Um retrato de Amor

Um retrato de Amor

08 de Agosto de 202657 min 27 s

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Legendas Prometemos voltar, e aqui estamos nós, para mais um episódio do Bíblia Aberta. É um programa semanal que passa na TV Novo Tempo Portugal, no canal 186 da MEU. E também poderá escutar-nos semanalmente na Rádio RCS, nos 91.2 FM. Isto para a Grande Lisboa. Se não está em Lisboa, poderá também continuar a ouvir as pela comunidade Amara.org emissões da Rádio RCS através da internet. E se não conseguir em nenhum destes dois canais, poderá então ir ao YouTube do canal Novo Tempo Portugal e encontrará este episódio, bem como todos os outros que já gravámos e que já registámos e que ficaram para a posteridade, para que possa-se ter sempre a forma correta de estudar a Bíblia.

O programa Bíblia Aberta é um programa semanal em que trazemos várias temáticas. Na semana passada nós estivemos aqui a ver e foi uma conversa muito interessante sobre dons espirituais e porque foi tão interessante nós repetimos a equipa e trouxemos os mesmos elementos. Porquê? Porque dissemos na semana passada que iríamos falar sobre 1 Coríntios 12 a 14, saltámos o capítulo 13 porque quisemos, de alguma maneira, guardá-lo para uma conversa única. Ora bem, comigo eu estou muito bem acompanhado. Paulo Sérgio volta a estar connosco. Olá Paulo, obrigado por estares connosco. Obrigado pelo convite outra vez. Portolinda, é um gosto poder-te ter sempre nas nossas emissões e nas nossas conversas.

E o Pedro também. Olá Pedro, sejas bem-vindo. Estamos aqui prontos para começar esta conversa.

A essência do amor

E antes de conversarmos, deixe-me dizer uma característica bastante interessante, muito simples. No Novo Testamento, a palavra para expressar o conceito de amor aparece só nas epístolas de Paulo 135 vezes. Paulo usava e explorava muito esta ideia do amor, o que representa que quase metade das expressões, das ocorrências no Novo Testamento que falam de amor, são todas de Paulo, quase metade. Portanto, é muito interessante ver. E ele dedica o capítulo 13 a esta qualidade do amor. Por isso, eu gostava de avançar. E vamos entrar então neste capítulo 13 e vamos voltar outra vez ao versículo 1. Na semana passada nós lemos-lo, vamos voltar a ler porque ele é muito importante e é o ponto de partida para a nossa conversa.

Capítulo 13, versículo 1 diz que ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor seria como o metal que soa ou como o sino que tine. Na semana passada a Hortelinda aflorou um pouquinho esta ideia. Paulo, por que razão até os dons espirituais mais impressionantes podem perder de alguma forma o seu valor quando eles não estão motivados pelo amor? Antes de mais, obrigado por estar aqui outra vez. É sempre um prazer trocar-me as impressões e, principalmente, podermos aprofundar textos como este. Se calhar, um dos textos da Bíblia, eu arriscaria quase dizer o mais citado. Eu não sei se é ou não, porque podemos pensar noutros que o sejam, mas todos nós já estivemos em casamento... Mais universalmente conhecido também, não é? É. 1 Coríntios 13.

É algo que, mesmo que ninguém conheça a Bíblia ou a sua realidade, já ouviu que por algum casamento tenha ido este texto a ser lido. Eu lembrei-me de uma coisa que parece simples, mas são as coisas simples que nos trazem, às vezes, pensamentos profundos. Lembrei-me de uma memória do meu 11º ano, quando se estudava, eu acho que agora ainda se estuda no 11º ano, os maias. Havia algumas personagens muito interessantes nos maias e dois deles eram o Alencar, um poeta romântico, e o Ega, que era um amigo do Carlos da Maia, que defendia o realismo. Eles entravam muito em contradição e um dia o meu professor de português, onde eu vivia, em Oliveira de Ouro, decidiu fazer um exercício sobre quem é que nós, os alunos daquela turma, mais admirávamos, passando deles para a história. Porque é que vocês admiram pessoas na história?

Eu lembro-me que a maioria de nós dissemos as pessoas e características. Quais eram as características que elas tinham? A força, a inteligência, a lucidez... Não sei, eu não me recordo quais eram as características, mas todas elas apontavam para coisas que eram impressionantes. a coragem, porque essas pessoas é que nós normalmente vemos como mudando a história. O que me impressionou mais foi quando alguém disse inteligência, por exemplo. E o professor, para cada capacidade que era dada, ele dava um exemplo da história, que alguém usou aquela característica e não trouxe benefício nenhum para as pessoas à volta. Vamos supor, eu não me lembro rigorosamente, mas dizer, sei lá, Napoleão era muito corajoso, mas provocou as guerras, provocou.

O Hitler era um visionário, mas a visão que tinha era de uma sociedade destruída e totalitária. Para cada característica que se via da capacidade da pessoa, ele contrapunha o que de mal alguém tinha feito na história. E a base de onde ele queria chegar é porquê é que nós não conseguimos admirar as pessoas que têm características que contribuem para o crescimento dos outros, para o bem dos outros, para uma sociedade que seja melhor, mais justa e por aí fora. E realmente, eu acho que responde perfeitamente com um exemplo muito simples. Porquê é que até os dons espirituais impressionantes podem perder o valor se não têm o motor certo? Que é o amor. É isso que o apóstolo Paulo nos está a querer dizer. E di-lo de uma forma, há apóstolo Paulo que utiliza muitas imagens que muitas vezes nós ignoramos mas que são profundamente gregas, digamos assim, na forma como ele está a falar com as pessoas e com o cuidado que tem na compreensão da sua cultura.

Ele vai buscar através de duas expressões muito, muito interessantes. Quando ele fala língua dos homens e dos anjos, Isto é um exagero retórico. Nós não falamos a língua dos anjos, mas se um de nós ainda assim falasse a língua dos anjos, é um exagero, para indicar uma alta capacidade possível de comunicação, de eloquência, portanto, mesmo que fosse uma coisa que nós nunca ouvimos, alguém falasse com uma capacidade que nós nunca ouvimos, seria como um barulho, porque é isso que significa. Ele vai buscar instrumentos ligados à percussão, os sinos e o metal, que não produzem nada a não ser o som que eles próprios imitem. Portanto, não é cada um desses instrumentos capaz, por si próprio, um sino, por exemplo, produzir uma melodia, porque tem sempre, dá sempre a dar a mesma nota.

Não tem harmonia, não é? Barulho. Produzem barulho, produzem ruído, quer dizer, aquilo que acontece quando um dom é exercido, por mais extraordinário que seja, sem ter... a humor, ele vai ser a produção de um ruído no que é uma comunidade. É isso que Paulo nos está a querer dizer. Ele, no fundo, chama a atenção, utilizando esta imagem musical, que os dons são instrumentos, mas que precisam de ser tocados. E o que os toca, de facto, não é a pessoa que os usa, mas a inspiração que está por trás da pessoa que os usa. E essa inspiração é o amor, é o motor, é o dínamo. No fundo é o que dá direção, é o que dá propósito, é o que dá sentido a um dom que é aplicado através de alguém, por Deus, para benefício daqueles que estão à sua volta, para benefício da comunidade.

E nós podemos dizer, até na sequência, citaste o programa da semana passada, eu vou me atribuir a liberdade de fazer a mesma coisa, até porque ele provavelmente está disponível também, é que sem amor o dom, no fundo, vai servir o quê? Sem amor o dom vai servir o ego de quem o exerce. No fundo, acaba por ser um ato egoísta de manifestação de uma capacidade sem produzir o efeito que é o desejado. que nós já vimos a semana passada, o efeito que é o desejado, que é o benefício daqueles que vão receber esse dom. E em Corinto, de facto, os dons tinham se tornado uma fonte grande de competição, de divisão dentro da igreja, que é exatamente o oposto do propósito do que é o exercício dos dons espirituais. A tal unidade, a diversidade que nós analisamos. A questão não é, então, ter o dom, é de onde é que o dom vem e para onde é que o dom se dirige.

Porque aí é que ele encontra o seu sentido e o seu propósito. E Paulo diz-lhe de uma forma, de facto, que não só é bela, sou pontuista retórico, mas é de uma profundidade tremenda. Dizer assim, tudo o que é um dom exercito sem amor é ruído. No fundo é o que ele está a dizer. que é feito sem amor é ruído. Esta ideia é bastante interessante. E Paulo vai continuar, porque ele abre, claramente, a falar da essência da vida cristã, que é o amor, com este versículo. E no versículo 2, por exemplo, ele vai falar de conhecimento, vai falar de fé, de sacrifício, tudo isto sem amor. pode ter pontualmente algum resultado momentâneo, mas não serve para nada. Ele diz no versículo 2, e ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, Se não tivesse amor, nada seria.

Portanto, ele dá aqui a tónica clara de que as coisas têm que ter uma base e nessa base tem que estar o amor.

Religião sem amor

Pedro, porque é que este texto, de alguma forma, nos ensina sobre o perigo de podermos pertencer ou de querer ter uma religião que seja correta na doutrina, mas que de alguma maneira seja vazia em questões de amor? Sim. O apóstolo está aqui a alertar para uma coisa perigosíssima. para um risco enorme, já vou tentar explorar isso um pouco mais, mas é um risco enorme, que tem particular... Historicamente conseguimos ver que tem particular aplicação no âmbito da religião, precisamente. Mas é interessante que... O 1º do Coríntios III é um poema, sem qualquer dúvida, é poesia e de qualidade. Não são muitos os grandes poetas no mundo, essa é a realidade. Muitos dizem que é talvez a mais sublime, a mais difícil de todas as artes.

E o apóstolo Paulo aqui aventurou-se um pouco por essa capacidade de escrever de forma erudita, mas num ambiente poético. Há certas características que tornam um texto poético. Este texto tem muito de poesia. No caso, porque ele usa muitas metáforas, figuras de estilo, que criam um ambiente, e que ele vai acrescentando camadas. Aqui estamos a fazer uma espécie de análise quase versículo a versículo, que é o que vamos fazer hoje, e o Paulo explorou bem aqui. A primeira camada da metáfora, no fundo ele está sempre a tentar dizer que se eu tiver um conjunto de coisas, mas não estiver amor, elas estão insignificantes. E usa imagens para dizer porque é que elas ouçam ruído, ou tornam-se um instrumento do mal, ou são insignificantes e superficiais. Se ele já falou da questão de ter dons, que tem mais a ver com capacidades que uma pessoa tenha, coisas que herdou ou que são inatas, a segunda imagem que ele vai usar para comparar como é possível ter coisas que até são consideráveis e muito estimadas, mas que podem ficar vazias, ele agora vai entrar num outro campo que tem a ver com conhecimento, poderíamos dizer assim.

Mas ele até coloca esse conhecimento no campo que nós hoje diríamos o campo religioso. Porque ele vai falar da fé ou de ser profeta. Vai falar em nome de Deus. Claro, conhecer todos os mistérios e toda a ciência. Ciência aqui não tem bem o sentido que nós costumamos dar. Porque falamos de conhecimento científico e tecnológico. Obviamente que ciência aqui poderia ser traduzido por conhecimento. Tem mais a ver com essa dimensão. Naquele tempo, talvez, mais filosófico. Filosófico. Normalmente seria mais filosófico. Profundidade de pensamento. Portanto, mistérios e conhecimento ou todo à fé. E fala mesmo da fé que pudesse agir. Portanto, ele usa quase...

Um pouco vai buscar, um pouco, a referência a Jesus, que diz, se tiveres fé como um grande mostarda, diz ao mundo para ele se mover daqui para ali. Ele move-se, que em si mesmo também é uma metáfora. Obviamente que Jesus não está a dizer que a fé serve para nós mexermos, experimentarmos mexermontes. É uma metáfora poderosa a ideia de que coisas que são impossíveis de fazer podem acontecer. Poder obstáculos presentes. Isso. Portanto, há ali uma... É um pensamento alegórico. É interessante. Portanto, o apóstolo Paulo, quando coloca esta segunda dimensão, obviamente nos transporta a nós mais... A nossa reflexão precisa de ir para o campo de que se nós tivermos uma prática religiosa, Por isso a tua pergunta falava sobre doutrina, não é?

Sim, doutrina. Que hoje é um dos elementos que as igrejas, que a fé se vai orgulhar, termos uma doutrina, conseguirmos defender solidamente as coisas em que acreditamos. Hoje poderíamos dizer, talvez numa linguagem um pouquinho mais atual, mesmo se neste universo, que o apóstolo hoje seria como dizer, ainda que tu conheças bem a doutrina, ainda que tu tenhas os teus argumentos apologeticamente todos muito bem estruturados. Ainda que tu penses que tens toda a verdade. Isso. A verdade seria outra expressão que nós também hoje utilizaríamos. Ainda que tu estejas totalmente firme e convicto da verdade, doutrinal, até porque não colocarmos hoje aqui identidade denominacional?

Talvez toque a muitos de nós. Ainda que tu penses e afirmes com convicção que a tua igreja é a Igreja do Senhor, é a Igreja verdadeira, todas expressões que nós estamos habituados a usar. Nós também as usamos e os nossos espectadores e ouvintes que estão connosco, provavelmente muitos, também usam, mesmo que até possamos estar, pertencer a denominações cristãs diferentes. Mas a nossa convicção é que a minha Igreja é a Igreja verdadeira e vamos todos ter argumentos. Uns é porque a minha Igreja é antiga, é Igreja mãe, é histórica, está cá desde sempre. Enquanto outros são recentes, outros, ok, mas a minha é literal na maneira como lê a Bíblia, está aqui, tem um bom fundamento bíblico. E outros vão dizer, mas a minha tem um culto maravilhoso, um culto inspirador.

Nós todos poderemos apresentar argumentos a favor, se quisermos, da nossa forma de fazer e de entender a religião. Mas será possível, é isso que o apóstolo está aqui a dizer, é que é possível ter uma religião cheia dessas coisas, conhecimento, fé, doutrina, e não ter amor. Ora, isto não é uma novidade, porque nós poderíamos dizer, não, mas é uma falsa dicotomia, porque é perfeitamente possível ter uma religião, ter fé e ter amor. Claro que é possível. Agora, não é uma falsa dicotomia que o mundo da religião seja muitas vezes um mundo onde o amor está em último lugar na fila. Onde, talvez usando a expressão de Paulo, onde há muito ruído.

Há muito ruído. Eu trouxe aqui alguns exemplos do Antigo Testamento. para provar este ponto, de que muitas vezes Deus, através dos profetas, trouxe mensagens de advertência duríssimas, mas muito piores do que Paulo. Paulo está a fazer poesia, a gente lê isto. Podemos dizer que ele está a dizer coisas aqui fortes, mas soam bem aos ouvidos, porque é isso que a poesia faz. Mas Deus, através dos profetas, ao povo de Israel, por exemplo, muitas vezes trouxe mensagens que aquilo de poesia não tinha nada. Ou seja, porque era mesmo a advertência pura. E muitas dessas advertências, eu vou ler aqui algumas agora, dizem respeito a quê? A Deus dizer, vocês vêm com as vossas práticas religiosas e eu não quero saber delas. Elas revoltam-me o estômago, que já é uma imagem.

A imagem de Deus vomitar é uma imagem que aparece várias vezes na Bíblia. Obviamente que é uma imagem, é um simbolismo, Deus não vomita, mas o vómito para nós representa uma coisa que é intolerável. É repulsa, tu não aguentas dentro de ti. Deus diz, eu vomito diante das vossas orações, dos vossos jejus, das vossas canções e do vosso culto. A vossa fé não me interessa. Porquê? Porque é uma aparência de fé. Vamos a alguns exemplos para tornar isto mais real. Isaías 58, partido do versículo 3. Porque jejuamos nós, dizia o povo para Deus, porque jejuamos nós e tu não atentas para isso. Então Deus responde, através do profeta, claro. Eis que no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses.

Não és do Jesus um que eu escolhi, que soltes as liaduras da impiedade, que repartas o teu pão com o famento." Para ficar por aqui, depois Deus vai dizer, depois tu tratas o que trabalha para ti, trata-o como um desgraçado, não tens problema em verter o sangue do teu próprio irmão, mas depois vens para o templo Erguer as mãos e jesuar. E Deus diz, eu não quero saber do teu jesumo se tu tratas mal o outro. Zecarias 7.5 diz, quando jesuaste, se acaso foi para mim que jesuaste, diz o Senhor, executai o juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia para um com o seu irmão. O contexto, curiosamente, eu vejo que é a contradição entre ter uma prática religiosa, mas não tratar os outros, De acordo com essa prática.

Amós 5, partir do versículo 21. Curiosamente é um pouco o ruído. Como se os cânticos do povo, quando vão adorar para o templo, para Deus quando chega lá é ruído. Não tem beleza, não tem harmonia, porque ele não está interessado na performance musical. Deus tem bons cantores no céu. Isso era uma coisa que nós e todos os... Não é só os músicos, os adoradores precisávamos de entender. Deus não precisa nadinha da nossa afinação, nem da qualidade dos nossos instrumentos, porque lá no céu toda a gente toca bem instrumentos. Isso não vale só para a música, vale para tudo. Por isso, a performance das nossas igrejas, a qualidade da nossa doutrina, a proficiência dos nossos livros e dos nossos teólogos.

No fundo, tudo isto, quando vai... Tem aquela ideia bíblica do perfume que sobe. Quando isto chega a Deus, chega como? Qual é a performance humana que Deus pode ficar impressionado? Por isso que estas questões são muito importantes de serem percebidas, porque o que é que um ser humano possa fazer que Deus fique impressionado? O Criador do Universo. Por isso ele diz, afasta de mim os teus cánticos porque eu não ouvirei a melodia das tuas liras. Então estão aqui vários exemplos de como Deus descreve a ideia de que é possível ter estas práticas religiosas, que no caso todas apontam para vir ao templo, porque era essencialmente o espaço da adoração. Então nós poderíamos colocar umas coisas como tu vens com a roupa que achas a roupa certa para vir à igreja a adorar, vens com os teus vestidos e com as tuas gravatas e com os teus fatos, Tu vens com as tuas normas e tradições, vens com as tuas liturgias, vens com os teus rituais e se isso não combinar...

O que é interessante aqui é que nenhuma destas coisas, em nenhum momento Deus diz que essas coisas não prestam. O que Ele diz é que não interessa tu vires com essas coisas se... A maneira como tu tratas o teu irmão, como tu vives, como tu amas, por isso é que o contexto é muito esse do amor, se não há uma coerência entre uma coisa e outra, porque Deus vê muito mais a maneira como tu é isso, como tu tratas o outro, que é em certo sentido, a verdadeira manifestação do amor qual é? É sempre na relação, porque amor próprio Em princípio não é muito difícil, embora às vezes é, mas amar-nos a nós no sentido em que achamos que estamos certos e que fazemos as coisas bem é mais ou menos natural. Agora em relação ao outro, a maneira como eu trato aquele que não pensa como eu.

Mesmo dentro da igreja, da comunidade cristã. A maneira como eu olho para aquele que não se veste como eu, não adora exatamente como eu, não tem o mesmo gosto musical que eu. É aí que realmente se manifesta o quanto uma pessoa tem o amor a Deus na sua vida. E o mundo da fé é muito exigente. Nesse aspecto, porque o mundo da fé, com muita frequência, então se olhamos para a história, o mundo da fé e da religião muitas vezes é um mundo de enorme intolerância. Historicamente sempre foi. Houve um tempo que quem não adora como eu, o pescoço se vai cair. Se a pessoa não tem a mesma crença... Hoje já não estamos num tempo de cortar cabeças, mas fazemos-no de outra maneira. Eu não queria fazer aqui a apologia, nem estar aqui com religiões comparadas, mas isto é um assunto que me toca muito o coração, porque nós estamos aqui a colocar correção doutrinária e o nível do amor como sendo elementos separados.

Ora, no cristianismo o amor faz parte e sendo Deus amor é o fundamento da própria doutrina. Portanto, nós não podemos falar no cristianismo numa doutrina correta vazia de amor porque o amor faz parte da própria doutrina. Nós não temos, eu não vou dar exemplos de quais são os fundamentos de outras religiões, mas é fácil de explicar que há muita religião ritual pelo mundo inteiro e na história em que o objetivo é placar A ira dos deuses, ou é fazer, obter o favor dos deuses. Isto é completamente contrário. É um Deus que, com base no amor, o que quer é que nós o amemos a ele e nos amemos uns aos outros. Quer dizer, faz parte da doutrina cristã pura, digamos assim, a própria inserção do que é o princípio do amor.

O caráter prático

E é curioso ver que nem Paulo, muito menos Deus, desconsidera o conhecimento, ou a fé, ou o conhecimento, não diminui em nada, mas a única coisa que diz é isto tudo sem amor, de pouco a nada vale, não é? E isto, se quisermos, poderemos talvez entrar aqui um bocadinho nas características do nosso caráter, e nós falamos um pouquinho daquilo que nós somos, e termos, de alguma forma, um caráter que possa ser prático, dentro do amor. E isso está no versículo 4 da 1ª de Coríntios, capítulo 13. Vai dar aqui as características de um carácter prático do amor. O amor é sofredor, é benigno, o amor não é invejoso, o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Enfim, há toda esta característica do que poderá ser a prática do amor. Hortelinda, como é que este versículo, o versículo 4, mostra que o amor bíblico, o amor que a Bíblia nos apresenta, é mais uma atitude prática do que propriamente um sentimento que possamos ter? Eu penso que o amor só pode ser prático também se ele tiver uma raiz mais profunda. Se não, o apóstolo não diria, eu posso dar todos os meus bens aos pobres, mas se não tiver amor, de nada serve. O amor é, poderíamos dizer, um envolvimento total da pessoa. no bem do outro. Isso vai mobilizar-te fisicamente, vai mobilizar-te psicoafetivamente, vai mobilizar-te a nível da tua inteligência, a todos os níveis.

Portanto, o amor mobiliza toda a pessoa ao serviço do outro. Por exemplo, mas claro que é nas demonstrações concretas, nas ações concretas, que o amor se demonstra. Mas quando diz que o amor é paciente, Realmente isto mobiliza algo em ti que não é a tua generosidade de dar, é um outro dar, é uma outra generosidade, é uma abertura ao outro na sua imaturidade. Porque o outro tem comportamentos de imaturidade. comportamentos que podem ser incómodos, comportamentos que podem ser desagradáveis, comportamentos que te podem prejudicar.

E o amor convida-te a olhar-se o outro dentro da sua fragilidade, dentro dos seus limites, dentro das suas fraquezas. Aceitar-se o outro e ter esta abertura ao outro dentro dessa fragilidade é realmente o amor. mesmo que não lhe dês nada, nem objetos, nem bens. Portanto, ser benigno, como diz-se ser benigno, é ser benevolente, é ter a melhor intenção. Portanto, para com os outros, confiar sempre, acreditar sempre. Não é ser tonto, acreditar em tudo, nem acreditar que as pessoas vão ser sempre adequadas. Não, é acreditar que o outro tem possibilidades e que tu vais ajudar a desenvolver essas possibilidades de bem. Tu esperas sempre. Sabes bem que pode vir alguma coisa negativa dali, mas tu esperas que o melhor se possa manifestar.

Portanto, amar é estar totalmente mobilizado e motivado para realizar o bem do outro através de todas as atitudes que sejam positivas. Mas, ao mesmo tempo, o amor é também um travão contra as coisas negativas, contra aquilo que é negativo. Quando tu amas, tu não tens comportamentos negativos. Tu não és invejoso. Se tu amas, tu não podes alegrar-te com o mal do outro. Não ficas ressentido com o que o outro tem e tu não tens. Tu não te comparas ao outro. O outro é o outro, tu és tu e tu estás ao serviço do outro, não és superficial. Portanto, vais a fundo na tua ajuda. O amor diz que não se ensoberbece.

O amor não tem uma relação com o outro vertical, eu estou em cima, tu estás em baixo. O amor não esmaga, o amor faz crescer, o amor faz desabruxar. Este amor de Coríntios 13, finalmente, é uma vitória sobre si próprio. É algo que fazemos ao outro, mas é, ao mesmo tempo, uma vitória sobre nós próprios, sobre o nosso próprio egoísmo, sobre o nosso próprio interesse, sobre as nossas tendências humanas, não é? E este amor é o que leva a deslocar o centro de gravidade de interesse de ti para o outro. O foco deixa de estar em ti, o foco está no outro. Aquilo que o outro realmente necessita, nas suas necessidades reais. Então este amor implica uma grande renúncia de si próprio.

Este amor implica renunciar a seus direitos, às suas razões, aos seus interesses, aos seus desejos. Podem ser bons e legítimos. Amar é renunciar a algo até que é bom para nós e que é legítimo, mas que por amor do outro nós o fazemos. É fazer um espaço ao outro. Mas para termos este amor, e eu gostaria de dar ênfase a esta ideia sobretudo, para termos este amor, nós temos que ser amados. Nós temos que nos sentir amados. Nós temos que estar nós mesmos, temos que nos amar a nós mesmos para podermos amar o outro. Os psicólogos dizem que há uma sequência evolutiva no amor. Para amares os outros, tens primeiro que te amar a ti mesmo. Porque se não te amas a ti mesmo, o que é que dá ao outro aquele que se detesta?

Precisas te amar a ti mesmo. E para te amares a ti mesmo, tu precisas ser amado por alguém. Então eu penso que a chave para desenvolvermos este amor de Coríntios 13 está realmente na aceitação de um amor maior para nós de alguém. Alguém que preencha, poderíamos dizer, o nosso depósito de amor e o deixe no verde, que ele fique realmente preenchido. E isso vai permitir-nos disponibilizar-nos para poder então entregar-nos a outro, não é? Porque só se pode dar Aquele que se possui. E só nos possuímos se nos amamos e se somos realmente amados por outro. Então, este amor é o amor de Deus.

Eu penso que quando nós estamos conscientes, apropriados, nutridos pelo amor de Deus, este amor para o outro é quase natural. Eu gostava de partilhar com vocês uma experiência que se passou comigo. Uma vez houve um tempo na minha vida em que eu trabalhava, saía de casa muito cedo, estava no estrangeiro e eu para chegar ao meu trabalho eu fazia quase uma hora de comboio. Então eu passei a fazer dessa hora no comboio o meu lugar de reflexão espiritual, de meditação. Eu orava em casa e às vezes também orava no comboio e lia a Bíblia no comboio. E num destes momentos, eu tive um acesso a um patamar da compreensão do amor de Deus que eu não tinha tido até ali.

De alguma maneira, foi como uma revelação. O amor de Deus apareceu-me como algo de realmente... É o fundamento de todas as coisas, é a motivação de todas as coisas, é o bom resultado para todas as coisas. O amor de Deus é absoluto, incondicional. é qualquer coisa que eu me apropriei naquele momento. Eu vinha num comboio, numa carruagem cheia de gente, e passou-se qualquer coisa comigo naquele momento em que eu senti-me parte daquela gente toda. O amor de Deus levou-me a sentir que eu era parte de toda aquela gente, eu pertencia àquela gente e aquela gente me pertencia, porque o amor de Deus me ligava àquelas pessoas.

Eu estava tão imbuída deste sentimento, que eu saí do comboio na estação e vinha para a minha casa, e vinha ao longo da linha, porque o caminho era ao lado da linha, e vinha um homem, que eu nunca tinha visto aquele homem. Mas eu digo-vos que eu tive uma vontade enorme de abraçar aquele homem. Eu nunca o tinha visto, eu nunca mais o vi, mas eu tive que me reter para não abraçar o homem, porque eu me senti íntima, próxima. Havia qualquer coisa que naquele momento me ligou às pessoas, que não tinha que ver com as diferenças aqui em cima uns com os outros. Era um sentimento de base, era um sentimento de amor que liga toda a humanidade.

E esse amor vem de Deus. E quando tu estás preenchido com esse amor de Deus, então tu podes amar qualquer pessoa, em qualquer situação, e seja qual for a exigência que esse amor, portanto, tenha para ti. Se eu tivesse sempre aquele amor, eu posso dizer-vos que eu era um dínamo na sociedade. Infelizmente foi um momento, podem haver outros momentos, mas a vontade de Deus é que ele fosse permanente. Se eu estivesse em permanência ligada a Deus e tivesse em permanência este sentimento de pertença, de comunhão com todo o ser humano, que Deus ama como me ama a mim, eu poderia fazer por Ele qualquer sacrifício e não seria um sacrifício, seria um prazer. Portanto, isto mostra que realmente a nossa falta de amor para com os outros traduz uma falta de recessão de amor da parte de Deus.

Se a conversa ficasse por aqui, era excelente. Mas temos ainda mais algumas coisas para lhe dizer e por isso não saia daí. Nós vamos fazer um curtíssimo intervalo porque falar de amor é numa dimensão em que não tem comparação e por isso precisamos de continuar esta conversa. Voltamos já a seguir. TV Novo Tempo, o canal da Bíblia, o canal da esperança.

O egoísmo na comunidade

Cá estamos de volta para a segunda parte do episódio de hoje, do Bíblia Aberta. Já sabe, este é um programa semanal que passa na TV Novo Tempo Portugal, no canal 186 da MEU. É importante que você registre este canal e possa nos acompanhar e possa estar connosco. Para além deste programa, temos muitos outros programas que lhe dão a perspectiva da fé, da esperança e, sobretudo, do amor, como estamos a falar neste episódio. Antes de retomarmos a conversa, eu quero lançar-lhe um desafio. Temos um guia de estudo muito interessante. Eu creio que esta é a primeira vez em que eu trago este estudo, este guia de estudo, que é novo e por isso talvez você tenha interesse em recebê-lo em sua casa totalmente gratuito.

É um estudo que vai falar de oito mulheres inspiradoras da Bíblia. O título deste guia de estudo é Marcadas pela Fé. Então, se desejares receber gratuitamente este estudo para poder ver o exemplo de cada uma destas oito mulheres, poderás fazê-lo para o 933 93 92 91, 933 93 92 91 e poderes enviar uma mensagem enriquecitando ou solicitando este guia de estudo e nós trataremos de lhe enviar gratuitamente para a sua casa. Vamos aproveitar todo o tempo que temos para continuarmos a falar do amor. E, Paulo, neste momento eu gostava agora de lançar um desafio sobre 1 Coríntios 13, versículo 5, onde nós podemos ver o amor e, ao mesmo tempo, aquilo que deve ser o domínio do nosso próprio eu, se quisermos.

Então, em 1 Coríntios 13, versículo 5, diz que o amor não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. De que forma este retrato que Paulo faz aqui do amor confronta o egoísmo, por exemplo, a irritação, a suspeita que possa existir dentro de uma comunidade cristã? Como é que o amor vai, de alguma forma, confrontar tudo isto? Bom, eu quase tinha vontade, parafraseando aquilo que disseste antes da interrupção para o intervalo, de pedir aos nossos espectadores que puxassem um bocadinho atrás, ouvissem a Hortelinda no que ela acabou de dizer, eu dizia só o Ida. Porque, de facto, nós vamos, sob uma perspectiva diferente nos versículos, falar do mesmo assunto. E a profundidade do que Paulo diz, que a Hortelinda explicou, eu gostava só de realçar um ponto que a mim me tocou muito, quando a Hortelinda disse que ninguém pode dar aquilo que não sente.

Portanto, como é que é alguém que não tem? Como é que se ama? Como é que alguém é capaz de amar se nunca sentiu amor? Se não sabe o que é o amor, se não tem amor. E explicou muito bem que o fundo do amor que todos nós temos, pelo menos nós temos uma pessoa, que é Deus, que nos ama. Mesmo que mais ninguém ame. Eu dizia, quando a minha filha era pequenina, eu dizia-lhe muitas vezes, olha, tu tens um pai que nunca falha, mas não sou eu. Portanto, o importante é que ela encontre o pai que nunca falha, que é Deus. E todos nós temos um pai que nunca falha. Porque, infelizmente, falhámonos uns aos outros. E eu gostei muito dessa expressão, porque o Paulo está a tentar explicar-nos isso. E esse é mais um versículo que nos procura explicar isso, fazendo-nos uma advertência pessoal, mas que era para a igreja de Corinto, sobre o egoísmo, a irritação e a suspeita.

É engraçado que em todo este capítulo Paulo não usa adjetivos para descrever o amor. Vai usar verbos. Age, escolhe, decide. E aqui utiliza três verbos pela negativa. A Hortelina falou mais nas coisas que podemos fazer pela positiva. Ele diz, não busque aos seus interesses. Então o amor é antes de mais uma renúncia deliberada. Eu vou utilizar uma palavra que não é muito comum nos nossos dias, mas eu diria até sacrificial. uma renúncia deliberada a termos a nós como centros da nossa vida. Isso é o que significa não buscar os próprios interesses. Segundo, não se irrita. E a irritação é uma emoção. Mas o que Paulo está aqui a dizer não é que o amor é ausente de emoções. O que está a dizer é que devemos recusar a que sejam as emoções, principalmente as más, que governem o princípio do amor.

Não se suspeita mal, numa comunidade saudável, a interpretação generosa do outro a um ponto de partida. Não devia ser excepção. Mas é muito difícil interpretar generosamente as pessoas que estão à nossa volta. Por razões de antipatia, por razões de discordância, por razões de identidade, como disse o Pedro no início da intervenção dele neste programa, Suspeitar mal é uma coisa muito comum, desde as pessoas que estão ao nosso lado, porque nós sabemos que vamos discordar, porque as conhecemos bem, dentro de um casamento, entre pais e filhos, dentro de uma família. Suspeitar aquela pessoa estar a dizer isto com aquele fim, e nestes planos de vida que se fazem, até é coisas tão distantes como os estrangeiros estão entre nós. Só porque é estrangeiro eu vou suspeitar que... Portanto, e Paulo está a advertir que o amor não tem como base, não pode ter como consequência uma suspeita.

E estes três problemas, que são o egoísmo, a irritação e a suspeita, que destruíam a igreja de Corinto, são aqueles que destruem as comunidades hoje, seja uma comunidade religiosa, seja uma comunidade familiar ou civil. E o amor bíblico, de facto, não é um sentimento que nós estamos à espera de sentir, é uma postura ativa em que se faz uma escolha com o princípio e que depois tem que ser consequente com ela. Se me dás licença, eu sei que já não temos muito tempo, mas eu gostava de partilhar. Eu não sei se já o fiz em programas anteriores. Mas se eu não me lembro se o fiz, tenho a certeza que os nossos espectadores também não sabem. Portanto, eu estou à vontade para me repetir, se for o caso. E também as coisas que eu acho que são boas devem sempre ser repetidas. O meu texto favorito da Bíblia está em 1 Timóteo 1, 7.

Eu digo muitas vezes, o texto é, pois Deus não vos deu o espírito de temor ou de medo. E depois tem três palavrinhas a seguir, diz, mas de poder, amor e moderação. Nós, o poder e o amor, estamos a tentar há dois programas explicar o que é o amor, segundo o conceito de Paulo, e principalmente agora a primeira de Coríntios 13, nós fazemos com uma certa, não digo facilidade, mas dedicamos-nos muito a isso. A palavra que aparece a seguir que nesta versão é moderação, mas que noutras versões aparece autodomínio, domínio próprio, tembrança, equilíbrio. E porque é que aparecem? Quando uma palavra aparece de muitas maneiras diferentes em várias traduções bíblicas, é porque ela deve ter um conceito que vai para além da soma de todas elas, porque senão não era preciso.

procurado explicá-la de tantas maneiras. Cada tradutor vai escolhendo a sua, consoante seja mais erudito, ou uma linguagem mais popular, ou uma sensibilidade para aquilo que é a mensagem que está a escolher. Mas quer dizer, esta palavra, em grego, a palavra sofronismos, não é nenhuma delas isoladamente. Não é só equilíbrio, não é só domínio próprio, não é. O que a palavra quer dizer, neste contexto, é acima de tudo a capacidade de resistir ou de alguém subster a fazer e dizer o que quer, a fazer e dizer o que precisa para os seus interesses, a pensar, a dizer e a fazer a sua vontade. Ou seja, é um ato de renúncia a pensar, dizer ou fazer alguma coisa, digamos assim, que possa pôr em causa o próprio amor.

Ou seja, o temor de Deus é a capacidade de renunciarmos. aos nossos interesses e vontades e impulsos em benefício de algo maior. E este algo maior é os outros, é os nossos relacionamentos, é a comunidade de crentes, é o nosso chamado para o ministério, é a capacidade de nos abstermos da nossa natureza para que algo maior possa acontecer em nós, que é o Espírito Santo a trabalhar. E eu penso que... É tal renúncia. É renúncia, mas a renúncia é uma palavra que levanta Principalmente eu, quando penso nestes assuntos, penso sempre em quem nos está a ouvir. E na contradição que existe entre muitas das coisas que nós dizemos aqui do que é o pensamento bíblico, do que é uma intenção de Paulo a dizer para conseguir não suspeitar mal, para conseguir não nos irritarmos, é preciso uma renúncia.

E depois pensar naquilo que nós desde pequeninos, nas nossas interações mais simples, na escola, no nosso trabalho, com os nossos amigos, com as nossas conversas, daquilo que é permanentemente, somos bombardeados com ideias que é ser tu próprio, se não fores tu a cuidar de ti, ninguém cuida. procura fazer o melhor individualmente, porque se não fizeres não vai haver ninguém queira fazer. Não há ninguém que tenha o direito de dizer que deves ser aquilo que tu não és. Quer dizer, todos estes pensamentos que são de autoajuda contrariam a ideia de renúncia. A ideia de sacrifício da vontade, do interesse, da natureza, é em função de um bem maior, que é, em primeiro lugar, os planos de Deus e o bem dos outros, que no fundo são uma e a mesma coisa.

E Paulo está a chamar-nos a atenção disso, a atenção ao egoísmo, à irritação e à suspeita, mas para nós permitirmos que o Espírito possa livrar-nos destas coisas, é preciso um grande exercício e disciplina da autorrenúncia, que é um dom de Deus, mas que também exige um trabalho da nossa parte.

Amor e verdade

E se há coisa que anda de mãos dadas com o amor, é a verdade. Não conseguimos ver que há alguma oposição, digamos assim, entre o amor e a verdade. E se formos a 1 Coríntios 13, versículo 6, claramente Paulo diz que o amor não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Hortelinda, como é que nós podemos equilibrar o amor que podemos desenvolver em nós e, ao mesmo tempo, a verdade, sem cairmos nem na dureza ou na permissividade. Depois temos esses dois polos que são antagónicos e, como diz o provérbio, nem tudo o que brilha é ouro.

Realmente há amor que parece amor e, na realidade, não o é. Então, para que o amor não descamba ou para a rudeza, a dureza, a exigência excessiva e, muitas vezes, sem sentido, ou para a permissividade destrutiva também e desorganizadora, portanto, do outro, sobretudo quando o outro é imaturo, Então, eu acho que nós devemos desenvolver três atitudes, que eu vou dizer rapidamente. A primeira atitude é esta que estamos a falar, que não conseguimos esgotar, que é a atitude do amor. O amor é tanto, é tão abrangente, é realmente algo que tu não vais nunca esgotar, não é?

Mas sabemos que o amor é o nosso envolvimento no bem do outro. Como acabou de dizer o Paulo, é renunciar a nós para fazermos bem ao outro, não é? Como filho de Deus. não com a sua natureza pervertida, não é? É isso que nós temos que satisfazer. É o plano de Deus para essa pessoa. Ajudá-la a descobri-lo. Ajudá-la a realizá-lo. E ajudá-lo, portanto, a ser essa pessoa. Então, esse amor é um amor feito de responsabilidade, não é? Tem um propósito. Tem um propósito de fazer crescer o outro. Se nós tivermos isto em mente, que é o bem do outro, que é para mim importante, então eu não vou tratar o outro de maneira nem sequer para lhe fazer prazer, nem sequer para realizar os seus desejos primários ou até mesmo secundários, mas desajustados, nem sequer para, enfim, para que ele tenha uma boa vida ou realmente ele satisfaça o seu prazer imediato.

porque eu penso no seu interesse. Então, eu não vou ser permissivo. Ser permissivo é realmente fazer bem ao outro segundo o critério do outro. Ora, muitas vezes o critério do outro é um critério baseado nos seus instintos, no seu desejo, no seu prazer, naquilo que ele realmente gosta. Portanto, é aquilo que está de harmonia. Os franceses dizem muito isto com o cair do pelo. É aquilo que realmente não causa fricção, não é? Portanto, por outro lado, também posso ter para com o outro um amor feito de exigência, em que eu vou exigir do outro, finalmente, a projeção de coisas que eu quero. Eu espero que o outro realize os meus desejos.

Nós fazemos muito isto com os filhos, que é esse amor que nós temos, que é referencial para nós, não é? Nós amamos muito os filhos, mas muitas vezes o nosso amor é desadequado, porque nós queremos que os filhos realizem os nossos desejos, aquilo que ficámos frustrados, queremos que eles compensem. Então, o nosso amor e aquilo que fomentamos não é por eles, não é à escuta deles, o propósito da vida deles é para cumprir o nosso. Então, isso não é amor. Se tivermos sempre presentes que o amor é, está ao serviço do outro, então o amor não vai ser nem permissivo, nem possessivo. Isto é a primeira coisa. É o outro que é o foco, não nós.

Também somos, às vezes, permissivos porque não conseguimos suportar a confrontação, o conflito, somos frágeis nós mesmos e então deixamos a coisa andar, mas... inseguros, então deixamos a coisa andar porque é para o nosso bem-estar e nos sentirmos bem. Então, não somos nós que estamos em causa. O amor é o outro que está em causa. Se tivermos isto sempre presente, não vamos partir para nenhum destes extremos. Uma outra coisa que é muito importante para não desenvolvermos estes extremos é trabalharmos sempre sobre nós próprios. O amor ao outro é também um amor a si próprio, no sentido que nos leva a nos trabalharmos a nós próprios, a questionarmos porquê é que eu faço o que faço?

Porquê é que eu me esforço para fazer isto? Quais são as minhas motivações? Quais são as minhas expectativas? Se somos duros, porquê que eu sou duro? O que é que eu busco com isso? Se eu sou permissivo, porquê que eu sou permissivo? Porquê que me falta esta moderação de que falava, portanto, o Paulo há bocadinho? Portanto, este questionar-se. E eu penso que isto é próprio do ser humano. Se queremos crescer e fazer crescer os outros, só o podemos fazer sempre questionando-nos sobre as motivações, sobre os modos e sobre os fins que nós realmente procuramos na nossa relação com os outros. Devemos nos lembrar sempre que o amor verdadeiro preenche a necessidade do outro e não a nossa.

Há uma oração de Agostinho de Ipona que eu gosto muito e que penso muitas vezes e que nós devemos fazer dela a nossa oração. Ele diz, meu Deus, na sua relação com Deus, ele diz, meu Deus, que amo eu quando te amo. Que amamos nós quando amamos Deus. Que amamos nós quando amamos os outros. Isto é um questionamento que nós devemos sempre fazer. Se o fizermos, nós vamos também escapar dessa dicotomia, permissividade e rudeza, não é? E depois, a terceira atitude que eu penso que é muito importante é viver sob o movimento do espírito. Já vimos que o amor é um dom do Espírito, não é? É a presença do Espírito em nós.

Então, estar nesse movimento do Espírito, escutar, estudar, orar, manter esta ligação viva e vital com Deus, que é a fonte do amor, Ele vai sempre corrigir, vai-nos sempre revelar aquilo que é nós. Pode ser, pode descambar para qualquer coisa que seja bem longe do amor. A pena é que nós não pensámos bem. Podíamos ter feito uma questão de fazermos dois episódios só sobre o capítulo

O maior destes

13, porque há muita coisa para fazer e, forçosamente, pelo tempo que temos, temos que saltar para o último versículo deste capítulo. Todo ele é extraordinário. Nós podemos ver que o último versículo que nós encontramos neste capítulo fala-nos daquilo que é o maior dom, aquilo que permanece. Nós já aflorámos isso um pouquinho, penso que no último episódio, mas vamos, e vou pedir ao Pedro que de alguma maneira possa fazer este arremate. 1 Coríntios 13, 13 diz, agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor. Estas três, ou estes três. Mas o maior destes é o amor. Pedro, porquê que Paulo, de alguma forma, afirma que o amor é maior do que a fé e maior do que a esperança?

Talvez áreas onde nós estamos já bem implementados, não é? Na questão da fé e da esperança. Porquê que o amor é maior do que a fé e a esperança? É uma pergunta clássica para tentar explicar porque o apóstolo aqui apenas afirma. Nós normalmente temos muita dificuldade, até por insegurança natural, de afirmar, no campo da Bíblia, da fé, dos valores, afirmar que uma coisa é maior que a outra. Normalmente tendemos sempre a dizer que uma não retira nada à outra e tentamos equilibrar tudo. E aqui eu acho meio corajoso do apóstolo Paulo dizer que aqui há três coisas importantíssimas, mas não vale a pena ter dúvidas que uma é maior que as outras. Isso é a primeira coisa que eu digo. Acho corajoso. Paulo tem tudo para ser um homem de coragem. Nós sabemos isso.

Mas é corajoso. Porque se eu estivesse a refletir sem conhecer esta frase, jamais diria isto. Diria que são três coisas muito importantes. Todas elas têm o seu lugar. Isto é mais a nossa postura. Em 10 segundos. É que ele não diz só, ele diz e coloca um ponto final mudando de assunto. Ele nem argumenta porque é que é o maior. E isso dá o espaço para tu agora poderes explicar. Ponto, final, parágrafo. Este é maior, fiquem lá com esta. Embora a explicação dele está tão grande. É como se, em certo sentido, ele chegasse à conclusão, por tudo isto que eu acabei de dizer, é evidente que o amor é mais importante. quase que nós podíamos dizer que é como Jesus quando chega, ou como Deus chega ao fim da criação e diz e tudo está muito bom. Ninguém vai discutir ou dizer assim, mas aqui podias ter feito melhor.

Então é uma afirmação definitiva até esta questão. Porque é absurdo, quando diz esta maior que esta, nós já não vamos poder debater aqui se é ou não é. Porque esse é o valor que nós damos primazia à palavra e à sua inspiração do que é a nossa, por mais que possamos dizer coisas aqui que até sejam úteis ou interessantes. Esta tem primazia. Então nós já sabemos. O máximo que podemos tentar fazer aqui é explicar ou ascender uma ligeira compreensão. Por acaso, no último programa, aqui na semana passada, o Paulo respondeu a isto com uma destas explicações. porque falou-se do assunto do amor, precisamente, e na altura fez sentido, e eu vou até repetir, porque acho que essa é uma das ideias mais relevantes, mas vou dar aqui em quatro minutinhos duas ideias, que acho que são interessantes a explicar porque é que o Apolo diz isto de uma maneira tão clara.

A primeira delas é porque o amor é a única destas, para compararmos estas três, mas a lista até podia ser maior, de coisas relevantes na experiência do crente, esta é a única que Deus é. Logo, há uma dimensão ontológica que tem a ver com a essência. É diferente de coisas que nós podemos ter porque experimentamos e outras coisas que podemos ser. Deus pode ser amor, porque a Bíblia o diz diversas vezes, mas Deus não é esperança. Aliás, não faria nenhum sentido. Enquanto faz sentido dizer, como a Bíblia diz tantas vezes, que aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor, ou João...

Aliás, é a seguir, 1 João 4, que diz que nós conhecemos e cremos no amor de Deus que Ele nos tem, e quem está em amor está em Deus, e Deus está nele. Realmente, Deus é amor. Portanto, enquanto o amor é uma definição da própria natureza de Deus, fé e esperança não são. Fé e esperança são, por definição, características de seres limitados. Só seres limitados é que podem ter fé, porque tu tens fé quando não conheces. Quando não sabes, tens fé. E tens esperança quando não conheces. Como Deus sabe tudo, Ele não precisa ter fé em nada. Como Deus conhece todas as coisas, mesmo as que estão no futuro, Ele não precisa esperar nada. Por isso, fé e esperança são características que Deus não pode manifestar.

enquanto o amor é a essência da sua ação. Por isso o célebre texto, Deus amou o mundo de tal maneira, que é a grande explicação da salvação, e começa com o amor. É porque Deus amou o mundo que depois tudo o resto aconteceu. Portanto, o amor é realmente a essência do que Deus é e, portanto, de todas as suas ações. Portanto, fé e esperança são importantes para nós. Por isso é que isto não minora o valor da fé e da esperança, porque para nós são essenciais. Como nós não sabemos o que vai acontecer, Não estamos em posse de conhecimento sobre tantas coisas. Muitas vezes a única explicação possível é ter fé. Mesmo se não conseguimos a explicar. Por exemplo, às vezes acontecimentos duros na nossa vida, injustiças que às vezes se abatem sobre nós, dor e sofrimento.

Se nós vamos tentar explicar, ou irracionalmente entender, como não conseguimos, o que é que nos resta? Ou o desespero, e eu atiro-me da ponte e digo que isto acaba tudo, ou então eu digo que vou ter fé. A fé, muitas vezes, é um último recurso e não é porque seja uma coisa que deixamos para o fim, que não serve para nada. É o último recurso porque realmente é, às vezes, a única explicação a que podes agarrar. Mas, finalmente, claro, ligada a esta explicação, e eu vou retomar as palavras e a ideia do Paulo aqui na semana passada, é de que, obviamente, a fé e a esperança são efêmeras. Estão datadas. A fé e a esperança vão terminar, não são eternas. Porque nós chegaremos a um tempo e a uma realidade na qual, graças a Deus, já não precisaremos de ter fé.

Porque conheceremos tal como somos conhecidos. Enquanto agora vemos em espelho, então veremos face a face. Tudo texto do apóstolo Paulo. O que significa que nós não precisaremos mais, quando plano de Deus eterno se consumar, nós não precisaremos nem de ter fé porque vemos, nem de esperança porque já a recebemos. Mas o amor vai continuar lá. Nós vamos continuar a amar a Deus e vamos amá-lo com mais profundidade, com mais razões, com mais evidências. Portanto, o amor vai permanecer. Mas a fé e a esperança, felizmente, não precisam. Isso não as minora, é que elas deixam de cumprir o seu papel. Então podemos dizer que o amor é nesta terra o germe da eternidade. Sim. É aquilo que nos vai lançar, que vai nos acompanhar.

É como uma semente que está aqui a germinar, mas só vai fortificar lá. E vais levar tudo o que construístes com amor. Os resultados. Porque serão eternos, não é? Que pena nós não termos mais tempo para podermos continuar esta conversa. Fica o nosso agradecimento a todos vocês que estiveram comigo e que nos deram o privilégio de podermos falar deste assunto tão importante. Havemos de voltar, se Deus quiserem, proximamente num outro episódio com um outro tema. Mas até lá, que Deus vos passe a abençoar. Quanto a si, já sabe, nós voltamos para a semana, mas antes de nos irmos embora tenho ainda o privilégio de lhe dizer que poderá solicitar este guia de estudo, um guia de estudo que fala de oito mulheres que tiveram um papel bastante relevante na sociedade de então e que são marcantes também para cada um de nós.

Marcadas pela fé, oito mulheres que poderão ser um bom exemplo para todos nós. E por isso, se quiser este guia de estudo, basta enviar uma mensagem para o 933-939291 para que nós lhe enviemos gratuitamente para a sua casa. Deixo apenas uma última nota. João diz que Deus é amor. Então faça um exercício. Pegue em 1 Coríntios capítulo 3 e onde encontra a palavra amores, coloque a palavra Deus e veja quem é Deus. Que o Senhor o abençoe. Até para a semana, se Deus quiser.

A nossa oferta

A nossa oferta

Marcadas pela Fé

Sobre este episódio

❤️ O amor é apenas um sentimento ou é a essência da vida cristã?

Neste episódio de Bíblia Aberta, exploramos um dos capítulos mais conhecidos e profundos da Bíblia: 1 Coríntios 13. O apóstolo Paulo revela que os dons espirituais, o conhecimento, a fé e até os maiores sacrifícios perdem o seu verdadeiro valor quando não são motivados pelo amor.

Série
Bíblia Aberta · 13 episódios
Temporada e episódio
Temporada 7 · Episódio 7
Estreou
08 de Agosto de 2026
Categoria
Espiritualidade
Apresentação
Jorge Duarte