Pecado na Igreja

Pecado na Igreja

18 de Julho de 202657 min 16 s

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Estamos muito felizes por voltarmos à sua companhia e podermos estar consigo nos próximos minutos para juntos podermos abrir a Palavra de Deus. Este é um programa semanal, o programa Bíblia Aberta, que passa sempre na TV Novo Tempo Portugal e também o áudio passa na Rádio RCS. poderá escutar-nos e ver-nos a partir do canal 186 na Mel e também poder acompanhar-nos, se estiver fora de casa, a partir da Rádio RCS para a Grande Lisboa. Se nenhum destes dois canais é, no fundo, o meio pelo qual poderá estar connosco, já sabe, também estamos no Youtube, no canal da TV Novo Tempo Portugal e aí poderá encontrar este e todos os outros episódios que já estão registados e que ficam para que todos nós possamos rever as matérias, revermos os temas que vamos falando aqui em estúdio.

Nós, semanalmente, temos sempre uma equipa que nos acompanha, tenho sempre a oportunidade de ter pelo menos três pessoas que vêm a este estúdio para podermos conversar, abrir a palavra de Deus e extrair dela aquilo que é tão importante para a nossa vida. Hoje, não é exceção, Tenho comigo o Pedro Esteves, olá Pedro, mais uma vez obrigado por estares connosco, a Hortelinda que volta a estar connosco, obrigado. Bom dia. Bom dia Hortelinda Gal e hoje nós temos novamente o Pastor António Rodrigues. Olá. Obrigado por estares connosco. Eu espero que esta conversa seja muito agradável para vocês, porque para mim é sempre muito agradável e acredito que para si que está aí em casa e que nos segue, de certeza absoluta que também vai ser uma conversa muito interessante, porque estamos a estudar as epístolas de Paulo aos Coríntios.

E estas duas epístolas têm realmente muitas informações, muitas coisas, que eu diria que eram tão atuais no tempo de Paulo como são tão atuais no nosso tempo. A semana passada nós pudemos ver que Paulo fez um apelo contra o faccionismo, digamos assim, pela forma como o povo olhava para alguns que lideravam a igreja. Esta semana nós vamos ver que Paulo encontrou, para além de todas estas posturas, encontrou também vários problemas relacionados com a imoralidade sexual. É um tema que de certeza absoluta terá muito para contar. Tudo isto era, sem dúvida, motivo de posições entre os coríntios e hoje nós queremos perceber como é que Paulo vai abordar estas questões tão sensíveis e que para nós também hoje são muito importantes de nós podermos esclarecer.

Por isso, nada melhor do que começarmos a nossa conversa. Vamos a isso? Vamos começar por ver a gravidade do pecado na Igreja. Vamos ver este tema, que penso que é muito interessante nós começarmos por aqui.

A gravidade do pecado

E para isso eu convido-vos a vocês, que têm a vossa Bíblia aberta, e também a si, de podermos encontrar esta passagem, 1ª de Coríntios, capítulo 5, para lermos o versículo 1. Capítulo 5 da 1ª de Coríntios, versículo 1, Paulo diz... Hortelinda... Por que razão este pecado era considerado assim tão grave, diria mesmo um verdadeiro escândalo, já nas igrejas que Paulo administrava e o que é que isto pode revelar para nós como perigo daquele tempo e ao mesmo tempo vermos uma igreja de alguma forma a tolerar práticas claramente anormais e contrárias à vontade de Deus?

É um texto forte, não é? Sim, sem dúvida. Ele usa a palavra fornicação, que é uma palavra não usual no nosso tempo. Não é uma palavra que usemos, mas que designa realmente no contexto bíblico toda e qualquer relação sexual fora da relação conjugal, ou seja, fora do casamento. Assim como as relações sexuais antinaturais, aberrantes, O livro de Levíticos, capítulo 18, tem toda uma série de comportamentos desvirtuados sobre a sexualidade, que são interditos ali por Deus, desde a pedofilia, ao incesto, à zoofilia. à homossexualidade, ao adultério, ao sexo livre, enfim, são tudo comportamentos que a palavra de Deus condena e adverte, não é?

Como sabemos, o cristianismo herdou do judaísmo, do Antigo Testamento, precisamente, sobretudo, da ordem da criação, o princípio de como nós devemos ver a sexualidade. A sexualidade deve ser vista e compreendida no seu propósito e na sua maneira de ser praticada à luz do relato, do relato da criação, não é? E na criação, a criação diz-nos que realmente Deus criou o homem, diz-nos o texto bíblico, se formos a Génesis 1 a 27 e 28, diz-nos que criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea. os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse, frutifiquai, multiplicai-vos e enchei a terra.

Logo, macho e fêmea, o que determina macho e fêmea é precisamente a sexualidade. Só há duas maneiras de existir no humano, é o feminino e o masculino. E esse masculino e feminino é determinado pela sexualidade. Logo, podemos dizer que a sexualidade foi, na criação de Deus, uma peça mestra que Ele vai usar, precisamente, para a originalidade dos seres e, portanto, para a sua criação. E nós vemos neste texto que Deus designa à sexualidade duas funções muito importantes. E a primeira dessa função é que a sexualidade seja um meio de união.

ou este macho e fêmea se encontram e se tornam um através da sexualidade. Então, no propósito de Deus, a sexualidade é um dom para o amor, é algo para ser vivido em amor, para construir o amor, para desenvolver o amor, para que realmente o casal se possa conhecer, possam crescer juntos, possam aprofundar a sua intimidade, portanto, nesta relação. Portanto, a primeira função da sexualidade tem que ver com a relação entre um homem e uma mulher. E depois a segunda função é muito importante, é que possibilita, como vimos aqui, a existência de novas criaturas. A sexualidade está ligada ao amor e à procriação, ou seja, através do amor entre um homem e uma mulher, um amor que se consuma na sexualidade, Deus continua a trazer à existência novas criaturas à sua imagem, semelhança.

Portanto, vemos que a concepção bíblica da sexualidade é algo de inalienável, primeiro é estruturante, do ser humano, e depois é algo de bom, algo de belo, algo de nobre, que faz parte do tal muito bom que Deus disse na criação. Quando Deus, no final da criação, diz, e viu Deus tudo quanto tinha feito, e este que era muito bom, esse muito bom era também para a sexualidade. Mas Paulo vai ver em Corinto um quadro de utilização desta bênção, digamos assim, que é a sexualidade, criada por Deus oferecida ao homem, de uma forma completamente ilícita. Exatamente. A sexualidade, dada a sua natureza, que pode ser primária, um impulso muito forte, que produz um prazer imediato, é realmente algo que pode ser descambante para os seres humanos, não é?

É por isso que Deus não deixou a sexualidade à solta, para que cada um a vivesse como quisesse, não é? Apenas segundo o seu instinto, como os animais. Os animais são governados pelo instinto, na questão da sexualidade. E a coisa está muito bem programada. No animal. Nós hoje somos homens e mulheres pecadores, onde o pecado ou o mal pode usar a sexualidade como um trunfo. Exatamente, um trunfo muito forte. No humano a sexualidade é dada à liberdade. o ser humano é diferente do animal. Os seus períodos de reprodução e de cio, portanto, estão programados. No ser humano não há nada disso, porque o ser humano é um ser livre, deve usar a sua sexualidade com liberdade, mas também com responsabilidade.

É por isso que Deus, ao dar a sexualidade à humanidade, Deus sabia que era realmente um dom que poderia ser perigoso, então Deus cria-lhe um enquadramento. Como eu já disse, a sexualidade deve ser enquadrada pelo amor. Ela é para fazer crescer o amor. E o amor deve ter um projeto para crescer e se desenvolver. E esse projeto foi Deus que o criou também. Esse projeto chama-se casamento, não é? no livro de Gênesis, portanto deixará o homem, seu pai e sua mãe, se unirá à sua mulher e serão os dois uma só carne. Esta uma só carne é uma referência, portanto, à intimidade, à intimidade sexual. Mas claro, como tu dizias, após o pecado todas as áreas da vida humana foram realmente alteradas, desvirtuadas, não é?

E a sexualidade talvez seja a área que foi mais desvirtuada pelo pecado, não é? Podemos dizer que, após o pecado, a sexualidade tornou-se um verdadeiro campo de batalha entre o bem e o mal. Há um escritor conhecido, francês clássico, que é Rousseau, ele disse que a sexualidade é o espaço humano onde, melhor do que em qualquer outro lugar, se vê a ambiguidade do homem, destinado ao bem, mas inclinado ao mal. Portanto, com boa vontade, mas o impulso é muito forte e o homem muitas vezes deixa-se arrastar para o imediato, para o prazer para já, não é? E não enquadra, portanto, este dom de Deus. Daí a necessidade do tal Levítico XVIII e de muitos outros textos que denunciam e nos põem a alerta sobre comportamentos sexuais que são contra o plano da criação.

Porque é que a fornicação é um pecado grave? Porque é contra o plano de Deus na criação, é contra o desenvolvimento. a plenitude da existência do ser humano. Deus quis que o ser humano fosse pleno, gozasse plenamente da vida e de todos os dons. Então Deus estabelece limites, enquadramentos para que realmente isso possa ser vivido. E como vemos, este é o plano de Deus. Sexualidade dentro do amor, o amor dentro de um projeto maior, que é um compromisso, portanto, para o ser humano. Logo, a Igreja tem também como missão anunciar esta palavra pela prática, pelos valores, pelas orientações dados por Deus, tanto no relato da criação como em toda a outra revelação posterior.

Nós sabemos que quando o Cristianismo chegou ao Império Romano e o conquistou, um dos primeiros trabalhos que o Cristianismo teve que fazer foi denunciar práticas sexuais altamente depravadas, que vinham desde do topo, desde o imperador até à choça mais humilde e mais pobre. Portanto, o imperador tinha comportamentos altamente, muitos deles, aviltantes. Então era necessário estabelecer balizas, linhas vermelhas, enquadrar, orientar e foi todo este trabalho que os apóstolos fizeram. que os primeiros cristãos também fizeram. Mas há esta confrontação entre a moral sexual do judaísmo e a moral sexual do império. E isto vai provocar, portanto, um choque e um longo tempo de aprendizagem.

E nós vemos este choque precisamente na igreja de Corinto. onde, como sabemos e veremos mais tarde, os coríntios eram célebres pela sua depravação e sobretudo, portanto, a nível sexual. Para nós hoje, vivemos numa época, podemos dizer, em que a sexualidade está a solta Cada um a vive como quer, com as modalidades mais variadas e muitas delas aberrantes também. E a Igreja continua a ter um papel. Não estamos no Império Romano, estamos na sociedade ocidental. cristianizada, não suficientemente, enfim, com alguma coisa de cristã, mas com muita coisa também de paganismo, onde a sexualidade pode ser uma área, uma zona onde os seres humanos capitulam naquilo que eles têm de melhor e de mais nobre.

Então a igreja deve precaver os seus e anunciar a todos qual é o plano de Deus para a sexualidade, porque ele é muito bom. Talvez nós possamos aqui referir que uma das grandes preocupações e se calhar dificuldades até de Paulo era levar a igreja a reconhecer os seus erros e mudar os comportamentos que existiam ou que eram permissivos ou eram permitidos naquele tempo. E por isso é que nós vamos encontrar aqui, de alguma maneira, uma certa atitude

O perigo do orgulho espiritual

errada perante o pecado, se quisermos. Se formos, por exemplo, a 1ª de Coríntios, capítulo 5, na mesma, mas lendo agora o versículo 2, nós vamos ver aqui uma passagem que o próprio Paulo mostra, no fundo, que eles quase que tinham uma certa prazer no erro. Diz, estais inchados e nem ao menos vos entristecestes, para que fosse tirado dentre vós quem cometeu tal ação. António, esta reação dos coríntios é no mínimo alarmante, se quisermos. Vermos uma igreja, como ele diz, estáis inchados, não vos entristecestes. E por isso eu queria perguntar-te, como é que a reação daqueles crentes nos pode levar a nós a compreender o perigo do orgulho espiritual?

diante daquilo que é o pecado e, ao mesmo tempo, como é que nós podemos responder a situações que possam ser semelhantes a esta que Paulo encontrou na Igreja dos Coríntios. Muito bem, Jorge. Talvez fazer aqui um pequeno enquadramento da igreja de Coríntios. Vamos lá. Logo no capítulo 1, verso 2, diz... A carta é escrita à igreja de Deus que está em Coríntios, aos santificados em Cristo, chamados santos. Portanto, uma igreja que tinha essa... característica de ser os santos, não é? E que Paulo refere, porque ele no fundo também confiava nesta atitude de cada um dos membros.

Portanto, quando nós começamos a ler a primeira carta aos Coríntios, achamos que a igreja de Coríntios era uma igreja exemplar. Depois, se fomos ao capítulo 4, verso 14 diz assim... não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como meus filhos amados." Eles eram santos, mas estavam a praticar coisas que o apóstolo Paulo sabia, à luz da Bíblia, que não estavam corretas. Que eram ilícitas. Então ele começa a perguntar, bom, eu vou-vos escrever, mas vou-vos admoestar. Onde se admeste alguém é porque essa pessoa... Alguma coisa não está bem. Alguma coisa não está correta. De acordo com a premissa de serem santos. Por exemplo, quando nós vamos a uma igreja...

Nós pensamos que a igreja é um lugar de culto, é um lugar de recolhimento, é um lugar de aproximação com Deus. Não vamos para um baile, não vamos para uma discoteca, não vamos para esses lugares. E que todos os clãs supostamente são melhores do que nós. Exatamente. Depois, quando chegamos ao verso 20 do mesmo capítulo 4, diz que o reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude. Ou seja, em atos, em atitudes. E aqui é que está o grande dilema. Podemos ter uma igreja com uma imagem, mas na sua aplicação ou no seu desenvolvimento é uma imagem completamente diferente. E o caso que aqui mencionaste e que a Hortelinda explicou muito bem, havia incesto.

Ora, havia aberrações, havia um adultério aos princípios pelo qual a sexualidade foi criada. porque adulterou completamente o princípio. E o apóstolo Paulo não podia ficar insensível e dizer, olha, vocês são igreja, façam o que quiserem. O que é que vai acontecer? Acontece que os nossos santos em Coríntios, eles tinham orgulho de ter pelo menos a fama de ser os santos, mas praticavam o contrário da sua aparente santidade. E nós sabemos que na prática, quando uma pessoa diz uma coisa e faz outra, seja na área religiosa, na área política, na área económica, em todas as áreas, não fica bem.

E nesta questão dos coríntios, eles achavam que o que estava a passar não era tão mau, tão errado, para ser um escândalo, ser alguma coisa que pudesse destruir a sua imagem. Então diz que estão inchados. O que é inchado? Inchado é uma pessoa que se exalta, cresce, mesmo não olhando e não reconhecendo o erro do qual está a praticar. Geralmente uma pessoa que esconde os seus erros, se nós perguntarmos, foste tu? Ah não, eu não fui. Essa é a primeira atitude. E aqui os coríntios, a igreja estava exatamente a dizer uma coisa.

Estavam a dar um ar de santidade de uma igreja que estava próxima de Cristo, que tinha recebido o evangelho de Paulo e conhecido o amor de Jesus para agora o seguir, mas na sua prática estavam completamente desfazados da vontade de Deus. Uma igreja muito bonita por fora, mas por dentro... Com os mesmos problemas que provavelmente algumas das nossas igrejas têm, não é? Normalmente, João, há pouco disseste uma coisa que é verdade. Quando as pessoas entram na igreja, esperam daqueles que estão nessa igreja que sejam uma imagem, um espelho. que seja uma igreja de amor, uma igreja tolerante, uma igreja que não há pecado e se houver entre eles pedem perdão e tudo se resolve.

Mas a prática não é bem assim. Porquê? Porque muitos daqueles que frequentam as igrejas, ou quase todos aqueles que frequentam a igreja, não passam por um processo que é fundamental, que é a conversão. Ficam convictos, têm uma convicção, mas não uma conversão. E também os princípios de Deus, com o tempo, se aqueles que fazem parte da igreja não zelam, não oram, não estudam, não têm um comportamento diferente, o mundo vai entrar dentro da igreja. O mundo vai afetar a igreja. Trazemos as ideias, trazemos os hábitos, porque muitas vezes as pessoas, os santos que estão na igreja, os chamados santos, não é?

São homens e mulheres com uma carga muito complicada nas suas vidas. E olham para a igreja como um refúgio. Mas o problema é que se todos olhamos para a igreja como um refúgio, quem é que vai dar exemplo? Quem é que vai conduzir a igreja? Cristo conduz a igreja, mas Cristo confia aos seus fiéis, confia aos seus filhos a direção da mesma. E se nós não tivermos essa noção de que o que eu aprendi, o que eu aceito como verdade bíblica deve ser aplicada na minha vida. Então, a igreja do Coríntios sabia que havia erro, mas não fazia nada. Sabia que havia problemas, a nível sexual, mas que não fazia nada.

E o apóstolo Paulo diz, bom, eu ouvi dizer... É uma forma de começar sem condenar, mas, no fundo, relembrar que sabe que existem os erros. É como nós, quando queremos falar com alguém, dizemos, olha, eu ouvi dizer que tu andas-te a portar mal. Não dizemos o que é. Começamos com essa introdução, para ver se a pessoa, ela própria, diz sim, é verdade, ou então se esconde. Só que o problema de corintios que se escondia e depois não aplicavam a disciplina eclesiástica. É como em todo lugar, não é? Quando eu não estou bem, quando eu não concordo com os princípios, eu, em princípio, não devo fazer mais parte desse princípio ou dessa organização, comunidade, não é? E quando isto acontece, normalmente há aquela expressão, quem nunca pecou que lança a primeira pedra, como Jesus disse.

Mas foi Jesus que disse. E eu assinei a autoridade para o dizer. Mas nós não podemos pensar que porque eu erro também não posso ajudar o meu próximo a corrigir os seus erros. E vice-versa. E se houver exultação, houver motivação, podemos... Olha, tu falhaste. Eu posso... Olha, tu falhaste também aqui. Ok, como é que nós podemos, à luz da palavra do Senhor e do amor cristão, nos corrigirmos uns aos outros? Isso é aquilo que se passa numa comunidade. Todos têm que haver regras, têm que haver princípios, tem que haver o cuidado, tem que haver a própria proteção, no bom sentido, dessa própria comunidade ou dessa própria igreja. E aqui parece que não havia essa proteção, porque faziam-se as coisas, era do conhecimento, pelo menos público, porque o apóstolo Paulo ouviu, mas ninguém tomava uma atitude.

Aqui é que se passa talvez o maior problema de uma igreja ou de uma organização. Saber que o empregado anda a roubar, mas ninguém diz nada. Saber que o político anda a mentir e ninguém diz nada. E saber que na igreja há falsos irmãos, falsos cristãos, que prevericam e ninguém diz nada. Não quer dizer que vamos... Enfim, não somos tribunal. Mas podemos exultar, podemos conversar, podemos demonstrar os princípios de Deus e relembrar a razão pela qual podemos fazer parte dessa. No mínimo entristecermos-nos, não é? Porque Paulo diz, se estás inchado, nem ao menos vos entristeceis. Mas talvez não entristecermos-nos por aquilo que Ele fez, mas por Ele. Por Ele, exato. Está no caminho que não é o caminho correto.

Porque Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. Só que quando alguém mexe com alguma coisa que não está bem em nós, a nossa primeira reação é fechar. E achar que é um ataque pessoal à nossa pessoa. E ficamos com o nosso ego em baixo, ficamos ferido, ficamos com muitos problemas. Mas não devia ser assim. Se alguém diz, olha, pastor, você viu naquele lugar, acho que não é um bom lugar. Eu devo dizer, muito obrigado, irmão. Não tinha pensado nisso.

O propósito da disciplina

Agradeço. E é curioso ver que Paulo não fica apenas por tentar detectar os problemas que pudessem existir em Corinto. Ele vai colocar um bocadinho ali o propósito da disciplina, porque era necessário. Paulo era muito frontal e o que ele tinha para dizer dizia-o com amor, mas dizia-o com um propósito. E aqui o propósito da disciplina é muito importante. A primeira de Coríntios capítulo 5, para lermos também o versículo 5, diz estas palavras, seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o Espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. Encontramos aqui Paulo com palavras fortes, com uma certa rigidez ou disciplina. Pedro, como é que este versículo nos pode revelar que a disciplina da igreja tem um propósito sempre restaurador e não meramente punitivo, se quisermos.

É uma punição. Este texto é, sem dúvida, muito forte e, ao mesmo tempo, muito importante. Isto vem na continuidade de tudo o que tivemos aqui a ouvir, porque estamos a estudar aqui o capítulo 5. Se nós fizermos só aqui a ligação entre os versículos que já vimos até aqui, Primeiro Paulo vai especificar esta acusação gravíssima. Não só à imoralidade sexual, mas ela vai a níveis impensáveis, como o incesto. Depois vai dizer-me pior ainda do que isso, podemos dizer, do ponto de vista da salvação, é que vocês não só cometem escombros, não estão tristes com isso, nem reconhecem que estão mal. E por isso nesta sequência, agora chegamos ao capítulo 5, ele diz que é preciso fazer alguma coisa. E é aí que entra esta ideia de disciplina. Por isso conecta-se muito com a última ideia que o António estava a dizer, que a disciplina é a derradeira prova de que alguém se preocupa.

Porque onde não há disciplina, em ambientes quaisquer que sejam, onde há mal a ser praticado, se não houver disciplina quer dizer que ninguém está preocupado com o mal. Ora, um lugar onde ninguém se preocupe com o mal é um lugar onde a destruição vai ser definitiva ou vai proliferar. Se na minha casa os meus filhos tiverem em total indisciplina, sem regras, sem princípios, sem um padrão para a vida, e se eu como pai não agir, mais tarde ou mais cedo, a vida dele está em causa e a minha também. Ou seja, a disciplina é a derradeira prova de amor, se quisermos, de cuidado e de preocupação. Por isso o apóstolo Paulo vai usar palavras fortes. Eu já vou tentar explicar um pouco melhor isto, porque este texto e algumas das expressões que Paulo utiliza, nós não temos que as suavizar, temos que as entender bem, para perceber que é isso fazer hermenêutica, é interpretar para entender até onde é que o apóstolo Paulo quer ir e como é que isso pode ser aplicado para nós.

Mas, desde logo, eu começaria por dizer isto, palavras fortes como estas, que essa pessoa, Ou aquele que pratica isto seja entregue a satanás para destruição da carne, que é uma frase que, se não analisarmos bem, é um pouco assustadora, desde logo ela tem que ser entendida no contexto de qual é a acusação em causa. Nós estamos a falar de pessoas que praticavam incesto. Seria, se quisermos, para um tema que hoje o incesto é um não tema. E ao mesmo tempo adultério, porque era com a mulher do pai, portanto era ali uma grande confusão. Enfim, dá para imaginar a realidade, não é? Como hoje o incesto para nós é uma coisa um pouco, vamos dizer, não vista, hoje seria um pouco como nós estarmos a falar nesta mesa sobre pedofilia. Porque pedofilia é um tema do nosso tempo.

Para já é pior do que incesto, porque aqui pelo menos era entre duas pessoas adultas. Portanto, pedofilia, que são situações que nós, infelizmente, é espantoso que estamos constantemente a ver notícias. Nos nossos países, não é num sítio qualquer do mundo, é aqui, à porta. São pais, são avós, são tios, são vizinhos, são professores, são líderes religiosos. Isto, as notícias que vêm pedofilia quase todas são de pessoas próximas de autoridade que abusam sexualmente de crianças. E infelizmente já chega à igreja. Claro, chega aos ambientes cristãos. Exatamente. Chega a ambientes cristãos, de pessoas. Onde há pessoas. Onde há pessoas. Ora, porque é que eu estou a trazer isto agora aqui para cima da mesa? Para nós entendermos que se nós hoje estivéssemos a lidar com uma situação que nós conhecemos de um homem adulto, ou uma mulher, não interessa, que abusou sexualmente uma criança, o que é que nós vamos ter?

Vamos ter uma linguagem... pacificador, uma linguagem calma, ou vamos ter uma linguagem a mais forte que nós pudéssemos ter. Porque linguagem não é nós vamos bater na pessoa ou vamos fazer justiça pelas próprias mãos. Não é disto que se trata aqui. Como estamos a falar de uma comunidade religiosa, o que é que o apóstolo Paulo tem em mãos? Ele, aliás, temos que pensar, ele está a escrever, ele nem lá está neste momento. Portanto, o apóstolo Paulo sabe que esta realidade sexualmente de depravação total está a acontecer, ele está à distância, o que é que ele pode fazer? é usar as palavras mais fortes que ele possa usar. E neste sentido, ao entendermos este contexto que é a realidade da acusação e o que é que o apóstolo Paulo pode fazer, nós entendemos que a uso de palavras fortes é uma ferramenta muito necessária.

Por isso nós sabemos que às vezes quando estamos cara a cara com uma pessoa, às vezes aí nós até suavizamos. Estamos ali com a pessoa e dizemos, olha, é um bocadinho como o António dizia, olha, pensa lá bem no que é que estás a fazer. Mas quando eu não tenho essa hipótese, só posso escrever uma mensagem à pessoa, eu vou dizer, bem, eu vou aproveitar ao máximo o que eu lhe posso dizer. E aí eu não vou dizer, olha, pensa bem. Se calhar eu, por escrito, vou lhe dizer, olha, tu tens que parar com isso imediatamente. Porque isso é uma coisa que não se faz. Então, o apóstolo Paulo, claramente, a leitura que eu faço aqui é, ele está a usar a ferramenta que tem para meter estas pessoas a refletir sobre a gravidade do que se passa. E agora vamos falar um pouco, ainda assim, há alguns minutos aqui, sobre a questão da disciplina propriamente dita. É evidente que há aqui um argumento teleológico, que é o termo que vem do grego para dizer que a questão é o objetivo final, que é o telógico.

A verdadeira disciplina não se preocupa com o processo. Se eu disciplinar uma pessoa, seja qual for o que eu digo que é o acto de disciplina, a satisfação não é aplicar disciplina. A satisfação é que isto pode salvar a pessoa. É assim que um Estado, por exemplo, age. Um Estado, por exemplo, que age em nome dos cidadãos, não fica satisfeito de mandar uma pessoa para a prisão. A satisfação não é dizer assim, que maravilha, vai a pessoa para a prisão, que bom. Não, a satisfação é, isto é o meio que nós, sociedade, temos para ver se esta pessoa muda. Por isso é que nós sabemos que países, sociedades evoluídas, não metem só as pessoas na prisão, por exemplo, quando elas cometem crimes. Restauram-nos, dão-lhe programas diversos para que a pessoa aprenda, lide com os seus mecanismos, com as suas falhas, e quando sair daquele lugar de aprisionamento, a pessoa sai a melhor.

Porque se a pessoa não sair melhor, ela vai voltar a fazer o mesmo. Se for uma tendência que a pessoa tem, ela volta a fazer o mesmo. Então, há uma dimensão que é onde é que queremos chegar. Ora, o versículo de Toleste começava por dizer que a pessoa seja entregue a Satanás para que o Espírito seja salvo no dia do Senhor. O que é curioso é que o apóstolo está a ligar disciplina à salvação eterna. Portanto, o propósito de ter esta ação é que esta pessoa, quando Jesus voltar, possa dizer, Senhor, eu estou aqui. com as falhas que eu cometi, mas eu arrependi-me delas, estou aqui. Ora, para que a pessoa se arrependa, e nós vimos que eles não se entristeciam com o pecado, se a pessoa não se entristece de ter cometido incesto, não se arrepende. Então nunca se vai arrepender, a pessoa vai achar que aquilo é uma maravilha. Então é preciso ter alguém, ter uma ação em nome do coletivo, que é o que nós fazemos como sociedade.

Quando metemos uma pessoa numa prisão ou há um castigo qualquer que é dado à pessoa, estamos a agir em nome de todos para o bem da comunidade. Por isso a disciplina tem um objetivo final, que é a restauração. Nós temos muitos textos bíblicos que dizem coisas como estas, que o Senhor corrige e ama a qualquer que recebe por filho. Em Hebreus 12.6 ou 1 Coríntios 11. Não estamos a estudar hoje, mas o versículo 32, o apóstolo diz que quando somos julgados somos repreendidos pelo Senhor para não sermos condenados com o mundo. Por isso a disciplina é uma intervenção preventiva com o objetivo de evitar uma consequência maior. No caso da vida cristã, qual é a consequência maior? É a consciência eterna.

E depois... Para arrematar, temos que ir para o intervalo. Para arrematar, dizer que... Esta expressão, entregar a satanás, precisa de ser entendida como um propósito restaurador. Entregar a satanás significa que a pessoa fica. ela própria a assumir as consequências. Por isso, entregar a satanás é uma expressão idiomática. Não é que alguém na igreja agarra na pessoa. Satanás é um ser que não está num sítio. Isto não pode ser livre. Literalmente, se não eu agarrava na pessoa, eu agarrava. Vou levar lá satanás. Onde é que ele está? Isto não existe. Entregar a satanás é o mesmo que dizer assim. É deixar a pessoa com as consequências do que ela fez. E fora da proteção da comunidade.

Isso. Então, é a mesma coisa, por isso eu trouxe a pedofilia como exemplo. Se uma pessoa é reconhecida que cometeu um crime com pedofilia, o papel da comunidade não é proteger aquela pessoa. No sentido de dizer, não, coitadinho. Não, é dizer, ele tem que ser entregue às consequências do ato que cometeu. Por isso é muito importante esta ideia de que a pessoa não pode ser livrada da qualidade, e neste caso é da gravidade, das suas ações. Por isso, a disciplina é muito importante para garantir que a pessoa está consciente da gravidade do que aconteceu. A conversa está ótima e nós vamos continuar.

Mas vamos ter que fazer aqui um curtíssimo intervalo, não saia do seu lugar. Nós vamos continuar porque esta conversa vale a pena.

A oferta de estudo

TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Cá estamos de novo para a segunda parte do Bíblia Aberto de hoje. A conversa estava e está muito interessante porque Paulo realmente tem muitas coisas que nos podem ser muito úteis para a nossa vida hoje e nós vamos continuar a conversar sobre este tema em torno do capítulo 5, por aí, da primeira epístola aos Coríntios. Mas antes de avançarmos naquilo que ainda podemos dizer sobre este tema, eu queria lançar-lhe o desafio de poder obter gratuitamente mais um guia de estudo. Este é um novo guia de estudo que temos connosco. Ele tem um título bastante sugestivo, Descobrindo Tesouros, e digamos que é escrito por alguém também bastante conhecido da nossa TV Novo Tempo e da rádio, que é o doutor Rodrigo Silva.

e é, de alguma maneira, uma forma simples de estudar a Bíblia com os mais pequenos. Se ainda não tem este guia de estudo, poderá fazer o seu pedido a partir de agora, através do número que aparece no seu ecrã, 933 93 92 91, 933 93 92 91, e

Uma nova identidade

poder solicitar, através de uma mensagem, este guia de estudo e nós teremos muito gosto em enviar para a sua casa totalmente gratuito. Não perdendo mais tempo, vamos àquilo que interessa, que é voltarmos à conversa, porque agora precisamos de perceber que Paulo vai referir uma identidade e Paulo vai apresentar esta identidade como algo que vem de Cristo e que pode transformar a nossa vida, portanto, Em 1 Coríntios 6, vamos mudar a página para um outro capítulo, capítulo 6, no versículo 11 nós podemos ler, e é o que alguns têm sido, mas havéis sido lavados, mas havéis sido santificados, mas havéis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.

Vamos tentar compreender esta passagem. Hortelinda, de que forma é que esta nova identidade em Cristo deve, de alguma maneira, influenciar o comportamento moral de cada crente? Especialmente em áreas tão sensíveis da vida como estas que nós falamos. É interessante, vemos nessa expressão do apóstolo, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, haveis sido justificados. O que aponta para aquela santidade que o António falava há pouco no início, não é? Exatamente. Ou seja, aconteceu-vos alguma coisa que devia ter feito mudança? E esta é a perplexidade do apóstolo. É que vocês não deviam estar aí, não deviam ter esses comportamentos, não é? Passaram pela experiência da conversão e isso devia ter marcado uma descontinuidade.

Como é que voltaram para trás? A vossa velha vida, não é? Exato. Como ele diz, foi o que todos fizeram. Vocês também estiveram lá, mas encontraram Cristo. Cristo estava aí. Ele deu-vos outra vida, outra dimensão, outras forças. Então, como é que vocês realmente podem estar aí, não é? puderam cometer esse pecado e ele existir entre vós, sem que as vossas consciências soassem o alarme a dizer que alguma coisa realmente não estava bem. Bom, eu não quero fazer a defesa do diabo, mas quero dizer que os coríntios poderemos, se calhar, encontrar-lhe pelo menos duas, não diga tenuantes, mas dois caminhos que eram facilmente descambantes para eles.

Primeiro, eles viviam numa sociedade altamente corrompida. Todo o Império Romano era assim e parece que em Corinto ainda era pior, porque havia mesmo o provébrio que dizia viver à Coríntia, à la Coríntia. Quer dizer que era viver de maneira totalmente depravada, sem limites, sem filtro, realmente toda a imoralidade possível. Era viver à Coríntia, não é? Então, esta sociedade tinha costumes e práticas imorais que eram propagadas. aceitas, ou seja, era um caldo envolvente que a igreja de Corinto tinha, que era altamente tóxico. A igreja estava realmente sujeita a estes comportamentos aberrantes.

E o atrato no ano tem que ver realmente com a natureza humana faça ao mal. É porque o problema é que o faço ao mal. Diz-se que quando nós vemos um pecado, uma coisa realmente grave, quando olhamos para ele a primeira vez, ele parece-nos horrendo. E de onde? Coisa horrorosa. Desviemos o olhar. Ao segundo olhar, ele já não nos parece assim tão mal. O que era preto passou a cinzento. Ao terceiro olhar já é quase branco. Já somos capazes de encontrar até alguma coisa simpática. E ao quarto diz que nós o abraçamos e fazemos corpo. portanto, com ele. Ou seja, o ser humano tem esta capacidade de se adaptar progressivamente às situações mais difíceis, a todos os níveis, até a nível do sofrimento, a nível da moral, a nível qualquer nível, o ser humano, paulatinamente e pouco a pouco, ele pode realmente adaptar-se, não é?

Isto chama-se a aprendizagem por impregnação. Ou seja, se é uma coisa que vem de repente, rejeitamos. Mas pouco a pouco, é como aquela esponja que nós pôs lá dentro do lavatório, só um cantinho da esponja, não é? Mas pouco a pouco ela vai se impregnando da água, até que a esponja está toda cheia de água. Isto é o que acontece, portanto, ao ser humano dentro de sociedades que fazem grande pressão, portanto, a nível moral. Pouco a pouco isto vai se integrando, isto vai integrando e vai fazendo parte, portanto, da pessoa e a pessoa não se apercebe. É uma questão que o apóstolo repreendia de alguma maneira aos espíritos, como é que foi possível? Eles quase não se apercebiam. Era tão normal, tão corrente que aquilo acontecesse que a consciência deles não deu realmente alerta, não é?

E há aqui uma grande lição para nós cristãos, porque nós somos iguais aos coríntios, funcionámos da mesma maneira. Nós também aprendemos por impregnação. Estamos no meio de uma sociedade que pôs o sagrado de parte, que tem orientações unicamente materialistas de consumo e de prazer. Nós vivemos continuamente nesta sociedade e impercetivelmente Nós vamos assimilando pensamentos, valores, comportamentos, sem quase isso nos apercebamos. E a nossa consciência, lá está, ela também não dá alarme. Portanto, é muito importante que nós cristãos estejamos despertos sobre isto.

E como é que nós podemos fazer face a isto? Porque eram os corintios e nós os portugueses. portugueses e é de todas as nacionalidades. Como é que nós podemos fazer parte a esta penetração imperceptível da cultura ambiente, portanto, à nossa volta? Isso há uma maneira. É preciso que a pressão, a força interior do cristão seja maior do que a pressão que a sociedade e a cultura à sua volta, a cultura ambiente exerce sobre ela. E às vezes não é. E como não é, a nossa identidade vai se rebatendo e vamos criando, vamos recuperando a velha identidade.

É por isso que, na palavra de Deus, tanto Jesus como os discípulos, eles usam muito esta frase, vigiai. Vigiai, orai, tai apercebidos, não aconteça, que os vossos corações pouco a pouco se vão carregando de glutonaria, de embriaguez, dos cuidados da vida, das coisas de todos os tempos. E dentro desta identidade que Paulo começou por relembrar na igreja a todos os fiéis daquele tempo, Paulo vai entrar naquilo que é mais profundo, que é a santidade e a pureza, se quisermos. Vamos saltar de Coríntios para 1ª de Salonicenses. Será um salto muito rápido e pequenino, porque depois ainda vamos voltar aqui à

A santidade e a pureza

1ª de Coríntios, mas em 1ª de Salonicenses capítulo 4, para lermos o versículo 3, Paulo vai dizer, porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação, que vos abstenhais da fornicação. Já vimos aqui, já tentámos perceber o que é que este termo significa, fornicação. António, porque é que a razão, no fundo, de santificação está diretamente ligada a esta pureza moral que Paulo vai tentar... voltar a colocar dentro de Corinthos e como é que esta ligação deve orientar, no fundo, a nossa vida prática como cristãos. Muito bem. Como estamos a falar aqui de uma igreja de Coríntios e uma carta que o apóstolo Paulo escreve para exortar, estamos a falar num contexto religioso.

Não estamos a falar num clube de futebol nem numa associação qualquer. E o que é que a sociedade espera das pessoas que frequentam uma igreja? esperam bons exemplos, uma boa atitude, bons cidadãos, honestidade, uma série de adjetivos qualificativos que qualificam os membros da igreja. Agora, se para esperar que os membros da igreja sejam honestos, verdadeiros, sinceros, A Bíblia dá-nos uma outra perspectiva que é fundamental para quem aceita Jesus na sua vida, Deus na sua vida, deveria vestir camisola, como se eu sou do clube A ao clube B, eu vou me identificar com esse clube.

Quando nós lemos Levítico 11, 44, quando Deus diz assim, Aqui fala dos animais, fala da fornicação, fala de prostituição, fala da mentira, fala da desonestidade, fala de tudo. Então quer dizer que quando alguém aceita o chamado de Deus, deve passar um processo de vida que se chama a santificação, a santidade. Não porque a pessoa é. Mas porque Deus convida que todo aquele que se aproxima de Deus possa ter as características, digamos assim, possíveis que Deus é na sua essência.

Por isso é que Ele diz, sede santo como eu sou santo. Mas como é que nós podemos ser santos como Deus é santo? Santidade separado também. Diferente. Ter uma vida diferente. Uma vida separada. Uma vida dedicada. Uma vida consagrada. Ora, para andar a praticar a fornicação eu não preciso ir para a igreja. Não preciso ser santo. É impossível ser santo e andar a cometer pecado. Dei que quando pensamos e aceitamos que Deus faça parte da nossa vida, a vida deve ter esse processo. essa nova dimensão da nossa vida, de o exemplo é Deus, a palavra de Deus, é Jesus o nosso exemplo, movidos pela ação do Espírito Santo, agora andaremos em novidade de vida, uma nova vida.

não podemos mais continuar com a velha vida que nós tínhamos. Por isso é que se virem alguém a fazer uma coisa errada, dizem que ela fez uma coisa errada. Mas se virem uma pessoa que diz que é crente, Havia uma coisa errada? Aquela pessoa. Mas ela diz que é crente. Acrescentam os adjetivos possíveis uma carga superior. Porquê? Porque essa pessoa que deve ou deveria dar o exemplo deve viver uma vida de santidade. Procurar viver uma vida na perspectiva de Deus. Não carnal, nem das suas próprias ideias. Eu achei interessante duas palavras que aparecem num comentário diz que a santificação é um conflito permanente.

Como é que a santificação pode ser um conflito permanente? É um conflito dentro de nós. Pois, porque, no fundo, se olharmos para aquilo que o Hortelinda disse há pouco, o que era a vida, digamos, naquela cidade, o cristão estava a andar em sentido contrário, não é? Exatamente. O que significa que é um conflito. Porque estamos a andar em sentido contrário àquilo que é a normalidade de todos. E não só porque... Se nós saíssemos deste planeta e fôssemos para o céu ou para outro lugar, ajudaria, não é? Mas nós queremos ser santos neste mundo, o que se torna muito mais complicado. As tendências continuam, os nossos olhos veem, os nossos ouvidos ouvem, aquilo que aprendemos na nossa infância e na nossa juventude fica em nós, não sai.

E mais tarde ou mais cedo aquilo vem trabalhar, vem tentar e vem tentar desconstruir ou destruir aquilo que o Espírito Santo quer construir na vida daquele que diz que aceita Jesus como seu Salvador pessoal. É por isso que um crente tem mais lutas na vida do que um descrente. Porque o crente luta contra as suas tendências e luta contra aquilo que ele sabe que devia fazer e não está a fazer. Um descrente. Vai fazendo. Não está nem aí, como se diz, não é? Está despreocupado porque, ah, todos fazem, qual é o problema? Todos, todos dizem, isto é, isto é... Enquanto o quê? 1 Coríntios, capítulo 10. Portanto, quer comais ou bebais, ou façai outra coisa qualquer, fazei para a glória de Deus. Este é o objetivo.

É por isso que o incesto e a imoralidade sexual não é permitida dentro daquilo que deseja na sua vida honrar o nome de Deus. Existem igrejas que dizem assim, Deus é amor. Não importa o que eu faço, Deus me dá a salvação. Há um tempo atrás falava com um jovem, que pertence a uma outra dominação religiosa, e ele dizia-me assim, você sabe que eu sei, eu tenho certeza absoluta que eu estou salvo, eu vou estar no céu um dia. Você tem a certeza absoluta? Tenho, tenho a certeza absoluta. Eu vou estar no céu. Então está melhor do que eu, porque eu tenho que lutar todos os dias, não é? Na perspectiva dessa santificação, que é todos os dias crescer em Cristo e nunca podemos confiar em nós próprios.

Temos que confiar nos méritos de Cristo Jesus. E há, existem denominações que dizem, por exemplo, o que acontece, o que acontecer, Deus, Jesus Cristo morreu por mim na cruz, estou salvo. Não é assim. Porque senão o apóstolo Paulo não escrevia uma carta de repreensão, nem da admoestação. Se admoestamos ou nos repreendemos, é porque não podemos continuar a viver à luz da Bíblia assim da forma como nós queremos viver. E é curioso que ainda há pouco tu dizias que realmente nós podemos estragar tudo aquilo que o Espírito de Deus faz em nós. Isto para dizer que Paulo, por exemplo, considerava que o nosso corpo era e é o templo para o Espírito de Deus habitar. Aliás, se voltarmos à 1ª de Coríntios, capítulo 6, nós vamos encontrar nos

O corpo como templo

versículos 19 e 20, Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos. porque fostes comprados por bom preço, glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." Pedro, nós estamos a caminhar para o fim, mas gostava ainda de tentarmos perceber um pouquinho mais como é que esta verdade vai poder redefinir a forma como nós podemos ver o nosso corpo, como nós vemos o nosso corpo, como nós usamos o nosso corpo, as nossas escolhas, especialmente no contexto da pureza que Paulo vai colocar aqui e também da santidade, não é? Comece por fazer talvez até uma ligação àquilo que o António estava aqui a dizer há pouco. Nós temos que reconhecer que se há uma coisa que Jesus faz e a sua palavra, e portanto os apóstolos são continuadores dessa obra, é elevar a dimensão dos ideais a que nos propomos.

Quando os ideais são mais elevados, obviamente que o desafio é maior. Isto é uma regra que, na verdade, se aplica na nossa vida a muitas dimensões. Se uma pessoa iniciar um propósito de fazer desporto, se uma pessoa disser assim, o meu objetivo é ficar em melhor forma, a pessoa estabeleceu qual é o ideal, ficar em melhor forma. Isso é sobretudo no início do ano. Mas se uma pessoa disser assim, vou começar a praticar um desporto e o meu objetivo é ir aos Jogos Olímpicos, Para dar aqui duas coisas que são totalmente distintas. Ficar a melhor forma é desde o seu correr 10 minutos por dia ao fim de um mês já estou a melhor forma. O ideal é muito baixo. Portanto, é fácil atingi-lo. Agora, se eu disser que quero ir aos Jogos Olímpicos, eu já sei que para isso algum dia ser possível, isso é um caminho que vai orientar toda a minha vida.

O que quer dizer que a grandeza dos ideais a que nos propomos determina até que ponto nós vamos ser mais exigentes com a nossa própria conduta. Por isso há aquela metáfora de que os ideais são um pouco como as estrelas, os astros no céu. Nós daqui da Terra temos uma perspectiva, olhamos para as estrelas, vemos-las, e podemos dizer, olha, eu vou caminhar em direção a elas. E nós sabemos, pela física, nós por mais que caminhemos em direção a uma estrela, nunca na vida vamos chegar à estrela. Mas, se nós olharmos para ela e caminharmos, o que vai acontecer é que vamos caminhar muito. Porque como nunca lá chegamos, a estrela, na verdade, o que é que está a dar-me?

Direção. A orientar-te. Ela orienta a minha caminhada. Ela não se coloca como um mar, como uma coisa onde eu vou um dia chegar e dizer, ok, se eu subir uma montanha, posso lá chegar. Mas a estrela é um ideal. A vida cristã pode resumir-se a esta ideia de que Deus colocou diante de nós ideais absolutamente extraordinários. Qual é o maior deles todos? É Jesus Cristo. O exemplo de Jesus Cristo, nós estamos sempre a dizer, é aquele velho clichê cristão que é Jesus é o nosso exemplo, é para ele que eu siga o exemplo dele, não sigo o exemplo de ninguém, porque as pessoas falham. Se nós pensarmos bem qual é a consequência de dizer isto, é que Jesus foi perfeito Em todos os seus caminhos, cada decisão, cada palavra, cada gesto, o relacionamento com Deus, o relacionamento com os outros, Jesus foi perfeito em tudo o que fez.

Se eu digo que Jesus é o meu exemplo, eu estou por um ideal que é inalcançável. Mas por isso é que é tão bom como ideal. Porque eu nunca vou estar satisfeito. Eu não vou dizer, olha, já está, já sou calmo, ou sou paciente, ou já tenho amor suficiente. Nunca vou poder dizer isso. Não, eu ainda não estou ao nível de Jesus. Então a referência é tão elevada que isso orienta o meu caminho, dirige os meus passos. Ora, isso para mim cruza-se muito com esta ideia de que é, mais uma vez, um

Encerramento

ideal absoluto. Porque o apóstolo Paulo, no contexto da sexualidade, nós, e bem, alargamos a aplicação porque é um princípio de que é que, como o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, o que nós fazemos com o nosso corpo é muito importante. O que o apóstolo Paulo está a colocar dentro de nós é a ideia de que a nossa identidade é maior do que apenas quem nós somos aqui nesta terra. Eu não sou só o Pedro Esteves, a minha identidade não é só ser filho de duas pessoas, a minha identidade é uma pertença ao Criador. Se isso não alterar as minhas escolhas, então nada vai alterar. Neste sentido, os cristãos, aqueles que amam a Palavra de Deus, têm uma grande benção na sua vida, que é que o chamado e o apelo que está diante de nós é elevadíssimo e nós devemos dar graças a Deus por isso.

E é desta forma que nós fechamos, no fundo, a nossa emissão de hoje, o nosso programa de hoje. Com esta máxima que Paulo deixou, fomos comprados por bom preço e por isso devemos glorificar a Deus, porque Ele, no fundo, tem o direito do nosso corpo e do nosso espírito. Pertencemos a Deus. Antes de sairmos, e desde já muito obrigado pela vossa presença, marco o encontro convosco na próxima semana, porque a conversa foi tão boa hoje, que de certeza que na próxima semana teremos a possibilidade de continuar este bom momento. Antes de nos irmos embora, quero deixar consigo ainda esta oportunidade, este guia de estudo, como vê através da imagem desta revista. Ele tem por título Descobrindo Tesouros, foi escrito pelo Dr.

Rodrigo Silva, E está à sua disposição através do contacto 933-939291. É para este contacto telefónico que deverá mandar uma mensagem para poder receber gratuitamente em sua casa. Da nossa parte, já sabes, está tudo dito. Voltamos para a semana com mais um Bíblia Aberta. Até lá, deixe-se ficar com a Bíblia Aberta e Deus irá ajudá-lo a compreender as grandes verdades que ele tem para si. Até lá, que o Senhor o abençoe.

A nossa oferta

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Descobrindo Tesouros

Sobre este episódio

Neste episódio de Bíblia Aberta, continuamos o estudo da 1.ª Epístola aos Coríntios, explorando um dos temas mais desafiantes abordados pelo apóstolo Paulo: a imoralidade sexual, a disciplina na igreja, a santidade e a nova identidade em Cristo.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 4
Estreou
18 de Julho de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte