Roma. Era uma cidade que tinha sido destruída e reconstruída por César, não é verdade? E ele quis fundar ali naquela região, que era uma região estratégica. economicamente muito importante. Era uma cidade que tinha dois portos, onde as pessoas transacionavam e onde havia um encontro de pessoas de várias regiões. E, portanto, era uma cidade onde o próprio apóstolo teve um ano e meio. Porquê? Porque ele podia exercer ali bem a sua atividade de fazer tendas, porque tinha, enfim, muita procura, não é verdade? E esta razão, agora, já estando fora da cidade, já estando fora da realidade, soube por esta por esta família que havia contendas na igreja.

que havia contendas e nós ficamos com a sensação de que esta igreja era uma igreja um bocadinho imatura. Quer dizer, que não tinha percebido o essencial do Evangelho. E havia grupos. Era uma igreja dividida. Havia o grupo de Paulo, o grupo de Apolo, o grupo de Cefas e até de Cristo. E, portanto, Paulo diz... Mas, por acaso, eu batizei-vos eu em nome de Paulo? Portanto, ele faz esta pergunta, não o essencial é sermos todos de Cristo, não é verdade? Ele até vai ao fundo da questão, eu classificado por vós. Exatamente. E a maneira como ele escreve realmente é extraordinária, porque mostra-nos de uma forma muito clara aquilo que ele quer dizer, não é?

Paulo tem esta grande capacidade. Mas há outros motivos, quer dizer, os problemas que os levam a fazer, aliás a Epístola I a Coríntios aborda muitos temas e eu tenho aqui escrito alguns que eram aqueles que faziam, digamos, que provocavam a preocupação de Paulo. Portanto, primeiro as divisões na igreja, como já vimos, depois outras que nos fazem hoje até inclusivamente ficar admirados, que era um problema de incesto que havia naquela igreja. Depois, processos judiciais entre os membros da igreja também. Depois, imoralidade sexual. Depois, casamento e divórcio, que era outra questão que ele queria abordar porque havia concepções muito erradas sobre o casamento e sobre o divórcio que ele precisou desclarecer.

Depois, o problema da idolatria e das carnes sacrificadas aos ídolos, se o cristão deveria ou não comer essas carnes para não escandalizar outros, etc. Depois, o problema dos dons espirituais. Portanto, todos estes temas eram preocupações de Paulo para aquela igreja que ele tinha criado, que ele tinha desenvolvido e de quem tinha estado muito próximo. E as preocupações dele com esta igreja mostram-nos realmente o espírito missionário extraordinário deste apóstolo. porque ele não tinha só esta igreja. Ele estava agora em Éfces e tinha fundado uma igreja e estava a alimentar esta igreja e mais tarde iria escrever para Éfces também, não é verdade? Portanto, vejam, e nós vemos que de facto, como dizia a Ortelinda, realmente Paulo é a figura-chave do primeiro século do Cristianismo.

Quero dizer, depois de Cristo ele é a pessoa mais importante. porque realmente a equipa que ele movimentava, nem sempre foi... Era um homem, era um líder, era um homem que levava tudo à frente, como se costuma dizer. Às vezes errava. Porque ele errou, por exemplo, naquela célula de discussão com o Marcos. Quer dizer, com aquele... Mandou-o embora. Um jovem ainda que ficou com certeza ofendido com ele, não é verdade? Mas mais tarde ele volta bem a reconhecer que realmente tinha errado. Mas também tinha esta humildade cristã de perceber que tinha feito mal e era um homem realmente extraordinário, um homem muito valoroso. E as motivações de Paulo, quer queiramos quer não, e tu referiste as grandes preocupações que ele teve com esta igreja, Mas quando nós olhamos para as motivações de Paulo, nós podemos ver que elas estavam sempre cheias da presença de Deus.

Havia sempre uma necessidade de partilhar com Deus os problemas que os outros tinham. Se nós formos, por exemplo, a 1ª de Coríntios, capítulo 5, mudando agora a página para o capítulo 5, lendo os versículos 9 a 11, ele diz estas palavras, já por carta vos tenho escrito que não vos associeis com os fornicadores, ainda não inteiramente com os fornicadores deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras, porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão,

Desafios da cultura

for fornicador, ou avarento, ou idólatra, ou mal-dizente, ou babarrão, ou roubador, com o qual nem ainda comais. Pedro, temos aqui muita coisa para comentar dentro do pouco tempo que temos, mas na missão de Paulo em Corinto, este apóstolo enfrentou, quer queremos quer não, este desafio de uma sociedade que era muito idólatra, muito imoral, Enfim, praticava a imoralidade de muitas formas. Nós vemos aqui um relato disso. Que desafios na cultura de hoje, e tentando também olhar para o nosso tempo, podem tornar difícil vivermos os valores do Evangelho? É muito interessante notar que, se não fosse assim, nós também nem precisaríamos estar a estudar estes temas.

É que nós conseguimos fazer paralelos e pontos para o tempo em que nós vivemos, claro, e para a realidade. que ainda hoje enfrentamos. E se é por um lado certo que nós vivemos tempos, um ambiente cultural e sociológico tão diferente, obviamente, da sociedade corinto desta época, não deixa de ser também curioso que, se quisermos escavar para lá da aparência, mais das formas, os problemas e a dimensão moral, as escolhas do ser humano, a maneira como nos relacionamos uns com os outros, quer dizer, no fundo, esses problemas mantêm-se. Há bocado estive quase para intervir de brincadeira, quando o Mário estava a falar das divisões da igreja, para dizer que felizmente hoje já não há divisões nas igrejas.

Toda a gente se dá bem e não há ninguém que seja de uma fação e de outra. Obviamente com ironia, porque... Esses grandes problemas que enfrentamos, quer os existenciais, quer os mais comunitários, em certo sentido eles mantêm-se muito comuns, mesmo se, obviamente, as diferenças culturais são profundas. Não deixa de ser interessante, e ainda agora ouvimos aqui uma descrição bastante interessante e bastante clara mais ou menos qual era o ambiente até da cidade de Corinto, mas há um aspecto muito importante. O ambiente de Corinto já era o que poderia ser chamado de um ambiente urbano. se fosse para usar a nossa linguagem, porque era culturalmente diverso, muito mais do que se fôssemos para pequenas localidades onde se calhar só havia judeus e pessoas que tinham todas a mesma estrutura.

Aqui nós já tínhamos uma diversidade, ou seja, as influências, até por esta dimensão de ser um lugar com portos e de comércio, normalmente essas cidades tinham esta característica de estarem mais premiáveis a influências. o que significa que nós temos aqui realmente um banho, um caldo cultural que era já bastante moderno para a época e que nos dá algumas pistas para aquilo que nós vivemos hoje. Porquê? Porque a maneira como podemos entender isso é que este ambiente influenciava, obviamente, a igreja. Tanto que nós temos aqui uma situação Já há bocadinho aqui comentávamos que Paulo, às vezes, era um homem bastante... Não é questão de ser duro, mas o homem direto, o homem forte, corajoso, muito firme nas suas afirmações. E aqui, neste capítulo, nós temos uma afirmação curiosa, um pouco até sui generis, porque Paulo diz que no mundo ainda podemos admitir que tenhamos que ter relações, por exemplo, comerciais, profissionais.

Paulo, por exemplo, se fazia tendas, vendia tendas. Provavelmente vendeu tendas a pessoas de todo o tipo. E é interessante que ele diz, ainda que nós tenhamos que lidar com fornicadores ou avarentos ou roubadores, mas se isto acontecer no mundo, é isto que ele está a dizer, ainda se vai admitir, porque não somos nós que vamos influenciar as pessoas. Só que ele diz, é, na igreja é que nós não podemos admitir estas práticas, e por isso diz quase que fujam de pessoas que tenham estas práticas, que é o mesmo. Portanto, há aqui uma implicação de que a igreja era muito afetada por este ambiente moral. Por isso é que... Havia uma expressão, Pedro, que era viver à la corinthia, ou seja, como nós devemos viver à grande e à francesa, havia uma expressão que dizia que era viver à corinthia, um modo de vida precisamente caracterizado pela imoralidade, pela idolatria.

idolatria e moralidade, por isso as questões sexuais, obviamente, esta permissividade sexual, que percebemos que era uma questão evidente para a Igreja. E pela listagem que o Mário fez, digamos, que apanhou os tópicos, eram muitos os problemas. Eram problemas profundos, claro. Por isso é que a tensão entre o ideal do Evangelho e depois a realidade humana é gigantesca. E essa é outra característica que nós hoje ainda encontramos. Porque os ideais que o Evangelho nos apresenta, eles são altíssimos. Jesus, aliás, veio fazer essa coisa extraordinária de elevar ideais. Nós olhamos para a lei de Deus, por exemplo, nos seus 10 mandamentos, e vemos os ideais que Deus estabeleceu ali para orientar o seu povo.

E depois vem Jesus e ele leva os ideais, ele não os abaixa, é exatamente o contrário. Nós muitas vezes aqui lembramos isso, não é? Jesus dizia... A lei o que é que diz? Não adulterarás. Por aí eu te digo, se no teu coração já atentaste para a mulher do outro... Adulteras. Ou seja, a fasquia aí levou-se imenso, porque Jesus não foi de todo um legalista, Jesus foi exatamente o contrário do que é um legalista, porque o legalismo é a tentativa de encontrar à letra aquilo, o meio através do qual eu me devo comportar, e Jesus olha para o Espírito que está na lei, e o Espírito é sempre acima da letra. É mais longe. Vai muito mais longe. Porquê? Porque o Espírito mede as intenções. E eu posso até tentar cumprir uma lei, qualquer que seja, e deixa cá ver como é que eu consigo manter-me aqui no estrito cumprimento da lei, mas a minha intenção não é boa.

E Jesus o que diz é, a intenção é que conta, na verdade. Mas não é conta para tu baixares a lei, conta para tu seres mais profundo na maneira como a vives. E é pelo Espírito que nós conseguimos chegar à redenção. Ora, é isso, é esse Espírito que tem que nos animar. Espírito que vivifica. Ele é que vivifica, não é a letra, a letra até mata. É esse sentido que nós elevamos o sentido da lei, não porque baixamos os padrões morais, por exemplo, que ela estabelece, mas encontramos as motivações certas. E há uma grande diferença entre tentar cumprir uma coisa porque está estabelecida e ter a intenção certa. Nós vivemos isso todos os dias na nossa vida. Quer dizer, se eu não adulterar, vamos lá, eu que sou um homem casado, Vim quase 25 anos. Se a razão pela qual eu não me envolvo com outras mulheres é porque há uma lei que não me permite...

O meu casamento está condenado à desgraça porque eu não me envolvo com outras mulheres porque eu não tenho interesse nenhum a não ser na minha. É aquela que eu amo, é a mulher da minha vida, é a mulher mais bela que eu vejo à minha volta e é a única que eu tenho interesse em todas as dimensões. Ora, isto significa o quê? Eu espero que ela esteja a ouvir este episódio. Eu não sei se ela o costuma ver, mas eu vou fazer a questão dela ouvir este episódio para ficar toda contente de eu dizer isto. Mas, na verdade, isto não é um clichê que eu estou a dizer. O que eu quero dizer com isto é que se a minha motivação fosse eu sou fiel, porque há em um mandamento que diz para não adulterar, isto não seria suficiente para a minha mulher. O que dá para percebermos como o espírito e a motivação muitas vezes é mais profundo e mais importante que a letra. É neste sentido que nós chegamos a Corinto e vemos que o relativismo moral obviamente entrou também na igreja.

Havia doutrinas na igreja em relação à imboralidade sexual. Havia uma doutrina que o corpo batizado, ressurreto do batismo, era um corpo imuno ao pecado, ao pecado sexual, e portanto não havia problema nenhum. Esta era uma corrente. A outra dizia que o corpo, que todo o ato sexual é um ato imoral e portanto deve ser, mesmo no casamento, deve ser posto de parte. Portanto havia estes termos. E daí a necessidade de Paulo falar tanto do casamento aqui nesta epístola. Porque este relativismo moral, daí aponto já a ligação à tua pergunta, e nós podemos fazer um aponto para hoje, porque é claro que há muitas formas de relativizar aquilo que é certo e o que é errado, obviamente, e isso é uma coisa que nós sabemos.

Há isaías, o Senhor dizia, há isaías, há dos que ao mal chamarem bem, é o bem mal, quer dizer, os que confundirem aquilo que Deus estabeleceu. O apóstolo Paulo divertiu, por isso, muitas vezes, as igrejas. A Timóteo é uma passagem muito conhecida, que diz que ele advertia Timóteo que virá o tempo em que as pessoas não sofrerão a sã doutrina e desviarão os ouvidos da verdade. E por isso significa que nós precisamos de estar permanentemente atentos a todas as vozes e influências, venham elas dentro, por exemplo, do mundo cristão ou fora, naquilo que a Bíblia mesmo designa como o mundo. Precisamos estar atentos para tudo o que seja uma normalização, vamos dizer, do pecado, de tudo o que é licencioso, obviamente. Por isso é nesta mesma carta a Coríntio que o apóstolo Paulo vai tantas vezes dizer o vosso corpo é o templo do Espírito Santo.

É curioso porque às vezes até podemos esquecer que esta afirmação foi feita no contexto dos problemas de natureza sexual. Estamos a falar aqui quando ele dizia fugir da fornicação. Ele dizia é que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo. Era assim que ele resolvia, conciliava essas tendências super extremas que tinham todas a ver com a maneira como usas o corpo. até no campo da sexualidade, ele dizia, como é que ele resolvia isto? O vosso corpo é o tempo do Espírito Santo. Uma ideia mais profunda que vai para lá do Espírito, lá está, da letra que esteja escrita, em qualquer lei que seja, mas é as pessoas que compreenderem melhor como é que se devem comportar na presença de Deus. E isso continua hoje para nós. Nós lemos esta carta, podemos dizer o quê? Nós não estamos a viver exatamente estas lutas aqui específicas que agora citámos, mas estamos a viver outras. E o Espírito continua a ser o mesmo para conseguir resolver esses problemas.

Nós vamos ter que fazer um intervalo. Apesar da nossa conversa estar viva e atraente e, sobretudo, uma conversa que nos eleva até àquilo que foi o tempo de Paulo. Vamos precisar mesmo de fazer um curto intervalo. Não saia do seu lugar. Nós voltamos já a seguir. TV Novo Tempo. O canal da Bíblia. O canal da esperança. Cá estamos nós para a segunda parte do programa Bíblia Aberta. Nós iniciamos hoje uma nova temporada com vários episódios que vão tentar descobrir nas epístolas de Paulo, sobretudo nas primeira e segunda cartas de Paulo aos Coríntios.

muitas das coisas que ele deixou e que de certeza absoluta fazem tanta importância nos nossos dias. Têm muita importância para cada um de nós ao longo do tempo em que aqui vivemos. Antes de retomarmos a conversa, eu faço sempre aqui um ponto de lembrança e de recordação e, acima de tudo, de interesse a sua parte. Se quiser receber um guia de estudo totalmente gratuito que temos para lhe oferecer, ora bem, aqui está a proposta de hoje. Nós hoje vamos lhe oferecer este estudo, Educação Financeira à Luz da Bíblia. É sem dúvida um tema muito interessante para os nossos dias sabermos como administrar os nossos bens, os nossos recursos, aquilo que Deus nos vai oferecendo a cada dia.

Um dos temas, por exemplo, que temos aqui é como é que é a prosperidade ou qual é a relação da prosperidade com a família. Talvez seja bom poder encontrar tempo para olhar para este guia de estudo Ele é totalmente gratuito, nós temos muito gosto em oferecer-lhe. Basta enviar uma mensagem solicitando para a sua casa e nós iremos, sem dúvida, enviar-lhe. 933 939291 é o número de telefone para o qual deve enviar então essa mensagem solicitando este guia de estudo que tem por título Educação Financeira à Luz da Bíblia. Meus queridos amigos, vamos voltar à nossa conversa. Ela estava muito boa, tivemos que fazer aqui um intervalo. Voltamos para a segunda parte. Vamos entrar aqui num aspecto, digamos, de missão.

Ainda já aflorámos um pouquinho esta ideia, mas em Atos capítulo 18, e porque a

Princípios de missão

Bíblia estuda-se saindo às vezes do livro que estamos, para irmos para o outro, porque complementa aquilo que estamos a dizer, em Atos, no capítulo 18, versículos 9 e 10, nós podemos ler uma passagem muito interessante, que diz, e disse o Senhor em visão de noite a Paulo, não temas, mas fala e não te cales, porque eu sou contigo e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. A Hortelinda, ainda há pouquinho, referi a esta passagem, e por isso, Hortelinda, Quais são os princípios que hoje nós podemos usar, e fazendo este paralelismo, digamos, do tempo de Paulo para o nosso tempo, quais são esses princípios que podemos usar na nossa experiência cristã, na nossa vivência com Cristo, e que podem ser extraídos, digamos assim, desta atuação de Paulo?

Sobretudo, nos muitos desafios que nós vamos encontrar para testemunhar e para proclamar o Evangelho, não é? Essa frase, para mim, impactante. Não temas, não te cales, porque eu tenho muito povo nesta cidade. Isso faz-me pensar numa experiência que eu vivi quando eu estudava. Eu devia vender livros no verão para poder pagar a minha escolagem. Eu encontrava-me em Espanha e fui vender livros por uma cidade que eu não conhecia de maneira nenhuma, que era nas Astúrias, a cidade de Gijón. E quando se chega a Rioneiros, não me lembro da topologia da cidade, mas eu chegava por cima e lembro-me de ver a cidade, o mar de casas, e eu tive um baque no coração dizendo-te, vou enfrentar isto, vou enfrentar esta cidade.

Depois comecei a trabalhar, a percorrer ruas, fui a serviços, a escolas, a bancos. Visitei casas, pessoas, empresas. Quando eu saí da cidade, no mesmo sítio, eu lembro-me de olhar para a cidade e ter o sentimento de que eu dominava a cidade. Eu possuía a cidade, eu agora conhecia-a por dentro. Mas depois eu pensei, não. Eu não conheço esta cidade. Só Deus conhece, porque Deus conhece cada pessoa, cada lar, cada coração, cada sonho, cada desafio, cada tristeza, cada mágoa. Deus só conhece esta cidade. Então eu penso isto que Deus diz aqui a Paulo, eu tenho muito povo nesta cidade. É para mim o primeiro princípio que nós devemos ter em conta para a proclamação do Evangelho.

É que a obra não é nossa, é de Deus. Deus é que conhece, Deus é que sabe onde estão as pessoas que realmente estão prontas para receber esta mensagem, esta proclamação do Evangelho. Por isso é Ele que dirige, é Ele que guia, é Ele que atrai a si as pessoas. E como sabemos, as pessoas não estão todas prontas no mesmo momento, não é? As pessoas, cada uma está na sua situação de vida mais ou menos pronta para receber, portanto, o convite para a salvação. Jesus compara a conversão a um nascimento. Antes do nascimento, todo o nascimento é precedido. por nove meses de gestação.

Ou seja, que fora da vista de toda a gente, já está germinando e crescendo e desenvolvendo-se uma vida. E assim também para a vida espiritual. Quando uma pessoa aceita a mensagem do Evangelho, a mensagem do amor de Deus, o Espírito Santo já trabalhou muito com essa pessoa, através de impressões, de toques, de ideias, de luz que foi dando a essa pessoa. Deus é que sabe o quanto chegou o tempo do nascimento. Então é o Senhor que sabe e nós devemos confiar inteiramente nesse trabalho de Deus. De alguma maneira nós, os que levamos a mensagem, somos um pouco parteiros, não é? O trabalho já foi feito pelo Espírito, levamos a mensagem que é o que dá o nascimento a uma nova criatura.

desperta, parece que começou ali, mas não começou ali. O Senhor já trabalhou. Porquê? Porque o Senhor é que conhece a obra. Ele é que conhece as pessoas. Portanto, isso é o fundamento da nossa proclamação. Está nas mãos de Deus. O segundo princípio, enfim, decorre da própria missão de cada um de nós, que é que Deus precisa dos homens para salvar os homens. Este é um segundo princípio para a proclamação do Evangelho. É verdade que Jesus disse, bom, se eles se calarem, as pedras falarão. Mas eu penso que Deus prefere falar através de pessoas do que através de pedras, não é? Portanto, apesar de tudo, Deus conta connosco. Porquê? Porque Deus sabe que os homens só compreendem a linguagem dos homens. Deus para falar aos homens de maneira mais direta, mais tocante, Deus teve que se fazer homem.

Porque só assim é que os homens poderiam, portanto, fazer. Logo, nós somos completamente envolvidos nesta obra. Esta obra é de Deus, mas também é nossa. Porque Deus precisa de nós. E quando digo isto não é realmente qualquer coisa que diminua o poder de Deus, mas Deus precisa dos homens para chegar até aos humanos porque eles falam a sua língua. Por isso é que Jesus disse, sermeis testemunhas. Eu preciso de vocês. Vocês vão demonstrar aquilo que eu sou através da vossa pregação, mas através, sobretudo, da vossa vida. Portanto, somos realmente indispensáveis a esta salvação da humanidade. O terceiro princípio é que esta missão deve ser investida com paixão.

E vemos aí o exemplo do apóstolo Paulo. O apóstolo Paulo não era um homem... fazia as coisas com, enfim, negligência, talvez um pouco aqui, um pouco ali. Não, ele pegou realmente esta missão com paixão e tornou-se o centro da sua vida. Para mim o viver é Cristo, para ele o viver era a missão. Portanto, é paixão, é a dedicação, é o tomarmos a sério, a fundo esta missão. Isto é um outro princípio. Era um homem que não desistia. Era um homem que não desistia, era um homem entusiasmado. E nós também devemos ser entusiasmados. Claro que este entusiasmo só vem de Deus. Aliás, a palavra entusiasmado quer dizer ser possuído por Deus. E temos que ser possuídos por Deus para levarmos avante esta missão.

Porquê? Porque esta missão vai receber muita rejeição. Porque nem todos estão ainda preparados, ainda nem começaram a ser gerados. Mas temos que estar, portanto, prontos e isto vai exigir realmente humildade da nossa parte. Há aquele texto do Livro dos Atos dos Apóstolos em que Paulo diz que estávamos a pensar em ir para a Bitínia, mas o Espírito não nos deixou, deram-nos uma visão e disseram, vai para a Macedónia. Isto é estar nas mãos de Deus investido e deixar que seja Deus a dirigir e aceitar com humildade. os nossos planos pelos seus. É interessante também que ele não contradisse. Aceitou? Aceitou, aceitou. Ele pensava ir para a Bitínia, mas foi para a Macedónia, porque era para ali que o Senhor o guiava e ele foi fiel, portanto, a esse chamado.

É esta fidelidade, este estar atento à direção do Espírito, ao movimento do Espírito. Para onde é que o Espírito indica? Esta comunhão, esta intimidade com Deus proporciona essa orientação do Espírito. E eu vejo ainda um quarto princípio. É porque, como eu disse, já há muitas pessoas que vão resistir. E, portanto, nós devemos desenvolver o princípio do respeito. pela liberdade do outro e pela sua dignidade. Aceitar que os outros não aceitem a mensagem que nós proclamamos. Jesus passou por aí, não é? Nem todos, portanto, o aceitaram. Sem os julgar e sem os catalogar. Eu tive um professor de evangelismo que dizia, quando eu faço evangelismo, eu vou ter com as pessoas.

Quando as pessoas aceitam, eu digo, encontrei uma pérola. Quando não aceitam, eu digo, esta é pedra. Hoje não estaria de acordo com esta maneira de catalogar as pessoas. Se calhar aquelas que não aceitam ainda não são pérolas, mas nós devemos respeitá-las e possivelmente o nosso trabalho com elas deixa de ser a tal proclamação para passar a ser um testemunho de vida. A maneira como as tratamos, como convivemos com elas, como mostramos como é realmente o viver em Cristo, isso pode fazer a mudança e transformar uma pedra em pérola. É verdade que também podemos dizer muitas coisas extremamente interessantes sobre Paulo e a vida de Paulo é fantástica, mas temos que voltar aqui a um problema que Paulo identificou, sobretudo na questão cultural.

Aliás, o Mário já deu aqui uma série deles, nós hoje não vamos ter tempo de

Pluralismo religioso

abordá-los todos, mas há um que está em 1 Coríntios 10, versículo 20, que seria muito interessante nós podermos pelo menos abordá-lo de uma forma muito rápida. Diz capítulo 10, versículo 20, de 1 Coríntios, Qual foi? Claro. Não há mais clareza do que esta. Mário, como é que a realidade do pluralismo religioso, e já demos aqui alguns sinais disso, que existia ali em Coríntio nos ajuda a nós hoje a compreender os desafios que temos pela frente perante esta, eu diria, diversidade religiosa, cultural, que nos atinge a todos, que existe e está identificada.

No nosso mundo, hoje, nós vivemos numa segunda Coríntio. A sociedade que nós temos à nossa volta é uma sociedade muito diversificada. Hoje temos o problema das diversas crenças, ou das não-crenças, ou dos descrentes, que são cada vez em maior número, sobretudo na sociedade onde nós vivemos, na sociedade ocidental. E esse é um problema que nos põe. Eu achei muito interessante esta explanação da Ortelinda sobre o respeito que temos que ter pelo outro. O outro que tem uma crença diferente ou que não tem crença nenhuma. E nós somos também comissionados a dizer-lhes, a mostrar-lhes Cristo.

Temos que usar a inteligência para saber, para falar de Cristo. Se calhar falamos mais, por exemplo, com estas pessoas que estão completamente desassociadas de uma ideia do além, de uma ideia da eternidade, de uma ideia de Deus. Porque, de facto, pelo menos o mundo onde eu movimentei sempre, o mundo da universidade, etc. Era um mundo descrente, fundamentalmente. Há exceções, claro, mas era um mundo descrente. E era difícil nós apresentarmos uma ideia, sei lá, apresentarmos Deus criador. Somos olhados, mas tu acreditas nisso? Eu tive muitas vezes esta interpelação. E eu acho e sinto que isso está cada vez mais desenvolvido. Num mundo intelectual, num mundo jornalístico, num mundo da mídia, Enfim, da nossa sociedade.

Da cultura. A cultura é fundamentalmente uma cultura agnóstica. que não será ateia, mas é agnóstica, que não põe o problema da existência de Deus sequer, quer dizer, porque não interessa esse tipo de assunto. E é essa mentalidade que... porque nós sabemos que o príncipe deste mundo conseguiu introduzir essa filosofia de vida, não é? E nós somos responsabilizados agora a, neste mundo assim, intervir, fazer como Paulo, sermos pequenos Paulos, a tentar mostrar que Cristo Mas nós não temos capacidade para isso. Para sermos missionários verdadeiros temos que pedir a direção do Espírito Santo. Como é que eu posso trabalhar com esta pessoa? Como é que eu posso chegar perto dela?

Como é que ela me pode ouvir? Nós temos esta comissão para os dias de hoje. Portanto, os problemas da carne sacrificada aos ídolos eram um tema naquela altura. O texto que nós lemos aqui tinha que ver com isso. A carne que é sacrificada aos ídolos é sacrificada ao demónio. Ele dizia isso claramente porque nós sabemos que era. E é verdade. E nós sabemos que muitas das filosofias que circulam à nossa volta, dos esoterismos e tudo isso, têm como instrumento o diabo. E nós não podemos deixar de o dizer entre nós. Temos, evidentemente, que ao abordarmos uma pessoa que tem estas práticas, termos um cuidado especial para não a ofender, para não a descredibilizar perante aquilo em que ela acredita.

Mas é uma missão tremenda, uma missão que só o Espírito Santo na nossa vida pode ajudar-nos a fazer alguma coisa. Eu tenho tido algumas pessoas dessas com quem falo e é um terreno tremendamente difícil. Porque as pessoas estão convencidas de que aquelas práticas as vão salvar ou as vão para uma encarnação mais tarde diferente. E isto é um desafio para nós. Os desafios do evangelismo hoje são tão prementes como eram no tempo de Paulo e nós temos que pedir a Deus que nos dê sabedoria porque, no fundo, a palavra da cruz é loucura para aqueles que se perdem, como dizia Paulo, mas é para nós que somos salvos, poder de Deus. E o poder de Deus, de facto, pode nos levar a essas pessoas e a abrir portas onde nós não imaginávamos.

Estou convencido que é assim que temos que fazer. Nós caminhamos para o encerramento, digamos assim, ou para o fim deste episódio,

Correção e amor

mas eu ainda gostava de ver aqui alguma coisa sobre a correção que Paulo fazia e até mesmo o cuidado pastoral que ele tinha, e em Corinto foi uma presença assídua. Se nós formos agora à 2ª de Coríntios, se formos à 2ª carta, no capítulo 2, versículo 4, nós vamos encontrar aqui esta ideia deste cuidado, desta correção, desta necessidade que Paulo tinha de olhar pelo aquilo que era aquele tempo. Ele diz no capítulo 2, versículo 4, Paulo era um homem apaixonado por aquele povo, apesar de haver ali um grande pluralismo, enfim, muitas ideias completamente absurdas, Paulo amava verdadeiramente aquele povo.

Pedro, como é que o equilíbrio entre a correção doutrinária e ao mesmo tempo o cuidado pastoral é apresentado aqui nestas epístolas de Paulo aos Coríntios? Sim, acho que a questão é muito interessante porque nos ajuda e nós estamos aqui numa espécie de introdução, que esta é a primeira vez que estamos a abordar este tema, pois com certeza vamos conseguir entrar em detalhe nos vários temas. Mas já deu para percebermos claramente que o Paulo faz muitas correções aqui. Tem muito para instruir, para exortar. Corrigir. Corrigir mesmo, de uma maneira muito profunda. quase que dá vontade de dizer que nem sequer há nenhuma forma de conflito entre correção e cuidado pastoral, porque a correção é a forma de cuidar pastoralmente.

Porque quando há erros profundos que podem pôr em causa a salvação, por um lado, mas também uma vida coerente, um cristianismo sólido, que está de acordo com aquilo que Jesus ensinou, se é isso que está em causa, então corrigir é ser pastor, é cuidar. Vemos isso em Jesus. Apesar de olharmos muito para os milagres de Jesus, para os feitos, junto daqueles que mais necessitavam, Jesus veio sobretudo para corrigir. Ele corrigiu muito. Nós sabemos que certos grupos de pessoas em particular, mas essas pessoas são sobretudo certo grupo de atitudes e de postura dentro da fé, Jesus, em alguns casos, foi dramaticamente firme.

chamando às vezes de víboras e hipócritas, a homens que realmente faziam da fé uma vergonha. Essa é que é a realidade. Por isso o nome de Deus, o qual eles eram portadores, ficava envergonhado diante de pessoas que eram realmente más, que agiam com profunda maldade até no seu coração. Jesus não poupou essas pessoas. No entanto, acho que não há pouco fazíamos referência, chorava sobre essas mesmas pessoas, com o desejo de que elas tivessem escutado a correção. Às vezes pessoas que estão no erro, quando são corrigidas e reconhecem, na verdade é uma experiência maravilhosa, que é perceber que salvámos alguém. a nossa correção, isso acontece às vezes na nossa vida, em diferentes circunstâncias, tudo o que é o ambiente educativo, que de alguma forma alguém pedagogicamente tenta ensinar ou corrigir o outro.

Mas há aqui algumas notas que ainda podemos colocar aqui em cima da mesa, que é, por um lado, toda a verdadeira correção nasce do amor. Isso é que é importante. Alguém corrigir outra pessoa não significa superioridade sobre ela, porque eu posso corrigir um filho numa situação da minha vida, mas eu preciso de correção noutras áreas. Mas isso não impede que eu use o amor e o cuidado que tenho como filho para o corrigir. Por isso é que Paulo corrige não para condenar, mas porque quer salvar. E há situações em que a correção é o instrumento da salvação. Hebreus 12.6 tem uma pequena frase que diz o Senhor corrige aquele que ama. É muito direto. E eu tenho até aqui nas minhas notas, mas claro que estão-me a lembrar da carta a Laodiceia, que tem muitas correções para esse povo, que no fundo é a Igreja de Deus num certo tempo profético, que é o tempo final.

No fundo é para nós, para o tempo em que vivemos. E a carta a Laodiceia, Deus diz claramente que corrige ou disciplina aqueles que ama. E aconselha. Por isso é que os conselhos que dizem... Aí também a acusação é de uma hipocrisia, porque dizes que és rico e que não tens falta de nada, mas não sabes que és um miserável. Se nós disséssemos isto a alguém é duro, dizer és um desgraçado e um miserável e pensas que vales alguma coisa. Se eu disser isto em público ou em privado a alguém, arrisco-me a que a pessoa não goste que eu diga isto. Por isso nós, até normalmente, somos bastante criteriosos a usar expressões tão fortes como esta. Eu tenho a certeza que Paulo utilizou de algumas expressões aqui com os coríntios. não por vontade de mostrar-se superior.

É exatamente o contrário. É essa tentativa de corrigir. Há uma expressão, aliás, do apóstolo Paulo, muito bonita, num texto que é como um hino ao amor, não parece nada uma coisa de dureza, que é 1 Coríntios 13, que nós teremos, com certeza, tempo de explorar lá mais para a frente, mas nesse texto o apóstolo Paulo diz que o amor não se alegra com a injustiça. mas regozija-se com a verdade. Por isso, como o amor não se alegra com a injustiça, onde há injustiça, o amor tem que agir. E é aqui que nós percebemos que a correção é legítima e boa quando nasce de um coração que ama, porque o amor não se alegra com a injustiça.

Agora, é evidente que toda a forma de disciplina tem de ter como objetivo a disciplina que for inspirada Ela tem como objetivo a restauração. Ou seja, disciplinar pode ser aqui na forma de dizer palavras duras, ou corrigir, ou dizer a vocês têm feito isto e não é vontade de Deus. O objetivo aqui não é excluir, o objetivo é restaurar. O apóstolo Paulo, por exemplo, na 2ª carta aos Coríntios, tem aqui uma parte do capítulo que é sobre como é que se deve agir diante do pecador. E é interessante, eu vou ler aqui alguns versículos que dizem assim, se alguém me contristou, não me contristou a mim, senão em parte para vos não sobregargar a vós todos.

E depois diz, de maneira que, pelo contrário, o que deveis fazer é, antes, perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza. Por isso vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor. Ele está a instruir a igreja como é que deve agir diante de alguém que foi pecador. É quase como se ele estivesse a falar de pessoas para quem ele já falou na sua carta e disse, olha, esta conduta não pode. Não pode acontecer. Mas depois diz. Mas se alguém realmente tiver que ser corrigido, ele depois dá estas instruções. Perdoem, consolem, confirmem para com essa pessoa o vosso amor. É aqui que nós entendemos esta ideia de que a disciplina bíblica, o principal, obviamente, é um exemplo disso, ela tem como objetivo curar, reconciliar, reintegrar, reerguer.

Então, acho que nós temos aqui um exemplo maravilhoso do Apóstolo Paulo, Também é isso que nós hoje devemos procurar, erguer, mesmo se tivermos às vezes que usar de palavras que sejam para corrigir. Nós temos menos de um minuto para nós tentarmos fazer um resumo muito breve, numa frase, como é que nós olhamos para este papel de palo aos corintos. Mário, começa por ti. Bom, depois desta resenha, eu acho que a frase que mais ressoa é que ele, o ponto principal, nós vemos que Paulo veio de Atenas e ali ele era um argumentativo, ele tentava arranjar argumentos para combater as diversas filosofias.

Agora, perante os corinthos, ele tem uma atitude diferente. Ele quer pregar Cristo e Cristo crucificado. o equilíbrio entre a força, a determinação e também este carinho, esta flexibilidade que ele tem, afetiva este amor pelos seus seguidores. Pedro, mas porque falámos também dos problemas morais desta cidade, talvez eu deixe como um resumo desta lição que estudámos, o que Paulo escreveu aos romanos, não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos de renovação do vosso entendimento. Muito obrigado aos três, neste caso, comigo quatro, por esta boa conversa que tivemos neste início de nova temporada. Havemos de nos encontrar, se Deus quiser, para continuarmos sempre com a Bíblia aberta e explorando as mensagens que retiramos da Bíblia.

Antes de nos irmos embora, só quero mesmo relembrar-lhe este guia de estudo que é muito importante. e que poderá, de alguma maneira, dar-lhe a oportunidade de poder ter um financiamento mais equilibrado na sua vida. Ligue para o 933-939291, envie uma mensagem para que nós lhe possamos enviar gratuitamente este guia de estudo. Nada mais por hoje, foi um gosto estar consigo. Relembramos que de hoje a oito dias estaremos de volta. Até lá que o Senhor abençoe.

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Sobre este episódio

📖 Começa uma nova temporada de A Bíblia Aberta, dedicada ao estudo das cartas de Paulo aos Coríntios.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 1
Estreou
28 de Junho de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte