Dons Espirituais

Dons Espirituais

01 de Agosto de 202657 min 18 s

Capítulos

Transcrição

Gerada automaticamente

Abertura do programa

Está no ar mais um episódio do programa Bíblia Aberta aqui no canal da Novo Tempo Portugal. Já sabe que pode estar conosco e acompanhar estas emissões através do canal 186 da Mel. Nós estamos cá permanentemente, durante todo o tempo, para que lhe transmitamos esperança. No programa A Bíblia Aberta, temos por norma abrir a Bíblia, é mesmo assim, e estudar aquilo que são os temas importantes e necessários para a nossa vida, para podermos desenvolver a nossa espiritualidade e, ao mesmo tempo, recebermos de Deus a força e a coragem para ultrapassarmos algumas das barreiras que podem existir em nós e que são necessárias ultrapassar para que Deus atua na nossa vida e ao mesmo tempo nos dê a possibilidade de um dia estar no céu.

Semanalmente tenho sempre comigo três convidados, três amigos que me vêm ajudar a estudar a Bíblia, a abrir a Bíblia e podermos encontrar as mensagens de Deus. E hoje, não é exceção, o Pedro Esteves está connosco novamente. Olá, Pedro. Sejas bem-vindo. A Hortelinda também faz parte desta equipa. Obrigado. Que o Senhor te abençoe. E voltamos a ter o Paulo Sérgio connosco. Olá, Paulo. Obrigado por terem aceitado este convite e de podermos juntos, os quatro, desenvolver o tema que escolhemos para este episódio.

A base dos dons espirituais

Esta semana nós vamos examinar, aliás temos vindo a examinar alguns dos capítulos da primeira de Coríntios. Vamos usar estas duas cartas durante estes episódios que temos da Bíblia aberta. Em 1 Coríntios, hoje, nós iremos olhar para os capítulos 12 a 14, embora para a semana nós iremos ter um foco muito mais especial e mais aprofundado num destes capítulos, que é o capítulo 13, mas estes dois capítulos abordam um tema muito interessante, que são os dons espirituais. Como já vimos em vários episódios, Deus tem a sua igreja, a igreja é composta, digamos, é um corpo com diferentes partes e hoje nós vamos ver que qualquer um de nós que faz parte da sua igreja tem pelo menos um dom ou recebe pelo menos uma característica de Deus para podermos exercitá-la da melhor maneira.

Eu gostava de começar pelo primeiro dom. Vamos colocar aqui, digamos, um ponto de ordem, o primeiro dom. que está em 1ª de Coríntios, capítulo 12, versículo 3. 1ª de Coríntios, capítulo 12, versículo 3. Se tiver a sua Bíblia à mão, poderá abri-la. E nesta passagem, e podermos ler, diz que, portanto, vos quero fazer compreender que ninguém fala Ou melhor, que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz, Jesus é enatma e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor se não pelo Espírito Santo. Hortelinda, hoje vou começar por ti e vou te perguntar de que forma é que esta confissão de que Jesus é o Senhor, ou é Senhor, revela uma autenticidade da ação do Espírito na vida de cada um de nós, na vida de cada pessoa.

Pois podemos dizer que no contexto sociocultural e particularmente religioso do primeiro século, enfatizar ou confessar que Jesus é o Senhor era negar a César, portanto aquilo era, não é? e esse poderia ser punido até com pena de morte, porque César não podia ter concorrentes. Então, para fazer esta confissão de que Jesus é o Senhor, era necessário uma grande convicção, uma grande ousadia, que só com a assistência do Espírito Santo seria possível. realmente possível, não é? Em virtude do estado caído, o ser humano por si só e entrega-se às suas únicas capacidades humanas, ele não pode discernir realmente esta soberania de Cristo, esta grandeza, aquilo que Cristo realmente representa para a humanidade, aceitá-lo e confessá-lo.

Nós já referimos aqui em episódios anteriores um texto muito importante que o apóstolo Paulo escreveu justamente nesta mesma epístola, no capítulo 2 e no versículo 14, em que ele diz que o homem natural não pode compreender as coisas do Espírito de Deus porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las porque elas se discernem, espiritualmente. Logo, não tendo o homem a esta dimensão espiritual, o homem natural unicamente entrega a sua própria natureza, portanto o homem não pode reconhecer em Cristo o Filho de Deus, o Soberano do Universo e aquele também que se propõe para ser a solução para todos os problemas humanos.

Logo, chegar a esta conclusão e aí fazer esta confissão de que Jesus é o Senhor só é possível através de uma revelação, através da inspiração. Só uma revelação do Espírito é que pode levar um ser humano a chegar realmente a esta conclusão. porque discernir no humilde Jesus de Nazaré, um simples carpinteiro, caminhando pelos caminhos empoeirados da Palestina, de onde ele nunca saiu praticamente, portanto, a reconhecer nele Deus, feito homem, era qualquer coisa de impossível. O próprio Isaís, no capítulo 53, diz Ele não tinha nem parecer, nem formosura. E olhando de nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos.

Ou seja, ele não tinha nenhum atrativo. Aquilo que é um atrativo para os seres humanos, não é? Que causa impressão nos seres humanos. Jesus não causava impressão pela sua aparência. Jesus só podia causar impressão pela sua pessoa, pela sua mensagem e pela sua missão. E isso só o Espírito Santo é que pode revelar. Portanto, podemos dizer que há um trabalho prévio a esta confissão de que Jesus é o Senhor, trabalho prévio que o Espírito Santo realiza progressivamente, gradualmente, portanto, de maneira imperceptível, inconsciente, no coração dos seres humanos, preparando-o para este grande encontro com a pessoa de Jesus. Aliás, o próprio Jesus diz isto no Evangelho de São João, no capítulo 6.

Jesus diz, ninguém pode vir a mim. se o Pai que me enviou não trouxer." E depois no versículo 65 ele diz, por isso eu já vos disse, ninguém pode vir a mim se pelo Pai lhe não for concedido. Ou seja, antes de ires a Jesus e de reconheceres quem é Jesus, Há um trabalho que é feito em ti de maneira inconsciente, que realmente tu não estás consciente disso, mas que te prepara para esse encontro e para esse reconhecimento. No início do desenvolvimento sobre os dons espirituais, nós vemos que vamos estudar, portanto, neste episódio e no próximo, a falar desta presença do Espírito, desta necessidade absoluta do Espírito, para que algo espiritual aconteça na vida de um ser humano, o apóstolo Paulo quer dizer que o maior dom é mesmo o Espírito Santo.

Ele é o maior dom e é o dom através do qual vêm todos os outros dons. E através desses outros dons o Espírito propõe-se atingir ainda mais os seres humanos. Através daqueles que recebem os dons, que são objeto dos dons, Deus, que é a igreja, Deus pretende atingir todos os seres humanos, não é? Pelo seu exemplo, porque reconhecer que Jesus é o Senhor não é apenas uma questão, uma afirmação vocal, oral, é também uma confissão de vida. Confessar que Jesus é o Senhor representa viver isso na sua vida. Portanto, Jesus é o Senhor da minha vida.

Logo, isso implica uma mudança e vai implicar um testemunho que o Espírito vai usar para levar Cristo ao mundo. Acho que há aqui uma dimensão teológica, há um pequeno parênteses aqui que eu acho muito interessante nesta expressão, porque ela remete-me para uma das grandes verdades que os Evangelhos revelam sobre a maneira como o Pai, o Filho e o Espírito se relacionam. Resumindo a ideia de que, especialmente nos Evangelhos, vemos que o Pai exalta o Filho, o Filho exalta o Pai e o Espírito. É como se houvesse uma espécie de altruísmo na divindade, na trindade, como o designamos. Então, nós vemos, por exemplo, o Pai no batismo, a voz do Pai ao Adível lhe diz, este é o meu Filho, em que me compraso, ouvi-o.

Então, o Pai exalta o Filho. É como se Deus não precisa de se exaltar a si próprio, exalta sempre o outro. O pai diz isto do filho, ouvi-o a ele, mas o filho diz, eu não vim fazer a minha vontade, vim fazer a vontade do meu pai. Exalta o pai. Depois vemos Jesus repetidamente a dizer aos discípulos que importa que eu vá embora, vocês vão fazer coisas maiores do que as que eu faço, porque o Espírito vem. Como se ele dissesse, é muito mais importante que venha o Espírito do que eu esteja aqui. Esta confissão permanente dos evangelhos entre o pai, o filho e o espírito, como se a exaltação fosse para o outro, é uma ideia que está aqui repetida porque o apóstolo Paulo diz que quem tem o espírito exalta Cristo.

Não é o que é interessante nos termos porque nunca é exaltação de si mesmo, é do outro. E também parece haver um período na história humana em que cada um tem um papel

A diversidade que une a igreja

mais específico, uma maior preponderância. Concluímos então que o primeiro dom, se quisermos, é um dom transversal a todos nós. Todos nós temos que reconhecer Jesus como Senhor. Mas Paulo vai falar um pouco da diversidade, que é uma diversidade que une ao contrário daquilo que muitas vezes pensamos que a diversidade pode dividir. E se formos a 1ª de Coríntios, capítulo 12, lendo os versículos 4 a 6, nós vamos encontrar esta ideia. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em nós.

Pedro, como é que podemos Como é que pode esta diversidade de dons fortalecer de alguma forma a unidade da Igreja em vez de gerar divisões? Sim, sem dúvida. Isto é um tema muito importante, mas mesmo quase no centro do que é a teologia da Igreja. costumamos chamar-lhe de zoologia, e o coração dessa teologia assenta nos dons. Os dons e a vocação são os dois pilares sobre os quais é construída a Igreja Cristã. Isto é essencialmente o ensino dos apóstolos. mas especialmente Paulo, claro, por força das circunstâncias, até porque escreveu muito mais que os outros. Embora o apóstolo Pedro também refere a algum aspecto sobre os dons, mas realmente os dons e a vocação são os dois pilares sobre os quais assenta a estrutura.

O evoluir da Igreja já nos tempos apostólicos, e naturalmente depois com a história, a Igreja obviamente tornou-se uma organização que depende muito da forma como está estruturada. E a estrutura é muito importante para a Igreja existir, especialmente no sentido em que a Igreja se tornou global, universal. Isto é uma realidade, aliás, para várias igrejas cristãs. Eu estou aqui a utilizar o termo igreja num sentido mais teológico, não olhando para a que igreja estou a falar, propriamente. É a comunidade, o conceito de uma comunidade de crentes. Mas mesmo se aplicarmos à realidade várias denominações cristãs, é evidente que várias denominações são universais, no sentido em que têm uma missão que se estende pelo planeta.

Nesse sentido, nós percebemos que a organização no fundo, não é bem uma escolha. A organização é essencial para que seja possível ter crentes espalhados pelo mundo todo e ainda assim sentirem-se parte de uma comunidade. No fundo, estes princípios já estão na Bíblia, porque a Igreja começou à volta de Jerusalém, se quisermos, e depois vai expandindo, expandindo, como Paulo nas suas próprias viagens, e depois as suas cartas revelam isso. A Igreja estendeu-se, logo, como é que se pode estender e manter unida uma realidade tão grande? Obviamente que é através de estrutura. Por isso toda a Igreja se desenvolveu a partir de uma estrutura. Só que nós não podemos é confundir a estrutura da Igreja com, por exemplo, estruturas humanas conhecidas, sejam elas empresariais, organizações do Estado, governamentais, etc.

Porque a Igreja tem uma forma de organização essencialmente diferente, mesmo se ela tem que usar mecanismos conhecidos no âmbito das organizações. Este preâmbulo aqui é para dizer que no coração dessas diferenças está o facto de que a base da organização da Igreja não é uma hierarquia, por exemplo, tradicional, nem é a meritocracia, que é outro aspecto muito importante, porque a meritocracia é um valor extremamente importante para quase todos os tipos de organização. Mas essa linguagem é substituída na Bíblia pela linguagem dos dons e da vocação. Significa que a vocação é o chamado, a ideia de que a pessoa que vai servir, seja em que área for, da organização, da igreja, ela tem que ser chamada para tal.

Por isso há uma dimensão sobrenatural aqui, que é o nós dizermos, eu sinto que Deus me chamou para isto. Ou um grupo de pessoas reconhecer, Deus está a fazer um chamado. E depois os dons são o que permite operacionalizar esse chamado. Deus chama, mas agora chama-te para fazer o quê? Com que meios? Com que recursos? O primeiro de todos os recursos que existem para uma pessoa poder servir a Deus são os dons que Ele lhe concedeu. É com base nisto que podemos dizer que a diversidade de vocações e a diversidade de dons não dividem porque elas são essencialmente a maneira como se estrutura a igreja ou a comunidade.

É que se substituem os valores de hierarquia tradicional ou meritocracia, ou o que seja, porque não é o esforço humano e a capacidade humana que está na base. Mas se Deus dotou uma pessoa e a comunidade reconhece aquele dom, o caminho natural é que aquele dom vai ter meios e oportunidades para ser exercido. Então, aqui eu estou a providenciar, se quisermos, uma espécie de uma base teológica. Agora, eu gostaria de juntar aqui dois ou três pontos que me parecem muito interessantes para responder à pergunta porquê é que a diversidade não é um problema. Mesmo se pode ser, em termos práticos muitas vezes é. Mas em tese não é de todo e nós precisamos trabalhar para compreender isso, claro. Primeira realidade, nesse aspecto, que eu acho muito importante, é compreender que a diversidade tem origem divina.

O próprio Deus é diverso. Há bocadinho estava a me referir à questão da trindade. O facto de Deus estar revelado em três pessoas que são distintas, e a distinção é grande porque são distintas na maneira como se relacionam com o ser humano, na manifestação visível que nós temos de cada um, mesmo na obra que executam. Nós sabemos que tudo isso é complementar, mas são distintas. O que quero dizer é que a ideia de que a diversidade é a riqueza do ser, ela é própria a Deus, porque Deus Ele mesmo já é diverso. Não se consegue olhar para Deus só de uma perspectiva. Nesse sentido, o Bíblio quer dizer olhar para o Pai, ver as características do Pai, tal como estão reveladas na Bíblia, não me dá um quadro total de Deus.

Porque, por exemplo, no Pai nós encontramos muito a ideia de autoridade, o Deus dos princípios, dos valores, mas em Cristo nós encontramos essencialmente o Deus que dá o exemplo de como é que se vivem esses princípios. Ou o Deus do perdão, por exemplo. Sim. Ou o Deus da proximidade. É da proximidade. Mas ele disse, eu vim fazer a vontade do meu Pai. Quer dizer, o Pai é que dá a vontade e Jesus ensina-nos como é que se vive essa vontade. Por isso é que quando nós olhamos... Problema é a dificuldade que nós temos em compreender que a diversidade não é contraditória. Para nós diversidade é a contradição do outro e não é assim em Deus. É como se o outro pensa ou age de uma maneira diferente, ele está em contradição comigo. E por isso que nós vemos, não há nenhuma contradição entre o pai e o filho, porque o filho que veio é mostrar quais eram os valores que estavam em causa naquilo que o pai revelou.

Por isso ele conseguiu viver. Portanto, se Jesus perdoou, não é para dizer assim, ah, o meu pai não perdoou, mas eu perdoo. Não, é para explicar como é que funciona o perdão do pai. E nós sabemos que o Espírito depois dá-nos a nós o poder de conseguirmos fazer o quê? Seguir o exemplo de Jesus, imitar Jesus, mas imitá-lo a fazer o quê? A cumprir a vontade do pai. Quero dizer que a própria diversidade em Deus é um exemplo supremo de como é que se pode ser diverso e unido ao mesmo tempo. Aliás, a este propósito, é uma das expressões que eu mais aprecio no Novo Testamento. Ela aparece pelo menos duas vezes no apóstolo Paulo e no apóstolo Pedro, que é a ideia de que Deus é multiforme. A expressão é riquíssima em termos de significado.

O apóstolo Paulo Osifésios diz que... Falando da Igreja, diz que é pela multiforme sabedoria de Deus que a Igreja vai tornar conhecida. A graça é multiforme. E depois a graça, que é o apóstolo Pedro, que aí até o contexto é os dons, em que ele fala da multiforme graça de Deus, que é que garante que existe essa diversidade de dons. O que quer dizer que nas manifestações de Deus sobre nós, a multiforme atitude e mesmo o ser de Deus é multiforme. Deus não olha para as coisas nem as manifesta sempre da mesma maneira. Por isso é que os apóstolos exploram tão bem, especialmente o apóstolo Paulo, a ideia de que a igreja vive, a comunidade cristã vive da conjugação de duas características.

Aqui Coríntios 12 é um dos melhores exemplos para isso, mas Romanos 12 explora muito bem isso e Efésios 4, que é um dos meus textos favoritos sobre dons, também explora muito bem. Que é a ideia de que existem fatores, na experiência cristã existem fatores que unificam e fatores que diversificam. Se só existissem fatores a diversificar, então poderíamos ter um problema. Mas é a conjugação dos dois fatores. O texto é muito claro a dizer que há diversidade dos dons, mas o espírito é o mesmo. No fundo eu só estou a traduzir, como se fosse a declinar o que é que o texto diz, porque é muito direto no texto. Para cada fator diversificador que cria diversidade, que cria formas diferentes de manifestação, obviamente que para cada um desses tem que haver um fator unificador.

Por isso há diversidade de dons, mas o espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, que são as áreas em que se podem aplicar os dons, mas o Senhor é o mesmo. Assim como há diferentes operações, que são as formas de tornar as diferentes áreas do Ministério aplicáveis, o exemplo concreto seria uma pessoa tem o dom, por exemplo, de falar, de comunicar. Mas não há só uma forma de utilizar o dom da comunicação. Por isso é que há diferentes Ministérios. Uma pessoa pode usar o dom da comunicação na proclamação do Evangelho e outra pessoa pode usá-lo para o diálogo O ensino. Só que depois também há a diversidade de operações, porque as pessoas que têm, por exemplo, um dom de oratória, não o utilizam todos da mesma maneira.

Por isso é que há pregadores que falam de formas muito diferentes e nós apreciamos imenso ouvir duas pessoas totalmente distintas. Por exemplo, uma pessoa que é muito racional e utiliza muitos argumentos e nós ouvimos e dizemos que aprendi tanto. E outra que é muito sentimental, conta histórias, fala da sua experiência e nós sentimos tocados. Então não há só uma forma de operacionalizar o Ministério da Pregação que vem do dom de comunicar. Então aqui está um exemplo de como a diversidade é muito importante mas ela funciona quando está unida através dos fatores unificadores. E nós aqui estamos a criar um puzzle sobre as coisas que Paulo deixou bem claros sobre os dons. E há um outro tema, há uma outra peça que se encaixa nesta conversa que é muito

O valor dos membros mais fracos

importante, é que para Deus ninguém fica de fora. E se formos a 1ª de Coríntios, capítulo 12, para lermos os versículos 22 a 25, nós podemos ver que aqui, neste capítulo 12, Paulo vai dizer isto. Antes, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários, e os que reputamos menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais. E aos que em nós são menos decorosos, damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais decorosos não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.

Paulo, esta ideia que Paulo nos dá aqui, e tu tens o mesmo nome que eu, Fausto Paulo, por que razão Deus valoriza especialmente os membros que parecem ser um pouco mais fracos ou talvez até menos visíveis na igreja, neste corpo que é o corpo de Cristo? Eu vou responder a isso, mas dá-me um segundo só para dizer um comentário sobre aquilo que Pedro estava a dizer, porque estava avirmamente uma simbologia que tem a ver com a força, com as forças, quer dizer, é como se a imagem que Paulo está a dar aqui para a Igreja, que nós não nos podemos esquecer que estamos aqui entre três capítulos em que Paulo está a explicar à Igreja de Corinto o que é que ela deve ser e o que é que ela não deve ser com base nos dons espirituais, mas tu estavas no fundo, Pedro, a dar aqui uma ideia de que é como se existisse aqui uma estrutura com duas forças.

Elas, uma força centrípeta, de unidade, de trazer para o centro que é Cristo, que foi o que a Linda começou por nos explicar que é condição para todos os outros dons, é estar em Cristo, e uma força centrífuga, que é de afastamento e que tem a ver com a diversidade. E se uma delas existisse sem a outra, não poderia existir o equilíbrio de cada coisa estar no seu lugar. E nós não nos podemos esquecer, acima de tudo, que o grande objetivo da comunidade de crentes não é existir para si. a existir para os outros que não pertencem a essa comunidade de crentes. E, portanto, no espírito de Paulo, quando escreve, está em que os coríntios pudessem estabelecer entre si uma comunidade saudável, mas ao mesmo tempo que pudessem transformar-se a si próprios numa comunidade que chamasse as outras pessoas.

E esta questão da unidade e da diversidade é realmente extraordinária quando pensamos nela. Mas nós não nos podemos esquecer, voltando à tua pergunta, de que Paulo está a dar o exemplo de um corpo. Esse é que é o símbolo que ele escolheu para dar a ideia do que é que deve ser uma comunidade de crentes. E antes de passar ao versículo 22, aquele que tu começaste a ler, eu penso que poderíamos voltar ao versículo 18 que diz, mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E esta expressão de que Deus colocou como quis, dá uma ideia da soberania de Deus por um lado, mas por outro lado, da atenção que ele teve a que sendo cada membro da comunidade um membro do corpo da Igreja, de Cristo, tem de facto a sua função.

E Paulo vai utilizar aqui determinado tipo de expressões que têm de facto a ver com a funcionalidade, com a utilidade. A palavra necessário tem a ver com isso. O texto começa, tu leste, antes os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários. Esta ideia da necessidade é muito bonita quando se está a falar da fragilidade, porque infelizmente no mundo em que nós vivemos a fragilidade não é propriamente a melhor coisa que nós podemos dizer a alguém para a fazer sentir necessária. Isto é o contrário. Aliás, na história nós vemos os exemplos contrários. Eu sei que nós não estamos aqui a falar destes temas. Mas se nós formos a exemplos históricos, por exemplo, do que foi a cidade-estado de Esparta, em que as pessoas que nasciam imperfeitas ou que não tinham utilidade para a comunidade eram eliminadas, em que as pessoas, por exemplo, em outros exemplos, infelizmente, mais próximos de nós, século XX, quem não tivesse um padrão de uma determinada raça era ou expulso ou eliminado, nós estamos a ver de facto que naquilo que é a natureza pecaminosa do ser humano, A fragilidade não é, de maneira nenhuma, o melhor indoce para uma pessoa ser necessária, para ser útil, se nós quisermos utilizar as palavras de hoje em dia, desde o século XIX, esta ideia do Adam Smith, da utilidade que cada um e que cada grupo tem para a sociedade.

E Paulo está a utilizar esta palavra de uma forma muito expressa, diz assim, Os que parecem ser mais fracos, quer dizer que não são. Os que parecem ser mais fracos são necessários. E depois vai mais longe e diz, os que reputamos, ou seja, a reputação é algo que alguém confere a alguém. Não é o que a pessoa tem em si. Isso é que é a definição de reputação. Os que nós dizemos que são menos honrosos, a esses honramos muito mais. Isto é de uma profundidade tremenda porque está a dizer que o valor que cada um tem não está na nossa percepção do que eles fazem na comunidade. mas está no facto de eles terem o papel que Deus lhes deu na comunidade. Eu não vou repetir a frase da mesma maneira, não vou ser capaz, mas é uma completa inversão daquilo que nós normalmente pensamos em relação uns aos outros, quer pela nossa natureza carnal, quer porque a sociedade funciona de uma determinada forma.

E Paulo o que está a dizer é não tenham a perceção que há uns que são mais importantes que outros pelo seu papel no corpo. Porque aqueles que parecem mais frágeis, é esses que nós devemos honrar mais. Eu lembro, como ele utiliza a expressão do corpo, eu lembrei-me imediatamente, porque nós procuramos coisas a que nos dizem respeito, durante muito tempo as nossas ciências médicas interrogavam-se sobre o papel de alguns órgãos que parecia que não tinham função nenhuma. Eu estou-me a lembrar do apêndice, tirava-se as amígdalas com uma facilidade tremenda. E hoje em dia a avaliação é diferente porque começa-se a descobrir que eles estão lá com uma função que era desconhecida. E eu acho que isto equivale muito à maneira como nós, numa comunidade, nos avaliamos uns aos outros. Parece que a pessoa que se destaca, se calhar o que prega ou o que ensina, é capaz, por causa da sua função, de ser reputado pelos outros como sendo mais importante.

E eu aposto-lhe pauta a dizer que não é assim. Está a dizer que, de facto, como foi Deus que criou, como foi Deus que atribuiu, é Deus que é responsável por aquilo que entrega a cada um. E esta honra, digamos assim, que ele utiliza como palavra, algo que parece que é menos decoroso, é uma proteção contra o orgulho próprio daqueles que reputam os outros como sendo inferiores e também, como o Pedro acabou de explicar, a própria divisão. Porque ao reputar as pessoas em função daquilo que é a sua contribuição para a comunidade de crentes, nós estamos a contribuir, de facto, ou as pessoas estão a contribuir para uma divisão, para uma hierarquização daquilo que são os dons espirituais. O que é certo é que o corpo não pode funcionar sem que cada um compre a sua função dentro dos dons que Deus lhe atribuiu e da vocação.

como disse o Pedro, que é sentida pelo próprio, mas que é objetivamente dada por aqueles que estão à volta. A vocação tem estas duas partes, que é o chamado que a pessoa tem e a atribuição que a comunidade de crentes lhe dá. E nós acreditamos que isso é feito através do Espírito Santo, isto é muito importante, quer o chamado, quer depois a identificação desses dons pela comunidade geral que diz esta pessoa foi-lhe atribuído um determinado dom que é útil, que é útil, que é necessário. A palavra necessidade é o corpo não vai funcionar, isso é que quer dizer necessário, é uma condição necessária, não vai funcionar da mesma forma se aquele instrumento de Deus não estiver a ser aquele que se espera ou que Deus espera dele. Não importa o tamanho, não é? Não importa o tamanho, não importa a função, não importa a reputação que os outros lhes dão.

O que Paulo está a dizer é que não só é importante que cada um cumpra a sua função, como todos reconheçam que cada função é importante, independentemente daquilo que aos nossos olhos parece mais ou menos importante. Ou seja, no fundo esta expressão é um aviso à comunidade contra o orgulho e contra o divisionismo. Não há que separar a pessoa da função. Na igreja, os membros pequenos têm o mesmo valor dos outros. Ou seja, o valor, o teu valor como pessoa, como filho de Deus, não depende do que tu faças. Há funções que são mais importantes umas do que outras. O coração é mais importante do que o pé. Mas, na realidade, no absoluto, nenhum membro na comunidade tem mais valor do que outro.

Temos todos o mesmo valor, independentemente. E é muito interessante que nós vamos à igreja para ouvir a mensagem de Deus, não é? E se calhar, às vezes, o que nos toca mais é um abraço que alguém nos deu. Um simples dom que aquela pessoa tem, que é quase insignificante perante a oratória, digamos, daquele que está à frente da igreja a liderar ou a falar, mas aquele abraço caiu que nem uma luva, como costumamos dizer. Satisfez uma necessidade. Posso ter 20 segundos? Eu fiz aqui uma lista, não vou dizer-lhe a toda. Nós, quando vimos aqui, preparámos-nos. Eu acho que, quando nós olhamos para o Ministério de Jesus, porque Paulo fala sobre a inspiração de Deus, e, como o Pedro disse, Jesus é o exemplo daquilo que Deus deseja que seja feito, nós vemos no Ministério de Jesus uma prova real da preocupação.

que existe a parte de Deus em demonstrar duas coisas. Não só que os fracos são necessários, como aqueles que não se consideram fracos. Repara que eu não estou a dizer que não são fracos. Aqueles que não se consideram fracos têm que ser avisados sobre a importância desse ministério. Quando nós olhamos, por exemplo, para o que Jesus disse quando uma mulher deu dois dinheiros no templo e o que ele disse relativamente à comparação com aquele que se considerava justo. A tentativa de chamada de atenção para a fraqueza. O elogio à mulher que lhe lavou os pés num jantar em que toda a gente queria que ele fizesse milagre. Muitos exemplos em que Jesus está a dizer, atenção à forma como reputamos, aqueles que são fracos. Porque em todos estes exemplos nós vemos que a fraqueza estava do lado daqueles que se pensavam fracos. Forges. Fosse o Fariseu, ou fosse Simão, ou outros exemplos que eu trouxe aqui, que não temos tempo.

Muito bem. Estamos a construir, digamos assim, o puzzle em torno dos conceitos que Paulo nos deixa em Primeira de Coríntios. A conversa está a ser muito interessante e nós vamos continuar a conversar, mas agora temos que fazer um curto intervalo. Ele é muito rápido, não sai do seu lugar. Nós voltamos já a seguir.

A importância do estudo bíblico

TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança. Aqui estamos nós de novo para recomeçarmos a nossa conversa, ela está a ser muito interessante. Estamos a falar neste episódio sobre os dons que Deus deixou à sua igreja, a capacitação que Ele faz a cada um de nós como membros do seu corpo, da sua igreja. e de certeza absoluta que até ao fim deste episódio você não vai perder tudo aquilo que ainda temos para lhe dizer. Antes de retomarmos a conversa, eu quero lhe dar a oportunidade de poder entrar em contato connosco. De que forma? Temos um guia de estudo, um guia da Bíblia, um guia de estudo da Bíblia, que é bastante interessante.

Tem por título Céu ou Inferno? Será que nós estamos salvos ou será que nós estamos perdidos? Será que nos iremos salvar ou será que nos iremos perder? Bom, são duas perguntas das quais cada um de nós pode exercitar o seu conhecimento e a sua relação com Deus para perceber claramente em que patamar se encontra e qual o caminho verdadeiro a seguir. Por isso, este guia de estudo tem vários temas que nos poderão ajudar e serem muito úteis para a nossa edificação espiritual, para a nossa entrega a Jesus e, acima de tudo, para nós percebermos o que Ele espera de cada um de nós Por isso, se desejar ter gratuitamente em sua casa, sem nenhum custo, poderá fazer o seu pedido através do telefone 933-939291, 933-939291, enviar uma mensagem pelo WhatsApp e nós teremos todo o gosto em dar-lhe resposta e entregar-lhe gratuitamente este guia de estudo.

Vamos retomar a nossa conversa, porque ela estava muito interessante. Vimos que é necessário que todos nós possamos reconhecer Jesus como o Senhor da nossa vida. Que a diversidade, afinal de contas, não divide, mas une, na perspectiva que Paulo nos dá. Que todos nós somos importantes. Não há ninguém que Deus não tenha escolhido e que não lhe tenha capacitado. Nós às vezes temos dificuldade em olhar para alguns desses membros de igreja, mas para Deus eles são indispensáveis. E agora vamos entrar num outro tema, vamos encontrar aqui uma outra peça do puzzle que ela também é muito importante. É que sem amor nada disto funciona.

O amor como essência dos dons

Mas para isso eu gostava de nós podermos entrar aqui de uma forma muito leve em 1 Coríntios capítulo 13 versículos 1 e 2. Que diz o seguinte, ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os mundos, e não tivesse amor, nada seria. Hortelinda, perante este argumento tão poderoso, tão profundo de Paulo, porquê é que o amor é assim tão indispensável para dar aquele sabor, aquele verdadeiro valor a qualquer dom espiritual que possamos ter e que a Igreja tem?

e torná-lo verdadeiramente útil, não é? Porque os dons espirituais são capacidades, são poderes que Deus dá aos seres humanos, aos crentes, para desenvolverem ações de intervenção, de transformação. Portanto, são verdadeiras forças se não forem usadas com amor. Eles podem ser altamente negativas, não é? ou mesmo uma verdadeira maldição tanto para quem o detém como para quem realmente é ministrado por esse amor. Mas talvez precisássemos primeiro de saber o que é o amor, não é? Porque é que ele é realmente tão importante para os dons ou para os relacionamentos ou para todas as coisas, não é? Mas particularmente aqui. Definir o amor, aquilo que toda a gente tentou durante a história, poetas, escritores, psicólogos, definir o que é o amor.

Definir o amor não é realmente uma tarefa fácil. Mas eu creio que a Hortelinda é a pessoa indicada a fazer isso. Sou certamente a pessoa indicada a fazer isso. O apóstolo Paulo tampouco define o que é o amor. Ele não define o amor. Ele define o amor pelos seus atos, pelas suas obras, por aquilo que realmente acontece. De forma que temos nós que fazer uma definição de amor. E de tudo aquilo que o apóstolo diz, nós inferimos que o amor finalmente é o quê? O amor é o nosso investimento no crescimento do outro. na realização do outro como pessoa. Na realização do outro, sobretudo, como projeto de Deus.

Por isso é tão importante estar à escuta do outro e à escuta de Deus para poder realmente exercer este amor. Portanto, inferimos daqui que o amor é aquilo que eu sou chamada a fazer para que o outro seja. Há um autor que conhecemos bem, que é o Roberto Badenas, e ele diz que amar é fazer viver o outro. E é verdade, é ajudar o outro a viver. É dar-lhe tudo aquilo que na nossa possibilidade temos para que ele possa realizar-se e vir a ser aquilo que ele pode ser. Não aquilo que, se calhar, nós queremos que ele seja, mas aquilo que ele pode ser. O amor é, então, esse investimento no outro como projeto.

não é um investimento para realizar os seus desejos, não é um investimento para realizar aquilo que realmente ele pode querer, mas aquilo que ele necessita como pessoa. E por isso, amar é estar sempre à escuta, à escuta do outro, também como pessoa. Por vezes, os pais têm para com os filhos um amor que parece amor e não é amor, não é? Portanto, podemos dizer que há um amor que é um amor adequado e um amor que é desadequado. A diferença entre o amor adequado e o amor desadequado é que o amor adequado preenche as necessidades da pessoa amada. Está à escuta do que ele necessita. Enquanto que o amor desadequado está à escuta daquele que ama.

Aquele que ama por si, não pelo outro. Ama para realizar os seus próprios desejos, por vezes as suas próprias frustrações, por vezes a sua própria vontade, o seu próprio projeto. E não está, portanto, à escuta do outro. Assim é este amor. O que fala em Coríntios, no enquadramento dos dons, é um amor de total abertura ao outro. Geralmente é um amor de acolhimento, é uma abertura ao outro como pessoa. Repara que tu lestes no início, o apóstolo Paulo diz, eu posso dar todos os meus bens aos pobres, mas se não tiver amor... Nada serve. Ou seja, o amor não é dar coisas. O amor também não é só fazer atos, práticas, coisas.

O amor é uma abertura à pessoa. É a pessoa que conta. É a pessoa que está no centro do teu interesse. É por isso que Jesus diz, claramente, quando ele fala dos últimos tempos, que quando ele voltar existirão muitos que irão se interrogar. Nós demos. Nós fizemos tudo. Faltava o amor. E esse amor é uma ligação direta com Deus. Faltou isso. Por isso é que Jesus disse, não vos conheço. O que fizeram foi poderoso. puderam fazer coisas poderosas, mas realmente não construiu, não edificou, porque foi feito sem mim. Foi feito, portanto, sem amor. Podemos talvez aqui incluir aquela expressão bíblica que se calhar é a melhor definição de amor que podemos encontrar, que é Deus é amor.

E vai definir Deus. Exatamente. Não é possível. Eu ia dizer obrigado por teres introduzido isso, eu sei que ainda não é a minha vez de falar, mas acho que a Hortelinda tem uma capacidade de dizer em frases muito curtas coisas muito profundas e cada uma das coisas que disse antes merecia que nós estivéssemos aqui a falar muito tempo. Mas eu penso que, de facto, aquilo que o Jorge acabou de dizer é muito importante porque nós encontramos a definição de Deus escrita por João, digamos, o discípulo mais próximo de compreender pela proximidade sentimental que tinha com o seu mestre de referência, que era Jesus. Disciplo do amor. Portanto, João, quando define Deus é amor, nós podemos dizer o contrário. A única maneira de verdadeiramente definirmos amor é dizer que o amor é Deus.

Nós não temos nenhum exemplo de perfeição do que é o amor, de conseguir explicar o que é o amor, como sendo Deus. E eu aposto-lhe, Paulo, quando fala das três palavrinhas, Todas elas extraordinárias sob o ponto de vista do que é o reino espiritual. A esperança, a fé e o amor. De facto, quando nós refletimos, eu sei que para a semana vamos falar em Coríntios 13, mas fica só aqui, levantar um bocadinho o véu. É extraordinário quando ele diz que a maior das três, fé, esperança e o amor, é o amor, porque de facto se nós pensarmos, não querendo ser polémico, mas é a única que vai perdurar para a eternidade. Para nós que acreditamos na segunda vinda e numa vida eterna com Deus, nós não vamos precisar de esperança depois de estarmos nesse momento em que inicia a vida eterna para todo o sempre.

Não vamos precisar. Não vamos precisar de esperar porque estamos lá. E não vai haver nada melhor para esperar. Portanto, a esperança vai ser algo, que eu não vou dizer vazia, mas vai ser uma memória daquilo que fizemos, nem espera por Deus. E a fé também não, porque a fé é necessária. A definição de Paulo é que tem a ver com o que não se vê e tem a ver com o que se espera. Portanto, se já se vê e se já não se espera, a fé já não vai ser necessária, vai ser precisa. Fidelidade, mas a fé em si, que nós definimos, não. Mas o que vai lá estar é o amor. Esse não vai terminar. Podemos dizer, por exemplo, a Igreja de Corinto. A Igreja de Corinto tinha muitos dons, eles vangloriavam-se de ter muitos dons, mas os dons nas suas mãos não eram uma benção, porque era uma maneira de se valorizarem a si próprios, de se vangloriarem, de se compararem, de se encontrarem superiores uns aos outros.

Isto mostra que, sem o amor, as bênçãos de Deus podem se tornar maldições. É necessário sempre que o amor esteja presente para canalizar, orientar de maneira positiva os dons. Sem o amor, os dons podem ser muito perigosos. E nós conhecemos pessoas que, porque têm muitas capacidades, fazem muito mal no mundo, porque têm muita capacidade para fazer mal. É curioso ver que dentro desta perspectiva dos dons espirituais que Paulo assinala e que tu estavas a dizer, e com muito interesse, a questão da Igreja de Coríntio, havia claramente muita gente muito capacitada, há contudo uma base de conteúdo que é preciso juntar aos dons e desenvolver os dons a partir dessa

O verdadeiro dom de profecia

base. Podemos dizer profecia, se quisermos, não é? E, de alguma maneira, Paulo, em 1 Coríntios, capítulo 14, versículo 3, vai dar esta nota. Diz... Os dons têm aqui uma base de orientação e de perspectiva do que é que poderá ser o caminho a seguir. Paulo, como é que o dom de profecia E a Bíblia fala-nos desta característica do dom de profecia. Como é que ele pode ser vivido nos nossos dias como um instrumento de edificação e ao mesmo tempo de exultação, mas também de consolação para a Igreja?

Bom, é curioso, lá está outra vez, não podendo ir muito fundo à questão, mas Paulo fala no versículo 3, um bocadinho na sequência, mas em contraposição ao dom de línguas. E era interessante até analisarmos porque é que ele tem esta referência em relação ao dom de profecia. em contraposição ao que disse antes ao dom de línguas. Mas não podendo ir por aí, eu diria que Paulo redefine o dom de profecia. Aliás, nós até podemos pensar que ele o redefine face à necessidade que está a ver a mensagem que tem que passar aos coríntios. Portanto, ele está a referir, se calhar, a ideia que as pessoas têm sobre o dom de profecia. para quem não entendesse. E ele está claramente a dizer que não é só prever o futuro ou predizer, se nós quisermos utilizar outra palavra mais correta, mas é falar ao coração das pessoas. A palavra original que aparece no grego para profeta significa mensageiro de Deus, alguém que anuncia, uma palavra que significa falar à frente de alguém, um heraldo, se quisermos, que anuncia alguma coisa.

Esse é que é o profeta. E as religiões e a sociedade, e nós na nossa vida mais diária, focamos sempre um dos aspectos da profecia, que de facto é a previsão e a predição, que não são a mesma coisa, algo que tem a ver com anunciar às pessoas o futuro, quando nós falamos em profeta é assim. E foi a sociedade que habituou, os que estão a ver-nos lá em casa, a nós próprios, infelizmente o profeta na nossa mente, desculpa a brincadeira, mas é para quem não está tão habituado à linguagem bíblica, quando nós falamos em profeta a sociedade infelizmente pensa mais e nós estradamos. do que no Apóstolo Paulo que nós estamos a estudar. E este é que é o problema. O profeta não só prevê, não só prediz, ele é avaliado por isso, portanto, se diz alguma coisa que depois não acontece, é o sinal que a Bíblia indica que ele não é profeta, sem dúvida, mas também é avaliado pelos seus frutos.

pela adequação da sua mensagem aos profetas que já foram testados, às escrituras. Nós citamos muito isso aí as 820, que tem a ver com aquilo que não fala segundo a lei e o testemunho não verá a alva, portanto não será salvo. O principal, porém, num profeta é a sua mensagem. E é isso que o Paulo está a querer chamar a atenção. É que o profeta não é só aquilo que prediz, mas é que ele tem uma determinada mensagem. Então ele vai alargar o conceito de profeta, explicando pastoralmente à Igreja de Coríntio, mas a nós também, que a profecia é de uma utilidade superior somente àquilo que é a previsão do futuro. E há três dimensões concretas, que foi aquela que tu citaste, e bem, ele diz, em primeiro lugar, profetizar é edificar.

O que é dizer edificar? Construir, criar alicerces, fortalecer, dar estrutura. Quando nós pensamos se tudo o que nós dizemos às outras pessoas lhe está a dar alicerces ou estrutura em público ou em privado, e Paulo está a chamar a atenção disso, a primeira função de profetizar é construir as pessoas e as comunidades. Segundo, exortar. O que é que é exortar? É uma palavra que nós não utilizamos hoje em dia. Exortamos aqui parece muito erudito, mas exortar significa, no fundo, duas coisas. Primeiro, uma que nós temos muita dificuldade em aceitar num mundo individualista e profundamente autonomista em que nós vivemos. Exortar é chamar a atenção. Portanto, quando alguma coisa está menos bem é preciso corrigir, é preciso chamar a atenção para que o rumo seja colocado da forma como é esperado.

Mas exortar também é estimular, também é motivar, também é pedir que haja uma ação, uma reação àquilo que está a ser dito. Portanto, a exortação é também o papel do profeta. E terceiro, um aspecto muito importante, o consolo. O consolo significa amparar na dor, animar no desânimo, ser capaz de dar esperança às pessoas que estão desesperadas. Eu defino o consolo para aqueles que mais facilmente compreendem estes assuntos. É uma função de capelania que devia ser permanente. Quer dizer, a questão de cuidar de uma comunidade de crentes, seja ela uma escola, um hospital, a nossa própria família, é o cuidado em consolar aqueles que em determinado momento precisam de apoio, de assistência. Portanto, quando nós pensamos que Paulo está a definir um profeta como uma pessoa que tem a função de fazer estas três coisas, e que são três palavras de ação, são três verbos, Nós vemos a diferença que vai entre o que ele está a pedir para alguém de uma comunidade querendo desfazer e aquilo que é a ideia normal sobre que é um profeta.

Porque, no fundo, edificar, exortar e consolar é uma coisa que qualquer um de nós que está aqui e aqueles que entregam o seu coração a Deus devem fazer no seu dia a dia. Não são coisas que estejam entregues, são um dom do Espírito. Supõe que a pessoa se disponha a fazê-lo e se constrói para o fazer, mas são coisas que não dependem exclusivamente daquilo que nós pensamos que é, normalmente, um profeta. Desculpa o termo outra vez, utilizando o exemplo, o Nostradamus, que diz qualquer coisa sobre o futuro. Então, isto não tem só a ver com o que Deus dá. Não tem só a ver com a visão, com a inspiração, mas também com a predisposição daqueles que servem a Deus para fazer os outros crescerem. E Paulo diz que é superior ao dom de línguas, precisamente, voltando ao versículo anterior, porque é inteligível. Ele serve a comunidade.

É visível. Não apenas em quem o exerce, como o dom de línguas, mas é visível naqueles que estão a ser consolados, edificados, exultados por aquele que está a crescer. E a visibilidade do dom de profecia é o crescimento da comunidade. no conhecimento, no consolo e por todas essas coisas. Portanto, no fundo, hoje manifesta-se que é perguntar se tu olhas uma palavra certa num momento certo, da presença num momento de sofrimento, do apoio com aquilo que é a necessidade espiritual, alguém com quem nos cruzamos todos os dias. No fundo, é um dom que provoca o ministério da atenção, da atenção a quem está próximo. E também pode manifestar-se no dom profético, como os profetas, não é? Só que, enfim, isso acontece quando Deus decide que aconteça.

Quero dizer, a porta não está fechada ao aparecimento, à manifestação do dom do Espírito, que é a profecia, não é, Alguém? Sim, isso é muito importante. Porque o que Paulo está a dizer não é. Atenção, porque exortar, edificar e consolar É o verdadeiro dom profético em oposição à previsão do futuro ou a visões. Não é isso que ele está a dizer. O que está a dizer é que também é isso. Porque eles sabiam qual era o outro. O que não estavam a saber e a praticar é que também é este. E podemos ver que mesmo nos muitos exemplos que temos na Bíblia de profetas olharam para a previsão do que poderia ser o futuro, conseguimos ver a edificação, a exurtação e até mesmo o consolo. E a preparação para esse acontecimento.

Nós estamos a andar rapidamente, o tempo não para, e temos basicamente aqui uma outra peça do nosso puzzle de hoje, dentro daquilo que Paulo fala sobre os dons,

Ordem e harmonia no culto

que é a questão se os dons edificam sempre ou se por vezes nos confundem. E se formos a 1ª de Coríntios, capítulo 14, versículos 33 e depois o versículo 40. Portanto, leiamos o 33 e depois saltemos para o 40. Diz o versículo 33 do capítulo 14. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos. E depois o versículo 40 diz, mas faça-se tudo centemente e com ordem. Pedro, Vamos basicamente fechar o nosso episódio de hoje com esta pergunta da qual eu peço uma resposta dentro do tempo que temos. De que forma a ordem do culto reflete o caráter de Deus e pode contribuir para a edificação da Igreja?

Sem dúvida que é um tema importante e que se cruza com a questão dos dons, porque temos que reconhecer que há uma dimensão no facto de pessoas receberem e terem capacidades Muitas vezes isso manifesta-se naquilo que nós podemos designar como talentos, claro. Por isso é que fora do âmbito cristão, muitas vezes, atribuem-se às pessoas, ou reconhecem a pessoas, capacidades incríveis, que ninguém lhe vai chamar um dom, porque esse termo tem sido mais utilizado neste ambiente cristão. Mas a verdade é que dons, obviamente, estão muito associados a capacidades. Grande parte das nossas capacidades, já à partida, são coisas performativas. Nós manifestamos aquele dom quando performamos, por exemplo, diante de pessoas.

Seja uma coisa mais pública ou até mais privada. Mas é sempre... Não é sempre, mas uma boa parte dos dons são performativos. para dar um exemplo concreto, porque há uns mais óbvios. A pessoa que tem um dom musical, para o manifestar, tem de ter uma performance em que uns assistem e outros praticam. Ou alguém que tem o dom da palavra. Mas se falávamos, por exemplo, de dons mais de exortação, que muitas vezes acontecem num ambiente privado, é evidente que a performance da pessoa é chegar ao pé do outro e dar-lhe uma palavra. Agora, imaginemos que uma pessoa tem o dom até de aconselhar, de corrigir. que é necessário. Se a pessoa começar a dizer que vai pôr-me aqui a corrigir toda a gente e começa a entrar num caminho em que basicamente vai quase paternalmente criticar as pessoas, olha, tu devias ter feito isto e não aquilo, se chega a um ponto já ninguém suporta a performance da pessoa sempre a corrigir e a criticar.

No entanto pode ser um domo. E muito menos para todos ao mesmo tempo. Exatamente. Então há manifestamente uma questão concreta Por isso o apóstolo Paulo, que está a falar sobre este tema, diz que tudo isto é muito importante. É quase como se ele fizesse um ponto de ordem agora dizendo, mas Deus não é um Deus de confusão. Se nós aparecermos todos e de repente queremos todos dizer que o meu dom é melhor que o teu, ou que o que eu tenho para apresentar e revelar e dizer é mais importante do que o que tu tens, facilmente se entra num ambiente de caos. Por isso é que a ordem é uma coisa importante de ser falada, porque qual é a alternativa à ordem? Alguém quer o caos? O caos é bom de alguma maneira? Em nenhuma circunstância podíamos dizer que o caos é necessário ou útil.

Por isso a ordem é a única alternativa. Como nós, os seres humanos, já temos uma certa tendência caótica para a confusão, a verdade é que é por isso que é muito importante reconhecer que Deus não é um Deus de confusão. Isso é um princípio que o apóstolo aqui estabelece, mas que nós encontramos, até de uma maneira muito prática, visível ao longo de toda a Bíblia. Vai desde a criação, a maneira como Deus estruturou todas as coisas. Nós vemos ordem, vemos reverência, vemos estrutura, vemos inteligência. E muita harmonia. Por isso, no Génesis, nós vemos Deus que criou todas as coisas, olhou para elas e disse que é muito bom esse conceito de uma harmonia perfeita entre todas as coisas.

Remete-me um pouco para um conceito que também acho absolutamente extraordinário, especialmente no Antigo Testamento, que é o conceito de Shalom. que não é só um cumprimento para dizer paz. Xaloma é um conceito mesmo muito forte, que é o conceito de equilíbrio e harmonia entre todas as coisas. Então existe Xaloma quando todas as coisas estão tão totalmente integradas que a paz é possível. E qualquer comunidade, por isso vai desde a família, Nós sabemos que há famílias mais caóticas e outras mais ordenadas. Também sabemos que a ordem pode, de repente, levar para a autoridade suprema em que alguém ordena e os outros todos obedecem. Claro, assim é fácil não ter confusão. Diante de um déspota ou de um ditador, normalmente é fácil haver ordem, porque toda a gente tem medo do que vai acontecer.

Portanto, há um equilíbrio nem sempre fácil entre estas coisas, mas é muito importante nós reconhecermos que os ambientes em que Deus está a liderar, sejam uma organização que acha a vida das pessoas, elas procuram ordem, harmonia, paz e equilíbrio em tudo. Apesar de corrermos contra o tempo e já não termos mais tempo para esta conversa, eu quero vos agradecer muito pelo facto de termos nos encontrado na Epístola aos Coríntios, na primeira, estas bases para nós podermos perceber os dons espirituais. Voltamos para a semana, vocês serão a minha equipa na próxima semana, portanto estão desde já convidados e até lá que Deus vos possa abençoar. Quanto assim, já sabe, nós estaremos de volta na próxima semana, mas antes de nos irmos embora tenho algo muito importante para lhe dizer e para lhe sugerir.

Nós temos este guia de estudo da Bíblia que é muito interessante, que tem por tema principal o céu ou o inferno e poderá ser requisitado, poderá pedir gratuitamente através do contacto que aparece no seu ecrã 933 93 92 91. Poderá fazer enviando uma mensagem para nós podermos depois dar seguimento ao seu pedido e de certeza absoluta que irá receber um material muito importante para poder conhecer Deus. Já sabe, nós voltamos para a semana. Para a semana vamos abrir a Carta do Amor. Fico por aí. Volte a estar connosco no próximo episódio. Até lá, que o Senhor abençoe.

A nossa oferta

A nossa oferta

Céu ou inferno

Sobre este episódio

Os dons espirituais servem para destacar pessoas ou para fortalecer a Igreja? Neste episódio de Bíblia Aberta, continuamos o estudo da 1.ª Carta aos Coríntios, explorando os capítulos 12 a 14, onde o apóstolo Paulo apresenta uma das mais importantes reflexões sobre os dons espirituais, a unidade da Igreja e o papel indispensável do amor.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 6
Estreou
01 de Agosto de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte